quinta-feira, 11 de junho de 2026

Audiência marcada para julho pode definir a extinção da Casa da Estudante

Sem água e sem energia, o imóvel tombado pelo patrimônio histórico estadual virou alvo fácil para saques e vandalismo. Foto: Léia Ventura

Uma audiência marcada para o dia 13 de julho com representantes do Gabinete Civil, SEMJIDH, Secretaria de Infraestrutura e Procuradoria-Geral do Estado e do Ministério Público do RN pode decidir pela extinção da Casa da Estudante, instituição que durante anos acolheu mulheres do interior que vinha à capital estudar. Sem receber ninguém desde 2021 - quando o prédio localizado na rua Junqueira Aires ficou sem água e energia – a Casa da Estudante corre o risco de nunca voltar a funcionar.

O prédio que por décadas foi o porto seguro e a promessa de um futuro melhor para inúmeras meninas vindas do interior do Rio Grande do Norte em busca de estudo na capital hoje é um local marcado pelo abandono e pela depredação, com lixo, vidros quebrados e materiais de higiene pessoal na escadaria de sua entrada principal.

Sem água e sem energia desde 2021, o imóvel tombado pelo patrimônio histórico estadual virou alvo fácil para saques e vandalismo. Fios, portas, torneiras e até os pertences deixados para trás pelas últimas seis moradoras foram levados. Um procedimento foi aberto pelo MPRN em 2011 para fiscalizar a Casa da Estudante, entidade sem fins lucrativos voltada ao acolhimento de estudantes do interior do RN. Já naquela época, laudos apontavam infiltrações, problemas elétricos, cupins e graves deficiências estruturais.

Nesse mesmo ano, após o corte de energia, o imóvel sofreu invasões e saques, nos quais foram furtados fios, medidores e torneiras, o que fez com que as últimas moradoras deixassem o local. Em vistoria realizada em 2022, o MP encontrou um cenário de destruição, com telhados danificados, redes elétrica e hidráulica roubadas e o prédio lacrado pela Polícia Civil.

O autônomo Eriberto Félix mora perto do prédio da Casa da Estudante e viu de perto o seu abandono. Apesar de o imóvel estar fechado e sem moradoras no local, ainda é recorrente a presença de jovens mulheres que, vez ou outra, passam pela Casa da Estudante em busca de mais informações sobre o espaço.

“As meninas do interior às vezes ainda procuram ‘saber mais’ quando passam por aqui. Uma vez, quatro estudantes de Caicó perguntaram sobre a Casa, pensando que ainda funcionava aqui, e eu disse que não tinha ninguém”, revela.

Conhecido na localidade como “Jamaica”, Eriberto viu de perto o drama das estudantes que, após ficarem sem água e energia, tiveram que enfrentar episódios de insegurança e furtos recorrentes. Depois disso, ele foi responsável por supervisionar o local de modo informal, recebendo ajuda com cestas básicas e quantias em dinheiro como forma de auxílio e gratificação por seu trabalho.

“Eu vinha só olhar porque ‘era’ tudo escuro aí. Olhava lá atrás e botava um cadeado que elas compraram para o portão de ferro. Levaram tudo aí de dentro, ficaram só as paredes”, afirma.

Importância histórica

De acordo com o professor e historiador Luciano Capistrano, o prédio em si é um patrimônio que tem uma legislação que o preserva e, com isso, mudar sua função é cabível; no entanto, a mudança em seu aspecto arquitetônico, a depender da finalidade, é preocupante por se tratar da característica de uma época.

“Pensar um espaço que desse vida, desse voz, num tempo presente, nos dias atuais, para esse segmento da sociedade tão importante que são as mulheres, que são as estudantes, que são as jovens. E aí você teria, assim, uma função que teria um elo, digamos, de ligação com a sua essência”.

Para além disso, Luciano Capistrano reforça que, nesta perspectiva, é necessário pensar também sobre a valorização da Cidade Alta e de seus espaços urbanos e históricos. “O Centro Histórico de Natal precisa de vida, de movimento, precisa que esses espaços sejam ocupados para criar uma mobilidade que traga mais vida”.

Para o professor, a utilização do prédio para uma instituição pública que tivesse relação com mulheres, estudantes e com a juventude seria mais contemplativa à criação original da Casa da Estudante.

“E essa memória urbana, é importante que seja preservada. E, para isso, é interessante o diálogo com os historiadores, com arquitetos, o diálogo com especialistas nessa questão monumental, da arquitetura, do patrimônio histórico para se ter um uso e não uma mudança das suas características do ponto de vista da arquitetura e da história”, finaliza.

Procurado pela Tribuna do Norte, até o fechamento da edição, o Governo do RN não respondeu aos questionamentos.

Tribuna do Norte

Aprovados em concurso da polícia cobram nomeações

Sinpol tem cobrado semanalmente as nomeações. Foto: arquivo tn

Mesmo com uma determinação da Justiça do Rio Grande do Norte obrigando a nomeação de todos os candidatos aprovados na terceira turma do Edital nº 01/2020-PCR, 185 aprovados seguem sem uma resposta do Governo do Estado. A última decisão da 6ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal foi publicada no dia 15 de maio, sendo a segunda em menos de três meses que obriga o Estado a realizar as nomeações.

A sentença acolhe embargos de declaração direcionados pelo Ministério Público do Estado (MPRN), além de aprovar em parte um pedido de tutela de urgência formulado pela Associação dos Delegados de Polícia Civil do Rio Grande do Norte (Adepol/RN). Somada às nomeações, a decisão determina o início de nova turma do Curso de Formação Profissional, aproveitando os candidatos aprovados remanescentes. O prazo para o cumprimento dos pedidos é de 30 dias.

A candidata ao cargo de delegada, Thalita Mendonça, representante da Comissão de Formados da Terceira Turma da Polícia Civil, aponta que, há 20 dias, tenta uma audiência junto ao Governo do Estado em busca de respostas. O grupo de aprovados, contudo, não conseguiu falar com a governadora Fátima Bezerra (PT).

“Em todos os estados do Brasil, até mesmo o cadastro de reservas para a Polícia Civil se esgota, porque existe a necessidade pelas polícias. Aqui no Rio Grande do Norte, não entendemos por que não querem cumprir [a nomeação] mesmo com o respaldo da decisão judicial”, relata.

Uma das principais preocupações dos aprovados, segundo Thalita Mendonça, está no fato de que o concurso vence em outubro deste ano e cerca de 90 aprovados ainda devem passar pelo curso de formação. “Esse curso de formação demora em torno de três meses, então o prazo está muito apertado e o governo não dá uma resposta”, esclarece.

As novas convocações são aguardadas para atenuar o déficit de 63,55% presente no efetivo da Polícia Civil. Atualmente, o Estado conta com 1.877 policiais civis ativos, enquanto o ideal seriam 5.150, conforme a Lei Complementar nº 270/2004.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Norte (Sinpol-RN), Nilton Arruda, afirma que a entidade tem realizado cobranças quase semanais pela nomeação dos aprovados. Os pedidos acontecem com o intermédio da Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesed/RN), e a última resposta que receberam foi de que devem ocorrer novas nomeações nos próximos dias.

O problema, aponta o presidente do Sinpol/RN, é que essas novas nomeações são para preencher vacâncias. Na prática, o processo deve contemplar uma parcela baixa dos 185 aprovados no terceiro curso de formação, que serão direcionados para vagas que abriram em virtude de morte e exoneração de servidores.

Ao mesmo tempo em que o efetivo se mantém deficitário, Nilton Arruda destaca que o Governo tem investido em uma política pouco eficaz de criação de novas delegacias. “As delegacias que já existem, como as especializadas em roubo e narcóticos, ficam com um efetivo mais carente ainda. Ou seja, você nomeia, mas o efetivo da sua unidade não aumenta”, destaca.

O concurso conduzido pelo Edital nº 01/2020-PCR aprovou 2.036 candidatos, dos quais 593 servidores foram nomeados nas duas primeiras turmas de formação. Posteriormente, após decisões judiciais, foram nomeados outros 153 candidatos. Mais recentemente, mais 178 policiais civis foram nomeados para substituir profissionais aposentados, mortos ou exonerados.

Tribuna do Norte

Brasil e EUA devem se reunir na sexta para discutir tarifaço

Foto: Reprodução

Brasil e Estados Unidos devem se reunir na próxima sexta-feira (12) para discutir o tarifaço americano, segundo fontes envolvidas no diálogo. Ministros do governo federal conversarão remotamente com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. O governo federal será representado pelo ministro Márcio Elias Rosa, do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Titulares de outras pastas também podem participar da reunião.

Os países haviam acordado em formar um GT (Grupo de Trabalho) para discutir as tarifas impostas por Donald Trump. O diálogo se tornou mais urgente após o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) sugerir à Casa Branca taxar mercadorias brasileiras em 25%.

A gestão federal formula internamente uma resposta aos Estados Unidos. O Brasil não deve atender às demandas dos EUA nas investigações da chamada “seção 301”, mas considera negociar a redução de tarifas em determinados setores.

O governo acena, por exemplo, com a possibilidade de mudar sua orientação diplomática e retirar o veto imposto a um acordo global sobre comércio eletrônico, no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio), que interessa diretamente a gestão Donald Trump.

A recomendação da taxação pelo USTR partiu de investigação da “seção 301”. Os EUA apuraram supostas práticas desleais de comércio do Brasil, em áreas como tarifas preferenciais, meios digitais de pagamento, desmatamento, entre outras.

Brasil no plano de verba contra o narcotráfico

O Departamento de Estado dos Estados Unidos incluiu na sua proposta de orçamento para 2027 um aumento nos recursos destinados ao combate ao narcotráfico e ao crime organizado no Hemisfério Ocidental, incluindo o Brasil.

O plano total prevê US$ 535 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bi) para programas coordenados pelo Bureau de Narcóticos e Drogas Perigosas (BNDD na sigla em inglês) e o Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL na sigla em inglês), responsável por ações de cooperação internacional na área de segurança.

Estes órgãos norte-americanos dedicados ao combate do narcotráfico financiarão, em outros países, programas muito implementados por agências de segurança dos EUA.

O intuito é fortalecer estes parceiros estrangeiros em treinamento e equipamentos para detectar e desmantelar o tráfico ilícito de drogas, contrabando de imigrantes para os Estados Unidos e interferência maligna em territórios de parceiros estrangeiros.

Na Colômbia, o INL se concentrará nas prioridades centrais de contranarcóticos, crime organizado transnacional e dissuasão criminal, incluindo apoio a plataformas de aviação associadas.“Outras assistências também poderão ser fornecidas para: Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai”, completou o Departemento.

Ao Hemisfério Ocidental serão dedicados US$ 16 milhões (aproximadamente R$ 83 milhões). “Estes recursos apoiarão programas que visam a profissionalização das forças de defesa e o aprimoramento da liderança e das capacidades técnicas dos parceiros regionais para proteger seus respectivos territórios nacionais contra ameaças transnacionais“, conclui o documento.

A proposta não especifica valores destinados ao Brasil nem detalha programas exclusivos para o país. A menção indica apenas que o governo americano considera o Brasil elegível para futuras ações de cooperação.

Tribuna do Norte

No RN, 394 empresas são notificadas em ação da Receita

Caso a empresa não regularize a situação no prazo, terá de pagar os tributos com juros e multas. Foto: Marcelo Camargo

A Receita Federal iniciou neste mês uma ação de fiscalização que identificou R$ 4,91 bilhões em divergências relacionadas ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em todo o país. No Rio Grande do Norte, 394 empresas estão sendo notificadas e têm até 31 de julho para regularizar a situação. A Receita não informou os valores em divergência relativos ao RN. Em nível nacional, 29.061 pessoas jurídicas foram notificadas.

A ação integra o trabalho de Malha Fiscal Digital, que analisa dados e cruza informações prestadas pela pessoa jurídica ou por terceiros, visando orientar a autorregularização das divergências identificadas.

Segundo o contador Gustavo Vieira, sócio-diretor da empresa Rui Cadete Consultores Associados, “as divergências decorrem principalmente de falhas operacionais, contábeis e de integração de sistemas, como informações incompletas e falta de conciliação”.

As inconsistências mais frequentes, diz ele, são divergências entre valores apurados, declarados e recolhidos de IRPJ e CSLL; declaração parcial dos tributos; débitos informados na ECF que não foram corretamente declarados na DCTFWeb/EFD-Reinf; e valores apurados contabilmente que não chegaram a ser recolhidos.

Para Vieira, o número de empresas notificadas no RN “revela fragilidades na gestão tributária das empresas potiguares, especialmente na conciliação entre contabilidade, obrigações acessórias e recolhimentos”. O contador afirma que as empresas precisam adotar uma postura cada vez mais preventiva na gestão tributária.

“Isso inclui realizar revisões periódicas das obrigações acessórias, promover a integração entre as áreas financeira, fiscal e contábil, investir em controles internos e em ferramentas que permitam a conciliação dos dados enviados ao Fisco”, destaca. “É fundamental contar com acompanhamento de profissionais especializados ou escritórios de contabilidade com expertise tributária”, diz.

Para verificar possíveis inconsistências, a empresa deve cruzar os valores de IRPJ e CSLL apurados na ECF com o que foi declarado na DCTFWeb e EFD-Reinf, conferindo também os DARFs/recolhimentos efetivamente pagos. “O ideal é fazer uma conciliação por período, tributo, código de receita e valor declarado”, explica Vieira.

Na primeira etapa da operação, os contribuintes são notificados por meio de avisos via postal e mediante mensagem na caixa postal no e-CAC. Após 31 de julho, a Receita verifica novamente as declarações – quem não se regularizar fica sujeito a ser autuado.

Caso a empresa não realize a autorregularização no prazo e seja autuada, ela terá de pagar os tributos devidos com juros e multas. “Além disso, pode enfrentar restrições para obter Certidão Negativa de Débitos, o que afeta licitações, financiamentos e operações empresariais”, diz Vieira.

Na visão do contador, o aumento do uso de inteligência artificial e cruzamento de dados pela Receita Federal deve ampliar esse tipo de fiscalização nos próximos anos. “A ampliação do sistema SPED tende a tornar esse tipo de fiscalização mais frequente, rápida e precisa”.

Do volume total de notificações, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram 44,69%. Sozinho, o estado de SP detém mais de um quarto (27,75%) de todas as notificações de divergências. A região Nordeste representa 22,68% do volume total do país (6.592 de 29.061).

Tribuna do Norte

Comissões derrubam veto a repasses diretos aos municípios

Projeto garante maior previsibilidade a quase R$ 3 bilhões destinados às prefeituras no RN. Foto: João Gilberto

Por unanimidade, o veto integral da governadora Fátima Bezerra (PT) ao projeto de lei 0623/2025 que garante os repasses diretos das receitas tributárias de ICMS e IPVA e de parcelas do Fundeb pertencentes aos municípios, foi rejeitado, na quarta-feira (10), em duas comissões permanentes da Assembleia Legislativa.

De iniciativa do deputado estadual Gustavo Carvalho (PL), a matéria agora segue à deliberação do plenário da Casa, onde passou por aprovação unânime em 10 de dezembro de 2025 com os votos de 22 deputados, inclusive da bancada do Partido dos Trabalhadores, como maneira de assegurar o repasse semanal dos recursos aos municípios, em decorrência dos constantes atrasos e retenções de créditos na conta única do Estado no Banco do Brasil.

De acordo com o Relatório Resumido da Execução Orçamentária do segundo bimestre (março e abril) divulgado pelo Executivo, cerca de R$ 3 bilhões serão repassados aos aos 167 municípios do Rio Grande do Norte somente de impostos até dezembro de 2026, sem falar as verbas do Fundeb.

Ou seja, a previsão de 25% de ICMS a ser repassado chega a R$ 2.626.699.000,00, enquanto os 50% do IPVA somam R$ 371.922.000,00, totalizando R$ 2.998.621.000.

Inicialmente, a Comissão de Finanças e Fiscalização (CFF) analisou o veto governamental com o voto favorável do relator, deputado estadual Coronel Azevedo (PL), em substituição ao seu próprio presidente, deputado estadual Luiz Eduardo (PL), que está ausente do Estado.

Em seu parecer, o deputado Coronel Azevedo rebateu os argumentos apresentados pelo Executivo para justificar o veto, oficiado à Assembleia em 31 de março: “As justificativas do governo não reúnem densidade jurídica suficiente para invalidar as decisões desta comissão”.

Azevedo observou que o projeto institui um mecanismo de repasse diário inspirado em modelo já adotado com sucesso em Minas Gerais, destacando que a medida contribui para o equilíbrio das finanças municipais.

“As prefeituras frequentemente enfrentam atrasos nos repasses, e a matéria garante a regularidade do fluxo financeiro essencial para os municípios potiguares. Além disso, encontra-se em plena conformidade financeira e orçamentária, uma vez que não cria qualquer despesa nova para o Estado”, argumentou.

Para o relator, a proposta atende ao interesse público e fortalece a autonomia financeira dos municípios. “Não pode o governo se apropriar de recursos que pertencem aos municípios. Trata-se de uma iniciativa que assegura transparência, previsibilidade e respeito ao pacto federativo, sem qualquer prejuízo ao interesse público”, concluiu.

Segundo o relator, as razões apresentadas pela governadora no Veto Integral nº 5/2026 ao Projeto de Lei 632/2025, fundamentam-se na alegada contrariedade ao interesse público, argumenta que o projeto busca legislar sobre matéria já disciplinada pela Lei Complementar Federal 63/1990, extrapolando a competência suplementar do Estado ao instituir prazos e critérios próprios de repasse a duas invasão de competência federal.

Alega-se que a obrigatória de repasse automáticos e o esvaziamento diário da conta centralizadora comprometem a direção superior da administração estadual e a gestão do fluxo de de caixa da conta única do Tesouro Estadual, além de que o modelo proposto conflita com o contrato 02/2023 firmado com o Banco do Brasil, alterando unilateralmente as regras de arrecadação e podendo gerar penalidades contratuais ao Estado.

O Executivo ainda sustentou que a automação absoluta impede a realização de estornos necessários decorrentes de arrecadações indevidas ou ordens judiciais, transferindo todo o ônus financeiro de eventuais correções ao tesouro estadual, em desacordo com a lei de responsabilidade fiscal.

Para Azevedo, o objetivo central da propositura é instituir um mecanismo de repasse automático e diário para o IPVA e em prazos fixos semanais para o ICMS, utilizando a instituição financeira como agente centralizador para realizar os créditos diretamente nas contas municipais.

“O verdadeiro interesse público resiste no fortalecimento do pacto federativo e na garantia de que os recursos da educação, Fundeb, e da saúde cheguem aos cidadãos nos municípios sem retenções indevidas pelo Tesouro Estadual”, avalizou o Coronel Azevedo.

O deputado estadual Tomba Farias (PL) acompanhou o voto do relator, que foi “direto na ferida”, assim como o deputado estadual Neilton Diógenes (PP): “Nós devemos tocar mesmo na ferida, têm que ser prioridade esse repasse. E se isso não acontecer, que é o caso que não está acontecendo, que se torne lei para que a gente possa de verdade sentir esses recursos chegarem até as prefeituras e se o serviço que deve ser feito com esses recursos. Só assim a população vai poder enxergar ou receber o seu imposto de volta”.

A deputada Terezinha Maia (PL) disse que votava com o relator, porque “sabe da importância desse projeto, da gente poder garantir esse recurso aos municípios, que é que estão de frente com a população sofrendo no dia a dia”.

Já em reunião extraordinária na Comissão de Administração e Serviços Públicos, Trabalho e Segurança Pública, o relator, Tomba Farias argumentou que os municípios estão passando por dificuldades e as medidas propostas pelo projeto vão assegurar recursos para serviços básicos aos quais a população precisa ter acesso imediato. Acompanharam o parecer os deputados Taveira Júnior e Cristiane Dantas (PSDB).

Tribuna do Norte

Indústria do RN recua 17,9% e tem pior resultado do Brasil no 1º quadrimestre de 2026

Fiern prevê uma recuperação dos saldos negativos, ressalvando que não há como desconsiderar fatores externos ao RN, como o valor da taxa Selic, incertezas envolvendo eleições e mudanças relativas à reforma tributária.

A redução em abril e no acumulado foi puxada pela atividade de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (óleo diesel). Foto: Alex Régis

A indústria do Rio Grande do Norte registrou queda de 17,9%, o maior recuo do país no acumulado de 2026 até o mês de abril. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira (10). Considerando apenas o mês de abril, a indústria potiguar apresentou recuo de 13,6% na comparação com o mês anterior, também a maior queda registrada no Brasil. As reduções foram puxadas pela atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (óleo diesel), que apresentou retração de 29,9% no acumulado do ano e de 27,8% em abril.

Segundo o IBGE, também tiveram números negativos no quadrimestre a fabricação de produtos alimentícios (-6,2%) e as indústrias extrativistas (-5,6%). Ainda levando em conta os quatro primeiros meses de 2026, além do RN, outros sete estados no País acumulam taxas negativas na produção industrial: Bahia (-4,6%), Maranhão (-4,5%), Ceará (-4,4%), Amazonas (-3,5%), Santa Catarina (-2,8%), Paraná (-1,1%) e São Paulo (-0,4%).

Para o Observatório da Indústria Mais RN, da Fiern, os dados apontam para uma perda de dinamismo do setor na região Nordeste, bem como no cenário nacional. O órgão pondera, no entanto, que não houve queda generalizada no RN.

“Na verdade, o resultado negativo teve como razão, especificamente, o recuo de quase 20%, entre janeiro e abril, do setor de Petróleo e Gás, enquanto os demais apresentaram números próximos do esperado para o início do ano”, disse o observatório por meio de nota.

Para o restante do ano, a Fiern prevê uma recuperação dos saldos negativos, ressalvando que não há como desconsiderar fatores externos ao RN, como o valor da taxa Selic, incertezas envolvendo eleições e mudanças relativas à reforma tributária.

O economista Robespierre do Ó explica que os resultados para o RN já eram esperados em grande medida, com sinalização dos números negativos para o setor de petróleo ao longo dos últimos meses.

“A produção de petróleo do Estado vem registrando sucessivas quedas e atingiu recentemente os menores níveis das últimas décadas. Como o segmento de derivados possui grande participação na estrutura industrial potiguar, qualquer retração mais intensa acaba impactando significativamente o resultado geral da indústria. Além disso, a indústria de alimentos também vem apresentando oscilações e desempenho mais fraco neste início de ano, o que amplia os efeitos negativos sobre a produção industrial”, pontua o especialista.

Em abril, a pesquisa do IBGE voltou a registrar recuo na fabricação de produtos alimentícios (-1,7%). O segmento havia tido variação positiva em março (2,2%), após os dois meses de quedas consecutivas observadas em janeiro (-7,1%) e fevereiro (-17,4). Por outro lado, a confecção de artigos do vestuário e acessórios (56,0%) e as indústrias extrativistas (16,3%) apresentaram crescimento no quarto mês do ano, em relação a abril do ano passado. Já no acumulado de 2026, apenas a confecção de artigos do vestuário e acessórios (41,5%) segue com resultados positivos.

De um modo geral, segundo Robespierre do Ó, a expectativa para os próximos meses é de uma melhora gradual, mas ainda cercada de cautela. “O setor de vestuário continua apresentando forte crescimento e as atividades extrativas têm mostrado sinais positivos em alguns períodos, o que ajuda a reduzir parte das perdas. Entretanto, uma recuperação mais consistente da indústria potiguar dependerá principalmente do desempenho do complexo de petróleo e combustíveis”, diz.

“Como esse segmento possui elevado peso na economia industrial do Estado, dificilmente haverá uma reversão significativa dos números sem uma estabilização da produção de petróleo e do processamento de derivados”, aponta Robespierre.

Para o economista, o principal fator por trás da queda da indústria potiguar é interno, marcado especialmente pela redução da produção local de petróleo e derivados. No entanto, segundo ele, o conflito no Oriente Médio também causa reflexos locais.

“Dependendo da intensidade e duração das tensões geopolíticas, podem ocorrer oscilações no preço do barril, nos custos de transporte e nos fluxos internacionais de energia. Para o RN, por um lado, preços internacionais mais elevados podem aumentar receitas de royalties e melhorar a rentabilidade da atividade petrolífera. Por outro, a instabilidade pode elevar custos produtivos e gerar maior incerteza para investimentos”, avalia.

Variação em 12 meses também é negativa

Em um terceiro recorte temporal, de 12 meses, a indústria do RN também registrou queda, desta vez, de -12,4%. Mais uma vez, a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (-24,2%) e de produtos alimentícios (-1,4%) puxaram a redução. O resultado do RN vai na contramão do Brasil, que registrou alta de 0,7% da produção industrial nacional em abril de 2026 na comparação com o mês anterior.

O referido desempenho foi puxado por dez dos 15 locais pesquisados pelo IBGE, na série com ajuste sazonal. Bahia (3,0%), Ceará (2,3%), Espírito Santo (2,1%) e Minas Gerais (2,1%) mostraram as maiores altas. Santa Catarina (1,7%), Goiás (1,7%), Rio de Janeiro (1,4%), São Paulo (0,9%) e Paraná (0,8%) completaram o conjunto de locais com taxas positivas, no mês.

No comparativo com abril de 2025, a alta no país foi de 2,7%, com destaque para o crescimento da indústria no Espírito Santo (32,9%) e no Rio de Janeiro (10,1%).

No acumulado de 2026, o Brasil teve variação positiva de 1,7%, com avanços de dois dígitos em Espírito Santo (25,3%) e Pernambuco (19,7%).

Felipe Salustino/Repórter

Tribuna do Norte

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Sede própria do Sebrae em Mossoró ampliará atendimento a empreendedores do Oeste potiguar

Ordem de serviço para construção foi assinada nesta terça-feira, 9; nova estrutura receberá investimento de R$ 8,7 milhões e fortalecerá ações de capacitação, inovação e desenvolvimento

O Sebrae no Rio Grande do Norte avança com ações de fortalecimento do empreendedorismo no interior do estado ao autorizar a construção da sede própria da Agência Sebrae no Oeste, em Mossoró. A ordem de serviço para a execução da nova estrutura foi assinada nessa terça-feira, 9. A iniciativa foi projetada para ampliar a capacidade de atendimento aos empreendedores da região, oferecendo ambientes modernos voltados à capacitação, inovação, geração de oportunidades e desenvolvimento empresarial.

A assinatura da ordem de serviço marca o início de um empreendimento estratégico para a atuação da instituição no Oeste potiguar. Com investimento de R$ 8,7 milhões e prazo de execução de 12 meses, a nova sede em Mossoró reforça o compromisso do Sebrae com o fortalecimento dos micro e pequenos negócios e com o desenvolvimento econômico dos 13 municípios atendidos pela agência regional.

Estrutura

Com mil metros quadrados de área construída, distribuídos em dois pavimentos interligados por elevador, a nova unidade foi concebida para atender às demandas atuais e futuras dos empreendedores da região. O espaço contará com ambientes destinados ao atendimento ao público, salas de atendimento privativo, salas de reunião e espaços de coworking. Também a sede própria terá salas de capacitação, laboratório de inovação (SebraeLab), cafeteria, além de áreas administrativas e demais estruturas de apoio necessárias ao funcionamento da unidade.

Mais do que uma nova estrutura física, a sede própria representa um investimento de longo prazo na ampliação da presença do Sebrae em uma das regiões mais dinâmicas do Rio Grande do Norte. A nova unidade foi planejada para fortalecer a oferta de serviços, consultorias, capacitações, eventos e ações voltadas ao aumento da competitividade dos pequenos negócios.

Segundo o diretor superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, a estruturação da nova sede fomenta ampliação de atendimentos na região Oeste do estado.

Para o diretor superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, a nova unidade representa um investimento estratégico para ampliar a presença da instituição no Oeste potiguar e fortalecer o ambiente de negócios da região.

“A construção da sede própria em Mossoró representa um marco para a atuação do Sebrae no interior do Rio Grande do Norte. Estamos realizando um investimento estruturante que amplia nossa capacidade de atendimento e reforça o compromisso da instituição com o desenvolvimento dos pequenos negócios da região Oeste. Estamos criando um ambiente preparado para estimular a inovação, a capacitação e a geração de oportunidades para empreendedores de 13 municípios”, destaca.

Sede sustentável e acessível

O projeto também incorpora conceitos contemporâneos de sustentabilidade, eficiência energética e acessibilidade. A edificação contará com sistema de geração de energia por meio de painéis fotovoltaicos, fachadas com proteção solar, iluminação e ventilação naturais, além de soluções arquitetônicas voltadas ao conforto e à funcionalidade dos ambientes.

As condições de acessibilidade foram desenvolvidas em conformidade com as normas técnicas vigentes, contemplando elevador, sanitários acessíveis, vagas reservadas para pessoas com deficiência e idosos, rampas de acesso, pisos táteis, sinalização específica e demais dispositivos necessários à utilização segura e inclusiva dos espaços.

A nova sede foi projetada para se tornar um ambiente de conexão entre empreendedores, especialistas, parceiros e instituições, fortalecendo o ecossistema de inovação e negócios da região Oeste. A estrutura permitirá ampliar a realização de capacitações, encontros empresariais, programas de desenvolvimento, ações de inovação e iniciativas voltadas à transformação dos pequenos negócios.

A assinatura da ordem de serviço marca o início de um empreendimento estratégico do Sebrae no Oeste Potiguar.

O gerente da Agência Sebrae no Oeste, Paulo Miranda, ressalta que a nova estrutura permitirá ampliar e qualificar os serviços oferecidos aos empreendedores.

“Mossoró exerce um papel estratégico no desenvolvimento econômico do estado e concentra um ambiente empreendedor cada vez mais dinâmico. A nova sede foi planejada para atender às demandas atuais dos empresários e, também, para acompanhar o crescimento da região nos próximos anos. Teremos uma estrutura moderna, acessível e equipada para oferecer mais conforto, ampliar a realização de capacitações, consultorias e eventos, além de fortalecer a conexão entre empreendedores, parceiros e instituições”, afirma.

A execução da obra ficará sob responsabilidade da AeC Construções e Serviços Ltda.. Já a fiscalização técnica será conduzida pela Select Projetos e Gerenciamento LTDA, responsável também pelos estudos técnicos, projetos de arquitetura e engenharia e demais documentos que viabilizaram o empreendimento.

Por Redação

Sandra Monteiro

Pedro Filho destaca chance histórica do Vale do Açu eleger um "filho da terra" para deputado federal

O pré-candidato a deputado federal Pedro Filho afirmou que o Vale do Açu vive um momento histórico e pode, pela primeira vez, conquistar uma representação própria na Câmara dos Deputados. A declaração foi feita no último final de semana, durante agenda na região, onde o vereador assuense tem intensificado o diálogo com lideranças políticas, comunitárias e religiosas.

Segundo Pedro Filho, o crescimento de sua pré-candidatura reflete o desejo da população de fortalecer a presença do Vale do Açu nos espaços de decisão nacional. Para ele, a região reúne população, força econômica e relevância política suficientes para eleger um representante comprometido com suas demandas.

“O Vale do Açu tem uma oportunidade histórica. Somos uma região importante para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte e chegou o momento de termos uma voz legítima em Brasília, defendendo nossos municípios, nossos produtores, nossos trabalhadores e nossas famílias”, declarou.

Líder evangélico e atualmente vereador em Assú, Pedro Filho vem ampliando sua base política em todo o estado, mas mantém no Vale do Açu o principal núcleo de sua pré-candidatura. Nos últimos meses, o pré-candidato consolidou apoios de lideranças em diversos municípios da região e intensificou agendas voltadas à construção de um projeto político com identidade regional.

A pré-candidatura de Pedro Filho representa a única chance de fortalecer a representação do Vale do Açu no Congresso Nacional. Ele é o unico "filho da terra" na disputa. A região concentra importantes atividades econômicas, além de desempenhar papel estratégico no desenvolvimento do interior potiguar.

Operação prende 10 suspeitos por integrar grupo criminoso com atuação na Zona Oeste do RN

Foto: Secoms/PCRN

Um grupo de 10 homens, suspeitos de integrar uma organização criminosa, foram presos pela Polícia Civil na segunda fase da Operação Cerco Total. A ação aconteceu em Pau dos Ferros e Mossoró, no interior do RN, durante esta quarta-feira (10), com apoio da Polícia Penal. Entre os envolvidos estão homens entre 20 e 32 anos que atuavam no Alto Oeste potiguar

A ação contou com o cumprimento de  23 medidas cautelares com os 10 mandados de prisão preventiva, além de um mandado de internação contra um adolescente de 16 anos. As ordens judiciais foram cumpridas nos municípios de Pau dos Ferros e Mossoró, cidades do RN. Durante a ocorrência, houve também uma prisão por flagrante pelo crime de tráfico de drogas.

A Polícia Civil reforça, ainda, a importância da colaboração coletiva, incluindo a participação da população para o repassamento de informações anônimas que possam auxiliar nas investigações, por meio do Disque Denúncia 181.

Tribuna do Norte

Polícia apreende 30 kg de droga avaliados em R$ 1,5 milhão no RN

Foto: Divulgação/PRF

Três homens foram presos por tráfico de drogas durante duas ações realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na noite desta quarta-feira (9) nos municípios de São José de Mipibu e Itajá. As ocorrências resultaram na apreensão de entorpecentes avaliados em mais de R$ 1,5 milhão, além de quase R$ 150 mil em dinheiro.

A maior apreensão ocorreu por volta das 19h40, no km 118 da BR-101, em São José de Mipibu. Durante fiscalização de rotina, policiais rodoviários federais localizaram 30 quilos de pasta base de cocaína escondidos no painel de dois veículos modelo Fiat Mobi. Também foram encontrados R$ 149.115 em espécie ocultados nos automóveis.

Foto: Divulgação/PRF

Segundo a PRF, a carga de droga está avaliada em aproximadamente R$ 1,5 milhão. A ação contou com o apoio do Grupo de Operações com Cães (GOC), e um homem foi detido em flagrante.

Já no município de Itajá, na região do Vale do Açu, outra abordagem foi realizada por volta das 18h15, no km 118 da BR-304. Com apoio da Polícia Militar, os agentes interceptaram uma caminhonete Fiat Toro e encontraram cerca de 1,1 quilo de haxixe e 100 comprimidos de ecstasy.

O motorista e o passageiro do veículo foram autuados em flagrante e presos por envolvimento com o tráfico de drogas.

Os três suspeitos, juntamente com os entorpecentes, o dinheiro e os demais materiais apreendidos, foram encaminhados às autoridades competentes para a realização dos procedimentos legais.

As apreensões fazem parte da Operação Festejos Juninos 2026, que intensifica as ações de fiscalização e combate à criminalidade nas rodovias federais durante o período das festividades juninas.

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