domingo, 5 de julho de 2026

Projeto leva educação e formação profissional a adolescentes da Fundase no RN

Em 102 encontros e 362 horas de atividades, são realizadas oficinas de alfabetização, letramento matemático, entre outros. Foto: Alex Régis

A primeira liberdade foi de papel. Antes de qualquer carteira assinada, antes da promessa de uma profissão, antes mesmo de falar em futuro, adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa no Rio Grande do Norte pediram para soltar pipas. Tinham acabado de construí-las numa oficina de letramento matemático da UFRN. Aprenderam diagonais, área, perímetro, figuras planas. Ali, por meio da lição de geometria, se materializou o desejo de ver alguma coisa feita por eles ultrapassar os muros. O projeto “Aprendizagens para o mundo do trabalho”, executado pelo Centro de Educação da UFRN, financiado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT/RN), chegou a cinco unidades da Fundase/RN entre 2025 e 2026 e atendeu 226 adolescentes.

A proposta era aproximá-los da educação e profissionalização. Davi (nome fictício) estava entre eles. Aos 16 anos, cumpria medida socioeducativa e carregava uma relação antiga com a escola. No caso dele, não era falta de vontade, mas sim vergonha. Vergonha de não entender o que os outros pareciam entender. Parou de estudar no sexto ano, com 10 anos. Nas oficinas do projeto, voltou a encostar nas letras e nos números por outro caminho, desenhando pipas e quadras de futebol. Assim, descobriu que a matemática também podia nascer das coisas que conhecia.

Na escola, Davi lembra mais dos colegas e da bola do que das aulas. Gostava de educação física, de jogar como atacante, de fazer gol. Fora dali, a vida foi estreitando o campo. O pai morreu quando ele ainda era criança, a mãe sustentou a casa, os conselhos da família chegavam antes que ele soubesse escutá-los.

“Minha mãe, minha irmã, sempre falam para eu sair dessa vida, mudar de vida, voltar a estudar”, recorda. Quando entrou no sistema socioeducativo, já tinha deixado a sala de aula. Dentro da unidade, sonha em cursar medicina e diz ter reencontrado uma forma de olhar para si: “Entrei aqui um menino rebelde. Agora vou sair com outra mente.”

Ele fala baixo, às vezes tropeça nas palavras, como quem ainda procura um jeito de dizer o que sente sem transformar a própria dor em defesa. O arrependimento aparece sem discurso pronto. “Aqui dentro não é muito bom, não. Mas dá para refletir e assumir o erro”, diz.

Projeto leva educação e formação profissional a adolescentes da Fundase no RN

O projeto que encontrou Davi não começou pela pergunta sobre qual profissão aqueles adolescentes poderiam exercer. Começou antes, no ponto em que muitas trajetórias escolares já tinham sido quebradas. Ao longo de 102 encontros e 362 horas de atividades, oficinas de alfabetização, letramento matemático, arte, cultura, corpo e movimento, direitos humanos, cuidado e responsabilização tentaram recompor uma ponte antiga entre aprender e existir no mundo.

A escolha das oficinas não veio pronta da universidade. “Não fizemos um trabalho para eles. Todo o trabalho foi desenvolvido com eles”, resume Cláudia Kranz, coordenadora do projeto na UFRN. Antes de levar conteúdos às unidades, a equipe ouviu adolescentes, gestores e profissionais da Fundase.

Essa metodologia fez a matemática perder a aparência de “castigo”. “Não ia sair da cabeça de um professor universitário ‘vamos trabalhar com pipa’. A pipa era o interesse deles, a partir do interesse desse aprendiz é que os conhecimentos são mobilizados”, explicou Kranz. Para ela, o conteúdo, assim, deixava de ser distante, “asséptico, tecnicista”, e passava a ter pertencimento.

O efeito não apareceu apenas nos cadernos. Segundo a equipe da UFRN, adolescentes que costumavam circular algemados passaram, nos dias de oficina, a ser conduzidos sem algemas.

Davi (nome fictício) é um dos integrantes do projeto. Ele parou de estudar aos 10 anos, mas recentemente voltou a ter contato com o conhecimento. Foto: Alex Régis

Trabalho como ressocialização

Para o presidente da Fundase, Herculano Campos, essa é a fronteira que separa a socioeducação da prisão. A medida responsabiliza, mas deve partir da ideia de que o adolescente ainda está em formação. “No sistema prisional, o objetivo é fazer com que a pessoa seja punida pelo crime cometido. No sistema socioeducativo, voltado para adolescentes, a gente parte do princípio de que o adolescente está em processo formativo. O objetivo do sistema é possibilitar rever o projeto de vida”, descreve Campos.

Na avaliação da subprocuradora-geral do Trabalho Ileana Neiva, a primeira aprendizagem necessária não é técnica. Antes de formar eletricistas, costureiros, programadores ou trabalhadores autônomos, é preciso lidar com adolescentes que chegaram ao sistema depois de sucessivas negações de direitos. “A aprendizagem por si só é um meio interessante se vier acompanhada desse letramento em direitos humanos”, afirma.

Para ela, o trabalho ocupa lugar central na vida social. É por ele, muitas vezes, que alguém é reconhecido, apresentado, aceito. Mas, para os adolescentes da Fundase, o caminho até o mundo do trabalho passa por uma pergunta anterior: como falar de profissão a quem teve a escola interrompida, a infância atravessada pela pobreza e o sonho limitado pelo território onde nasceu?

“Muitas vezes tem uma barreira do sonho. A comunidade em que ele vive é tão pobre que ele só consegue se identificar também com profissões que reproduzem a pobreza”, descreveu Neiva. Para ela, a socioeducação precisa romper essa barreira sem apagar a responsabilização pelo ato cometido. “Aquele erro não pode significar toda a vida deles. Eles podem ressignificar a vida e não serem definidos por aquele erro.”

Essa barreira, segundo Cynara Ribeiro, vice-coordenadora do projeto, também é uma barreira do olhar. A sociedade costuma enxergar primeiro o ato infracional, não a vida anterior a ele. “A educação é uma porta que pode abrir a vida desses sujeitos para horizontes aos quais eles muitas vezes não tiveram acesso antes”, ressaltou Ribeiro.

O passo seguinte é transformar essa aprendizagem de base em formação técnico-profissional. Segundo Ileana Neiva, uma nova etapa está prevista com recursos do MPT e participação da UFRN e do Sistema S. A ideia é avançar para cursos práticos, como corte e costura, a partir das habilidades identificadas nas oficinas.

Mesmo quando a profissionalização chegar, outro muro permanecerá de pé. É o estigma. “Se a sociedade não os receber sem discriminação, nosso trabalho não vai ser efetivo”, afirma Ileana. O MPT defende que contratos públicos incluam cotas para aprendizes e egressos, e que empresas privadas aceitem dar oportunidade a quem passou por processos de responsabilização. O problema é que, fora das unidades, o ato infracional costuma continuar funcionando como sentença.

Davi ainda não sabe o tamanho exato do caminho entre a unidade e a medicina. Por meio do projeto, a escola deixou de ser o lugar da vergonha. Virou pipa.

No dia em que os adolescentes pediram para soltar as pipas, a liberdade ainda não era deles. Era de papel, com palitos e linha. Mas tinha sido construída por suas próprias mãos. E, por alguns minutos, antes que alguém voltasse a chamá-los pelo erro, ela voou livre.

Jessyanne Bezerra/Repórter

Tribuna do Norte

1º semestre tem volume de chuvas acima da média

Foto: Elisa Elsie

Natal encerrou o primeiro semestre de 2026 com um volume de chuvas 23,2% acima da média histórica para o período. Entre janeiro e junho, foram registrados 1.381,6 milímetros de precipitação, enquanto a média dos últimos 22 anos é de 1.121,3 milímetros. Os dados são da Defesa Civil Municipal, com base em medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O acumulado representa 260,3 milímetros a mais do que o esperado para os seis primeiros meses do ano e coloca 2026 entre os períodos mais chuvosos da série histórica iniciada em 2003. O levantamento considera apenas os anos com medições consistentes, desconsiderando períodos que apresentaram falhas de registro.

O cenário exigiu atuação permanente das equipes da Prefeitura ao longo do semestre. Serviços de limpeza da rede de drenagem, monitoramento de áreas suscetíveis a alagamentos, operação de bombas de drenagem, vistorias preventivas e atendimento às ocorrências provocadas pelas chuvas fizeram parte das ações desenvolvidas para reduzir os impactos do período chuvoso.

Na avaliação do prefeito Paulinho Freire, o comportamento das chuvas registrado neste primeiro semestre confirma a necessidade de manter investimentos permanentes em infraestrutura e prevenção.

“Os números mostram que Natal enfrentou um primeiro semestre com chuvas muito acima da média histórica. Isso exige planejamento, equipes preparadas e investimentos contínuos para que a cidade responda da melhor forma possível”, afirmou.

À frente da Defesa Civil Municipal, a secretária de Segurança Pública e Defesa Social, Samara Trigueiro, explica que o volume de precipitações registrado neste primeiro semestre exigiu acompanhamento permanente. “Quando enfrentamos um período com chuvas acima da média, o monitoramento precisa ser contínuo”, afirmou.

Como prevenção, entre as ações executadas pela Seinfra está a limpeza de mais de 520 quilômetros da rede de drenagem da capital. O trabalho resultou na retirada de aproximadamente 57 mil toneladas de resíduos, na limpeza de 5.755 bocas de lobo e de 953 poços de visita, além da identificação de 273 ligações clandestinas de esgoto que comprometiam o funcionamento do sistema.

A secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, explica que a manutenção preventiva da rede de drenagem é um trabalho permanente.

“Quando o volume de precipitação supera o esperado, toda a infraestrutura de drenagem passa a operar sob maior demanda. Por isso, a manutenção contínua da rede é essencial. A limpeza de galerias, bocas de lobo e poços de visita aumenta a capacidade de escoamento e reduz os riscos de alagamentos”, explicou.

Tribuna do Norte

Empresas juniores se destacam no RN e ampliam impacto econômico

Roberta Mattos, 21 anos, é a presidente da Produtiva Júnior, empresa do curso de Engenharia de Produção da UFRN que projeta um faturamento de R$ 1,2 milhão em 2026. Foto: Alex Régis

Formadas e geridas por estudantes universitários, as empresas juniores (EJs) funcionam como uma ponte entre a sala de aula e o mercado de trabalho, permitindo que os alunos apliquem na prática o conhecimento adquirido e desenvolvam habilidades profissionais que se aproximem da dinâmica real do empreendedorismo. No Rio Grande do Norte, essas empresas têm estimulado os jovens a criar soluções que impactam diretamente a sociedade e movimentam a economia local. Enquanto para algumas delas o faturamento ainda é considerado tímido, para outras, a receita bruta já ultrapassa R$ 1 milhão.

É o caso da Produtiva Júnior, empresa do curso de Engenharia de Produção da UFRN, fundada em 2009 e que atua em três áreas: financeira, gestão estratégica e produção. Ao todo, a empresa conta com 48 membros e atende a cerca de 25 clientes, especialmente de Natal e do interior. “Mas já atuamos em estados como Minas Gerais e São Paulo”, conta a presidente e diretora de gestão de pessoas da Produtiva, Roberta Mattos, de 21 anos. Ela explica que os serviços são personalizados, com prazo que varia entre oito meses e um ano, ou duram seis meses, nos casos de consultoria, para acompanhamento dos clientes.

“Nosso foco é ajudar empresas do varejo ou prestadores de serviços de diversas áreas, como saúde, administração, advocacia e setor hospitalar, entre outras, com precificação e gerenciamento financeiro, planejamento e estratégias de engajamento dos colaboradores nas organizações, além de mapeamento e indicadores de produção. Para este ano, nossa meta é alcançar um faturamento de R$ 1,2 milhão, levemente acima das receitas de 2025, que já ficaram acima de R$ 1 milhão”, afirma Roberta, que está no 4º período de Engenharia de Produção, na UFRN.

A Apex Empreendedorismo e Soluções Jurídicas, do curso de Direito da UERN, em Mossoró, por sua vez, projetou um faturamento bem mais tímido para este ano — R$ 14 mil —, mas o volume já foi ultrapassado em abril, quando chegou a R$ 17 mil. Criada em 2019 e federada em 2021, a empresa conta com 16 colaboradores e atende a 10 clientes.

“No ano passado, tínhamos apenas dois. Então, o número de clientes atual representa uma grande conquista. Trabalhamos com assessoria jurídica, mas, como somos estudantes, não podemos realizar atividade de advocacia”, explica Rhommel Liberato, de 20 anos.

Rhommel é aluno do 4º período de Direito da UERN de Mossoró e presidente da Apex. “Nossa atuação se dá fora da prática litigiosa, em contratos, registro de marca, consultoria e regularizações. Temos clientes aqui do estado, em cidades como Mossoró e Pau dos Ferros, e também de fora, do Paraná”, relata Liberato.

Anne Viana e Luana Sousa estão à frente da empresa 59mil. Foto: Alex Régis

Já a 59mil, do curso de Publicidade e Propaganda (P&P) da UFRN, atua com assessoria de comunicação. Anne Viana e Luana Sousa, ambas de 20 anos, são presidente e vice-presidente da empresa, respectivamente.

Com projeção de faturar R$ 135 mil em 2026 — no ano passado, o faturamento foi de R$ 120 mil —, a EJ conta com um quadro gestor exclusivamente feminino e 24 colaboradores, que atendem a cerca de 20 clientes, com prestação de serviços voltados à área de publicidade e comunicação para empresas e profissionais autônomos. “Fazemos a gestão de redes sociais, atualização de sites e produção fotográfica”, conta Anne, que está no 4º período de P&P da UFRN.

“Nossos colaboradores chegam à empresa, geralmente, no início do curso. Então, é feita uma trilha de capacitações para ensinar montagem de identidade visual e uso de ferramentas específicas para o nosso trabalho”, aponta Luana, do 5º período de P&P.

Equipe da Apex Empreendedorismo e Soluções Jurídicas, de Mossoró. Foto: Alex Régis

Preocupação social agrega valor às empresas
Uma empresa júnior é uma associação civil sem fins lucrativos, na qual todo o faturamento é revertido em investimentos, como a formação dos estudantes dentro da própria EJ. Além de estimular o empreendedorismo, as empresas têm agregado valor com iniciativas voltadas à responsabilidade social. Nesse aspecto, a Nexum Consultoria Jurídica, do curso de Direito da UnP, se destaca. Criada em 2022, a empresa possui cerca de 20 clientes e tem projeção de faturamento de R$ 11 mil para 2026.

“Auxiliamos em aberturas de empresas, com serviços como registro de marca e CNPJ, e revisão de contratos”, relata Yasmin Alves, de 21 anos, presidente e diretora Comercial e de Marketing da Nexum. Além do trabalho de assessoria junto aos clientes, a EJ possui um projeto de retificação de nome, o Nomear, para pessoas transexuais.

“A ideia desse projeto nasceu junto com a Nexum, mas saiu do papel apenas em 2024 e, no ano passado, tivemos as primeiras pessoas contempladas para fazer a retificação. Estamos com oito processos em andamento, cuja retificação foi aprovada. Todo o acompanhamento é feito de forma gratuita”, descreve.

Yasmin está no 7º período de Direito da UnP. Apesar da atuação no estado, estar em uma empresa júnior tem seus desafios. Maria Luyzza Trindade, de 20 anos, é gerente comercial da Nexum. Para ela, uma das dificuldades mais visíveis é o reconhecimento da qualidade dos serviços prestados pelas EJs. “Um importante desafio é conseguir clientes, porque a maioria das pessoas não conhece o Movimento de Empresas Juniores (MEJ) e, muitas vezes, não dá credibilidade ao nosso trabalho”, afirma.

E foi para ajudar a encarar os contratempos de maneira assertiva que em 2010 surgiu a Federação das Empresas Juniores do Rio Grande do Norte (RN Júnior), dedicada também a representar, regulamentar e fomentar o crescimento das empresas juniores no estado. Hoje, a federação supervisiona 64 EJs de diversas instituições públicas e privadas de ensino superior no estado — entre elas, UFRN, Ufersa, UERN, UnP e UNI-RN —, de 45 cursos, que somam 1,2 mil jovens em formação.

“Nosso objetivo é fomentar o MEJ no estado, formando pessoas por meio da vivência empresarial. O movimento surge diante de um gargalo dentro das universidades, que é justamente a vivência do empreendedorismo na prática”, explica Lucas Santiago, presidente-executivo e diretor de negócios da RN Júnior.

Para Cecília Siqueira, vice-presidente da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), o Rio Grande do Norte segue a tendência nacional de expansão das EJs — em todo o país, são 25 mil empresas do tipo —, com representatividade forte, mas com o desafio de interiorizar o movimento.

“Aqui e no restante do Brasil, a gente visualiza essas empresas muito presentes nas capitais, mas nós precisamos estar em áreas onde é preciso potencializar a economia local. No RN, eu considero que essa é uma questão organizacional bem resolvida, mas que ainda carece de se desenvolver melhor”, discorre.

Segundo a RN Júnior, cerca de metade do total de EJs federadas no estado está localizada em Natal, enquanto a outra metade está em cidades do interior potiguar. A expansão para outras regiões, de acordo com a vice-presidente da Brasil Júnior, é fundamental para democratizar o empreendedorismo.

“Precisamos atingir cada vez mais pessoas. Somente neste ano, até agora, já temos mais de R$ 2,6 milhões em faturamento gerados pelas empresas juniores no país. Esperamos conseguir ampliar ainda mais esse mercado aqui no Rio Grande do Norte e no Brasil”, apontou Siqueira.

Destine’26

De olho na expansão das EJs, a RN Júnior promove, até este domingo (5), a 12ª edição do Destine’26 (Desafios Transformados em Inovação no Nordeste), em Nísia Floresta, Região Metropolitana de Natal. O evento é considerado um dos maiores encontros de empreendedorismo jovem, liderança e inovação da região e conseguiu reunir, neste ano, um recorde de mais de 440 congressistas para quatro dias de imersão, capacitação prática e conexões estratégicas. Ao todo, participam 43 empresas, sendo cinco de outros estados do Nordeste.

O presidente-executivo da federação, Lucas Santiago, destacou o entusiasmo da diretoria com o encontro. “É um momento importante para conectar as empresas, gerar networking, conhecimento e colaboratividade. Este é um de quatro eventos que realizamos ao longo do ano — outros dois acontecem em Natal e mais um em Mossoró —, sempre com o intuito de fazer com que os jovens respirem empreendedorismo”, fala Santiago.

O Destine’26 conta com palestras, workshops, oficinas temáticas e rodadas de negócios, com atividades voltadas ao desenvolvimento de competências essenciais para o mercado. Entre os grandes nomes participantes, destaca-se o de Gabriela Augusto, fundadora da Transcendemos e integrante da lista Forbes Under 30. A palestrante abordou a importância estratégica da diversidade, equidade e inclusão na construção de culturas organizacionais fortes.

Felipe Salustino/Repórter

Tribuna do Norte

França vence Paraguai com gol de Mbappé de pênalti e avança às quartas da Copa

Foto: Reprodução/Redes sociais/equipedefrance

A França venceu o Paraguai por 1 a 0 neste sábado (4), pelas oitavas de final da Copa do Mundo, e garantiu vaga nas quartas. O gol da classificação foi marcado por Mbappé, em cobrança de pênalti no segundo tempo.

Com o resultado, a seleção francesa enfrentará o Marrocos na próxima quinta-feira (9), às 17h, no Gillette Stadium, em Boston, nos Estados Unidos. O confronto reedita a semifinal da Copa de 2022, quando a França venceu por 2 a 0.

No primeiro tempo, o Paraguai atuou com uma linha defensiva mais fechada e dificultou as ações ofensivas da França. A equipe francesa teve mais posse de bola e tentou finalizar de fora da área, mas não conseguiu marcar. Uma das oportunidades saiu aos 21 minutos, em chute de Koné que desviou no caminho.

Na segunda etapa, a França manteve a posse e voltou a finalizar com Koné, que exigiu defesa de Gill aos nove minutos. O gol saiu após lance dentro da área envolvendo Doué e Diego Gómez. Inicialmente, o árbitro não marcou a penalidade, mas revisou a jogada no VAR e assinalou pênalti para a França.

Mbappé cobrou e marcou o único gol da partida. Depois do placar aberto, o Paraguai fez alterações e tentou responder em finalizações de fora da área.

Nos acréscimos, Mbappé ainda teve nova chance para ampliar. O atacante finalizou, Gill defendeu, e no rebote o camisa 10 voltou a chutar, parando novamente no goleiro paraguaio. A França sustentou a vantagem até o apito final e confirmou a classificação para enfrentar o Marrocos nas quartas.

Tribuna do Norte

As rendeiras da Vila de Ponta Negra e a luta para eternizar os bilros em Natal

A Renda de Bilro foi oficialmente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Natal, com a sanção da Lei nº 8.139. Foto: alex régis

No Memorial das Rendeiras, localizado na Rua Vereador Manoel Coringa de Lemos, nº 484, em Ponta Negra, sob o ritmo vibrante do turismo, resiste o som ritmado e secular dos bilros de madeira, como uma música que embala a vila há gerações no cotidiano das mãos que tecem essa história. Esse eco da tradição não é apenas uma memória viva; é oficialmente Patrimônio Cultural Imaterial de Natal, com a sanção da Lei nº 8.139, de autoria da deputada estadual Divaneide Basílio (PT), elaborada no período em que ela atuava como vereadora da capital. A tradição, historicamente passada de mãe para filha (e hoje acolhendo também novas trajetórias), tornou as artesãs da Vila guardiãs de uma técnica que exige paciência, precisão e afeto.

A mestre rendeira Maria de Lourdes de Lima, carinhosamente chamada de Vó Maria, de 92 anos, aprendeu a técnica aos 7 anos em Pirangi e, ainda criança, mudou-se para a Vila de Ponta Negra, onde residiam várias rendeiras com quem aprimorou seus conhecimentos. Hoje, ela é uma guardiã da arte secular para inúmeros rendeiros que, ao longo dos anos, entre o traço e a trança, reescrevem a própria história. “Pra ‘mim’ a renda é uma coisa muito boa, me sinto muito bem fazendo o meu trabalho, eu amo o trabalho”, revela.

Diante de inúmeras memórias, a rendeira afirma que não imaginava que a técnica, aprendida há mais de 80 anos, teria o reconhecimento de hoje. Vó Maria já trabalhou em diversas tarefas distintas, como o plantio e a lavagem de roupas, mas nos bilros ela encontrou pertencimento. “Eu nunca deixei a renda, chegava em casa, nem que fosse dez minutos eu tinha que ‘bulir’ no meu bilro. É um divertimento na minha vida, se eu tiver uma raiva, ficar nervosa, tudo ‘vai-se embora’ e nem sei pra onde”, brinca.

Com o apoio de seu filho Joka Lima, Vó Maria reuniu suas amigas rendeiras Mestra Helena, Francisca, Josefa, Dona Graça e Lenide para aprimorar conhecimentos e trocar ideias. Há mais de vinte anos, o espaço tornou-se o núcleo de rendeiras de Ponta Negra. Após a morte de Joka, há dois anos, o local ainda se mantém firme na tradição e, de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, as rendeiras se reúnem. Além do valor econômico e turístico, a arte assume um papel terapêutico e inclusivo no cotidiano dos rendeiros, como é o caso de Isaías José, de 64 anos, que mora na Zona Norte de Natal, mas há dois anos faz renda e participa dos encontros na sede. “Para quem tem TEA, a renda é uma terapia, além de autismo tenho TDAH. Eu moro ‘só’, não tenho mais ninguém, então a renda é acolhimento. O foco ‘pra’ gente é muito difícil, além da calma também”, revela. “Minha mãe fazia renda em casa lá em Recife. Eu procurava locais para fazer renda aqui em Natal e não encontrava, até que um dia vi Vó Maria na Árvore [de Mirassol], peguei o endereço dela e vim para cá”, relembra.

A tradição da renda de bilro é historicamente passada de mãe para filha. Foto: alex régis

Técnica entre as gerações

O fazer da renda de bilros é um espetáculo de precisão e tradição. Tudo começa com a almofada cilíndrica recheada (geralmente com palha ou algodão), que repousa sobre um suporte de madeira perfeitamente ajustado à altura do corpo da artesã. Fixado no topo dessa almofada fica o pique ou risco, um cartão perfurado que serve como o mapa anatômico do desenho.

É a partir dele que dezenas, às vezes centenas de bilros, pequenas peças de madeira torneada, pendem em pares, sustentando os fios que darão vida à peça. Movimentados em pares pelas mãos ágeis da rendeira, os bilros cruzam-se e entrelaçam-se em quatro movimentos básicos: cruzar, girar, trocar e fechar. À medida que os nós e tranças ganham corpo, alfinetes são fincados estrategicamente nos pontos de interseção do risco, retendo a tensão dos fios e moldando o caminho labiríntico do padrão.

As rendeiras produzem peças de decoração, porta-copos, bolsas, blusas, saias, passadeiras e toalhas. O tempo de confecção, a técnica e a quantidade de bilros utilizados variam de acordo com o item.

Darlene de Morais diz que a convivência em grupo é um momento de partilha e conversas .Foto: alex régis

Tradição secular

Filha de Mestre Helena e neta de Josefa, a técnica foi passada entre as gerações e, desde o berço, Jane Edna, de 61 anos, cresceu diante dessa tradição, que hoje ela carrega no peito também na atuação de vice-presidente da Associação das Rendeiras. “A renda é passada de geração em geração, quando a gente tem o conhecimento na nossa família de pessoas que foram rendeiras e ainda ‘rendem’, isso nos fortalece, mas quando não tem é um grande desafio”, pontua. Segundo a rendeira, o principal desafio é conseguir partilhar com os jovens da vila o que é a renda de bilro; com isso, elas têm feito ações e divulgações de cursos. Sendo uma lei sancionada, de acordo com Jane, o respaldo mantém a tradição. “É um reconhecimento que nos fortifica e faz com que as pessoas nos conheçam e a importância dessa tradição que a gente carrega”, destaca.

Darlene de Morais, de 51 anos, é secretária do Memorial das Rendeiras e afirma que a convivência em grupo é um momento de partilha, diversão e conversas. “Eu trabalhava aqui de lado e via elas rendendo, conversando, eu saía do trabalho e ficava olhando. Até que um dia surgiu um curso e eu fiquei até hoje”, reitera. Darlene, que faz renda há mais de 16 anos, ensinou Isaías a rendar, algo de que ela tem bastante orgulho, pois repassou o conhecimento adquirido com Vó Maria. “A Vila de Ponta Negra também é cultura, tem várias coisas folclóricas, ‘junta’ a rendeira com folclore, pescador. Então aqui é uma comunidade belíssima”, conclui.

A professora Iliane Silva, de 44 anos, mora em Parnamirim, mas se mantém presente nas ações do grupo e confeccionando peças que levam de algumas horas a, dependendo da técnica, meses para ficar prontas. Ela destaca que viu as peças de renda em um evento cultural e, ao pesquisar mais sobre o trabalho, deparou-se com as rendeiras da vila e, desde então, integra o grupo desde 2023.

“De lá para cá fiz o curso e fiquei até hoje. Na minha família, minha avó fazia renda, o filho dela fazia os bilros, mas eu não sabia disso. Eu gosto muito de fazer renda, todos os dias eu faço alguma coisa, quando tenho tempo livre estou fazendo”, concluiu.

Símbolo cultural do RN

De acordo com Rodrigo Loureiro, diretor do Departamento de Gestão Empreendedora, Artesanato e Economia Solidária da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social da Prefeitura de Natal, a pasta segue com uma articulação da Semtas, da Funcarte e também da Secretaria de Turismo para envolver o setor junto às atividades da associação. “Fazer essa inclusão para que movimente o memorial, a associação, que é o grande desafio para que elas possam não só mostrar essa cultura da renda de bilro, mas escoar uma produção que já se tem lá com as rendeiras da vila”, pontua.

O diretor reitera as dificuldades de passar o ofício da renda de bilro para as novas gerações. “Hoje a gente tem ainda um público muito idoso que faz isso [a renda] e temos fomentado através do nosso Departamento de Qualificação Profissional da SEMTAS para que possamos ter mais jovens querendo aprender a renda de bilro para que, justamente, possam perpetuar e garantir o futuro dessa atividade”, sintetiza.

Rodrigo Loureiro destaca que, quando se tem o reconhecimento do trabalho das rendeiras como patrimônio, a medida contribui para a implementação de políticas públicas. “Uma lei que reconhece como patrimônio cultural e imaterial de Natal a Associação das Rendeiras da Vila chancela para que o Poder Público possa desenvolver ainda mais atividades voltadas a elas na valorização e, principalmente, na perpetuação de uma arte tão importante para o artesanato do Rio Grande do Norte”, finaliza.

Bruna Torres/Repórter

Tribuna do Norte

PIB do RN deve crescer 0,5% em 2026, abaixo da média do Brasil e do NE

Segundo projeção da Tendências Consultoria, enquanto o Produto Interno Bruto do RN deve crescer 0,5% em 2026, o do Brasil deve crescer 1,9%, e o do Nordeste, 2,2% no mesmo período. Para 2027, a alta do PIB potiguar é projetada em 1,8%.

O declínio na produção do petróleo contribuiu para que a consultoria revisasse para baixo a estimativa anterior de alta do PIB potiguar, que era de 1,4% para 2026. Foto: Junior Santos

O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte deve crescer 0,5% em 2026, segundo projeção da Tendências Consultoria. O percentual, divulgado em junho, foi revisado para baixo em relação à estimativa anterior, de 1,4%, e ficou abaixo da média prevista para o Brasil (1,9%) e para o Nordeste (2,2%). A revisão negativa foi influenciada pelo desempenho mais fraco da indústria e da agropecuária no estado.

De acordo com a Tendências Consultoria, o setor industrial acumula queda de 17,9%, resultado influenciado pelo recuo de 29,9% no refino de petróleo e biocombustíveis, atividade que responde por mais da metade da produção industrial do estado. A projeção é feita a partir da análise da estrutura do PIB do estado e do desempenho recente dos principais setores da economia, como indústria, serviços e agropecuária.

Segundo a economista da Tendências Consultoria, Giuliana Folego, a queda sofrida pela indústria está ligada ao declínio da produção de petróleo em campos maduros e a interrupções operacionais no setor.

“Esse fraco desempenho vem na esteira das fortes altas registradas em 2023 e 2024, decorrentes de melhorias e do aumento da capacidade da Refinaria Clara Camarão. Mas agora a atividade sofre os efeitos da queda da produção em campos maduros e de uma série de interrupções operacionais”, explicou.

Segundo o coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN), o desempenho recente do setor de petróleo tem impactado diretamente a economia do estado. Ele avalia que a queda nos investimentos ao longo da última década levou também à redução da produção, o que acaba refletindo no desempenho do PIB estadual.

“Quando cai investimento, cai produção, cai geração de riqueza, cai geração de emprego. Então, o setor de petróleo, nos últimos 10 anos, vem contribuindo negativamente para essa redução do PIB do Estado”, afirma.

Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado do RN (Fiern), defende que o RN precisa enfrentar dois desafios estruturantes para consolidar um ambiente de negócios mais competitivo: o equilíbrio das contas públicas e a modernização da legislação ambiental.

“Um ambiente de negócios moderno, aliado à estabilidade fiscal e jurídica, permitirá que o estado aproveite todo o seu potencial econômico, transformando suas riquezas naturais em mais empregos, renda e qualidade de vida para a população”, defende Serquiz.

A consultoria também projeta retração para o setor da agropecuária em 2026, puxada principalmente pela queda esperada na produção de mandioca, leite, ovos e carne bovina. “A renda agropecuária do RN está concentrada em poucos produtos, o que torna o resultado agregado da agropecuária muito sensível a choques específicos, sejam eles climáticos, de mercado”, analisa Giuliana Folego.

A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) avalia que a revisão para baixo das projeções de crescimento da economia potiguar merece atenção, mas deve ser interpretada com cautela. No caso da agropecuária, a federação afirma que o desempenho dependerá de fatores que ainda podem evoluir ao longo do ano, como as condições climáticas, o comportamento dos mercados, o ambiente macroeconômico e o ritmo das exportações.

“É inegável que o setor enfrenta desafios importantes. A elevada variabilidade climática e a insegurança hídrica continuam impondo limitações à produção em diversas regiões do estado, enquanto o aumento dos custos de produção, especialmente com energia, transporte e insumos, reduz a competitividade de algumas cadeias produtivas”, disse a Faern em nota. “Somam-se a isso gargalos logísticos, dificuldades de acesso ao crédito para parte dos produtores e um ambiente regulatório que, em muitos casos, ainda encarece e retarda investimentos”, acrescenta.

Entre as prioridades defendidas pela Faern para fortalecer a agropecuária estão a segurança hídrica, a ampliação da infraestrutura de armazenamento e distribuição de água, modernização de sistemas de irrigação e aumento da eficiência no uso dos recursos hídricos, a fim de fortalecer políticas que proporcionem maior previsibilidade para os produtores.

“Da mesma forma, é importante aperfeiçoar o ambiente de negócios, com maior segurança jurídica, simplificação dos processos de licenciamento, redução da burocracia e intensificação das ações de abertura e consolidação de mercados para os produtos potiguares”, destaca a Faern.

Previsão de crescimento do PIB para 2027

Para 2027, a Tendências Consultoria projeta crescimento de 1,8% para o PIB potiguar, impulsionado pela retomada parcial da indústria. “Projeta-se recuperação da atividade econômica, com a retomada vindo tanto da indústria quanto da agropecuária — movimento oposto ao observado em 2026”, disse Giuliana Folego.

Em 2027, na indústria, a melhora é puxada pela recuperação parcial do refino de petróleo e álcool, além do avanço da fabricação de alimentos e da indústria de transformação. Na agropecuária, o crescimento do arroz e feijão ajuda a sustentar o setor, apesar das quedas esperadas em milho e carne bovina.

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) disse que estimativas de crescimento estão sujeitas às dinâmicas dos mercados nacional e internacional. “A expectativa é de continuidade do crescimento econômico, impulsionado pela consolidação de investimentos estruturantes e pelo fortalecimento de setores nos quais o estado possui reconhecidas vantagens competitivas”, destaca a pasta em nota.

O estudo mostra que Bahia, Pernambuco e Ceará concentram a maior parte do PIB nordestino, enquanto o RN tem participação bem menor no cenário nacional. Em 2023, o estado respondeu por 0,9% do PIB do país, contra 3,9% da Bahia, 2,5% de Pernambuco e 2,1% do Ceará. Segundo a economista, “fechar essa distância de forma expressiva no curto ou médio prazo é pouco provável”, devido ao menor porte populacional e à base produtiva mais limitada do RN.

Vantagens competitivas da economia potiguar

Segundo o levantamento da Tendências, o RN apresenta vantagens competitivas que podem impulsionar seu crescimento nos próximos anos. “A presença consolidada na cadeia de petróleo, liderança em energia renovável e especialização em fruticultura irrigada formam uma base econômica relativamente”, revela a economista.

O presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Darlan Santos, avalia que há a expectativa de uma nova fase de investimentos, impulsionada pelo processo de repower (processo de renovação dos projetos).

“Uma oportunidade para o setor é a garantia da venda de sua energia, hoje cortada por efeito de curtailment. Essas oportunidades podem estar associadas à atração de indústrias eletrointensivas e que têm interesse no uso de energia limpa”, cita Darlan Santos.

No setor da fruticultura, as regiões de Mossoró e Assú são referências nacionais em fruticultura irrigada, com destaque para a produção de melão voltada à exportação.

O presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do RN (COEX), Fábio Queiroga, revela que os produtores projetam um crescimento contínuo no volume de exportações para ampliar a presença nacional. “A abertura de mercados extremamente exigentes, como o chinês, traz a perspectiva de podermos ampliar bastante o volume de contêineres enviados ao exterior nos próximos anos”, explica.

O setor de serviços, principal componente da economia potiguar, tem no turismo um dos seus principais vetores de sustentação e dinamismo, segundo análise da consultoria. “O turismo continuará sendo um dos principais motores do desenvolvimento econômico do RN. O estado reúne atrativos consolidados e uma cadeia produtiva forte, que movimenta o comércio e os serviços em diversas regiões”, analisa a Fecomércio/RN.

Segundo o Sindipetro, o RN ainda tem grande potencial no setor de petróleo em terra, com cerca de 140 blocos com reservas que dependem de investimentos para entrar em produção. “O grande desafio é conseguir fazer a união de esforços entre a Petrobras e as empresas privadas que produzem petróleo no RN”, destaca Marcos Brasil.

Setor produtivo pede ambiente favorável aos investimentos

O presidente da Fiern, Roberto Serquiz, avalia que a indústria vem apresentando sinais de retomada. “No entanto, para transformar potencial em desenvolvimento sustentável, será fundamental criar um ambiente favorável aos investimentos, com mais segurança jurídica e infraestrutura adequada”, aponta.

Gargalos estruturais também limitam o crescimento de setores exportadores do estado, conforme o presidente do COEX. “Logística e escoamento é o nosso maior calcanhar de Aquiles. Precisamos de portos eficientes, fretes marítimos com preços competitivos e rotas confiáveis”, disse Fabio Queiroga.

Segundo Marcos Brasil, a retomada do crescimento do setor de petróleo no RN depende da realização de novos investimentos para reativar poços já perfurados e ampliar a produção. “São poços que já são perfurados, em torno de 700 poços, que se tiver uma manutenção eles vão voltar a produzir, aumentar a produção e aumentar a riqueza”, disse.

A Fecomércio RN avalia que o fortalecimento do turismo potiguar depende diretamente de avanços estruturais em áreas-chave da economia. “É fundamental avançar em infraestrutura, qualificação profissional e promoção contínua do destino para além do sol e mar”, destaca.

Ananda Miranda/Repórter

Tribuna do Norte

sábado, 4 de julho de 2026

Regras do período de defeso eleitoral começam a valer neste sábado

Foto: Magnus Nascimento

As principais proibições previstas na legislação eleitoral para evitar o uso da máquina pública durante a campanha eleitoral entram em vigor neste sábado (4). O início das restrições começa a valer três meses antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. 

Durante o chamado período de defeso eleitoral, candidatos estão proibidos de comparecer a inaugurações de obras públicas. Além disso, sites governamentais devem retirar conteúdos que mencionem candidatos. Somente conteúdos de utilidade pública poderão ser mantidos. 

Conforme as regras eleitorais, as páginas oficiais de órgãos dos governos federal e estadual devem retirar do ar nomes, símbolos e imagens que possam identificar políticos ou seu trabalho na administração pública, ainda que a publicação tenha sido realizada em momento posterior ao dia 4 de julho. 

Está proibida a realização de publicidade institucional de obras, serviços e campanhas de órgãos públicos. A contratação de shows artísticos com recursos públicos também está proibida. 

Os pronunciamentos em cadeia de rádio e televisão estão vetados, mas poderão ser liberados previamente pela Justiça Eleitoral em casos de emergência.

As vedações estão previstas na Lei 9.504 de 1997, a chamada Lei das Eleições, e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Contratações 

Agentes públicos estão proibidos de nomear funcionários públicos, dispensar sem justa causa, exonerar, retirar vantagens, transferir, dificultar ou impedir o exercício funcional dos servidores públicos. 

As contratações e demissões só poderão ser realizadas nos casos de nomeação ou exoneração de cargos em comissão, dispensa de funções de confiança ou para garantir o funcionamento de serviços públicos essenciais. 

Estão excluídas da proibição as nomeações para os cargos do Judiciário, Ministério Público, dos tribunais de contas e órgãos da Presidência da República. 

Os aprovados em concursos públicos só poderão ser nomeados se o certame tiver sido homologado até 4 de julho.

Recursos

Agentes públicos também não poderão fazer transferências voluntárias de recursos do governo federal aos estados e municípios e dos estados aos municípios. Os repasses só estarão liberados nos casos de execução de obras pré-existentes ou calamidade pública.

Convenções 

A partir deste domingo (5), está autorizada propaganda interna dos pré-candidatos às convenções partidárias, que poderão começar em 20 de julho. O uso de propaganda externa no rádio, TV ou outdoor está proibida. 

Para concorrer às vagas das eleições de outubro, os candidatos precisam ter seus nomes aprovados pelos partidos. A escolha é realizada por meio das convenções. 

Eleições

O primeiro turno será realizado no dia 4 de outubro, quando serão eleitos, deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República. O segundo turno está marcado para o dia 25, caso seja necessário.

Agência Brasil

Datafolha: mais brasileiros preferem pagar menos impostos do que ter serviço público gratuito

Foto: PAULO PINTO/AGÊNCIA BRASIL

Cresce o número de brasileiros que preferem pagar menos impostos do que receber como contrapartida serviços públicos gratuitos, mostra pesquisa Datafolha. O levantamento aponta que 50% dos entrevistados querem pagar menos tributos, ante 44% que afirmaram preferir acesso grátis a serviços como saúde e educação.

Em 2022, quando o Datafolha fez pesquisa semelhante, 46% preferiam pagar menos impostos e 48% queriam pagar mais impostos tendo como contrapartida serviços gratuitos.

Na pesquisa divulgada agora, quando a divisão é por gênero, os homens (56%) preferem pagar menos impostos. Entre mulheres, 44% afirmaram que preferem pagar menos impostos, e 50% por pagar mais.

Na divisão da pesquisa entre eleitores, 35% dos que afirmam votar em Luiz Inácio Lula da Silva preferem pagar menos impostos, enquanto nos simpatizantes de Flávio Bolsonaro, o número sobe para 65%. Na preferência de pagar mais impostos e receber serviços públicos gratuitos, o porcentual é 59% nos eleitores de Lula e 29% nos do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A pesquisa foi realizada de forma presencial nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95% - as margens são maiores nos recortes da população. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.

Estadão Conteúdo

Trump chama adversários de comunistas e diz que identidade americana está sob ataque

Donald Trump | Foto: Official White House/Daniel Torok

O  presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 3, que a identidade do país está sob um "ataque renovado" e voltou a mirar supostos "radicais e extremistas" internos, na véspera das comemorações pelos 250 anos da independência americana.

Quatro meses antes das disputadas eleições de meio de mandato, o presidente americano ainda aproveitou o cenário do Monte Rushmore, na véspera do 250º aniversário da nação, para caracterizar seus adversários políticos como comunistas "ateus" e "maléficos".

"Só podemos perder as eleições de meio de mandato se nos permitirmos perder, se formos tolos, estúpidos e imprudentes", disse ele na sexta-feira, exigindo que o Congresso aprovasse a chamada Lei SAVE America, que imporia regras mais rígidas de identificação do eleitor, tornando mais difícil votar.

"Ao nos aproximarmos desse magnífico aniversário, vemos nossa identidade americana sob um ataque renovado", declarou também. Segundo o presidente, há um "ressurgimento da ameaça do comunismo" nos Estados Unidos.

O republicano tem intensificado esse discurso nas últimas semanas, após vitórias da ala mais à esquerda do Partido Democrata em eleições primárias. Trump tem apresentado o avanço desse grupo como evidência de que "comunistas" representam uma ameaça ao país às vésperas das eleições legislativas de novembro

Comunismo e 'ataque' ao excepcionalismo americano

Trump iniciou seu discurso com uma retórica grandiosa sobre o "excepcionalismo americano", mas alegou que "nos últimos anos houve uma tentativa inegável de mudar esse caráter excepcional, de arrancar de nós o espírito americano e de nos afastar da nossa história".

Em seguida, deu uma guinada para um discurso politicamente sombrio, com alertas sobre uma suposta ameaça sinistra de comunismo.

"O comunismo é uma ameaça mortal à liberdade americana", afirmou ele no Monte Rushmore. "É a maior ameaça ao nosso país, incluindo a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, Pearl Harbor ou até mesmo o 11 de setembro."

Embora tenha evitado o tom mais agressivo que costuma adotar ao falar sobre imigração, Trump alertou sobre supostos "recém-chegados ao nosso país que abraçam ideias totalmente contrárias ao nosso modo de vida e ao nosso grande sucesso".

"Eles não precisam ter nascido aqui, mas precisam amar o que construímos", disse.

Há anos circulam especulações de que Trump gostaria de ver seu rosto esculpido no Monte Rushmore. Parlamentares republicanos chegaram a apresentar um projeto de lei propondo incluir sua imagem ao lado dos quatro presidentes homenageados no monumento, George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt.

Neste sábado, 4, data em que os Estados Unidos celebram o Dia da Independência, Trump promoverá um comício no National Mall, em Washington, com sobrevoo de aeronaves militares e um espetáculo de fogos de artifício.

Ao longo das celebrações pelos 250 anos do país, o presidente tem buscado associar as festividades à sua gestão.

País dividido

Os Estados Unidos chegam ao marco histórico em meio a forte polarização política.

Democratas criticam Trump por sua política migratória, pelo crescimento do patrimônio de sua família e pelas iniciativas para ampliar os poderes da Presidência. O presidente também enfrenta baixos índices de aprovação, influenciados pela guerra no Irã e pelo aumento do custo de vida.

Uma organização ligada a Trump, a Freedom 250, assumiu o controle de parte das celebrações dos 250 anos do País, reduzindo o protagonismo do grupo bipartidário America250. A mudança levou parte dos participantes a se afastar dos principais eventos.

Uma feira comemorativa realizada em Washington também recebeu críticas pelos espaços vazios, em parte devido à intensa onda de calor que atinge o leste do país.

A previsão é de que as altas temperaturas persistam durante todo o fim de semana. Na quarta-feira, Trump ironizou a situação.

"No 4 de Julho fará cerca de 41°C, e vou fazer um discurso muito longo apenas para mostrar que posso fazer qualquer coisa", afirmou.

Às vésperas do aniversário de 250 anos da independência, pesquisas indicam um cenário de pessimismo entre os americanos. Levantamento da Universidade Quinnipiac, divulgado na quinta-feira, mostrou que 61% dos entrevistados consideram que os Estados Unidos não estão à altura dos ideais expressos na Declaração de Independência.

O resultado, porém, reflete a divisão política do país: a maioria dos republicanos avalia que os EUA cumprem esses princípios, enquanto a maioria dos democratas pensa o contrário /com AFP, AP e NYT

Estadão Conteúdo

Oitavas de final começam hoje com Canadá e Marrocos, Paraguai e França

Mbappé fez dois gols e chegou a 14. Klose, recordista, tem 16. Foto: FFF

Começam neste sábado (4) os jogos das oitavas de final da Copa do Mundo 2026.

A primeira partida será entre Canadá e Marrocos. As equipes se enfrentam em Houston (EUA), às 14h (horário de Brasília).

Mais tarde, às 18h, é a vez do confronto entre Paraguai e França, na Filadélfia.

Os vencedores avançam para as quartas de final e os derrotados deixam a competição. Em caso de empate no tempo regulamentar, haverá prorrogação de 30 minutos e, se necessário, disputa por pênaltis.

No domingo (5) acontecem as disputas entre Brasil e Noruega, às 17h, em Nova York. Também jogam México e Inglaterra, na Cidade do México, às 21h.

Os jogos das oitavas de final seguem até a próxima terça-feira (7). Na quinta-feira (9) começam as disputas pelas quartas de final.

Jogos deste sábado, 4 de julho

14h – Canadá x Marrocos (Houston)
18h – Paraguai x França (Filadélfia)

agência brasil