quinta-feira, 4 de junho de 2026

Datanorte notifica empresas e tenta reaver terrenos na Via Costeira

A Companhia de Processamento de Dados do RN (Datanorte) instaurou processos administrativos para reverter a titularidade de sete concessões de terrenos na Via Costeira.

Empresas que detêm as concessões dos terrenos foram notificadas e têm prazo para defesa. Foto: Alex Régis

A Companhia de Processamento de Dados do RN (Datanorte) instaurou processos administrativos para reverter a titularidade de sete concessões de terrenos na Via Costeira. A medida ocorreu após ação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) que determinou, em caráter cautelar, que as Concessões de Direito Real de Uso – iniciadas nas décadas de 1980 e 1990 – sejam retomadas pela Companhia.

As primeiras notificações foram enviadas em 4 de maio, segundo a assessoria jurídica da Datanorte. Em cumprimento à decisão cautelar proferida pelo Tribunal de Contas em março, a Companhia instaurou processos administrativos para a retomada das Concessões de Direito Real de Uso. O prazo está “aberto para apresentação de defesa pelas empresas, observados o contraditório e a ampla defesa”, diz a Companhia, que não informou quando se encerra este prazo nem quantas empresas já apresentaram defesa.

O Estado assinou termos aditivos em 2024 para redefinir os prazos de concessão nos sete casos, mas o Tribunal identificou irregularidades nos atos, como fragilidade financeira das concessionárias, possíveis problemas societários, dúvidas sobre a titularidade de áreas e uso inadequado dos imóveis públicos. A Corte recomendou a suspensão das concessões.

Nesse contexto, a Datanorte instaurou “processos administrativos individualizados destinados à retomada dos imóveis e à extinção dos vínculos concessórios, no prazo de 20 dias úteis fixado na decisão cautelar”, explica o TCE-RN.

Os processos visam à retomada dos terrenos na Via Costeira, referentes às empresas CM Empreendimentos Ltda., Costeira Palace Hotel S/A., G5 Planejamentos e Execuções Ltda., Hotel Parque das Dunas Ltda., Paulistânia Hotéis e Turismo Ltda., Zenário Costeira Ltda. e Ignez Motta de Andrade / OWL Comercial Ltda.

A Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Norte (PGE-RN) supervisiona os processos. Procurada pela reportagem, a PGE-RN recomendou a busca por informações junto à Datanorte. Por sua vez, o TCE-RN afirma que seguirá examinando os embargos de declaração (recursos) opostos à decisão cautelar.

Na sequência, a Diretoria de Controle de Contas de Gestão e Execução da Despesa Pública analisará as irregularidades apontadas. “A decisão cautelar também determinou a autuação de processos individualizados para cada empresa concessionária, o que permitirá uma apuração particularizada das condutas de cada uma delas”, afirma o TCE-RN.

Uma das empresas apresentou defesa em que busca barrar a reversão de um imóvel de 17,8 mil m². A construtora G5 Planejamentos e Execuções Ltda. protocolou defesa perante a Datanorte. A empresa alegou que a sanção, expedida via notificação extrajudicial, viola um acordo judicial já homologado pelo Tribunal de Justiça (TJRN).

Em sua decisão por suspender os atos de concessão, o TCE-RN identificou que as empresas não cumpriram obrigações contratuais, mesmo após sucessivas prorrogações ao longo de décadas. Os terrenos cedidos deveriam se destinar à construção de hotéis e equipamentos turísticos, o que não ocorreu.

Segundo o advogado André Elali, que representa a G5, alguns concessionários não conseguiram obter licenciamentos ambientais devido a recomendações recentes do Ministério Público que suspendem a emissão desses documentos.

“Algumas dessas empresas, dentre as quais algumas que são minhas clientes, ingressaram com ações judiciais [para] que os prazos das concessões só sejam contados a partir do licenciamento ambiental. Foram feitos acordos judiciais em que houve o reconhecimento de que não se podia aplicar o prazo da concessão sem que houvesse o licenciamento”, explica Elali.

As primeiras ações judiciais ocorreram nos anos 2007 e 2008. Desde então, houve diversos processos na Justiça. De acordo com o advogado, a G5 tem decisão recente que determina a concessão como válida no âmbito da Justiça Estadual. A defesa contesta a decisão liminar do TCE-RN (órgão fiscalizador) e diz que acordos no âmbito do TJRN (jurisdicional) se sobrepõem a determinações do TCE-RN.

“No nosso entendimento, essa decisão do TCE não se aplica a quem detém concessões que foram validadas em acordos judiciais homologados. É o caso da G5, que tem uma concessão há várias décadas, não conseguiu obter licença, mas diligenciou para realizar as licenças”, diz Elali.

Sobre esse entendimento, o TCE-RN afirma que “tais decisões estabilizam o processo em que foram proferidas, mas não impedem o exame da legalidade, legitimidade e economicidade dos atos pelo Tribunal de Contas”. “Apenas uma decisão judicial que tivesse enfrentado o mérito da controvérsia, com trânsito em julgado, poderia limitar a atuação fiscalizatória desta Corte”, afirmou o TCE.

Tribuna do Norte

Tradição: confecção dos tapetes de Corpus Christi mobiliza fiéis em Natal

Muito além do feriado e do simbolismo litúrgico, a data mobiliza comunidades inteiras em torno de uma tradição. Foto: Adriano Abreu

Sessenta dias após o Domingo de Páscoa, as ruas e os corredores das paróquias transformam-se em verdadeiras galerias de arte e devoção. Celebrado nesta quinta-feira, 4 de junho, o Corpus Christi, que significa “Corpo de Cristo”, é uma das solenidades mais marcantes da Igreja Católica, simbolizando a presença real de Jesus na Eucaristia. Muito além do feriado e do simbolismo litúrgico, a data mobiliza comunidades inteiras em torno de uma tradição secular: a confecção dos tradicionais tapetes ornamentados, que simbolizam a acolhida de Jesus em Jerusalém, quando as pessoas cobriram as ruas de ramos e mantos para a passagem do Messias. Na Paróquia de Nossa Senhora da Candelária, na Zona Sul de Natal, o trabalho coletivo une gerações em um momento de convivência, partilha e testemunho da fé no espaço público.

Para o chanceler da Arquidiocese de Natal e pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Candelária, padre Francisco de Assis, a confecção possui um profundo significado cultural e comunitário, sendo também uma expressão artística e uma manifestação pública da fé. “Cada desenho, símbolo e detalhe expressa a devoção do povo e sua gratidão a Deus. Além disso, essa tradição une famílias, pastorais, movimentos e toda a comunidade em um trabalho coletivo, fortalecendo os laços de fraternidade e preservando um patrimônio cultural transmitido de geração em geração. É uma forma bela de evangelizar e testemunhar a fé no espaço público”, pontua.

Pároco destaca que manter essas tradições preserva a memória da devoção e transmite seus valores às novas gerações. “Ao conservar essas tradições, não estamos apenas repetindo costumes do passado, mas renovando o compromisso de viver e testemunhar os ensinamentos de Cristo no presente, fortalecendo a identidade religiosa, cultural e espiritual do nosso povo”, pontua.

Fábio Alves, ministro da Eucaristia, destaca que todo o processo de preparação dos tapetes, desde a escolha do material até os desenhos e as cores, durou em média dois meses. Para a finalização, diversos fiéis se reuniram desde as 8h da manhã de terça-feira (2), colocando os tapetes feitos com areia tingida e sal grosso para a conclusão da moldura.

Conforme explica, a confecção é um momento em que os devotos se conectam sem distinções. “É muito boa e bonita essa união que vai das crianças aos senhores e às senhoras. Realmente é para todas as idades. Cada pessoa que tem um tempinho livre vem aqui e contribui rapidinho, faz um pouquinho do desenho e precisa sair; aí outro vem e retoma. É uma bonita mão de obra em comunhão com todas as pastorais em movimento”, pontua.

A dentista Lorena de Souza, de 32 anos, participa da confecção há 15 anos e, há pelo menos 3 anos, leva o seu filho, o pequeno Luiz Arthur, de 6 anos, para participar do momento, que, para ela, também é um momento de conexão com o divino e o amor. “Eu ensino muito a ele sobre amar e servir. Isso aqui é sobre amar e servir, a Deus e ao próximo. A comunidade se alegra e é um serviço que vai além do artístico”, afirma.

Já a autônoma Janine Pereira, de 49 anos, participa da confecção dos tapetes há mais de 10 anos, e o sentimento por executar o trabalho é de gratidão. “O significado desse trabalho é a fé que a gente tem. Estamos aqui todo ano fazendo tapetes. A comunidade toda participa de alguma forma. Quem não participa da confecção dos tapetes traz um lanche, separa as cores, e assim vamos fazendo”, revela.

O estudante de Fisioterapia Eduardo Neto, de apenas 22 anos, participou da confecção pela primeira vez e, para ele, além da partilha de fé, as pessoas também se divertem e se integram. “Acho importante porque é um trabalho para Deus. Eu cheguei à tarde depois da faculdade, dei um jeitinho e apareci hoje. Acho muito gratificante; o trabalho para Deus sempre é honroso”, destaca. Para o estudante, a conclusão da confecção dos tapetes concretiza a execução de um trabalho bem-feito. “Vai ser gratificante. Foi bem legal, deu para se divertir e se entregar por inteiro”, conclui.

Programação alusiva ao Corpus Christi

Nesta quinta-feira (4), a Arquidiocese de Natal celebra a solenidade de Corpus Christi com missas, adoração e procissões. As missas na Catedral Metropolitana ocorrem às 8h e 16h, e na Cidade Alta (N. Sra. da Apresentação) às 7h30 e 17h30. Em Ponta Negra, a paróquia principal celebra às 8h e 17h, enquanto a Vila tem missa às 16h. Em Lagoa Nova, os horários são às 16h (São Camilo) e 18h (São José de Anchieta). Já em Petrópolis (N. Sra. de Lourdes) e na Ribeira, as celebrações acontecem às 9h e 17h, respectivamente. Os horários das demais paróquias estão disponíveis no site arquidiocesedenatal.org.br.

Tribuna do Norte

53% defendem classificar PCC e CV como “terroristas”

PCC liderou rebelião na Penitenciária de Alcaçuz (RN), em 2017. Foto: Magnus Nascimento

Pesquisa PoderData divulgada nesta quarta-feira (3) aponta que, para 53% dos brasileiros, a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas é benéfica para o Brasil.

Já 33% consideram a medida ruim para o país, enquanto 14% não souberam responder, de acordo com o levantamento.

O PoderData ouviu 2.500 pessoas em 166 municípios dos 27 estados do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa foi realizada após o Departamento de Estado norte-americano anunciar, no último dia 28, a inclusão das duas facções brasileiras nas listas de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).

O enquadramento resulta em bloqueios financeiros administrados pelo Departamento do Tesouro dos EUA e impõe sanções criminais e diplomáticas, como a proibição de entrada de integrantes no país e a ilegalidade do fornecimento de recursos aos grupos.

Segundo os Estados Unidos, o PCC e o CV são considerados as organizações criminosas mais violentas do Brasil, com redes ilícitas que se estendem por toda a região e afetam a segurança nacional norte-americana.

Reações políticas

A medida foi anunciada após encontros em Washington entre o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e autoridades dos Estados Unidos, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio. O senador argumentou que os grupos controlam territórios pela força e infiltram instituições, devendo ser tratados como terroristas.

O Palácio do Planalto foi surpreendido com o anúncio. O presidente Lula (PT) afirmou que, embora as facções sejam terroristas para a sociedade brasileira e devam ser combatidas internamente, a decisão estrangeira fere a soberania nacional.

O assessor especial Celso Amorim declarou que a cooperação internacional contra a lavagem de dinheiro é bem-vinda, mas que a utilização do tema como pretexto para intervenção é inaceitável.

Tribuna do Norte

Exportações caem 50%, e RN fecha maio com balança comercial no vermelho

Apesar do resultado negativo em maio, o acumulado de 2026 permanece favorável ao RN, com um superávit de US$ 277,7 milhões. Foto: Alex Régis

A balança comercial do Rio Grande do Norte registrou déficit de US$ 3,8 milhões em maio de 2026, resultado de uma forte queda nas exportações, embora as importações tenham avançado. No mês, o Estado exportou US$ 37,9 milhões, valor 50,8% inferior ao registrado em maio de 2025, quando as vendas externas somaram US$ 77,4 milhões. Já as importações alcançaram US$ 41,7 milhões, crescimento de 11,2% em relação aos US$ 37,8 milhões importados no mesmo período do ano passado.

Diante do resultado de maio deste ano, o saldo da balança comercial potiguar passou de um superávit de aproximadamente US$ 39,6 milhões em maio de 2025 para um déficit de US$ 3,8 milhões em maio deste ano, uma deterioração de mais de US$ 43 milhões no resultado das transações internacionais do Estado.

Apesar do primeiro resultado negativo do ano, o acumulado de 2026 permanece favorável ao Rio Grande do Norte com um superávit de US$ 277,7 milhões, conforme os dados divulgados nesta quarta-feira (3) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O desempenho da balança potiguar interrompe uma sequência de superávits observada ao longo dos últimos 12 meses e representa uma mudança significativa no comportamento do comércio exterior local. O principal produto exportado pelo Rio Grande do Norte no quinto mês do ano foi o ouro, responsável por 45,7% das vendas externas. O metal precioso movimentou US$ 17,3 milhões no período e não possui base de comparação com maio de 2025, quando não houve registro de exportações do produto.

Na sequência, aparecem as frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas, com US$ 5,8 milhões (15,4% das exportações), mas com queda de 19,3%. Outros minerais em estado bruto somaram US$ 2,3 milhões e representam 5,9% das vendas externas, porém, com retração de 23,9%. Os minérios concentrados de metais de base representaram US$ 2,1 milhões (5,6%), também sem comparativo anual.

Entre os destinos das exportações, o Canadá assumiu a liderança, respondendo por 36% das vendas externas do Estado. O país importou US$ 13,6 milhões em produtos potiguares, um salto de 2.676,7% em relação a maio do ano passado.

Além do país norte americano, os principais compradores foram Países Baixos (Holanda), com US$ 3,9 milhões (10,2%) e uma alta de 127,2%; além do Marrocos que comprou US$ 1,5 milhão (3,9%) em produtos do estado, num crescimento de 1.087,6%; e da Nigéria, que somou US$ 1,1 milhão e um recuo de 56%. Já o Chile, com US$ 1 milhão (2,7%), teve alta de 1.675,3%, enquanto que o Reino Unido recuou 46,9% com seus US$ 982,5 mil, representando 2,6% das exportações potiguares.

O dado mais expressivo foi a redução das compras pelos Estados Unidos, que se apresentou como terceiro maior exportador do estado, representando 10,1% (US$ 3,8 milhões) do que é vendido pelo RN. O país deixou de adquirir cerca de US$ 26,1 milhões em produtos potiguares na comparação anual, numa redução de 87,2%. O comportamento chama atenção por indicar um movimento inverso ao das exportações: reduziu significativamente suas compras de produtos do RN, ampliou em 22,4% suas vendas ao mercado potiguar, somando US$ 3,4 milhões (8,3% das importações).

Importações crescem puxadas por combustíveis

Pelo lado das importações, os combustíveis lideraram as compras do exterior. Os óleos combustíveis derivados de petróleo e minerais betuminosos responderam por 33,9% das importações do Estado, movimentando US$ 14,1 milhões, alta de 109,2% sobre maio de 2025.

Também se destacaram o trigo e centeio não moídos, com US$ 4,9 milhões (11,8%), aumento de 87,5%; produtos residuais de petróleo e materiais relacionados, com US$ 3,7 milhões (8,8%) e crescimento de 116,7%.

Entre os fornecedores, os Países Baixos (Holanda) lideraram com folga, respondendo por 34,1% das importações potiguares, com US$ 14,2 milhões (34,1%), alta de 11.039,6%. A Argentina vendeu US$ 7,7 milhões para o estado e assumiu o segundo lugar entre os importadores, respondendo por 18,4% e um crescimento de 298,8%.

A China recuou 54,2% nas vendas para o estado, somando US$ 6,9 milhões (16,5%). Enquanto a Alemanha (US$ 2 milhões) e o México (US$ 1,5 milhão) registraram alta de 158,2% e 344,7%, respectivamente.

Acumulado

Apesar do resultado negativo de maio, nos cinco primeiros meses do ano, o Estado exportou US$ 481,3 milhões, crescimento de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025. As importações somaram US$ 203,7 milhões, alta de 1,7%. O saldo acumulado permanece superavitário em US$ 277,7 milhões, indicando que as exportações ainda superam com folga as importações no conjunto do ano.

Contudo, o histórico dos últimos doze meses mostra reversão após sequência de superávits. Os números revelam que maio foi o primeiro mês com déficit comercial desde julho de 2024, quando as exportações somaram US$ 40,4 milhões e as importações chegaram a US$ 43 milhões.

Brasil registra superávit

No cenário nacional, a balança comercial brasileira manteve desempenho positivo em maio de 2026, diferentemente do que ocorreu no Rio Grande do Norte. O país registrou US$ 32 bilhões em exportações e as importações somaram US$ 24,1 bilhões, com um superávit de US$ 8 bilhões. O número representa uma alta de 10,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o saldo positivo havia ficado em US$ 7,1 bilhões.

A corrente de comércio (soma das exportações e importações) fechou o mês em US$ 56,0 bilhões, o que corresponde a um avanço de 6,1% sobre maio de 2025, quando o montante foi de US$ 52,8 bilhões. No ano, as exportações totalizam US$ 149 bilhões e as importações, US$ 116 bilhões, com saldo positivo de US$ 33 bilhões.

No mês de maio/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores exportadores foi o seguinte: crescimento de US$ 0,73 bilhão (9,8%) em Agropecuária e de US$ 1,37 bilhão (9,0%) em produtos da Indústria de Transformação. Houve queda de US$ 0,13 bilhão (1,9%) em Indústria Extrativa.

Já comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores importadores foi o seguinte: crescimento de US$ 1,34 bilhão (6,3%) em produtos da Indústria de Transformação; queda de US$ 0,04 bilhão (7,8%) em Agropecuária e de US$ 0,1 bilhão (10,1%) em Indústria Extrativa.

Tribuna do Norte

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Comissão de Educação aprova projetos que fortalecem cultura, turismo e educação no RN

Crédito da(s) Foto(s): João Gilberto
A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Socioeconômico, Meio Ambiente e Turismo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte aprovou, nesta quarta-feira (3), uma série de projetos voltados à valorização do patrimônio histórico e cultural potiguar, ao fortalecimento do turismo, à preservação da memória coletiva e ao incentivo à educação.
 
Um dos destaques da reunião foi a aprovação de projetos que buscam preservar importantes referências da história e da identidade cultural do Rio Grande do Norte. Entre eles está a proposta do deputado Francisco do PT que reconhece o Museu Quilombola Gídeo Véio como Patrimônio Cultural e Histórico do Estado. A iniciativa contribui para a valorização da memória das comunidades quilombolas e para a preservação de tradições que ajudam a contar a história do povo potiguar.
 
A preservação do patrimônio histórico também esteve presente em diversas outras matérias aprovadas. O deputado Ivanilson Oliveira (PV) teve reconhecidos como patrimônios estaduais o Mirante das Cruzes, em Areia Branca; a Pedra do Chapéu, em Tibau; o Moinho Holandês, em Grossos; e a Pedra do Sapo, em Fernando Pedroza. As propostas ampliam a proteção desses espaços e fortalecem o potencial turístico dos municípios, estimulando a geração de renda e o desenvolvimento regional por meio do turismo sustentável.
 
Dentro da mesma perspectiva de valorização dos espaços de memória, a comissão aprovou projeto do deputado Ubaldo Fernandes (PV) que reconhece a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Macau, como Patrimônio Cultural, Religioso e Turístico do Estado. A medida reforça a importância da religiosidade como elemento de identidade cultural e de atração de visitantes para o município.
 
A proteção do patrimônio cultural potiguar também motivou a aprovação de um conjunto de projetos de autoria da deputada Isolda Dantas (PT). As matérias reconhecem como patrimônios estaduais o Teatro Sandoval Wanderley, em Natal; o Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, o Palácio da Resistência e o Casarão Lili Duarte, em Mossoró; além da Fundação Santa Luzia – Rádio Rural de Mossoró. “Os reconhecimentos representam mais um passo para a preservação de equipamentos e instituições que ajudaram a construir a história cultural e social do Rio Grande do Norte”, justificou Isolda.
 
Na mesma linha de valorização da memória e da comunicação potiguar, foi aprovado o projeto do deputado Adjuto Dias (PL) que reconhece a Rádio Rural de Natal como Patrimônio Histórico e Cultural do Estado. A iniciativa destaca a contribuição da emissora para a informação, a evangelização e a formação de gerações de norte-rio-grandenses.
 
Outro projeto que recebeu aprovação foi o do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), que reconhece o Centro Cultural Trampolim da Vitória como Patrimônio Histórico e Cultural Material e Imaterial do Rio Grande do Norte. O espaço desempenha papel fundamental na preservação da memória relacionada à participação do Estado durante a Segunda Guerra Mundial e representa um importante equipamento cultural para a sociedade potiguar.
 
Além da preservação histórica, a reunião também contemplou iniciativas voltadas ao fortalecimento das manifestações culturais populares. O deputado Francisco do PT teve aprovados projetos que reconhecem como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado o programa Forró Pela Rural, da Rádio Rural de Caicó, e o tradicional “Coco no Pé”, contribuindo para a valorização de expressões que fazem parte da identidade cultural do povo potiguar.
 
Nesse mesmo contexto, a comissão aprovou propostas do deputado Nelter Queiroz (PP) que reconhecem o Festival Bonita Rock e a Cavalgada de Sant’Ana, em Caicó, como patrimônios culturais imateriais do Estado, além da inclusão dos eventos no calendário oficial do Rio Grande do Norte. As iniciativas fortalecem tradições já consolidadas e contribuem para ampliar a visibilidade de manifestações culturais que movimentam a economia e o turismo regional.
 
O incentivo ao turismo também esteve presente na pauta com a aprovação do projeto que institui a Rota Turística Caminhos das Serras do Sertão, também de autoria de Nelter Queiroz. A proposta busca integrar municípios, valorizar atrativos naturais e culturais e criar novas oportunidades de desenvolvimento econômico para o interior do Estado.
 
Na área educacional, os parlamentares aprovaram o projeto do deputado Coronel Azevedo (PL) que garante aos estudantes das redes pública e privada o direito ao aprendizado da Língua Portuguesa de acordo com as normas cultas. A matéria reforça a importância da formação educacional e da valorização da língua como instrumento de desenvolvimento pessoal e profissional dos estudantes.
 
A comissão também avançou em pautas voltadas à sustentabilidade e à proteção social. Entre elas está o projeto da deputada Terezinha Maia (PL) que institui o Programa Estadual de Incentivo à Energia Solar para Pequenos Produtores Rurais, medida que poderá contribuir para a redução de custos no campo e para a ampliação do uso de energias renováveis no Estado.
 
Já na área da causa animal, foi aprovada a Lei Lucy, de autoria da deputada Divaneide Basílio (PT). A proposta institui a Política Estadual de Manejo Ético, Controle Populacional e Proteção dos Animais Comunitários, estabelecendo diretrizes para o cuidado responsável e para a promoção do bem-estar animal em espaços públicos e privados de uso coletivo.
 
Ao final da reunião, todas as matérias receberam aprovação unânime dos parlamentares presentes, evidenciando o consenso em torno de iniciativas que preservam a memória do Estado, fortalecem a cultura, incentivam o turismo, promovem a educação e contribuem para o desenvolvimento social e econômico do Rio Grande do Norte.