sexta-feira, 3 de abril de 2026

Eleitor tem um mês para regularizar pendências e ficar apto a votar

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O cidadão que pretende tirar o título de eleitor pela primeira vez ou alterar o local de votação tem até o dia 6 de maio para regularizar suas pendências na Justiça Eleitoral.

O prazo também vale para quem precisa regularizar o título de eleitor a fim de votar nas eleições gerais de outubro, quando serão eleitos o presidente da República, o vice-presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Para resolver as pendências, o eleitor pode procurar o cartório eleitoral mais próximo ou acessar o serviço eletrônico disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Primeiro título

De acordo com a Constituição, o voto é obrigatório para quem tem entre 18 e 70 anos e facultativo para jovens entre 16 e 17 anos e idosos acima de 70 anos.

Após completar 15 anos, os jovens poderão solicitar a emissão do título de eleitor. Contudo, somente estará apto a votar quem tiver completado 16 anos na data da eleição.

Janela Eleitoral

Termina nesta sexta-feira (3) o prazo da chamada janela eleitoral, período em que os políticos que vão disputar as eleições podem mudar de partido e não serem punidos com a perda do mandato.

Desincompatibilização

Neste sábado (4), encerra-se o prazo para desincompatibilização de agentes públicos que vão participar das eleições. Governadores, prefeitos e ministros de Estado que pretendem se candidatar a outros cargos devem deixar suas funções.

A medida está prevista na Constituição e impede a utilização do cargo para obtenção de vantagens eleitorais.

Agência Brasil

Preços dos peixes ficam estáveis na Semana Santa; veja os mais procurados

Segundo pesquisa da Fecomércio, o consumo de pescados deve movimentar R$ 133,4 milhões nesse feriadão | Foto: Magnus Nascimento

Diferente do que historicamente costuma acontecer, os preços dos pescados mais procurados nesta Semana Santa seguem estáveis se comparados com igual período do ano passado, de acordo com comerciantes e compradores ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE na Feira do Peixe, instalada no Canto do Mangue, e também no Mercado do Peixe. Dentre os pescados mais procurados estão a cioba, tilápia, robalo e meca, comercializados com valores a partir de R$ 45, em média. Para parte dos comerciantes ouvidos, a procura é boa, mas para outros, as vendas ainda deixam a desejar por conta do receio em consumir, influenciado pelo medo da toxina ciguatera.

Segundo pesquisa da Fecomércio RN, o consumo de pescados deve movimentar R$ 133,4 milhões no Rio Grande do Norte nesse feriadão. Um dos comerciantes da Feira do Peixe, Jorge Gosson, afirmou que cioba, meca e cavala são os mais procurados no período. A faixa de preços, segundo ele, varia entre R$ 45 e R$ 50 por quilo, valores semelhantes aos registrados no mesmo período do ano passado.

“O preço está bom e as vendas estão melhores. A procura aumentou 70%, graças a Deus”, falou. Quem também comemorou a alta procura foi Heider Herbert. “Aqui sai muito a cioba, a tilápia e o robalo. O preço é parecido com o do ano passado, na faixa dos R$ 50. As vendas estão indo muito bem. Realmente, a semana está sendo santa”, brincou o vendedor.

Outros feirantes, no entanto, reclamam que não conseguiram, até o momento, superar as vendas do ano passado. A razão é o medo, por parte dos consumidores, da toxina ciguatera. Com isso, os preços do pescado, que geralmente tendem a subir na Semana Santa, ficaram estáveis, de acordo com relatos feitos à reportagem.

Outra consequência, para alguns comerciantes, é que as vendas ainda não conseguiram superar os números do mesmo período do ano passado, como é o caso de Lenilson Venâncio.

“As vendas caíram em relação a 2025 por conta dessa história da ciguatera. Mesmo com os preços bons, a procura tem sido menor”, conta. Segundo ele, cioba, tainha, badejo, pescada amarela, robalo e corvina são os peixes mais buscados. Quem não abre mão de consumir o pescado nesta época, comemora os bons preços. A enfermeira Erica Galvão, de 34 anos, estava iniciando as compras na Feira do Peixe, quando falou com a reportagem. Ela conseguiu levar para a casa a tilápia por R$ 25 o quilo.

“Está até abaixo da média, com um preço ótimo. Por enquanto, comprei apenas tilápia, mas vou pesquisar algo mais, talvez, camarão. Lá em casa é tradição comer pescado na Semana Santa. Então, convenci meu marido e viemos às compras na Feira do Peixe”, relatou.

A aposentada Conceição Farias, de 74 anos, disse que também não abre mão da tradição de comer peixe neste período. Acompanhada do filho, ela ainda estava no início das compras quando falou com a reportagem. “Comprei a guaiuba, que eu gosto de comer frita. Está R$ 40 aqui no Mercado do Peixe. Pelo tamanho, está um preço bom. Em outros locais, encontrei mais barato, mas o peixe era muito miúdo”, disse.

Para atender à demanda da Semana Santa, a Prefeitura do Natal instalou, no Canto do Mangue, a Feira do Peixe, um espaço que reúne 10 feirantes e que foi estruturado para facilitar tanto a comercialização quanto a compra de pescado. A feira irá funcionar até esta sexta-feira (3), das 7h às 17h. Já o Mercado do Peixe funcionará nesta sexta e sábado (4), das 6h às 18h e no domingo (5), das 6h às 14h.

Consumo de peixe deve crescer até 20%

A procura por pescados no RN deve crescer 20% entre a Quaresma e a Páscoa, acompanhando a média nacional, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O reflexo é percebido principalmente em bares e restaurantes, que registram aumento no volume de vendas, com maior concentração entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo de Páscoa. Para atender à demanda, os estabelecimentos adaptam cardápios e ampliam a oferta de pratos à base de peixes e frutos do mar.

De acordo com o presidente da Abrasel no RN, Thiago Machado, a expectativa é de intensificação na movimentação no fim da Quaresma, com variações mais acentuadas em datas específicas. Na Sexta-feira da Paixão, por exemplo, a procura por pratos com pescado pode triplicar, sobretudo aqueles à base de bacalhau.

“No setor de alimentação, esse movimento é bastante evidente. Durante a Quaresma, há um aumento consistente na busca por peixes e frutos do mar. Restaurantes que se antecipam conseguem aproveitar melhor o período, oferecendo opções alinhadas ao momento vivido pelos clientes”, afirma.

Uma pesquisa realizada com empresários do setor entre os dias 11 e 19 de março no RN aponta que 64% das empresas projetam faturar mais durante o feriado da Semana Santa. Dentro desse grupo, 11% estimam crescimento de até 50% no faturamento, indicando expectativas positivas e reforçando a importância do período para a recuperação e o desempenho do setor. Além da adaptação de cardápios, muitos estabelecimentos reformulam suas estratégias para priorizar carnes brancas durante o período.

Segmentos tradicionalmente voltados à carne vermelha, como churrascarias, tendem a registrar retração na demanda, mas passam a investir em alternativas com pescados para manter o fluxo de clientes. Segundo Thiago Machado, fatores culturais e religiosos exercem forte influência sobre o consumo no estado. “O Rio Grande do Norte é um dos locais onde o consumo de peixes ganha ainda mais força por esse componente cultural, o que intensifica a movimentação nos estabelecimentos”, afirma.

O impacto se estende à cadeia produtiva. Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que o consumo médio anual de pescado no país é de cerca de 11 quilos por habitante, e a Quaresma atua como um importante impulso sazonal para o setor.

O turismo também contribui para aquecer o mercado. A circulação de visitantes durante o período é vista como um reforço relevante para o setor. “É um momento que funciona como um respiro, um verdadeiro oásis para bares e restaurantes, especialmente em um cenário ainda impactado pela inflação e pela redução do poder de compra da população”, avalia Thiago Machado.

Tribuna do Norte

Assú e mais 99 cidades continuam sob alertas com chuvas de até 100 mm

Foto: Divulgação

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) renovou dois avisos de chuvas intensas que atingem o Rio Grande do Norte até sábado (4) da Semana Santa, às 23h59. Um dos alertas é de nível amarelo, válido para todo o estado, enquanto o outro é de nível laranja e abrange municípios das regiões Oeste, Seridó e Central potiguar.

O alerta amarelo, classificado como de perigo potencial, o menor grau de severidade do Inmet, é válido desde a madrugada às 00h quinta-feira (2) até às 23h59 do sábado (4). Segundo o Inmet, há previsão de chuvas entre 20 e 30 mm por hora, podendo chegar a 50 mm por dia, além de ventos com intensidade entre 40 e 60 km/h. O órgão aponta baixo risco de ocorrências como queda de galhos, alagamentos, descargas elétricas e cortes de energia.

Foto: Reprodução/Inmet

Já o alerta laranja, classificado como de perigo, o grau intermediário de severidade do Inmet, começou às 10h da quinta-feira (2) e segue até o mesmo horário do aviso amarelo. Neste caso, a previsão é de chuvas mais intensas, variando entre 30 e 60 mm por hora ou de 50 a 100 mm por dia, com ventos de 60 a 100 km/h. Há risco de alagamentos, queda de árvores, descargas elétricas e interrupções no fornecimento de energia.

Entre as cidades sob alerta laranja estão Mossoró, Caicó, Currais Novos, Pau dos Ferros, Apodi, Macau, Jucurutu, Umarizal, Portalegre, Alexandria, Parelhas, Santana do Matos, Lagoa Nova, Florânia, Assú e Upanema, além de diversos outros municípios do interior do estado.

Foto: Reprodução/Inmet

O Inmet orienta que, em caso de rajadas de vento, a população evite se abrigar debaixo de árvores, não estacione veículos próximos a torres de transmissão ou placas de propaganda e, se possível, desligue aparelhos elétricos. Em situações de emergência, a recomendação é acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo número 193.

Confira a lista completa das cidades em alerta laranja:

Acari
Assú
Afonso Bezerra
Água Nova
Alexandria
Almino Afonso
Alto do Rodrigues
Angicos
Antônio Martins
Apodi
Areia Branca
Augusto Severo
Baraúna
Caicó
Caraúbas
Carnaúba dos Dantas
Carnaubais
Coronel João Pessoa
Cruzeta
Currais Novos
Doutor Severiano
Encanto
Equador
Felipe Guerra
Fernando Pedroza
Florânia
Francisco Dantas
Frutuoso Gomes
Governador Dix-Sept Rosado
Grossos
Ipanguaçu
Ipueira
Itajá
Itaú
Janduís
Jardim de Piranhas
Jardim do Seridó
João Dias
José da Penha
Jucurutu
Lagoa Nova
Lucrécia
Luís Gomes
Macau
Major Sales
Marcelino Vieira
Martins
Messias Targino
Mossoró
Olho d’Água do Borges
Ouro Branco
Paraná
Paraú
Parelhas
Patu
Pau dos Ferros
Pendências
Pilões
Portalegre
Porto do Mangue
Rafael Fernandes
Rafael Godeiro
Riacho da Cruz
Riacho de Santana
Rodolfo Fernandes
Santana do Matos
Santana do Seridó
São Fernando
São Francisco do Oeste
São João do Sabugi
São José do Seridó
São Miguel
São Rafael
São Vicente
Serra do Mel
Serra Negra do Norte
Serrinha dos Pintos
Severiano Melo
Taboleiro Grande
Tenente Ananias
Tenente Laurentino Cruz
Tibau
Timbaúba dos Batistas
Triunfo Potiguar
Umarizal
Upanema
Venha-Ver
Viçosa

Tribuna do Norte

Consumidores buscam alternativas a ovos de páscoa nos supermercados

Assurn ressalta que tanto as compras quanto a oferta de ovos de chocolate por parte das indústrias foram reduzidas | Foto: Adriano Abreu

Na reta final para a Páscoa, um dos períodos mais importantes para o comércio de chocolates, o cenário chama atenção com preços mais altos e um consumidor mais cauteloso. Nos últimos dias, quem foi às compras já sentiu o impacto do aumento nos preços dos chocolates e de seus insumos. Na Grande Natal, os consumidores têm buscado alternativas mais rentáveis, apesar das expectativas de crescimento nas vendas do segmento até o Domingo de Páscoa, com opções que variam de R$ 6 a R$ 90.

Para a gerente do Nordestão Lagoa Nova, Cláudia Confessor, 47, houve uma mudança bastante expressiva nos hábitos dos consumidores. “Ao invés de dar preferência aos ovos de Páscoa, ou levar apenas ovos de chocolate, o consumidor também prefere levar caixas de bombons. Mas o movimento não diminuiu. Esse período sazonal é um momento em família, para confraternizar, principalmente para quem é religioso. Então, o almoço da Sexta-feira Santa faz com que o consumidor adquira os produtos, mesmo diante do aumento dos itens sazonais”, destaca.

Segundo a gerente, durante o período pascal, as marcas tradicionais ainda se mantêm como as preferidas dos clientes. As caixas de bombons concentram cerca de 70% das vendas, enquanto os ovos de Páscoa seguem entre os itens mais requisitados. Cláudia ressalta que produtos de fabricação própria, com sabores variados e custo de R$ 40, têm sido uma alternativa frequente para os clientes, dentro da estratégia de vendas da empresa.

A enfermeira Paula Medeiros, 37, era uma das clientes que se preparavam para as compras do período e afirmou ter notado aumento significativo em relação ao ano passado, inclusive nos ovos artesanais.

“Dei só um ovo de Páscoa para minha filha, por ser criança, desses que vêm com brinquedo, mas optei por um ovo artesanal, com mais opções para ela montar. É bem mais barato e interativo. Ela mesma monta o ovo, acho interessante. Como os preços estão bem altos, optamos por barras, porque é mais viável e conseguimos presentear a mãe, a avó e os sobrinhos. A barrinha de chocolate não pesa no bolso”, pontua.

Buscando opções com melhor custo-benefício, a professora Francisca Macedo, 64, diz que está levando ovos de chocolate e caixas de bombons por “ousadia”, diante dos preços altos. Em suas compras, ela optou por produtos de marcas tradicionais e algumas caixas para complementar.

“O preço aumentou bastante e tudo está caro. A gente leva para agradar um sobrinho, uma vizinha que tem um bebê e não tem condições de comprar. Está bem caro, mas doce é a alegria de todo mundo nessa época”, afirma.

Para Daniel Olinto, 28, supervisor da loja Docelândia, no Midway Mall, os consumidores têm se preparado com antecedência. “Alguns já sabem o que querem e pesquisam bastante os preços. Os vendedores precisam ter jogo de cintura e estratégias com valores promocionais”, afirma.

Alta nos preços afeta a procura por ovos

Conforme Gilvan Mikelyson Góis, presidente da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), o balanço das vendas de Páscoa começa nesta Sexta-feira Santa (3) e segue até o Domingo de Páscoa (5). No entanto, ele destaca que tanto as compras quanto a oferta de ovos por parte das indústrias foram reduzidas.

“Essa elevação dos preços vem trazendo uma migração para caixas de bombons e tabletes de chocolate. Os preços elevados diminuem bastante as compras. O chocolate aumentou muito, principalmente os ovos de Páscoa, que têm apelos como brinquedos, personagens e direitos de imagem a serem pagos. Isso encarece o produto e reduz o consumo”, afirma.

 

Tribuna do Norte

Dificuldade no abastecimento de água afeta 128 mil pessoas no RN

Reservatórios do Estado não têm sido suficientes. Segundo o Governo, 49% dos 167 municípios têm a zona rural abastecida pela Operação Carro Pipa | Foto: Divulgação

O fornecimento de água pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) enfrenta situação crítica em nove municípios, afetando 128 mil pessoas. Em Ouro Branco, São João do Sabugi e Serra do Mel, o abastecimento está em situação de colapso (suspenso por indisponibilidade hídrica). Já em Jardim do Seridó, Carnaúba dos Dantas, Parelhas, Equador, Almino Afonso, Tenente Ananias e São Miguel, o cenário é de pré-colapso (situação de risco iminente de colapso). Na quarta-feira (1º), o Governo do RN decretou emergência em praticamente todos os municípios (exceto Natal), por conta do longo período de estiagem no estado.

Para o decreto, dentre outros aspectos, o Governo considerou “que nove cidades permanecem em colapso ou pré-colapso no abastecimento executado pela Caern, atingindo diretamente cerca de 128 mil habitantes. O caso mais crítico, conforme publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), é o de Serra do Mel, que se encontra em colapso há quatro anos por conta da contaminação de poços. “A situação é igualmente delicada nas regiões rurais mais remotas, onde a ausência de uma rede estruturada de adutoras impossibilita o fornecimento regular de água potável”, diz o decreto.

Segundo o Governo, 49,1% dos 167 municípios do RN têm a zona rural abastecida pelo programa da Operação Carro Pipa. Procurada, a Caern afirmou que “está focando em melhorias operacionais em sistemas adutores da região Alto Oeste. E no Seridó estão sendo adotadas medidas de redução de consumo”. A Companhia, no entanto, não especificou que medidas são essas. A Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do RN (Semarh) informou que tem implementado “um conjunto de ações, desde emergenciais a estruturantes”, a fim de permitir a convivência com a seca.

Dentre as ações, Paulo Varella, titular da pasta, citou a perfuração e dessalinização de poços. “O próprio decreto é uma ação dentro de um conjunto de esforços que estão sendo feitos desde o ano passado. Tivemos chuvas em fevereiro e março, que não foram suficientes para repor nossos reservatórios. Hoje, estamos com cerca de 40% desses reservatórios recuperados, mas há incertezas quanto a abril. O decreto nos traz uma carta de seguro para que, se necessário, tenhamos facilidade em variadas ações”, falou o secretário.

“Continuamos trabalhando em ações emergenciais, como é o caso de perfuração de poços, do programa de dessalinização e também com ações mais estruturantes, como a Barragem de Oiticica. Está sendo trabalhada, ainda, a distribuição dessa água no território, com o projeto Seridó, que vai levar segurança hídrica para a região de mesmo nome e que terá a primeira fase concluída no segundo semestre. Serão beneficiadas as cidades de São Vicente, Florânia, Currais Novos, Acari, Cruzeta”, falou.

O secretário disse que a pasta tem atuado para a implementação do projeto Seridó Sul, que está pronto e será inserido no PAC para licitação. “O projeto do Alto Oeste também está sendo finalizado para depois ser incluído no PAC. Além disso, há grandes estruturas que trabalham importando água, como a Transposição do São Francisco na região do Piranhas-Açu, que está no Seridó e chegará na área do Apodi em junho”, concluiu o secretário.

“Medidas tímidas”, diz setor produtivo

Para o setor produtivo do estado, o longo período de estiagem tem provocado impactos significativos. De acordo com José Vieira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), a agricultura de sequeiro (milho, feijão, sorgo) sofre com perdas expressivas de produtividade, frustração parcial ou total de safras em regiões do Seridó, Oeste e Agreste e redução da renda da agricultura familiar. Já a pecuária (bovina, caprina e ovina) enfrenta redução de pastagens naturais, aumento do custo com ração e suplementação, venda forçada de animais e consequente descapitalização dos produtores.

“A fruticultura irrigada apresenta impacto menor, porém crescente, com reservatórios importantes abaixo do ideal, como a barragem Armando Ribeiro Gonçalves. Além disso, há aumento do risco hídrico, elevação dos custos de bombeamento e maior pressão sobre a gestão da água. Na agroindústria, observa-se redução da oferta de matéria-prima e aumento de custos logísticos e operacionais. Os impactos não são isolados: eles se propagam ao longo das cadeias produtivas, afetando renda, emprego e a dinâmica econômica regional”, ressalta José Vieira.

As ações em curso para mitigação de efeitos, na avaliação dele, concentram-se, em grande medida, nos instrumentos emergenciais tradicionalmente mobilizados em períodos de seca, especialmente após o reconhecimento formal da situação de emergência. “Entre elas destacam-se a operação Carro-Pipa, perfuração de poços e instalação de sistemas simplificados de abastecimento, recuperação pontual de reservatórios e sistemas adutores, programas de apoio ao produtor, crédito emergencial e renegociação de dívidas rurais”, descreve o presidente da Faern.

“Essas ações são fundamentais para reduzir riscos imediatos e evitar o colapso do abastecimento humano. No entanto, não têm capacidade de reverter, no curto prazo, os prejuízos econômicos já acumulados no setor agropecuário”, diz José Vieira. Para Erivam do Carmo, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RN (Fetarn), as medidas adotadas são tímidas. “Temos um cenário muito delicado, de perdas agrícolas. As medidas para encarar a situação ainda são tímidas. Uma das principais medidas que nós gostaríamos é que houvesse um fundo específico para o Semiárido”, afirma.

Para a Federação dos Municípios do RN (Femurn), o “decreto, por si só, é apenas o início de um processo que exige celeridade e efetivas medidas”. A Federação elencou uma série de medidas para o enfrentamento da situação, dentre elas, a execução imediata de obras estruturantes que estão paradas, ampliação de sistemas adutores, liberação célere de recursos, crédito barato e desburocratização, ampliação urgente do abastecimento de água.

Questionado sobre ações de enfrentamento para o setor produtivo, o secretário de Agricultura e Pesca, Guilherme Saldanha, disse apenas que o foco do decreto recente é o abastecimento humano e, por isso, as ações do Governo do Estado têm se concentrado em medidas como a operação Carro-Pipa. “O Governo está fazendo um trabalho para que cada município não precise adotar um decreto próprio”, falou. A reportagem procurou a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar, mas não houve retorno às tentativas de contato.

Tribuna do Norte

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Trabalhadores do comércio varejista do RN terão piso de R$ 1.678 a partir de abril

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista no Estado do Rio Grande do Norte (Sindilojas RN) definiu o novo piso salarial do comércio varejista no Rio Grande do Norte em R$ 1.678, conforme a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2027. O acordo tem vigência de 1º de abril de 2026 a 31 de março de 2027.

Além do piso, a convenção prevê reajuste de 5% para trabalhadores que recebem até cinco salários base. Para os que ganham acima desse limite, o percentual será definido por negociação direta entre empregadores e empregados.

A CCT também estabelece que microempresas e empresas de pequeno porte poderão adotar piso reduzido de R$ 1.628, desde que façam adesão ao Regime Especial de Piso Salarial (REPIS). Essa adesão depende da obtenção de certificado junto à Fecomércio RN ou ao sindicato e pode ser feita por meio do preenchimento de formulário eletrônico disponível no site www.fecomerciorn.com.br ou pelo e-mail do Sindilojas: sicomerciorn@hotmail.com.

Segundo o sindicato, a definição da convenção permite maior previsibilidade para o setor e organização do planejamento das empresas ao longo do período de vigência. “A conclusão rápida da convenção demonstra maturidade nas relações de trabalho e compromisso com a sustentabilidade do setor, garantindo segurança jurídica e previsibilidade para empresas e colaboradores”, afirma o presidente do Sindilojas RN, Gilberto Costa.

Tribuna do Norte

Assú está entre as cidade que receberam alertas de chuvas com até 100 mm nesta quinta-feira

Foto: Adriano Abreu

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu dois alertas de chuvas para municípios do Rio Grande do Norte nesta quinta-feira (2). Os avisos indicam possibilidade de precipitações acompanhadas de ventos intensos, além de risco de alagamentos e interrupção no fornecimento de energia elétrica em diferentes regiões do estado.

O primeiro alerta, classificado como de perigo potencial e identificado pela cor amarela, teve início às 00h desta quinta-feira e segue válido até às 23h59. A previsão aponta chuvas entre 20 e 30 mm por hora, podendo chegar a até 50 mm por dia. Há baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas. O alerta atinge todo os municípios do estado.

Já o segundo aviso, apontado pela cor laranja, que indica perigo, também começou às 00h e permanece até às 23h59 desta quinta-feira. O alerta abrange principalmente a região Oeste do estado e prevê chuvas mais intensas, entre 30 e 60 mm por hora ou até 100 mm por dia, além de ventos fortes. Há risco de corte de energia elétrica, queda de galhos, alagamentos e descargas elétricas.

O Inmet orienta que, em caso de rajadas de vento, a população não se abrigue debaixo de árvores e evite estacionar veículos próximos a placas de propaganda e torres de transmissão. Também é recomendado evitar o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada.

Em situações de emergência, a orientação é acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Confira a lista das cidades sob alerta laranja:

Antônio Martins
Açu
Água Nova
Alexandria
Almino Afonso
Antônio Martins
Apodi
Augusto Severo
Baraúna
Caicó
Caraúbas
Coronel João Pessoa
Doutor Severiano
Encanto
Felipe Guerra
Francisco Dantas
Frutuoso Gomes
Governador Dix-Sept Rosado
Ipueira
Itaú
Janduís
Jardim de Piranhas
João Dias
José da Penha
Jucurutu
Lucrécia
Luís Gomes
Major Sales
Marcelino Vieira
Martins
Messias Targino
Mossoró
Olho d’Água do Borges
Paraná
Paraú
Patu
Pau dos Ferros
Pilões
Portalegre
Rafael Fernandes
Rafael Godeiro
Riacho da Cruz
Riacho de Santana
Rodolfo Fernandes
São Fernando
São Francisco do Oeste
São João do Sabugi
São Miguel
Serra Negra do Norte
Serrinha dos Pintos
Severiano Melo
Taboleiro Grande
Tenente Ananias
Timbaúba dos Batistas
Triunfo Potiguar
Umarizal
Upanema

Tribuna do Norte
Venha-Ver
Viçosa

Procura por ovos na Quaresma impulsiona alta de até 20% nos preços

Para a advogada Catarina Freitas, o ovo registrou alta significativa: há três semanas, uma cartela com 30 custava R$ 14; hoje ela encontra entre R$ 17 e R$ 24 | Foto: Adriano Abreu

O preço dos ovos de galinha voltou a subir em todo o país desde fevereiro, com altas de até 20%, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O movimento é impulsionado pela maior demanda durante a Quaresma e a Páscoa, período em que cristãos católicos substituem a carne por ovos e frango, sendo o ovo uma das alternativas mais requisitadas.

Para o economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), o ovo é um item indispensável na alimentação. Na economia, é classificado como um “bem substituto”, por ser mais acessível. Néo explica que houve um aumento significativo no preço do milho e do trigo, bases da ração das aves; contudo, a logística também é determinante para o valor final. “As granjas mais próximas do local de consumo conseguem ter um custo logístico menor do que aquelas que transportam de distâncias maiores. Por isso, é importante que o consumidor priorize os produtores locais”, afirma.

O especialista destaca estratégias práticas para enfrentar a alta: optar por ovos de categorias menores (médios ou pequenos), comprar bandejas maiores (que reduzem o preço por unidade), pesquisar valores entre mercados e feiras e avaliar marcas locais.

Ele lembra ainda que o ovo é insumo essencial para diversos outros produtos, como salgados e doces. “São períodos sazonais; isso sempre ocorre próximo à Quaresma. Além da alta na ração, o aumento nos combustíveis impacta o transporte. Somado a isso, o calor do verão faz com que as galinhas produzam menos ovos”, ressalta o economista.

Para a advogada Catarina Freitas, de 44 anos, a diferença no bolso é evidente. “O ovo teve uma subida significativa. Há três semanas, comprávamos uma cartela com 30 ovos grandes por R$ 14. Hoje, o valor varia entre R$ 17 e R$ 24. É um aumento absurdo”, relata. Para driblar os preços, Catarina tem optado por ovos de codorna ou por tamanhos menores da versão de galinha.

Feijão também registra alta nos preços

O preço do feijão carioca acumulou uma alta de 19,7% nos últimos 12 meses, de acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). A safra atual é a menor dos últimos quatro anos, afetada por problemas climáticos, como chuvas excessivas durante a colheita em estados produtores, o que reduziu a oferta e a qualidade. O cenário também é reflexo do plantio reduzido, já que muitos produtores desanimaram com a baixa rentabilidade do ano anterior.

Para a aposentada Maria do Socorro de Souza Araújo, de 70 anos, a insatisfação cresce a cada ida ao supermercado. “Tudo está muito caro. Antes, minha feira custava R$ 600; hoje, sai por R$ 900. Não vejo redução, apenas aumento”, lamenta.

Arthur Néo reforça que, historicamente, um bom período de chuvas aumenta a oferta de feijão, especialmente por meio de pequenos agricultores. “Infelizmente, estamos passando por um período de chuvas irregulares, o que impediu que o preço seguisse a tendência de queda para a época. Como os custos de transporte e insumos subiram, esse valor acaba sendo repassado ao consumidor final”, conclui.

Tribuna do Norte

Greve de servidores afeta atendimentos em hospitais

A mobilização tem caráter nacional e envolve trabalhadores vinculados à Empresa de Serviços Hospitalares (EBSERH) | Foto: Magnus Nascimento

Servidores de hospitais universitários entraram em greve na última segunda-feira (30), em todo o país, e a paralisação já impacta os atendimentos no Rio Grande do Norte, com consultas, exames e cirurgias eletivas funcionando de forma parcial. O movimento foi deflagrado após impasse nas negociações salariais e reivindicações por reajuste, reposição de perdas e melhorias no vale-alimentação.

A mobilização tem caráter nacional e envolve trabalhadores vinculados à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), responsável pela administração dos hospitais universitários federais. Assembleias realizadas no RN e em mais de 45 hospitais da rede, aprovaram greve por tempo indeterminado. A Ebserh foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até o fim dessa edição.

No estado, a paralisação atinge os três hospitais universitários vinculados à EBSERH: o Hospital Universitário Onofre Lopes e a Maternidade Escola Januário Cicco, ambos em Natal, além do Hospital Universitário Ana Bezerra, localizado em Santa Cruz. A categoria está mantendo percentual de trabalhadores nas UTIs e nos serviços essenciais.

Entre as pautas apresentadas pela categoria estão o reajuste salarial, a reposição de perdas acumuladas em cerca de 25%, a ampliação de benefícios como cesta básica e auxílio-alimentação, além de avanços nas cláusulas sociais.

José Maria dos Santos, de 46 anos, relata que teve exames e consultas remarcados por causa da greve, o que deve adiar em até quatro meses o acompanhamento de um problema crônico nos rins. “Já fazia seis meses que eu esperava pelo retorno. Agora disseram que só vai ter para junho”, afirmou,.

Ele destaca que depende do atendimento para seguir o tratamento e não tem condições de arcar com os exames. “São muitos exames, não tem como sair do bolso. A gente depende disso”, disse.

Julica Francisca da Silva, de 66 anos, veio de Florânia para fazer exames no HUOL e foi afetada pela paralisação. Ela relata que não conseguiu realizar os exames previstos pelo SUS devido à greve. “Disseram que eu ia fazer hoje, mas cheguei aqui e não consegui”, revela, frustrada.

Segundo Julica, os atendimentos foram remarcados, mas sem vagas imediatas. “Só consegui remarcar para mais pra frente. Agora vou voltar para casa”, disse. Ela destaca que realiza acompanhamento médico regular e precisa de vários exames por problemas de saúde.

Julica Francisca: “Não há vagas imediatas” | Foto: Magnus Nascimento

De acordo com os trabalhadores, a greve foi deflagrada após dois anos de negociações. A categoria afirma que a empresa alegou não possuir diretrizes orçamentárias para apresentar proposta financeira e, ao mesmo tempo, interrompeu discussões sobre cláusulas sociais, que não teriam impacto econômico. Após o início da paralisação, foi apresentada uma proposta de reajuste com base apenas na inflação medida pelo INPC.

Outro ponto de insatisfação diz respeito aos reajustes concedidos à diretoria da empresa. Segundo o Sindicato Estadual dos Trabalhadores de Empresas Públicas de Serviços Hospitalares (Sindserh-RN), uma semana antes da greve, a gestão do hospital aprovou para si aumento de 4,26%, com salários que ultrapassam R$ 30 mil, além da elevação do auxílio-moradia de cerca de R$ 4,7 mil para quase R$ 9 mil. Também foi ampliada a chamada Remuneração Variável (RVA), que pode chegar a cerca de R$ 200 mil anuais.

Os trabalhadores também reivindicam a contratação de mais profissionais, apontando sobrecarga e adoecimento físico e psicológico. Segundo André Santos, presidente do Sindserh-RN, a decisão de manter a greve ocorreu após a rejeição, em assembleias em todo o país, da proposta apresentada pela EBSERH durante mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A categoria considerou insuficiente o reajuste baseado apenas na inflação, sem reposição das perdas acumuladas. “Houve mais uma mediação do TST, e a proposta da empresa foi apenas a inflação do período, que não recompõe os mais de 26% de prejuízo que a categoria vem acumulando”, conta.

Ele destacou ainda que parte dessas perdas ocorreu durante a pandemia, quando os trabalhadores estavam na linha de frente. “Até o presente momento, é vergonhoso como estão tratando o movimento legítimo dos trabalhadores da saúde que reivindicam melhor condição de alimentação para suas famílias”, disse.

O presidente também criticou a diferença entre os reajustes concedidos à diretoria dos hospitais e aos servidores. “A diretoria se deu um reajuste com base no IPCA para o presidente da empresa”, afirmou.

Além disso, ele apontou a criação da remuneração variável como mais um fator de insatisfação. “Eles justificam essa remuneração com base na produtividade dos trabalhadores, que estão salvando vidas, atendendo usuários do SUS e formando novos profissionais de saúde. E essa diretoria é que ganha produtividade em cima dos esforços dos trabalhadores”, declarou

Tribuna do Norte

Entressafra de cana e melão puxa queda de empregos no RN em fevereiro

O setor sucroalcooleiro, que inclui atividades ligadas à cana-de-açúcar, álcool e derivados, registrou 1.673 demissões em fevereiro | Foto: Wenderson Araujo/CNA

A forte queda no emprego formal no Rio Grande do Norte em fevereiro tem uma explicação central: o impacto da entressafra em cadeias produtivas-chave, especialmente a cana-de-açúcar e a fruticultura. Economistas apontam que a redução no ritmo dessas atividades — com destaque para o setor sucroalcooleiro e a produção de melão — foi o principal fator por trás do saldo negativo registrado no período.

Com saldo de -2.152 empregos em fevereiro de 2026, a agropecuária liderou as perdas de postos formais no estado. No total, o Rio Grande do Norte foi o segundo estado com maior fechamento de vagas no mês, acumulando -2.221 empregos, segundo dados do Novo Caged divulgados na última terça-feira (31). O desempenho reforça um padrão já observado em anos anteriores: em fevereiro de 2025, o setor também apresentou mais demissões que admissões, com saldo de -1.048 vagas.

O resultado mais recente foi puxado, principalmente, pela retração no setor sucroalcooleiro, que concentra atividades ligadas à cana-de-açúcar, álcool e derivados, e respondeu por 1.673 desligamentos. Já a produção de melão, um dos pilares da fruticultura potiguar, registrou 1.363 demissões no mês.

Esse cenário é sazonal, explica William Figueiredo, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio-RN). “O começo do ano é o período de entressafra, ou seja, diminui mesmo a produção. Porém, este ano o impacto foi muito maior do que nos anos anteriores”, diz.

Apenas três estados tiveram saldo negativo na geração de empregos em fevereiro deste ano: RN, Alagoas (-3.023) e Paraíba (-1.186). O saldo registrado no RN em fevereiro foi resultado de 19.084 admissões e 21.305 desligamentos. William Figueiredo aponta que AL e PB também registraram um movimento semelhante, com demissões no setor sucroalcooleiro, que impactam tanto a agropecuária quanto a indústria.

A Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern) avalia que a variação negativa registrada tanto em fevereiro de 2025 (-1.048 vagas) quanto no mesmo mês de 2026 se deve a fatores estruturais, sazonais e conjunturais.

Alguns desses fatores são “a irregularidade climática e a situação hídrica, que afetam diretamente a produção, além dos custos elevados de insumos, como ração, energia e combustíveis, que pressionam a margem do produtor e reduzem a capacidade de contratação”.

Segundo a Faern, o RN ainda enfrenta dificuldades na contratação de mão de obra formal, e parte dos trabalhadores do setor são informais. Na agropecuária, foram registrados 461 admissões e 2.613 desligamentos em fevereiro deste ano.

William Figueiredo: comércio e serviços foram os destaques | Foto: Pedro Henrique/Jovem Pan News Natal

Serviços e comércio

Assim como em fevereiro de 2025, os setores de serviços e comércio lideraram os saldos de emprego em fevereiro de 2026. “O setor de comércio e serviços continuou contratando. No caso do setor de comércio, houve a contratação principalmente nos supermercados, com 72 vagas. E no comércio de veículos, foram 47 vagas abertas”, explica William Figueiredo.

O destaque do setor de serviços foi para a educação, com 538 vagas abertas, em um movimento sazonal de volta às aulas. O segmento de alimentação, bares e restaurantes teve 152 vagas abertas, o que era esperado devido ao Carnaval e à alta temporada no estado.

O economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), destaca que comércio e serviço são os “motores” da economia potiguar. No entanto, os indicadores positivos nesses setores não superam as perdas da indústria, por exemplo.

“A curto prazo, comércio e serviços fazem com que a economia gire. Mas a longo prazo, investimentos de capitais em produção, principalmente em indústria, tendem a elevar o patamar econômico do estado”, avalia. O economista cita a dificuldade do estado em atrair investimentos, o que também afeta o mercado de trabalho.

Indústria teve o 2º pior desempenho entre setores

Assim como a agropecuária, a indústria teve desempenho negativo no mesmo mês em ambos os anos. Roberto Serquiz, presidente da Fiern (Federação das Indústrias do RN), afirma que em 2026 o recuo foi puxado pelos segmentos de petróleo e gás (-1.055) e refino de açúcar (-292).

“O resultado evidencia fragilidades estruturais na economia do estado e perda recente de dinamismo, especialmente na indústria, demandando políticas de estímulo à atividade produtiva”, afirma Serquiz.

Arthur Néo diz que o resultado da indústria reflete desafios estruturais, com desaceleração na produção potiguar. “Todos os insumos da cadeia de produção estão sofrendo reajustes, que na maioria das vezes estão acima do IPCA. E no Rio Grande do Norte, que é um estado que já tem dificuldades no setor produtivo, isso foi mais impactante.”

Construção civil

O desempenho negativo da construção civil (-92) contrasta significativamente com o resultado de fevereiro de 2025 (criação de 733 vagas). O economista Arthur Néo pontua que o setor é muito dependente de crédito, e os juros altos pressionam o mercado.

“Um juro muito alto faz com que a decisão do cliente de adquirir uma casa nova seja postergada. Mas não foi uma queda tão acentuada [no setor], porque o nosso déficit habitacional ainda é gigante”, avalia. Para ele, diferente da queda na agropecuária, o resultado não era esperado.

Sérgio Azevedo, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN (Sinduscon-RN), tem uma visão semelhante. “A construção é muito sensível à confiança, ao crédito, ao ritmo de liberação de projetos e à segurança jurídica. Quando esse ambiente piora, o emprego sente rapidamente”, explica.

Ele diz que o resultado de 2026 acende um alerta, uma vez que em fevereiro de 2025 o setor gerou empregos. “O RN precisa destravar investimentos, acelerar regulações e criar condições reais para que o setor privado invista, produza e contrate”, afirma.

Mercado de trabalho no RN

Para o economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), os resultados de fevereiro já eram esperados devido a fatores sazonais. “É um mês em que temos os reflexos das demissões dos [profissionais] temporários”, diz.

Ele reflete, no entanto, que a trajetória recente de empregabilidade no RN é positiva. “Em 2025, o desemprego do RN caiu para 8,1%, o menor número da série histórica desde 2012, com mais de 31 mil pessoas a menos sem emprego em um ano”, lembra o economista.

Na visão de Sérgio Azevedo, “o resultado geral do RN é preocupante. O estado tem potencial, mas está enfrentando dificuldades para transformar oportunidades em investimentos e empregos. Isso revela um ambiente ainda pouco competitivo, com entraves que afastam novos negócios e reduzem o dinamismo da economia.”

Para Zeca Melo, superintendente do Sebrae-RN (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do RN), o resultado geral de fevereiro acende um sinal de alerta. “Estar entre os piores saldos de emprego do país no período exige uma análise cuidadosa e equilíbrio. Este é o pior mês de fevereiro dos últimos cinco anos”.

“É importante considerar fatores sazonais, como o fim de contratos temporários do início do ano e ajustes naturais de alguns setores da economia. Mas se observa que os números já vinham caindo há alguns meses. Ainda assim, o dado reforça a necessidade de fortalecer o ambiente de negócios e estimular a atividade econômica no estado.”

Zeca Melo (Sebrae): RN precisa fortalecer ambiente de negócios | Foto: Magnus Nascimento

O Boletim de Emprego, elaborado pelo Sebrae-RN, aponta que, em relação ao porte de empresas, as microempresas foram as que tiveram maior saldo de vagas (885). Pequenas empresas registraram leve queda (-30 postos); médias empresas tiveram desempenho mais retraído, com -1.314 vagas; e em grandes empresas houve o fechamento de -1.762 postos de trabalho.

“Fica evidente o papel fundamental dos pequenos negócios na sustentação do emprego. As microempresas demonstram resiliência e capacidade de adaptação mesmo em cenários desafiadores”, diz Melo. “Por outro lado, as pequenas empresas praticamente ficaram estáveis, enquanto médias e grandes registraram retração significativa, com fechamento de mais de 3 mil postos somados.”

Fernando Azevêdo/Repórter

Tribuna do Norte