domingo, 24 de agosto de 2025

CPMI do INSS deve convocar ministros e irmão de Lula

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará as fraudes no INSS, inicia os trabalhos, na terça-feira (26), com participações de dois parlamentares do Rio Grande do Norte, os senadores Styvenson Valentim (PSDB), como titular e na condição de suplente, o líder da oposição no Senado Federal, Rogério Marinho (PL), para quem “não dá para varrer um crime dessa magnitude para debaixo do tapete”.

Rogério Marinho preferiu ser indicado suplente pelo bloco Pl/NOVO, porque devido o acúmulo de outras atribuições políticas com a função de secretário nacional do seu partido, ficará mais livre para coordenar as ações da bancada oposicionista no andamento das investigações sobre os desvios de R$ 2 bilhões em apenas um ano de recursos do INSS, que já atingiram aposentados e pensionistas em 27 estas do país:“O Congresso tem o dever de expor, julgar e punir os culpados, bandido de estimação não tem vez”.

O senador Styvenson Valentim disse que a CPMI “não é contra o INSS, é contra a corrupção que rouba aposentado”, sendo que o compromisso dos 32 membros da Comissão “é investigar quem mais precisa, o aposentado e o pensionista da previdência social.”
Até a sexta-feira, a página da CMPI no site do Senado Federal registrava a apresentação de 727 requerimentos.

Grande parte deles trata de convite ou convocação do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi; do atual gestor da pasta, Wolney Queiroz; do presidente do INSS, Gilberto Waller; assim como de vários outros ex-presidentes do órgão, como André Paulo Felix Fidelis.

Muitos requerimentos tratam da convocação do ministro-Chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias; do ministro da CGU Vinícius Marques de Carvalho; do delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; e do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

Outra convocação que aparece em dezenas de requerimentos é a do irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Ferreira da Silva, o Frei Chico. Ele é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi-FS), uma das entidades investigadas pela Polícia Federal por supostos descontos indevidos nos contracheques dos aposentados do INSS.

Outros solicitam a quebra dos sigilos bancário e fiscal de várias associação de aposentados e pedem a órgãos como a Polícia Federal e CGU o envio de informações. Pedidos de Relatório de Inteligência Financeira (RIF) ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também estão na lista.

Em horário ainda a ser definido, pela manhã do dia 26, os membros vão votar os primeiros requerimentos, solicitando servidores da Controladoria-Geral da União (CGU), da Polícia Federal e do próprio INSS para auxiliar nas investigações. Na quinta-feira (28) eles devem votar o plano de trabalho.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que o colegiado vai se reunir duas vezes na semana: às segundas-feiras, a partir das 15h, e às quintas-feiras, às 9h.

Ainda conforme o presidente, na terça-feira os parlamentares vão discutir sugestões para o plano de trabalho, que será apresentado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A votação do texto está prevista para a manhã de quinta, quando também devem ser iniciadas a votação dos primeiros requerimentos de convites e convocações.

— Vamos começar pelos ministros da Previdência desde o governo [da ex-presidente da República] Dilma. Nós queremos entender esse mecanismo, todas as falhas dele, independentemente do momento. Então desde o governo Dilma nós ouviremos todos os ministros da Previdência Social. Também desde o governo Dilma estaremos convidando e, se for necessário convocando, todos os presidentes e ex-presidentes do INSS. Nós queremos ouvi-los para entender o que foi feito, como começou e, naturalmente, as responsabilidades de cada um.

Comissão vai ouvir gestores de vários governos

A criação da CPMI do INSS também repercute mesmo entre parlamentares do Rio Grande Norte que não atuarão, diretamente, na condução dos trabalhos, a deputada Carla Dickson (União Brasil), que elogia as primeiras medidas tomadas por seu presidente, o senador Carlos Viana (Podemos-MG): “Já mostrou que não está para brincadeira, pediu a quebra do sigilo bancário do irmão do Lula e do Carlos Lupi”.

“Seguimos firmes na fiscalização e na busca por respostas que a população brasileira merece e que os verdadeiros culpados sejam responsabilizados”, defendeu Dickson.

Já o deputado federal General Girão (PL) comenta, que “se houvesse o envolvimento de alguém da Direita, já haveria gente presa, denúncias, cartazes da Esquerda com os dizeres: “Ladrão do INSS!” Mas não há. Por quê? Porque os maiores roubos aconteceram entre 2023 e 2024, exatamente no Governo do Lula”.

“E o pior — lamenta Girão, até achava que a Procuradoria-Geral da República (PGR) faria um trabalho isento nessa hora de investigação do escândalo do INSS, do roubo dos velhinhos, mas, infelizmente, isso não está acontecendo”.

Girão diz, ainda, que o rombo do INSS não pode ser coberto com recursos do Orçamento, porque o governo federal já estão fazendo isso com o objetivo de parar as ações judiciais: Ora, mas o que está acontecendo? Cadê a devolução do dinheiro? Vão fazer igual à Lava-Jato: o dinheiro que foi roubado agora está sendo entregue de volta para os ladrões? Não é possível isso! É inaceitável isso!”

O General Girão lamenta, ainda, que a própria Advocacia-Geral da União “tenha recusado as ações contra o sindicato do irmão de Lula”.
Mas, completou Girão, “o Brasil e o mundo esperam uma explicação sobre esse roubo dos velhinhos e das velhinhas. Para mim, só há um carimbo na testa de alguém: Lula da Silva, presidente da República. É uma pena termos esse empreendimento do mal, porque o PT conseguiu criar um empreendimento do mal: roubar os velhinhos”.

Oposição convoca irmão para CPMI do INSS

Parlamentares da oposição apresentaram na quinta-feira (22) pelo menos cinco requerimentos de convocação de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para depor na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Ele ocupa o cargo de vice-presidente do Sindnap (Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical), entidade suspeita de envolvimento em esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas.

O entendimento dos membros da comissão é que a investigação deve priorizar a apuração das denúncias envolvendo entidades sindicais e suas possíveis relações com pensionistas e aposentados. A condução dos trabalhos busca manter o objetivo principal da CPMI: investigar as irregularidades no sistema previdenciário brasileiro.

Frei Chico, irmão de Lula, tem vários requerimentos para CPMI. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Frei Chico, irmão de Lula, tem vários requerimentos para CPMI. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

No documento obtido pelo titular desta coluna, a justificativa é que o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) foi citado como entidade envolvida no esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. De acordo com relatório da Polícia Federal, a entidade teve aumento incomum de arrecadação ligada ao INSS, passando de R$ 17 milhões em 2019 para R$ 90 milhões em 2023, totalizando R$ 259 milhões.

O documento diz ainda que “se torna imprescindível a oitiva do Sr. José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, o qual integrou a direção da entidade no período investigado”. Parlamentares da oposição afirmam que o testemunho de Frei Chico é da mais alta relevância para a CPMI, tendo em vista o pleno esclarecimento das práticas adotadas pela entidade, a cadeia de decisões que permitiram a ocorrência das irregularidades investigadas e a sua responsabilidade pessoal e da instituição no que tange ao tema. O colegiado já recebeu mais de 700 pedidos de convocações e quebras de sigilos fiscais.

Tribuna do Norte

Nenhum comentário:

Postar um comentário