Ao participar do 33º Congresso
& Expo Fenabrave, na SP Expo, na capital paulista, Galípolo lembrou
que é função do Banco Central trabalhar para que a inflação fique sempre dentro
da meta, mas ressaltou que esse tem sido um processo lento e que, por isso, a
Selic precisa ser mantida em um campo ainda bastante restritivo.
“Estamos em um cenário de ter
descumprido a meta [de inflação] duas vezes – no final de 2024 e meados de 2025
- e com expectativas e projeções do mercado e do Banco Central que apontam que
essa convergência está se dando de uma maneira lenta para a meta de inflação. É
isso que tem demandado uma política monetária mais restritiva, que busca
justamente fazer essa convergência para a meta”, explicou, durante a palestra
Conectando o Presente e o Futuro, promovida pela Federação Nacional da
Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
O Copom definiu 3% como a meta
a ser perseguida para a inflação do país, podendo variar 1,5% para cima ou para
baixo. “A Selic é o quanto que o dinheiro se valoriza no tempo. A inflação
é o quanto o dinheiro perde valor no tempo. Em um processo de elevação da
inflação, você vê a meta escapar e, simultaneamente, ficar menos apertada a
política monetária, que deveria justamente estar apertada para perseguir a
meta. Por isso tem essa regra de que, quando o Banco Central começa a subir os
juros em um processo onde a inflação está subindo, o BC precisa subir mais do
que a inflação está subindo. Se a inflação está subindo, significa que a taxa
de juros não está restritiva o suficiente para produzir a convergência da
inflação para a meta. Se ela não está restritiva o suficiente e está caindo,
preciso subir ela mais do que a inflação está subindo”, explicou ele.
>>
Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp
Crescimento
Durante o evento, Galípolo
ressaltou que é difícil explicar como o Brasil continua apresentando
crescimento apesar de ter uma taxa básica de juros tão restritiva.
Uma das explicações possíveis
para isso, de acordo com o presidente do BC, seria a renda. Segundo ele, a
política tributária mais progressiva, aliada a programas de distribuição
de renda, poderiam estar contribuindo para que as pessoas gastem e consumam
mais, aumentando o dinamismo da economia.
“O que parece ter acontecido é
que a renda tem se mostrado bastante resiliente. Estamos com o nível de
desemprego mais baixo da série histórica, batendo 5,8%, dessazonalizado 5,7%,
que é o menor nível de desemprego da série histórica. E estamos com o nível
mais alto de renda do trabalhador. Então, mesmo com uma taxa de juros
restritiva, a gente segue mostrando uma resiliência no mercado de trabalho,
bastante forte, o que deve estar puxando uma demanda mais forte”, afirmou.
Agência Brasil
0 comentários:
Postar um comentário