domingo, 17 de maio de 2026

Turismo potiguar e inovação são debatidos durante Innovation Day da Fecomércio RN

Foto: Divulgação

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte, Edmar Gadelha, participou nesta quinta-feira (15) do Innovation Day, evento promovido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte, que reuniu representantes do setor produtivo, empresários e lideranças para discutir inovação, desenvolvimento econômico e oportunidades estratégicas para o estado.

Durante a programação, Edmar integrou o painel “Vai Turismo”, ao lado de George Costa e do empresário Paulo de Paula .

O debate destacou ações voltadas ao fortalecimento do turismo potiguar, os desafios estruturais enfrentados pelo setor e a necessidade de ampliar iniciativas integradas para impulsionar o destino Rio Grande do Norte.

Na ocasião, Edmar Gadelha reforçou a importância da união entre as entidades, empresários e o poder público para consolidar avanços estratégicos no turismo estadual.

Entre os temas discutidos, estiveram a promoção do destino, melhorias na infraestrutura, conectividade aérea e ações conjuntas capazes de ampliar a competitividade do Rio Grande do Norte no mercado nacional e internacional.

Tribuna do Norte

Acesso a crédito e capacitação fomentam produção de mel no RN

Em cinco anos, as contratações de crédito para a apicultura no RN junto BNB totalizaram um volume de R$ 23,2 milhões. Foto: Alex Régis

Favorecidas pelas condições ideais da Caatinga potiguar e pela possibilidade de geração de renda, a apicultura e a meliponicultura vêm ganhando cada vez mais espaço no Rio Grande do Norte, impulsionando a produção de mel de qualidade, com característica e sabor únicos. Uma prova disso é a procura por crédito para investimentos na área. Dados do Banco do Nordeste (BNB) apontam que, em cinco anos, as contratações de crédito para a apicultura no Estado junto à instituição totalizaram um volume de R$ 23,2 milhões. O acompanhamento de entidades como o Sebrae também tem sido fundamental para o avanço dessa cadeia produtiva.

De acordo com o BNB, no ano passado foram contratados R$ 9,7 milhões para a apicultura no RN, um número quase sete vezes maior do que o volume de 2020 (R$ 1,4 milhão). O apicultor Jean Carlos Rufino, 47, está entre os produtores que buscaram financiamento junto à instituição. Apesar de trabalhar na área há 20 anos, foi apenas em 2021 que ele decidiu focar na criação de abelhas com ferrão na comunidade Baixa Verde II, em Apodi, no Oeste potiguar, onde foram investidos os cerca de R$ 20 mil do financiamento.

“Comecei a me interessar realmente pela fabricação de mel com a chegada dos consultores do Sebrae e do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), que me ajudaram a despertar para esse setor. Estou em um momento de multiplicar as abelhas. Atualmente, tenho 180 caixas povoadas, o que já me garante uma renda interessante quando a safra é boa. No meu melhor ano na apicultura, consegui tirar 27 quilos de mel por caixa”, conta o produtor. A meta é ampliar a criação de abelhas até julho.

“No começo do ano, eu tinha 120 caixas. Consegui multiplicar esse número e, agora, com o período de chuvas, pretendo dobrar, até o final de julho, a quantidade que eu tinha em janeiro”, planeja.

O aumento das colmeias, aliado aos bons índices de chuva registrados na região, tem despertado otimismo em Jean, que também está com planos para a meliponicultura (criação de abelha sem ferrão). “Até o final de agosto, pretendo povoar 50 caixas no meliponário”, afirma o produtor, animado.

“A promessa para este ano, de modo geral, está muito boa. Acredito que, na apicultura, vou superar os 27 quilos por caixa. Já conseguimos uma colheita da flor do marmeleiro, que é da mata nativa, e estamos esperando a florada de outras plantas como a sambacaitá, bamburral, jitirana e vassourinha de botão”, diz Jean que, apesar de ainda considerar tímida a produção de mel, encontrou na atividade sua principal fonte de renda.

Quem também já começou a dar os primeiros passos na criação de abelhas foi Neto Lúcio, de 51 anos, do distrito Córrego II, em Apodi. Embora tenha como atividades principais a produção de verdura orgânica e o Viveiro de Plantas Vida Nova, há dois anos ele optou por investir na meliponicultura e buscou um financiamento de R$ 6 mil. Com apoio do BNB, Neto tem como meta ampliar o plantel no quintal produtivo que possui em casa até 2027. “Hoje tenho 40 caixas de abelha, mas pretendo dobrar esse número no próximo ano”, conta.

Apicultor Jean Carlos Rufino. Foto: cedid

Sustentabilidade e capacitação

Neto Lúcio tem como premissa em todas as atividades que desenvolve o foco na sustentabilidade. Com a meliponicultura, não é diferente. Apesar da produção incipiente – ele realizou uma única colheita no ano passado, quando retirou três litros de mel - o produtor não abriu mão de seguir os parâmetros necessários para obter a certificação sustentável. A necessidade de preservação ambiental com o desenvolvimento da cadeia de produção é um dos aspectos que o atraíram para a atividade.

A manutenção e expansão do plantel, que requer manejo sustentável, seguem como prioridades. Por isso, o foco do meliponicultor é a ampliação do número de enxames para fortalecer a marca Jardim das Abelhas, criada por ele. “Estou investindo para que a produção de mel se torne minha fonte de renda mais importante. A região aqui oferece vários tipos de plantas que são muito boas para a abelha. Graças a isso, a gente obtém um mel mais gostoso, amarelinho”, conta. Para essa ampliação, ele pretende buscar novamente crédito junto ao BNB.

Jean Carlos Rufino, que cria especialmente abelhas com ferrão em outra comunidade de Apodi, fala que as condições da região são um convite natural à expansão da atividade. Mas, para isso, é essencial acesso a crédito. “Aqui a gente produz um mel que é muito bem aceito no mercado. Somos privilegiados por natureza, mas é preciso de dicação intensa todos os dias e um bom investimento, porque o material necessário não é barato. Felizmente, agora estou na fase de investir parte dos ganhos, algo que antes não era possível, porque não tinha dinheiro”, afirma.

Dentre os investimentos planejados estão a regularização de um novo terreno para a instalação dos próximos apiários. Ainda de olho na ampliação da apicultura, Jean não descarta adquirir novas áreas para a criação das abelhas.

“Hoje, uma colmeia com 2 mil abelhas varia entre R$ 400 e R$ 500. E tem a parte estrutural, com mesa e centrífuga, além do terreno para colocar as instalações. É preciso um reforço financeiro, mas é importante dizer que é um investimento duradouro”, destaca o produtor, que obteve crédito junto ao BNB por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Jean defende que, para garantir a expansão das atividades, é preciso também se capacitar. E foi o que ele fez, com apoio do Sebrae e do Senar. “Quanto à meliponicultura, comecei com apenas uma caixa povoada com abelhas. Na semana passada, como resultado de uma consultoria do Sebrae, fizemos uma divisão e conseguimos ampliar o número de caixas povoadas para cerca de 30. Acredito que o dinheiro e o conhecimento precisam andar juntos. E o conhecimento nós temos adquirido junto ao Sebrae e ao Senar”, pontuou Jean Carlos Rufino.

Neto Lúcio, produtor em Apodi. Foto: Cedida

Crédito para produtores rurais do RN

A maior produção de mel de abelha da série histórica no RN, conforme mostram os dados da última pesquisa Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, tem como reflexos a busca por crédito para o desenvolvimento da apicultura. Se em 2024, de acordo com a PPM, o RN produziu mais de 1,1 mil toneladas de mel (1.190.489 quilos), o melhor resultado desde 2009, a procura por investimentos na área fez com que o interesse por crédito rural para a apicultura registrasse crescimento de forma ininterrupta entre 2020 e 2025.

No BNB, o volume de contratações para a atividade só cresceu nos últimos cinco anos. Em 2020, o volume total na instituição foi de R$ 1,4 milhão; em 2022, R$ 2,3 milhões; no ano seguinte, mais R$ 3,5 milhões; já em 2024, o montante praticamente dobrou, chegando a R$ 6 milhões; e no ano passado, mais R$ 9,7 milhões.

Gustavo Saraiva, gerente regional do Agroamigo, explica que os dados se referem aos diferentes programas de crédito do BNB. De acordo com ele, o financiamento do Agroamigo atende ao Pronaf e tem como público os produtores de mel da Agricultura Familiar.

“No caso do Agroamigo, é possível fazer um investimento de até R$ 20 mil por produtor de mel. E o interessante é que a gente consegue atender toda a unidade familiar. Funciona da seguinte maneira: o casal pode fazer uma operação de até R$ 40 mil (R$ 20 mil para cada um). Para o filho desse casal é permitida uma operação de até R$ 8 mil. Além disso, é possível que a família faça outra operação de até R$ 3 mil para melhorias sanitárias em casa, como a construção de um banheiro”, explica.

“No total, uma única unidade familiar pode fazer operações de até R$ 51 mil”, acrescenta Saraiva. As regras descritas são válidas para famílias enquadradas no grupo B do Pronaf (aquelas com renda anual de até R$ 50 mil). “Para famílias com renda anual superior a R$ 100 mil, enquadradas no grupo V, também é possível fazer operações de até R$ 100 mil por pessoa”, explicou Gustavo Saraiva.

Felipe Salustino/Repórter

Tribuna do Norte

Mossoró Cidade Junina prevê R$ 357 mi, mas hotéis apontam baixa nas reservas

Estudo mostra que evento atraiu visitantes de vários estados e movimentou R$ 22 milhões em 42 municípios no ano passado. Foto: Lucas Bulcão/Secom PMM

O Mossoró Cidade Junina 2026 chega à edição de 2026 consolidado como um dos maiores eventos culturais do Nordeste e principal vitrine turística do interior do Rio Grande do Norte. Apesar da expectativa de grande público, empresários do setor hoteleiro demonstram preocupação com a procura por hospedagens neste ano, considerada abaixo da registrada em edições anteriores.

A abertura oficial acontece no dia 6 de junho com o tradicional Pingo da MeiDia, considerado o ápice da festa, reunindo Bell Marques, Dan Ventura e Grafith no Corredor Cultural. A programação do evento está distribuída em vários polos culturais e movimenta a economia local, gerando empregos temporários e atraindo visitantes de diferentes estados durante junho. Neste ano, a festa terá atrações como João Gomes, Nattan, Calcinha Preta, Zezé Di Camargo e Luciano, Alok, Pablo e Xand Avião, além de artistas regionais.

A empresária Karol Vieira, que administra um hotel em Mossoró, afirma que o cenário atual foge do padrão normalmente observado às vésperas do evento. “A procura para o Pingo da MeiDia/MCJ de 2026 está um tanto atípica em relação aos anos anteriores. A essa altura, faltando apenas 25 dias para o início do evento, está muito baixa ainda. Muitas pessoas especulando, fazendo orçamentos, mas não fechando sua hospedagem”, relata. “Digamos que 50% de procura até agora. Ano passado, 80% do Pingo já estava vendido e alguns fins de semana também. Em 2024, por essa data, estava 100% vendido o Pingo. Mas estamos animados que isso se reverterá”, afirmou.

Segundo a empresária, fatores como o cenário econômico, o limite para contratação de artistas e o fortalecimento de festas juninas em outras cidades nordestinas ajudam a explicar a redução nas reservas.

A partir deste ano, municípios do Rio Grande do Norte, incluindo Mossoró, passam a seguir recomendação do Ministério Público do Rio Grande do Norte e do Tribunal de Contas do Estado para limitar em R$ 700 mil os cachês artísticos pagos em festas juninas. A medida busca conter gastos públicos e estimular maior equilíbrio nas contratações culturais.

Karol acredita que a limitação impacta diretamente o potencial de atração turística do evento, principalmente em relação a artistas nacionais de maior alcance popular. “As atrações mais caras realmente trazem mais público. Como Luan Santana, durante os dois anos que veio, eu vendi bastante o dia dele”, destacou.

Além da questão financeira, ela cita a concorrência crescente de outros polos juninos do Nordeste. Nos últimos anos, Natal passou a investir fortemente em programação de São João, enquanto cidades como Maracanaú ampliaram ainda mais seus festejos.

Evento movimentou R$ 357 milhões

Mesmo diante das preocupações do setor hoteleiro, especialistas avaliam que o Mossoró Cidade Junina 2026 deverá manter forte impacto econômico na cidade e na região Oeste. Dados do Diagnóstico Socioeconômico do Mossoró Cidade Junina 2025 apontam que a edição passada movimentou aproximadamente R$ 357 milhões.

O levantamento foi coordenado pelo professor de Economia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Dr. Leovigildo Cavalcanti, em parceria com a Faculdade de Ciências Econômicas da universidade, CDL Mossoró e Polícia Militar do Rio Grande do Norte. Segundo o estudo, o evento gera mais de oito mil empregos diretos e indiretos durante o período junino.

Para o economista, embora a edição deste ano tenha menos artistas de renome nacional em função das limitações financeiras impostas aos municípios, isso não representa enfraquecimento do evento. “Esperamos o mesmo volume de recursos gerados ano passado. É claro, levando em conta que este ano teremos um menor número de artistas de renome nacional em função da limitação de recursos que foram estabelecidos junto ao Ministério Público e acordados por muitas prefeituras”, pondera. “Isso não significa que vai haver um esvaziamento do evento. Vai haver agora a possibilidade de gerar elementos nos quais os artistas locais e regionais possam ter palco e, a partir daí, gerar uma maior identidade com o público no que diz respeito à economia local, regional e cultural”, afirmou Dr. Leovigildo.

O impacto econômico do evento ultrapassa os limites de Mossoró. Segundo o professor, o MCJ movimenta cadeias produtivas em dezenas de municípios do Rio Grande do Norte e até em estados vizinhos, como Ceará e Paraíba. O estudo aponta que cerca de R$ 22 milhões foram movimentados em 42 municípios em razão direta das atividades ligadas ao evento.

Municípios da região Oeste registram aumento na circulação de pessoas, vendas no comércio, serviços de alimentação, transporte e hospedagem. “Dada a caracterização dos eventos, principalmente o Pingo da MeiDia e o Boca, que têm um grande atrativo de pessoas vindas de outros municípios, termina-se gerando receitas em outros municípios, fazendo com que o Mossoró Cidade Junina transcenda suas fronteiras e gere emprego e renda em outros municípios”, analisa. “No MCJ do ano passado, tivemos pessoas oriundas de 93 municípios de 16 estados”, ressalta.

Ismael Sousa/Colaborador no Oeste

Tribuna do Norte

No Rio Grande do Norte, acidentes de trânsito crescem 82% em cinco anos

Motociclistas lideram atendimentos e mortes em acidentes no RN. Entre principais causas estão fatores comportamentais e condições de saúde do condutor. Foto: Adriano Abreu

O número de acidentes de trânsito aumentou 82% em cinco anos no Rio Grande do Norte, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed-RN). O crescimento foi constante entre 2021, quando foram registrados 7.498 sinistros, e 2025, com 13.649 ocorrências contabilizadas pela Polícia Civil do RN. De janeiro a abril de 2026, o estado registrou 4.337 acidentes, média de 36 por dia. O cenário acende um alerta para a importância da conscientização no trânsito.

O maior salto ocorreu entre 2022 e 2024, quando o estado passou de 9,6 mil para mais de 13,3 mil ocorrências. No total, entre 2021 e abril de 2026, o RN registrou 59.732 acidentes de trânsito, dos quais 2.790 tiveram mortes. Os dados reforçam a importância da campanha Maio Amarelo, que busca reduzir os sinistros e tem como tema em 2026: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”.

“Logo depois da pandemia [2020], observamos uma certa diminuição dos acidentes, mas de 2024 para cá esse número vem aumentando, o que preocupa todas as autoridades de trânsito”, diz o professor Emerson Melo, especialista em legislação de trânsito. Segundo ele, a falta de sinalização em trechos importantes contribui para o aumento dos acidentes.

Os números da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN) sobre atendimentos a vítimas de acidentes também acompanham a tendência de crescimento. De julho de 2024 a março de 2026, o Notifica RN registrou 32.946 atendimentos em unidades de saúde. Apenas nos três primeiros meses de 2026, já houve 8.755 notificações.

De acordo com boletim da Sesap-RN, os motociclistas formam o grupo mais vulnerável, representando quase 62% dos atendimentos (19.730). Na sequência aparecem motoristas (4.497 e 13,7%), passageiros (2.488 e 7,6%), ciclistas (2.023 e 6,1%) e pedestres (896 e 2,7%). A maioria dos acidentados tem um perfil: homens jovens, entre 20 e 49 anos.

Para especialistas, os dados reforçam a necessidade de campanhas educativas permanentes. Emerson Melo afirma que essas iniciativas “têm que ser intensificadas, mas não só pontualmente, como o Maio Amarelo e a Semana Nacional de Trânsito, que ocorre em setembro.”

Na avaliação dele, é necessário ampliar as ações de conscientização desde a escola até a universidade. “Tudo para funcionar no trânsito tem que ter o trinômio engenharia, educação e fiscalização. A engenharia evita acidentes, por exemplo, temos muitas vias no interior do estado sem acostamentos”, destaca.

A secretaria estadual de saúde aponta ainda predominância de acidentes com motocicletas, com 27.186 casos entre 2024 e 2026. Bicicletas (1.965) e automóveis (1.464) aparecem em menor número. “Em 2026, as notificações mensais ultrapassaram 3 mil casos, refletindo ampliação da sensibilidade do sistema, mais do que aumento real na ocorrência”, descreve o boletim. “A série temporal das notificações […] apresenta tendência crescente no período de julho de 2024 a março de 2026, com oscilações”, completa.

Em Natal cai o número de acidentes

Enquanto o RN registra aumento nos acidentes, Natal apresenta movimento contrário. Dados da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) mostram redução de 32,91% nos sinistros entre 2021 (4.227) e 2025 (2.836).

A secretária da STTU, Jódia Melo, afirma que intervenções em vias com altos índices de acidentes contribuíram para a redução. Segundo ela, a prevenção começa pela identificação de como e onde os acidentes ocorrem. Já o número de mortes no trânsito em Natal oscilou entre 2021 e 2025. Foram 52 mortes em 2021, com queda até 2024 (35), seguida de alta em 2025, quando houve 42 mortes. A secretária destaca a quantidade de motociclistas entre as vítimas.

Sinistros com motos lideram mortes

Dos 42 acidentes fatais registrados na capital em 2025, 26 envolveram motocicletas, o equivalente a 62%. Houve também queda nos sinistros com pedestres: os registros diminuíram 65% entre 2024 e 2025, passando de 60 para 21 ocorrências.

O número de mortes de pedestres caiu pela metade, de 16 para 8 casos. Em 2023, 5.557 automóveis estavam envolvidos em acidentes, número que caiu para 3.121 em 2024, redução de quase 44%. Já as motocicletas registraram aumento: eram 1.540 ocorrências em 2021 e passaram para 1.834 em 2025, aumento de 19%.

A STTU destaca ainda os dados sobre motociclistas atendidos nas unidades de saúde de Natal: a cada 50 minutos, um motociclista dá entrada em uma unidade; no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, uma vítima é recebida a cada 1h51. “Em 2025, cresceu muito o número de pessoas que utilizam a motocicleta para sobreviver, para trabalhar.

A motocicleta, por vezes, era utilizada como meio de deslocamento para ir trabalhar. Agora, você utiliza para ganhar dinheiro”, observa a secretária. “Cada vez mais, depois da pandemia, as pessoas se acostumaram a ter essa conveniência de pedir as coisas em casa”, acrescenta.

A Tribuna do Norte já mostrou que, entre janeiro de 2025 e abril deste ano, 4.035 pacientes foram internados no Hospital Walfredo Gurgel após acidentes de moto. A média é de 58 atendimentos por dia — uma vítima a cada três horas. Os dados constam em relatório do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN).

Maio Amarelo: prevenção e atenção

Segundo a STTU, a prevenção de acidentes envolve quatro pilares: educação, engenharia, fiscalização e cidadania. “Se a gente fizer a nossa parte enquanto gestão, enquanto política pública de segurança viária, que é tratar esses três pilares, e o cidadão não se interessar em se conscientizar e ter empatia, [os sinistros ocorrem]”, destaca Jódia Melo.

Ela explica que maio é um mês de conscientização para reduzir acidentes, especialmente os mais graves, com mortes ou sequelas. A STTU realiza levantamento mensal dos dados para orientar ações de prevenção.

“O setor de estatística, de acordo com os boletins de ocorrência e dados dos hospitais, vai compilando tudo e faz esse dashboard. Em cima desses dados, começamos a trabalhar a educação de trânsito, a fiscalização e a manutenção viária”, diz.

Dentro da programação do Maio Amarelo, a STTU promove palestras em empresas, escolas e universidades. Jódia Melo destaca ainda o retorno do programa de formação de agentes mirins de trânsito em 2026. “É um programa para formar crianças de 8 a 10 anos, na escola. Estamos formando 100 nesse semestre e mais 100 no próximo semestre. E eles serão multiplicadores.”

Saúde é fator de atenção

Entre as principais causas de acidentes estão fatores comportamentais e condições de saúde dos condutores. A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) aponta que, no RN, entre 2014 e 2024, 26,1% dos acidentes tiveram causas relacionadas à saúde.

No Brasil, nesse período, fatores comportamentais, como ultrapassagens indevidas e excesso de velocidade, responderam por 49,4% dos acidentes, segundo a entidade. Questões ligadas à saúde física e emocional dos condutores representaram 27,8% dos sinistros, seguidas pelas condições da via (8%) e do veículo (6,7%).

Segundo a Abramet, entre 2014 e 2024, o RN registrou 69.284 acidentes. Desses, 18.088 tiveram como causa fatores relacionados à saúde e 51.196 decorreram de outras causas. Emerson Melo acredita que a falta de atenção também está entre os principais fatores dos sinistros.

“A falta de atenção não necessariamente seria um problema de saúde. Por exemplo, 60% dos acidentes no Brasil ocorrem por colisão traseira. E a esses acidentes é atribuída como causa a falta de atenção. [Por exemplo,] o motorista que não guarda a distância de segurança ideal do veículo que vai à sua frente”, afirma. “Hoje, no Brasil, já existe uma fiscalização na renovação da habilitação, um certo critério a mais no exame médico, que vai avaliar as condições de saúde do candidato”, conclui Melo.

Acidentes de trânsito no RN

2021: 7.498
2022: 9.637
2023: 11.286
2024: 13.325
2025: 13.649
2026 (até abril): 4.337
Total: 59.732
Total de sinistros com morte: 2.790

Fonte: Sesed-RN

Acidentes de trânsito em Natal

2021: 4.227
2022: 4.376
2023: 4.308
2024: 2.527
2025: 2.836
Total: 18.274
Total de sinistros com morte: 223

Fonte: STTU

Fernando Azevêdo/Repórter

Tribuna do Norte

“Quando vivenciamos o nosso trabalho como significativo, somos mais produtivos”, diz Tamara Myles

Foto: Divulgação

O desenvolvimento da produtividade não deve estar concentrado na busca pelo aumento de resultados, mas no estímulo ao senso de significado entre os profissionais. Essa é a visão defendida pela pesquisadora da Universidade da Pensilvânia e professora da Boston College, a pernambucana Tamara Myles, que pesquisa o papel das lideranças na construção do pertencimento nas empresas.

Também autora dos livros “The Secret to Peak Productivity” e “Meaningful Work”, Myles é uma das palestrantes do evento C-Level Academy, no próximo dia 10 de junho, em Natal. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, ela compartilhou sua visão sobre os principais aspectos que constroem o significado no trabalho e os resultados que espera gerar nas lideranças potiguares.

Como o conceito de produtividade foi mudando ao longo da sua pesquisa e como podemos enxergá-lo no contexto do mundo do trabalho?

O meu trabalho evoluiu muito nos últimos 20 anos. O jeito que eu sempre interpretei a produtividade é que ela não consiste em apenas produzirmos mais, mas produzir mais do que realmente importa. O meu primeiro livro, intitulado “Produtividade Máxima” no Brasil, foi publicado nos Estados Unidos em 2014. Fui a primeira pessoa a aplicar a pirâmide do Maslow, chamada de “hierarchy of needs”, à produtividade. Após publicar o livro, passei a trabalhar com líderes em várias empresas para criar sistemas onde as pessoas pudessem ser mais produtivas. Ao longo de 15 anos fazendo esse trabalho, percebi um círculo virtuoso: quando as pessoas têm sistemas que as ajudam a focar no que realmente importa, elas ficam mais produtivas. Quanto mais produtivas, mais geram energia e engajamento. Isso me levou para a Universidade da Pensilvânia, em 2019, pois eu queria entender a ciência por trás desse ciclo, e passei a estudar com o Marty Seligman, o pai da psicologia positiva. Uma das perguntas que ainda existiam no mundo da psicologia positiva e da psicologia positiva organizacional era “qual o papel da liderança em criar ambientes onde as pessoas possam vivenciar o trabalho com significado?”. Isso não tinha sido explorado, e a minha pesquisa [Mapping and Measuring Leadership Practices Intended To Foster Meaningful Work] descobriu que os líderes são responsáveis pela metade da experiência de cada indivíduo.

Na sua pesquisa, o que você observa em comum do contexto empresarial no Brasil e no exterior, em relação ao perfil das lideranças?

Os dados mais recentes da Gallup [na pesquisa “State of the Global Workplace” 2026] mostram que 32 % dos colaboradores no Brasil estão engajados no trabalho, percentual que está acima da média global de 20%. No entanto, o dado ainda mostra que a maioria das pessoas não está realmente engajada. Além disso, 45% dos trabalhadores brasileiros disseram que têm sentido muito estresse no trabalho. Então a pergunta para os líderes não é apenas “como cobrar mais resultado?”, mas como criar condições para que as pessoas tenham energia, clareza, força e vontade de contribuir. Existem décadas de pesquisas que mostram que o significado é um fator que causa a alta performance. Quando vivenciamos o nosso trabalho como significativo, somos mais produtivos, resilientes, criativos e inovadores. Todos esses aspectos são resultados do significado no trabalho.

E quais são os principais desafios que você observa entre os líderes para conseguir fomentar esse senso de significado entre os colaboradores?

O primeiro é uma falta de entendimento do que é significado, pois existem vários mitos sobre o que realmente é o trabalho significativo. Um deles, por exemplo, é que significado e propósito são a mesma coisa. O que acontece é que o propósito é importante, mas sozinho não basta. O propósito responde à pergunta do porquê a organização existe, mas o significado responde à pergunta mais pessoal que é: “o que eu fiz hoje importou para alguém?”. Então cabe ao líder fazer essa conexão e tornar esse propósito visível. Os fatores que criam o significado no trabalho, que chamamos de três C’s na pesquisa, são: comunidade, contribuição e crescimento. O senso de comunidade é o senso de pertencimento, ou seja, poder ser quem você realmente é no trabalho; o de contribuição é saber que o que você faz, realmente importa; e o terceiro consiste em sentir que o que você faz está lhe ajudando a desenvolver, crescer e aprender.

Em geral, o desafio maior entre os líderes está na aplicação ou na ausência de conhecimento sobre esses caminhos para incentivar a equipe?

Acredito que é uma combinação dos dois. Como líderes entendemos que o significado é importante, mas também precisamos ter a responsabilidade de ajudar a criar ambientes onde as pessoas possam vivenciar esse sentido. O que percebo é que eu não tenho que passar muito tempo convencendo líderes sobre a importância, apesar da necessidade de derrubar alguns mitos e explicar a relevância do papel do líder. Quando chegamos na pergunta “como eu faço?”, há uma tendência em pensar em significado como algo até esotérico e não algo prático. No entanto, o que minha pesquisa descobriu é que são práticas simples do dia a dia que criam esse sentido.

E como equilibrar essa busca pelo sentido no trabalho sem gerar um desgaste e uma cobrança muito imediata pelo resultado?

Com a chegada da inteligência artificial, as empresas estão realizando muitos investimentos, mas essa adoção não está se traduzindo em produtividade. Um dos fatores que mais tem contribuído para essa essa falta de conexão entre o investimento e a produtividade está em deixar de lado a experiência humana. Quando o profissional sente medo de ter o trabalho substituído pela IA, ele não consegue ter a segurança psicológica necessária para adotar a mudança de uma forma que cause a produtividade. E o futuro da liderança não será apenas sobre tecnologia ou eficiência, mas sim em criar organizações onde as pessoas tenham energia para poder contribuir. Muitas vezes o foco está na produtividade e engajamento, mas isso começa com a experiência humana melhor.

As empresas têm procurado inserir estratégias mais personalizadas para melhorar a experiência dos colaboradores?

O que a gente vê na experiência das pessoas que participaram da pesquisa científica é que os três Cs são universais. Todo mundo prioriza esse senso de comunidade e pertencimento, e todos nós queremos crescer. Além disso, para sentirmos que o trabalho tem significado, os três Cs têm que estar presentes. O que muda é qual dos Cs é mais importante para cada geração. Pode ser que para mim, por exemplo, a comunidade seja mais importante do que o crescimento e a contribuição. Já para outra pessoa, pode ser que o crescimento seja mais importante. Então, para os líderes que estão pensando em promover o significado nas equipes, têm que focar nos três Cs. As práticas que criam o senso de comunidade são simples e uma delas é fazer perguntas reais para as pessoas. Perguntas como “o que está mantendo seu foco agora?” e “quando você sente que realmente importa aqui?”, por exemplo, abrem esse espaço para as pessoas criarem relacionamento.

Para o C-Level Academy, que ocorrerá em junho aqui no Rio Grande do Norte, qual o principal resultado que você espera gerar nos líderes e empresários potiguares?

Eu espero que as pessoas saiam da palestra com uma nova lente. Ao invés de se questionar sobre como fazer a equipe produzir mais, eu quero que os líderes se perguntem sobre quais condições estão criando para que as pessoas queiram contribuir, permanecer, aprender e fazer um trabalho excelente. Essa mudança de pergunta muda a liderança e, consequentemente, causa a produtividade.

QUEM

Tamara Myles é mestre em psicologia positiva aplicada pela Universidade da Pensilvânia, onde atua pesquisando o papel das lideranças na construção de um trabalho significativo e atua como professora-adjunta na Boston College com foco na formação de futuros líderes para o mercado. Ela também é coautora do livro “Meaningful Work” e autora do livro “The Secret to Peak Productivity”

Kayllani Lima Silva/Repórter

Tribuna do Norte

Fila do INSS cresce no RN e se aproxima de 55 mil pedidos

Emerson Amaral, 63 anos, entrou com pedido de aposentadoria em 2018 e segue trabalhando. Foto: Alex Régis

O Rio Grande do Norte registrou 54.998 pedidos de benefícios aguardando análise no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em março de 2026. Os dados constam no mais recente boletim Transparência Previdenciária e representam aumento de 9,3% na fila de espera em comparação com março de 2025, quando o estado contabilizava 50.300 requerimentos pendentes. Além disso, o levantamento mostra que 57% dos atendimentos superam 45 dias de espera.

No RN, a maior parte dos pedidos em análise está concentrada nos benefícios por incapacidade (22.407). Em seguida aparecem os benefícios assistenciais e de legislação específica (21.457). As aposentadorias somam 5.103 pedidos, enquanto pensões e auxílios-reclusão contabilizam 2.460 requerimentos. Já o salário-maternidade registra 3.571 solicitações aguardando conclusão.

Apesar do crescimento da fila, o RN tem a segunda menor quantidade de pedidos pendentes do Nordeste, com 54.998 requerimentos em análise, atrás apenas de Sergipe, que registra 37.619 casos. Na outra ponta, as maiores filas da região estão na Bahia (210.881), no Ceará (209.721) e em Pernambuco (149.376), segundo o boletim.

Cerca de 23,3% do total de pedidos em análise no INSS ultrapassam o prazo legal, que é de até 45 dias para benefícios por incapacidade e de até 30 dias para salário-maternidade. Nesse grupo, os benefícios por incapacidade concentram 12.325 solicitações, enquanto os pedidos de salário-maternidade somam 512 casos.

Segundo o boletim, cerca de 57% dos pedidos seguem em análise por mais de 45 dias. O cenário persiste mesmo com o programa Acelera INSS, que realiza mutirões, amplia a automação dos processos e oferece incentivos financeiros para aumentar a produtividade, com a meta de reduzir o tempo de resposta para menos de 45 dias até outubro.

Enquanto trabalha em uma barbearia para garantir renda, o jornalista Emerson Amaral, de 63 anos, ainda espera pela aposentadoria. Ele deu entrada no pedido em 2018 e, desde então, acumula anos de tentativas, idas ao INSS e expectativas adiadas, conciliando o trabalho diário com a incerteza sobre quando vai se aposentar.

“Eu já tinha feito meu plano de vida para parar, mas o tempo foi passando e eu tive que continuar trabalhando. O problema é que você dá entrada e fica sem resposta. A vida não espera o INSS”, lamenta.

Quando solicitou a aposentadoria, o pedido foi recusado. Ele relata que voltou ao atendimento presencial e foi informado de que ainda não tinha tempo suficiente de contribuição, com a orientação de que faltariam cerca de quatro anos para a concessão do benefício.

Mesmo assim, decidiu insistir na análise do caso. Ao longo dos anos, afirma ter feito novas tentativas, incluindo revisão de documentos e cálculos com apoio de um especialista, que apontou a possibilidade de reavaliar o tempo de contribuição.

Enquanto aguarda uma definição, Amaral segue trabalhando na barbearia para garantir renda, mas relata que, após os 55 anos, as oportunidades de emprego diminuem e, aos 60, ficam ainda mais restritas. “Quando eu me aposentar vou para o interior, morar dentro do mato e comer do que eu planto. Meu sonho é esse”, confessa.

Demora pode ser considerada abusiva

Para o vice-presidente da Comissão de Seguridade Social da OAB/RN, Melquíades Soares, a demora na análise dos benefícios previdenciários pode ser considerada abusiva em alguns casos, principalmente quando ultrapassa os prazos aceitos pela Justiça.

Segundo ele, embora a legislação previdenciária não estabeleça um prazo geral para análise dos requerimentos, o entendimento predominante nos tribunais é de que benefícios comuns não devem permanecer mais de 90 dias sem resposta.

“Quando passa de 90 dias, geralmente a Justiça já entende que fica caracterizado um abuso. Nesses casos”, explica, “o segurado pode recorrer ao mandado de segurança para obrigar o INSS a analisar o pedido ou ingressar diretamente com ação judicial para solicitar o benefício”.

Nos benefícios por incapacidade, como auxílio por incapacidade temporária e aposentadoria por incapacidade permanente, o entendimento costuma ser mais rigoroso devido ao caráter urgente da demanda. “A pessoa está doente, incapacitada e sem conseguir trabalhar. Então, extrapolado o prazo de 45 dias, já fica configurada uma demora excessiva”, diz.

Segundo Melquíades Soares, os principais impactos da demora recaem sobre segurados em situação de vulnerabilidade social. Ele destaca que os benefícios previdenciários existem justamente para cobrir situações de risco, como incapacidade para o trabalho, maternidade, morte do provedor da família ou perda de renda. “O prejuízo maior é a falta de renda. A pessoa fica sem condições de arcar com despesas básicas, como alimentação, moradia e saúde”, afirma.

Apesar disso, ele explica que pedidos de indenização por danos morais contra o INSS ainda enfrentam resistência no Judiciário. A demora, por si só, raramente gera condenação indenizatória, exceto em situações consideradas excepcionais. “Não é impossível conseguir indenização, mas, na prática, é muito difícil quando o único motivo é a demora da fila”, avalia.

Soares afirma que há situações em que a demora na análise ultrapassa os transtornos administrativos e provoca consequências mais graves para os segurados. Segundo ele, existem casos em que o requerente falece antes mesmo de receber uma resposta definitiva do INSS.

O advogado relata que algumas situações envolvem pendências simples, como divergências cadastrais ou exigências de documentos que poderiam ser resolvidas pelo próprio instituto, mas acabam prolongando o processo de forma excessiva. “Já vi casos em que a pessoa estava doente, entrou com o requerimento administrativo e morreu antes de receber o benefício por causa da demora”, afirma.

Nesses cenários, a Justiça pode reconhecer a possibilidade de indenização, principalmente quando o atraso ocorre por falhas administrativas que extrapolam a própria fila de análise. “São situações em que a demora vai além do tempo de espera normal e acaba causando um prejuízo ainda maior para o segurado e para a família”, disse.

Redução no número de servidores aumenta espera

Para o diretor de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Sindprevs/RN), Ary Peter, a principal causa da demora na análise dos benefícios do INSS é a redução no número de servidores ao longo dos últimos anos. Segundo ele, desde 2015 o instituto perdeu mais da metade da força de trabalho devido às aposentadorias e à falta de concursos públicos em larga escala. “De 2015 para cá, nós perdemos mais de 50% da nossa força de trabalho. Houve poucos concursos e nunca uma grande entrada de servidores. É uma conta que não fecha”, afirma Peter.

De acordo com Ary Peter, enquanto o quadro funcional diminuía, a demanda por benefícios continuou crescendo em razão do envelhecimento da população e do aumento no número de requerimentos previdenciários e assistenciais. “São aposentadorias, pensões, benefícios por incapacidade. Ao mesmo tempo, faltam pessoas para analisar esses pedidos”, conta.

Além do déficit de servidores, ele aponta problemas estruturais e tecnológicos como fatores que contribuem para a lentidão no atendimento. Segundo o sindicalista, parte dos equipamentos utilizados pelo instituto está defasada e os sistemas internos apresentam instabilidade frequente. “Os computadores são muito antigos e os sistemas oscilam muito. Isso também gera demora”, afirma.

Ary Peter avalia que os mutirões e programas criados para acelerar as análises ajudam momentaneamente, mas não resolvem a origem do problema. “São medidas paliativas. Resolvem uma parte da fila naquele momento, mas não atacam a raiz da questão”, afirma.

A realidade enfrentada no Rio Grande do Norte acompanha o cenário nacional, especialmente no Nordeste, onde benefícios por incapacidade estão entre os que registram maior tempo de espera, segundo o sindicato. “A fila anda, mas a passos lentos. E a percepção que temos é de que ela continua crescendo”, destaca.

A reportagem da Tribuna do Norte procurou o INSS para comentar os dados e as medidas adotadas para reduzir a fila de espera, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

NÚMEROS

Fila de espera do INSS no RN

54.998
Torao de pedidos em espera

22.407
Benefícios por incapacidade

21.457
Benefícios assistenciais e de legislação específica

5.103
Aposentadorias em análise

2.460
Pensões e auxílios-reclusão

3.571
Salários-maternidade

Ananda Miranda/Repórter

Tribuna do Norte

Comércio, serviços e construção civil enfrentam falta de mão de obra no RN

Em 2025, mais de 60% das empresas consultados relataram desafios com a escassez de mão de obra. Foto: Magnus Nascimento

A dificuldade para contratar e reter trabalhadores tem atingido principalmente os setores de serviços, comércio e construção civil, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas. No Rio Grande do Norte, representantes dessas áreas ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE afirmam que o cenário acompanha a tendência nacional e apontam entre os principais fatores para o problema a baixa qualificação da mão de obra, migração de profissionais para outras áreas, mudança no perfil das novas gerações, além de maior exigência das empresas e baixa atratividade de algumas vagas.

Os dados do IBRE/FGV constam no estudo “Sondagens Empresariais: Escassez de mão de obra”, publicado em janeiro deste ano, e foram levantados junto às empresas das bases das Sondagens Empresariais da instituição. Em 2025, segundo o levantamento, mais de 60% de todos os empreendimentos consultados, com exceção das associadas à Indústria de Transformação, relataram desafios com a escassez de mão de obra.

O setor com o maior percentual de empresas que afirmaram ter problemas para contratar ou reter funcionários foi o da construção, com 69,1%, que também registrou o maior aumento em relação a 2024. Na sequência, aparecem comércio (65,5%) e serviços (64,8%).

A diretora-executiva do Sinduscon-RN, Ismália Carvalho, esclarece que a realidade no Estado acompanha a tendência nacional de dificuldade na contratação e retenção de mão de obra na construção. O problema é motivado, dentre outros pontos, pelo déficit de formação técnica e profissional, pela migração de trabalhadores para outras atividades econômicas e mudanças no perfil das novas gerações em relação ao mercado de trabalho.

“Nos últimos anos, a construção civil voltou a apresentar crescimento, ampliação de investimentos e aumento da demanda por obras, o que naturalmente elevou a necessidade de profissionais qualificados em diferentes áreas da cadeia produtiva. No entanto, o setor enfrenta desafios importantes relacionados à formação, capacitação e permanência dessa mão de obra”, destaca a diretora-executiva.

Apesar do Sinduscon/RN não dispor de um levantamento sobre a escassez de mão de obra no Estado, Ismália Carvalho afirma que o problema tem impactado diretamente prazos, custos e produtividade das obras das empresas associadas à instituição.

No Sistema Nacional de Emprego (SINE) do Rio Grande do Norte, o setor de construção civil está entre os principais responsáveis pelo volume de vagas ofertadas no Estado. Contudo, as oportunidades são as menos procuradas pelos candidatos. É o que aponta o coordenador da Subsecretaria do Trabalho e Emprego da Secretaria do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (SETHAS) do Estado, Eduardo Barbosa.

“O empregador está cada vez mais exigente na hora da contratação para cargos específicos. O SINE oferta vagas de variados perfis e, de modo geral, a dificuldade está alicerçada na qualificação profissional necessária para ocupação do cargo”, completa o subsecretário.

Eduardo Barbosa ressalta que o cenário não está restrito ao setor de construção civil, sendo possível observar maior exigência técnica em áreas do setor de serviços. Para vagas como a de garçom e atendente, por exemplo, ele destaca que as empresas têm buscado cada vez mais funcionários com habilidades para manusear ferramentas digitais.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) do Rio Grande do Norte, Marcelo Queiroz, observa que os obstáculos para contratar e reter mão de obra não apenas no setor de serviços, mas também de comércio, resulta de um conjunto de fatores. Além da necessidade de fortalecimento de políticas de qualificação profissional, a escassez de mão de obra pode ser explicada pela melhora do mercado de trabalho local.

“A taxa de desemprego no Rio Grande do Norte caiu pela metade, de 13,5% para 6,7%, na comparação entre os últimos quatro meses de 2018 e o mesmo período de 2025. Em um ambiente de economia em crescimento, com menor desemprego, a escassez de mão de obra tende a aumentar. Além disso, a economia potiguar vem gerando empregos de forma contínua há cinco anos”, esclarece.

Na avaliação da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas) de Natal, por outro lado, a vacância em algumas funções também é motivada pela falta de atratividade para manter o interesse dos profissionais. Neste ano, a pasta aponta que as oportunidades com maior dificuldade de preenchimento no Sine Natal são as que oferecem salários baixos, remuneração por hora trabalhada e maior tempo de experiência profissional.

A Semtas não deixa de considerar, contudo, que o baixo nível de instrução permanece sendo um desafio para muitos setores: “De maneira geral, empresas que oferecem melhores salários, jornadas de trabalho mais atrativas e benefícios adicionais conseguem preencher suas vagas com maior rapidez. Da mesma forma, trabalhadores com maior nível de formação e experiência comprovada tendem a se inserir mais rapidamente no mercado de trabalho”.

Ismália Carvalho: construção tem dificuldade de achar mão de obra. Foto: Reprodução

Formação e conexão com o setor produtivo

O diretor de educação profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Rio Grande do Norte (Senac/RN), Leandro Trigueiro, reitera que a dificuldade de ocupação de vagas no mercado de trabalho é motivada, sobretudo, pela falta de qualificação profissional. Ele destaca, no entanto, que a exigência já não é mais apenas pelo conhecimento técnico, mas também pela presença de competências comportamentais.

O diretor aponta que aspectos como comunicação, postura e forma de se apresentar influenciam diretamente na percepção dos recrutadores sobre os candidatos durante entrevistas e seleções. Aliado a isso, atualmente existem ferramentas de avaliação que auxiliam as empresas na análise simultânea das competências técnicas e comportamentais dos profissionais.

Para o presidente da Fecomércio, Marcelo Queiroz, o fortalecimento de políticas de qualificação profissional, com cursos mais alinhados às necessidades reais das empresas, além da ampliação de parcerias entre o setor produtivo e instituições de ensino, é fundamental para incentivar a contratação e retenção de mão de obra. “Também é importante estimular a formação continuada, a inclusão produtiva dos jovens e a valorização de trajetórias que facilitem a entrada e a permanência no mercado de trabalho”, completa.

Uma perspectiva semelhante é repercutida pela diretora-executiva do Sinduscon-RN, Ismália Carvalho. Segundo ela, o Sindicato mantém parceria constante com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Estado (SENAI-RN) para promoção de cursos, capacitações e formação de profissionais voltados às necessidades reais da construção civil. Aliado a isso, a entidade vem desenvolvendo iniciativas para valorização da construção civil como um setor que oferece oportunidades reais de crescimento profissional e desenvolvimento de carreira.

No âmbito estadual, o coordenador da Subsecretaria do Trabalho e Emprego da Sethas, Eduardo Barbosa, aponta que atualmente a pasta está trabalhando no desenvolvimento de uma plataforma moodle, com o objetivo de ofertar cursos de qualificação na modalidade EAD e ampliar a oferta de cursos de qualificação. “Também seguimos em uma busca contínua de parcerias para aumentar a oferta de capacitação e garantir que os trabalhadores potiguares estejam prontos para ocupar as vagas que são ofertadas”, destaca.

Em Natal, a Semtas conta com um departamento específico voltado ao planejamento e à execução de cursos de qualificação profissional. As principais áreas contempladas são de imagem pessoal, alimentação, serviços, informática e administração. Aliado a isso, a pasta desenvolve o projeto EJA Qualifica, realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME).

“A iniciativa integra cursos de qualificação profissional às atividades da Educação de Jovens e Adultos (EJA), ofertadas nas escolas da rede municipal, ampliando as oportunidades de formação e inserção no mercado de trabalho para os participantes”, aponta.

Tribuna do Norte

sábado, 16 de maio de 2026

Fórum discute desafios para energias renováveis no RN

O encontro é promovido pelo Sebrae-RN com apoio do Polo Sebrae de Energias Renováveis. Foto: Magnus Nascimento

Um dos principais gargalos para o setor de energias renováveis do Rio Grande do Norte é o chamado curtailment, os cortes de geração que causam prejuízos bilionários no estado. Por conta disso, o uso de tecnologias de armazenamento, como as super baterias (BESS, na sigla em inglês) e que captem o excedente gerado, como os data centers, se apresentam como os principais desafios a serem enfrentados. Interlocutores concordam que, embora haja caminhos para o uso dessas tecnologias, o estado precisa avançar mais rapidamente rumo à implantação. E é para debater temas como esse que o setor se reúne até esta sexta-feira (15), em Natal, durante o Fórum Sebrae de Energia Solar.

O encontro, promovido pelo Sebrae com apoio do Polo Sebrae de Energias Renováveis, discute questões de mercado, inovação, regulação e oportunidades de negócios em energias renováveis. O evento começou nesta quinta-feira (14), em um hotel da Via Costeira. O presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER), Williman Oliveira, disse que a grande expectativa do setor é pela industrialização e desburocratização de processos para melhorar a atração de investidores para o RN.

Segundo Oliveira, a abundância de matéria-prima para as renováveis coloca o estado em uma posição confortável em relação ao restante do país, ao mesmo tempo em que demanda esforços para resolver problemas já conhecidos do setor. O uso de data center, uma solicitação recorrente da área, é uma dessas demandas. “Ainda vejo uma movimentação sutil por parte do governo, já que esse é um tema que requer muitos esforços. Mas eventos como este, que debatem caminhos para acelerar esse processo de crescimento do setor, são sempre vistos com bons olhos”, falou.

Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar, entende como um dos principais gargalos a infraestrutura existente no estado. “Data centers, produção de Hidrogênio Verde (H2V), eletromobilidade e eletrificação dos setores produtivos são questões que precisam ser aceleradas não somente com ações do governo federal, mas também do Governo do Estado. Nessa toada, nós temos uma grande oportunidade do uso dos sistemas de armazenamento, que são as baterias, ferramentas estratégicas para dinamizar o mercado para as empresas de pequeno e médio porte”, falou Sauaia.

Por sua vez, o secretário Hugo Fonseca, de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec), analisa que o estado tem conseguido criar um ambiente favorável à infraestrutura necessária à expansão do setor. “Além de data centers, outras tecnologias como computadores de alto desempenho voltados à Inteligência Artificial também contribuem para o armazenamento. A instalação de cabo submarino para garantir conectividade é super importante, bem como as indústrias eletrointensivas”, citou o secretário.

“E o RN vem investindo na atração de investimentos. Somos praticamente o único estado do país que tem plantas em escala industrial para H2V e estamos com uma política fortíssima para atração de computadores de alto desempenho. Provavelmente teremos esses computadores instalados no estado e isso favorece a atração dos data centers. Outro ponto é que já conseguimos regulamentar o licenciamento ambiental para BESS e também para H2V”, descreve o secretário.

Todos os temas seguem em discussão no Fórum Sebrae de Energia Solar. João Hélio Cavalcanti, diretor-técnico do Sebrae-RN, afirmou que a ideia do evento é ajudar a promover a dinamização do mercado para os pequenos negócios no rol das tecnologias de armazenamento. “Essa é uma questão cheia de oportunidades e desafios ao mesmo tempo, então, nossa ideia é gerar conexões. Por isso, temos a participação de empresas que trabalham com variados tipos de energia”, indica.

Diante do amplo debate em torno do setor, Zeco Melo, superintendente do Sebrae-RN, destaca a importância do fórum para o mercado local. “Esta é a quinta edição do evento, já consagrado, em uma região muito forte para as energias solar e eólica e que sofre bastante com apagões. Este é um aspecto importante que está em discussão no fórum. Para além disso, estamos construindo um modelo de relacionamento com as empresas que existem no Brasil inteiro. Então, é um evento muito bem estruturado, com parcerias importantes”, falou Zeca.

Participam do fórum especialistas reconhecidos nacionalmente, além de representantes de empresas e instituições ligadas ao segmento. A programação inclui painéis e debates sobre temas estratégicos para o setor, como regulação do mercado, inovação tecnológica, armazenamento com baterias, crédito e financiamento, geração compartilhada, mercado livre de energia e perspectivas de crescimento da energia solar no Brasil e no Nordeste.

Tribuna do Norte

EUA dizem que Israel e Líbano concordaram com extensão de 45 dias do acordo de cessar-fogo

Bombardeio no Líbano em abril | Foto: Redes Sociais/Reprodução

Líbano e Israel concordaram com uma extensão de 45 dias do acordo de cessar-fogo de 16 de abril para permitir que a via de segurança melhore significativamente a comunicação, informou o Departamento de Estado dos EUA, que vem sendo o mediador das conversas.

"Os dois países concordaram com um quadro para negociações visando avançar em direção a uma paz duradoura, o pleno reconhecimento da soberania e integridade territorial de cada um e o estabelecimento de uma segurança genuína ao longo de sua fronteira compartilhada", disse o departamento em nota.

Uma nova rodada de conversas, mediada por Washington, acontecerá nos dias 2 e 3 de junho com delegações militares.

Segundo a agência, os EUA permanecem cientes dos desafios colocados pelos contínuos ataques do Hezbollah a Israel, sem o consentimento ou aprovação do governo do Líbano, realizados com o objetivo de atrapalhar esse processo. "Continuaremos a apoiar ambos os países à medida que avançam nessas duas vias", acrescentou.

Um alto funcionário norte-americano disse à rede Al Jazeera que "a atmosfera no segundo dia de conversas entre o Líbano e Israel em Washington foi muito positiva e superou as expectativas".

Estadão Conteúdo

Fazenda lança simulador de renegociação de dívidas do Novo Desenrola

Ferramenta calcula descontos nas dívidas e uso do FGTS | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Ministério da Fazenda lançou nesta sexta-feira (15) uma calculadora que permite simular a renegociação de dívidas por meio do Novo Desenrola Brasil, lançado este mês. A ferramenta está disponível no site da pasta. Clique aqui.

A simulação pode ser feita com o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na renegociação.

Pelas regras do programa, até 20% do saldo disponível do fundo, ou R$ 1 mil, podem ser usados - o valor que for maior.

As condições finais precisam ser confirmadas com as instituições financeiras participantes.

Estadão Conteudo