Com recorde de expositores e
rodada internacional de negócios, a edição 2025 reforçou o papel do Estado como
exportador nacional de frutas. Enquanto a Estação das Artes concentrou a
exposição aberta ao público com mais de 300 estandes, a programação científica
ocorreu na Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa). A Expofruit contou
com lideranças do setor e autoridades públicas, que traçaram perspectivas de
produção e infraestrutura logística para sustentar o crescimento na nova safra.
Para Fábio Queiroga,
presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (Coex), a
feira sintetiza o bom momento do setor. “[A Expofruit é] celebração de um caso
de sucesso. O estado do Rio Grande do Norte se tornou o maior exportador de
frutas do Brasil, não só melão e melancia, que são os carros-chefe, mas também
de manga, coco, banana, abacaxi, pitaia e limão. São vários produtos que estão
na porta de exportação da fruta”, explica.
Na visão de Queiroga, o efeito
direto da feira se prolonga por toda a safra, que vai tradicionalmente de
agosto ao início do ano seguinte, com contratações, compras de insumos e
expansão de mercados. O ambiente tarifário externo segue sendo monitorado pelo
setor, em especial diante da tarifa de 50% sobre as importações brasileiras
imposta pelos Estados Unidos. No entanto, a avaliação é que a diversificação de
destinos e o reforço logístico local mantêm o RN competitivo.
Zeca Melo, superintendente do
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RN), ressalta
a abrangência do evento. “Essa é a maior feira de negócio na área de
fruticultura tropical do país. Aqui você tem toda a cadeia. Você tem os produtores,
os exportadores, toda a cadeia de insumos, fertilizantes, as soluções de
logística, as iniciativas de startups que dão consultoria na área. Então ela é
completa”, avalia.
Na prática, a presença
conjunta de âncoras, além de pequenos e médios produtores forma um ambiente de
prospecção e aprendizado, com difusão de boas práticas, certificações e
soluções de logística, além de linhas de financiamento e pesquisa aplicada.
Para o Sebrae, esse encontro acelera a competitividade e a formalização, com
reflexos em produtividade, qualidade e alcance de novos mercados.
Nildo Dias, vice-reitor da
Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), enfatiza a ponte entre
ciência e campo. “Os produtores se sentem ainda um pouco isolados da
universidade e eu acho que a Expofruit traz essa coisa da gente cada vez mais
aproximar e dialogar os saberes, que é o nosso saber mais científico com o
saber técnico do produtor. Isso é extremamente importante”, pontua.
A programação acadêmica da
Expofruit abordou temas como irrigação no semiárido, uso racional da água com
sensores, drones e inteligência artificial, além de pesquisas em pós-colheita e
polinização, impulsionando a adoção de inovação voltada à sustentabilidade e às
exigências de qualidade dos mercados internacionais.
A governadora do Rio Grande do
Norte, Fátima Bezerra, vinculou as perspectivas da safra a melhorias de
infraestrutura. “É crescer cada vez mais as nossas exportações, principalmente
no setor de frutas, porque hoje, infelizmente, parte está indo pelo Porto de
Pecém; outra parte, inclusive, por Suape. A gente celebra, nesse exato momento,
a melhoria substancial que tá sendo feita na logística e na infraestrutura do
Porto de Natal”, avalia.
Durante a Expofruit, a
governadora reafirmou o compromisso do Governo Federal com a duplicação da
BR-304, prevista para começar no segundo semestre, em articulação com o
Ministério dos Transportes. Do ponto de vista logístico, as obras viárias e a
modernização do Porto de Natal são vistas como estratégicas para reduzir custos
e prazos, melhorar a conservação das frutas e aumentar a confiabilidade das
entregas.
Guilherme Saldanha, secretário
de Agricultura, Pecuária e Pesca do RN, sublinha o impacto social e a dimensão
econômica da atividade. “A fruticultura movimenta fácil no Rio Grande do Norte
R$ 4,5 bilhões. Tem a história de que o PIB do agro no Rio Grande do Norte é
14%. O IBGE fala isso e é verdade, porque ele pega dentro da fazenda e diz: ‘o
PIB é esse daqui’, mas existe um movimento em cadeia. As caminhonetes que rodam
hoje dentro do Estado do Rio Grande do Norte majoritariamente são do agro. Quem
compra os tratores são fazendas. Tem muita coisa. Se você pegar o impacto
positivo, no contexto do PIB, isso passa de 30% fácil”, afirma.
Com a oferta hídrica ampliada
através da chegada das águas do Rio São Francisco e projeções de melhoria no
escoamento, o RN mira ampliar volumes para a Europa e diversificar destinos. A
avaliação do setor é de que programas de qualificação e abertura comercial
ajudam a reduzir a dependência de janelas específicas e a sustentar o avanço da
fruticultura na safra 2025/2026.
A força da Agrícola Famosa
Um dos destaques da Expofruit
foi a visita à fazenda da Agrícola Famosa, a maior exportadora de melão do
Brasil. Apenas na unidade central, localizada entre os estados do Rio Grande do
Norte e do Ceará, são mais de dois mil hectares de área plantada, abastecendo
mercados nacionais e internacionais.
Para Richard Muller, diretor
operacional da Agrícola Famosa, a região reúne condições favoráveis de produção
e escoamento. “A nossa região é agrícola. A Agrícola Famosa é uma das empresas
pioneiras na produção de melão e uma empresa que acho que tem uma certa
relevância no cenário agrícola. A gente emprega mais de 6.000 pessoas, então
existe uma grande importância para a economia do Rio Grande do Norte e do
Brasil”, avalia.
foto: David Emanuel
Ao comentar a nova safra de
melão, ele projeta uma tendência positiva. “Nós até antecipamos a safra esse
ano, começamos duas semanas antes e a gente está vendo uma safra muito
positiva. O mercado europeu está demandando muita fruta. A gente já começou há
duas semanas com a exportação, já começamos a trabalhar com os nossos barcos no
Porto de Natal”, conta.
A estratégia de escoar via
Porto de Natal reduz o tempo de trânsito e permite que a fruta chegue ao
destino dentro do padrão de qualidade. A previsão é que de cerca de 300 mil
toneladas sejam exportadas nesta temporada somente pela Agrícola Famosa, destacando
o terminal potiguar como um dos polos fruteiros nacionais.
Pequenos negócios,
internacionalização e ciência
Além das grandes exportadoras,
a Expofruit também evidenciou o papel de micros e pequenos produtores na cadeia
da fruticultura. Com apoio do Sebrae, da Agência Brasileira de Promoção de
Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e de instituições parceiras, esses
empreendedores tiveram espaço para expor seus produtos e participar de rodadas
internacionais de negócios.
Segundo João Hélio, diretor
técnico do Sebrae/RN, a feira é a principal vitrine do setor no Nordeste. “São
muitos contratos que se iniciam aqui, além do impacto na economia como um todo:
na rede hoteleira, no turismo, no comércio e no serviço. O que tem de mais
importante da Expofruit, ao meu ver, ano após ano, é que ela se consolida”,
avalia.
Durante a Expofruit, o Sebrae
realizou o lançamento do Hub de Inovação de Agropecuária do RN, um espaço
colaborativo para apoiar startups, empreendedores e produtores. Franco Marinho,
gestor de fruticultura do Sebrae/RN, destacou a ação. “A gente está aqui
trazendo, aproximando o pequeno produtor desse processo que é extremamente
importante para o desenvolvimento do estado do Rio Grande do Norte”, afirma.
No que se refere às
oportunidades de internacionalização, Anderson Dib, especialista de agronegócio
da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil),
resume o alcance da rodada. “A gente teve bastante adesão de empresas em todo o
território nacional nessas ações. É uma repercussão muito boa em nível de
satisfação, tanto das empresas brasileiras, quanto dos compradores dos 13
países estrangeiros que estão aqui conosco”, relata. Entre os representantes
estrangeiros, estiveram Chile, Rússia e Índia.
Jorge de Souza, gerente
técnico da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e
Derivados (Abrafrutas), foi um dos palestrantes na programação da Expofruit e
ressaltou o papel de investimento em melhorias no setor. “Tecnologia e inovação
são fatores críticos ao sucesso. A tecnologia te leva à eficiência; conseguir o
melhor resultado possível com o menor custo possível”, explica.
Nos seminários realizados na
Ufersa, a orientação central foi diversificar mercados e acelerar a adoção de
tecnologia, da análise de solo ao uso de sensores, drones e inteligência
artificial. A meta é reduzir a concentração em poucos destinos e transformar o
bom momento em trajetória sustentada de crescimento para a fruticultura
potiguar.
Larissa Duarte/Repórter
Tribuna do Norte

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