domingo, 21 de junho de 2026

Com mais de 80 mil pessoas, Seu Desejo leva São João do Assú ao maior público da história

O São João do Assú viveu, na noite deste sábado (20), um momento histórico. Com mais de 80 mil pessoas no Polo Buraco do Prefeito, na Praça São João Batista, a apresentação da banda Seu Desejo levou o evento ao maior público já registrado em toda a sua história.

A programação da noite começou com a banda local Xodó Nordestino, formada por duas mulheres e já consolidada como uma das principais referências do forró romântico no Vale do Açu. Em seguida, foi a vez de Bonde do Brasil subir ao palco e embalar o público com grandes sucessos que marcaram gerações.

A atração mais aguardada da noite ficou para o encerramento. Seu Desejo, liderada por Yara Tchê e Alessandro Costa, levou uma multidão ao Polo Buraco do Prefeito e protagonizou uma apresentação histórica. Considerada a banda mais pedida pelos assuenses para a edição deste ano, a dupla encerrou uma noite que entrou para a história como a maior e também a mais romântica do São João do Assú, já que todas as atrações apostaram no segmento do forró romântico.

O grande público movimentou a economia de Assú em uma única noite. Na praça de alimentação, diversos produtos foram esgotados rapidamente, refletindo o forte aquecimento das vendas entre os comerciantes. Após os shows, o Mercado Municipal também recebeu um grande fluxo de pessoas, mantendo a movimentação pela madrugada.

A expectativa para a noite histórica já podia ser percebida nas filas formadas nos acessos ao evento. Milhares de pessoas aguardaram a entrada para a revista dos coolers, procedimento adotado para impedir a entrada de recipientes de vidro e garantir mais segurança ao público. Com atuação organizada da equipe da Secretaria de Eventos, o acesso ocorreu de forma ágil, permitindo a entrada dos participantes no circuito da festa.

Outro destaque desta edição foi a ampliação dos espaços destinados ao público na praça. Com uma estrutura mais aberta e melhor distribuída, o Polo Buraco do Prefeito ofereceu este ano mais conforto e mobilidade para quem participou da programação.

A segurança da maior noite do São João do Assú contou com a atuação integrada da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Patrulha Maria da Penha. Nenhuma ocorrência grave foi registrada durante a festa.

O prefeito Lula Soares acompanhou mais uma noite de programação e destacou a grandiosidade do momento. “Nunca tinha visto uma multidão tão grande em Assú. Foi uma noite que entrou para a história e mostrou a força do nosso São João. Mais do que uma festa, o que vemos aqui é a união da fé, da cultura, da tradição e do nosso povo”, afirmou.

Programação continua

O São João do Assú segue até o próximo dia 24 de junho. Neste domingo (21), acontece o tradicional Almoço de São João Batista, a partir das 11h30, na Praça Jota Keully, com duas atrações locais.

Os dois últimos dias da programação no Polo Buraco do Prefeito serão dedicados aos shows religiosos. Na terça-feira (23), se apresentam William Sanfona e Ministério Despertar. Já na quarta-feira (24), encerrando a programação, sobem ao palco Padre Fábio de Melo e Ministério Altar Sete.

Também na terça-feira (23), a cidade recebe o Arrastão 300 Anos, que percorrerá as ruas de Assú a partir das 17h30 com Bonde do GraGra e Banda Grafith, oferecendo mais uma opção de celebração para moradores e visitantes.

Além da programação social, a Paróquia de São João Batista realiza uma extensa programação religiosa em homenagem ao padroeiro da cidade. Neste ano, a festa celebra os 300 anos de devoção a São João Batista, tradição iniciada em 1726.

Reconhecido como o São João Mais Antigo do Mundo, o São João do Assú é patrimônio cultural e imaterial do Rio Grande do Norte e se diferencia por unir fé, cultura, tradição e devoção em torno do seu padroeiro, tornando a celebração única entre os grandes festejos juninos do país.

Secom-Assú

De “Carandiru” a modelo de transformação: escola supera estigma e vira exemplo

Núcleo científico da Escola Luís Soares foi criado neste ano após prêmios em 2025 | Foto: Alex Régis

Salas de aula, biblioteca, laboratório e espaço de convivência são alguns dos elementos que fazem parte de uma instituição de ensino. Não é diferente na Escola Estadual Professor Luís Soares, no bairro Dix-Sept Rosado, zona Oeste de Natal, mas por um período as grades de proteção da unidade remetiam a um lugar totalmente diferente: o “Carandiru”, nome do que foi o maior presídio da América Latina. O estigma nasceu em meio a um contexto de vulnerabilidade e violência vivido anos atrás, que quase culminou no fechamento da escola, mas que foi superado a partir da mudança de modelo educacional e do protagonismo dos alunos.

O apelido negativo que marcava a escola de ensino fundamental (6º ao 9º ano) ganhou força na década passada, época em que a unidade lidava com dezenas de alunos “fora de faixa” (distorção idade-série), além de casos de violência e episódios envolvendo armas e drogas, conforme relatos de professores e diretores. O distanciamento dessa realidade e a superação desse estigma começou no pós-pandemia da covid-19 e, segundo a diretora Simone Alexandre, se fortaleceu em 2023 com a implementação do formato em tempo integral.

Porém, o que consolidou a transformação da Escola Luís Soares aconteceu dois anos mais tarde. Em 2025, o colégio foi o primeiro vencedor do Prêmio Estadual de Educação Fiscal no Rio Grande do Norte. O reconhecimento elevou a autoestima da comunidade escolar, deu novas perspectivas aos alunos e ensejou a criação de um núcleo permanente focado em projetos especiais e olimpíadas estudantis.

Hoje cursando o 1º ano do ensino médio, o estudante Hilberth Lucas, 17 anos, participou da criação do projeto vencedor “Minha Escola Depende da Nossa Cidadania”, no ano passado. A iniciativa abordou de maneira lúdica, com auxílio de inteligência artificial, como funciona e para que serve o pagamento de tributos na sociedade. O aluno desenvolveu o roteiro, produziu imagens e apresentou o conteúdo à comissão do prêmio.

"Quando eu fui com o professor lá para apresentar, eu pude ver muitos profissionais, muitos professores e até quem não é professor. E eu vi como funciona todo esse processo da educação e me senti feliz. Eu senti que o que eu estava fazendo na escola valia a pena", afirmou o jovem.

Núcleo pretende disputar iniciativas estudantis nacionais, como olimpíadas e outros prêmios | Foto: Alex Régis

Quem acompanhou o estudante foi o professor de geografia, Allan Avalos. A participação no prêmio, de acordo com o educador, veio após proposição do coordenador pedagógico da escola. A primeira conquista abriu um horizonte que antes nem era cogitado pela comunidade escolar. Para completar, veio a medalha na Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira no mesmo ano.

Os prêmios em 2025 estimularam o professor a criar, neste ano, um núcleo voltado à participação de iniciativas estudantis. "Esse grupo é resultado dessas premiações. Não havia núcleo na escola antes disso. A partir dos bons resultados que a gente colheu no ano passado, este núcleo surgiu, para que a gente possa continuar essa pegada. A ideia é transformar essa questão científica em algo mais cultural da escola", detalhou Allan Avalos.

Embora o Prêmio Estadual de Educação Fiscal tenha rendido recompensa financeira, revertida em investimento na escola, a diretora Simone Alexandre destaca que o efeito promovido por essa conquista na comunidade escolar foi o mais importante.

"A principal importância, a gente sempre fala que nem foi ganhar o prêmio, mas é que esses meninos possam se ver como capazes de produzir conteúdos como esse, de pensar. Porque muitas vezes eles não se enxergam capazes", pontuou ela.

O aluno Hilberth Lucas relembra o sentimento quando contou à família que havia ganhado o prêmio. "Principalmente a minha mãe, quando soube que eu fui lá representar o projeto e que conseguimos ficar em primeiro lugar, ela ficou muito orgulhosa. Tipo assim, sair falando para a família, para a tia, para a irmã", recorda.

O jovem é morador do bairro Dix-Sept Rosado, assim como o perfil da maioria dos estudantes da escola. Hoje ele estuda em um curso técnico em meio ambiente integrado ao ensino médio, diz guardar com carinho a formação no ensino fundamental e sente que contribuiu para a transformação da escola.

“Eu passei muitos anos naquela escola. No primeiro ano em que ela se tornou integral, eu estava lá. E aí você vê que a cada ano uma coisinha vai melhorando, e fazer parte de algo que vai transformar a escola é realizador. Sinto que sempre que eu passar ali, eu vou poder olhar para aquela escola e pensar: essa escola que me formou e eu tenho um pedaço dela dentro de mim”, afirmou Hilberth Lucas.

Núcleo tentará bicampeonato no Prêmio Estadual de Educação Fiscal

Na primeira edição do Prêmio Estadual de Educação Fiscal, o projeto vencedor apresentou os personagens animados Pedro Cidadão e Tributinho. A iniciativa se propôs a introduzir a temática de impostos ao público infantil e tornar o assunto acessível aos futuros contribuintes.

Seguindo os passos da turma passada, a Escola Luís Soares se propôs mais uma vez a participar do prêmio. Neste ano, como parte do núcleo de projetos permanentes, o material inscrito teve coordenação estudantil da aluna do 9º ano, Alice Emília, 15 anos.

Alice Emília coordena projeto que disputa prêmio neste ano | Foto: Alex Régis

“Antes eu não tinha ideia do que era imposto. Tipo, eu sabia que minha avó precisava pagar aquilo, que meus familiares pagam, mas eu não sabia o porquê, o para quê. Eu não tinha a menor ideia. Depois que o professor Allan deu a aula, ele explicou para que serve o imposto, que eu passei a entender mais", disse ela.

Desenvolver o conhecimento sobre origem, aplicação e controle dos recursos públicos é imprescindível para que, a partir daí, os alunos consigam formular propostas. Além disso, esses também são objetivos do Programa Nacional de Educação Fiscal (PNEF), que trata o tema como uma política pública permanente, voltada à formação de cidadãos mais conscientes, participativos e comprometidos com o bem comum.

Nessa área, o Rio Grande do Norte é pioneiro e instituiu o Programa Estadual de Educação Fiscal (PEF/RN) no ano de 1997. A iniciativa foi criada para disseminar conceitos de administração pública, função socioeconômica dos tributos e cidadania, integrando a sociedade e o ambiente escolar.

A chefe do Departamento de Educação Fiscal da Associação dos Auditores Fiscais do RN (Asfarn), Mara Bezerra, explicou que a criação de um prêmio em escala estadual seguiu o exemplo da associação nacional (Febrafite), que promove o seu há 15 anos. No Rio Grande do Norte, a premiação é organizada pela Asfarn em conjunto com o Sindicato dos Auditores Fiscais do RN (Sindifern).

"A educação fiscal é um tema que vem sendo trabalhado há algum tempo, e o prêmio vem para estimular e incentivar que as escolas, os professores, os alunos e toda a comunidade a se envolverem com o assunto", disse Mara Bezerra, que também atua como auditora fiscal.

Ela pontua que a primeira edição do prêmio já serviu ao propósito de estimular a disseminação da Educação Fiscal, com 20 escolas participantes, além de mais duas instituições. Dentre essas, a auditora fiscal não escondeu que a produção da Escola Luís Soares surpreendeu e é citada até hoje pela associação toda vez que o tema em questão é Educação Fiscal.

"Eles foram muito felizes em construir aquela história, em mostrar todos os passos. A importância da aplicação do imposto na escola, na saúde, na estrada, na segurança. Isso de uma forma que a criança, que a população alcança e entende", afirmou Mara Bezerra. "Foi muito gratificante para nós, na primeira edição, ter um vídeo com tamanha qualidade e conteúdo tão primoroso. Realmente um documento artístico", complementou.

O resultado não só animou as entidades do Fisco Estadual, como também a Secretaria de Estado da Educação (SEEC), que é parceira do prêmio.

"Confesso que em relação à educação fiscal, especificamente, eu tinha dúvida e ficava pensando: ‘Será que trabalhar um prêmio com o tema educação fiscal de fato é motivador? Será atrativo?’ E hoje eu não tenho mais essa dúvida. É sim. E, a partir da educação fiscal, eu chego à conclusão de que toda temática formativa pode ser motivadora, pedagogicamente viável e pode contribuir. E é uma prova de que todas as instituições da sociedade, podem contribuir com a escola pública", disse a secretária Socorro Batista.

Escola quase fechou e mudança para tempo integral

De transformador, o desfecho na Escola Estadual Professor Luís Soares por pouco não foi drástico. "Houve situações em que essa escola esteve à mercê de fechar e, graças a Deus, ela foi reativada, no sentido de motivação com a equipe nova que entrou". A declaração é de Vanézia Luz, lotada na SEEC desde 2013 e que atua na subcoordenadoria do Ensino Fundamental, voltada especificamente ao modelo de tempo integral.

“Essa escola estava realmente fadada ao fracasso”, afirmou Vanézia Luz. A implementação da educação em tempo integral colaborou para mudar esse prognóstico. De acordo com a diretora da escola, Simone Alexandre, o desenvolvimento de atividades extracurriculares no contraturno, aliado à promoção da segurança alimentar de jovens em situação de vulnerabilidade, é a maior vantagem desse modelo. 

"A escola em tempo integral faz com que os alunos fiquem menos tempo na rua, que fiquem mais tempo na escola, mais protegidos", pontuou a diretora.

A mesma opinião é defendida pela secretária estadual de Educação, Socorro Batista. "Eu acho que no caso da Luís Soares um fator foi mais determinante do que os demais: a oferta do tempo integral", disse ela.

Escola superou estigma de "Carandiru" | Foto: Alex Régis

“É garantir que essas crianças e adolescentes que passam o dia na escola não vão estar nas ruas, não serão alvo da violência, das drogas, de toda essa problemática social que a gente sabe que existe nas comunidades, principalmente nas comunidades mais carentes e periféricas", complementou a secretária.

Assim como a Luís Soares, a rede estadual conta com 248 escolas em tempo integral, o que equivale a 43% do total de instituições e corresponde a mais de 34 mil alunos matriculados nessa modalidade de ensino. A meta, de acordo com a pasta, é seguir expandindo esses números.

A escola da zona Oeste de Natal conta com 189 alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Dados de 2025 do Sistema Integrado de Monitoramento e Avaliação Institucional (Simais), que monitora a qualidade do ensino ofertado pelas escolas estaduais, apontam que a maioria dos estudantes da unidade tem aprendizado de nível básico em diante. Em Língua Portuguesa, 67% dos alunos avaliados estão no nível básico, 10% em proficiente e 5% em avançado. Já em Matemática, 52% alcançaram o nível básico e 14%, o proficiente.

“A expressiva presença de alunos nos níveis Básico e Proficiente, tanto em Língua Portuguesa quanto em Matemática, evidencia uma base consistente de desenvolvimento das competências essenciais para a jornada desses jovens. Além disso, a presença de estudantes no nível Avançado em Língua Portuguesa mostra que estamos criando oportunidades para que nossos jovens alcancem níveis cada vez mais elevados de desempenho”, avaliou Socorro Batista.

Os obstáculos que ainda permanecem

Apesar dos avanços, a Escola Estadual Professor Luís Soares ainda enfrenta desafios. A diretora Simone Alexandre destacou os obstáculos que a escola enfrenta, como a necessidade de mais banheiros. Além disso, ela citou a importância de instalação de ar-condicionado em todas as salas e mencionou a falta de professores para alguns componentes curriculares. "É o que praticamente toda a escola pública enfrenta, independente de ser em tempo integral ou não", pontuou ela.

A escola passou por obra recentemente, com um investimento de R$ 206 mil em serviços executados entre os anos de 2023 e 2024.

A escola está situada no bairro Dix-Sept Rosado, na zona Oeste de Natal | Foto: Alex Régis

Escola atende alunos do Ensino Fundamental II | Foto: Alex Régis

A secretária de Educação, Socorro Batista, reconheceu dificuldades e relembrou desafios no começo da gestão. "Quando nós chegamos aqui em 2019, isso é uma informação importante: as escolas que tinham internet é porque havia cota entre os professores para colocar. Estávamos ainda na idade da pedra lascada", frisou.

Citou outro exemplo: "Nós chegamos aqui e encontramos uma situação que a escola fazia rifa do balão junino, fazia sorteios, para trocar a lâmpada, para pintar a porta. Isso é inadmissível. Então nós criamos o Pague Predial para dar autonomia às escolas para pequenos serviços."

Sobre a ausência de professores, ela admite a ocorrência e cita que nem sempre é possível evitar casos em virtude de adoecimentos, afastamento por cirurgias e licenças gestantes, por exemplo.

No entanto, o principal desafio apontado pela secretária é a violência. "Essa violência chega na escola muitas vezes em forma de bullying, de racismo, de todas as formas de preconceito, de intolerância. Então esse tem sido, na minha visão, o maior desafio hoje e é uma problemática que inclusive tem causado situações muito tensas nas escolas, de adoecimento dos estudantes", alertou.

Futuro promissor

Apesar dos problemas, a direção, o corpo docente e os alunos da Escola Estadual Professor Luís Soares já mostraram que sabem driblar os gargalos a partir da seguinte receita: escola em tempo integral mais fortalecida, formação cidadã, incentivo ao conhecimento científico e trabalho em equipe.

Dinheiro da primeira edição do prêmio de Educação Fiscal foi investido em materiais para a escola | Foto: Alex Régis

Esses quatro ingredientes foram fundamentais para mudar o patamar de ensino e garantir um futuro mais promissor para os estudantes da zona Oeste de Natal. 

Assim, evitando que o colégio volte a ter uma marca negativa. São os ventos da mudança em direção aos prêmios das principais iniciativas estudantis. Como diriam Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, na canção “Nada Será Como Antes”, um novo tempo está apenas começando.

PH Dias/Matteus Fernandes/Repórteres

Tribuna do Norte

Congelamento de óvulos registra crescimento no país

Casos de congelamento de óvulos no Brasil cresceram 136,7%, segundo Sistema Nacional de Embriões| Foto: Magnus Nascimento

Aadvogada potiguar Heloisa, de 41 anos, não descarta a maternidade, mas o sonho de ser mãe também nunca esteve presente na sua vida. Há seis anos, contudo, começou a sentir a pressão do “relógio biológico” para decidir ou não ter um filho. O sentimento permaneceu na sua rotina até que, em 2025, tomou uma decisão: congelar os óvulos.

De acordo com dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), cedidos à reportagem da Tribuna do Norte, os casos de congelamento de óvulos no Brasil cresceram 136,7%. Em 2020, foram 7.872, enquanto em 2025 esse número subiu para 18.631. No período, a taxa média de crescimento foi de aproximadamente 18,8% ao ano.

Heloisa, que vai ter o sobrenome preservado nesta reportagem, compartilha que começou a pensar no congelamento há cerca de dois anos. Na época, tinha 39 anos e estava no início do seu relacionamento atual: “Não queríamos um filho no momento, mas por conta da minha idade não dava mais para esperar que acontecesse naturalmente no futuro”.

O congelamento de óvulos foi visto pelos dois como o melhor caminho para adiarem a decisão. A escolha da clínica, além da especialista, aconteceu por meio da indicação da médica endocrinologista que já a acompanha há muitos anos. “A minha endocrina, inclusive, também sugeriu essa questão do congelamento porque eu conversava com ela sobre o assunto”, destaca.

Entre o período que Heloísa começou a amadurecer o desejo de congelar os óvulos, até a marcação da consulta, um ano se passou. A advogada conta que marcou a consulta no final de 2025 e passou pelo procedimento de coleta dos óvulos em janeiro de 2026.

Embora o procedimento tenha um custo de cerca de R$ 15 mil a R$ 20 mil, a advogada compartilha que o investimento tornou o planejamento da maternidade algo mais leve na sua vida. “É importante avaliar se você tem condições de realizar. Se ainda tem dúvida, mas uma vontadezinha, por exemplo, pense na possibilidade. O que mais fez eu me sentir melhor foi essa pressão que, de fato, saiu de mim porque eu sentia constantemente o relógio biológico. Quando você congela, essa pressão desaparece”, destaca.

Maria Luisa Capriglione: procedimento é de baixo risco| Foto: Magnus Nascimento

A médica Maria Luisa Capriglione, especialista na área de reprodução assistida, observa que a procura de mulheres pelo congelamento de óvulos tem aumentado ao longo dos anos, sobretudo, pela maior conscientização e informação sobre o assunto. Nos últimos anos, o grupo de clínicas em que atua contabilizou mais de 2 mil congelamentos de óvulos, o que equivale a cerca de 20 mil óvulos congelados no período.

Ela explica que o procedimento é de baixo risco, sendo precedido de exames básicos, como de sorologia e hormonal, e acontece por meio da estimulação ovariana. Na prática, o processo dura cerca de 13 dias e é monitorado por meio de ultrassonografias até a etapa de coleta dos óvulos. “O procedimento de coleta de óvulos é feito no ambiente da clínica com o uso de anestesia, então a paciente não sente dor. Após a coleta, guardamos esses óvulos e isso finaliza o congelamento”, completa.

De acordo com a especialista, embora as idades sejam variáveis, o perfil das mulheres que procuraram o procedimento apresenta algumas características em comum. É o caso do desejo de prorrogar a maternidade e a incerteza sobre querer ou não ser mãe. Na maioria dos casos, ainda, são mulheres solteiras.

“Há uma minoria que não são solteiras, mas que não querem ter filhos em um determinado momento e que querem preservar a fertilidade. A idade das mulheres que realizam o procedimento é variável, mas o mais comum são pacientes com faixa etária de 30 a 40 anos. O ideal é que sejam mulheres com menos de 40 anos”, aponta Maria Luisa Capriglione.

A especialista afirma que, uma vez que o congelamento dos óvulos é realizado, não existe um prazo para que a mulher utilize o material. Aliado a isso, os cuidados após o procedimento são básicos, consistindo na suspensão de atividades físicas e relações sexuais durante o período de cinco dias.

A média nacional de sucesso da taxa de fertilização com óvulos congelados gira em torno de 72%, podendo variar a depender da clínica. “A mulher pode utilizar os óvulos depois de dez ou 20 anos, por exemplo, ou mesmo não utilizar. As pessoas acham que quando você congela os óvulos, não pode mais engravidar natural, o que não é verdade. Tem mulheres que congelaram os óvulos e no outro mês, por exemplo, engravidaram naturalmente. Então é mais uma segurança para o futuro”, explica Maria Luisa Capriglione.

Serviço para pacientes oncológicas via SUS

No Rio Grande do Norte, a Maternidade Escola Januário Cicco (MJEC/UFRN) vem permitindo que mulheres se sintam cada vez mais seguras sobre a possibilidade de exercerem a maternidade no futuro. Além de atuar com o serviço de reprodução assistida via SUS, a unidade apresenta o serviço de congelamento de óvulos voltado exclusivamente para pacientes oncológicas.

Na Januário Cicco, serviço é oferecido gratuitamente| Foto: Magnus Nascimento

A médica ginecologista do Centro de Reprodução Assistida da Mjec/UFRN, Marcela Queiroz, explica que o serviço é oferecido gratuitamente para as pacientes que são encaminhadas por um especialista antes de realizarem o tratamento contra o câncer. “No caso de um câncer de mama, por exemplo, a mastologista pode nos encaminhar essas pacientes que têm indicação de fazer a preservação antes de iniciar a quimioterapia”, esclarece.

A médica comenta que o serviço tem sido cada vez mais procurado nos últimos anos, cenário que ela atribui à maior distribuição de informações sobre a assistência entre os médicos oncologistas e mastologistas.

“Quanto mais eles têm esse conhecimento, mais conseguimos acolher as pacientes e realizar o congelamento de óvulos”, aponta.

Segundo Marcela Queiroz, embora o congelamento de óvulos seja assegurado para as pacientes, há casos em que elas conseguem passar pelo tratamento e engravidam naturalmente depois. Caso precisem, por outro lado, podem recorrer aos óvulos armazenados na Mejc.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil conta com 161 Centros de Reprodução Humana Assistida. Dez deles oferecem o tratamento de congelamento via SUS, em sete cidades do país, incluindo São Paulo, Ribeirão Preto, Porto Alegre, Brasília, Goiânia, Natal e Belo Horizonte.

Casos de congelamento de óvulos no Brasil

2020 - 7.872

2021 - 12.160

2022 - 11.883

2023 - 13.921

2024 - 14.893

2025 - 18.631

Crescimento acumulado de 2020 até 2025: 136,7%

Tribuna do Norte

Crianças potiguares “estreantes”em Copa do Mundo torcem pelo hexa

André Pinheiro, de 6 anos, está animado em ver a primeira Copa do Mundo. Ele é fã de Neymar e de Mbappé| Foto: Kayki Siminéa

Para quem viveu os anos 1990 ou o início dos anos 2000, a Copa do Mundo é sinônimo de memórias essencialmente analógicas: o gol de Branco contra a Holanda em 1994, assistido em uma modesta TV de 14 polegadas, por exemplo, evoca um sentimento quase folclórico, transmitido de geração em geração. Mas, para milhões de brasileiros, o grito de “Campeão do Mundo” ainda ressoa como uma lenda contada exclusivamente pelos mais velhos.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam um cenário demográfico impactante. Se, em nível nacional, estima-se que cerca de 70 milhões de cidadãos nunca viram a Seleção erguer a taça, o recorte local impressiona ainda mais. Cruzando os dados do Censo Demográfico com a Pesquisa de Estatísticas do Registro Civil, o Rio Grande do Norte registrou exatamente 116.062 nascidos vivos entre os anos de 2022 e 2024 (sendo 39.974 em 2022, 39.383 em 2023 e 36.705 em 2024). Somando-se as estimativas desde o meio de 2022 até o momento atual, estima-se que o estado ganhou cerca de 170 mil novos potiguares.

Essa multidão de crianças quase equivale, em termos populacionais, à quarta maior cidade do Rio Grande do Norte, São Gonçalo do Amarante (124.495), superando, no entanto, a população de municípios inteiros como Macaíba (87.056), por exemplo. De forma alusiva, uma cidade inteira de potiguares que já aprendeu a andar, falar e mexer no celular melhor que os próprios pais, mas que nunca vivenciou um título mundial. É justamente em 2026 que a nostalgia dos adultos e a primeira experiência real dos pequenos se misturam na esperança renovada do Hexa.

Do brinquedo preferido ao apito final

Para os pequenos torcedores que hoje já conseguem compreender as regras e até arriscar algumas análises, o torneio ganhou um novo significado. O “upgrade” das telas do YouTube para o campo une famílias e muda a rotina das casas, transformando o consumo esportivo em uma experiência compartilhada.

O jornalista Júlio Pinheiro, de 41 anos, observa esse processo de perto com o filho André, de 6 anos. Júlio destaca que as copas anteriores são momentos marcantes em sua memória, como a Copa de 1994, assistida em uma TV de 14 polegadas em um clube no município de Itaú, relembrando as quartas de final contra a Holanda. “Lembro da festa que fizemos com o gol de Branco. Lembro da final, que acompanhei no meu quarto.

Em 2002, já na escola, lembro de reunir vários amigos para acompanharmos os jogos, que eram de madrugada, e irmos à aula no outro dia. E a Copa de 2014 foi especial porque pudemos ir às quartas de final, ver de perto o jogo. Valeu muito a pena”, pontua.

De acordo com o jornalista, viver esse momento em família e com os amigos tem sido uma experiência inusitada. “Meu pai gosta de assistir sozinho, concentrado. Minha mãe não liga muito. Agora que sou pai, a Copa ganhou novo significado e faço questão de assistir com meus filhos e com os primos dele. Está sendo especial”, afirma. Júlio relata que o interesse de André pelo esporte começou no berço. “Desde muito pequeno ele gostava de bola. O primeiro brinquedo preferido foi uma bola. Ele andava para todo lado, a gente viajava e ele dormia agarrado com uma bola de futsal”, recorda o pai.

Hoje, a brincadeira de infância virou paixão, curiosidade, dedicação e também um momento de rica interação entre pai e filho. O garotinho afirma que está com altas expectativas para a Copa do Mundo, que antes era vivida com pouco entendimento, mas agora, aos 6 anos, tem sido uma experiência mais ampla para André.

“Esse ano vai ser muito legal, é a minha primeira Copa do Mundo entendendo tudo. Se ‘passou’ 4 anos, mas o Brasil ainda está bom, tem gente boa. Eu gosto de futebol desde um mês”, brinca.

Atualmente, a dinâmica do entretenimento também mudou, pois os canais do YouTube consumidos por André são estritamente focados no esporte, e o conhecimento sobre o futebol se expandiu. Além de acompanhar os ídolos que admira, como Mbappé, Vini Jr., Neymar e o goleiro Alisson, André se diverte dividindo a paixão com os mais velhos. Ele está participando ativamente de dois bolões da Copa, competindo lado a lado com adultos e outras crianças. “Estou em 25º lugar”, conta. Júlio Pinheiro destaca que essa integração entre pais e filhos, independentemente da idade, reflete perfeitamente a transição geracional da torcida.

O avanço das meninas e a união de culturas

A paixão que move os pequenos torcedores também evidencia o visível crescimento do interesse das meninas pelo esporte, quebrando barreiras estruturais que existiam em Copas passadas. Para além das bonecas e dos estereótipos tradicionais de gênero, na casa da vendedora Priscila Machado, de 44 anos, em Parnamirim, a filha Amanda Lucena, de apenas 5 anos, descobriu o amor pela Seleção Brasileira e pelo futebol acompanhando o entusiasmo do tio, Cristiano Machado, que é torcedor fervoroso do América-RN. “Ela vê a paixão do tio, apaixonado por futebol e jornalismo esportivo, torcendo em cada jogo do ‘mecão’ e acompanhando de perto essa emoção que acompanha nossa família dentro e fora dos campos”, afirma.

Para Priscila, que guarda na memória a Copa de 1994 com Romário e Bebeto fazendo história, ver a filha vivenciar o torneio é uma oportunidade de aprendizado amplo, livre das amarras de criações mais rígidas do passado, onde meninas e mulheres não usufruíam de tanta representatividade nos esportes. “A Copa faz um ‘ajuntamento’ incrível, gostoso e feliz. Amanda consegue ver ali a união de raças, a mistura cultural e a liberdade de saber que o esporte significa essa união gigante”, destaca Priscila.

Quando questionada sobre seu jogador preferido, a pequena Amanda não hesita e responde com alegria que é o brasileiro Neymar, contando que adora assistir às partidas ao lado da mamãe e do titio. “Ela adora ver as ruas pintadas de verde e amarelo, usar a camiseta da Seleção, brincar com os primos com a bola e assistir às partidas do Mundial, vibrando com a alegria que acompanha cada segundo do jogo”, conclui.

Essa mesma efervescência cultural e familiar é amplamente compartilhada pelos primos de Amanda Lucena, os irmãos Cristal Ifeoma, de 5 anos, que vivencia o Mundial ao lado dos irmãos Kaio, Lorenzo e Theresa, de 25, 12 e 7 anos, respectivamente, filhos de Thalina Olinto Okafor, de 49 anos. De acordo com a promotora de eventos, as crianças estão genuinamente empolgadas com cada jogo da Seleção Brasileira, mas para Cristal o período tem sido inusitado e repleto de surpresas a cada momento em que a família se junta para comer petiscos, assistir aos jogos e decorar a residência com as cores alusivas.

Crescimento do interesse das meninas pelo esporte também é visível| Foto: Cedida

“Lá em casa os jogos viraram sinônimo de festa. Eles estão amando viver isso juntos e Cristal está super empolgada com o futebol, vidrada em cada passe da bola. Tem sido uma experiência nova e muito legal viver isso com todos juntos”, reitera Thalina. Cristal afirma que está “gostando muito” da Copa e que torce para o Brasil ganhar.

Para a mãe, o sentimento coletivo entre os brasileiros que assistem junto aos filhos faz disso um evento potente, capaz de desviar a atenção das crianças do ambiente digital e das telas. “O futebol é mais do que uma memória para os pais, é uma modalidade que incentiva as crianças a brincarem, se exercitarem e largarem um pouco o celular e viver um pouco do que a minha geração viveu sem a internet”, conclui.

Para essa nova geração de torcedores potiguares, ver as ruas coloridas de verde e amarelo traz uma felicidade contagiante e imediata. Entre o álbum de figurinhas, as camisas oficiais e as reuniões em família na hora do jogo, o que realmente importa para eles é viver o presente de um esporte que integra e perpetua identidades.

Bruna Torres/Repórter

Tribuna do Norte

RN tem R$ 771 milhões em créditos previdenciários travados

Segundo o IPERN, cerca de R$ 400 milhões podem ingressar nos cofres estaduais ainda em 2026.

Segundo o IPERN, cerca de R$ 400 milhões podem ingressar nos cofres estaduais ainda em 2026, a depender da União| Foto: Magnus Nascimento

O Rio Grande do Norte tem potencial para receber R$ 771,8 milhões da União em créditos de Compensação Previdenciária (COMPREV). Os recursos, porém, seguem travados entre análises do INSS e da Dataprev e pendências documentais acumuladas ao longo de décadas. Segundo o IPERN, cerca de R$ 400 milhões podem ingressar nos cofres estaduais ainda em 2026. Parte dos créditos corre risco de prescrição.

Em nota técnica encaminhada às secretarias estaduais do Planejamento (Seplan) e da Fazenda (Sefaz) em maio deste ano, o instituto destacou que os recursos podem representar um reforço para as finanças estaduais.

Do total identificado, R$ 413,2 milhões correspondem a processos que aguardam análise da Dataprev e do INSS, ainda sem decisão final sobre a liberação dos valores. Outros R$ 358,6 milhões estão classificados em situação de exigência, ou seja, dependem da regularização de documentos e informações para avançar no processo e serem pagos.

Segundo o IPERN, os valores em exigência estão travados por diferentes pendências documentais. Entre elas, a necessidade de comprovar recolhimentos previdenciários realizados há décadas por meio de folhas de pagamento e outros documentos que atestem as contribuições ao INSS.

O órgão estima que cerca de R$ 400 milhões podem ser liberados ainda em 2026, dependendo da resolução das pendências e do andamento das análises no INSS e na Dataprev. “É uma estimativa, tem muita pendência ainda a ser resolvida. Uma das providências que a gente está sugerindo na nota técnica, por exemplo, é a gestão do governo junto ao INSS”, revela o presidente do IPERN, Nereu Linhares.

Segundo Nereu Linhares, RN bateu recorde em recuperação de créditos em 2025| Foto: Magnus Nascimento

A compensação previdenciária funciona como um acerto de contas entre os sistemas de aposentadoria. Se um servidor contribuiu para o INSS e se aposentou pelo Estado, o INSS repassa parte dos recursos ao Estado para ajudar a custear o benefício pago ao aposentado.

De acordo com a legislação que rege a compensação previdenciária, aplica-se o prazo prescricional de cinco anos após o registro de aposentadoria aos valores que não forem pagos ou reclamados no período devido.

O presidente do Ipern, Nereu Linhares, afirma que parte desse valor pode ser perdida por prescrição, já que, em alguns casos, o instituto precisa localizar arquivos históricos ou complementar informações que não foram devidamente publicadas ou preservadas ao longo do tempo.

“Aqueles casos específicos em que não foi encontrada a documentação, em arquivo, por exemplo, óbvio que vai prescrever”, disse o gestor.

Segundo o IPERN, parte das pendências envolve documentos das décadas de 1980 e 1990, o que aumenta o risco de perda de parte dos créditos previdenciários.

De acordo com o presidente do instituto, alguns registros foram extraviados ou descartados ao longo dos anos, dificultando a comprovação das contribuições exigida atualmente pelo sistema de compensação previdenciária. “Muitos arquivos do Estado foram queimados nos anos 90. Muita gente achava que aquela documentação era lixo, que não servia para nada, e a gente tem muita falta hoje disso”, afirmou Nereu Linhares.

O gestor acrescenta ainda que as exigências se tornaram mais rigorosas após a edição de uma portaria federal em 2020, que passou a exigir a chamada “prova inequívoca” das contribuições previdenciárias.

Com isso, o Estado precisa buscar folhas de pagamento antigas e outros documentos para demonstrar que os recolhimentos foram efetivamente realizados e repassados ao INSS.

O órgão também cita a dependência de outros entes, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e secretarias administrativas, para validação de registros e documentos, o que adiciona etapas ao fluxo de análise.

O presidente do IPERN também atribui parte da demora à limitação do quadro de servidores públicos responsáveis pela análise e recuperação dos documentos necessários à compensação previdenciária. “A gente sabe as limitações que tem o Estado de servidores. O contingente de servidores é muito reduzido em todos os órgãos”, afirmou Nereu Linhares.

Em relação aos processos que aguardam análise, o IPERN denuncia a capacidade operacional do sistema nacional de compensação previdenciária. Segundo o instituto, o INSS e a Dataprev recebem pedidos dos regimes próprios de previdência em todo o país, o que resulta em uma grande demanda de análise.

Ele destaca que os processos não estão parados, mas seguem o fluxo regular de tramitação e são analisados conforme a capacidade dos sistemas federais responsáveis pela compensação.

Segundo Linhares, o trabalho para recuperar os créditos previdenciários faz parte de uma força-tarefa permanente envolvendo o IPERN e outros órgãos do Estado. “Essa nota técnica que a gente fez foi para reforçar, para lembrar que existem recursos importantes a serem recuperados e que é preciso manter esse esforço conjunto”, afirmou.

RN recebeu R$ 115 milhões do INSS em 2025

Segundo dados do IPERN, o Rio Grande do Norte recebeu R$ 115 milhões em compensação financeira em 2025, o maior volume arrecadado pelo Estado nos últimos anos. O valor inclui todos os recursos que são repassados pelo INSS para ressarcir o Estado, incluindo Compensação Tributária e Previdenciária.

Apesar do resultado recorde, Nereu Linhares afirma que o valor não foi suficiente para cobrir sequer um mês do déficit financeiro do regime previdenciário estadual. “O valor recebido do INSS em um ano não deu para cobrir sequer o déficit financeiro de um mês da gente. Nesse ano, a gente fechou com um déficit financeiro de 147 milhões de reais”, disse.

A arrecadação proveniente da compensação financeira totalizou R$ 549,9 milhões entre 2018 e 2025, de acordo com dados do instituto.

O maior volume anual da série foi registrado em 2025, quando ingressaram R$ 115 milhões, o equivalente a 20,9% de todo o montante arrecadado no período analisado.

O menor valor foi registrado em 2020, quando a arrecadação somou R$ 35,7 milhões. Segundo o IPERN, naquele período houve aumento das exigências documentais para validação dos processos, o que impactou o ritmo de liberação dos recursos.

Os dados apontam uma recuperação gradual da arrecadação a partir de 2021, com crescimento mais expressivo em 2024 e 2025.

Demora revela dificuldades fiscais

Para o economista e especialista em Desenvolvimento Econômico, Thales Penha, a demora na recuperação desses recursos evidencia as dificuldades fiscais enfrentadas pelo Estado.

Segundo ele, o atraso nos repasses está relacionado ao cenário de restrição orçamentária que há anos afeta as contas públicas do Rio Grande do Norte. “É como um cobertor curto. Para manter determinadas obrigações em dia, outras acabam sendo postergadas”, afirmou.

De acordo com o especialista, a compensação previdenciária representa uma obrigação financeira vinculada ao regime próprio de previdência dos servidores públicos. Os recursos funcionam como uma contrapartida patronal destinada ao fundo que custeia aposentadorias e pensões.

Na avaliação de Penha, a demora na recuperação desses valores reflete um problema estrutural das finanças estaduais, marcado pela dificuldade de equilibrar despesas obrigatórias e compromissos de longo prazo. “Para manter salários em dia, acabam sendo adiadas outras obrigações, seja com fornecedores, seja com repasses para fundos. É um problema grave que o Rio Grande do Norte enfrenta há pelo menos duas décadas”, destacou.

O especialista alerta, ainda, que a eventual perda desses créditos por prescrição pode agravar o déficit previdenciário do Estado.

Em sua avaliação, a não recuperação dos valores amplia a necessidade de aportes do Tesouro Estadual para cobrir despesas do regime próprio de previdência, reduzindo a capacidade financeira do governo em outras frentes. “Vai aumentar ainda mais a necessidade de transferência de recursos para o regime próprio”, destacou.

Penha explica que o fundo previdenciário do Estado já opera há anos em situação deficitária, exigindo complementações frequentes do orçamento estadual para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões.

Caso parte dos créditos deixe de ser recuperada, o governo terá de direcionar ainda mais recursos do orçamento ordinário para compensar essa insuficiência. “O Estado precisa retirar dinheiro que poderia ser utilizado em despesas correntes e transferi-lo para cobrir o déficit previdenciário. A perda desses créditos amplia essa pressão sobre as contas públicas”, afirmou.

Ananda Miranda/Repórter

Tribuna do Norte

RN capta R$ 1,58 bilhão do BNB para energias renováveis desde 2023

Até abril de 2026, o RN também contratou R$ 74,3 mi por meio do NIB para projetos de produção sustentável. Parques eólicos são responsáveis por parte dos investimentos| Foto: Alex Régis

Líder em energia renovável, o Rio Grande do Norte está na rota de financiamentos para a geração de energia limpa e novas tecnologias. No acumulado de 2023 até abril deste ano, as contratações de financiamentos do Banco do Nordeste (BNB) em solo potiguar, por meio do programa Nova Indústria Brasil (NIB), somaram R$ 3,5 bilhões, dos quais R$ 1,58 bilhão (cerca de 44,8%) foi destinado a fontes renováveis.

No primeiro quadrimestre de 2026, o estado também contratou R$ 74,3 milhões por meio do NIB, voltados a projetos de produção industrial sustentável. Embora o volume inicial do ano seja modesto, a perspectiva da instituição financeira é de novos aportes bilionários ainda neste semestre.

Segundo informações do BNB, há propostas que totalizam R$ 1,5 bilhão para financiamentos na área de infraestrutura energética em 2026 no estado. Além disso, a estimativa da instituição é que o segmento de energias renováveis alcance R$ 4 bilhões em contratações até 2033.

O banco afirma que trabalha com demanda espontânea, fornecendo crédito após a análise completa dos projetos. Esses números são projeções baseadas na demanda que vem sendo observada para o orçamento disponível. Em nível nacional, entre janeiro e abril de 2026, o banco já destinou R$ 2,3 bilhões para todos os estados abrangidos pela instituição.

Os recursos apoiam cadeias produtivas sustentáveis, infraestruturas voltadas à melhoria da qualidade de vida e iniciativas de descarbonização na área de atuação do BNB, que atende aos estados nordestinos e a parte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

No âmbito do Nova Indústria Brasil, o maior potencial no RN é o de energias renováveis, mas o BNB também atua na cadeia agroindustrial, no complexo de saúde e na infraestrutura de saneamento em solo potiguar.

Conforme dados do BNB, as contratações deste quadrimestre no RN foram em cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais: R$ 37,4 milhões; complexo econômico-industrial da saúde: R$ 7,2 milhões; infraestrutura, moradia e mobilidade sustentáveis: R$ 27 milhões; e descarbonização, transição energética e bioeconomia: R$ 2,75 milhões.

O NIB prevê investimentos de R$ 300 bilhões até 2026, segundo o Ministério da Fazenda. Os recursos são administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela Financiadora de Estudos e Projetos e pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial. O BNB atua como agente repassador de crédito do programa.

Potencial do RN para renováveis é destaque

Na área de energias renováveis, os financiamentos contemplam, atualmente, parques solares e eólicos e unidades de geração distribuída. Alternativas sustentáveis, como hidrogênio verde e eólica offshore (no mar), surgem como potenciais para descarbonizar a economia local e se somar à matriz energética limpa do RN.

Sérgio Azevedo defende avanços para ampliar investimentos| Foto: Alex Régis

Para Sérgio Azevedo, presidente da Comissão Temática de Energias Renováveis (Coere), o resultado parcial de financiamentos em 2026 preocupa e alerta para a necessidade de melhorias. “A energia limpa já contribuiu de forma significativa para a economia do nosso estado. Para que ela possa seguir contribuindo, precisamos de uma legislação convidativa que possa atrair os investidores”, diz.

Azevedo avalia que o RN tem um “potencial enorme” para captar os recursos da NIB, mas é preciso avançar na modernização da legislação e em soluções para problemas como os cortes de geração. Caso contrário, os investidores podem migrar para outros estados.

Ele observa, porém, que o estado tem qualidade em estrutura e qualificação profissional para consolidar sua liderança em energias renováveis – com destaque para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Faculdade de Energias Renováveis e Tecnologias Industriais (Faeti).

Darlan Santos, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), aponta que no RN “a alta disponibilidade de energia renovável é um fator decisivo para a produção de hidrogênio verde [gerado por eletrólise da água com essa energia], que pode impulsionar não apenas a produção de combustíveis limpos, mas também de insumos para fertilizantes”.

Além disso, o beneficiamento de minério surge como um importante segmento, diz Santos. “O tratamento para a redução do minério de ferro pode ser feito com hidrogênio verde em substituição ao gás natural’, explica.

Na visão dele, historicamente o RN enfrenta dificuldades na captação de investimentos para projetos estruturantes voltados ao desenvolvimento industrial. Santos destaca que hoje o estado conta com um projeto alinhado às diretrizes da nova indústria nacional: o Porto Verde, em Caiçara do Norte, voltado para o mercado de energia eólica offshore e hidrogênio verde.

A gerente do Polo Sebrae de Energias Renováveis, Lorena Roosevelt, aponta que o Nova Indústria Brasil tem forte aderência no RN, especialmente devido à liderança na geração de energias limpas, que “traz consigo profundos desafios para modernização da infraestrutura, diversificação da matriz elétrica, introdução de novas tecnologias […] e armazenamento de energia”.

“Todos esses desafios dependem e demandam a oferta de crédito para aquecer o setor e otimizar oportunidades”, afirma Roosevelt. “O próximo ciclo de desenvolvimento dependerá da combinação de segurança jurídica, acesso ao crédito, fortalecimento da infraestrutura elétrica, atração de carga industrial, adoção de novas tecnologias e inteligência artificial”, acrescenta.

De acordo com ela, as dificuldades do setor, principalmente com os curtailments, devem ser encaradas como oportunidade para acelerar a modernização do sistema elétrico brasileiro. “São prioritários investimentos voltados ao fortalecimento e à ampliação das redes de transmissão, à digitalização da operação do sistema e à incorporação de tecnologias”.

Já o presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (Aper), Williman Oliveira, ressalta que o RN tem potencial para atrair recursos da NIB, e abrir espaço para que grandes indústrias consumam a energia excedente seria uma oportunidade estratégica. Ele pondera que o avanço depende de aportes em infraestrutura e logística, como portos e rodovias, para garantir o escoamento dessa produção.

Para Oliveira, o estado não sofre com falta de capacitação, mas de industrialização e crescimento organizado. “A sua geografia ajuda, [e o estado tem] energia mais barata e limpa vindos de várias fontes. A Fiern tem o CTGás [Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis], preparando mão de obra de eficiência”, pontua.

Quanto à geração de empregos, Darlan Santos afirma que a “nova indústria” gera oportunidades de trabalho mais perenes, diferente das empresas de geração eólica e solar convencionais, que demandam um volume maior de mão de obra especificamente durante a fase de construção das usinas.

“Por se caracterizar como uma atividade produtiva industrial contínua, a nova indústria garante empregos qualificados e de longo prazo, gerando valor tanto na etapa de implantação quanto, principalmente, durante todo o período de produção”, conclui Santos.

Financiamentos registram bom retorno, diz BNB

Jeová Lins, superintendente do Banco do Nordeste no RN, frisa que a sustentabilidade é um foco do BNB, e o RN é um Estado de referência nesse sentido, especialmente em renováveis. “Somos pioneiros no financiamento da energia eólica e solar no estado, que por sua vez tem autossuficiência em energia e é pioneiro na atividade [eólica]”, destaca.

Jeová Lins: somos pioneiros em financiar eólica e solar no estado| Foto: Alex Régis

De acordo com Lins, o retorno dos créditos tem sido positivo na geração de emprego e renda em solo potiguar, mesmo em meio a desafios estruturais. Um dos principais entraves é o “curtailment” – os cortes de geração de energia determinados pelo ONS devido à sobreoferta ou a problemas de escoamento.

“No caso das energias renováveis, a gente pretende financiar linhas de transmissão e data centers”, conta o superintendente. “Não temos nenhuma inadimplência nesse setor, mas eles [os geradores] sentiram os efeitos dos curtailments, porque não obtiveram a receita esperada para o ano 2025”, destaca.

A ampliação de linhas de transmissão deve melhorar o escoamento de energia e mitigar os impactos dos cortes no RN. Já os data centers podem consumir a energia gerada em excesso, enquanto processam dados.

A resolução para licenciar sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) foi aprovada neste ano no Conselho Estadual de Meio Ambiente do RN, e a resolução para data centers ainda está em tramitação.

“O Rio Grande do Norte já tem um cliente firme de data centers. Estamos com a carta-consulta, que é o documento preliminar de um negócio”, afirma Lins. Segundo ele, um potencial tomador de crédito tem um projeto cujo financiamento deve chegar a R$ 919 milhões (50% do custo).

Ao aprovar iniciativas no RN, o Banco do Nordeste exige medidas compensatórias na instalação dos projetos. “Você deixa naquela área saneamento e estradas, por exemplo, e promove a educação”, explica Lins.

Dos 11 estados sob abrangência do BNB, o RN teve a quinta maior soma de recursos vinculados à NIB desde 2023, atrás de Bahia (R$ 7,45 bilhões), Ceará (R$ 6,33 bilhões), Minas Gerais (R$ 4,58 bilhões) e Pernambuco (R$ 3,62 bilhões). Os dados são da instituição bancária.

NÚMEROS

Financiamentos nos estados atendidos pelo BNB
(2023 a abril de 2026)
BA: 7.453.945.896,61
CE: 6.336.412.494,79
MG: 4.583.777.883,00
PE: 3.627.291.164,79
RN: 3.527.790.693,81
AL: 2.940.799.552,82
PI: 2.895.100.814,99
MA: 2.843.688.026,16
PB: 2.294.672.717,95
ES: 900.886.945,46
SE: 760.212.150,38

Financiamentos no RN

Total investido no âmbito da NIB (últimos 3 anos): R$ 3,5 bilhões

Total voltado a energias renováveis (últimos 3 anos):
R$ 1,58 bilhão

Total investimento no primeiro quadrimestre de 2026:
R$ 74,3 milhões

Fonte: BNB

Tribuna do Norte

RN obtém redução significativa em índices de analfabetismo

Resultado representa uma redução significativa em relação aos 13,9% registrados em 2016| Foto: ascom seec

O Rio Grande do Norte alcançou em 2025 um marco histórico na educação. Pela primeira vez desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, a taxa de analfabetismo do estado ficou abaixo dos 10%, atingindo 9,3%. O resultado representa uma redução significativa em relação aos 13,9% registrados em 2016 e aos 10,5% observados em 2024.

Os resultados positivos também aparecem nos níveis de escolarização. Entre crianças de 6 a 14 anos, a taxa de frequência escolar chegou a 99,3%, consolidando a universalização do acesso à educação nessa faixa etária. Além disso, 96,3% das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos frequentavam o ensino fundamental na etapa adequada à idade, superando a meta de 95% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE).

“Esses números refletem o trabalho diário de professores, gestores, servidores, estudantes e famílias, além dos investimentos que estamos realizando desde a alfabetização das crianças até a Educação de Jovens e Adultos. Avançamos na permanência dos estudantes na escola, ampliamos o acesso à educação e fortalecemos políticas que garantem o direito de aprender em todas as etapas da vida. Ainda temos desafios importantes pela frente, mas os dados do IBGE confirmam que o Rio Grande do Norte está no caminho certo”, ressaltou a governadora Fátima Bezerra.

Para a secretária de Estado da Educação, Socorro Batista, a redução histórica da taxa de analfabetismo demonstra a importância da continuidade das políticas públicas e da colaboração entre os diferentes entes federativos. “Os resultados refletem um trabalho permanente realizado em todo o território potiguar. Estamos investindo na alfabetização das crianças, mas também garantindo oportunidades para jovens, adultos e idosos que não tiveram acesso à educação em etapas anteriores da vida”, destacou.

A pesquisa revela ainda avanços entre os jovens. A proporção de pessoas de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham caiu para 21,4%, o menor índice da série recente, representando uma redução de 2,5 pontos percentuais em comparação com 2024. Entre as mulheres, a queda foi ainda mais expressiva, passando para 25,2%.

Os resultados são acompanhados pelo fortalecimento das políticas públicas de alfabetização desenvolvidas pelo Governo do Estado nos últimos anos. Entre elas, destaca-se a Política Territorial de Alfabetização de Crianças (Pró-Alfa RN), estruturada em regime de colaboração entre Estado, municípios e Governo Federal. Um dos principais marcos desse processo foi a adesão de 100% dos municípios potiguares ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, fortalecendo a articulação entre as redes de ensino.

A política conta com uma rede de articuladores estaduais, regionais e municipais que acompanham diretamente a implementação das estratégias pedagógicas nos territórios. Entre as iniciativas desenvolvidas estão a distribuição de materiais complementares de alfabetização para mais de 190 mil estudantes, a implantação de Cantinhos de Leitura nas escolas e a concessão de bolsas destinadas à formação continuada e à mobilização educacional nos municípios. Outro eixo estratégico é o fortalecimento do Sistema Integrado de Monitoramento e Avaliação Institucional (SIMAIS), ferramenta que permite acompanhar continuamente o desempenho dos estudantes e orientar intervenções pedagógicas com base em evidências.

O enfrentamento ao analfabetismo também ocorre por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade que atualmente atende cerca de 24 mil estudantes em todo o estado. A rede estadual oferta a EJA em 202 escolas, garantindo oportunidades de escolarização para pessoas que não concluíram seus estudos na idade regular.

Desde 2021, o RN desenvolve a Política de Superação do Analfabetismo, iniciativa financiada com recursos próprios do Estado e articulada com programas federais. A ação já alfabwetizou mais de 10 mil pessoas em 113 municípios potiguares.

Tribuna do Norte

sábado, 20 de junho de 2026

Prefeito de Florânia declara apoio a Samanda ao Senado

Neste sábado (20), em Florânia, a pré-candidata ao Senado Samanda Alves (PT) consolidou o apoio do grupo político liderado pelo prefeito Galo e pela vice-prefeita Loba. A articulação também reúne o presidente da Câmara Municipal, Manoel Pinto, e os vereadores Patrício Júnior, Ivan Fioravante, Jean Azevedo e Geovane Pereira.

Durante o encontro, Samanda destacou a relação histórica da governadora Fátima Bezerra com o município e reafirmou o compromisso de defender os interesses de Florânia no Senado. “Florânia é uma cidade para a qual a professora Fátima Bezerra sempre teve um olhar muito especial, seja como deputada federal, senadora ou governadora. As ações de Fátima ajudaram a transformar o município. Agradeço ao prefeito Galo por esse gesto de reconhecimento e reafirmo nosso compromisso de continuar cuidando de Florânia e defendendo seus interesses em Brasília”, afirmou.

A pré-candidata também citou o potencial econômico da região, marcado pela atividade mineral e pelos projetos ligados à exploração de terras raras, ferro e outros recursos naturais. “Precisamos trabalhar pelo desenvolvimento do nosso estado. Quero ser uma voz atuante no Senado, defendendo oportunidades, investimentos em Florânia”, disse.

Ao anunciar o apoio, o prefeito Galo afirmou que a decisão foi construída a partir do compromisso da pré-candidata com o município. “Queremos estar ao lado de pessoas que realmente procuram trabalhar por Florânia. Estamos apresentando ao nosso povo aqueles que acreditamos que podem ajudar nossa cidade. Samanda chega a um grupo fortalecido e terá nosso empenho nessa caminhada, porque o povo merece representantes que olhem para as pessoas”, declarou.