domingo, 5 de julho de 2026

Prisão alivia luto pela noite da Tragédia do Baldo

Murilo Barros Júnior tinha 22 anos à época do crime. Ele estava na festa com amigos. Foto: Léia Ventura

O acidente que marcou o Carnaval de Natal, conhecido como a “Tragédia do Baldo”, completou 42 anos em 2026 com outro evento: a prisão do motorista Aluízio Farias Batista, que ocorreu em 26 de junho. Ele conduzia o ônibus que atropelou foliões e integrantes de uma banda musical que participavam de uma prévia carnavalesca. O sinistro resultou na morte de 19 pessoas e deixou 12 feridos, além de toda uma cidade traumatizada. A prisão reativou memórias de sobreviventes e parentes de vítimas, aliviando o luto pela noite mais trágica da festa de Momo na capital potiguar.

O advogado e professor universitário Murilo Barros Junior, 63, é um dos sobreviventes da tragédia. Aos 22 anos, Murilo saiu com amigos para comemorar os 10 anos do bloco Puxa Saco, em fevereiro de 1984. Ele conta que o cortejo do bloco partiria do Alecrim em direção à Praia dos Artistas. Os foliões brincavam o Carnaval nas proximidades do viaduto do Baldo, no centro histórico de Natal, quando um ônibus em alta velocidade interrompeu a folia.

“Eu estava com uma menina chamada Verônica, dançando na frente da banda. Por que eu estava na frente da banda? Não sei. Foi a minha sorte. Na hora que a gente estava descendo a ladeira, eu olhei e o viaduto estava cheio de gente. Aí eu disse: ‘Olha, Verônica, isso aqui tá parecido com as campanhas eleitorais’. É a única coisa que eu lembro que disse. Quando eu acordei foi no hospital”, relata.

Do acidente, restam-lhe cicatrizes e poucas memórias. Murilo perdeu dois amigos, Dinarte Mariz Neto e Simone Banhas. Dinarte foi colega de escola, e Simone era filha de amigos da família de Murilo. A maioria dos 19 mortos era da banda de música.

“A justiça tarda, mas não falha”. Esse ditado popular resume o sentimento da família de Dinarte Mariz Neto, que morreu aos 18 anos, sobre a prisão de Aluízio, 69, condenado a 21 anos de reclusão em regime fechado. A dor que atravessa a família há décadas recebeu um “alívio” com a prisão, que ocorreu no estado do Mato Grosso, em ação das Polícias Civis do Rio Grande do Norte e de MT.

“Senti um alívio grande quando eu soube dessa prisão. Por todos que se foram. Por todas essas famílias que perderam [entes]. Foram anos de sofrimento, mas hoje é um alívio. E eu tenho certeza que meus pais estão mais descansados agora, depois que souberam. A justiça foi feita”, diz Elizabeth Mariz, 66, irmã de Dinarte.

Ela conta que no dia o irmão quase desistiu de curtir o bloco para ir a uma boate com um primo. “Eu fiquei em casa com uma prima, assistindo a um filme. Mais tarde da noite o telefone tocou e eu atendi. Era um primo do meu pai. Ele disse: ‘Dinarte Mariz está aí?’ Eu disse: ‘Não, Paulo, ele foi para um negócio de um Carnaval’. Aí ele disse: ‘Pelo amor de Deus, houve um acidente horrível, morreu muita gente’”, lembra.

Nesse momento ainda não tinham certeza se Dinarte, que era estudante de Engenharia Civil, tinha sido uma das vítimas. Os pais dele estavam viajando; o avô, o ex-senador Dinarte Mariz, estava em Brasília. Avisados da morte, os familiares conseguiram um avião com Paulo Maluf e vieram a Natal se despedir do jovem.

“Isso acabou com a nossa família. Esse homem [Aluízio] não sabe quantas famílias ele acabou”, afirma Elizabeth. Dinarte era “muito da paz”, diz a irmã. Pouco depois da morte do neto, Dinarte Mariz morreu. A partir de então, o espírito festivo da família e as reuniões no Natal e no Carnaval esmoreceram.

Transformações da festa de Momo

“Naquela época o Carnaval de Natal era diferente. Era dividido nos carnavais de escola de samba, de tribos de índio, de pastorinhos e de blocos de elite, como Puxa Saco, Saca Rolha, Baculejo e Ressaca”, diz Murilo Barros Junior. Segundo ele, as pessoas passavam o ano vendendo rifas para custear a fantasia do bloco e os assaltos carnavalescos, quando os foliões ocupavam casas.

Na madrugada do dia 25 de fevereiro de 1984, Murilo foi um dos foliões presentes no momento mais trágico do Carnaval natalense. Ele lembra que o viaduto do Baldo estava repleto de gente esperando o bloco passar. Alguns iam se juntar na “pipoca”, como hoje são conhecidas as pessoas que não são originalmente do bloco.

O motorista do ônibus passou em alta velocidade e atingiu os foliões. Na época, lembra Murilo, Aluízio relatou que estava trabalhando havia 24 horas e estava cansado. Segundo reconstrução dos fatos, houve colisão entre o ônibus e um Fusca estacionado antes de o veículo sair do controle e avançar contra o grupo que participava do desfile. Murilo foi atingido, bateu a cabeça e desmaiou. “Só lembro quando acordei que estavam minha mãe, minha avó e uma enfermeira me limpando. Acordei perguntando onde eu estava.”

Inicialmente, a família escondeu a gravidade do que aconteceu a Murilo. Ele ficou um dia no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel e depois foi para casa, onde recebeu visitas. Ninguém lhe dizia o que aconteceu, até que ele pediu que um amigo comprasse a edição de domingo da TRIBUNA DO NORTE. A manchete do jornal no dia era “Tragédia na abertura do carnaval de Natal. Ônibus atropela bloco. 19 MORTOS”.

Foi nessa ocasião que Murilo soube do acidente, que vitimou dois amigos próximos e mais 17 pessoas. Hoje, Murilo fala no assunto com naturalidade. Sobre a prisão do motorista, ele elogia o trabalho da polícia, mas reconhece que demorou.

“Eu sinto muito, porque acho que foi feita justiça nesse sentido, mas tenho a impressão de que a forma com que foi feita demorou muito. É tipo: a justiça tarda, mas não falha, mas é melhor que ela não tarde.”

Conforme os relatos, depois do acidente, Aluízio fugiu após abandonar o veículo sem acionar o freio de mão. O ônibus quase retornou e atingiu mais pessoas, não fosse uma pessoa que saltou no veículo e acionou o freio. O motorista ficou foragido por mais de 40 anos.

“Em termos de evento, isso foi um divisor de águas. Não teve mais carnaval aqui. Isso parou por muito tempo”, diz Murilo. Em vez do Carnaval de rua, os natalenses passaram a ir para as praias do litoral potiguar. “Agora é que está voltando aos poucos a economia carnavalesca da cidade de Natal. Trinta anos depois, voltaram os blocos, com uma nova roupagem.”

João Maria Marques da Silva, 62, namorava uma das integrantes da escola de samba que estava no ônibus. Ele vinha em um carro depois do veículo com fantasias da escola e viu o resultado do acidente. “Na hora em que passei, o desmantelo já tinha acontecido. Segui direto”, lembra. João viu muito sangue e as vítimas no chão.

“Natal parou. Começaram a sair as reportagens: disseram que morreram 18, depois 17, depois 15… O pessoal foi recontando. Teve até um colega meu, chamado Walter, que ficou no meio dos mortos. Foi descoberto no Walfredo que o cara estava vivo e o resgataram do meio dos corpos. Depois daquilo, o Carnaval de Natal acabou”, afirma.

Augusto Azevedo viu a tragédia e virou promotor do caso. Foto: Fernando Azevêndo

Da noite da tragédia até o júri popular

Augusto Azevedo, 61, foi de folião prestes a entrar como “pipoca” naquela madrugada a promotor do caso, décadas depois. Ele foi o promotor do júri popular, em 2009, em que Aluízio foi julgado e condenado pelo crime de homicídios duplamente qualificados.

“Eu estava ali, uma rua na frente, esperando exatamente esse bloco passar. Quando chegou a notícia de que tinha acontecido a tragédia, eu desci”, conta. “Eu tinha 19 anos. Vi aquela situação horrível. Pedaços de instrumentos… Passa o tempo, me torno promotor de justiça e venho trabalhar na vara do júri, quando chega o julgamento do Aluízio.”

O motorista foi julgado à revelia, porque estava desaparecido. Augusto Azevedo explica que a pena de Aluízio não prescreveu mesmo após 42 anos. “[O processo] transitou em julgado, ele não recorreu, nada. Nesse instante, você tem a interrupção do prazo de prescrição.”

“Há regras processuais e penais que levam à suspensão do prazo de prescrição e à interrupção desse prazo”, diz. A condenação proferida em maio de 2009 somente prescreveria em 2029.

Um crime de trânsito geralmente se enquadraria na modalidade culposa, mas o júri popular entendeu que houve dolo eventual. “Dolo também é quando eu assumo o risco do resultado. Se eu pego um ônibus, àquela altura, vejo que tem uma multidão na minha frente e acelero esse ônibus com raiva porque estava sendo atrapalhado, assumo o risco do que aconteceu”, explica o promotor.

Sobre o tempo decorrido no processo, ele avalia que fica um “recado positivo”. “Vivemos num mundo em que a descrença na justiça é muito grande. Como cidadãos, estamos à mercê de muita coisa. E, quando acontece uma situação dessa, é um exemplo de que é possível que a justiça seja feita, ainda que tardiamente, como diz o ditado.”

Fernando Azevêdo/Repórter

Tribuna do Norte

Pedro Filho reúne apoiadores em Pau dos Ferros e lança pré-candidatura a deputado federal

O pré-candidato a deputado federal Pedro Filho (PL) deu mais um importante passo na consolidação de seu projeto político ao realizar, neste sábado (04), o lançamento oficial de sua pré-candidatura em Pau dos Ferros, no Alto Oeste potiguar. O evento reuniu lideranças políticas, apoiadores e representantes de diversos segmentos da região.

Entre as autoridades presentes esteve a vereadora de Natal Camila Araújo, que prestigiou o ato ao lado de importantes lideranças locais, como os suplentes de vereador Pastor Junhão, Janaína, Sofia e o professor Valderi, todos apoiadores do projeto político de Pedro Filho na região.

O encontro foi marcado por manifestações de apoio e pela defesa de uma representação mais forte para o interior do estado na Câmara dos Deputados. Durante o evento, Pedro Filho reafirmou o compromisso de construir um mandato municipalista, voltado para o fortalecimento das cidades, a geração de oportunidades e a defesa de pautas ligadas à família, à liberdade e ao desenvolvimento do Rio Grande do Norte.

"É uma alegria iniciar essa caminhada agora também em Pau dos Ferros, uma cidade que representa a força do Alto Oeste. Nosso projeto cresce porque é construído ouvindo as pessoas, dialogando com as lideranças e apresentando propostas para transformar a realidade dos municípios. Quero ser a voz do interior em Brasília e trabalhar para que todas as regiões do nosso estado sejam valorizadas", destacou Pedro Filho.

Vereador em Assú e líder evangélico, Pedro Filho é defensor de pautas que valorizam a família, à geração de emprego e renda e fortalecem o turismo.

Reencontro com a história: Brasil e Noruega voltam a se enfrentar em Copas do Mundo

Mais que quebrar um tabu histórico diante dos escandinavos, a Seleção Brasileira tentará confirmar sua condição de favorita. FOTO RAFAEL RIBEIRO

Vinte e oito anos depois do único encontro entre as duas seleções em uma Copa do Mundo, Brasil e Noruega voltam a se enfrentar em um duelo eliminatório que promete ser um dos mais interessantes das oitavas de final do Mundial de 2026. A bola rola neste domingo (5), às 17h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, valendo uma vaga entre os oito melhores da competição.

Embora a Seleção Brasileira entre em campo com o peso de cinco títulos mundiais e o favoritismo natural de quem disputa mais uma fase decisiva, existe um dado histórico que chama atenção: o Brasil jamais venceu a Noruega. Em quatro confrontos disputados desde 1988, foram dois empates e duas vitórias dos europeus. O episódio mais marcante aconteceu justamente na Copa do Mundo da França, em 1998, quando os noruegueses venceram por 2 a 1, de virada, na última rodada da fase de grupos. Foi a única derrota brasileira naquela campanha que terminaria com o vice-campeonato diante da França.

Apesar do retrospecto desfavorável, o momento das duas seleções é bastante diferente. O Brasil chega às oitavas após uma classificação dramática contra o Japão, decidida apenas nos acréscimos com um gol de Gabriel Martinelli. A atuação reforçou a capacidade de reação da equipe de Carlo Ancelotti, mas também evidenciou a necessidade de maior consistência defensiva e criatividade ofensiva diante de adversários mais qualificados.

Do outro lado estará uma Noruega que disputa sua primeira Copa do Mundo desde 1998 e que rapidamente voltou a chamar a atenção do cenário internacional. O principal motivo atende pelo nome de Erling Haaland. Artilheiro da seleção, o atacante marcou cinco dos dez gols noruegueses na competição e representa a principal ameaça à defesa brasileira. Ao seu lado, jogadores como Martin Ødegaard e Antonio Nusa dão qualidade à criação das jogadas, tornando a equipe muito mais do que um time dependente de seu centroavante. Em contrapartida, os números mostram uma defesa vulnerável: são oito gols sofridos em quatro partidas, média de dois por jogo.

Historicamente, a balança pesa de forma esmagadora para o Brasil quando o assunto é mata-mata de Copa do Mundo. A Seleção disputou dezenas de confrontos eliminatórios ao longo de sua história, conquistando cinco títulos mundiais e chegando frequentemente às fases finais. A Noruega, por sua vez, disputa apenas sua terceira Copa do Mundo e tenta alcançar, pela primeira vez, as quartas de final do torneio. Sua única participação anterior em um mata-mata terminou justamente em 1998, quando foi eliminada pela Itália nas oitavas.

O confronto reúne duas características bastante distintas. O Brasil aposta no talento individual, na posse de bola e na experiência de jogadores acostumados a decisões. A Noruega, por outro lado, apresenta um futebol vertical, de transições rápidas e forte aproveitamento ofensivo, especialmente quando Haaland encontra espaço para finalizar.

Mais do que quebrar um tabu histórico diante dos escandinavos, a Seleção Brasileira tentará confirmar sua condição de favorita e manter vivo o sonho do hexacampeonato. Mas a história do confronto mostra que subestimar a Noruega nunca foi uma boa ideia. Se em 1998 ela surpreendeu o mundo ao derrotar o Brasil, agora tentará escrever um novo capítulo. À equipe de Carlo Ancelotti caberá impedir que a história se repita.

Vini Júnior é a maior aposta de Ancelotti

A esplendorosa fase de Vinicius Jr., que, com quatro gols e uma assistência, aparece entre os grandes candidatos à Chuteira de Ouro adidas nesta Copa do Mundo da FIFA mostra um percurso que até aqui confirma duas previsões. A primeira, a mais repetida por Carlo Ancelotti desde o primeiro dia de preparação para o torneio: que o time cresceria jogo. E como cresceu. A segunda? A explosão do futebol de Vinicius no reencontro do técnico que o ajudou a conquistar o prémio de melhor do mundo.

Esse Vinicius “impossível” de se conter não é algo que desponta na Seleção só por causa de resenhas e do apoio do italiano. Que é excelente no manejo dos jogadores, mas também tem em sua abordagem camaleônica um grande trunfo para triunfar em mata-matas.

“Ele é o melhor técnico do mundo e consegue entender muito bem os jogadores que ele tem e se adapta. Ele sempre vai dar uma melhor formação para cada equipe”, afirmou o atacante.

Vinicius reconhece que vive seu melhor momento com a Seleção e é sincero ao comparar o desempenho de hoje com as atuações antes da chegada ao Mundial.

“Estou me sentindo muito bem, consegui evoluir, porque nesse ano com a Seleção eu passei por momentos em que não mostrei meu futebol, e nada melhor do que marcar mais dois gols nesse cenário”, disse.

Marquinhos, o capitão, reforça a ideia de crescimento gradual e apontando o que julga ser o ponto-chave: “Estamos deixando para trás a filosofia que temos em nossos clubes e focando na filosofia que precisamos ter aqui na Seleção.”

No final das contas, é uma mudança cultural que vai sendo realizada em um curto período. De comportamento e leitura de jogo com ou sem a bola. Ancelotti e seu jogadores esperam que a curva de aprendizado continue agora que o Brasil chegou ao mata-mata. Como lembrou o capitão, vêm por aí uma final atrás da outra. “E a gente não pode achar que já fez o nosso trabalho. Temos de melhorar.”

Haaland: Sinônimo de gols há várias temporadas
Faz quase dois anos que todos os jogos de competições disputados por Erling Haaland pela Noruega terminam com pelo menos uma comemoração de gol do centroavante do Manchester City.

Apesar de já ter sido duas vezes artilheiro da Liga dos Campeões da UEFA e de ter três troféus de goleador da Premier League inglesa no currículo, o camisa 9 costuma mostrar sua faceta mais decisiva quando defende o país escandinavo.

O adversário do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA 2026™ marcou em todos os últimos 13 jogos válidos por Liga das Nações, eliminatórias e Mundial com a camisa norueguesa.

Depois que passou em branco na derrota por 5 a 1 para a Áustria, em outubro de 2024, Haaland balançou as redes de Eslovênia, Cazaquistão, Moldávia, Israel, Itália, Estônia, Iraque, Senegal e Costa do Marfim, os três últimos já na Copa.

Ao longo desse período todo, Haaland só não marcou nos empates contra Suíça, em março, e Marrocos, no começo do mês passado. Mas as duas partidas não “valiam pontos”, eram amistosos.

Considerando a carreira toda, o centroavante tem mais gols (60) do que jogos (53) pela Noruega. Apesar de ter só 25 anos, ele já é o maior artilheiro da história da sua seleção.

Seleção tem outro trunfo: Passes de Bruno Guimarães

Um atleta responsável por organizar as jogadas, como se regesse uma orquestra, mas com posicionamento mais recuado que o meia-armador convencional. De forma bem resumida, este é o “regista”, termo oriundo do futebol italiano, justamente a escola de Carlo Ancelotti.

Não à toa, os trabalhos de sucesso do treinador em clubes sempre tiveram jogadores fundamentais para a função, como o alemão Toni Kroos no Real Madrid (Espanha) e o compatriota Andrea Pirlo no Milan (Itália). Este último, inclusive, atuava no ataque e foi transformado em “regista” pelo próprio Ancelotti.

No Brasil, o italiano encontrou em Bruno Guimarães o “regista” ideal. Se ainda não balançou as redes nesta Copa, o volante já distribuiu quatro assistências, sendo o atual líder da estatística. Foi dele o passe que achou o atacante Gabriel Martinelli em meio à marcação do Japão para marcar o gol da vitória por 2 a 1 em Housto, que classificou a seleção brasileira às oitavas de final.

No século XXI, Bruno é apenas o quarto jogador a chegar a quatro assistências na mesma Copa do Mundo.

Tribuna do Norte

Seleção de Cabo Verde é recebida com festa após campanha histórica na Copa do Mundo

Foto: Reprodução

A seleção masculina de Cabo Verde foi recebida com festa por milhares de torcedores neste domingo (5), na Cidade da Praia, capital do país, após a participação inédita na Copa do Mundo. A equipe desembarcou no Aeroporto Internacional Nelson Mandela, onde foi homenageada em uma recepção organizada pela Federação Cabo-verdiana de Futebol.

A chegada da delegação coincidiu com as comemorações pelos 51 anos da independência de Cabo Verde, celebrada em 5 de julho. Torcedores acompanharam a recepção para homenagear os jogadores pela campanha no torneio, considerada histórica para o futebol cabo-verdiano.

A seleção foi eliminada nas oitavas de final na última sexta-feira (3), ao ser derrotada pela Argentina por 3 a 2, em uma partida equilibrada. Apesar da eliminação, a equipe encerrou sua participação com reconhecimento da torcida pelo desempenho na competição.

Esta foi a primeira vez que Cabo Verde disputou uma edição da Copa do Mundo. A classificação para o torneio representou um marco para o futebol do país, que celebrou a campanha mesmo após a despedida da competição.

Tribuna do Norte

Projeto leva educação e formação profissional a adolescentes da Fundase no RN

Em 102 encontros e 362 horas de atividades, são realizadas oficinas de alfabetização, letramento matemático, entre outros. Foto: Alex Régis

A primeira liberdade foi de papel. Antes de qualquer carteira assinada, antes da promessa de uma profissão, antes mesmo de falar em futuro, adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa no Rio Grande do Norte pediram para soltar pipas. Tinham acabado de construí-las numa oficina de letramento matemático da UFRN. Aprenderam diagonais, área, perímetro, figuras planas. Ali, por meio da lição de geometria, se materializou o desejo de ver alguma coisa feita por eles ultrapassar os muros. O projeto “Aprendizagens para o mundo do trabalho”, executado pelo Centro de Educação da UFRN, financiado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT/RN), chegou a cinco unidades da Fundase/RN entre 2025 e 2026 e atendeu 226 adolescentes.

A proposta era aproximá-los da educação e profissionalização. Davi (nome fictício) estava entre eles. Aos 16 anos, cumpria medida socioeducativa e carregava uma relação antiga com a escola. No caso dele, não era falta de vontade, mas sim vergonha. Vergonha de não entender o que os outros pareciam entender. Parou de estudar no sexto ano, com 10 anos. Nas oficinas do projeto, voltou a encostar nas letras e nos números por outro caminho, desenhando pipas e quadras de futebol. Assim, descobriu que a matemática também podia nascer das coisas que conhecia.

Na escola, Davi lembra mais dos colegas e da bola do que das aulas. Gostava de educação física, de jogar como atacante, de fazer gol. Fora dali, a vida foi estreitando o campo. O pai morreu quando ele ainda era criança, a mãe sustentou a casa, os conselhos da família chegavam antes que ele soubesse escutá-los.

“Minha mãe, minha irmã, sempre falam para eu sair dessa vida, mudar de vida, voltar a estudar”, recorda. Quando entrou no sistema socioeducativo, já tinha deixado a sala de aula. Dentro da unidade, sonha em cursar medicina e diz ter reencontrado uma forma de olhar para si: “Entrei aqui um menino rebelde. Agora vou sair com outra mente.”

Ele fala baixo, às vezes tropeça nas palavras, como quem ainda procura um jeito de dizer o que sente sem transformar a própria dor em defesa. O arrependimento aparece sem discurso pronto. “Aqui dentro não é muito bom, não. Mas dá para refletir e assumir o erro”, diz.

Projeto leva educação e formação profissional a adolescentes da Fundase no RN

O projeto que encontrou Davi não começou pela pergunta sobre qual profissão aqueles adolescentes poderiam exercer. Começou antes, no ponto em que muitas trajetórias escolares já tinham sido quebradas. Ao longo de 102 encontros e 362 horas de atividades, oficinas de alfabetização, letramento matemático, arte, cultura, corpo e movimento, direitos humanos, cuidado e responsabilização tentaram recompor uma ponte antiga entre aprender e existir no mundo.

A escolha das oficinas não veio pronta da universidade. “Não fizemos um trabalho para eles. Todo o trabalho foi desenvolvido com eles”, resume Cláudia Kranz, coordenadora do projeto na UFRN. Antes de levar conteúdos às unidades, a equipe ouviu adolescentes, gestores e profissionais da Fundase.

Essa metodologia fez a matemática perder a aparência de “castigo”. “Não ia sair da cabeça de um professor universitário ‘vamos trabalhar com pipa’. A pipa era o interesse deles, a partir do interesse desse aprendiz é que os conhecimentos são mobilizados”, explicou Kranz. Para ela, o conteúdo, assim, deixava de ser distante, “asséptico, tecnicista”, e passava a ter pertencimento.

O efeito não apareceu apenas nos cadernos. Segundo a equipe da UFRN, adolescentes que costumavam circular algemados passaram, nos dias de oficina, a ser conduzidos sem algemas.

Davi (nome fictício) é um dos integrantes do projeto. Ele parou de estudar aos 10 anos, mas recentemente voltou a ter contato com o conhecimento. Foto: Alex Régis

Trabalho como ressocialização

Para o presidente da Fundase, Herculano Campos, essa é a fronteira que separa a socioeducação da prisão. A medida responsabiliza, mas deve partir da ideia de que o adolescente ainda está em formação. “No sistema prisional, o objetivo é fazer com que a pessoa seja punida pelo crime cometido. No sistema socioeducativo, voltado para adolescentes, a gente parte do princípio de que o adolescente está em processo formativo. O objetivo do sistema é possibilitar rever o projeto de vida”, descreve Campos.

Na avaliação da subprocuradora-geral do Trabalho Ileana Neiva, a primeira aprendizagem necessária não é técnica. Antes de formar eletricistas, costureiros, programadores ou trabalhadores autônomos, é preciso lidar com adolescentes que chegaram ao sistema depois de sucessivas negações de direitos. “A aprendizagem por si só é um meio interessante se vier acompanhada desse letramento em direitos humanos”, afirma.

Para ela, o trabalho ocupa lugar central na vida social. É por ele, muitas vezes, que alguém é reconhecido, apresentado, aceito. Mas, para os adolescentes da Fundase, o caminho até o mundo do trabalho passa por uma pergunta anterior: como falar de profissão a quem teve a escola interrompida, a infância atravessada pela pobreza e o sonho limitado pelo território onde nasceu?

“Muitas vezes tem uma barreira do sonho. A comunidade em que ele vive é tão pobre que ele só consegue se identificar também com profissões que reproduzem a pobreza”, descreveu Neiva. Para ela, a socioeducação precisa romper essa barreira sem apagar a responsabilização pelo ato cometido. “Aquele erro não pode significar toda a vida deles. Eles podem ressignificar a vida e não serem definidos por aquele erro.”

Essa barreira, segundo Cynara Ribeiro, vice-coordenadora do projeto, também é uma barreira do olhar. A sociedade costuma enxergar primeiro o ato infracional, não a vida anterior a ele. “A educação é uma porta que pode abrir a vida desses sujeitos para horizontes aos quais eles muitas vezes não tiveram acesso antes”, ressaltou Ribeiro.

O passo seguinte é transformar essa aprendizagem de base em formação técnico-profissional. Segundo Ileana Neiva, uma nova etapa está prevista com recursos do MPT e participação da UFRN e do Sistema S. A ideia é avançar para cursos práticos, como corte e costura, a partir das habilidades identificadas nas oficinas.

Mesmo quando a profissionalização chegar, outro muro permanecerá de pé. É o estigma. “Se a sociedade não os receber sem discriminação, nosso trabalho não vai ser efetivo”, afirma Ileana. O MPT defende que contratos públicos incluam cotas para aprendizes e egressos, e que empresas privadas aceitem dar oportunidade a quem passou por processos de responsabilização. O problema é que, fora das unidades, o ato infracional costuma continuar funcionando como sentença.

Davi ainda não sabe o tamanho exato do caminho entre a unidade e a medicina. Por meio do projeto, a escola deixou de ser o lugar da vergonha. Virou pipa.

No dia em que os adolescentes pediram para soltar as pipas, a liberdade ainda não era deles. Era de papel, com palitos e linha. Mas tinha sido construída por suas próprias mãos. E, por alguns minutos, antes que alguém voltasse a chamá-los pelo erro, ela voou livre.

Jessyanne Bezerra/Repórter

Tribuna do Norte

1º semestre tem volume de chuvas acima da média

Foto: Elisa Elsie

Natal encerrou o primeiro semestre de 2026 com um volume de chuvas 23,2% acima da média histórica para o período. Entre janeiro e junho, foram registrados 1.381,6 milímetros de precipitação, enquanto a média dos últimos 22 anos é de 1.121,3 milímetros. Os dados são da Defesa Civil Municipal, com base em medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O acumulado representa 260,3 milímetros a mais do que o esperado para os seis primeiros meses do ano e coloca 2026 entre os períodos mais chuvosos da série histórica iniciada em 2003. O levantamento considera apenas os anos com medições consistentes, desconsiderando períodos que apresentaram falhas de registro.

O cenário exigiu atuação permanente das equipes da Prefeitura ao longo do semestre. Serviços de limpeza da rede de drenagem, monitoramento de áreas suscetíveis a alagamentos, operação de bombas de drenagem, vistorias preventivas e atendimento às ocorrências provocadas pelas chuvas fizeram parte das ações desenvolvidas para reduzir os impactos do período chuvoso.

Na avaliação do prefeito Paulinho Freire, o comportamento das chuvas registrado neste primeiro semestre confirma a necessidade de manter investimentos permanentes em infraestrutura e prevenção.

“Os números mostram que Natal enfrentou um primeiro semestre com chuvas muito acima da média histórica. Isso exige planejamento, equipes preparadas e investimentos contínuos para que a cidade responda da melhor forma possível”, afirmou.

À frente da Defesa Civil Municipal, a secretária de Segurança Pública e Defesa Social, Samara Trigueiro, explica que o volume de precipitações registrado neste primeiro semestre exigiu acompanhamento permanente. “Quando enfrentamos um período com chuvas acima da média, o monitoramento precisa ser contínuo”, afirmou.

Como prevenção, entre as ações executadas pela Seinfra está a limpeza de mais de 520 quilômetros da rede de drenagem da capital. O trabalho resultou na retirada de aproximadamente 57 mil toneladas de resíduos, na limpeza de 5.755 bocas de lobo e de 953 poços de visita, além da identificação de 273 ligações clandestinas de esgoto que comprometiam o funcionamento do sistema.

A secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, explica que a manutenção preventiva da rede de drenagem é um trabalho permanente.

“Quando o volume de precipitação supera o esperado, toda a infraestrutura de drenagem passa a operar sob maior demanda. Por isso, a manutenção contínua da rede é essencial. A limpeza de galerias, bocas de lobo e poços de visita aumenta a capacidade de escoamento e reduz os riscos de alagamentos”, explicou.

Tribuna do Norte

Empresas juniores se destacam no RN e ampliam impacto econômico

Roberta Mattos, 21 anos, é a presidente da Produtiva Júnior, empresa do curso de Engenharia de Produção da UFRN que projeta um faturamento de R$ 1,2 milhão em 2026. Foto: Alex Régis

Formadas e geridas por estudantes universitários, as empresas juniores (EJs) funcionam como uma ponte entre a sala de aula e o mercado de trabalho, permitindo que os alunos apliquem na prática o conhecimento adquirido e desenvolvam habilidades profissionais que se aproximem da dinâmica real do empreendedorismo. No Rio Grande do Norte, essas empresas têm estimulado os jovens a criar soluções que impactam diretamente a sociedade e movimentam a economia local. Enquanto para algumas delas o faturamento ainda é considerado tímido, para outras, a receita bruta já ultrapassa R$ 1 milhão.

É o caso da Produtiva Júnior, empresa do curso de Engenharia de Produção da UFRN, fundada em 2009 e que atua em três áreas: financeira, gestão estratégica e produção. Ao todo, a empresa conta com 48 membros e atende a cerca de 25 clientes, especialmente de Natal e do interior. “Mas já atuamos em estados como Minas Gerais e São Paulo”, conta a presidente e diretora de gestão de pessoas da Produtiva, Roberta Mattos, de 21 anos. Ela explica que os serviços são personalizados, com prazo que varia entre oito meses e um ano, ou duram seis meses, nos casos de consultoria, para acompanhamento dos clientes.

“Nosso foco é ajudar empresas do varejo ou prestadores de serviços de diversas áreas, como saúde, administração, advocacia e setor hospitalar, entre outras, com precificação e gerenciamento financeiro, planejamento e estratégias de engajamento dos colaboradores nas organizações, além de mapeamento e indicadores de produção. Para este ano, nossa meta é alcançar um faturamento de R$ 1,2 milhão, levemente acima das receitas de 2025, que já ficaram acima de R$ 1 milhão”, afirma Roberta, que está no 4º período de Engenharia de Produção, na UFRN.

A Apex Empreendedorismo e Soluções Jurídicas, do curso de Direito da UERN, em Mossoró, por sua vez, projetou um faturamento bem mais tímido para este ano — R$ 14 mil —, mas o volume já foi ultrapassado em abril, quando chegou a R$ 17 mil. Criada em 2019 e federada em 2021, a empresa conta com 16 colaboradores e atende a 10 clientes.

“No ano passado, tínhamos apenas dois. Então, o número de clientes atual representa uma grande conquista. Trabalhamos com assessoria jurídica, mas, como somos estudantes, não podemos realizar atividade de advocacia”, explica Rhommel Liberato, de 20 anos.

Rhommel é aluno do 4º período de Direito da UERN de Mossoró e presidente da Apex. “Nossa atuação se dá fora da prática litigiosa, em contratos, registro de marca, consultoria e regularizações. Temos clientes aqui do estado, em cidades como Mossoró e Pau dos Ferros, e também de fora, do Paraná”, relata Liberato.

Anne Viana e Luana Sousa estão à frente da empresa 59mil. Foto: Alex Régis

Já a 59mil, do curso de Publicidade e Propaganda (P&P) da UFRN, atua com assessoria de comunicação. Anne Viana e Luana Sousa, ambas de 20 anos, são presidente e vice-presidente da empresa, respectivamente.

Com projeção de faturar R$ 135 mil em 2026 — no ano passado, o faturamento foi de R$ 120 mil —, a EJ conta com um quadro gestor exclusivamente feminino e 24 colaboradores, que atendem a cerca de 20 clientes, com prestação de serviços voltados à área de publicidade e comunicação para empresas e profissionais autônomos. “Fazemos a gestão de redes sociais, atualização de sites e produção fotográfica”, conta Anne, que está no 4º período de P&P da UFRN.

“Nossos colaboradores chegam à empresa, geralmente, no início do curso. Então, é feita uma trilha de capacitações para ensinar montagem de identidade visual e uso de ferramentas específicas para o nosso trabalho”, aponta Luana, do 5º período de P&P.

Equipe da Apex Empreendedorismo e Soluções Jurídicas, de Mossoró. Foto: Alex Régis

Preocupação social agrega valor às empresas
Uma empresa júnior é uma associação civil sem fins lucrativos, na qual todo o faturamento é revertido em investimentos, como a formação dos estudantes dentro da própria EJ. Além de estimular o empreendedorismo, as empresas têm agregado valor com iniciativas voltadas à responsabilidade social. Nesse aspecto, a Nexum Consultoria Jurídica, do curso de Direito da UnP, se destaca. Criada em 2022, a empresa possui cerca de 20 clientes e tem projeção de faturamento de R$ 11 mil para 2026.

“Auxiliamos em aberturas de empresas, com serviços como registro de marca e CNPJ, e revisão de contratos”, relata Yasmin Alves, de 21 anos, presidente e diretora Comercial e de Marketing da Nexum. Além do trabalho de assessoria junto aos clientes, a EJ possui um projeto de retificação de nome, o Nomear, para pessoas transexuais.

“A ideia desse projeto nasceu junto com a Nexum, mas saiu do papel apenas em 2024 e, no ano passado, tivemos as primeiras pessoas contempladas para fazer a retificação. Estamos com oito processos em andamento, cuja retificação foi aprovada. Todo o acompanhamento é feito de forma gratuita”, descreve.

Yasmin está no 7º período de Direito da UnP. Apesar da atuação no estado, estar em uma empresa júnior tem seus desafios. Maria Luyzza Trindade, de 20 anos, é gerente comercial da Nexum. Para ela, uma das dificuldades mais visíveis é o reconhecimento da qualidade dos serviços prestados pelas EJs. “Um importante desafio é conseguir clientes, porque a maioria das pessoas não conhece o Movimento de Empresas Juniores (MEJ) e, muitas vezes, não dá credibilidade ao nosso trabalho”, afirma.

E foi para ajudar a encarar os contratempos de maneira assertiva que em 2010 surgiu a Federação das Empresas Juniores do Rio Grande do Norte (RN Júnior), dedicada também a representar, regulamentar e fomentar o crescimento das empresas juniores no estado. Hoje, a federação supervisiona 64 EJs de diversas instituições públicas e privadas de ensino superior no estado — entre elas, UFRN, Ufersa, UERN, UnP e UNI-RN —, de 45 cursos, que somam 1,2 mil jovens em formação.

“Nosso objetivo é fomentar o MEJ no estado, formando pessoas por meio da vivência empresarial. O movimento surge diante de um gargalo dentro das universidades, que é justamente a vivência do empreendedorismo na prática”, explica Lucas Santiago, presidente-executivo e diretor de negócios da RN Júnior.

Para Cecília Siqueira, vice-presidente da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), o Rio Grande do Norte segue a tendência nacional de expansão das EJs — em todo o país, são 25 mil empresas do tipo —, com representatividade forte, mas com o desafio de interiorizar o movimento.

“Aqui e no restante do Brasil, a gente visualiza essas empresas muito presentes nas capitais, mas nós precisamos estar em áreas onde é preciso potencializar a economia local. No RN, eu considero que essa é uma questão organizacional bem resolvida, mas que ainda carece de se desenvolver melhor”, discorre.

Segundo a RN Júnior, cerca de metade do total de EJs federadas no estado está localizada em Natal, enquanto a outra metade está em cidades do interior potiguar. A expansão para outras regiões, de acordo com a vice-presidente da Brasil Júnior, é fundamental para democratizar o empreendedorismo.

“Precisamos atingir cada vez mais pessoas. Somente neste ano, até agora, já temos mais de R$ 2,6 milhões em faturamento gerados pelas empresas juniores no país. Esperamos conseguir ampliar ainda mais esse mercado aqui no Rio Grande do Norte e no Brasil”, apontou Siqueira.

Destine’26

De olho na expansão das EJs, a RN Júnior promove, até este domingo (5), a 12ª edição do Destine’26 (Desafios Transformados em Inovação no Nordeste), em Nísia Floresta, Região Metropolitana de Natal. O evento é considerado um dos maiores encontros de empreendedorismo jovem, liderança e inovação da região e conseguiu reunir, neste ano, um recorde de mais de 440 congressistas para quatro dias de imersão, capacitação prática e conexões estratégicas. Ao todo, participam 43 empresas, sendo cinco de outros estados do Nordeste.

O presidente-executivo da federação, Lucas Santiago, destacou o entusiasmo da diretoria com o encontro. “É um momento importante para conectar as empresas, gerar networking, conhecimento e colaboratividade. Este é um de quatro eventos que realizamos ao longo do ano — outros dois acontecem em Natal e mais um em Mossoró —, sempre com o intuito de fazer com que os jovens respirem empreendedorismo”, fala Santiago.

O Destine’26 conta com palestras, workshops, oficinas temáticas e rodadas de negócios, com atividades voltadas ao desenvolvimento de competências essenciais para o mercado. Entre os grandes nomes participantes, destaca-se o de Gabriela Augusto, fundadora da Transcendemos e integrante da lista Forbes Under 30. A palestrante abordou a importância estratégica da diversidade, equidade e inclusão na construção de culturas organizacionais fortes.

Felipe Salustino/Repórter

Tribuna do Norte

França vence Paraguai com gol de Mbappé de pênalti e avança às quartas da Copa

Foto: Reprodução/Redes sociais/equipedefrance

A França venceu o Paraguai por 1 a 0 neste sábado (4), pelas oitavas de final da Copa do Mundo, e garantiu vaga nas quartas. O gol da classificação foi marcado por Mbappé, em cobrança de pênalti no segundo tempo.

Com o resultado, a seleção francesa enfrentará o Marrocos na próxima quinta-feira (9), às 17h, no Gillette Stadium, em Boston, nos Estados Unidos. O confronto reedita a semifinal da Copa de 2022, quando a França venceu por 2 a 0.

No primeiro tempo, o Paraguai atuou com uma linha defensiva mais fechada e dificultou as ações ofensivas da França. A equipe francesa teve mais posse de bola e tentou finalizar de fora da área, mas não conseguiu marcar. Uma das oportunidades saiu aos 21 minutos, em chute de Koné que desviou no caminho.

Na segunda etapa, a França manteve a posse e voltou a finalizar com Koné, que exigiu defesa de Gill aos nove minutos. O gol saiu após lance dentro da área envolvendo Doué e Diego Gómez. Inicialmente, o árbitro não marcou a penalidade, mas revisou a jogada no VAR e assinalou pênalti para a França.

Mbappé cobrou e marcou o único gol da partida. Depois do placar aberto, o Paraguai fez alterações e tentou responder em finalizações de fora da área.

Nos acréscimos, Mbappé ainda teve nova chance para ampliar. O atacante finalizou, Gill defendeu, e no rebote o camisa 10 voltou a chutar, parando novamente no goleiro paraguaio. A França sustentou a vantagem até o apito final e confirmou a classificação para enfrentar o Marrocos nas quartas.

Tribuna do Norte

As rendeiras da Vila de Ponta Negra e a luta para eternizar os bilros em Natal

A Renda de Bilro foi oficialmente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Natal, com a sanção da Lei nº 8.139. Foto: alex régis

No Memorial das Rendeiras, localizado na Rua Vereador Manoel Coringa de Lemos, nº 484, em Ponta Negra, sob o ritmo vibrante do turismo, resiste o som ritmado e secular dos bilros de madeira, como uma música que embala a vila há gerações no cotidiano das mãos que tecem essa história. Esse eco da tradição não é apenas uma memória viva; é oficialmente Patrimônio Cultural Imaterial de Natal, com a sanção da Lei nº 8.139, de autoria da deputada estadual Divaneide Basílio (PT), elaborada no período em que ela atuava como vereadora da capital. A tradição, historicamente passada de mãe para filha (e hoje acolhendo também novas trajetórias), tornou as artesãs da Vila guardiãs de uma técnica que exige paciência, precisão e afeto.

A mestre rendeira Maria de Lourdes de Lima, carinhosamente chamada de Vó Maria, de 92 anos, aprendeu a técnica aos 7 anos em Pirangi e, ainda criança, mudou-se para a Vila de Ponta Negra, onde residiam várias rendeiras com quem aprimorou seus conhecimentos. Hoje, ela é uma guardiã da arte secular para inúmeros rendeiros que, ao longo dos anos, entre o traço e a trança, reescrevem a própria história. “Pra ‘mim’ a renda é uma coisa muito boa, me sinto muito bem fazendo o meu trabalho, eu amo o trabalho”, revela.

Diante de inúmeras memórias, a rendeira afirma que não imaginava que a técnica, aprendida há mais de 80 anos, teria o reconhecimento de hoje. Vó Maria já trabalhou em diversas tarefas distintas, como o plantio e a lavagem de roupas, mas nos bilros ela encontrou pertencimento. “Eu nunca deixei a renda, chegava em casa, nem que fosse dez minutos eu tinha que ‘bulir’ no meu bilro. É um divertimento na minha vida, se eu tiver uma raiva, ficar nervosa, tudo ‘vai-se embora’ e nem sei pra onde”, brinca.

Com o apoio de seu filho Joka Lima, Vó Maria reuniu suas amigas rendeiras Mestra Helena, Francisca, Josefa, Dona Graça e Lenide para aprimorar conhecimentos e trocar ideias. Há mais de vinte anos, o espaço tornou-se o núcleo de rendeiras de Ponta Negra. Após a morte de Joka, há dois anos, o local ainda se mantém firme na tradição e, de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, as rendeiras se reúnem. Além do valor econômico e turístico, a arte assume um papel terapêutico e inclusivo no cotidiano dos rendeiros, como é o caso de Isaías José, de 64 anos, que mora na Zona Norte de Natal, mas há dois anos faz renda e participa dos encontros na sede. “Para quem tem TEA, a renda é uma terapia, além de autismo tenho TDAH. Eu moro ‘só’, não tenho mais ninguém, então a renda é acolhimento. O foco ‘pra’ gente é muito difícil, além da calma também”, revela. “Minha mãe fazia renda em casa lá em Recife. Eu procurava locais para fazer renda aqui em Natal e não encontrava, até que um dia vi Vó Maria na Árvore [de Mirassol], peguei o endereço dela e vim para cá”, relembra.

A tradição da renda de bilro é historicamente passada de mãe para filha. Foto: alex régis

Técnica entre as gerações

O fazer da renda de bilros é um espetáculo de precisão e tradição. Tudo começa com a almofada cilíndrica recheada (geralmente com palha ou algodão), que repousa sobre um suporte de madeira perfeitamente ajustado à altura do corpo da artesã. Fixado no topo dessa almofada fica o pique ou risco, um cartão perfurado que serve como o mapa anatômico do desenho.

É a partir dele que dezenas, às vezes centenas de bilros, pequenas peças de madeira torneada, pendem em pares, sustentando os fios que darão vida à peça. Movimentados em pares pelas mãos ágeis da rendeira, os bilros cruzam-se e entrelaçam-se em quatro movimentos básicos: cruzar, girar, trocar e fechar. À medida que os nós e tranças ganham corpo, alfinetes são fincados estrategicamente nos pontos de interseção do risco, retendo a tensão dos fios e moldando o caminho labiríntico do padrão.

As rendeiras produzem peças de decoração, porta-copos, bolsas, blusas, saias, passadeiras e toalhas. O tempo de confecção, a técnica e a quantidade de bilros utilizados variam de acordo com o item.

Darlene de Morais diz que a convivência em grupo é um momento de partilha e conversas .Foto: alex régis

Tradição secular

Filha de Mestre Helena e neta de Josefa, a técnica foi passada entre as gerações e, desde o berço, Jane Edna, de 61 anos, cresceu diante dessa tradição, que hoje ela carrega no peito também na atuação de vice-presidente da Associação das Rendeiras. “A renda é passada de geração em geração, quando a gente tem o conhecimento na nossa família de pessoas que foram rendeiras e ainda ‘rendem’, isso nos fortalece, mas quando não tem é um grande desafio”, pontua. Segundo a rendeira, o principal desafio é conseguir partilhar com os jovens da vila o que é a renda de bilro; com isso, elas têm feito ações e divulgações de cursos. Sendo uma lei sancionada, de acordo com Jane, o respaldo mantém a tradição. “É um reconhecimento que nos fortifica e faz com que as pessoas nos conheçam e a importância dessa tradição que a gente carrega”, destaca.

Darlene de Morais, de 51 anos, é secretária do Memorial das Rendeiras e afirma que a convivência em grupo é um momento de partilha, diversão e conversas. “Eu trabalhava aqui de lado e via elas rendendo, conversando, eu saía do trabalho e ficava olhando. Até que um dia surgiu um curso e eu fiquei até hoje”, reitera. Darlene, que faz renda há mais de 16 anos, ensinou Isaías a rendar, algo de que ela tem bastante orgulho, pois repassou o conhecimento adquirido com Vó Maria. “A Vila de Ponta Negra também é cultura, tem várias coisas folclóricas, ‘junta’ a rendeira com folclore, pescador. Então aqui é uma comunidade belíssima”, conclui.

A professora Iliane Silva, de 44 anos, mora em Parnamirim, mas se mantém presente nas ações do grupo e confeccionando peças que levam de algumas horas a, dependendo da técnica, meses para ficar prontas. Ela destaca que viu as peças de renda em um evento cultural e, ao pesquisar mais sobre o trabalho, deparou-se com as rendeiras da vila e, desde então, integra o grupo desde 2023.

“De lá para cá fiz o curso e fiquei até hoje. Na minha família, minha avó fazia renda, o filho dela fazia os bilros, mas eu não sabia disso. Eu gosto muito de fazer renda, todos os dias eu faço alguma coisa, quando tenho tempo livre estou fazendo”, concluiu.

Símbolo cultural do RN

De acordo com Rodrigo Loureiro, diretor do Departamento de Gestão Empreendedora, Artesanato e Economia Solidária da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social da Prefeitura de Natal, a pasta segue com uma articulação da Semtas, da Funcarte e também da Secretaria de Turismo para envolver o setor junto às atividades da associação. “Fazer essa inclusão para que movimente o memorial, a associação, que é o grande desafio para que elas possam não só mostrar essa cultura da renda de bilro, mas escoar uma produção que já se tem lá com as rendeiras da vila”, pontua.

O diretor reitera as dificuldades de passar o ofício da renda de bilro para as novas gerações. “Hoje a gente tem ainda um público muito idoso que faz isso [a renda] e temos fomentado através do nosso Departamento de Qualificação Profissional da SEMTAS para que possamos ter mais jovens querendo aprender a renda de bilro para que, justamente, possam perpetuar e garantir o futuro dessa atividade”, sintetiza.

Rodrigo Loureiro destaca que, quando se tem o reconhecimento do trabalho das rendeiras como patrimônio, a medida contribui para a implementação de políticas públicas. “Uma lei que reconhece como patrimônio cultural e imaterial de Natal a Associação das Rendeiras da Vila chancela para que o Poder Público possa desenvolver ainda mais atividades voltadas a elas na valorização e, principalmente, na perpetuação de uma arte tão importante para o artesanato do Rio Grande do Norte”, finaliza.

Bruna Torres/Repórter

Tribuna do Norte

PIB do RN deve crescer 0,5% em 2026, abaixo da média do Brasil e do NE

Segundo projeção da Tendências Consultoria, enquanto o Produto Interno Bruto do RN deve crescer 0,5% em 2026, o do Brasil deve crescer 1,9%, e o do Nordeste, 2,2% no mesmo período. Para 2027, a alta do PIB potiguar é projetada em 1,8%.

O declínio na produção do petróleo contribuiu para que a consultoria revisasse para baixo a estimativa anterior de alta do PIB potiguar, que era de 1,4% para 2026. Foto: Junior Santos

O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte deve crescer 0,5% em 2026, segundo projeção da Tendências Consultoria. O percentual, divulgado em junho, foi revisado para baixo em relação à estimativa anterior, de 1,4%, e ficou abaixo da média prevista para o Brasil (1,9%) e para o Nordeste (2,2%). A revisão negativa foi influenciada pelo desempenho mais fraco da indústria e da agropecuária no estado.

De acordo com a Tendências Consultoria, o setor industrial acumula queda de 17,9%, resultado influenciado pelo recuo de 29,9% no refino de petróleo e biocombustíveis, atividade que responde por mais da metade da produção industrial do estado. A projeção é feita a partir da análise da estrutura do PIB do estado e do desempenho recente dos principais setores da economia, como indústria, serviços e agropecuária.

Segundo a economista da Tendências Consultoria, Giuliana Folego, a queda sofrida pela indústria está ligada ao declínio da produção de petróleo em campos maduros e a interrupções operacionais no setor.

“Esse fraco desempenho vem na esteira das fortes altas registradas em 2023 e 2024, decorrentes de melhorias e do aumento da capacidade da Refinaria Clara Camarão. Mas agora a atividade sofre os efeitos da queda da produção em campos maduros e de uma série de interrupções operacionais”, explicou.

Segundo o coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN), o desempenho recente do setor de petróleo tem impactado diretamente a economia do estado. Ele avalia que a queda nos investimentos ao longo da última década levou também à redução da produção, o que acaba refletindo no desempenho do PIB estadual.

“Quando cai investimento, cai produção, cai geração de riqueza, cai geração de emprego. Então, o setor de petróleo, nos últimos 10 anos, vem contribuindo negativamente para essa redução do PIB do Estado”, afirma.

Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado do RN (Fiern), defende que o RN precisa enfrentar dois desafios estruturantes para consolidar um ambiente de negócios mais competitivo: o equilíbrio das contas públicas e a modernização da legislação ambiental.

“Um ambiente de negócios moderno, aliado à estabilidade fiscal e jurídica, permitirá que o estado aproveite todo o seu potencial econômico, transformando suas riquezas naturais em mais empregos, renda e qualidade de vida para a população”, defende Serquiz.

A consultoria também projeta retração para o setor da agropecuária em 2026, puxada principalmente pela queda esperada na produção de mandioca, leite, ovos e carne bovina. “A renda agropecuária do RN está concentrada em poucos produtos, o que torna o resultado agregado da agropecuária muito sensível a choques específicos, sejam eles climáticos, de mercado”, analisa Giuliana Folego.

A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) avalia que a revisão para baixo das projeções de crescimento da economia potiguar merece atenção, mas deve ser interpretada com cautela. No caso da agropecuária, a federação afirma que o desempenho dependerá de fatores que ainda podem evoluir ao longo do ano, como as condições climáticas, o comportamento dos mercados, o ambiente macroeconômico e o ritmo das exportações.

“É inegável que o setor enfrenta desafios importantes. A elevada variabilidade climática e a insegurança hídrica continuam impondo limitações à produção em diversas regiões do estado, enquanto o aumento dos custos de produção, especialmente com energia, transporte e insumos, reduz a competitividade de algumas cadeias produtivas”, disse a Faern em nota. “Somam-se a isso gargalos logísticos, dificuldades de acesso ao crédito para parte dos produtores e um ambiente regulatório que, em muitos casos, ainda encarece e retarda investimentos”, acrescenta.

Entre as prioridades defendidas pela Faern para fortalecer a agropecuária estão a segurança hídrica, a ampliação da infraestrutura de armazenamento e distribuição de água, modernização de sistemas de irrigação e aumento da eficiência no uso dos recursos hídricos, a fim de fortalecer políticas que proporcionem maior previsibilidade para os produtores.

“Da mesma forma, é importante aperfeiçoar o ambiente de negócios, com maior segurança jurídica, simplificação dos processos de licenciamento, redução da burocracia e intensificação das ações de abertura e consolidação de mercados para os produtos potiguares”, destaca a Faern.

Previsão de crescimento do PIB para 2027

Para 2027, a Tendências Consultoria projeta crescimento de 1,8% para o PIB potiguar, impulsionado pela retomada parcial da indústria. “Projeta-se recuperação da atividade econômica, com a retomada vindo tanto da indústria quanto da agropecuária — movimento oposto ao observado em 2026”, disse Giuliana Folego.

Em 2027, na indústria, a melhora é puxada pela recuperação parcial do refino de petróleo e álcool, além do avanço da fabricação de alimentos e da indústria de transformação. Na agropecuária, o crescimento do arroz e feijão ajuda a sustentar o setor, apesar das quedas esperadas em milho e carne bovina.

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) disse que estimativas de crescimento estão sujeitas às dinâmicas dos mercados nacional e internacional. “A expectativa é de continuidade do crescimento econômico, impulsionado pela consolidação de investimentos estruturantes e pelo fortalecimento de setores nos quais o estado possui reconhecidas vantagens competitivas”, destaca a pasta em nota.

O estudo mostra que Bahia, Pernambuco e Ceará concentram a maior parte do PIB nordestino, enquanto o RN tem participação bem menor no cenário nacional. Em 2023, o estado respondeu por 0,9% do PIB do país, contra 3,9% da Bahia, 2,5% de Pernambuco e 2,1% do Ceará. Segundo a economista, “fechar essa distância de forma expressiva no curto ou médio prazo é pouco provável”, devido ao menor porte populacional e à base produtiva mais limitada do RN.

Vantagens competitivas da economia potiguar

Segundo o levantamento da Tendências, o RN apresenta vantagens competitivas que podem impulsionar seu crescimento nos próximos anos. “A presença consolidada na cadeia de petróleo, liderança em energia renovável e especialização em fruticultura irrigada formam uma base econômica relativamente”, revela a economista.

O presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Darlan Santos, avalia que há a expectativa de uma nova fase de investimentos, impulsionada pelo processo de repower (processo de renovação dos projetos).

“Uma oportunidade para o setor é a garantia da venda de sua energia, hoje cortada por efeito de curtailment. Essas oportunidades podem estar associadas à atração de indústrias eletrointensivas e que têm interesse no uso de energia limpa”, cita Darlan Santos.

No setor da fruticultura, as regiões de Mossoró e Assú são referências nacionais em fruticultura irrigada, com destaque para a produção de melão voltada à exportação.

O presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do RN (COEX), Fábio Queiroga, revela que os produtores projetam um crescimento contínuo no volume de exportações para ampliar a presença nacional. “A abertura de mercados extremamente exigentes, como o chinês, traz a perspectiva de podermos ampliar bastante o volume de contêineres enviados ao exterior nos próximos anos”, explica.

O setor de serviços, principal componente da economia potiguar, tem no turismo um dos seus principais vetores de sustentação e dinamismo, segundo análise da consultoria. “O turismo continuará sendo um dos principais motores do desenvolvimento econômico do RN. O estado reúne atrativos consolidados e uma cadeia produtiva forte, que movimenta o comércio e os serviços em diversas regiões”, analisa a Fecomércio/RN.

Segundo o Sindipetro, o RN ainda tem grande potencial no setor de petróleo em terra, com cerca de 140 blocos com reservas que dependem de investimentos para entrar em produção. “O grande desafio é conseguir fazer a união de esforços entre a Petrobras e as empresas privadas que produzem petróleo no RN”, destaca Marcos Brasil.

Setor produtivo pede ambiente favorável aos investimentos

O presidente da Fiern, Roberto Serquiz, avalia que a indústria vem apresentando sinais de retomada. “No entanto, para transformar potencial em desenvolvimento sustentável, será fundamental criar um ambiente favorável aos investimentos, com mais segurança jurídica e infraestrutura adequada”, aponta.

Gargalos estruturais também limitam o crescimento de setores exportadores do estado, conforme o presidente do COEX. “Logística e escoamento é o nosso maior calcanhar de Aquiles. Precisamos de portos eficientes, fretes marítimos com preços competitivos e rotas confiáveis”, disse Fabio Queiroga.

Segundo Marcos Brasil, a retomada do crescimento do setor de petróleo no RN depende da realização de novos investimentos para reativar poços já perfurados e ampliar a produção. “São poços que já são perfurados, em torno de 700 poços, que se tiver uma manutenção eles vão voltar a produzir, aumentar a produção e aumentar a riqueza”, disse.

A Fecomércio RN avalia que o fortalecimento do turismo potiguar depende diretamente de avanços estruturais em áreas-chave da economia. “É fundamental avançar em infraestrutura, qualificação profissional e promoção contínua do destino para além do sol e mar”, destaca.

Ananda Miranda/Repórter

Tribuna do Norte