O resultado é positivo pois
agosto está no meio do período seco, que vai de maio a outubro. Em 2024 o país
registrava 97.742 focos de queimada entre 01/01 e 22/08. Neste ano foram
registrados, no mesmo intervalo, 39.740 focos. Apenas 9 das 27 Unidades Federativas
tiveram aumento no número de focos em relação ao ano passado: Amapá (40%),
Bahia (18%), Ceará (6%), Paraíba (83%), Pernambuco (52%), Piauí (23%), Rondonia
(47%), Rio Grande do Sul (9%) e Sergipe (91%). Destes, apenas Bahia, Piauí e
Rio Grande do Sul registraram mais de 1000 focos. Mesmo com queda acentuada, de
69%, o Mato Grosso foi novamente o estado com mais focos, 19.032 registrados em
2024 frente a 5.760 registrados este ano, segundo melhor resultado do estado na
série histórica do INPE, superando somente o total de focos em 2011, quando
5.468 foram registrados no período.
Os motivos potenciais são
vários. Para o Mapbiomas, a melhora é relacionada principalmente ao
retorno das chuvas no inverno, mas também a um uso menor do fogo como
instrumento de preparação de terrenos, principalmente em estados da Amazônia.
Em julho eles já haviam indicado que o Cerrado foi o bioma com maior área
queimada no período, com 1,2 milhão de hectares – metade de toda a área
queimada no Brasil em 2025. Na Amazônia, uma área de 1,1 milhão de hectares foi
queimada entre janeiro e julho, uma redução de 70% em relação ao mesmo período
do ano anterior. O número representa a menor área queimada na Amazônia no
período desde 2019. No levantamento do INPE esses patamares permanecem
considerando o mês de agosto.
Em São Paulo, onde a Defesa
Civil estadual registrou queda de 75% nos focos na primeira quinzena do mês,
houve investimento em monitoramento e treinamento de equipes locais de
resposta, somados às melhores condições climáticas. O estado mantém equipes de
prontidão desde o começo da estiagem. Entre os dias 1º e 15 de agosto
foram contabilizadas 148 ocorrências em 2025. Em 2024 foram 548.
Todo o centro, norte e
noroeste paulistas estão em alerta desde a última quarta-feira, quando foram
considerados áreas de risco elevado para queimadas e incêndios espontâneos. O
tempo em todo o estado é quente e seco, o que deve começar a amenizar já a
partir de amanhã, com mínimas em torno de 15 graus. A umidade relativa do ar
também deve melhorar. Nesta sexta-feira (22), cerca de 50 municípios
registraram umidade abaixo dos 20%. Em Ituverava, cidade ao norte do
estado, perto de Barretos e Ribeirão Preto, foi registrada a umidade relativa
mais baixa, com 11%. A região é grande produtora de cana-de-açúcar e laranja, e
foi impactada fortemente pelo fogo em 2024.
Seca avança, principalmente no
Nordeste
Também esta semana, a Agência
Nacional de Águas (ANA) divulgou atualização de seu Monitor de Secas,
informando que houve um abrandamento do fenômeno em dois estados: Amazonas e
Sergipe. No sentido oposto, a seca se intensificou em julho em outros 14 estados:
Alagoas, Acre, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba,
Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São
Paulo. O Amapá e o Mato Grosso seguiram livres de seca, enquanto em Roraima o
fenômeno deixou de ser observado, devido ao volume de chuvas acima da média.
A Caatinga nordestina voltou a
registrar Seca Extrema, segundo pior índice no monitor da seca. Os dados da ANA
abrangem o mês de julho deste ano.
Agência Brasil
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