Um dos municípios mais
afetados pela seca no Estado é Luís Gomes, no Alto Oeste potiguar. A cidade é
uma das 21 que estão em rodízio de abastecimento em 2025, segundo dados da
Companhia de Águas e Esgotos do RN. Desde março, o município decretou emergência
junto ao Governo Federal.
“A seca tem afetado a pastagem
dos animais. Os criadores têm mais dificuldade de pasto e de outras formas de
alimentação para os rebanhos. Também na parte da agricultura, houve prejuízos
na colheita, porque tivemos chuvas irregulares, o que prejudicou o preenchimento
do grão do milho e provocou perdas severas no feijão durante a formação das
vagens. Foi uma perda severa nas lavouras temporárias e típicas da nossa
serra”, explica Júnior Fontes, subcoordenador de Defesa Civil da Secretaria
Municipal de Agricultura e Defesa Civil de Luís Gomes.
O açude que abastece o
município, o Dona Lulu Pinto, está com apenas 1,78% da sua capacidade, de
1.674.070 m³. O secretário informa que, nos últimos seis meses, foram
investidos R$ 300 mil em ações como manutenção de poços artesianos, perfuração
de novos poços e transporte de água em carros-pipa, com captação no município
de Paraná, também no Alto Oeste. Ele revela ainda que a Prefeitura já prepara
novo pedido de prorrogação da situação de emergência junto ao Governo Federal.
Localizado também no Alto
Oeste, Tenente Ananias é outro município que convive com dificuldades
relacionadas à seca. Segundo José Lindenberg Melo, da Secretaria Municipal de
Agricultura, Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Defesa Civil, uma das
principais reivindicações é a entrada em operação da adutora de Pau dos Ferros.
“Estamos pleiteando junto ao
Governo do Estado que a adutora de Pau dos Ferros seja colocada em
funcionamento. Não podemos esperar faltar água para depois ela ser ligada”,
explica o secretário. Ele acrescenta que a prefeitura investe, mensalmente, R$
200 mil em manutenção de poços, barreiros e no abastecimento por carros-pipa
para 272 famílias da zona rural. Também aponta a expectativa de decreto de
emergência estadual por parte do governo.
Outro caso é Acari, no Seridó
potiguar, que registrou chuvas abaixo da média na quadra chuvosa de 2025.
Segundo o secretário de Agricultura do município, Chico de Onessino, os
trabalhadores da zona rural foram os mais afetados neste ano. Ele cita um projeto
em parceria com a Riachuelo para compra direta de algodão de produtores
familiares. Se antes 15 produtores participavam da ação, apenas 6 conseguiram
se manter.
“Eles não conseguiram resistir
exatamente pela falta de chuvas. Tivemos em janeiro uma chuva boa, em torno de
180 milímetros, mas nos meses seguintes praticamente não choveu”, relata. Ele
acrescenta que a prefeitura investiu em barreiros para armazenagem de água na
zona rural. “Temos feito melhorias nos barreiros e ampliação de cacimbas. É
algo muito demandado na região porque temos o rio Acauã e temos trabalhado
nessas ampliações”, afirma, apontando ainda a necessidade de novas perfurações
de poços na cidade por parte do Governo do Estado.
Em nota enviada à TN, a Caern
informou que a Adutora Alto Oeste (subsistema Pau dos Ferros) tem captação na
barragem de Pau dos Ferros. O sistema foi construído e projetado como
alternativa para reforço de água às cidades da região, que possuem mananciais
pequenos e podem precisar de complemento em anos de estiagem.
“É o caso de Luís Gomes, que
neste momento tem o Açude Lulu Pinto com volume perto do chamado ‘volume
morto’. Para garantir o abastecimento da cidade, a Caern inicia os testes com a
adutora nesta terça-feira (26). Além de Luís Gomes, terão reforço no abastecimento,
a partir da adutora, Riacho de Santana e Água Nova. É possível que a adutora
seja utilizada de forma permanente, quando a transposição do Rio São Francisco
for estabelecida”, disse a estatal.
Emergência
O secretário de Estado do Meio
Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Paulo Varella, disse que o Estado ainda
não tem prazo para definir se vai decretar emergência ou não em razão da seca,
mas destacou que mais de 60 poços já foram perfurados em 2025, com expectativa
de chegar a 500 até abril de 2026.
“Quem vive no semiárido não
pode ter a seca como uma surpresa. Nós temos, de fato, a certeza da época em
que não chove e a incerteza dos meses em que deveria chover”, declarou.
Segundo ele, o Estado tem se
preparado para reduzir os efeitos da seca com ações estruturantes e não
estruturantes. “As ações estruturantes são obras, como perfuração de poços,
recuperação de reservatórios e barragens, implantação de adutoras em situações
críticas ou de colapso. Já as ações não estruturantes envolvem alocações de
água. Nessa linha, foi autorizado um programa inédito de recuperação de
barragens. Pela primeira vez, 28 barragens estão sendo recuperadas, 18 já em
execução e 10 concluídas”, afirmou.
O secretário acrescentou que
há medidas ligadas à produção agropecuária, como a fabricação de 10 mil fardos
de feno por mês, que serão vendidos a preço subsidiado aos agricultores, e a
perspectiva de ampliar a cota de milho da Conab, de 22 para 45 mil toneladas.
Na semana passada, prefeitos
de várias cidades do Estado estiveram na Assembleia Legislativa para cobrar
soluções para o colapso hídrico, principalmente a perfuração de poços no
interior.
Tribuna do Norte

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