Neste ano, até julho de 2025,
o investimento na operação já atinge R$ 21 milhões, se aproximando do montante
gasto em 2024, que foi de R$ 34 milhões. Os recursos são de cerca de 98% para
pagamento dos pipeiros, sendo os outros 2% para custeio das atividades do
Exército. Segundo o EB, outros seis municípios estão em processo de inclusão na
Operação Carro Pipa.
A Operação Carro Pipa atende prioritariamente municípios na região do semiárido
nordestino em situação de emergência ou calamidade pública por seca ou
estiagem, com reconhecimento federal da Defesa Civil Nacional. “Com um papel
crucial na vida de milhões de brasileiros que vivem na região do semiárido, a
OCP é uma ação emergencial coordenada pelo MIDR e pelo Exército com o objetivo
de garantir o acesso à água potável em municípios que sofrem com a escassez
hídrica, um problema recorrente nessa região do país”, disse o MIDR em nota
enviada à TN.
Segundo o Coronel José Gerino Bezerra Cordeiro, chefe do Escritório Regional da
Operação Carro Pipa da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada no RN, a ação é
voltada especificamente para populações das zonas rurais dos municípios, com o
pedido sendo feito pelas prefeituras por meio do decreto de emergência por
situação de seca. Atualmente, 76 municípios potiguares tiveram suas situações
de seca decretadas reconhecidas pelo Governo Federal.
Uma vez feita a solicitação e indicada as áreas a serem beneficiadas, o
Exército Brasileiro entra em ação com as contratações dos carros pipa, que
atualmente somam 215 no Estado. “No sistema o município insere os dados, não só
o decreto de emergência, mas fotos que mostrem a situação de seca na região, os
mananciais que existem, o gado que está morrendo. Ele mostra uma série de dados
para que o MIDR reconheça que aquele município precisa da Operação Carro Pipa.
Com isso, o MIDR manda para o Exército para que aquele município seja inserido
na Operação. Vamos ao município, fazemos o reconhecimento da região, ver a real
necessidade. É um trabalho conjunto com as coordenadorias de Defesa Civil dos
municípios”, explica o Coronel José Cordeiro.
Na prática, cada pessoa da comunidade rural precisa receber 20 litros de água
por dia. Numa comunidade que tenha 30 pessoas, por exemplo, o cálculo é feito
em cima da quantidade de dias de água a serem disponibilizadas para as pessoas
daquela área.
“Cada pessoa recebe 20 litros de água por dia. Se a comunidade tem 50 pessoas,
por exemplo, então 50 multiplicado por 20 litros/dia, são 1.000 litros/dia para
aquela comunidade. Como são 30 dias por mês, seria 30 mil litros por mês. Se
contratamos um caminhão com capacidade de 10 mil litros, precisamos que aquele
caminhão faça 3 viagens, por exemplo”, aponta.
Fiscalização
Dos mananciais às cisternas, as águas levadas pelos carros-pipa até à população
passam por um longo processo de fiscalização e verificações de pureza da água,
com intuito de evitar riscos e contaminações para a população beneficiada.
Segundo o Coronel José Gerino Bezerra Cordeiro, coordenador da Operação Carro
Pipa no RN, os carros pipa passam por todo um processo de rastreabilidade via
satélite bem como laudos de potabilidade da água mensais e vistorias em relação
à documentação do veículo, além de colagem de adesivos nos caminhões.
A fiscalização, segundo o Coronel, é necessária para que não haja desvios na
água nem contaminações nos tanques dos veículos. Ele aponta que em caso de
irregularidades, os pipeiros podem responder a processos administrativos e
eventuais exclusões do programa.
“É um contrato de exclusividade. Ele só pode trabalhar naquele período de 6
meses, do contrato, para a Operação Carro Pipa. Não se pode fazer outro
serviço, para evitar contaminação no tanque num final de semana levando água
que não é potável, por exemplo. Cada caminhão desses é levado um equipamento de
rastreio via satélite. Temos um sistema de acompanhamento do percurso que ele
realiza durante o trabalho de entrega de água”, finaliza, acrescentando que
pelo menos 95% dos pipeiros seguem às regras e diretrizes estabelecidas pela
legislação.
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