domingo, 24 de maio de 2026

Adutora do Seridó só deve sair em 2027, mesmo com crise hídrica

Estrutura deve garantir abastecimento na região com águas da transposição do São Francisco. Foto: Márcio Pinheiro

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) trabalha com a previsão de concluir a Adutora do Seridó, uma das principais obras de segurança hídrica propostas para o interior do Rio Grande do Norte, apenas em 2027. Antes disso, porém, uma etapa considerada estratégica deve ser entregue no fim do segundo semestre deste ano: o chamado Trecho Norte, que vai garantir o abastecimento inicial para municípios como Currais Novos, Acari e Cruzeta.

Os prazos foram confirmados pelo ministro Waldez Góes durante agenda no município de Currais Novos, nesta semana, como parte da viagem ao Nordeste para acompanhar obras do chamado “Caminho das Águas” nos estados da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. No estado, a visita incluiu o túnel Major Sales, na cidade de Luiz Gomes, e as obras da Adutora do Agreste, às margens da RN-269, entre os municípios de Passa e Fica e Nova Cruz. Sobre a Adutora do Seridó, a visita ocorreu na semana anterior.

Com investimento total estimado em R$ 326,5 milhões, a Adutora do Seridó foi iniciada em 2022 e atualmente está com cerca de 51% de execução física. O sistema contempla aproximadamente 330 quilômetros de adutoras, além de estações elevatórias e estruturas de tratamento de água, divididas entre os setores Norte e Sul. A visita contou com a presença de uma extensa comitiva.

O superintendente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no Rio Grande do Norte, Leon Aguiar, detalhou o processo de execução da obra e falou sobre a expectativa de solucionar o problema da falta de água em diversas cidades do interior do Nordeste, não apenas no Rio Grande do Norte. “O projeto é muito grande e foi dividido em dois setores, o Norte e o Sul. O trecho Norte é o que está sendo executado atualmente, com recursos do PAC, numa obra de aproximadamente R$ 300 milhões. Com tudo pronto, no próximo ano, teremos o fim da falta de água na região, já que toda uma estrutura foi pensada para acabar com esse cenário”, explicou.

A estrutura em execução capta água na Barragem de Oiticica, em Jucurutu, e segue por municípios como Florânia e São Vicente até chegar a Currais Novos. A partir daí, haverá integração com a adutora já existente que atende Currais Novos e também segue para Acari. Outro braço da obra faz derivação para Cruzeta.

Aguiar explicou ainda que parte do trecho voltado para a Serra de Santana, contemplando cidades como Lagoa Nova, Cerro Corá e Bodó, ainda não foi licitada por causa da complexidade técnica e da necessidade de novos recursos federais. Esse segmento, identificado como trecho 3N, deverá ser incluído em uma futura etapa do Novo PAC, juntamente com o chamado trecho Sul da Adutora do Seridó, que atenderá municípios da região de Caicó e cidades vizinhas.

Para a entrega do Setor Norte da adutora, a fase de testes deve começar em agosto. Os procedimentos vão abranger toda a linha de captação, desde a Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, em Assú, até as estações elevatórias responsáveis pelo bombeamento da água.

A previsão inicial apontava conclusão ainda em março deste ano, mas o cronograma precisou ser readequado após uma deflação identificada durante a execução contratual. Houve negociações entre a Codevasf e a empresa responsável pela obra para garantir a continuidade dos serviços, após análise técnica de relatórios e subsídios financeiros.

Cenário atual

A chegada da água da transposição ao Seridó é vista como fundamental, principalmente para enfrentar os períodos mais críticos de estiagem, historicamente registrados entre os meses de outubro e dezembro. Em Currais Novos, por exemplo, a insegurança hídrica costuma aumentar justamente no fim do ano, período em que os reservatórios sofrem redução significativa de volume.

De acordo com o último balanço dos reservatórios divulgado no início da semana pelo Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), dez reservatórios seguem em situação crítica, quando o manancial está com menos de 10% da capacidade. Entre eles estão o açude Itans, em Caicó, com apenas 0,74%, e Passagem das Traíras, em São José do Seridó, que acumula somente 0,14% da capacidade total.

Anthony Medeiros/Colaborador no Seridó

Tribuna do Norte

Rogério Marinho vê capitalismo de compadrio no caso Master

Líder oposicionista relaciona aportes públicos, contratos bilionários e atuação do governo em favor do grupo. Foto: Andressa Anholete

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, aponta que a relação entre o governo Lula e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, revela uma ligação política com efeitos bilionários sobre o setor público, a saúde e o sistema financeiro.

Para ele, o caso expõe a atuação do Palácio do Planalto em favor de um banqueiro que teve acesso ao presidente da República, recebeu apoio em momentos decisivos e viu empresa ligada ao seu grupo ser beneficiada por crédito público, aportes estatais e contratos de longo prazo com o Ministério da Saúde.

A avaliação destaca que o Banco Master deixou um custo de R$ 57,4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enquanto a Biomm, farmacêutica controlada por Vorcaro, recebeu R$ 203 milhões em crédito, R$ 133 milhões em equity e contrato de R$ 140,6 milhões anuais por dez anos com o Ministério da Saúde.

O senador destaca que Lula inaugurou pessoalmente a fábrica da empresa em 2024 e que, após a crise, o governo teria articulado a entrada do BTG Pactual na farmacêutica. “O caso Banco Master/Biomm desnuda as engrenagens do capitalismo de compadrio brasileiro”, aponta trecho da 127ª edição do Observatório da Oposição, relatório assinado por Rogério Marinho.

A publicação periódica reúne análises das principais movimentações dos órgãos públicos federais na última semana, com o objetivo de monitorar as ações dos Três Poderes e subsidiar os senadores da oposição quanto aos temas mais sensíveis e prejudiciais ao País.

Na área econômica, o relatório afirma que o governo Lula adotou em 2026 uma sequência de medidas fiscais, parafiscais e de crédito com impacto superior a R$ 100 bilhões, incluindo crédito subsidiado, renegociação de dívidas, ampliação de programas sociais, subvenções, antecipação de precatórios e expansão de gastos discricionários.

O documento também analisa a ata da 278ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que sinaliza juros altos por mais tempo em meio à inflação resistente e ao risco fiscal.

A publicação destaca que o Banco Central manteve tom cauteloso mesmo após a redução da Selic para 14,50% ao ano, diante da inflação de serviços, do mercado de trabalho aquecido e das expectativas acima da meta. Segundo o relatório, a deterioração das expectativas pode manter o crédito caro para consumidores e empresas por período prolongado.

No eixo do agro, o Observatório alerta que a inércia do governo Lula pode levar o setor a um quadro de colapso financeiro. A análise cita dados da Federação da Aricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), segundo os quais a chamada “carteira estressada” do crédito rural, formada por operações inadimplentes, renegociadas, prorrogadas ou em atraso, já supera R$ 171 bilhões.

O relatório também aponta que a inadimplência do crédito rural livre chegou a quase 14%, em cenário marcado por perdas climáticas, crédito caro, alta de fertilizantes e fragilidade do seguro rural.

Na segurança pública, o relatório aponta contradição entre o discurso oficial de proteção às mulheres e o avanço da violência no País, com 399 feminicídios registrados no primeiro trimestre de 2026, maior patamar para o período desde o início da série histórica do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), em 2015.

A edição também critica o plano de R$ 11 bilhões anunciado pelo governo Lula para a segurança, ao afirmar que apenas R$ 1 bilhão representa investimento direto e que os outros R$ 10 bilhões correspondem a linhas de crédito via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos estados.

Tribuna do Norte

Tiros são disparados na região da Casa Branca e polícia é acionada

Foto: Reprodução

Forças de segurança estão respondendo a disparos de arma de fogo efetuados nas proximidades dos terrenos da Casa Branca, informou o diretor do FBI, Kash Patel, neste sábado (23). Ao menos duas pessoas ficaram feridas, incluindo um suspeito, segundo informações da rede norte-americana CBS News.

Jornalistas que trabalhavam no local neste sábado relataram ter ouvido uma sequência de tiros (estima-se de 15 a 30, segundo a CBS) e foram instruídos a buscar abrigo na sala de coletivas (press briefing room), onde agentes do Serviço Secreto dos EUA impediram a saída de qualquer pessoa.

Na rede social X, o Serviço Secreto afirmou estar "ciente de relatos de tiros disparados perto da Rua 17 com a Avenida Pennsylvania NW" - a um quarteirão da Casa Branca - e que está "trabalhando para confirmar as informações com as equipes em campo".

Selina Wang, repórter da ABC News que cobre o cotidiano político de Washington, estava no local e postou um vídeo do momento em que ouviu os tiros (assista abaixo).

"Eu estava no meio de uma gravação de um vídeo no gramado norte da Casa Branca quando ouvimos os tiros. Soaram como dezenas de disparos de arma. Nos disseram para correr para a sala de imprensa", escreveu Wang.

Em publicação nas redes sociais, o diretor do FBI, Kash Patel, confirmou que agentes respondiam aos disparos e disse que irá "atualizar o público assim que possível".

O presidente Donald Trump estava dentro da Casa Branca no momento do incidente. O Departamento de Polícia Metropolitana não respondeu imediatamente aos pedidos de informação. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

Estadão Conteúdo

Seleção Brasileira se reúne a partir da quarta (27) na Granja Comary

Foto: Rafael Ribeiro/cbf

A CBF definiu a programação para o período de treinos da Seleção Brasileira na Granja Comary, na primeira etapa de preparação para a Copa do Mundo. Na próxima quarta-feira (27) os atletas convocados pelo técnico Carlo Ancelotti se apresentam em Teresópolis, local das atividades da Seleção Brasileira. De 27 a 30 de maio, a equipe treinará visando à partida contra o Panamá, dia 31, no Maracanã, às 18h30min. Será a última apresentação da Amarelinha em terras brasileiras antes da viagem para os Estados Unidos.

Na últims segunda-feira (18), foram anunciados os 26 jogadores que irão representar o país na Copa. De acordo com a circular nº 12 da Fifa, distribuída às Federações Nacionais classificadas para o Mundial no dia 14 de abril deste ano, “a cessão obrigatória dos atletas para as respectivas seleções começa no dia 25 de maio de 2026. São permitidas exceções aos jogadores que participem de partidas finais de competições de clubes das confederações e também da última rodada de partidas da fase de grupos dessas competições, inclusive no dia 30 de maio de 2026.”

Com isso, os atletas Marquinhos (PSG), Gabriel Martinelli e Gabriel Magalhães (Arsenal) poderão disputar a finalíssima da Champions League, marcada para o dia 30 de maio, na Puskas Arena, em Budapeste (Hungria). Os três se juntarão à delegação nos Estados Unidos.

No dia 26 de maio, o Flamengo, com quatro convocados (Danilo, Alex Sandro, Lucas Paquetá e Léo Pereira) jogará pela Copa Libertadores, contra o Cuzco (PER), no Maracanã. Pela Copa Sul-Americana, o Grêmio (Weverton), enfrenta o Torque (URU) em Porto Alegre e o Santos (Neymar) receberá o Deportivo Cuenca. Todos os atletas envolvidos nesses jogos se apresentarão no dia 27. Nesta data, o Botafogo (Danilo) enfrentará o Caracas, na Venezuela. Caso entre em campo, o meio-campista se apresentará quando retornar.

Como parte da metodologia de trabalho da comissão técnica, que opta por realizar as atividades com quatro goleiros, o atleta Léo Nannetti, do Flamengo, irá participar de toda a etapa de treinamentos na Granja Comary e também nos Estados Unidos. Mesmo treinando com a equipe principal, o jovem goleiro não poderá atuar pela seleção, por não fazer parte da lista dos 55 nomes enviados previamente à Fifa.

A chegada dos atletas convocados será na manhã de quarta-feira (27), quando iniciarão as avaliações médicas. À tarde, haverá o primeiro treinamento, sem a presença da imprensa. Nos três dias seguintes, os jornalistas poderão participar das entrevistas coletivas e acompanhar os primeiros 15 minutos de atividades.

Tribuna do Norte

Rádio e inclusão: veículo que chega onde outros não vão

Foto: Jovem Pan News Natal

Há quem acorde com o rádio, trabalhe com o rádio e durma com o rádio. Não por hábito antigo, mas porque nenhum outro veículo faz o que ele faz: entra na vida das pessoas sem pedir licença e conquista pra sempre. Uma informação, uma emoção, uma companhia. O rádio é irresistível para quem tem bom gosto em comunicação, e a Jovem Pan News Natal entende isso melhor do que ninguém. Por isso, foi além do sinal e criou algo raro: um espaço onde todo ouvinte, independentemente de como enxerga o mundo, se sente em casa.

Com a migração das emissoras de AM para o FM, o rádio ganhou novo fôlego no Brasil. Novas faixas de frequência foram abertas para centenas de emissoras, e o sinal se reinventou no ambiente digital: streaming, Apple CarPlay, Android Auto e o chip de rádio embutido em smartphones ampliam o acesso a novos públicos. Kantar 2024 indicou que o FM responde por cerca de 26% do consumo de áudio em automóveis, chegando a 40% entre os ouvintes com mais de 58 anos. Seis em cada dez consumidores afirmam que não comprariam um veículo sem rádio.

O rádio sempre mexeu com a imaginação das pessoas. Em tempos sem internet, ouvintes criavam na mente a imagem de seus apresentadores preferidos pela referência da voz e da eloquência. Era comum o envio de cartas e telegramas às emissoras para conhecer pessoalmente esses profissionais. Essa relação afetiva é, até hoje, um dos maiores ativos do veículo, especialmente para quem depende dele como principal janela para o mundo.

JP News Natal: acessibilidade como identidade

Foi com esse espírito que a Jovem Pan News Natal deu um passo pioneiro no rádio do Nordeste. Desde janeiro de 2023, a emissora incorporou a audiodescrição à sua programação, recurso antes associado quase exclusivamente à televisão. Nas aberturas dos programas, em entrevistas e outros conteúdos, a equipe passou a descrever elementos visuais relevantes para ouvintes com deficiência visual. A mudança veio acompanhada de qualificação contínua, encontros de alinhamento e parceria direta com a comunidade impactada.

Para Liciane Viana, âncora do Jornal da Manhã, a adaptação foi gradual, mas transformadora: “O que no início soava estranho, por ser uma inovação em todos os aspectos, hoje se firmou como identidade, virou marca registrada do JM. É um avanço em acessibilidade e inclusão. Muitas vezes o impacto não é visível para todos, mas é transformador para quem depende dela.”

Para Ronaldo Tavares, presidente da Sociedade dos Cegos do RN, a prática vai além do recurso técnico. “Acessibilidade não é apenas uma ideia, é fundamental para que deixemos de ser invisibilizadas. A audiodescrição nos permite enxergar com os olhos da audição”, afirma. Tavares lembra que o preconceito ainda é uma barreira real e cotidiana. “Quando a audiodescrição é feita apenas por ser feita, o impacto negativo emocional é muito grande, porque entendemos que o preconceito ainda está muito presente. Quando é feita de forma profissional, correta e inclusiva, como faz a Jovem Pan News Natal, ela eleva a autoestima e a independência da pessoa cega”, diz. O reconhecimento veio em seguida: “A Jovem Pan News Natal merece nossa deferência, respeito e gratidão. A voz é os olhos de quem não vê.”

Nas transmissões esportivas, o impacto é igualmente sentido. Para o narrador Léo Félix, a missão é clara: “O narrador de futebol é um artista. Detalhar cada setor do campo, a numeração do atleta, as jogadas: toda essa descrição é fundamental, especialmente para os deficientes visuais.”

O jornalista e narrador Ivan Nunes reforça o compromisso: “Os cegos são um público especial, porque nos privilegiam com feedback, nos orientam a melhorar dicção e ritmo, e nos motivam a manter a emoção sempre em alta. A Jovem Pan News Natal, através de nós que colocamos a voz, entrega carinho, respeito e gratidão a toda a audiência.”

Um público que merece atenção

Os números reforçam a urgência dessas iniciativas. Mais de 285,3 mil pessoas convivem com algum tipo de deficiência visual no RN, 8,8% da população. É um público expressivo, presente, que consome informação cotidianamente e que, por muito tempo, foi tratado como invisível pelos meios de comunicação.

Diante da imensidão tecnológica e das mudanças nos hábitos, o rádio segue cumprindo um papel convergente. A Jovem Pan News Natal trabalha para ser, a cada dia, uma interface de comunicação que atende à atenção humana em sua forma mais plena: com informação, respeito e a certeza de que ninguém precisa ficar de fora.

Evento discute o futuro da radiodifusão digital

O 18º Seminário do SindiRádio, realizado em Porto Alegre, reuniu especialistas para debater o futuro do setor sob o tema “O Rádio em Todas as Telas: O Novo Modelo de Negócio da Radiodifusão”. O evento focou na transformação digital e na competitividade do mercado.

Daniel Starck, do portal tudoradio.com, destacou que o rádio já vive uma realidade híbrida, com ouvintes entre FM e digital. Ele apresentou o conceito de Rádio 3.0, onde o meio oferece além de áudio, dados, interatividade e conveniência. O consultor Fernando Morgado abordou formas de monetização dessa tecnologia, apontando que ela permite ao rádio se firmar como mídia online poderosa e diminuir a discrepância entre seu alcance e investimentos publicitários. Radiodifusores, juristas e tecnicos também discutiram a realidade e desafios burocráticos nesses novos processos.

O seminário concluiu que o setor ganha novas possibilidades de negócio que exigem profissionalização, tecnologia e planejamento estratégico.

Tribuna em Campo no Clássico Rei pelo Brasileirão Série D

Jovem Pan News transmite clássico entre ABC e América no Frasqueirão

Domingo(24) O ABC FC enfrenta o América no Clássico Rei neste domingo, às 16h, no Estádio Frasqueirão.

A Jovem Pan News acompanha a partida com cobertura completa. Ivan Nunes fará a narração, com comentário de Itamar C. e reportagem de Marcos Vinicius e André Luís. A operação de transmissão ficará a cargo de Josiel, enquanto Ranille Maria comanda a operação de estúdio e Diogo Bertolin faz a ancoragem.

Jornada a partir das 15h30, No 93,5fm, youtube.com/jovempannewsnatal, aplicativos radiosnet e PanFlix. Além do portal: tribunadonorte.com.br

Tribuna do Norte

Produção de pólen vira fonte de renda para apicultores de Ceará-Mirim

A capacitação dos profissionais, aliada ao melhoramento genético das abelhas, contribui para o desenvolvimento dos apiários e da extração do pólen em Ceará-Mirim. Foto: Alex Régis

Rico em vitaminas e minerais, o pólen apícola é considerado um dos alimentos mais completos da natureza pelas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que trazem benefícios diversos à saúde. Cada vez mais procurado para consumo, o item tem se tornado uma importante fonte de renda para 13 produtores da Associação de Apicultores e Apicultoras da Agricultura Familiar do Projeto Santa Águeda II (Apafase), em Ceará-Mirim, na Região Metropolitana de Natal. O grupo é o único no Rio Grande do Norte a trabalhar com a produção de pólen atualmente, item que pode ser consumido com alimentos como iogurte, coalhada e salada de frutas.

Com apoio do Sebrae, para a grande maioria dos produtores a atividade se encontra em fase de investimentos, com foco na ampliação de enxames. Mas há aqueles que já conseguem tirar do pólen o sustento para si e para as próprias famílias. A organização dos trabalhadores em torno da Apafase, alinhada à capacitação e ao melhoramento genético das abelhas, contribui para o desenvolvimento dos apiários e da extração do item no assentamento Projeto Santa Águeda II, que conta com cerca de 450 habitantes e está localizado a aproximadamente 20 quilômetros do centro da cidade.

Alexandre Oliveira, 33, presidente da Apafase, é um dos produtores de maior destaque da comunidade. Ele começou a trabalhar com a criação de abelhas há cerca de sete anos, com vistas à produção de mel. A ideia de trabalhar com pólen apícola surgiu depois de ele acompanhar alguns vídeos sobre o tema na internet. “No começo, a gente pegava abelha no mato, não tinha nem apiário. Me lembro quando fomos fazer a primeira colheita de mel, eu e meu sócio, Igor, que está comigo até hoje. Somente ele tinha EPI, um macacão que a gente ganhou. Levei muita ferroada, foi muito arriscado. Conseguimos extrair 20 litros de mel. Vendemos a R$ 25 cada litro e começamos a investir no apiário”, conta.

Do começo difícil até os dias de hoje, inclusive com a mudança no foco da produção – de mel, os dois passaram a apostar no pólen – foi uma longa trajetória, mas que começa a mostrar resultados importantes. Atualmente, são coletados cerca de 35 quilos do produto, os quais garantem uma renda de cerca de R$ 3 mil para o produtor. “O aumento da produção me permitiu deixar um emprego de carteira assinada depois de 14 anos trabalhando como soldador. O pólen é o ouro das flores na apicultura”, afirma Oliveira.

Com o bom desempenho, o apicultor aposta na expansão do número de enxames, com projeção de praticamente dobrar a renda atual até 2027. “Tenho 90 caixas de abelha. Até o próximo ano, vou aumentar essa quantidade para 250. Com isso, espero ganhos na casa dos R$ 5 mil”, pontua.

Uma prova do quanto a produção tem se desenvolvido é a criação da marca Apiário Fazenda Doce Mel, que leva o nome da fazenda de Alexandre, onde estão instalados os enxames dele.

Alexandre Oliveira (à esquerda) ao lado de Jailson Medeiros, que atua no melhoramento genético. Foto: Alex Régis

Melhoramento genético impulsiona a produção

De acordo com Nilson Dantas, analista técnico do Sebrae/RN, os apicultores do Projeto Santa Águeda, em Ceará-Mirim, recebem mensalmente três horas de consultoria de campo, com orientações voltadas ao manejo adequado dos enxames, alimentação das colmeias, sequenciamento produtivo e troca de cera, para garantir maior qualidade e produtividade, a fim de fortalecer a atividade na região.

“Agora, estamos avançando também para uma nova etapa, com foco no melhoramento genético, por meio da utilização de abelhas rainhas fecundadas, o que deve elevar ainda mais o desempenho da atividade. Ceará-Mirim possui um diferencial muito importante, que é a grande presença de coqueirais, criando um ambiente extremamente favorável para a exploração do pólen apícola”, explicou Dantas.

De acordo com Alexandre Oliveira, da Apafase, a grande procura pelo pólen se dá por conta da diversidade de plantas da região, o que confere sabor especial ao produto. “As empresas, para onde vai a maior parte da nossa produção, nos procuram muito por causa da diversificação da florada que existe aqui e que nos garante o pólen silvestre, de sabor muito agradável. As abelhas campeiras de uma única colmeia visitam plantas diferentes, captando pólen de diferentes cores. Na prática, o pólen silvestre é a reunião de grãos de variadas flores”, explica Oliveira.

“Outro tipo bastante aceito no mercado é o pólen de coqueiro, porque é muito fino e leve. Nossa região é muito rica em coqueirais. Isso garante uma produção o ano inteiro”, acrescenta o apicultor.

Um segundo fator que tem contribuído para a produção é o melhoramento genético das abelhas, desenvolvido em alguns apiários da associação. Jailson Medeiros, 43, é aplicultor e atua no suporte técnico a um dos produtores, mas pretende ele próprio produzir pólen em breve. De acordo com Medeiros, nem todas as abelhas possuem direcionamento para a produção de pólen, por isso é necessário fazer o melhoramento.

“Em algumas colmeias é possível extrair uma média de 75 a 80 gramas [de pólen]. Em outras, é possível coletar bem mais, 160 gramas, mas há aquelas onde dá para extrair apenas 20 [gramas]. Isso depende do tamanho da colmeia e também da condição genética. Cada abelha tem um direcionamento para uma produção específica. Enquanto algumas são mais inclinadas ao mel, outras têm melhor direcionamento para o pólen ou o própolis”, diz Medeiros.

Com o melhoramento, de acordo com ele, é possível padronizar o apiário, algo que é feito em quatro ou cinco ciclos. Para isso, Jailson observa as colônias que mais armazenam pólen, selecionando-as para reprodução. “Os zangões melhorados geneticamente para o pólen vão fecundar as abelhas para gerar um alto índice de produtoras”, diz.

Além disso, o melhoramento genético tem como objetivo uma colmeia mais higiênica e menos defensiva. “Começamos a adquirir exemplares de abelhas europeias, menos agitadas, de alguns produtores do Sul do País, com material genético melhorado para introduzir junto às africanizadas, mais defensivas”, conta.

A substituição ocorre aos poucos. De modo resumido, as abelhas europeias foram gerando zangões que cruzam com as africanizadas, o que fez baixar a defensibilidade do enxame. “Hoje nós temos um plantel que nos permite trabalhar de forma muito mais tranquila. Lembrando que a substituição é feita de maneira gradual, ano a ano”, aponta Jailson Medeiros.

Para o melhoramento, são selecionadas inicialmente 10 abelhas africanizadas de um apiário. Desse total, uma nova seleção escolhe uma única abelha, a mais higiênica, menos defensiva e de alta produtividade para receber as larvas com melhoramento genético.

Nesta abelha, chamada de prévia matriz, é realizada uma enxertia para fecundação, processo que acontece em até 45 dias e permite observar se a genética das novas abelhas é semelhante ao padrão da matriz (a rainha com qualidade genética superior). Se o material genético se repetir, essa nova abelha é selecionada como uma matriz, sendo retirada para um segundo apiário, onde será explorada no processo de melhoramento.

Produção artesanal

Todo o processo de produção de pólen do Projeto Santa Águeda II é feito de modo artesanal – da fabricação das caixas para os enxames ao beneficiamento do produto. Alexandre Oliveira, presidente da Apafase, responsável por iniciar a produção, conta que a primeira caixa construída por ele foi elaborada com tábuas encontradas no lixo e varas retiradas do mato. Com o dinheiro da produção de mel, inicialmente, Alexandre fez diferentes investimentos, até chegar ao padrão atual – o Langstroth, que utiliza madeira comprada em serraria.

O grupo, no entanto, já realiza testes para utilizar material reciclável na fabricação das caixas. “A ideia é usar PVC, que é uma matéria muito descartada na região. Com isso, a gente pretende economizar com a compra de madeira”, afirma Alexandre.

O padrão Langstroth, segundo Jailson Medeiros, garante alta produtividade nos apiários. O nome é uma homenagem ao patrono da apicultura, Lorenzo Langstroth. As colmeias em Ceará-Mirim são adaptadas com uma tela de pouso e uma touca de coleta.

“Essa touca é feita com tela de mosquiteiro, confeccionada pelos produtores. Também confeccionamos a trampa – estrutura feita de PVC com furos de 4,8mm. Esses furos retêm 70% do pólen que vem em bolotas presas nas patas da abelha. O pólen, então, passa pela tela de pouso feita de inox e fica armazenada na touca, de onde a gente recolhe. Tudo que é produzido é vendido para 14 estados – principalmente para Santa Catarina, Ceará e Pernambuco. Para Natal, vai uma pequena parte”, afirma o apicultor.

Felipe Salustino/Repórter

Tribuna do Norte

Copa deve movimentar R$ 1,1 bilhão em compras no RN, estima CDL Natal

Evento esportivo mundial deve acelerar as vendas no varejo e impulsionar o setor de serviços em 2026 no RN. Na capital potiguar, essa movimentação pode ultrapassar os R$ 300 milhões, segundo estimativa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal.

O gasto médio do consumidor no país é estimado em R$ 619,00, valor que sobe para R$ 784,00 entre as classes A e B, segundo o levantamento da CNDL e do SPC Brasil. Foto: Adriano Abreu

Camisas da Seleção Brasileira, decoração verde e amarela, bares e restaurantes sintonizados à transmissão dos jogos. Esse é o cenário projetado para a Copa do Mundo 2026, que começa em 11 de junho. A maior competição mundial do futebol deve levar cerca de 1,8 milhão de potiguares às compras, estima a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Natal. A projeção é de que o evento movimente R$ 1,1 bilhão na economia do Rio Grande do Norte.

Na capital do estado, essa movimentação pode ultrapassar R$ 300 milhões. Além disso, um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que a proximidade do evento deve levar cerca de 99,2 milhões de brasileiros às compras, com 60% dos consumidores planejando adquirir produtos ou serviços relacionados à Copa.

O evento esportivo deve acelerar as vendas no varejo e impulsionar o setor de serviços. Para a CDL Natal, os setores que devem registrar maior alta por causa da Copa são: vestuário e artigos temáticos, supermercados, bebidas, itens para churrasco, bares e restaurantes, delivery, eletrônicos e decoração e utilidades para confraternizações.

“A Copa funciona como um grande acelerador do consumo, movimentando tanto o comércio físico quanto o digital. A expectativa do setor é que o desempenho da Seleção Brasileira influencie diretamente no ritmo das vendas”, diz José Lucena, presidente da CDL Natal.

Segundo o levantamento da CNDL e do SPC Brasil, realizado em parceria com a Offerwise Pesquisas, o gasto médio do consumidor é estimado em R$ 619,00, valor que sobe para R$ 784,00 entre as classes A e B.

A movimentação esperada é intensa tanto no ambiente físico quanto no digital, mas o varejo físico será o principal destino para itens de consumo imediato, com 89% de preferência, especialmente em supermercados (70%) e lojas de bairro (33%).

De acordo com a pesquisa, 67% dos torcedores farão compras pela internet, sendo que 51% usarão aplicativos de entrega, e 42%, lojas online. No setor de serviços, os destaques são o delivery de comida e bebida (61%) e o movimento em bares e restaurantes (39%).

O hábito de assistir aos jogos de forma coletiva (97%) impulsionará os setores de supermercados, lojas de bairro e serviços de delivery. Bebidas não alcoólicas (68%), petiscos (62%), carnes para churrasco (60%), cervejas (59%) e camisas temáticas (61%) serão os itens mais procurados.

As transações à vista predominam (90%), lideradas pelo Pix (57%). Sobre a procedência dos produtos, 47% pretendem adquirir produtos licenciados, e apenas 6% assumem a compra de falsificados.

A pesquisa foi realizada de forma online e coletou informações de 916 pessoas das 27 capitais brasileiras, das quais 600 tinham a intenção de gastar. O levantamento seguiu duas etapas – 916 casos e 600 –, com margens de erro de 3,2 p. p. e 4,0 p. p., respectivamente, e um intervalo de confiança de 95%.

Copa tem efeito multiplicador na economia

O economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do RN, aponta que a Copa do Mundo é um movimento cultural com efeito multiplicador na economia. “Sob o ponto de vista macroeconômico, a Copa funciona como um choque temporário de demanda agregada”, diz.

“É um fluxo gigante de pessoas demandando aqueles produtos num curto espaço de tempo, o que causa um aumento sazonal do consumo das famílias, principalmente em bens de consumo não duráveis e serviços ligados à Copa”, explica.

O evento acelera o faturamento do comércio varejista e do setor de serviços durante o período em que é realizado. “O brasileiro transforma os jogos em experiências coletivas. O consumidor não compra apenas o produto, ele está comprando, por exemplo, a participação social e a experiência coletiva”, observa Néo.

Ele destaca que o crescimento econômico causado pela Copa é pulverizado, impactando os setores formal e informal, em diversos segmentos, com destaques como o maior uso de delivery – a pesquisa mostra que oito em cada dez entrevistados (86%) pretendem assistir aos jogos em casa.

Quanto aos preços dos produtos e serviços, o economista explica que o período tem elasticidade de demanda: o consumo é expressivo, mas breve. Mesmo se os preços forem menos acessíveis, o consumidor vai continuar comprando.

Decoração e utilidades é um dos setores que deve ser impulsionado. Foto: Adriano Abreu

Boas expectativas no varejo de Natal

Segundo José Lucena, presidente da CDL Natal, o comércio de rua na capital potiguar espera aumento no fluxo de consumidores com a aproximação dos jogos da Seleção Brasileira.

“Lojas já começam a unir vitrines temáticas da Copa com os festejos juninos, criando uma combinação estratégica para impulsionar as vendas”, diz. Já os shoppings apostam na experiência dos jogos, entretenimento e gastronomia.

Os destaques são segmentos como vestuário, supermercados, bebidas, itens para churrasco, bares, restaurantes, decoração e delivery. A CDL Natal aponta que o varejo físico segue forte, pois “oferece algo que o digital ainda não consegue substituir completamente: experiência, proximidade, confiança e imediatismo”.
Ainda assim, a ascensão do digital é notada, com muitos lojistas trabalhando de forma híbrida entre a loja física, as redes sociais e o delivery.

O presidente da Associação dos Supermercados do RN (Assurn), Gilvan Mikelyson, frisa que “o consumidor brasileiro ainda valoriza muito a experiência imediata e presencial, principalmente quando se trata de alimentos, bebidas e itens para confraternizações”.

Supermercados devem ser os preferidos para itens de consumo imediato no evento esportivo. Para a Assurn, o comportamento é natural na cultura do brasileiro. “A Copa do Mundo costuma mobilizar encontros coletivos e momentos de convivência”, diz Mikelyson.

“Eventos como a Copa tradicionalmente aquecem as vendas de categorias como bebidas, carnes para churrasco, petiscos, congelados, itens de mercearia e produtos temáticos”.

Diva Maria, comerciante, espera por uma alta nas vendas. Foto: Adriano Abreu

Alecrim aposta nas vendas para a Copa

No Camelódromo do Alecrim, em Natal, comerciantes dizem que as vendas de camisas para torcedores ainda estão tímidas, mas as expectativas são grandes. A reportagem visitou o local na sexta-feira (22).

Roberto Barreiros conta que o movimento, nesse dia, ainda estava “meio parado”. “Estamos esperando melhorar, mas a expectativa no geral está muito otimista. Estamos ansiosos”, afirma. Barreiros também é torcedor e gosta de assistir aos jogos em barzinhos.

A comerciante Diva Maria relata que as vendas ainda estão baixas, mas ela, que já trabalhou em outras Copas, afirma que isso é esperado. “Quase ninguém está procurando ainda, mas eu acho que a próxima semana dá uma melhorada boa”.

A autônoma Priscila Lopes estava comprando uma camisa da Seleção Brasileira para o filho, Lucas Gabriel, 13. “Ele já é fã do Brasil e compra [a camisa] com frequência, mesmo fora da época de Copa”, diz a mãe.

Em sua casa, a família costuma assistir às partidas reunida, fazendo churrasco. “Não entendo de jogos, só faço torcer mesmo”, confessa Lopes. A autônoma diz acreditar no hexacampeonato brasileiro.

Endividamento e bets são alertas para torcedores

Por outro lado, o levantamento da CNDL e SPC Brasil acende um alerta socioeconômico: 61% dos torcedores que pretendem gastar no período possuem dívidas em atraso e, destes, 70% estão negativados. O cenário é agravado pela intenção de engajamento em plataformas de apostas online (“bets”), que atrairão 41% dos consumidores.

Entre os apostadores, 74% enxergam nas plataformas uma oportunidade para quitar dívidas pendentes, enquanto 39% planejam reinvestir eventuais prêmios nos próprios jogos de azar, dinâmica classificada pelas entidades como de risco para o endividamento das famílias.

“Esse comportamento, associado ao alto índice de negativados entre os potenciais consumidores, aponta para uma vulnerabilidade econômica latente, onde a esperança de liquidação financeira através da sorte pode acabar aprofundando o ciclo de endividamento de muitas famílias brasileiras”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

De acordo com Arthur Néo, os gastos com a Copa do Mundo, mesmo entre os endividados, mostram que o evento tem “um componente emocional extremamente forte”. O economista descreve as apostas como um “perigo”.

“Em um jogo de azar, por mais que você tenha algum ganho inicial, isso não representa que você vai ter ganhos reais. [Isso] aumenta o endividamento das pessoas e o comportamento compulsivo. O apostador perde mais renda ainda, deteriora o orçamento familiar e aumenta a sua vulnerabilidade social”.

Pix

Além disso, Néo diz que a transição para o Pix reduz o consumo de dinheiro físico e aumenta a velocidade das transações, mas também mostra um perfil de consumidores sem crédito.

O economista recomenda cautela durante a Copa: em sua visão, para participar do movimento cultural, não é preciso agravar a situação de endividamento ou inadimplência.

NÚMEROS

1,8 milhão de potiguares devem ir às compras.

R$ 1,1 bilhão é a movimentação econômica esperada no RN.

R$ 300 milhões é a movimentação econômica esperada em Natal.

99,2 milhões de brasileiros devem comprar produtos ou serviços devido ao evento

Fontes: CDL Natal e CNDL/SPC Brasil

Fernando Azevêdo/Repórter

Tribuna do Norte

sábado, 23 de maio de 2026

Justiça suspende licitação para serviços médicos do SAMU no RN

Foto: Sandro Menezes

A Justiça do Rio Grande do Norte suspendeu, de forma liminar, a licitação realizada pelo Governo do Estado para contratação de serviços médicos destinados ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU 192 RN. A decisão foi proferida pela 6ª Vara da Fazenda Pública de Natal e tem validade inicial de 30 dias.

O certame, promovido pela Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte, a Sesap/RN, tinha como objetivo contratar serviços médicos em escalas de plantões presenciais e ininterruptos para atuação no SAMU 192 RN, incluindo 29 bases descentralizadas responsáveis pelo atendimento em 91 municípios potiguares.

Apesar da suspensão, a Justiça determinou que o Estado adote, no prazo de 30 dias, uma medida capaz de assegurar a continuidade dos serviços de urgência e emergência prestados à população.

Entre as alternativas apontadas na decisão estão a prorrogação do contrato anterior, caso haja amparo legal, a abertura de um novo procedimento licitatório, a contratação direta com base nas hipóteses de dispensa previstas na Lei nº 14.133/2021, especialmente em situação emergencial, ou outra providência juridicamente adequada até o julgamento definitivo do mandado de segurança.

Cooperativa questionou habilitação de empresa vencedora

A decisão atende a um pedido feito por uma cooperativa da área da saúde, participante do Pregão Eletrônico nº 90.191/2025, vinculado ao Processo Administrativo nº 00610033.000708/2025-71.

No mandado de segurança, a cooperativa alegou que a empresa declarada vencedora pelo pregoeiro da Sesap/RN não teria comprovado qualificação técnica compatível com o objeto da licitação, conforme exigido no edital.

Segundo a autora da ação, os documentos apresentados pela empresa vencedora não demonstrariam experiência específica em atendimento pré-hospitalar móvel, requisito considerado essencial para a operação do SAMU 192 RN e de suas bases descentralizadas.

A cooperativa também apontou suposta inconsistência em documentos econômico-financeiros. De acordo com a ação, o balanço patrimonial referente ao exercício de 2024 apresentaria capital social diferente daquele constante em documento arquivado na Junta Comercial do Rio Grande do Norte, a Jucern, o que, na avaliação da autora, comprometeria a fidedignidade da habilitação.

Ainda conforme o processo, os recursos administrativos apresentados pela cooperativa foram negados, e o certame foi adjudicado e homologado em 25 de fevereiro de 2026.

Sesap defendeu regularidade da licitação

A Sesap/RN sustentou a regularidade da habilitação da empresa vencedora. O órgão argumentou que a Lei nº 14.133/2021 exige similaridade, e não identidade absoluta, entre os serviços comprovados nos atestados de capacidade técnica e o objeto licitado.

Para a secretaria, a interpretação defendida pela cooperativa poderia representar restrição indevida à competitividade do certame.

Sobre a divergência no capital social, a Sesap informou que a diferença decorreria de aporte realizado por meio de Sociedade em Conta de Participação, estrutura contábil considerada lícita. A secretaria também afirmou que a empresa vencedora apresentou índices de liquidez corrente e solvência geral superiores aos previstos no edital.

A empresa vencedora, por sua vez, alegou que o Contrato Administrativo nº 76/2026 já estava em execução desde 13 de maio de 2026, com serviços de urgência e emergência prestados de forma contínua em todo o Estado. A defesa também apontou risco de dano reverso ao interesse público e mencionou decisões anteriores que teriam negado liminares semelhantes relativas ao mesmo pregão.

Juiz vê indícios de vício na habilitação técnica

Ao analisar o caso, o juiz Francisco Seráphico da Nóbrega Coutinho entendeu que a exigência de atestados de capacidade técnica prevista no edital não poderia ser interpretada de forma genérica ou ampliativa.

Segundo o magistrado, a natureza do serviço licitado — operação do SAMU 192 RN e de suas bases descentralizadas — exige experiência específica em atendimento pré-hospitalar móvel, considerando a complexidade logística e assistencial do serviço.

Na decisão, o juiz destacou que a prova documental apresentada no processo indica que os 17 atestados fornecidos pela empresa vencedora não demonstrariam experiência em APH Móvel. Segundo ele, os documentos se referem, em sua maioria, a especialidades restritas, consultas ambulatoriais e atendimentos em unidades hospitalares fixas.

O magistrado observou ainda que apenas um documento, emitido por um município da Paraíba, menciona o SAMU. Mesmo assim, o atestado seria limitado à declaração de plantão médico de 24 horas em um único município, sem especificar cobertura multibase, quantitativos de atendimento, disponibilização de ambulâncias, certificações dos profissionais ou período de duração dos serviços.

Para o juiz, esses elementos são relevantes para aferir a compatibilidade da experiência técnica exigida no edital.

Continuidade do contrato poderia dificultar correção, diz decisão

Ao deferir a liminar, o magistrado afirmou que a continuidade da execução do Contrato Administrativo nº 076/2026 poderia tornar mais difícil a correção de eventual irregularidade ao fim do processo.

Na avaliação do juiz, a manutenção do contrato, diante de indícios de vícios relevantes na habilitação da empresa contratada, poderia comprometer a integridade do sistema licitatório e o dever constitucional de licitar.

A decisão menciona que o avanço da execução contratual, com empenhos, pagamentos e organização de escalas médicas, poderia aprofundar os efeitos concretos da contratação e reduzir a utilidade de uma decisão definitiva futura.

Com a liminar, o Estado deverá adotar uma solução temporária para garantir que o serviço do SAMU 192 RN não seja interrompido enquanto o mérito do mandado de segurança ainda aguarda julgamento.

Tribuna do Norte

Laboratório da UFRN registra três tremores em cinco dias no Seridó potiguar

Foto: Alex Régis

O Rio Grande do Norte registrou três eventos sísmicos na região de Currais Novos em um intervalo de cinco dias, segundo informações divulgadas pelo Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN). Os tremores ocorreram na segunda-feira (18), na quarta-feira (20) e na sexta-feira (22), todos com baixa magnitude preliminar e sem relatos de que tenham sido sentidos pela população até o momento.

O primeiro registro ocorreu na segunda-feira (18), às 15h49 UTC, equivalente às 12h49 no horário de Brasília. De acordo com o LabSis/UFRN, o evento foi identificado pela rede de estações sismográficas do laboratório e apresentou magnitude preliminar de 1,5 mR.

Dois dias depois, na quarta-feira (20), um novo evento foi registrado também na região de Currais Novos. O tremor ocorreu às 15h38 UTC, 12h38 no horário de Brasília, com magnitude preliminar de 1,7 mR.

A terceira notificação no Rio Grande do Norte foi registrada na sexta-feira (22), às 15h34 UTC, 12h34 no horário de Brasília, novamente em Currais Novos. O evento teve magnitude preliminar de 1,5 mR e integrou um boletim mais amplo do LabSis/UFRN, que também apontou registros sísmicos em municípios da Bahia no mesmo dia, como Maracás, Itagibá, Santanópolis, Retirolândia e Canudos.

O laboratório informou que segue monitorando continuamente os registros de atividade sísmica no Rio Grande do Norte e em toda a região Nordeste. Os tremores podem incluir eventos naturais e ocorrências associadas à ação humana, como detonações e queda de objetos espaciais.

Tribuna do Norte

Fux antecipa voto e STF tem placar de 2 a 0 para manter prisões de pai e primo de Vorcaro

O relator do caso na Corte, o ministro André Mendonça, votou pela manutenção das prisões nesta sexta-feira (22), em sessão virtual da Segunda Turma. O julgamento foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux | Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou neste sábado, 23, para manter as prisões preventivas de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo, respectivamente, de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Nas últimas semanas, os familiares do banqueiro foram alvos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga fraudes na instituição financeira liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025. Felipe foi um dos alvos da PF em uma operação no dia 7 de maio, e Henrique, em 14 de maio.

O relator do caso na Corte, o ministro André Mendonça, votou pela manutenção das prisões nesta sexta-feira, 22, em sessão virtual da Segunda Turma. O julgamento foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes. Fux antecipou seu voto nas duas ações e o colegiado, formado por cinco ministros, tem placar de 2 a 0 para referendar as decisões do relator tanto em relação ao pai quanto ao primo do ex-dono do Master.

O pedido de vista dá mais tempo - até 90 dias - para o decano da Corte, o ministro Gilmar Mendes, analisar o caso e, na prática, posterga a decisão do julgamento.

No voto para manter a prisão do pai de Vorcaro, Mendonça alegou "fortes indícios de que os indivíduos integram uma complexa estrutura para a prática de crimes com uma profunda repercussão negativa na sociedade".

O relator afirmou não haver "outras medidas menos graves e ao mesmo tempo capazes de garantir a ordem pública, a aplicação da lei penal e o bom andamento da instrução criminal" que não a prisão preventiva do investigado.

Quanto ao primo do banqueiro, Mendonça referendou um parecer do Ministério Público Federal segundo o qual Felipe Vorcaro assumiu um "papel significativo" em transações financeiras "marcadas por elementos de ilicitude, em especial da lavagem de dinheiro". "A liberdade do investigado compromete, assim, de modo direto, a efetividade da investigação e a futura aplicação da lei penal", disse o relator.

Além de Mendonça, Fux e Gilmar, integram a Segunda Turma os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli.

Toffoli, porém, tem se declarado suspeito para julgar processos relacionados ao Master. O magistrado já relatou a investigação, deixando-a em fevereiro.

Estadão Conteúdo