A pesquisa do PoderData feita
de 26 a 28 de julho mostra que o governo é hoje desaprovado por 53% dos
eleitores. A taxa oscilou 3 pontos percentuais para baixo em 2 meses. No mesmo
período, a aprovação foi de 39% para 42%. A distância entre as taxas positiva e
negativa caiu de 17 pontos percentuais para 11 pontos percentuais.
Com a desaprovação em alta há
aproximadamente 1 ano, como mostram as curvas do gráfico acima, é a 1ª vez que
os percentuais oscilam favoravelmente ao governo. Isso se deve, em parte, pelas
tarifas anunciadas por Trump sobre os produtos brasileiros, justificadas pelo
tratamento que o Poder Judiciário brasileiro deu ao ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) no processo em que ele responde por tentativa de golpe de
Estado, e a relação comercial entre os 2 países –que considera discrepante.
Há um mérito na estratégia de
comunicação do governo, que tem conseguido, a partir das justificativas
apresentadas por Trump para o tarifaço, emplacar o discurso da soberania, que
se assemelha a momentos de Copa do Mundo, quando o sentimento nacionalista do
brasileiro fica mais vívido.
Apesar de ser comum ouvir
reclamações de brasileiros sobre o país, a população costuma se unir quando a
disputa é contra um agente estrangeiro. Um caso recente de patriotismo e fora
da política foi a disputa pelo Oscar do filme “Ainda Estou Aqui”. O sentimento
nacionalista tomou conta do país, que estava em período de Carnaval, e
brasileiros dominaram as redes e as ruas em defesa e torcida pelo longa e pela
protagonista Fernanda Torres, indicada na categoria de melhor atriz.
A leve melhora nos números do
governo reacende o debate sobre a corrida ao Planalto em 2026 com uma possível
reeleição do presidente Lula. Integrantes da esquerda afirmam que o Brasil deve
repetir o cenário visto no Canadá e na Austrália, onde as declarações de Trump
reverteram as vantagens de candidatos que tinham afinidade com o
norte-americano e levaram à vitória de seus opositores –o chamado efeito
anti-Trump.
Só que é preciso levar em
conta que as falas do presidente norte-americano nesses casos se deram no meio
dos debates eleitorais, causando esse efeito realmente positivo para os
candidatos vitoriosos no Canadá e na Austrália –que eram críticos da Casa Branca.
No Brasil, o processo
eleitoral será ainda daqui a mais de 1 ano (o 1º turno é em 4 de outubro de
2026). O imbróglio econômico continua a ser um desafio para o governo, que não
entendeu como lidar com o deficit federal. Basta ver a trajetória da dívida pública,
o aumento constante das despesas (Lula deve anunciar mais 6 programas sociais
até as eleições) e sem quase nenhum corte relevante de gastos.
Tudo considerado, no Brasil, o
tarifaço de Trump tem um efeito rebote para os Bolsonaros e ajuda Lula neste
momento. No médio e no longo prazo, não se sabe.
A pesquisa foi realizada pelo
PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os
dados foram coletados de 26 a 28 de julho de 2025, por meio de ligações para
celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 182 municípios nas 27
unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo
de confiança é de 95%.
Para chegar a 2.500
entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os
grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o
PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, são mais de 100
mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de
forma fiel o conjunto da população.
Tribuna do Norte