domingo, 8 de março de 2026

“Parem de nos matar”: exigem mulheres no 8 de março em Brasília

Valter Campanato/Agência Brasil

Os recorrentes casos de feminicídio no Brasil foram o destaque da manifestação que marcou o Dia Internacional da Mulher em Brasília. Com cartazes escritos Parem de Nos Matar, centenas de pessoas denunciaram a violência de gênero no Distrito Federal (DF) nesse domingo (8).

O ato ocorreu próximo à Torre de TV, no centro de Brasília, e contou com a participação de grupos musicais, partidos políticos, sindicatos e diversos coletivos feministas. A manifestação ainda pediu o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1), tida como especialmente difícil para as mulheres.

 

Brasília (DF), 08/03/2026 Ato 8 de Março – Dia Internacional das Mulheres em Brasília. Foto; Valter Campanato/Agência Brasil
Ato 8 de Março – Dia Internacional das Mulheres em Brasília - Valter Campanato/Agência Brasil

O governo do DF de Ibaneis Rocha também virou alvo do protesto, que lembrou a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), o banco estatal do DF.

Outra pauta de destaque foi a denúncia do imperialismo, tendo em vista as ações dos Estados Unidos (EUA) no Irã, em Cuba e na Venezuela. A ação israelense na Palestina também foi alvo de falas e cartazes na marcha das mulheres.

Violência de gênero

A artista plástica Daniela Iguizzi, de 55 anos, levou consigo a obra Medo retratando um revólver apontado contra uma mulher.

 

 Brasília-DF- 08/03/2026 - Ato 08M em Brasília.  Daniela Iguizzi, artista plástica, 55 anos 
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil.
Daniela Iguizzi retrata o medo em obra- Valter Campanato/ Agência Brasil.

“A mulher não tem um minuto de paz. Ela não tem sossego no seu lar. Ela não tem sossego no seu trabalho. Em todos os lugares nós podemos ser assediadas, podemos ser assassinadas. Por isso, o nome dessa obra é medo. Medo é o que toda mulher brasileira sente”, disse à Agência Brasil.

Só em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas de feminicídio no Brasil, crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo dados compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A coordenadora do grupo de maracatu Baque Mulher Brasília, Raquel Braga Rodríguez, destacou os feminicídios como grande preocupação das mulheres brasileiras e que o ato é contra esse tipo de crime.

“O governo lançou esse Pacto Nacional contra o Feminicídio e a gente gostaria muito que essa política pública fosse realmente colocada em prática, que a gente visse resultado na redução desses números”, disse Raquel.

 

Brasília-DF- 08/03/2026 - Ato 08M em Brasília.  Raquel Braga Rodriguez, coordenadora do grupo Baque Mulher Brasília. Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil.
 Raquel Braga Rodriguez destaca os feminicídios como grande preocupação. - Valter Campanato/ Agência Brasil.

No início de fevereiro, um pacto entre Executivo, Legislativo e Judiciário foi firmado para adoção de medidas contra a violência de gênero no Brasil.

Com 88 anos completados ontem, a histórica militante do movimento de mulheres negras do Distrito Federal Lydia Garcia foi à manifestação, mesmo com risco de chuva. Professora de música aposentada do Coletivo Mulheres Negras Baobá, Lydia é mãe de cinco filhos, tem 11 netos, três bisnetos, e é pioneira da capital federal.

 

 Brasília-DF- 08/03/2026 - Ato 08M em Brasília.  Lydia Garcia, aposentada, de 88 anos, professora de música, do coletivo de mulheres negras Baobá.  Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil.
 Lydia Garcia diz que a marcha impõe a força da mulher. - Valter Campanato/ Agência Brasil.

“Nós mulheres, principalmente as mulheres negras, estamos impondo a este mundo e a este Brasil a nossa força, as nossas lutas e vitórias por dias melhores contra a violência dos jovens negros, contra o feminicídio”

Distrito Federal

Um dos alvos da manifestação do Dia da Mulher em Brasília foi o Governo do Distrito Federal (GDF), liderado por Ibaneis Rocha, e sua vice, Celina Leão.

A representante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) Jolúzia Batista reclamou da falta de dinheiro para políticas públicas de proteção às mulheres no DF. 

“Estamos vivendo um escândalo financeiro no Brasil com o banco do GDF [o BRB] sendo rifado e faltando dinheiro para a política pública”, disse à Agência Brasil.

 

Brasília-DF- 08/03/2026 - Ato 08M em Brasília.Joluzia Batista, da Articulação de Mulheres Brasileiras.
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil.
Joluzia destaca a corrupção como uma das causas da falta de dinheiro para políticas públicas- Valter Campanato/ Agência Brasil.

A Polícia Federal (PF) investiga a tentativa de compra do Master pelo BRB. O Banco de Brasília estuda dar 12 imóveis públicos do DF como garantia de empréstimos para reforçar o caixa da instituição após perdas estimadas em R$ 2,6 bilhões com a aquisição de créditos do Master.   

A ativista do AMB defendeu ainda que, além da denúncia contra o feminicídio, a luta das mulheres deve ser por orçamento que financie as políticas públicas que melhore a vidas das meninas e mulheres.

“A gente precisa falar de orçamento. Com as emendas parlamentares, as emendas Pix, elas levaram o dinheiro da política pública. Perdemos qualidade de serviço, perdemos capacitação de profissionais, perdemos em campanhas educativas”, comentou.

Avanços da luta das mulheres 

Uma das organizadoras do ato, Thammy Frisselly destacou os dez anos da Marcha Unificada do 8 de Março em Brasília e os avanços conquistados pelo movimento de mulheres na cidade.

“O 8M [8 de março] é o maior ato político feminista da capital federal. A gente teve muitos avanços, não só nas leis, mas também no aumento no número de delegacias para mulheres”, detalhou Thammy.

 

 Brasília-DF- 08/03/2026 - Ato 08M em Brasília.  Thammy Frisselly, da Assembleia Popular pela Vida de Todas as Mulheres, do DF em torno, uma das organizadoras do 8 de Março Unificado do DF. Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil.
Thammy Frisselly destacou os dez anos da Marcha Unificada do 8 de Março, em Brasília, e os avanços conquistados pelo movimento de mulheres - Valter Campanato/ Agência Brasil.

Para a representante da Assembleia Popular pela Vida de Todas as Mulheres, a violência contra a mulher é hoje debatida na sociedade devido a pressão dos movimentos ao longo dos anos.

“Podemos falar hoje abertamente que é violência o seu ‘psiu’ no meio da rua, que é violência você falar da minha roupa. Essa é uma educação bem na base que é resultado da luta das mulheres”, completou Thammy.

Escala 6x1 e imperialismo

A ativista do DF acrescentou que a pauta do fim da escala 6x1 é central na luta das mulheres, que já são submetidas a jornadas duplas ou triplas, cuidando da casa, dos idosos, das crianças e ainda tendo que trabalhar.

“As mulheres precisam de tempo para tratar da sua saúde mental, para o lazer, para fazer outras coisas, para estudar”, explicou Thammy.

Agência Brasil

08 de março, também é o Dia Internacional das Mulheres Rurais

Exemplificar as qualidades da Mulher pode ser considerado o maior dos desafios das ciências humanas, tamanha a sua capacidade resiliente, regenerativa, acolhedora e mais uma infinidade de adjetivos maravilhosos que somente as mulheres são capazes de reunir.

A história do 8 de março remonta a séculos e traduz a “força da mulher” e não nasceu em uma vitrine decorada. Sua origem está no chão de fábrica, nas greves operárias lideradas por mulheres que, entre o fim do século XIX e o início do XX, decidiram que não aceitariam mais jornadas exaustivas, salários miseráveis e a abstenção na vida pública.

Desde então, a data tornou-se o símbolo definitivo da mobilização e a oficialização pela ONU só viria décadas depois, em 1975, o que ampliou o alcance político da data para todos os países.

O empoderamento feminino não ficou apenas nas fábricas ou na sociedade urbana, as “mulheres rurais”, fortes e competentes, bradaram alto e tornaram publicas suas competências e o importante e fundamental papel que exercem na economia rural.

Atualmente as “Mulheres Rurais” ultrapassaram os limites da submissão e assumiram o protagonismo feminino nas diversas escalas da Agricultura, como pilares fundamentais da Agricultura Familiar, de pequeno e grande porte.  

A presença feminina na produção de alimentos tem crescido de forma contínua desde meados dos anos 2000, refletindo o avanço de políticas públicas voltadas à igualdade de gênero no campo e o fortalecimento da autonomia econômica das agricultoras. 

Em 2016 aconteceu o primeiro Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio. Um evento para celebrar a transformação das mulheres rurais, gerando oportunidades de conectividade com as novas tecnologias, a inclusão e a diversidade no Campo.  

As mulheres rurais são protagonistas em setores como a pecuária, a medicina veterinária, a zootecnia e a agronomia, sendo reconhecidas por sua inovação e gestão de equipes. Elas também são líderes em decisões estratégicas e funções de liderança em grandes empresas. 

As mulheres rurais desempenham um papel crucial no desenvolvimento econômico e sustentável do Brasil. Elas são responsáveis por mais da metade da produção de alimentos do mundo e desempenham um papel fundamental na preservação da biodiversidade e na garantia da segurança alimentar. No entanto, no que tange à Agricultura Familiar, ainda enfrentam desigualdades sociais, políticas econômicas, como a falta de acesso a terra, insumos agrícolas, água, sementes, tecnologia, ferramentas, crédito, assistência técnica, culturas rentáveis, mercados de produção e cooperativas rurais. 

Está previsto para outubro deste ano a realização da 11ª do Congresso Nacional das Mulheres Rurais, que deverá acontecer nos dia 28 e 29 de outubro, no Transamerica Expo Center, Avenida Doutor Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 Jardim Dom Bosco - São Paulo, SP e terá como tema “Nutrientes para a Vida, Saúde para o Planeta”.

Saiba mais sobre o evento:

OVERVIEW EDIÇÃO 2026:

  2 Dias de Evento

  + 3.000 Congressistas 

  + 30 Temas Relevantes 

  1 Arena Master (Palco Principal)

  2 Arenas do Conhecimento Simultâneas 

  1 Hub Técnico 

  2° Edição Vila CNMA 

  3° Edição Casa Mulher do Agro 

 INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

Em caso de arrependimento da compra, o reembolso do valor do ingresso somente será efetuado caso a solicitação seja feita no prazo de até 7 (sete) dias a contar da data da compra, e desde que realizado o pedido de devolução com, no máximo, 48 (quarenta e oito) horas de antecedência do horário de início do evento. Essa solicitação deve ser feita pelo titular da compra.

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Local

Transamerica Expo Center

Avenida Doutor Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 Jardim Dom Bosco

São Paulo, SP

RN responde por apenas 2,4% da carga por cabotagem do Nordeste

O sal foi o produto com maior movimentação por cabotagem no RN, com 1,4 milhão de toneladas transportadas em 2025| Foto: Rodrigo Sena/ARQUIVO TN

Em 2025, o transporte de mercadorias no RN por cabotagem – modal de navegação que transporta cargas entre portos de um mesmo país – cresceu cerca de 250% no comparativo com o ano anterior, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). No período analisado, as movimentações por meio desse tipo de transporte saíram de pouco mais de 427 mil toneladas para 1,5 milhão. Ainda assim, a participação do estado nas movimentações do Nordeste é pouco expressiva, de apenas 2,4%. Dados do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) com base em informações da Antaq, apontam que a região movimentou 60,7 milhões de toneladas por cabotagem em 2025.

No ano passado, segundo o MPor, a maior parte da movimentação se concentrou em quatro estados da região, os quais responderam, juntos, por 91,6% de tudo o que passou pelos portos nordestinos via cabotagem: Bahia, com 15,3 milhões de toneladas; Maranhão, com 14,6 milhões; Ceará, com 12,9 milhões; e Pernambuco, com 12,8 milhões de toneladas.

Klaus Jardim, diretor comercial da Braslog, empresa especializada em transporte de cargas com sede em Macaíba, na Grande Natal, afirma que há um fator principal que inviabiliza a cabotagem no RN.

“Considerando que o navio vem e volta, o ponto central é a chamada cabotagem de retorno. O que acontece é que tem carga para trazer para cá, mas não tem mercadoria para levar daqui a outras regiões. Esse é um problema que afeta especialmente o Porto de Natal, uma vez que o sal é o principal produto que utiliza a cabotagem, mas sai de Areia Branca. Então, os navios não querem atracar por aqui”, analisa Jardim.

De acordo com a Antaq, no ano passado, o sal foi o produto com maior movimentação por cabotagem no RN, com 1,4 milhão de toneladas transportadas (ou 93,3% do total) pelo terminal marítimo de Areia Branca. Klaus Jardim aponta a necessidade de investimentos nesse tipo de transporte sob a justificativa de barateamento do setor logístico em todo o País. “Para o transporte rodoviário é preciso investir em estradas, enquanto que o ferroviário requer a construção de ferrovias. Esses são investimentos caros, mas, para a cabotagem não é preciso construir nada no mar”, afirma.

“A cabotagem, portanto, é o sistema de logística mais viável e mais barato para qualquer país. No Brasil, esse tipo de transporte não funciona porque falta estratégia e decisão política. Todas as cidades no mundo que se desenvolveram fizeram investimentos em portos. Acho que não somente o RN, mas o Brasil como um todo conseguiria resolver boa parte dos problemas logísticos se investisse na modalidade”, complementa.

RN fora das rotas de grandes empresas de cabotagem

O presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Roberto Serquiz, afirma que o estado está fora das rotas das grandes empresas de logística em cabotagem no Brasil. Segundo ele, os portos de Suape (PE) e Pecém (CE) são as bases para atendimento das empresas e indústrias potiguares atualmente.

Serquiz pontua que a infraestrutura portuária do RN é o principal fator de contribuição para o cenário. “Desde 2024, a Fiern busca articular com empresas logísticas nacionais e indústrias locais a inserção do Porto de Natal como ponto de parada nas rotas pré-existentes, encontrando, todavia, a barreira da limitação da infraestrutura portuária, que diz respeito a investimentos necessários em dragagem, defensas e scanner e balança”, pontua.

Para Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio RN, os desafios da cabotagem no estado são semelhantes aos enfrentados pela logística rodoviária, especialmente no que se refere à infraestrutura e à concentração econômica. Queiroz avalia que há um número restrito de produtos com potencial de obter vantagem competitiva por meio do transporte marítimo, como o sal e os combustíveis produzidos no litoral Norte.

“Pelas características de volume e localização, esses produtos apresentam maior viabilidade para a cabotagem”, descreve. Em razão disso, de acordo com ele, é preciso modernizar os terminais, a fim de fortalecer esse tipo de transporte e expandir a utilização dele para demais produtos. “A ampliação e modernização de portos e terminais ao longo da costa potiguar são apontadas como medidas necessárias para fortalecer a modalidade. Trata-se de uma agenda que exige articulação com o Governo Federal com vistas à atração de novos aportes e à melhoria da competitividade logística do estado”, diz Queiroz.

Necessidade de integração logística com o interior

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), José Vieira, também classifica a estrutura portuária local como um dos entraves para a utilização da cabotagem. Segundo ele, a modalidade tem potencial para fortalecer a competitividade logística do RN e apoiar o desenvolvimento de cadeias agropecuárias, mas é preciso maior integração logística com o interior e ampliação da escala de movimentação de cargas.

Produtores locais dizem que cabotagem poderia baratear o setor logístico em todo o país| Foto: cedida/ Braslog

“O agronegócio exige infraestrutura logística específica, como áreas de consolidação de cargas, pátios de contêineres refrigerados e estruturas de apoio para produtos perecíveis que ainda são limitadas no estado”, fala Vieira. Ele analisa que a cabotagem pode contribuir para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade da produção agropecuária do RN, especialmente em cadeias voltadas para mercados nacionais, tendo com um dos principais benefícios a redução do custo de transporte de insumos agrícolas, que podem chegar ao estado por via marítima a custos menores.

“Isso tende a diminuir o custo de produção e melhorar a competitividade de atividades importantes para o estado, como fruticultura, horticultura e outras cadeias agropecuárias”, comenta. Ainda segundo Vieira, a cabotagem pode facilitar o escoamento da produção para grandes centros consumidores, sobretudo no Sudeste e em outros polos do Nordeste. “Produtos como frutas, pescado e derivados agropecuários podem alcançar esses mercados com maior regularidade logística e menor custo por tonelada transportada”, indica Vieira, enquanto defende a integração do estado a hubs logísticos nacionais, como Suape, Pecém e Salvador.

Programa BR do Mar alterou as regras do setor

Os dados do MPor com base na Antaq indicam que, dentre os produtos mais transportados por cabotagem no Nordeste em 2025 estão o petróleo (13,3 milhões de toneladas), contêineres (12,5 milhões de toneladas), derivados de petróleo (11,7 milhões de toneladas), bauxita (9,8 milhões de toneladas) e minério de ferro (4,3 milhões de toneladas). A movimentação de contêineres demonstra, segundo o órgão, a diversidade econômica da região.

Entre os destaques estão arroz, produtos químicos e celulose (papel e cartão), evidenciando que a cabotagem atende tanto grandes cadeias industriais quanto o abastecimento alimentar e comercial. O desempenho, de acordo com o MPor, está associado às medidas do Programa BR do Mar, que modernizou regras e ampliou a segurança regulatória do setor.

Para o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, o avanço decorre da previsibilidade trazida pelo programa. “Ao garantir estabilidade regulatória, fortalecemos a cabotagem como alternativa estratégica na matriz de transportes e ampliamos sua contribuição para o desenvolvimento regional”, destacou.

O Programa BR do Mar foi instituído por meio da Lei nº 14.301/2022, e estabelece isenção do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) para cargas com origem ou destino em portos do Norte e Nordeste, reduzindo diretamente o custo do frete marítimo na região.

NÚMEROS

Movimentação por cabotagem no NE em 2025/ em toneladas
BA: 15,3 milhões
MA: 14,6 milhões
CE: 12,9 milhões
PE: 12,8 milhões
RN: 1,5 milhão

Fontes: MPor e Antaq

Tribuna do Norte

Pela Vida das Mulheres: atos do 8 de março ocupam ruas pelo Brasil

Fernando Frazão/Agência Brasi

O 8 de março de 2026 – o Dia Internacional da Mulher – será marcado no Brasil com atos espalhados pelas cinco regiões no país. A denúncia da violência contra as mulheres está no centro das manifestações.

As marchas das mulheres também incluem na agenda, entre outro temas, críticas ao imperialismo, tendo em vista as ações dos Estados Unidos (EUA) no mundo; a defesa da soberania; da democracia e pelo fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1), que atualmente está em debate no Parlamento.

A Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), uma das organizações por trás dos atos, afirma que estará nas ruas para denunciar a violência contra as mulheres.

“Estamos nas ruas para exigir o fim da violência contra nossos corpos e a proteção de nossas vidas. Pelo fim do feminicídio”, escreveu a AMB em manifesto.

“O capitalismo, aliado ao patriarcado e ao racismo, mantém a exploração e o sofrimento das mulheres. Mulheres no Brasil, em Gaza, em Cuba, na Venezuela e em tantos outros lugares enfrentam guerras, ameaças à soberania, avanço da extrema direita e a retirada de direitos básico”, completa o manifesto da AMB.

Confira os locais e horários de atos em todo o Brasil:

📍 Norte

AM - Manaus | 15h - Praça da Polícia
PA - Belém | 09h - Escadinha da Doca
PA - Bragança | 16h - Praça das Bandeiras
PA - Marabá | 8h - Feira da Folha 28
PA - Santarém | 17h - Pça da Matriz
RR - Boa Vista | 18h - Portal do Milênio/Centro

📍 Nordeste

AL - Maceió | 9h - Praça Sete Coqueiros
BA - Salvador | 9h - Morro do Cristo
CE - Cariri/Crato | 8h - Prefeitura do Crato
CE - Fortaleza | 14h - Projeto 4 Varas (Barra do Ceará)
MA - São Luís | 09h - Largo do Carmo (Feirinha)
PB - João Pessoa | 15h - Biblioteca Anayde Beiriz (Parque das Três Ruas)
PI - Teresina | 8h30 - Pça Pedro II
RN - Mossoró | 16h - Pça do Teatro Dix-Huit Rosado
RN - Natal | 8h - Caju da Redinha
SE - Aracaju | 8h - Feira Livre do Bugio

📍 Centro-Oeste

DF - Brasília | 13h - Funarte em Marcha até Palácio do Buriti
GO - Goiânia | 9h - Pça do Trabalhador
MT - Cuiabá | 7h30 - Em frente à Feira do CPA II

📍 Sudeste

ES - Vitória | 8h - Parque Moscoso
MG - Belo Horizonte | 9h30 - Pça Raul Soares
SP - Araraquara | 9h - Parque Infantil
SP - Cajamar | 10h - Pça Ginásio de Esportes do Polvilho
SP - Campinas | 9h - Largo do Rosário
SP - Diadema | 9h - Pça da Matriz (Ato ABCDRR)
SP - Santos | 9h - Pça das Bandeiras/Gonzaga
SP - São João da Boa Vista | 15h - Pça Coronel José Pires
SP - São Paulo | 14h - MASP
SP - Tatuí | 15h - Casa das Práxis
RJ - Rio de Janeiro | 10h - Posto 3 Copacabana

📍 Sul

PR - Curitiba | 9h - Pça Santos Andrade
PR - Guaratuba | 14h - Letreiro da Praia Central
PR - Maringá | 9h - Praça Rocha Pombo
PR - Matinhos | 14h - Mercado do Peixe
RS - Caxias do Sul | 10h - Largo da Estação Férrea
RS - Porto Alegre | 9h30 - Ponte da Pedra
RS - Imbé | 14h - Pça do Braço Morto
SC - Balneário Camboriú | 9h - Pça Almirante Tamandaré
SC - Blumenau | 8h - Escadaria da Igreja Matriz
SC - Caçador | 15h - Parque Central
SC - Chapecó | 9h - Pça Coronel Bertaso
SC - Garopaba | 10h - Pça Governador Ivo Silveira
SC - Guaratuba | 14h - Letreiro da Praia
SC - Joinville | 14h30 - Pça da Biblioteca

Agência Brasil

sábado, 7 de março de 2026

Pedro Filho recebe apoio de liderança de Goianinha e amplia articulação no Agreste potiguar

A pré-candidatura de Pedro Filho a deputado federal segue ampliando sua base de apoios no Rio Grande do Norte. Desta vez, o projeto político recebeu o respaldo de Renato Galvão, liderança do município de Goianinha, no Agreste potiguar.

Renato foi candidato a vice-prefeito nas últimas eleições municipais na chapa encabeçada por Tuca de Dison. Juntos, os dois conquistaram 8.926 votos, resultado que marcou a participação da chapa no processo eleitoral da cidade e consolidou a presença do grupo político no cenário local.

Ao declarar apoio, Renato destacou a importância de fortalecer a representação do município e da região no Congresso Nacional. Segundo ele, Pedro Filho reúne as condições necessárias para defender os interesses do Rio Grande do Norte em Brasília.

Pedro Filho agradeceu a confiança e ressaltou a importância da adesão de lideranças que possuem base política e diálogo direto com a população.

Câncer Infantil: Rio Grande do Norte é o 6º estado com mais casos da doença

Número de novos casos de câncer infantojuvenil no RN caiu 2,18%, mas houve redução mais expressiva em outros estados| Foto: Alex Régis

Com 627 diagnósticos, o Rio Grande do Norte ocupou a 6ª posição nacional no número de novos casos de câncer infantojuvenil em 2025. Um ano antes, o estado havia ocupado a 11ª posição no total de diagnósticos da doença na faixa etária de 0 a 19 anos, com 641 casos. Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce da doença, que é a mais letal para crianças e adolescentes no Brasil, o que fortalece o tratamento e aumenta as chances de cura.

O número de novos casos de câncer infantojuvenil registrados no RN caiu 2,18% entre 2024 e 2025, mas houve redução mais expressiva em outros estados: o Espírito Santo, por exemplo, teve queda de 60%, de 295 para 118 diagnósticos. No Brasil, o total de novos casos nessa faixa etária recuou 24,2%, de 15.811 para 11.984 diagnósticos. Os dados são do Painel Oncologia Brasil, do Ministério da Saúde, e foram compilados pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp) em 15 de janeiro de 2026.

Do total de casos da doença no Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que apenas 3% acometem o público infantojuvenil. Se diagnosticadas precocemente, cerca de 80% das crianças e adolescentes podem ser curadas e receber tratamento em centros especializados, segundo o Inca.

O pediatra Tiago Dalcin, membro da Sobrasp, observa que o câncer infantojuvenil é pouco debatido, pois a doença é mais associada a adultos e idosos. “Os sinais e sintomas do câncer na infância e na adolescência muitas vezes são inespecíficos. Eles podem acontecer ao longo do tempo, confundir-se com outras doenças e demorar para que seja feito o diagnóstico”, afirma.

“Os sintomas são, por exemplo, palidez, perda de peso, algum caroço ou nódulo que não dói, e manchas roxas pelo corpo”, explica. Para Dalcin, é importante investigar os sinais, caso existam, e realizar acompanhamento médico mesmo sem queixas, a fim de avaliar o desenvolvimento da criança ou adolescente.

Ana Járvis, superintendente da Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva, resume a importância do diagnóstico precoce em “salvar vidas”. “O câncer existe, e a gente está perdendo [vidas] pela falta de suspeição, pela falta de investigação”, afirma. Ela lembra que há cerca de 80% de chances de cura em casos em que se descobre a doença cedo.

Contudo, a falta de diagnóstico e dificuldades de acesso ao tratamento atrapalham o combate ao câncer. A Casa Durval Paiva, em Natal, acolhe crianças, adolescentes e suas famílias, antes, durante e após o tratamento.

Para a Sobrasp, o câncer infantojuvenil causa “forte impacto social e emocional” e afeta a rotina das famílias. “Quem convive com criança sabe o quanto isso vai mobilizar tanto a criança quanto a sua família. A gente precisa dar atenção individualizada para cada caso. Cada criança importa”, diz Tiago Dalcin.

Sobre o impacto do tratamento na rotina familiar, Járvis destaca que os reflexos vão além da saúde: muitas mães abdicam de suas carreiras para acompanhar os filhos e se dedicar ao tratamento. Segundo ela, 80% dos assistidos pela Casa Durval Paiva são do interior do estado e 20% são de Natal e região metropolitana. Na maioria dos casos, as mães vêm até a capital potiguar com os filhos.

Ana Járvis diz ainda que a faixa etária afetada pelo câncer infantojuvenil é mais vulnerável. “Em princípio, o adulto não é um ser vulnerável. Ele já tem autonomia, fala, diz onde há dor, reclama e diz qual é o seu limite. E ele já tem a responsabilidade das suas decisões, de querer fazer o tratamento ou não”, afirma.

Osteossarcoma

Em março deste ano, a Casa Durval Paiva desenvolve uma campanha de conscientização sobre o osteossarcoma – um dos principais tipos de câncer ósseo. Segundo Ana Járvis, este é o terceiro tipo de câncer mais frequente entre crianças e adolescentes, depois da leucemia e de tumores do Sistema Nervoso Central.

A incidência de tumores ósseos é maior entre 10 e 19 anos, período marcado por intensas transformações físicas. A Sobrasp informa que a leucemia representa 30% desse total. Também são tipos frequentes de câncer nessa faixa etária: linfomas, neuroblastoma, sarcomas (ósseos e partes moles) e retinoblastoma.

“O osteossarcoma é mais presente na adolescência, por isso que é tão difícil o diagnóstico. Tem uma dor óssea persistente ou uma tumoração, uma saliência naquela região, como pernas e joelhos. Muitas vezes, o médico acha que é ‘dor do crescimento’. Quando o diagnóstico é realmente feito, o tumor já está muito evidente ou já está em outros locais do corpo”, explica a superintendente. Mais comum na fase de crescimento acelerado da adolescência, ele atinge com maior frequência ossos longos como o fêmur (região do joelho), a tíbia e o úmero.

A iniciativa da Casa Durval Paiva é uma continuação da Campanha Diagnóstico Precoce 2026. Todos os meses, a instituição dá destaque a um tipo de câncer que acomete crianças e adolescentes, com o tema “Seja um porta-voz do Diagnóstico Precoce”.

Números

Novos casos de crianças e adolescentes com câncer (2025)
São Paulo: 2.391 casos
Ceará: 1.013 casos
Minas Gerais: 988 casos
Rio Grande do Sul: 837 casos
Santa Catarina: 732 casos
Rio Grande do Norte: 627 casos
Rio de Janeiro: 570 casos
Pará: 539 casos
Pernambuco: 472 casos
Maranhão: 464 casos

Fonte: Painel Oncologia Brasil / Sobrasp

4 em cada dez mortes por câncer no Brasil são evitáveis

Um estudo internacional sobre mortes por câncer no mundo estima que 43,2% dos óbitos provocados pela doença no Brasil poderiam ser evitados com medidas de prevenção, diagnóstico precoce e melhor acesso ao tratamento.

A pesquisa estima que, dos casos de câncer diagnosticados no país em 2022, cerca de 253,2 mil devem resultar em morte até cinco anos após a detecção. Dessas, 109,4 mil poderiam ser evitadas.

O estudo Mortes evitáveis por meio da prevenção primária, detecção precoce e tratamento curativo do câncer no mundo faz parte da edição de março da revista científica The Lancet, uma das publicações médicas mais conceituadas internacionalmente. O artigo está disponível na internet.

O trabalho é assinado por 12 autores, oito deles vinculados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) e sediada em Lyon, na França.

Os pesquisadores dividem as quase 110 mil mortes por câncer evitáveis no Brasil em dois grupos: 65,2 mil são preveníveis, ou seja, a doença poderia nem ter ocorrido, e as outras 44,2 mil são classificadas como evitáveis por diagnóstico precoce e acesso adequado a tratamento.

O levantamento apresenta um olhar global sobre mortes por câncer. O estudo apurou informações sobre 35 tipos de câncer em 185 países.

Em termos mundiais, o percentual de óbitos evitáveis é de 47,6%. Isso representa que, dos 9,4 milhões de mortes causadas pela doença, quase 4,5 milhões poderiam não ter acontecido.

O grupo de pesquisa detalha que, do total de mortes, uma em cada três (33,2%) é prevenível, e 14,4% poderiam não acontecer caso houvesse diagnóstico precoce e acesso a tratamento.

Ao comparar países, regiões geográficas e nível de desenvolvimento, o estudo identifica disparidades ao redor do mundo.

Os países do norte da Europa apresentam percentual de mortes evitáveis bem próximo de 30%. O mais bem posicionado é a Suécia (28,1%), seguido por Noruega (29,9%) e Finlândia (32%). Isso significa que, de cada dez mortes, apenas três poderiam ser evitadas.

Já no outro extremo, as dez maiores proporções de mortes evitáveis estão em países africanos. A pior situação é em Serra Leoa (72,8%). Em seguida, figuram Gâmbia (70%) e Malaui (69,6%).

Nesses países, sete em cada dez mortes poderiam ser evitadas com mais prevenção, melhor diagnóstico e acesso a tratamento.

As desigualdades também aparecem quando os países são agrupados por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), um indicador da Organização das Nações Unidas (ONU) que leva em consideração os níveis de saúde, educação e renda.

Nos países de baixo IDH, que significa pior qualidade de vida, seis em cada dez (60,8%) mortes por câncer poderiam ter sido evitadas.

Em seguida, situam-se os grupos de IDH alto (57,7%), médio (49,6%) e muito alto (40,5%). O Brasil é considerado um país de IDH alto.

A pesquisa revela que no grupo de países com baixo e médio IDH, o câncer de colo de útero é o primeiro na lista de mortes evitáveis.

Já nos grupos de IDH alto e muito alto, esse tipo de câncer sequer aparece entre os cinco principais tipos da doença em número de mortes evitáveis.

Outra forma de enxergar a disparidade entre os países é a diferença entre as taxas de mortalidade por câncer do colo do útero. Em países com IDH muito alto, a proporção é de 3,3 de vítimas da doença a cada 100 mil mulheres. Já nos de IDH baixo, essa relação sobe para 16,3 por 100 mil.

Tribuna do Norte

Emendas travadas no Estado geram críticas na Assembleia

José Dias (PL) criticou o atraso na liberação das emendas| Foto: João Gilberto

De uma dotação inicial – R$ 147,96 milhões constante no Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026, até agora nenhum recurso de emenda parlamentar foi liberado para os deputados de oposição e situação na Assembleia Legislativa, é o que mostra o Portal da Transparência do governo do Rio Grande do Norte na internet.

Em relação ao ano passado, o volume de recursos chegou a R$ 158,31 milhões, enquanto o governo Fátima Bezerra (PT) deixou R$ 36 milhões em restos a pagar.

O constante atraso na liberação das emendas passou por novas críticas do deputado estadual José Dias (PL), no plenário da Casa. “Quero deixar bem claro que as minhas emendas parlamentares, em torno de 80%, contemplam problemas de saúde, se destinam à assistência aos municípios, aos hospitais, para enfrentar o problema da saúde”, disse.

“Problemas evidentemente sérios, não tão graves sob o ponto de vista científico como os que são levantados aqui, mas problemas que levam também a óbito, a morte. e o governo não libera”, reclama Dias, que já recorreu ao Tribunal de Justiça para obter a execução das emendas direcionadas a municípios e instituições filantrópicas, sem fins lucrativos.

Segundo o parlamentar, “pode até ser que as pessoas não acreditem, mas os documentos eu posso apresentar. De 2024, ainda temos para receber, e está já com julgamento prévio, mais de R$ 2,4 milhões e em 2025, que não foram pagos pela governadora do Estado, temos mais de R$ 1,7 milhão”.

Portanto, Dias contabiliza que mais de R$ 4,2 milhões em recursos de emendas parlamentares retidos e não pagos pelo Executivo de emendas impositivas: “Não coloco as emendas coletivas, que se destinaram também à saúde, que são mais de R$ 4,5 milhões, vamos para mais de R$ 9 milhões que a governadora deve ao povo do Rio Grande do Norte, aqueles que precisam de tratamento de saúde. Deixo claro, não sou médico, mas tratamentos que, com recursos menores, salvariam vidas”.

José Dias entende que a razão desses atrasos nos repasses das emendas parlamentares deve-se à situação do Estado, que “é realmente um descalabro, não tem a menor dúvida. É uma administração caótica, irresponsável. A prova é esse atraso, disseram que iam pagar tudo”.
Para piorar, José Dias cita notícia recente do Tesouro Nacional ter assumido cerca de R$ 84 milhões de parcelas vencidas, não pagas à União, maior do que do Rio de Janeiro, com R$ 82 milhões e Rio Grande do Sul, R$ 70 milhões.

O deputado oposicionista lembra que no tempo do governo Robinson Faria (2015/2018) deixou uma dívida “mentirosa” de quatro folhas de pessoal: “É mentira, sou testemunha, vamos dizer assim, sou vítima disso porque eu pedi a suspensão do pagamento dos meus subsídios de deputado até que tudo fosse solucionado. Vim receber o que eu tinha atrasado, e não eram essas coisas, eram dois meses, mais ou menos, na pandemia, com o compromisso que eu cumpri de doar esse dinheiro para enfrentamento da pandemia”.

“Então, é mentira pura, mas é verdade o que eu estou mostrando aqui. Eles devem a funcionários, devem das emendas, e o governo federal está pagando num compadrio”, protestou Dias.

Fiscalização

Recém-eleito presidente da Comissão de Fiscalização e Finanças da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Luiz Eduardo (PL) explicou que “todos os anos foi necessário algum deputado entrar na justiça para fazer valer o direito das suas emendas serem liberadas dentro do orçamento”.

“No caso do deputado José Dias, eu vejo o Governo passível até de ser acusado de etarismo. José Dias é o deputado mais idoso do parlamento e vem sofrendo essa perseguição de forma implacável”, adiantou Luiz Eduardo, o qual conta que ele mesmo teve de recorrer ao Tribunal de Justiça (TJ) para liberar emendas impositivas de minha autoria: “Ganhei uma decisão no mês de novembro do ano passado contra o Governo. Um absurdo”.

Luiz Eduardo reforça que as emendas parlamentares de 2025 ainda não foram pagas todas. “E as deste ano não foram pagas “nada”. Fátima vai sair devendo aos deputados. Assim como deve às cooperativas médicas, e os consignados dos bancos”, destacou.

O presidente da CFF disse que ainda não se reuniu com os demais deputados da Comissão – Adjuto Dias (MDB), Neilton Diógenes (PP), Isolda Dantas (PT), Coronel Azevedo, Gustavo Carvalho e José Dias (PL) “para tratar especificamente desse problema”, mas acha que “será inócua qualquer admoestação do parlamento no sentido das emendas, porque o Governo é reiteradamente desobediente quanto a isso. A não ser que seja um movimento político da Presidência da Assembleia, para forçar o governo a respeitar os deputados”.

Para o deputado Luiz Eduardo, como Fátima Bezerra “está de saída do governo, será perda de tempo tratar com ela sobre o tema”.
Por isso entende que os parlamentares vão aguardar o próximo governador e ver se ele terá mais sensibilidade pelas emendas e um comportamento melhor do que a atual gestora do Estado. “Se Deus quiser, teremos um novo gestor no Rio Grande do Norte em pouco tempo”, disse.

Rastreamento

O líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Francisco do PT, disse que já foi levado à Casa que o Executivo está atuando para se adequar à exigência do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de adotar instrumentos para a rastreabilidade da execução dos recursos de emendas parlamentares.

Líder governista atribui atraso a exigências de rastreabilidade| Foto: Eduardo Maia


“Dependendo dessa regulamentação”, informou o líder governista, a equipe econômica do governo “pode começar a liberar as emendas”.

Segundo Francisco do PT “não é porque o Estado não queira”, mas existe uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e uma resolução do TCE para que se apresente um conjunto de regras para garantir rastreabilidade e transparência”.

Resolução

De acordo com a resolução nº 35 datada de 26 de novembro de 2025, os municípios e o Estado tinham até 31 de dezembro desse mesmo para enviar ao Portal do Gestor do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) informações sobre a rastreabilidade e transparência das emendas parlamentares estaduais e municipais.

A regra atende ao novo artigo 163-A da Constituição Federal e às determinações do Supremo Tribunal Federal na ADPF 854, que obrigam a divulgação clara, precisa e de fácil acesso das informações orçamentárias.

O envio dos dados é condição obrigatória para que as prefeituras possam executar emendas a partir de 1º de janeiro de 2026.

Em 24 de dezembro o TCE emitiu nota técnica orientando os entes federados sobre o uso do Portal do Gestor, inclusive disponibilizando manual do sistema de emendas parlamentares.

Já em 22 de janeiro, o TCE informava sobre decisão do conselheiro Carlos Thompson Fernandes, negando pedido da Controladoria-Geral do Estado para flexibilizar prazos e manter a execução de emendas parlamentares sem o cumprimento integral das exigências de transparência e rastreabilidade. No dia 7 do mesmo mês, Fernandes já havia negado solicitação semelhante formulada pela Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) e Federação das Câmaras Municipais (Fecam-RN)) e pela Associação dos Profissionais da Contabilidade Pública do RN (ASPCONP-RN).

Tribuna do Norte

Defesa confirma morte de Sicário, aliado de Vorcaro

PM MG/Divulgação

Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), morreu nesta sexta-feira (6), em Belo Horizonte. A informação foi confirmada pela defesa dele.

Mourão estava internado no centro de terapia intensiva (CTI) do Hospital João 23 desde a última quarta-feira (4), após tentativa de suicídio na prisão. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, havia suspeita de morte cerebral.

Em nota, o advogado de Mourão, Robson Lucas, informou que o quadro clínico de Mourão se agravou e que o óbito foi declarado às 18h55, após encerramento do protocolo de morte encefálica iniciado por volta das 10h do mesmo dia.

Entenda

Na manhã da última quarta-feira, Mourão foi levado para a carceragem da PF na capital mineira após cumprimento do mandado de prisão emitido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a corporação, o investigado atentou contra a própria vida e foi reanimado por policiais responsáveis pela custódia. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e Mourão foi encaminhado para o hospital.

De acordo com as investigações, Mourão atuava como ajudante do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, que também foi preso na quarta-feira durante operação da PF.

Sicário, como era chamado pelo empresário, seria responsável pelo monitoramento e obtenção de informações sigilosas de pessoas consideradas adversárias dos interesses do banqueiro.

Centro de Valorização da Vida

Qualquer pessoa com pensamentos e sentimentos de querer acabar com a própria vida deve buscar acolhimento em sua rede de apoio, como familiares, amigos e educadores, e também em serviços de saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, é importante conversar com alguém de confiança e não hesitar em pedir ajuda, inclusive para buscar serviços de saúde.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (188), e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias.

*Colaborou André Richter

Agência Brasil

sexta-feira, 6 de março de 2026

Vorcaro é transferido para presídio de segurança máxima em Brasília

Imagens capturadas após a prisão do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro | Foto: Reprodução

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido nesta sexta-feira (6) para a Penitenciária Federal em Brasília, presídio de segurança máxima.

Vorcaro foi preso na quarta-feira (4) e estava custodiado na Penitenciária de Potim, no interior paulista. Ele foi levado para a capital federal em um avião da Polícia Federal (PF), que pousou no Aeroporto Internacional de Brasília por volta das 15h30.

A transferência foi autorizada, nesta quinta-feira (5), pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator das investigações da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes no Banco Master, e atendeu a um pedido da própria PF.

Segundo a corporação, o banqueiro pode influenciar as investigações sobre as fraudes no Banco Master.

“As peculiaridades do caso concreto revelam cenário que recomenda cautela redobrada quanto à execução da medida constritiva, sobretudo diante da potencial capacidade do investigado de mobilizar redes de influência com aptidão para, direta ou indiretamente, interferir na regular condução das investigações ou no cumprimento das determinações judiciais”, justificou a PF.

Além disso, a PF alegou que a transferência é necessária para proteger a integridade física de Vorcaro.

Na quarta-feira (4), Luiz Phillipi Mourão, aliado do banqueiro, também foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero e tentou se matar na carceragem da superintendência da PF em Minas Gerais. Ele está internado em um hospital de Belo Horizonte.

De acordo com as investigações, Mourão atuava como ajudante de Vorcaro. “Sicario”, como era chamado pelo empresário, ele seria responsável pelo monitoramento e obtenção de informações sigilosas de pessoas consideradas adversárias dos interesses do banqueiro.

Histórico

Daniel Vorcaro foi preso novamente na quarta-feira de manhã pela Polícia Federal, na terceira fase da Operação Compliance Zero.

No ano passado, o empresário também foi alvo de um mandado de prisão da operação, mas ganhou direito à liberdade provisória, mediante uso de tornozeleira eletrônica.

A nova prisão foi fundamentada em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da operação. Nas mensagens, Vorcaro ameaça jornalistas e pessoas que teriam contrariado seus interesses.

A Compliance Zero apura fraudes bilionárias no Banco Master, que causaram um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para o ressarcimento a investidores.

Agência Brasil

Dólar cai para R$ 5,24 em dia de correção no mercado

Valter Campanato/Agência Brasil

O agravamento do conflito no Oriente Médio fez o mercado financeiro ter mais um dia de oscilações. O dólar caiu quase 1%, após ultrapassar os R$ 5,30 durante a manhã. A bolsa de valores recuou pela segunda vez consecutiva e teve a pior semana desde 2022. O petróleo superou a barreira de US$ 90 o barril e subiu quase 30% desde o início da guerra.

O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (6) vendido a R$ 5,244, com queda de R$ 0,043 (-0,81%). A cotação oscilou bastante ao longo do dia, chegando a R$ 5,31 pouco depois das 11h. No entanto, os investidores aproveitaram o preço alto para vender moeda. Dados de desaceleração da economia estadunidense também contribuíram para a cotação inverter o movimento e passar a cair.

Apesar do recuo desta sexta, a moeda estadunidense subiu 2,08% na primeira semana de março. Em 2026, a divisa acumula queda de 4,51%.

Mercado de ações

A trégua não se repetiu no mercado de ações. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 179.365 pontos, com recuo de 0,61%. O indicador caiu 4,99% na semana, no pior desempenho semanal desde junho de 2022, poucos meses após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Apenas as ações da Petrobras destoaram e tiveram fortes altas nesta sexta, motivadas pela alta na cotação do petróleo e pelo aumento de quase 200% no lucro da estatal no ano passado. Os papéis ordinários (com direito a voto em assembleia de acionistas) subiram 4,12%, para R$ 45,78. As ações preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) valorizaram-se 3,49%, para R$ 42,11.

Com o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, a cotação do barril não para de subir. O barril do tipo Brent, usado nas negociações internacionais, avançou 8,52% nesta sexta, fechando a US$ 92,69. O barril do tipo WTI, negociado nos Estados Unidos, subiu 12,2% em apenas um dia, fechando a US$ 90,90.

O fechamento de 92 mil postos de trabalho nos Estados Unidos em fevereiro também surpreendeu o mercado financeiro. Embora o resultado tenha sido afetado pelas fortes nevascas no mês passado e por uma greve de enfermeiros, o número veio pior que o previsto. O desempenho negativo, no entanto, fez os investidores retirarem dinheiro dos títulos do Tesouro estadunidense, fazendo o dólar cair em vários países.

* com informações da Reuters

Agência Brasil