Em 2024, a expectativa dos
comerciantes do Alecrim era de 6% a 10% de crescimento no Dia dos Pais. O
presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), Matheus
Feitosa, explica que a redução no otimismo está relacionada à queda nas vendas
que os empresários têm relatado nos últimos meses. “Teve uma queda no
movimento, o pessoal tem reclamado”, disse.
Para ele, o Alecrim passa por
problemas estruturais, principalmente, relacionados ao trânsito. “Muitas vezes
os clientes, só de pensarem que existe uma desordem no trânsito e nas calçadas,
procuram um local mais tranquilo, que possam colocar o carro, fazer as compras
de forma mais tranquila”, explica.
Na loja Decole, localizada no
Alecrim e especializada em roupas com preços acessíveis, a baixa movimentação
percebida é motivo de preocupação. Renata Duarte, funcionária da empresa há
cinco anos, compara o período atual com anos anteriores: “Ainda não veio
cliente comprar o presente. Nos anos anteriores o movimento foi bem maior”,
relata.
A percepção de queda é
compartilhada por outros lojistas do bairro comercial. De acordo com Jalmir
Daniel, um dos proprietários da Casa das Meias, a baixa no movimento é de até
40%. “No Alecrim a gente está com uma queda de 30% a 40% no movimento, por isso
a gente teve uma redução na preparação”, afirma o empresário.
O contraste com outras datas
comemorativas também chama atenção. “A gente está com promoções e estamos
recebendo coleções novas. A expectativa é que melhorem as vendas. O Dia dos
Pais não gera tanto movimento quanto o Dia das Mães”, afirma Ana Paula Oliveira,
gerente da MS Calçados, também localizada no Alecrim.
Consumidores optam por
shoppings, diz pesquisa
Enquanto o comércio popular
enfrenta um cenário de retração, as lojas de shoppings esperam aumento no
movimento. De acordo com a CNDL, o comércio físico ainda é o canal preferido
para as compras do Dia dos Pais, conforme citado por 76% dos entrevistados. Os
principais locais de compra são os shoppings (31%), seguidos por lojas de
departamento (18%) e centros comerciais populares (15%).
A administradora do Natal
Shopping, Ancar Ivanhoe, acredita que o Nordeste deve ter um aumento de 2% nas
vendas. Para atender a essa expectativa, o Natal Shopping adere a ações
promocionais, como um Compre e Ganhe, em que o cliente que fizer R$ 600 em compras
ganha um perfume.
A Capitania do Cheiro, no
Shopping 10, no bairro Alecrim, iniciou uma campanha promocional com duas
semanas de antecedência. “As expectativas estão altas. A gente sempre fica
atenta a essas datas, porque sempre vem muitos clientes”, diz a vendedora Daiana
Fernandes.
Algumas lojas estão investindo
em estratégias para atrair os clientes. Daiana Fernandes destaca o impacto
visual das vitrines para chamar a atenção dos compradores: “A personalização
ajuda nas vendas, chama bastante atenção. Os clientes quando passam na vitrine
pensam: eita, tá chegando o Dia dos Pais”, comenta.
Na loja do Boticário do
Shopping 10, o clima também é de otimismo entre os vendedores. “A gente tá bem
ansioso, só esperando a data chegar. A gente trabalha com valores promocionais
para atrair os consumidores”, comenta a vendedora Paula Oliveira. Segundo ela,
os kits de perfumes são os mais procurados, com preços que variam entre R$100 e
R$350.
O perfil do consumidor mostra
preferência pelo pagamento à vista, com destaque para o Pix (46%) e cartão de
débito (18%). Já os que optarem pelo parcelamento (39%) devem dividir a compra,
em média, em 3,4 vezes no cartão de crédito.
As compras online continuam em
alta: 43% dos consumidores pretendem comprar os presentes pela internet.
Desses, 70% usarão aplicativos, 65% sites, e 19% apontaram o Instagram como
canal de compra.
Expectativa nacional
Segundo a Confederação
Nacional do Comércio (CNC), o varejo brasileiro pode registrar, em 2025, o
melhor desempenho para o Dia dos Pais em 11 anos. A previsão é de movimentar R$
7,84 bilhões, com crescimento de 3,2% em relação ao ano passado, já descontada
a inflação.
Outro indicativo positivo é o
aumento na contratação de temporários. A CNC estima a geração de 11.530 vagas
em todo o país — o maior número desde 2013. Os segmentos mais promissores são
hiper e supermercados (5,2 mil vagas), lojas de utilidades e eletroeletrônicos
(2,01 mil) e vestuário (1,93 mil).
Tribuna do Norte
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