quinta-feira, 18 de junho de 2026

Ministério do Turismo anuncia crédito para pequenos negócios

Gustavo Feliciano (Mtur) disse que o público-alvo do programa contempla MEIs de baixa renda. Foto: Léia Ventura

O Ministério do Turismo anunciou uma linha de crédito especial para pequenos negócios da atividade turística, nesta quarta-feira (17), durante evento em Natal. A pasta federal ainda orientou microempreendedores e empresários sobre como acessar recursos do Fundo Geral de Turismo (Fungetur). A iniciativa faz parte do programa “Do Lado do Turismo Brasileiro”.

A linha especial para microempreendedores individuais recebe aportes de R$ 100 milhões no Brasil, segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. O programa beneficia trabalhadores do turismo e tem como público-alvo MEIs de baixa renda. Cada beneficiário poderá contratar até R$ 21 mil (valor máximo por operação).

Já o Fungetur disponibiliza, só em 2026, mais de R$ 1 bilhão para financiamentos com condições facilitadas. De acordo com informações do Ministério do Turismo, o Rio Grande do Norte registrou 26 financiamentos pelo Fungetur de 2023 a junho de 2026. As contratações movimentaram R$ 12,13 milhões. Somente em Natal, foram 16 financiamentos e um total de RS 8,7 milhões.

“Estamos disponibilizando o Fundo Geral do Turismo, um montante de 1 bilhão de reais para crédito, com uma condição de taxa de juros melhor do que o mercado e uma condição de carência também mais favorável. Outra ação super válida que a gente está anunciando aqui hoje é o crédito para os micro e pequenos empreendedores, os MEIs”, destacou o ministro.

Na visão de Feliciano, essa cadeia produtiva tem “uma dificuldade muito grande em conseguir crédito”. “Sempre quando esses empreendimentos procuram crédito, é questionado quem é o avalista, qual vai ser a garantia”. No caso de contratações da linha de crédito especial, o governo federal destina o Fundo de Garantia de Operações (FGO).

Para a governadora do RN, Fátima Bezerra, a iniciativa do governo federal “traz consigo uma coisa muito boa, que é botar crédito na praça”. “O crédito que está sendo colocado na praça não é só para os médios e para os grandes empreendedores nessa área. Importante aqui destacar que tem crédito para o pequeno, para o MEI”, frisou.

Bezerra disse que a ação deve incentivar a atividade turística potiguar, “uma das mais importantes cadeias do ponto de vista econômico que o Rio Grande do Norte tem, pelo seu alcance e dimensão, do ponto de vista da geração de empregos e da melhoria da renda do nosso povo”.

Já a secretária estadual de Turismo, Marina Marinho, afirmou que o “Programa do Lado do Turismo Brasileiro oferece condições reais para que os empreendedores do turismo possam dar o passo mais importante: investir em equipamentos, melhorar sua estrutura, ampliar seus serviços e fortalecer os seus negócios”.

A iniciativa “Do Lado do Turismo Brasileiro” –, voltada à orientação de microempreendedores e empresários sobre o acesso aos recursos do Fungetur – já passou por Salvador (BA), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Macapá (AP) e Oiapoque (AP).

No Brasil, entre 2023 e 2026, foram contratados 6.129 financiamentos por meio do Fungetur, somando R$ 2,73 bilhões. Até junho de 2026, já foram realizadas 889 operações, totalizando R$ 327,4 milhões em crédito concedido.

As linhas permitem financiamentos de até R$ 15 milhões, com juros reduzidos – de até 5% ao ano, acrescidos do INPC –, além de prazos longos e carência, que podem chegar a cinco anos, dependendo da modalidade.

Durante a tarde desta quarta-feira (17), no Hotel-Escola Senac Barreira Roxa, houve atendimentos de instituições financeiras, além de uma cerimônia com a participação do ministro, da governadora e outras autoridades.

Durante a programação, empresários receberam orientações sobre as linhas de crédito do Fungetur, que podem ser utilizadas para financiar obras, aquisição de equipamentos, capital de giro e projetos de modernização de empresas do segmento turístico.

Além das informações sobre financiamento, os participantes também tiveram acesso a orientações sobre o Cadastur, sistema de cadastro oficial do setor turístico, que oferece benefícios e amplia a visibilidade de empresas e profissionais junto aos consumidores.

Tribuna do Norte

MPF alega riscos estruturais e cobra atualização de condições de passarelas

Os riscos a que se refere o MPF são corrosão generalizada, degradação do concreto e armaduras expostas.. Foto: Magnus Nascimento

O Ministério Público Federal (MPF) determinou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit/RN), a Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU) forneçam, em um prazo improrrogável de 15 dias, informações atualizadas sobre a estrutura de passarelas localizadas ao longo da BR-101, em Natal e Região Metropolitana. De acordo com o MPF, os ofícios com a determinação foram enviados na terça-feira (16). A cobrança se dá, segundo o órgão ministerial, por conta de “riscos estruturais gravíssimos” registrados em situações acompanhadas pelo órgão desde 2011.

Os riscos a que se refere o MPF são corrosão generalizada, degradação do concreto e armaduras expostas. Também são mencionados problemas como insuficiência na iluminação pública e acessibilidade. O procurador da República Camões Boaventura destaca que é urgente “a necessidade de salvaguardar a integridade física dos pedestres que utilizam diariamente tais passarelas”. Por isso, ele considera “indispensável a renovação e atualização das informações sobre as licitações e obras em andamento”.

Segundo o MPF, é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes a responsabilidade por “um plano de trabalho específico voltado à manutenção corretiva e preventiva de diversas passarelas”. Uma das situações que chamam atenção é a da passarela localizada no km 104 da BR-101, em Parnamirim. O equipamento foi interditado para obras no dia 17 de abril deste ano, após um acidente envolvendo uma pedestre. A mulher se desequilibrou, tentou se apoiar na rede de proteção, mas a estrutura cedeu, provocando a queda. Ela sofreu fraturas na coluna e na bacia.

A reportagem esteve no local novamente nesta quarta-feira (17). A passarela segue interditada, obrigando os pedestres a fazerem a travessia da BR em meio ao tráfego. “Eu acho um absurdo essa situação. É um descaso que já vem de muito tempo, tanto que a moça caiu da passarela. Depois disso, começaram uma obra, que até agora não terminou e a gente tem que atravessar no meio do trânsito”, desabafou Joyce Moura, que passa pela região frequentemente.

A TRIBUNA DO NORTE questionou por que as obras ainda não foram concluídas, bem como perguntou quais as medidas para executar a manutenção permanente das demais passarelas, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. Mas as reclamações não se limitam ao equipamento em questão. A professora Cristina Souza, de 59 anos, usa com frequência uma das passarelas localizadas na altura de dois importantes shoppings da zona Sul de Natal, na BR-101.

O principal problema, de acordo com ela, é o desnível que existe em vários pontos da estrutura. “É um risco de queda grande, principalmente para pessoas idosas e que têm problemas de locomoção. Além disso, tem ferrugem em várias partes da grade de proteção. E isso não é somente aqui: uso bastante a passarela de Potilândia também e a situação é parecida”, relata.

O DNIT informa que, por intermédio de empresas contratadas, já vem realizando a manutenção rotineira e continuada em todos os equipamentos. Considerando o estado físico das passarelas, foram previstos, no contrato de manutenção rodoviária da BR-101/RN/Sul, atualmente em vigor, serviços de manutenção corretiva nas estruturas, contemplando intervenções de maior porte para recuperação dessas estruturas. Os serviços contínuos previstos em contrato incluem, dentre outros, tratamento de corrosão nas estruturas metálicas e de concreto; limpeza e pintura das estruturas; bem como a substituição de telas de proteção.

Licitação

Também de acordo com o Ministério Público Federal, a STTU responde por um processo licitatório e pelo início das intervenções corretivas nas passarelas localizadas nas avenidas Lima e Silva e Prudente de Morais. “Na última atualização, em setembro de 2025, a STTU informou que a licitação estava em fase final de aprimoramentos técnicos e alocação orçamentária para publicação do edital de obras”, pontua o MPF.

Jódia Melo, titular da Secretaria, informou que a pasta é responsável pelas duas passarelas citadas e também por outras duas estruturas – localizadas na Avenida Senador Salgado Filho, próximo ao viaduto do Quarto Centenário, e na Avenida Nevaldo Rocha, nas proximidades da Urbana. A secretária informou que os equipamentos da Lima e Silva e da Prudente de Morais estão com as obras em fase de finalização. “O alambrado dessas estruturas sofre com processos de corrosão, por causa do clima. Tratamos a corrosão e substituímos tubos que precisavam ser trocados. Também fizemos pinturas e soldas onde era necessário. São obras que estão sendo concluídas”, afirmou.

Sobre as demais passarelas sob responsabilidade da pasta, Jódia informou que elas passaram por reformas há poucos anos. “As obras ocorreram entre 2023 e 2024”, disse.

O MPF destaca, ainda, que o shopping Midway Mall é responsável pela reforma integral da passarela próxima ao estabelecimento, na Avenida Nevaldo Rocha, como medida mitigadora do licenciamento urbanístico do empreendimento. “Em abril de 2026, a empresa estipulou um cronograma rígido de recuperação estrutural, elétrica e de limpeza, com conclusão prevista para 5 de junho deste ano. O shopping deve, também, apresentar um plano de manutenção preventiva de longo prazo”, diz o órgão ministerial.

Em nota, o shopping Midway informou que adotou todas as providências cabíveis no tocante à manutenção corretiva da estrutura, garantindo a plena segurança e a integridade da passarela. “Informamos ainda que todas as exigências do órgão fiscalizador foram rigorosamente cumpridas pelo empreendimento, seguindo à risca o cronograma técnico apresentado e aprovado pelas autoridades, com o objetivo de garantir condições adequadas de conservação, funcionamento e segurança para os usuários”, respondeu o estabelecimento.

Por fim, o shopping destacou que o “movimento fiscalizatório faz parte de uma ação padrão do MPF, compreendendo todas as passarelas da cidade”. No que tange à estrutura sob sua responsabilidade, todos os requisitos e parâmetros solicitados foram integralmente atendidos, segundo a nota. “O Midway Mall reafirma seu compromisso com a segurança, a acessibilidade e a manutenção permanente da estrutura, permanecendo à disposição dos órgãos competentes para quaisquer esclarecimentos ou acompanhamentos que se façam necessários”, afirma a nota.

Tribuna do Norte

Municípios cobram fonte de custeio para piso de dentistas e médicos

Projeto estabelece um piso salarial nacional de R$ 13.662 para médicos e dentistas. Foto: Agência Brasil

A proposta que cria um piso salarial nacional de R$ 13.662 para médicos e cirurgiões-dentistas, aprovada na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, preocupa os municípios do Rio Grande do Norte. A Federação dos Municípios do RN (FEMURN) avalia que a medida pode impactar as finanças das prefeituras e cobra uma fonte permanente e suficiente de custeio.

O projeto estabelece um piso salarial nacional de R$ 13.662 para médicos e cirurgiões-dentistas com jornada de 20 horas semanais, além de reajuste anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e outros benefícios trabalhistas.

O projeto prevê que o reajuste salarial seja financiado com recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS), sem exigir contrapartida direta de estados e municípios. Entretanto, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) avalia que ainda não há garantia de que os entes federativos ficarão livres desse impacto financeiro.

O FNS é responsável pela redistribuição de recursos já existentes. O texto do PL não especifica de onde virá o dinheiro adicional para custear a medida. Para a entidade, essa indefinição contraria a Emenda Constitucional 128/2022, que proíbe a criação de novas despesas sem a indicação da respectiva fonte de custeio.

O presidente da FEMURN, José Augusto Rêgo, disse que a entidade acompanha com preocupação por considerar que a proposta cria uma obrigação financeira de grande impacto para os municípios sem a correspondente definição de fontes permanentes de custeio.

“A principal preocupação da FEMURN é o impacto direto sobre os orçamentos municipais, especialmente dos pequenos e médios municípios, que já enfrentam dificuldades para financiar a atenção básica e os demais serviços do SUS”, defende.

Estudos divulgados pelo movimento municipalista apontam que a medida poderá gerar um impacto bilionário para as prefeituras brasileiras, com estimativa próxima de R$ 25,9 bilhões por ano. “Na prática, sem uma fonte de financiamento adicional da União, os gestores podem ser obrigados a remanejar recursos de outras áreas da saúde para cumprir a nova obrigação”, considera Rêgo.

Ele prevê que isso pode resultar em dificuldades para manutenção de equipes, redução da capacidade de investimento, comprometimento da expansão dos serviços e aumento da pressão sobre as finanças dos municípios do RN.

De acordo com o Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed-RN), o salário-base para uma jornada de 20 horas semanais é de aproximadamente R$ 4,5 mil no início da carreira e chega a cerca de R$ 7,2 mil no nível final. Os valores podem ser acrescidos de adicionais, como insalubridade, tempo de serviço e adicional noturno.

O Sindicato dos Odontologistas do RN (SOERN) informou que há editais de concursos públicos no interior do RN com salários-base em torno de R$ 1.800, enquanto outros seguem o piso atualmente reconhecido próximo de R$ 3.900.

José Augusto Rêgo afirma que a valorização dos profissionais da saúde deve ser acompanhada de mecanismos de financiamento que garantam a sustentabilidade da medida.

A entidade defende maior participação da União no custeio do SUS e argumenta que a implementação de um piso nacional precisa considerar os impactos sobre as finanças municipais e a manutenção dos serviços de saúde.

“A preocupação da FEMURN é que uma medida criada para valorizar profissionais não acabe produzindo desequilíbrios que afetem a oferta de serviços à população”, resume o presidente.

Faltam profissionais na rede pública

As entidades que representam médicos e cirurgiões-dentistas avaliam que a criação do piso salarial nacional pode contribuir para reduzir a dificuldade de contratação e permanência de profissionais na rede pública.

O presidente do Sinmed-RN, Geraldo Ferreira, defende que a defasagem salarial da rede pública contribui para a dificuldade de atração e permanência de profissionais em especialidades médicas. “Os médicos são a única categoria profissional em que o salário no serviço público é bem inferior ao do sistema privado”, revela.

Ele avalia que a aprovação do piso poderia fortalecer os concursos públicos e reduzir a dependência de contratos terceirizados.

A presidente do Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern), Giana da Escóssia Melo, afirma que a proposta pode ajudar a ampliar a presença de médicos em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.

“O piso salarial nacional representa um avanço relevante e pode contribuir para ampliar a presença de médicos em municípios potiguares, desde que esteja associado a políticas estruturantes voltadas ao fortalecimento da rede de saúde”, disse. A dirigente ressalta, no entanto, que a remuneração é apenas um dos fatores que influenciam a permanência dos profissionais.

De acordo com ela, a oferta de estrutura adequada nas unidades de saúde, condições de trabalho, segurança profissional e oportunidades de qualificação também são determinantes para a fixação de médicos.

Na odontologia, o presidente do SOERN, Flávio Calife, defende que a valorização salarial pode contribuir para a permanência dos profissionais no interior.

Segundo ele, a atenção básica em saúde bucal é prestada, em geral, por profissionais com jornadas de 40 horas semanais, o que exige vínculo permanente com os municípios.

Na avaliação do sindicato, a remuneração atual ainda é insuficiente para garantir a fixação desses trabalhadores em diversas localidades, especialmente fora dos grandes centros urbanos. “Esse valor previsto no projeto é um sonho para toda a categoria”, explica.

Tribuna do Norte

RN atinge 51,8% de inadimplência e soma R$ 7,8 bilhões em débitos

As dívidas com bancos e cartões de crédito concentram a maior fatia dos débitos no RN, representando 32,10% do total. Foto: Alex Régis

Mais da metade da população adulta do Rio Grande do Norte possuía dívidas em atraso no mês de maio. Ao todo, os potiguares acumulavam R$ 7,8 bilhões em débitos, distribuídos em 4.477.740 dívidas. Segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa, 51,8% dos adultos do estado estavam inadimplentes no período, o equivalente a 1.379.226 pessoas. Em média, cada consumidor com contas em atraso devia R$ 5.664,86.

Apesar do índice, o Estado registrou uma leve redução de 0,10% no número de negativados em relação a abril, quando havia 1.380.622 consumidores nessa situação. De acordo com Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, esse cenário mostra que muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento diante dos diversos compromissos financeiros do dia a dia.

“A inadimplência costuma refletir desafios relacionados ao custo de vida, à renda disponível e à capacidade de absorver imprevistos financeiros”, explica.

Em fevereiro de 2026, o custo médio mensal de vida dos potiguares alcançou R$ 2.550, valor superior ao salário mínimo (R$ 1.621), valor que representa a renda da maioria das pessoas, conforme levantamento da Serasa.

As dívidas com bancos e cartões de crédito concentram a maior fatia dos débitos no Estado, representando 32,10% do total. Em seguida aparecem as financeiras, responsáveis por 25,59% das pendências, e as empresas de serviços, como água, energia e telefonia, que respondem por 13,98%.

Segundo Vieira, o crédito continua sendo amplamente utilizado como uma ferramenta complementar ao orçamento familiar. “No entanto, quando ocorre uma redução da renda, aumento dos custos ou algum imprevisto financeiro, esses compromissos costumam ser os primeiros a sofrer impacto”, afirma.

“Esse cenário reforça a importância do uso consciente do crédito e do planejamento financeiro, para que o endividamento permaneça compatível com a capacidade de pagamento do consumidor”, completa.

O número de inadimplentes no Estado deixa o Rio Grande do Norte na 6ª posição no ranking do Nordeste em números absolutos, sendo o 4º Estado com menor quantidade de pessoas negativadas na região. Com 1.379.226 inadimplentes, o estado fica à frente de Alagoas (1.130.131), Piauí (1.056.490) e Sergipe (793.166).

Na outra ponta do ranking, a Bahia lidera o número de inadimplentes no Nordeste, com 5.179.426 pessoas com dívidas em atraso. Em seguida aparecem Ceará (3.714.610), Pernambuco (3.652.032), Maranhão (2.368.015) e Paraíba (1.389.423).

Entre os estados que registraram redução no número de inadimplentes entre abril e maio, o Ceará apresentou a maior queda (-1,29%), seguido por Piauí (-0,92%), Paraíba (-0,91%), Maranhão (-0,73%), Alagoas (-0,36%) e Rio Grande do Norte (-0,10%).

Já entre os estados que registraram aumento da inadimplência no período, Sergipe teve a maior alta (+0,49%), seguido por Bahia (+0,36%) e Pernambuco (+0,06%).

Aline Vieira analisa que a queda observada em maio é um sinal positivo, mas ainda é pequena diante do volume total de consumidores inadimplentes no RN. “Analisando o contexto nacional, os níveis de inadimplência permanecem elevados em diversas regiões do País, o que exige cautela”, pondera.

Educação financeira reduz inadimplência

Para reduzir os índices de inadimplência, o presidente do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon-RN), Ricardo Valério, defende que o Estado invista de forma mais consistente em educação financeira. Segundo ele, muitos consumidores ainda recorrem à contratação de novas dívidas para quitar débitos antigos, em vez de reorganizar o orçamento e planejar melhor os gastos.

Para o economista, a educação financeira deve ser incentivada desde cedo, tanto nas escolas quanto nas empresas, como forma de criar uma cultura de planejamento e uso consciente do crédito.

“Precisamos levar o conhecimento necessário da educação financeira para termos uma melhor gestão das finanças pessoais e empresariais e sair desse quadro de anos seguidos de endividamento”, afirma.

Valério avalia que essas iniciativas precisam ser acompanhadas por ações permanentes de orientação financeira. “O Desenrola é louvável e tem ajudado a resolver situações, com reduções expressivas das dívidas, mas precisamos também investir em educação financeira para evitar que as pessoas voltem a se endividar”, ressalta.

Ainda segundo o economista, as pessoas devem planejar o orçamento e melhores condições econômicas para reduzir de forma duradoura os índices de inadimplência observados no RN e no País.

Tribuna do Norte

Corredores idosos quebram paradigmas na busca por bem-estar

Beco Holanda, de 76 anos, é um grande símbolo de superação e motivação para os atletas seniores. “Eu sou atleta desde os 8 anos de idade”, diz. Foto: Leia Ventura

Os idosos têm ocupado um espaço cada vez maior nas corridas de rua, motivados pela busca constante por bem-estar físico e mental, quebrando paradigmas associados à idade. Esta nona reportagem, que antecede a segunda edição da Jovem Pan News Run, promovida pelo Sistema Tribuna de Comunicação no próximo dia 21 de junho, evidencia que as corridas se tornaram mais do que uma atividade física, mas uma aliada na prevenção de doenças crônicas e na manutenção de hábitos saudáveis.

Beco Holanda, de 76 anos, é um grande símbolo de superação e motivação aos atletas seniores. “Eu sou atleta desde os 8 anos de idade. Comecei com natação e remo. Naquela época a gente não tinha professor de educação física. Então corria brincando, eu comecei e não parei até hoje”, detalha.

Morador de Pium, em Parnamirim, Beco divide sua rotina entre a academia, o trabalho como corretor de seguros e as corridas, tendo horários bem definidos de treinos, sono e alimentação. Ele contabiliza que já participou de mais de mil corridas e diz que o marco é bem mais do que números.

“Eu tive um câncer de esôfago há 19 anos, agradeço a Deus e às corridas, porque se eu não fosse atleta, não estaria aqui. O que salvou a minha vida foi o esporte. Nunca tive problema nenhum de saúde e o câncer de esôfago não deu sinal. Passei quase 10 meses internado no Onofre Lopes, pesando 32 kg”, relembra.

Apesar do período que o fez diminuir o ritmo das corridas, Beco continuou caminhando, negando-se a abrir mão integralmente da modalidade. “Foi um desafio parar de correr, saí com a colostomia e fiquei um ano. Caminhava para não parar, quando tirei [a bolsa de colostomia], voltei a correr devagarinho e não parei mais”, revela.

Com a popularização das corridas e a maior adesão de diversos públicos, Beco é uma inspiração para seus filhos Thito, de 43 anos, Andrezza e seu esposo Sérgio, ambos de 45 anos, além da neta Anna Júlia, que, aos 11 anos, também corre. Apesar da validação, ele afirma que já vivenciou preconceitos.

“Já ouvi ‘vá trabalhar, vagabundo’, ‘vá para casa, estou transando com sua mulher’. Foi um carro me acompanhando, uma mulher baixou o vidro e gritou. Antigamente a gente era marginalizado. Hoje me chamam de Rei da Rota do Sol, uma lenda, mas quem me xingava, hoje está correndo”, detalha.

Beco afirma que para a modalidade não há restrições, mas que a prática deve ser feita sob orientação de profissionais. “Para quem é sedentário, o ideal é fazer os dois, caminhar e correr. Se começar correndo sem saber, pode se lesionar. Precisa ter um acompanhamento médico e depois uma assessoria esportiva, se possível. Quem começa a correr não para mais”, brinca.

Já a atleta Lucimar Araújo, de 69 anos, começou a prática aos 40, durante um período morando nos Estados Unidos. Em uma caminhada, ela viu uma maratona no Central Park, em Nova York, e isso serviu como inspiração. “Estava chovendo e fazendo muito frio. Eu fiquei me perguntando como aquele pessoal conseguia correr 42 km. Aí comecei com meu tênis de caminhada e aos poucos fui aumentando”, recorda.

A partir disso, ela se viu apaixonada pela modalidade e, com o retorno à capital potiguar há quatro anos, a corrida de rua não deixou de fazer parte de sua rotina. “Corrida é vida. Correr é vida. Você começa com 5 km e vai aumentando, à medida que o seu corpo vai ficando mais forte, você se surpreende com você mesmo e vai correndo longas distâncias. Não colocando limitações, mas escutando o corpo. Se não escutar, o corpo paga”, alerta.

Lucimar afirma que sentiu uma melhora em sua saúde mental, na rotina de sono, disposição e também na sociabilidade. “Tem gente que não tem motivação em certa idade, mas a dica é começar caminhando. Ir ficando forte, ter uma base, com academia e alongamentos. A pessoa que começa a correr descobre que é um novo horizonte”, finaliza.

Cuidados com a saúde

De acordo com a psicóloga Kimberlly Lira, a modalidade colabora com a saúde e, além disso, contribui para a estruturação de novos vínculos, apesar dos preconceitos que os corredores idosos enfrentam. A modalidade, destaca a psicóloga, também auxilia no melhor funcionamento cerebral.

“Os benefícios físicos e emocionais da corrida na terceira idade se referem à possibilidade de um envelhecimento com mais qualidade e bem-estar, porque é algo que previne doenças que são comuns de serem desenvolvidas na velhice”, destaca.

Já o cardiologista esportivo Nelson Madeira destaca que os inúmeros benefícios físicos e emocionais são fatores relevantes para o estímulo aos corredores. “Os benefícios físicos são a diminuição do risco de eventos cardiovasculares, controle de taxas como glicose e colesterol, além do controle da hipertensão arterial”, afirma.

No entanto, o especialista reforça que a liberação médica e a avaliação pré-participação antes da realização da atividade física são indispensáveis. “O paciente deve, sim, praticar atividade física, tanto de força quanto atividade física aeróbica, mas antes disso tem que saber se o seu coração está seguro para a prática dessas atividades, para ter benefícios com maior segurança”, conclui.

Tribuna do Norte

Porto de Natal é habilitado pelo Ministério da Agricultura para exportação de gado vivo

O Porto de Natal deve receber uma operação de embarque-teste de 3.300 animais com destino ao Líbano. Segundo a Codern, a previsão de quando a exportação deve ocorrer é de responsabilidade dos  exportadores.

O Porto de Natal deverá receber uma operação de embarque-teste de 3.300 animais vivos que serão exportados para o Líbano. Foto: Sandro Menezes

O Porto de Natal foi habilitado pelo Ministério da Agricultura é Pecuária (Mapa) para a exportação de gado vivo. O rito de habilitação da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), empresa que administra o terminal, foi concluído nesta quarta-feira (17) após vistorias do Vigiagro, sistema de vigilância do ministério. Com isso, a unidade está apta a realizar o embarque dos animais.

“O Porto de Natal foi submetido às vistorias protocolares da Vigiagro, tendo atendido integralmente a todas as exigências estabelecidas”, diz a Codern, em nota. “Até o momento, não há uma data definida […] para o início das operações relacionadas à atividade”, acrescenta.

Representantes do Mapa estiveram em Natal na última sexta-feira (12) para uma reunião para tratar sobre a exportação de gados vivos. O Porto de Natal deve receber uma operação de embarque-teste de 3.300 animais com destino ao Líbano.

Segundo a Codern, a previsão de quando a exportação deve ocorrer é de responsabilidade dos exportadores. No que cabe ao Porto, todos os trâmites estão cumpridos.

Entre as operações liberadas, o Porto de Natal recebeu autorização para realizar o embarque ou desembarque de bois, ovelhas (ruminantes), cavalos (equídeos) e porcos (suídeos), além de cargas refrigeradas e congeladas, com a observação expressa de que esta autorização é exclusiva para produtos de origem vegetal. Por outro lado, a exportação de aves, ovos e animais de companhia não está liberada pelo Ministério. A autorização não tem prazo determinado.

“O Recinto […] possui as condições mínimas requeridas pelo Sistema VIGIAGRO para realizar as operações e movimentar as categorias de produtos de interesse agropecuário assinaladas”, diz o documento de habilitação.
“As edificações, instalações, equipamentos de informática, mobiliário e materiais disponibilizados ao VIGIAGRO fornecem condições adequadas à execução dos controles e da fiscalização do MAPA”, acrescenta.

A reportagem tentou contato com a Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca do Rio Grande do Norte (Sape-RN), cujo secretário Guilherme Saldanha limitou-se a confirmar a visita do Mapa. A TN também procurou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para repercutir o tema da visita, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

As primeiras previsões eram de que o embarque seria realizado entre os dias 24 e 25 deste mês. Em matéria anterior publicada pela TN, Guilherme Saldanha afirmou que a expectativa é que, após o primeiro embarque, as exportações dos animais vivos sejam liberadas pelo Mapa, com projeção de injetar até R$ 1 bilhão ao ano na economia potiguar.

“Este é um negócio que gira em torno de R$ 9 bilhões no País, e nós temos a intenção de abocanhar um pedaço desse mercado, com a expectativa de atingir 10% dele. Isso significa que teremos algo em torno de R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão na economia potiguar por ano”, disse Saldanha.

O Rio Grande do Norte dispõe de duas Estações de Pré-Embarque (EPE) devidamente registradas no Ministério da Agricultura. As EPEs são estruturas fundamentais para o embarque, pois é lá que o gado fica em quarentena antes da operação de embarque.

Uma delas está localizada no Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (DIBA), em Alto do Rodrigues, e a outra em São Gonçalo do Amarante, a cerca de 50 quilômetros de Natal. É de lá que sairão os animais para o embarque-teste com destino ao Líbano.

 Tribuna do Norte

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Mostra gratuita com 67 artistas ocupa Parque Glória Maria no Rio

Evento que começa no sábado ficará aberto ao público até 24 de agosto

 Miriam Ramalho/Divulgação

O Parque Glória Maria, situado em Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro, recebe a partir das 15h do próximo sábado (20) a exposição gratuita Pausa Cotidiana, que reúne 67 artistas de várias regiões do Brasil e de diferentes linguagens.

A mostra ficará aberta até 24 de agosto, de quarta-feira a segunda-feira, das 9h às 18h, exceto na terça-feira, quando o parque estará fechado.

A exposição convida o público a desacelerar os compromissos e tarefas do dia a dia, experimentando novas formas de percepção trazidas pelas múltiplas linguagens artísticas reunidas no local. São pinturas, fotografias e instalações que estarão integradas com o espaço cultural.

Entre os artistas com trabalhos na mostra estão a atriz e artista visual Carolina Kasting, os fotógrafos Amanda Laino, Miriam Ramalho e Caio Negreiros.

As curadoras são Amanda Leite e Claudia Linhares. Amanda afirma que, “mais que uma exposição, Pausa Cotidiana cria um espaço de convivência e contemplação, onde arte e arquitetura dialogam para estimular novos olhares sobre o tempo e a experiência urbana”.

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Em paralelo, haverá também no sábado (20) e domingo (21) a feira literária Tempo tem Alma: entre paredes e páginas, dedicada à produção editorial independente. A ação reúne artistas, autores e editores que apresentam publicações especiais, livros de artista, impressos autorais e projetos editoriais que expandem as possibilidades do livro como objeto artístico e espaço de experimentação.

Claudia Linhares analisa que a aproximação das artes visuais com publicações independentes fortalece o diálogo entre diferentes formas de criação, promovendo, também a circulação de ideias. A feira funcionará das 14h às 18h. 

Agência Brasil

O que Trump fez foi coisa desaforada, diz Lula sobre novo tarifaço

Presidente falou na França após o fim da Cúpula do G7

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez “uma coisa desaforada” ao sugerir uma espécie de novo tarifaço ao Brasil em meio a negociações em andamento entre os dois países.

“Acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil. Ele sabe disso. Por isso eu disse que ele continua agindo como imperador. Nós estávamos fazendo acordo”, disse, em entrevista coletiva após o fim da cúpula do G7, em Évian, na França.

Questionado se havia conversado com Trump durante a cúpula, Lula disse não ter pedido um encontro bilateral com o presidente estadunidense porque ambos os países seguem em fase de negociação. “Não tinha porque pedir bilateral. Nós estamos negociando”.

“Na hora em que terminar a negociação, se não der em nada, não tenho nenhum problema de pegar o telefone, ligar para o Trump e marcar outra conversa. Nasci no mundo político negociando. Desde muito cedo, a minha vida foi negociar com gente tão poderosa quando ele.”

Agência Brasil

Gustavo Carvalho comenta sobre dívida do governo de repasse dos consignados

Crédito da(s) Foto(s): Eduardo Maia
O deputado Gustavo Carvalho (PL) fez pronunciamento no plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, nesta quarta-feira (17), alertando para a dívida que o governo do estado possui com os bancos que seria do repasse dos empréstimos consignados. Conforme o parlamentar, a dívida total do dinheiro que não foi repassado pelo governo é de cerca de R$ 400 milhões.

“Esse não é um problema novo, nem surgiu da noite para o dia. Eu já tinha cobrado sobre o assunto nesta Casa Legislativa, não foi falta de aviso. Além disso, avisos foram feitos pelos organismos de controle, pela imprensa, por pessoas que assessoram o governo e eles não quiseram assumir”, contou o deputado.

Gustavo Carvalho observou que o assunto repercutiu nacionalmente porque o Banco do Brasil judicializou a dívida com eles, de cerca de R$ 337 milhões. “O Banco do Brasil não estava negativando e eu denunciei. Em novembro de 2025, apresentei requerimento formal solicitando ao governo informações detalhadas”, falou.

O deputado explicou que ao solicitar empréstimo a uma instituição financeira no consignado, o governo é o avalista, o recurso é descontado do contracheque, o governo avaliza esse empréstimo e, a partir do mês seguinte, você começa a cumprir essa obrigação. “O governo tira do contracheque, mas não paga ao banco e o servidor fica negativado”, disse.