O aumento, segundo sindicalistas, estaria relacionado à alta no preço internacional do petróleo | Foto: Marcello Casal Jr
A Secretaria Nacional do
Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, encaminhou hoje
(10) um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que
investigue os recentes aumentos nos preços dos combustíveis que foram registrados
em postos na Bahia, no Rio Grande do Norte, em Minas Gerais, no Rio Grande do
Sul e Distrito Federal.
O pedido foi encaminhado após representantes de sindicatos reclamarem que distribuidoras desses quatro estados brasileiros e do Distrito Federal estavam elevando os preços de venda dos combustíveis, embora a Petrobras não tenha anunciado aumento nos preços praticados em suas refinarias. Esse aumento, disseram os sindicalistas, estaria sendo justificado pela alta no preço internacional do petróleo, associado aos ataques que vêm ocorrendo no Oriente Médio.
“Diante desse cenário, a
Senacon solicitou que o Cade avalie a existência de possíveis indícios de
práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado, e que podem
indicar tentativa de influência à adoção de conduta comercial uniforme ou combinada
entre concorrentes”, diz a Senacon, em nota.
Por meio de nota divulgada em
suas redes sociais, o SindiCombustíveis da Bahia disse que está preocupado com
os efeitos do cenário internacional sobre o mercado de combustíveis no estado.
“O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem pressionado as cotações
do petróleo no mercado internacional e já provoca reflexos no Brasil”,
escreveu.
O Sindicato do Comércio
Varejista de Derivados Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos RN), também
em suas redes sociais, escreveu na semana passada que o conflito “já começa a
refletir na alta do preço do petróleo no mercado internacional, acendendo um
sinal de atenção para o setor de combustíveis no Brasil”.
O Minaspreto alertou que a
defasagem no preço do diesel já atinge mais de R$ 2 e, na gasolina, quase R$ 1.
“As companhias estão
restringindo a venda e praticando preços exorbitantes, principalmente para os
revendedores marca própria. Já há relatos de postos totalmente secos em Minas
Gerais. O Minaspetro está monitorando a situação e irá acionar os órgãos reguladores
para mitigar o risco de desabastecimento”, escreveu o sindicato em suas redes
sociais.
Em São Paulo, o Sindicato do
Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado (Sincopetro), entidade
que representa o comércio varejista de derivados de petróleo, também vem
observando aumento no preço dos combustíveis. Em entrevista à Agência Brasil, o
presidente do Sincopetro, José Alberto Gouveia, disse que a investigação do
Cade será importante para o setor.
“O que não pode é o dono do
posto levar a culpa como estão tentando fazer. Ele não aumentou porque ele
quis, ele aumentou porque aumentou o preço para ele também. Então essa
explicação para nós é muito importante”, disse ele.
Tribuna do Norte



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