terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Brasil capta US$ 4,5 bilhões em títulos no mercado internacional

 

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Tesouro Nacional anunciou nesta segunda-feira (9) o resultado da primeira emissão de títulos soberanos no mercado internacional em 2026.

A operação, realizada nos Estados Unidos, movimentou US$ 4,5 bilhões, com a emissão de um novo título de dez anos – o Global 2036 – e a reabertura do título Global 2056, de 30 anos de prazo.

Com vencimento em 22 de maio de 2036, o Global 2036, foi emitido no valor de US$ 3,5 bilhões, volume recorde para papéis de dez anos do Tesouro Nacional, com juros de 6,4% ao ano, ou seja, pagando 6,4% ao ano aos investidores. Além disso, há um cupom de 6,25% ao ano a ser pago semestralmente, em maio e em novembro.

O título teve um spread 220 pontos-base (2,2 pontos percentuais) acima do título do Tesouro dos Estados Unidos. Tanto os juros como o spread funcionam como medida de risco dos papéis brasileiros no exterior. Quando mais baixo, menor as chances de o país dar calote na dívida pública externa.

Os juros foram maiores que na emissão anterior de títulos de dez anos, realizada em novembro. Na ocasião, o Tesouro obteve juros de 6,2% ao ano. Em relação ao spread, a diferença também foi maior que os 210,9 pontos (2,109 pontos percentuais) registrada em novembro.

Global 2056

Em relação ao papel de 30 anos, o Brasil captou US$ 1 bilhão com vencimento em 12 de janeiro de 2056. O papel pagará juros de 7,3% ao ano, cupom de 7,25% ao ano e spread de 245 pontos-base (2,45 pontos percentuais) sobre os papéis de 30 anos do Tesouro estadunidense.

Segundo o Tesouro, o spread foi o mais baixo para um título brasileiro de 30 anos no mercado internacional desde julho de 2014 (187,5 pontos-base). Na comparação com a emissão anterior do Global 2056, ocorrida em setembro do ano passado, tanto os juros como o spread caíram. Na ocasião, o Tesouro conseguiu juros de 7,5% ao ano e spread de 252,7 pontos.

Demanda

Segundo o Tesouro Nacional, a operação teve demanda 2,7 vezes superior ao volume ofertado, com o livro de ordens (que mede o interesse dos investidores) atingindo aproximadamente US$ 12 bilhões. Em relação ao Global 2036, o total captado foi o maior para títulos internacionais de dez anos desde o início das emissões no exterior pelo governo brasileiro.

“Os resultados com alta demanda, alto volume e spreads baixos evidenciam a confiança dos investidores na robustez e atratividade da dívida soberana brasileira, refletindo a percepção favorável do mercado internacional quanto à credibilidade do país”, destacou o Tesouro em nota.

A operação foi coordenada pelos bancos HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo. Os US$ 4,5 bilhões captados nesta segunda serão incorporados às reservas internacionais do Brasil em 19 de fevereiro.

Agência Brasil

Carnaval 2026 deve movimentar R$ 455,6 milhões na economia do RN

Em Natal, o Carnaval deve movimentar R$ 184,8 milhões, um crescimento de 12,8% em relação aos R$ 163,8 milhões de 2025 | Foto: PMN

O Carnaval deve movimentar R$ 455,6 milhões na economia potiguar. O valor é cerca de 11,6% maior do que o movimentado no Estado no ano passado (R$ 408,2 milhões). Em Natal, o valor deve alcançar R$ 184,8 milhões durante os dias de folia neste ano. A estimativa supera o valor relativo ao mesmo período do ano passado, de R$ 163,8 milhões, representando um crescimento de 12,8%. Os dados são da pesquisa Intenções de Compras para o Carnaval 2026, realizada pelo Instituto Fecomércio (IFC).

Na avaliação do instituto, o dado estadual reflete a ampliação gradual das intenções de consumo, maior circulação de pessoas e o fortalecimento das atividades ligadas ao turismo, comércio e serviços.

Em relação às expectativas para o Carnaval em Natal, a pesquisa aponta que o resultado indica a consolidação da programação da folia na capital, estimulada pela retomada da confiança do consumidor e pelo aumento dos gastos médios no período.

O titular da Secretaria de Turismo de Natal, Sanclair Solon, reforça que a projeção demonstra a inserção da capital potiguar no calendário de grandes eventos nacionais. “Temos uma maior permanência do natalense na cidade. Agora não precisa mais se deslocar para outras cidades para aproveitar uma grande programação de carnaval com segurança, polos por toda a cidade, prévias carnavalescas. Há um aumento do fluxo de visitantes/turistas, o que melhora a expectativa de vendas e serviços”, destaca.

De acordo com a pesquisa do IFC, a média de gastos do consumidor natalense para o Carnaval deve ser de R$ 400,97. Em comparação ao ano passado, quando a média foi de R$ 378,74, o valor representa um crescimento de aproximadamente 5,9%. Ao ampliar a análise para 2023, quando o valor foi de R$ R$ 315,74, a expectativa é por um crescimento de cerca de 27% no período.

Mossoró

Além da movimentação econômica em Natal, o IFC aponta projeções para o Carnaval em Mossoró, onde devem circular R$ 42,9 milhões na economia durante o feriado. O valor representa um crescimento de cerca de 6,6% em relação ao montante movimentado no mesmo período do ano passado, de R$ 40, 2 milhões.

A pretensão de gasto médio dos consumidores de Mossoró para o Carnaval é de R$ 401,04, superior ao registrado em 2025, quando o gasto foi de R$ 398,54. O valor considera não somente despesas com itens essenciais durante o feriado, como alimentação e bebidas, mas também gastos com transporte, lazer e experiências associadas ao período festivo

A pesquisa do IFC foi realizada no período de 13 a 25 de janeiro de 2026. O objetivo foi compreender as expectativas de consumo, gasto com compras e comemorações, os fatores decisivos para a compra, locais preferidos para aquisição de produtos e serviços, além das intenções de viagem para o carnaval no RN.

Números

Natal
Projeção de movimentação econômica – R$ 184,8 milhões
Gasto médio dos consumidores – R$ 400,97

Mossoró
Projeção de movimentação econômica – R$ 42,9 milhões
Gasto médio dos consumidores – R$ 401,04

Tribuna do Norte

Motta encaminha PEC do fim da escala 6×1 à CCJ

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou nesta segunda-feira (9) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a Proposta de Emenda à Constituição que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. O governo Lula ainda estudava enviar uma proposta unificando tudo que já foi discutido sobre o tema, mas Motta se antecipou ao apensar o texto proposto pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) ao de Erika Hilton (PSOL-SP)

“Decidi colocar em pauta a discussão sobre a PEC 6×1, uma demanda antiga da classe trabalhadora que almeja a redução da jornada de trabalho, nós sabemos que essa é uma matéria que impacta diretamente a nossa economia, por isso a necessidade de ouvir todos os setores na busca da elaboração de uma proposta o mais justa possível”, disse Motta.

“Eu não tenho dúvidas que a escala 6×1, vindo a ser discutida e diminuída essa jornada de trabalho nós vamos dar um passo. Um laço firme na dignidade do trabalhador, promovendo mais qualidade de vida e respeito a essas pessoas que movem o nosso país”, completou o presidente da Câmara. Motta também afirmou que, após a CCJ, será criada uma Comissão Especial para o debate amplo da PEC.

Após a análise de admissibilidade na CCJ, o texto seguirá para uma Comissão Especial, onde será debatido, antes de ser levado ao Plenário da Câmara dos Deputados.

6×1 vira prioridade de Lula

A discussão sobre o fim da escala 6×1 se tornou uma das prioridades de Lula para 2026, ano eleitoral. A reportagem apurou que parte da base do governo está pessimista quanto ao avanço da matéria ainda em 2026 por conta da complexidade do tema. Outros, no entanto, acreditam que o apelo popular vai obrigar o Congresso a discutir o assunto e que uma votação ainda neste ano é possível.

A pauta, ainda que extremamente popular, esbarra em questões econômicas: um possível fim da escala 6×1 poderia resultar no fechamento de postos de trabalho e no desaquecimento do comércio, alertaram especialistas da área econômica ligados ao governo. A alta empregabilidade e o poder de compra são duas das principais bandeiras do governo para exaltar a atual gestão.

Tribuna do Norte

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Fátima Bezerra faz última mensagem anual à ALRN

Governadora Fátima (PT) apresenta balanço final do governo, nesta terça, no Plenário da ALRN | Foto: EDUARDO MAIA

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte recebe, a partir das 10h, desta terça-feira (10), a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), para a leitura de sua mensagem anual, a última dela à frente do Executivo, desde que assumiu o primeiro mandato em 2019.

Fátima Bezerra terá pelo menos 30 minutos para se dirigir aos deputados, pois, logo em seguida, às 10h30, está previsto o início da sessão ordinária do dia.

Por tradição, a mensagem anual do governante é feita na abertura do ano legislativo, mas alegando “pré-agenda fechada”, não compareceu à sessão solene do dia 3, quando a Casa retornou às atividades em plenário

Pelo menos dois parlamentares já justificaram ausência em plenário – o deputado José Dias (PL) “em razão de atividade parlamentar “ externa da Casa e o deputado Kleber Rodrigues (PSDB), que está de licença médica e em tratamento de saúde, mas já anunciou para março a filiação ao Partido Progressistas (PP).

Mas existe uma certa expectativa quanto ao conteúdo da mensagem governamental, no caso se será restrito ao aspecto administrativo ou se também inclui uma abordagem política por se tratar de ano eleitoral.

O deputado Luiz Eduardo (PL) aponta ceticismo em relação ao pronunciamento da governadora do Estado: “A expectativa é a de que a governadora minta. Ela vai dizer que a saúde está boa, que as estradas estão boas e que a educação está bem avaliada”.

“Mas será tudo mentira, distante da realidade vivida pelo povo do Rio Grande do Norte”, reforçou Luiz Eduardo: “Quem anda pelo estado sabe que faltam médicos, que as rodovias estão destruídas e que a educação amarga baixos indicadores”.

Para Luiz Eduardo, em sendo a a última mensagem, “espero ao menos sinceridade, algo que infelizmente este governo nunca teve com a população”.

O deputado Ubaldo Fernandes (PSDB) entende que “vai ser uma mensagem mesmo protocolar em conformidade com as demais que qualquer governante traz ao Poder Legislativo, acredito eu que seja mais uma prestação de conta das realizações do Governo e o que o Estado irá realizar agora em 2026.

“Acredito isso que será nesse sentido e talvez algumas obras que o governo anunciará em face do empréstimo contraído com o PEF em relação aos investimentos na recuperação das nossas estradas, como também alguns investimentos na área de educação com a construção de novos equipamentos da educação, principalmente, e um balanço geral dos três anos de governo nesse segundo mandato da governadora Fátima Bezerra”.

Já o líder do governo, deputado Francisco do PT, disse que a tônica do discurso será “o balanço de governo, resultados alcançados e obras iniciadas e em andamento com recursos próprios e em parceria com o governo federal”.

“Acredito que será mais nesta linha de balanço de ações do governo. Penso que o governo tem um grande legado a apresentar em todas as áreas.

São avanços muito significativos”, aposta Francisco.

A deputada Divaneide Basílio (PT) diz que a mensagem é uma prestação de contas à sociedade: “ A expectativa é de uma fala ancorada em resultados concretos, que mostre o que foi feito ao longo do governo em áreas estratégicas como infraestrutura, educação, saúde, turismo, o fortalecimento do serviço público, segurança pública e muito mais”.

“Naturalmente, por se tratar da última mensagem do mandato, há um peso político importante. Mas esse conteúdo político se expressa, sobretudo, na reafirmação de um projeto de governo que colocou o Estado de pé, fez escolhas claras e priorizou políticas públicas com impacto direto na vida das pessoas”, continuou.

Tribuna do Norte.

Prefeitura do Assú impulsiona criação da Sala Lilás em maternidade do Hospital Regional

A Prefeitura de Assú participou da articulação para criação da Sala Lilás na Maternidade Parteira Maringá, e agora a unidade de suporte às mulheres vítimas de violência ganha uma estrutura no Hospital Regional Nelson Inácio dos Santos, que será inaugurada na terça-feira (10), às 8h30, pelo Consórcio Interfederativo de Saúde do Vale do Açu. O espaço se integra ao Fluxo Intersetorial de Atendimento à Mulher Vítima de Violência construído pelo município e funcionará como referência para acolhimento humanizado das mulheres em situação de violência na região do vale.

A Sala Lilás funcionará como ponto de articulação entre os serviços de saúde, assistência social e justiça. Mulheres em situação de violência podem chegar ao atendimento por diferentes caminhos: através da Delegacia da Mulher, das Unidades Básicas de Saúde (UBS), da UPA, da Maternidade, do CRAS, do CREAS ou pelo SAMU quando não têm condições físicas de se deslocar.
O fluxo de atendimento se organiza conforme a condição da mulher. Se ela tem condições de buscar ajuda, pode procurar diretamente a UBS, UPA, Maternidade, CRAS, CREAS ou Delegacia da Mulher. Se não possui condições físicas, o SAMU realiza o resgate e conduz à UPA, que encaminha para a Sala de Acolhimento na Maternidade do Hospital Regional.

“A Sala Lilás representa um avanço no atendimento às mulheres que enfrentam situações de violência. Este espaço garante que elas recebam todo o suporte necessário em um ambiente preparado, com profissionais capacitados e todos os serviços integrados. É proteção, acolhimento e dignidade”, declarou o prefeito Lula Soares.

A partir da Sala Lilás, a mulher receberá encaminhamento para três contrarreferências conforme sua necessidade: o Hospital da Mulher (para casos graves de lesões ou exames de maior complexidade), a Rede de Atenção à Saúde (para acompanhamento continuado via CAPS e Central de Saúde da Mulher) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS (para acesso a programas, serviços e benefícios socioassistenciais).

O espaço está equipado para realizar testes rápidos de IST, oferecer contraceptivos de emergência e profilaxia quando necessário. A Maternidade Parteira Maringá funciona no Hospital Regional Nelson Inácio dos Santos, 24 horas e fica na Avenida Senador João Câmara, 100, Dom Elizeu.

Secom-Assú

Documentos da Prefeitura de Mossoró mostram que utilização do Hórus foi determinada antes de inquérito

Allyson Bezerra, prefeito de Mossoró | Foto: Adriano Abreu

A Prefeitura de Mossoró enviou à TRIBUNA DO NORTE documentos que mostram que a determinação para implementação do Hórus (Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica) ocorreu antes a abertura do inquérito criminal que investiga denúncias de desvios de recursos da Saúde no município. O decreto nº 6.994, ratificando a obrigatoriedade de utilização do sistema, foi publicado em 28 de dezembro de 2023 no Diário Oficial. Já a abertura do inquérito se deu em 24 de novembro de 2023, conforme apurou a TRIBUNA DO NORTE junto à assessoria de Comunicação Social da PF, em Natal.

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mossoró, no dia 25 de maio de 2023, o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) solicitou ao Chefe de Gabinete que encaminhasse à Secretaria Municipal de Saúde a determinação para a implementação do sistema Hórus, programa do Governo Federal utilizado para o armazenamento e a distribuição de medicamentos.

Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo, Email

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Memorando de maio de 2023, enviado pelo Chefe de Gabinete a pedido do prefeito | Imagem: Cedida

“No dia 4 de agosto de 2023, o prefeito enviou, por meio do Gabinete, um memorando à Secretaria Municipal de Saúde e a todas as gerências da área, reiterando a obrigatoriedade da utilização do sistema Hórus na Rede Municipal de Saúde”, disse a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mossoró.

Medidas de Allyson contra fraudes vieram após abertura de inquérito

O inquérito aberto pela PF em novembro de 2023 investiga o período entre os anos de 2021 e 2025, com o objetivo de apurar desvios de recursos públicos e fraudes na área de saúde.

Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo, Email

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Memorando enviado em agosto de 2023 pela chefia de gabinete | Imagem: Cedida

As investigações apontam indícios de irregularidades “em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte”. Foram identificadas “falhas na execução contratual, incluindo indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço”, informou a PF.

O Hórus é o sistema eletrônico de gerenciamento e controle de armazenamento e distribuição de medicamentos, ficando conforme o decreto de nº 6.994 “a Controladoria Geral do município, responsável por acompanhar o cumprimento deste decreto”.

O prefeito Allyson Bezerra é pré-candidato a governador do Rio Grande do Norte às eleições deste ano.

Levantamento

A Prefeitura de Mossoró pagou R$ 14,2 milhões a empresas investigadas na Operação Mederi, da Polícia Federal, entre os anos de 2021 e 2025. A decisão judicial que autorizou medidas cautelares na investigação apura indícios de irregularidades em contratos na área da saúde em cinco municípios potiguares, e aponta que Mossoró é a principal remetente de recursos à empresa Dismed no período analisado.

Dados extraídos do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) mostram que os valores pagos pelo município à Dismed, entre 2021 e 2025, somam R$ 13,6 milhões. O pico dos envios ocorreu em 2024, quando os repasses chegaram a quase R$ 6 milhões. A investigação também classifica Mossoró como o Município que mais enviou recursos à Drogaria Mais Saúde em 2025, ao destinar R$ 684,1 mil. Com isso, o volume de recursos movimentados entre 2021 e 2025 com as duas empresas alcança a cifra de R$ 14,2 milhões.

Na edição de 29 de janeiro, a TN revelou que o dano mínimo das supostas fraudes aos cofres públicos das cinco prefeituras investigadas é estimado em R$ 13,3 milhões — valor já bloqueado pela Justiça. Desse montante, a maior parte, R$ 9,5 milhões, foi bloqueada cautelarmente em Mossoró.

Os repasses à Dismed cresceram de forma progressiva ao longo dos anos. Em 2021, os pagamentos somaram R$ 143.895,00. Em 2022, o valor subiu para R$ 1.274.671,80. No ano seguinte, 2023, os repasses alcançaram R$ 3.401.155,73. O maior volume foi registrado em 2024, quando a Prefeitura de Mossoró pagou R$ 5.864.704,79 à empresa. Já em 2025, mesmo antes do encerramento do exercício, os pagamentos identificados chegam a R$ 2.920.640,16.

“O volume de recursos públicos envolvidos, somado ao volume de dinheiro em espécie sacado pelas empresas, por si só, já constituiria circunstância digna de suspeita acerca da licitude da relação mantida com o ente municipal”, diz trecho do documento ao qual a reportagem da TRIBUNA DO NORTE teve acesso.

Tribuna do Norte

Atrasos e cancelamentos afetam mais de 153 mil pessoas no Aeroporto de Natal em 2025

Os atrasos e cancelamentos são atribuídos a fatores como a falta de tripulação para seguir viagem, condições climáticas e necessidade de manutenções não programadas nas aeronaves. | Foto: Alex Régis

Dos 952 mil passageiros que partiram do Aeroporto de Natal em 2025, 153.272 sofreram com atrasos ou cancelamentos de voos. Desse total, 133.280 enfrentaram atrasos, o que equivale a 14% do número de viajantes que utilizaram o terminal potiguar no ano passado. Outros 19.992, ou seja, 2,1%, tiveram voos cancelados. Por outro lado, a maior parte dos passageiros (799.680 ou 84%) não tiveram problemas com a pontualidade dos voos. Os dados são da AirHelp, empresa global de tecnologia de viagens, e foram cedidos à reportagem da TRIBUNA DO NORTE.

Embora o número seja expressivo, o quantitativo de atrasos e cancelamentos no Aeroporto de Natal está abaixo da média nacional, que é de 18%. Segundo especialistas, os problemas podem ser explicados por fatores como falta de tripulação para seguir viagem, condições climáticas desfavoráveis para o voo ou necessidade de manutenção não programada nas aeronaves.

O levantamento considera embarques realizados em 25 aeroportos do Brasil. Entre os localizados no Nordeste, o Aeroporto de Natal aparece com o segundo maior percentual de passageiros que enfrentaram atrasos, ao lado do de São Luís, e perde apenas para o de Recife (15%). Na sequência, aparecem Fortaleza (13%), Porto Seguro (13%), Salvador (12%) e Maceió (12%).

Em todo o país, do total de 105 milhões de passageiros que embarcaram em aeroportos nacionais, 15,3 milhões sofreram com atrasos abaixo de três horas, e 500 mil com atrasos acima de três horas. Já 2,7 milhões tiveram voos cancelados, o que representa uma queda de 34% em relação ao ano anterior – em 2024, foram 4,1 milhões de passageiros afetados.

O diretor-geral da AirHelp no Brasil, Luciano Barreto, aponta que os números levantados têm como fonte uma base de dados global da empresa que une informações obtidas junto ao setor privado e informações públicas. Isso permite que os voos sejam monitorados em tempo real e subsidia a realização da pesquisa consolidada para divulgação.

Pelo monitoramento, o diretor explica que os atrasos na partida de voos nos aeroportos, incluindo o de Natal, ocorreram por vários fatores, entre eles falta de tripulação para seguir viagem, necessidade de manutenção não programada nas aeronaves e condições climáticas. Neste último caso, a decolagem é adiada para garantir a segurança dos passageiros até que a previsão meteorológica melhore.

Outra situação apontada por Luciano Barreto são os atrasos que os passageiros podem enfrentar em casos de voos com conexões entre aeroportos. “Pode acontecer da companhia aérea segurar o avião do próximo voo até que os passageiros que estão em um voo que partiu com atraso chegarem. Mas pode ser, também, que esse período de tolerância se esgote e os passageiros podem perder essa conexão”, aponta Barreto.

Em resposta à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, a Zurich Airport Brasil, administradora do Aeroporto de Natal, disse que os atrasos e cancelamentos citados pelo levantamento são ligados a fatores externos amplos e não estão relacionados à infraestrutura ou processadores disponibilizados pela administração aeroportuária.

“Tais fatores dizem respeito, por exemplo, ao atraso consequente das rotas de origem, condições meteorológicas em outros aeroportos (como as rajadas de vento ocorridas em São Paulo em dez/2025), manutenções não programadas de aeronaves e interrupções operacionais pontuais”, explicou a concessionária.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também foi procurada para fornecer uma avaliação dos números divulgados pela AirHelp, mas informou à reportagem que os problemas envolvendo atrasos e cancelamentos, são “uma questão de competência das empresas aéreas”. O Órgão frisou, ainda, que os índices de pontualidade e regularidade dos aeroportos são disponibilizados pela Anac em painel público para acesso.
Já a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que não reconhece os dados da AirHelp. Em relação à operação aérea no aeroporto de Natal, o Órgão aponta que as companhias atingiram um índice de regularidade de 99,5% em 2025.

“A Abear ressalta que as empresas Azul, GOL e LATAM estão entre as 10 companhias aéreas mais pontuais do mundo, de acordo com a consultoria Cirium, especializada em análise de dados da aviação mundial. Em 2025, o índice de pontualidade das empresas brasileiras alcançou 93%, superando os padrões internacionais, como, por exemplo, nos Estados Unidos. A maior parte dos cancelamentos de voos ocorre por questões de segurança operacional, que representa um pilar inegociável para todas as companhias aéreas”, disse em nota.

Responsabilidades das partes envolvidas

Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp, aponta que diante de situações de atraso e cancelamento os aeroportos têm o papel de fornecer infraestrutura e suporte operacional para serem facilitadores da experiência do usuário. Na prática, isso significa que os viajantes precisam ter acesso a áreas de espera adequadas, banheiros e espaço de alimentação. Além disso, seja no local de embarque ou no estacionamento, as informações precisam ser claras.

Segundo a Zurich Airport, o Aeroporto de Natal disponibiliza, tanto no site do terminal quanto nas dependências do equipamento, informações sobre os direitos dos passageiros, com orientações e telefones de órgãos públicos. “O Aeroporto orienta ainda que passageiros procurem as companhias aéreas em caso de dúvidas e questionamentos”, destaca a Zurich.

Já as companhias aéreas, de acordo com o diretor-geral da AirHelp, apresentam uma responsabilidade mais direta junto aos passageiros afetados. “Essas obrigações incluem, por exemplo, informar imediatamente o passageiro sobre o motivo do atraso e previsão da partida. A companhia aérea também tem a responsabilidade para oferecer assistência material, de acordo com o tempo de espera”, esclarece.

As obrigações estão previstas na resolução nº 400/2016 da Anac. Entre elas, estão o direito de reacomodação em outro voo, reembolso integral e execução do serviço por outra modalidade de transporte para atrasos superiores a quatro horas. A partir de uma hora, é assegurado o direito à comunicação, enquanto que a partir de duas horas os passageiros podem ter direito à alimentação.

Em relação à indenização, Luciano Barreto explica que o Brasil não apresenta uma norma precisa que tenha valores pré-definidos para casos de atrasos e cancelamentos. Atualmente, caso o consumidor deseje buscar uma indenização por dano material e transtornos envolvendo essas situações, o embasamento considera o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e as regras da Anac. “O Código de Defesa do Consumidor é forte e dá respaldo para o passageiro aéreo. Apesar de tudo isso, percebemos que muitos clientes desconhecem seus direitos”, aponta.

Saiba quando e como buscar seus direitos

O advogado Ricardo Lucena, secretário-geral da OAB/RN, aponta que o Código de Defesa do Consumidor adota a teoria da responsabilidade objetiva. Diferente da responsabilidade civil subjetiva, em que uma parte precisa provar que a outra lhe causou dano, ela independe de culpa.

“Na responsabilidade objetiva há o fato e o dano, ou seja, a responsabilidade automaticamente recai sobre a companhia pelo fato dela ser a prestadora do serviço. Então o consumidor entra com um processo e já prova que aquele dano ocorreu baseado numa conduta da companhia aérea”, aponta o especialista.

Ricardo Lucena explica que, nos casos de cancelamento e atrasos de voos, a resolução da Anac prevê que as companhias aéreas devem comunicar o problema com antecedência mínima de 72 horas do embarque. Na prática, contudo, ele afirma que muitos passageiros acabam sabendo do problema somente no aeroporto.

Em relação às indenizações por dano material, os passageiros têm direito a partir das primeiras horas de atraso. Isso significa que as companhias precisam ressarcir os clientes com os gastos que tiveram nesse período, o que geralmente ocorre quando a operadora não tem base no aeroporto de registro do problema.

Já no caso de indenização por dano moral, aponta o advogado, a discussão está em torno do fato do voo decorrer somente do atraso superior a quatro horas ou não. Ainda de acordo com Ricardo Lucena, ainda não há uma definição precisa sobre a indenização por dano moral. “Então há dois tipos de indenização: por dano material, geralmente mediante comprovação de gastos, e por dano moral em que a discussão é se ele é in re ipsa [dano presumido], ou seja, sendo o atraso superior a quatro horas tem direito automático, ou se precisa ser provado. É uma discussão jurisprudencial”, completa.

A principal recomendação para os casos de atraso e cancelamento em que os clientes não conseguem assistência das companhias, portanto, é realizar registros do painel do voo com atraso, reunir comprovantes com todos os gastos com os quais precisou arcar, além de pegar uma declaração com a companhia sobre o motivo do adiamento no voo.

Para o caso de voos nacionais, Ricardo Lucena esclarece que o prazo estabelecido no CDC para que os clientes busquem seus direitos é de cinco anos tanto para danos materiais quanto morais. No caso de voos internacionais, a indenização por questões materiais segue as conversões de Varsóvia/Montreal, estabelecendo o período de dois anos. Para pedidos de indenização por danos morais envolvendo voos internacionais, o período também é o estabelecido pelo Código de Defesa do Consumidor.

Números

153.272 – É o número de passageiros que tiveram voos atrasados no Aeroporto de Natal em 2025, segundo a Anac.

19.992 – É a quantidade de viajantes que sofreram cancelamentos de voos no terminal potiguar no ano passado.

799.680 – É o total de passageiros que não tiveram problemas com a pontualidade dos voos no Natal Airport em 2025.

Tribuna do Norte

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Vale + Vivo: compromisso com o Vale do Açu

 

O Vale + Vivo é o projeto que norteia a pauta de Pedro Filho como pré-candidato. Ele nasce do compromisso de olhar para o Vale do Açu com mais atenção, planejamento e presença, acreditando nas pessoas e na força do trabalho conjunto.

A proposta é defender o desenvolvimento da região, promover a geração de oportunidades, valorizar as famílias e cuidar de quem mais precisa, sempre com foco na qualidade de vida e em um compromisso real com a população do Vale do Açu. O Vale + Vivo representa uma caminhada que será construída junto ao povo, baseada no diálogo, na escuta e em ações que farão a diferença na região.

Cheia em rio interrompe abastecimento de água em três cidades no interior do RN; entenda

Foto: Reprodução/Caern

A captação da Caern no rio Piquiri foi paralisada neste domingo (8). Segundo a Companhia, o aumento do volume de água que entra no manancial, devido às chuvas, leva sedimentos, areia e vegetação, impossibilitando a distribuição. Diante disso, Nova Cruz, Montanhas e Pedro Velho tiveram o envio de água suspenso.

De acordo com a Caern, não há previsão para retomar o envio de água para as cidades. Será necessário aguardar a melhoria das condições da água na captação.

A Caern informou que emitirá novo comunicado assim que tiver previsão para religar o abastecimento para as cidades. A orientação é que os moradores usem água de forma racional e armazenamento de forma segura em reservatórios domiciliares com tampa, durante o período.

Tribuna do Norte

Governo lança edital para combate ao desmatamento na Amazônia

Agência Brasil

Começou hoje (7) o processo de inscrições para a seleção de organizações que executarão atividades para auxiliar no controle do desmatamento na Amazônia. A iniciativa faz parte do programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia (UcM), do governo federal, e é voltada para 48 municípios prioritários para controle do desmatamento que aderiram à iniciativa em 2024. O projeto é financiado com recursos de R$ 131,9 milhões do Fundo Amazônia e deve beneficiar cerca de 7,3 mil famílias que vivem na região.

As organizações serão escolhidas por meio de chamada pública conforme determina o edital, lançado na última segunda-feira (2). Para participar, as entidades devem estar credenciadas na Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater). As propostas de trabalho devem ser apresentadas até 2 de março pelo Sistema de Gestão de Ater (SGA). Dúvidas devem ser enviadas para o e-mail: duvidas001.2026@anater.org. 

A iniciativa mira na garantia da propriedade da terra e na inclusão produtiva na Amazônia. O projeto apoiará a regularização ambiental e fundiária para oferecer Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). Também será oferecida assistência técnica, fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento rural sustentável, para que os agricultores aprimorem sua renda de forma sustentável, mantendo a floresta em pé. 

“Essa região, marcada por uma multiplicidade de atores, incluindo comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares, assentamentos da reforma agrária, médios e grandes empreendimentos agropecuários e unidades de conservação, demanda estratégias de atuação que considerem as especificidades locais, os conflitos pelo uso do solo, a regularização fundiária e as diferentes formas de apropriação e valorização dos recursos naturais”, diz o edital.

O projeto prioriza pequenas propriedades rurais – imóveis com até quatro módulos fiscais – localizadas em assentamentos ou áreas de glebas públicas federais sem destinação. 

Entre as ações iniciais estão a identificação e visita aos agricultores familiares para iniciar a regularização fundiária e ambiental em terras previamente selecionadas em diálogo entre os parceiros. Na sequência, as equipes apoiarão os agricultores na implementação de práticas agroecológicas e de sistemas agroflorestais. 

Nessa primeira etapa, serão 16 lotes a serem licitados por meio do edital, divididos nos 48 municípios prioritários para o controle do desmatamento que aderiram ao União com Municípios até abril de 2024.  

“Nesta etapa, o projeto prevê alcançar famílias de seis estados amazônicos – Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. O público-alvo são agricultores familiares, ocupantes de terras públicas federais ainda sem destinação ou assentados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)”, informou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, um dos responsáveis pelo programa, juntamente com o Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Anater, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

União com Municípios

Esse é o primeiro projeto do Programa União com Municípios de três previstos com recursos do Fundo Amazônia para os próximos 5 anos. A meta é fazer a regularização completa de cerca de 30 mil famílias, com investimento total previsto de R$ 600 milhões. Instituído em 2023, o programa reconhece o protagonismo dos gestores locais na redução do desmatamento e de incêndios florestais na Amazônia. 

Atualmente, 70 municípios em sete estados da Amazônia já participam da iniciativa. Mais de 1.800 equipamentos, entre veículos, embarcações e itens para monitoramento, já foram entregues, além de atividades de formação técnica e pagamento por serviços ambientais para agricultores familiares.

Com cerca de R$ 800 milhões do Fundo Amazônia e do Projeto Floresta + Amazônia (parceria entre MMA, PNUD e Fundo Verde do Clima - GCF, na sigla em inglês), o programa realiza projetos de regularização fundiária e ambiental, a implementação de escritórios de governança ambiental nas prefeituras, o pagamento por serviços ambientais e a recuperação da vegetação nativa. 

Agência Brasil