segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Documentos da Prefeitura de Mossoró mostram que utilização do Hórus foi determinada antes de inquérito

Allyson Bezerra, prefeito de Mossoró | Foto: Adriano Abreu

A Prefeitura de Mossoró enviou à TRIBUNA DO NORTE documentos que mostram que a determinação para implementação do Hórus (Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica) ocorreu antes a abertura do inquérito criminal que investiga denúncias de desvios de recursos da Saúde no município. O decreto nº 6.994, ratificando a obrigatoriedade de utilização do sistema, foi publicado em 28 de dezembro de 2023 no Diário Oficial. Já a abertura do inquérito se deu em 24 de novembro de 2023, conforme apurou a TRIBUNA DO NORTE junto à assessoria de Comunicação Social da PF, em Natal.

Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mossoró, no dia 25 de maio de 2023, o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) solicitou ao Chefe de Gabinete que encaminhasse à Secretaria Municipal de Saúde a determinação para a implementação do sistema Hórus, programa do Governo Federal utilizado para o armazenamento e a distribuição de medicamentos.

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Memorando de maio de 2023, enviado pelo Chefe de Gabinete a pedido do prefeito | Imagem: Cedida

“No dia 4 de agosto de 2023, o prefeito enviou, por meio do Gabinete, um memorando à Secretaria Municipal de Saúde e a todas as gerências da área, reiterando a obrigatoriedade da utilização do sistema Hórus na Rede Municipal de Saúde”, disse a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mossoró.

Medidas de Allyson contra fraudes vieram após abertura de inquérito

O inquérito aberto pela PF em novembro de 2023 investiga o período entre os anos de 2021 e 2025, com o objetivo de apurar desvios de recursos públicos e fraudes na área de saúde.

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Memorando enviado em agosto de 2023 pela chefia de gabinete | Imagem: Cedida

As investigações apontam indícios de irregularidades “em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte”. Foram identificadas “falhas na execução contratual, incluindo indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço”, informou a PF.

O Hórus é o sistema eletrônico de gerenciamento e controle de armazenamento e distribuição de medicamentos, ficando conforme o decreto de nº 6.994 “a Controladoria Geral do município, responsável por acompanhar o cumprimento deste decreto”.

O prefeito Allyson Bezerra é pré-candidato a governador do Rio Grande do Norte às eleições deste ano.

Levantamento

A Prefeitura de Mossoró pagou R$ 14,2 milhões a empresas investigadas na Operação Mederi, da Polícia Federal, entre os anos de 2021 e 2025. A decisão judicial que autorizou medidas cautelares na investigação apura indícios de irregularidades em contratos na área da saúde em cinco municípios potiguares, e aponta que Mossoró é a principal remetente de recursos à empresa Dismed no período analisado.

Dados extraídos do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) mostram que os valores pagos pelo município à Dismed, entre 2021 e 2025, somam R$ 13,6 milhões. O pico dos envios ocorreu em 2024, quando os repasses chegaram a quase R$ 6 milhões. A investigação também classifica Mossoró como o Município que mais enviou recursos à Drogaria Mais Saúde em 2025, ao destinar R$ 684,1 mil. Com isso, o volume de recursos movimentados entre 2021 e 2025 com as duas empresas alcança a cifra de R$ 14,2 milhões.

Na edição de 29 de janeiro, a TN revelou que o dano mínimo das supostas fraudes aos cofres públicos das cinco prefeituras investigadas é estimado em R$ 13,3 milhões — valor já bloqueado pela Justiça. Desse montante, a maior parte, R$ 9,5 milhões, foi bloqueada cautelarmente em Mossoró.

Os repasses à Dismed cresceram de forma progressiva ao longo dos anos. Em 2021, os pagamentos somaram R$ 143.895,00. Em 2022, o valor subiu para R$ 1.274.671,80. No ano seguinte, 2023, os repasses alcançaram R$ 3.401.155,73. O maior volume foi registrado em 2024, quando a Prefeitura de Mossoró pagou R$ 5.864.704,79 à empresa. Já em 2025, mesmo antes do encerramento do exercício, os pagamentos identificados chegam a R$ 2.920.640,16.

“O volume de recursos públicos envolvidos, somado ao volume de dinheiro em espécie sacado pelas empresas, por si só, já constituiria circunstância digna de suspeita acerca da licitude da relação mantida com o ente municipal”, diz trecho do documento ao qual a reportagem da TRIBUNA DO NORTE teve acesso.

Tribuna do Norte

Atrasos e cancelamentos afetam mais de 153 mil pessoas no Aeroporto de Natal em 2025

Os atrasos e cancelamentos são atribuídos a fatores como a falta de tripulação para seguir viagem, condições climáticas e necessidade de manutenções não programadas nas aeronaves. | Foto: Alex Régis

Dos 952 mil passageiros que partiram do Aeroporto de Natal em 2025, 153.272 sofreram com atrasos ou cancelamentos de voos. Desse total, 133.280 enfrentaram atrasos, o que equivale a 14% do número de viajantes que utilizaram o terminal potiguar no ano passado. Outros 19.992, ou seja, 2,1%, tiveram voos cancelados. Por outro lado, a maior parte dos passageiros (799.680 ou 84%) não tiveram problemas com a pontualidade dos voos. Os dados são da AirHelp, empresa global de tecnologia de viagens, e foram cedidos à reportagem da TRIBUNA DO NORTE.

Embora o número seja expressivo, o quantitativo de atrasos e cancelamentos no Aeroporto de Natal está abaixo da média nacional, que é de 18%. Segundo especialistas, os problemas podem ser explicados por fatores como falta de tripulação para seguir viagem, condições climáticas desfavoráveis para o voo ou necessidade de manutenção não programada nas aeronaves.

O levantamento considera embarques realizados em 25 aeroportos do Brasil. Entre os localizados no Nordeste, o Aeroporto de Natal aparece com o segundo maior percentual de passageiros que enfrentaram atrasos, ao lado do de São Luís, e perde apenas para o de Recife (15%). Na sequência, aparecem Fortaleza (13%), Porto Seguro (13%), Salvador (12%) e Maceió (12%).

Em todo o país, do total de 105 milhões de passageiros que embarcaram em aeroportos nacionais, 15,3 milhões sofreram com atrasos abaixo de três horas, e 500 mil com atrasos acima de três horas. Já 2,7 milhões tiveram voos cancelados, o que representa uma queda de 34% em relação ao ano anterior – em 2024, foram 4,1 milhões de passageiros afetados.

O diretor-geral da AirHelp no Brasil, Luciano Barreto, aponta que os números levantados têm como fonte uma base de dados global da empresa que une informações obtidas junto ao setor privado e informações públicas. Isso permite que os voos sejam monitorados em tempo real e subsidia a realização da pesquisa consolidada para divulgação.

Pelo monitoramento, o diretor explica que os atrasos na partida de voos nos aeroportos, incluindo o de Natal, ocorreram por vários fatores, entre eles falta de tripulação para seguir viagem, necessidade de manutenção não programada nas aeronaves e condições climáticas. Neste último caso, a decolagem é adiada para garantir a segurança dos passageiros até que a previsão meteorológica melhore.

Outra situação apontada por Luciano Barreto são os atrasos que os passageiros podem enfrentar em casos de voos com conexões entre aeroportos. “Pode acontecer da companhia aérea segurar o avião do próximo voo até que os passageiros que estão em um voo que partiu com atraso chegarem. Mas pode ser, também, que esse período de tolerância se esgote e os passageiros podem perder essa conexão”, aponta Barreto.

Em resposta à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, a Zurich Airport Brasil, administradora do Aeroporto de Natal, disse que os atrasos e cancelamentos citados pelo levantamento são ligados a fatores externos amplos e não estão relacionados à infraestrutura ou processadores disponibilizados pela administração aeroportuária.

“Tais fatores dizem respeito, por exemplo, ao atraso consequente das rotas de origem, condições meteorológicas em outros aeroportos (como as rajadas de vento ocorridas em São Paulo em dez/2025), manutenções não programadas de aeronaves e interrupções operacionais pontuais”, explicou a concessionária.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também foi procurada para fornecer uma avaliação dos números divulgados pela AirHelp, mas informou à reportagem que os problemas envolvendo atrasos e cancelamentos, são “uma questão de competência das empresas aéreas”. O Órgão frisou, ainda, que os índices de pontualidade e regularidade dos aeroportos são disponibilizados pela Anac em painel público para acesso.
Já a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que não reconhece os dados da AirHelp. Em relação à operação aérea no aeroporto de Natal, o Órgão aponta que as companhias atingiram um índice de regularidade de 99,5% em 2025.

“A Abear ressalta que as empresas Azul, GOL e LATAM estão entre as 10 companhias aéreas mais pontuais do mundo, de acordo com a consultoria Cirium, especializada em análise de dados da aviação mundial. Em 2025, o índice de pontualidade das empresas brasileiras alcançou 93%, superando os padrões internacionais, como, por exemplo, nos Estados Unidos. A maior parte dos cancelamentos de voos ocorre por questões de segurança operacional, que representa um pilar inegociável para todas as companhias aéreas”, disse em nota.

Responsabilidades das partes envolvidas

Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp, aponta que diante de situações de atraso e cancelamento os aeroportos têm o papel de fornecer infraestrutura e suporte operacional para serem facilitadores da experiência do usuário. Na prática, isso significa que os viajantes precisam ter acesso a áreas de espera adequadas, banheiros e espaço de alimentação. Além disso, seja no local de embarque ou no estacionamento, as informações precisam ser claras.

Segundo a Zurich Airport, o Aeroporto de Natal disponibiliza, tanto no site do terminal quanto nas dependências do equipamento, informações sobre os direitos dos passageiros, com orientações e telefones de órgãos públicos. “O Aeroporto orienta ainda que passageiros procurem as companhias aéreas em caso de dúvidas e questionamentos”, destaca a Zurich.

Já as companhias aéreas, de acordo com o diretor-geral da AirHelp, apresentam uma responsabilidade mais direta junto aos passageiros afetados. “Essas obrigações incluem, por exemplo, informar imediatamente o passageiro sobre o motivo do atraso e previsão da partida. A companhia aérea também tem a responsabilidade para oferecer assistência material, de acordo com o tempo de espera”, esclarece.

As obrigações estão previstas na resolução nº 400/2016 da Anac. Entre elas, estão o direito de reacomodação em outro voo, reembolso integral e execução do serviço por outra modalidade de transporte para atrasos superiores a quatro horas. A partir de uma hora, é assegurado o direito à comunicação, enquanto que a partir de duas horas os passageiros podem ter direito à alimentação.

Em relação à indenização, Luciano Barreto explica que o Brasil não apresenta uma norma precisa que tenha valores pré-definidos para casos de atrasos e cancelamentos. Atualmente, caso o consumidor deseje buscar uma indenização por dano material e transtornos envolvendo essas situações, o embasamento considera o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e as regras da Anac. “O Código de Defesa do Consumidor é forte e dá respaldo para o passageiro aéreo. Apesar de tudo isso, percebemos que muitos clientes desconhecem seus direitos”, aponta.

Saiba quando e como buscar seus direitos

O advogado Ricardo Lucena, secretário-geral da OAB/RN, aponta que o Código de Defesa do Consumidor adota a teoria da responsabilidade objetiva. Diferente da responsabilidade civil subjetiva, em que uma parte precisa provar que a outra lhe causou dano, ela independe de culpa.

“Na responsabilidade objetiva há o fato e o dano, ou seja, a responsabilidade automaticamente recai sobre a companhia pelo fato dela ser a prestadora do serviço. Então o consumidor entra com um processo e já prova que aquele dano ocorreu baseado numa conduta da companhia aérea”, aponta o especialista.

Ricardo Lucena explica que, nos casos de cancelamento e atrasos de voos, a resolução da Anac prevê que as companhias aéreas devem comunicar o problema com antecedência mínima de 72 horas do embarque. Na prática, contudo, ele afirma que muitos passageiros acabam sabendo do problema somente no aeroporto.

Em relação às indenizações por dano material, os passageiros têm direito a partir das primeiras horas de atraso. Isso significa que as companhias precisam ressarcir os clientes com os gastos que tiveram nesse período, o que geralmente ocorre quando a operadora não tem base no aeroporto de registro do problema.

Já no caso de indenização por dano moral, aponta o advogado, a discussão está em torno do fato do voo decorrer somente do atraso superior a quatro horas ou não. Ainda de acordo com Ricardo Lucena, ainda não há uma definição precisa sobre a indenização por dano moral. “Então há dois tipos de indenização: por dano material, geralmente mediante comprovação de gastos, e por dano moral em que a discussão é se ele é in re ipsa [dano presumido], ou seja, sendo o atraso superior a quatro horas tem direito automático, ou se precisa ser provado. É uma discussão jurisprudencial”, completa.

A principal recomendação para os casos de atraso e cancelamento em que os clientes não conseguem assistência das companhias, portanto, é realizar registros do painel do voo com atraso, reunir comprovantes com todos os gastos com os quais precisou arcar, além de pegar uma declaração com a companhia sobre o motivo do adiamento no voo.

Para o caso de voos nacionais, Ricardo Lucena esclarece que o prazo estabelecido no CDC para que os clientes busquem seus direitos é de cinco anos tanto para danos materiais quanto morais. No caso de voos internacionais, a indenização por questões materiais segue as conversões de Varsóvia/Montreal, estabelecendo o período de dois anos. Para pedidos de indenização por danos morais envolvendo voos internacionais, o período também é o estabelecido pelo Código de Defesa do Consumidor.

Números

153.272 – É o número de passageiros que tiveram voos atrasados no Aeroporto de Natal em 2025, segundo a Anac.

19.992 – É a quantidade de viajantes que sofreram cancelamentos de voos no terminal potiguar no ano passado.

799.680 – É o total de passageiros que não tiveram problemas com a pontualidade dos voos no Natal Airport em 2025.

Tribuna do Norte

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Vale + Vivo: compromisso com o Vale do Açu

 

O Vale + Vivo é o projeto que norteia a pauta de Pedro Filho como pré-candidato. Ele nasce do compromisso de olhar para o Vale do Açu com mais atenção, planejamento e presença, acreditando nas pessoas e na força do trabalho conjunto.

A proposta é defender o desenvolvimento da região, promover a geração de oportunidades, valorizar as famílias e cuidar de quem mais precisa, sempre com foco na qualidade de vida e em um compromisso real com a população do Vale do Açu. O Vale + Vivo representa uma caminhada que será construída junto ao povo, baseada no diálogo, na escuta e em ações que farão a diferença na região.

Cheia em rio interrompe abastecimento de água em três cidades no interior do RN; entenda

Foto: Reprodução/Caern

A captação da Caern no rio Piquiri foi paralisada neste domingo (8). Segundo a Companhia, o aumento do volume de água que entra no manancial, devido às chuvas, leva sedimentos, areia e vegetação, impossibilitando a distribuição. Diante disso, Nova Cruz, Montanhas e Pedro Velho tiveram o envio de água suspenso.

De acordo com a Caern, não há previsão para retomar o envio de água para as cidades. Será necessário aguardar a melhoria das condições da água na captação.

A Caern informou que emitirá novo comunicado assim que tiver previsão para religar o abastecimento para as cidades. A orientação é que os moradores usem água de forma racional e armazenamento de forma segura em reservatórios domiciliares com tampa, durante o período.

Tribuna do Norte

Governo lança edital para combate ao desmatamento na Amazônia

Agência Brasil

Começou hoje (7) o processo de inscrições para a seleção de organizações que executarão atividades para auxiliar no controle do desmatamento na Amazônia. A iniciativa faz parte do programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia (UcM), do governo federal, e é voltada para 48 municípios prioritários para controle do desmatamento que aderiram à iniciativa em 2024. O projeto é financiado com recursos de R$ 131,9 milhões do Fundo Amazônia e deve beneficiar cerca de 7,3 mil famílias que vivem na região.

As organizações serão escolhidas por meio de chamada pública conforme determina o edital, lançado na última segunda-feira (2). Para participar, as entidades devem estar credenciadas na Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater). As propostas de trabalho devem ser apresentadas até 2 de março pelo Sistema de Gestão de Ater (SGA). Dúvidas devem ser enviadas para o e-mail: duvidas001.2026@anater.org. 

A iniciativa mira na garantia da propriedade da terra e na inclusão produtiva na Amazônia. O projeto apoiará a regularização ambiental e fundiária para oferecer Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). Também será oferecida assistência técnica, fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento rural sustentável, para que os agricultores aprimorem sua renda de forma sustentável, mantendo a floresta em pé. 

“Essa região, marcada por uma multiplicidade de atores, incluindo comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares, assentamentos da reforma agrária, médios e grandes empreendimentos agropecuários e unidades de conservação, demanda estratégias de atuação que considerem as especificidades locais, os conflitos pelo uso do solo, a regularização fundiária e as diferentes formas de apropriação e valorização dos recursos naturais”, diz o edital.

O projeto prioriza pequenas propriedades rurais – imóveis com até quatro módulos fiscais – localizadas em assentamentos ou áreas de glebas públicas federais sem destinação. 

Entre as ações iniciais estão a identificação e visita aos agricultores familiares para iniciar a regularização fundiária e ambiental em terras previamente selecionadas em diálogo entre os parceiros. Na sequência, as equipes apoiarão os agricultores na implementação de práticas agroecológicas e de sistemas agroflorestais. 

Nessa primeira etapa, serão 16 lotes a serem licitados por meio do edital, divididos nos 48 municípios prioritários para o controle do desmatamento que aderiram ao União com Municípios até abril de 2024.  

“Nesta etapa, o projeto prevê alcançar famílias de seis estados amazônicos – Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. O público-alvo são agricultores familiares, ocupantes de terras públicas federais ainda sem destinação ou assentados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)”, informou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, um dos responsáveis pelo programa, juntamente com o Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Anater, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

União com Municípios

Esse é o primeiro projeto do Programa União com Municípios de três previstos com recursos do Fundo Amazônia para os próximos 5 anos. A meta é fazer a regularização completa de cerca de 30 mil famílias, com investimento total previsto de R$ 600 milhões. Instituído em 2023, o programa reconhece o protagonismo dos gestores locais na redução do desmatamento e de incêndios florestais na Amazônia. 

Atualmente, 70 municípios em sete estados da Amazônia já participam da iniciativa. Mais de 1.800 equipamentos, entre veículos, embarcações e itens para monitoramento, já foram entregues, além de atividades de formação técnica e pagamento por serviços ambientais para agricultores familiares.

Com cerca de R$ 800 milhões do Fundo Amazônia e do Projeto Floresta + Amazônia (parceria entre MMA, PNUD e Fundo Verde do Clima - GCF, na sigla em inglês), o programa realiza projetos de regularização fundiária e ambiental, a implementação de escritórios de governança ambiental nas prefeituras, o pagamento por serviços ambientais e a recuperação da vegetação nativa. 

Agência Brasil

Sesc tem inscrições abertas para Prêmio de Literatura 2026

Fernando Frazão/Agência Brasil

O Prêmio Sesc de Literatura está com inscrições abertas até 2 de março para obras ainda não publicadas nas categorias Romance, Conto e Poesia.

Os vencedores terão seus livros publicados pela Editora Senac Rio e receberão uma premiação em dinheiro no valor de R$ 30 mil cada.

Os escritores vencedores participarão também de bate-papos e mesas-redondas em eventos culturais promovidos pelo Sesc ao longo do ano que vem. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo site

“O Prêmio Sesc de Literatura cumpre o papel fundamental de identificar autores que, muitas vezes, mesmo fora dos grandes eixos de circulação, possuem obras de alto vigor artístico”, disse Leonardo Minervini, gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc.

O processo de seleção dos trabalhos inscritos é realizado por comissões julgadoras compostas por críticos literários, escritores e editores, de diferentes regiões do país. O júri avalia os textos sem ter conhecimento da identidade dos autores.  

O resultado será divulgado em agosto e os vencedores vão ser apresentados ao público em uma cerimônia com noite de autógrafos no fim do ano.

Após a publicação, os livros serão distribuídos na rede de bibliotecas e escolas do Sesc, em todas as regiões do Brasil.

Minervini ressalta que a premiação tem o objetivo de oferecer ao autor estreante não apenas a publicação de sua obra, mas uma inserção real no mercado editorial e o contato direto com o público em todo o país. 

Criado em 2003, o prêmio já recebeu cerca de 24 mil originais e revelou ao mercado editorial 43 novos autores. Em 2025, os vencedores foram Marcus Groza (SP), com o romance Goiás; Leonardo Piana (MG), com o livro de poemas Escalar Cansa; e Abáz (BA), com a coletânea de contos Massaranduba.

Agência Brasil

Medidas de Allyson contra fraudes vieram após abertura de inquérito

Decreto sobre o Hórus citado por Allyson Bezerra foi assinado após início das investigações. | Foto: Adriano Abreu

Embora o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil) venha divulgando, na mídia e em redes sociais, que tomou medidas preventivas para evitar a fraude na compra de medicamentos, isso só veio a ocorrer 35 dias depois da abertura do inquérito criminal na Delegacia da Polícia Federal de Mossoró, que resultou na deflagração em dia 27 de janeiro da “Operação Mederi”, que investiga desvios de quase R$ 14 milhões na aquisição de remédios pelo município.

O prefeito Allyson Bezerra, que é pré-candidato a governador do Rio Grande do Norte às eleições deste ano, exibiu documento em diversas entrevistas em rádios e TV, principalmente em Natal, apontando que em 28 de dezembro de 2023 publicou no “Diário Oficial” da prefeitura de Mossoró, decreto de nº 6.994 ratificando a obrigatoriedade de utilização do sistema nacional de assistência farmacêutica Hórus, ficando “a Controladoria Geral do município, responsável por acompanhar o cumprimento deste decreto”.

No entanto, a abertura do inquérito criminal para investigar denúncias de desvios de recursos da saúde em Mossoró, ocorreu a 24 de novembro de 2023, segundo apurou a TRIBUNA DO NORTE junto à assessoria de Comunicação Social da PF em Natal.

Allyson Bezerra explicava que o Hórus é o sistema eletrônico de gerenciamento e controle de armazenamento e distribuição de medicamentos, bem como tentava se eximir da responsabilidade como ordenador de despesa, quando assumiu o primeiro mandato em 2019.

“Era o prefeito que licitava, era o prefeito que pagava, era o prefeito que fazia contratos, tudo. Eu, no mês de agosto de 2021, aprovei na Câmara o Podemos Mossoró uma lei, colocando os meus secretários para serem ordenadores de despesa”, afirmava Allyson Bezerra durante as entrevistas.

Bezerra dizia que tirou dele a responsabilidade, da sua caneta: atos de licitação, de contratação e atos de pagamento: “Tudo é com os secretários da Prefeitura de Mossoró”.

Comissão de Inquérito

A vereadora Plúvia Oliveira (PT) confirmou que durante a abertura do ano legislativo programado para a manhã da quarta-feira (11), vai cobrar explicações diretamente ao prefeito Allyson Bezerra sobre as denúncias de corrupção na aquisição de medicamentos, por ocasião da leitura de sua mensagem anual na Câmara Municipal de Mossoró.

Plúvia Oliveira também informou que começou uma ação política nos bairros, a fim de orientar a população em apoio à petição eletrônica disponibilizada na internet, a fim de pressionar os vereadores, principalmente da base governista, a assinarem a criação da CPI.

“Já estamos com quase mil assinaturas”, disse Plúvia Oliveira, que espera que após a abertura dos trabalhos legislativos obtenha o mínimo de assinaturas exigidas para encaminhamento da CPI – sete. Hoje são cinco assinaturas, todas de vereadores da oposição.

A vereador do PT acusa o prefeito de tentar por uma “cortina de fumaça” sobre a denúncia de desvios de recursos públicos e, recentemente, durante a inauguração de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), amedrontou vereadores aliados dele: “Agora estou mais corajoso e quem cruzar meu caminho vai se ver comigo”, discursou o prefeito, segundo a vereadora.

Para a vereadora, também não se sustenta a alegação do prefeito Allyson Bezerra de que está sofrendo perseguição política diante de sua decisão de disputar o cargo de governador do Rio Grande do Norte. “Se fosse por questão eleitoral, a deflagração da operação da PF e CGU teria ocorrido em 2024”, disse ela, durante a campanha de reeleição do prefeito.

Levantamento

A Prefeitura de Mossoró pagou R$ 14,2 milhões a empresas investigadas na Operação Mederi, da Polícia Federal, entre os anos de 2021 e 2025. A decisão judicial que autorizou medidas cautelares na investigação apura indícios de irregularidades em contratos na área da saúde em cinco municípios potiguares, e aponta que Mossoró é a principal remetente de recursos à empresa Dismed no período analisado.

Dados extraídos do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) mostram que os valores pagos pelo município à Dismed, entre 2021 e 2025, somam R$ 13,6 milhões. O pico dos envios ocorreu em 2024, quando os repasses chegaram a quase R$ 6 milhões. A investigação também classifica Mossoró como o Município que mais enviou recursos à Drogaria Mais Saúde em 2025, ao destinar R$ 684,1 mil. Com isso, o volume de recursos movimentados entre 2021 e 2025 com as duas empresas alcança a cifra de R$ 14,2 milhões.

Na edição de 29 de janeiro, a TN revelou que o dano mínimo das supostas fraudes aos cofres públicos das cinco prefeituras investigadas é estimado em R$ 13,3 milhões — valor já bloqueado pela Justiça. Desse montante, a maior parte, R$ 9,5 milhões, foi bloqueada cautelarmente em Mossoró.

Inquérito da PF expõe reação tardia da Prefeitura de Mossoró. | Foto: Cedida

Inquérito da PF expõe reação tardia da Prefeitura de Mossoró. | Foto: Cedida

Os repasses à Dismed cresceram de forma progressiva ao longo dos anos. Em 2021, os pagamentos somaram R$ 143.895,00. Em 2022, o valor subiu para R$ 1.274.671,80. No ano seguinte, 2023, os repasses alcançaram R$ 3.401.155,73. O maior volume foi registrado em 2024, quando a Prefeitura de Mossoró pagou R$ 5.864.704,79 à empresa. Já em 2025, mesmo antes do encerramento do exercício, os pagamentos identificados chegam a R$ 2.920.640,16.

“O volume de recursos públicos envolvidos, somado ao volume de dinheiro em espécie sacado pelas empresas, por si só, já constituiria circunstância digna de suspeita acerca da licitude da relação mantida com o ente municipal”, diz trecho do documento ao qual a reportagem da TRIBUNA DO NORTE teve acesso.

Para os apuradores, a suspeita de irregularidade na movimentação de recursos entre Município e empresa é reforçada “pela proximidade política entre OSEAS MONTHALGGAN, sócio da DISMED, e ALLYSON BEZERRA (prefeito municipal de Mossoró)”.

Nesse trecho, a investigação apresenta um print da rede social de Oseas Monthalggan, onde ele publicou uma foto ao lado de Allyson com a legenda: “Hoje quero parabenizar a esse prefeito, que na minha concepção um dos melhores do Brasil! Ele também veio pra somar, acredita no nosso projeto”. Allyson responde: “Muito obrigado pela lembrança, meu amigo!”. Monthalggan foi candidato a prefeito em Upanema pelo MDB e recebeu 3.181 votos. Ele foi derrotado por Renan Mendonça Fernandes (PP).

Tribuna do Norte

Editorial: O dever da transição em um Estado engessado

Foto: Arquivo TN

O Rio Grande do Norte pode se ver nos próximos meses diante de uma situação institucional inédita. A eventual desincompatibilização da governadora Fátima Bezerra (PT) para disputar o Senado, somada à manifestação expressa do vice-governador Walter Alves (MDB) de que não assumirá o cargo, abre caminho para a escolha indireta do governador pela Assembleia Legislativa, até que se consuma o período dos atuais mandatos como determina a Constituição. O rito está definido. O contexto, no entanto, impõe responsabilidade redobrada.

Não se trata de uma transição protocolar nem de um governo simbólico. Quem assumir o Executivo encontrará um Estado com severas restrições fiscais. Os dados oficiais do Relatório de Gestão Fiscal mostram que, ao fim de 2025, a despesa total com pessoal alcançou 56,41% da Receita Corrente Líquida, bem acima do limite máximo de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso aciona automaticamente vedações à gestão, como a concessão de reajustes, criação de cargos ou ampliação de despesas dessa natureza.

O governo sustenta que houve crescimento da receita e redução da despesa com pessoal em relação a 2024. Ainda que esses movimentos tenham ocorrido, o próprio relatório demonstra a existência de despesas de pessoal não executadas orçamentariamente, em função de insuficiência de dotação, referentes a salários e 13º, que ficaram para ser regularizadas em exercícios posteriores. Mesmo sem isso, o ajuste foi insuficiente para reverter o problema estrutural. O elevado comprometimento com a folha não surgiu agora nem pode ser atribuído a um único governo. Trata-se de um desequilíbrio persistente, que atravessa gestões sucessivas e que, há anos, não encontra solução efetiva.

A situação financeira reforça o diagnóstico. Os restos a pagar somam cerca de R$ 1,4 bilhão, enquanto a disponibilidade de caixa líquida, após essas obrigações, é negativa em aproximadamente R$ 3 bilhões. Soma-se a isso um déficit previdenciário superior a R$ 2 bilhões no regime próprio, o que consome parte relevante das receitas correntes e reduz a margem de manobra do Executivo.

Ainda no campo do endividamento, a deterioração recente merece atenção. A dívida consolidada do Estado cresceu de forma significativa no último quadrimestre de 2025, impulsionada sobretudo pelo aumento do estoque de precatórios vencidos e não pagos que alcançou cerca de R$ 5,6 bilhões. Esses valores correspondem a obrigações que já deveriam ter sido quitadas e que passaram a integrar de maneira mais pesada o passivo estadual. Embora se trate de dívida de longo prazo, seu pagamento obedece a cronogramas constitucionais que impõem desembolsos anuais obrigatórios, com impacto direto sobre o caixa.

Nem mesmo as áreas constitucionalmente protegidas operam com folga. Em 2025, os gastos com ações e serviços públicos de saúde ficaram em 12,37% da receita, pouco acima do mínimo constitucional de 12%, enquanto a aplicação em educação foi de 25,1%, praticamente no piso de 25%. O cumprimento formal dessas exigências revela um orçamento pressionado, no qual qualquer variação adversa exige contingenciamentos ou remanejamentos sensíveis.

É nesse cenário que a Assembleia Legislativa poderá ser chamada a escolher, de forma indireta, quem conduzirá o Estado até o fim do atual ciclo. A decisão não pode ser orientada por acomodações políticas nem por interesses eleitorais. Tampouco pode recair sobre nomes com impedimentos jurídicos ou passivos capazes de gerar questionamentos e sucessivas trocas no comando do Executivo, o que seria especialmente danoso em um ambiente fiscal já fragilizado.

Por isso a responsabilidade da escolha. Quem assumir a partir de abril, caso a desincompatibilização se confirme, não terá a missão de consertar o Estado. Essa caberá ao próximo eleito. Seu dever será conduzir o Rio Grande do Norte com previsibilidade fiscal, respeito aos limites legais e gestão austera. Evitar improvisos ou acomodações políticas será essencial. O objetivo é entregar uma transição estável, preservar as finanças públicas e pavimentar o caminho para o desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Norte.

Tribuna do Norte

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Transplante de medula óssea usa células-tronco do próprio paciente

Mayara foi submetida a um transplante autólogo de medula óssea, o que lhe permitiu celebrar uma nova vida. | Foto: Magnus Nascimento

Em 2023, a arquiteta e urbanista Mayara Almeida descobriu um linfoma de Hodgkin depois de um período de seis meses de investigação por causa de alguns incômodos e do surgimento de linfonodos na região do pescoço. Com o diagnóstico, o tratamento foi iniciado, mas ainda assim, a doença não parou de avançar. Foi então que Mayara foi submetida a um transplante autólogo de medula óssea, procedimento em que são utilizadas as células-tronco do próprio paciente – sem a necessidade de um doador, portanto – e que permitiu à urbanista voltar a celebrar uma vida nova, cheia de planos e gratidão.

No Estado, o procedimento é realizado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) em Natal, no Hospital Rio Grande e na Policlínica do Alecrim, unidade da Liga Norteriograndense Contra o Câncer, onde, desde 2023, foram realizados 67 transplantes do tipo. O médico hematologista Antônio Henrique Resende, que atua na Policlínica, explica como acontece o tratamento. “A célula-tronco do paciente é coletada antes de ele ser submetido a uma quimioterapia de alta intensidade”, detalha.

“Isso ocorre porque a quimioterapia vai destruir toda a medula óssea. Para a coleta, é feito um estímulo à produção das células-tronco, as quais saem para o sangue, onde acontece o processo de aférese”, acrescenta o médico. No referido processo, o sangue do candidato ao transplante passa por uma máquina para a captação das células-tronco e é devolvido em seguida. O material captado é armazenado a menos de 80ºC para que seja mantida a viabilidade da célula.

Depois da coleta, o paciente é encaminhado à quimioterapia para, ao fim das sessões, receber a célula-tronco captada. “A quimioterapia destrói a imunidade por 12 a 15 dias em média, derruba as plaquetas e causa anemia, o que vai demandar a necessidade do paciente de receber transfusão de sangue. Isso gera um grande risco de infecção se comparado ao transplante alogênico”, aponta o hematologista.

Segundo Resende, as principais indicações do transplante autólogo são o mieloma múltiplo e alguns tipos de linfomas no contexto de doença refratária recidivada, ou seja, quando o câncer retorna depois de o paciente apresentar bom quadro depois de tratado. Pacientes que não oferecem nenhuma resposta ao tratamento também recebem tal indicação. “Essa é a regra geral, mas pode haver casos específicos em que, mesmo havendo boa resposta à quimioterapia, o transplante autólogo é indicado”, pontua.

O médico esclarece que, no caso do mieloma múltiplo, o transplante autólogo não provoca a cura da neoplasia, mas é indicado para permitir que a doença fique “adormecida” por um tempo maior. “O procedimento permite um período de cerca de quatro sem que a doença se manifeste. Do contrário, apenas com outros tratamentos, esse prazo é reduzido para dois anos, em média”, explica.

O transplante alogênico raramente é recomendado para o mieloma, por conta dos altos riscos para o paciente. Por outro lado, para os casos de linfoma de Hodgkin, o transplante autólogo é usado para cura. Acometida pela neoplasia, a arquiteta Mayara Almeida, de 34 anos, percorreu um longo caminho até que houvesse o tratamento com as próprias células-tronco. “Como tratamento inicial foram 12 sessões de quimioterapia, mas o linfoma se mostrou mais avançado se apresentado na região do tórax e na cervical”, conta.

Rejeição inexistente

De acordo com o hematologista Antônio Henrique Resende, não há risco de rejeição no transplante autólogo, uma vez que são utilizadas as células do próprio paciente. No entanto, segundo ele, existe a possibilidade de falha de enxertia, que ocorre quando a medula não pega (no caso da rejeição, o sistema imunológico do receptor destrói a medula nova). Felizmente, a falha de enxertia, aponta o especialista, é pouco comum. “É algo raro de acontecer, uma vez que a pessoa só é submetida ao procedimento se for coletada uma quantidade mínima de células-tronco, capazes de garantir o sucesso do procedimento”, diz.

A quantidade mínima de células depende de variados fatores, dentre eles, o peso do paciente. Outro aspecto que garante a segurança do procedimento é o fato de que o linfoma de Hodgkin não é uma doença que acomete a medula óssea. “Já o mieloma é circular e pode afetar a medula. Talvez seja por isso que o transplante autólogo não garante a cura dessa neoplasia, mesmo com as sessões de quimioterapia de alta intensidade, as quais debelam ao máximo a doença”, aponta o hematologista.

Para Mayara Almeida, o transplante autólogo se apresentou como alternativa à progressão da doença, mas o processo não foi simples. “Antes, eu precisava de uma medicação para imunoterapia, o que requereu judicialização. Foram cinco meses nesse processo. Enquanto esperava, fiz dois protocolos de quimioterapia. O tratamento por imunoterapia foi iniciado somente no ano passado, com oito ciclos. Porém, o câncer estava pior, porque tinha se espalhado para parte do abdômen”, relata a arquiteta.

Por conta disso, o médico passou a considerar o transplante alogênico no lugar do autólogo. A família chegou a fazer testes de compatibilidade. “Porém, depois do quinto protocolo de tratamento, que combinou imunoterapia e quimioterapia, entrei em remissão, então, a recomendação de uso das minhas células-tronco foi retomada”, falou Mayara. Segundo ela, a indicação a deixou bem mais tranquila.

Hematologista Antônio Henrique: não há risco de rejeição. | Foto: Magnus NascimentoHematologista Antônio Henrique: não há risco de rejeição. | Foto: Magnus Nascimento

“Foi um alívio, porque o alogênico é bem mais complexo, com um período de internação maior, e requer um período mais amplo para a medula pegar. A recuperação também é mais difícil, sem falar que existe a questão da dependência de um doador que, embora eu não tenha enfrentado dificuldades porque tanto meus pais quanto minha irmã foram compatíveis, é algo que pode ser um complicador para os pacientes”, comentou a arquiteta.

O hematologista Antônio Henrique Resende afirma que a indicação para o transplante autólogo não interfere na fila de espera pelo alogênico, mas representa mais uma oportunidade para os pacientes com câncer que podem adotar essa forma de tratamento. “Foi nesse cenário que a Liga entrou. A oferta integral desse tipo de transplante era um sonho antigo nosso, porque antes, para fazer a reinserção da medula, o paciente precisava sair para outra unidade”, disse.

Em outubro do ano passado, a Liga conseguiu ampliar de um para cinco o número de leitos montados no serviço de Transplante de Medula Óssea (TMO), que funciona na Policlínica do Alecrim, o que permitiu expandir a quantidade de transplantes realizados. “Até então, a gente conseguia fazer, no máximo, dois procedimentos por mês, levando em conta que o tempo médio de internação de um paciente, nesses casos, é de 15 a 21 dias. Hoje temos cinco leitos montados, com potencial de ampliar para 11, o que deve aumentar ainda mais nossa capacidade”, explica Resende.

A Liga conta ainda com uma equipe exclusiva para o serviço de TMO, composta por profissionais como enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, dentista e nutricionista. O encaminhamento ao setor é feito por um médico da própria Liga ou por um profissional de uma unidade externa. “Todos os exames necessários para o transplante são feitos pelo SUS sem custo algum para o paciente”, esclarece Antônio Henrique Resende.

Ação de graças

Depois de encarar uma longa jornada de tratamentos para combater o linfoma, Mayara Almeida quer mais é agradecer. O procedimento foi realizado em 29 de dezembro de 2025. A arquiteta conta que o dia 8 de janeiro lhe reservou, a partir deste ano, motivos em dobro para celebrar: além de ser o aniversário dela, foi a data em que ocorreu a chamada “pega da medula”. A rotina de ida ao hospital continua intensa – até a última quarta-feira (4), ela precisava ir à Liga a cada sete dias para revisão. Como os resultados dos últimos exames foram positivos, agora ela terá que retornar a cada 15 dias.

“À medida que a melhora vai se concretizando, esse acompanhamento também vai ficando um pouco mais espaçado”, fala. Feliz com a nova fase, Mayara já tem planos para breve. “Após 60 dias, há uma espécie de validação de que tudo, de fato, deu certo. Quando isso acontecer, quero uma missa em ação de graças, porque, sem dúvida alguma, minha fé me curou. Tudo melhorou depois que eu me aproximei de Deus”, comenta, agradecida.

Felipe Salustino/Repórter

Tribuna do Norte

Deputado Kleber Rodrigues está internado e apresenta quadro de saúde estável

Foto: Cedida

O deputado estadual Kleber Rodrigues (PSDB) está internado desde a tarde da última sexta-feira (6) para tratamento de um problema de saúde. Segundo nota divulgada pela assessoria de comunicação, o parlamentar apresenta quadro clínico estável e está sendo acompanhado por uma equipe médica.

Ainda de acordo com a assessoria, Kleber Rodrigues deve permanecer internado nos próximos dias para a realização de exames e uso de medicação. Na nota, o deputado agradeceu as orações, mensagens e manifestações de apoio recebidas e afirmou estar confiante de que, em breve, retomará suas atividades administrativas e políticas.

Confira a nota completa:

“Nota

O deputado estadual Kleber Rodrigues se encontra internado para tratamento de um problema de saúde desde a tarde desta sexta-feira. Ele está bem, com quadro estável, sendo acompanhado por equipe médica.

O parlamentar deve permanecer internado nos próximos dias para a realização de exames e uso de medicação.

Kleber Rodrigues agradece as orações, mensagens, a preocupação de todos e segue confiante que em breve estará retomado as agendas administrativa e politica.

Assessoria de Comunicação”

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