domingo, 24 de agosto de 2025

Lula 3 prioriza exportadores comperdas acima de 5% no tarifaço


O governo detalhou as condições financeiras de acesso ao crédito do Plano Brasil Soberano, lançado semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ajudar empresas impactadas pela tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros. O pacote inclui uma linha de crédito de R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e um valor adicional de R$ 10 bilhões em recursos do próprios do BNDES. O valor é destinado a capital de giro e a investimentos em aquisição de máquinas e abertura de novos mercados.

O evento, realizado na sede do BNDES, no Centro do Rio, contou com a participação de Aloizio Mercadante, presidente do Banco, Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e Uallace Moreira, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A prioridade é o crédito incentivado para todas as empresas que tiveram prejuízo com perda de capacidade de exportação acima de 5% de seu faturamento bruto, disse Mercadante: “Quem perdeu mais de 5% de seu faturamento é a prioridade. A orientação do presidente é que ninguém fique para trás.”.

Mello, do Ministério da Fazenda, lembrou que terão prioridade aos R$ 30 bilhões as empresas cujo valor das exportações aos EUA impactadas pela tarifas de 50% some pelo menos 5% do faturamento bruto total entre julho de 2024 e junho de 2025. O critério segue a definição do Ministério da Fazenda e MDIC.

As empresas beneficiadas com as linhas vão precisar comprovar a manutenção do número de empregos, disse Mello. Segundo ele, a referência inicial será a média dos valores entre o último dia útil de julho de 2024 e o último dia útil de junho de 2025.

“A meta final é a média dos valores apurados no período entre o último dia útil do quinto mês e o ultimo dia útil do décimo sexto mês após a contratação do financiamento. Estamos oferecendo crédito para apoiar essas empresas a se recuperarem.”, disse ele, lembrando que a fonte será o e-Social. “A maior demanda é por capital de giro.”.

Serão quatro linhas

Segundo Nelson Barbosa, diretor do BNDES, serão quatro linhas.Uma delas é a de “Capital de giro” para financiamento de gastos operacionais gerais com taxa de juros fixa de 0,66% ao mês (para MPMEs, as micro, pequenas e médias empresas) e até 0,82% ao mês (ou 10,31% ao ano) para as grandes companhias. O prazo será de até cinco anos, incluindo até um ano de carência. Para essa linha, podem acessar as empresas com impacto maior ou igual a 5% de seu faturamento.

Já para as empresas com impacto maior ou igual a 20%, as empresas podem acessar ainda outras três linhas. Na lista há a linha “Giro Diversificação”, com financiamento para a busca de novos mercados, com taxa de juros fixa de até 0,66% ao mês e prazo de até cinco anos, com um ano de carência, para todas as companhias, independente do porte. O valor máximo para obter crédito é de até R$ 35 milhões (para MPMEs) e até R$ 200 milhões (para grandes empresas).

Há ainda a linha “Bens de Capital”, para compra de máquinas, com taxa de juros de até 0,58% ao mês para todas as empresas. O valor máximo por empresa é de R$ 150 milhões e prazo de cinco anos também para todas as companhias. Há também a linha “Investimento”, para inovação tecnológica, adaptação da atividade produtiva e adensamento da cadeia produtiva. Será taxa de juros de até 0,58% ao mês e valor máximo de R$ 150 milhões com prazo de até dez anos para todas as empresas.

BNDES terá linha de R$ 10 bilhões

Além dos R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE), o BNDES anunciou na sexta-feira duas outras linhas de crédito próprias no valor total de R$ 10 bilhões. Segundo Barbosa, podem acessar todas as empresas afetadas com qualquer percentual de tarifa praticada pelos EUA.

Nesse caso, há o “Giro Empresarial Complementar” (para gastos operacionais gerais) que terá taxa de juros de 1,15% ao mês mais spread bancário; e “Giro Diversificação Complementar” (para busca de novos mercados), com juros de 0,29% ao mês com variação do dólar e spread bancário.

“A prioridade é quem teve acima de 5% do faturamento afetado. Abaixo disso haverá as linhas do BNDES com juros abaixo da Selic. Acreditamos que R$ 10 bilhões atendem.”, disse Mercadante.

BNDES entrou na linha de frente para socorrer exportadores | Foto: Estadão

BNDES entrou na linha de frente para socorrer exportadores | Foto: Estadão

Segundo Mercadante, o impacto é espalhado pelo Brasil e em uma parte do faturamento das empresas que vendem para os EUA. Ele lembrou que o BNDES concedeu R$ 277 bilhões em crédito direto e indireto, com a rede de garantias, no ano passado.

Na tragédia ambiental do Rio Grande do Sul, foi injetado R$ 29 bilhões na economia com crédito direto e indireto. Ele lembrou que o PIB no Rio Grande do Sul cresceu 4,9% , acima do PIB do Brasil, com a ajuda do crédito.

“Já temos uma experiência concreta. Foi decisivo saber quais as empresas afetadas. E com isso o crédito acelerou. E aprendemos que com essa crise as empresas procuram o BNDES direto. E aceleramos em seis vezes a aprovação de credito no RS. Tem que ter apoio do estado. O governo vai socorrer e ninguém vai ficar para trás.”, disse.

Segundo ele, as aprovações começam em setembro: “Nossa expectativa é que, a partir de 4 de setembro, os empresários comecem a procurar os bancos com os quais eles já trabalham. A nossa avaliação é que a partir de 15 de setembro, a gente comece a ter as primeiras aprovações no BNDES. Pode ter algum atraso? Pode. Mas nosso empenho é começar a aprovação e que ocorra o mesmo que ocorreu no Rio Grande do Sul. É um pacote de crédito importante com prazos dilatados.”, disse. Segundo ele, o BNDES vai ter acesso a lista de empresas mais afetadas que será elaborada pelo MDIC e Receita Federal.

Operação de socorro

O BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) será o agente financeiro responsável pela linha emergencial, que contará com R$ 30 bilhões do FGE (Fundo de Garantia à Exportação).

Além disso, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, anunciou um aporte de R$ 10 bilhões extras as empresas que não foram afetadas diretamente pelo tarifaço.As linhas abrangem capital de giro; produção de bens afetados; aquisição de bens de capital e investimentos em adaptação produtiva; inovação tecnológica; e adensamento de cadeias.

“É um esforço fiscal, de crédito, operacional. Vamos ter que mobilizar muito os servidores do BNDES para aprovar essas linhas o mais rápido possível”, disse Mercadante em coletiva de imprensa para apresentar a proposta.]

Segundo ele, a expectativa é que as primeiras aprovações ocorram a partir de 15 de setembro, com prioridade às empresas que já têm bom histórico bancário.

“Em crédito, bebe água limpa quem chega primeiro. Os empresários devem se preparar, produzir seus projetos e procurar as agências que já conhecem suas operações”, destacou.

BNDES

As principais medidas do plano:

Linha de Crédito de R$ 30 bilhões: Utilizando o superávit do Fundo Garantidor de Exportação (FGE), o BNDES disponibilizará o montante para capital de giro e investimentos em diversificação e adensamento de cadeias produtivas.

R$ 10 bilhões: O BNDES anunciou duas novas linhas complementares para todas as empresas afetadas pelo tarifaço com juros abaixo da Selic.

Implementação do Drawback: Medida para aumentar a competitividade no comércio internacional.

Diferimento de Tributos Federais: Adiamento por dois meses do pagamento de IPI, PIS, COFINS e Imposto de Importação para as empresas impactadas.

Agilização de Compras Públicas: Dispensa de licitação para a compra de gêneros alimentícios perecíveis pela União, estados e municípios, a fim de evitar perdas.

Ampliação do Reintegra: Aumento do crédito do programa de 0,1% para 3% para todas as empresas afetadas. Pequenas empresas já beneficiadas pelo programa Acredita (de facilitação ao acesso ao crédito para pequenos negócios) podem chegar a 6%.

Aporte em Fundos Garantidores: Injeção de R$ 4,5 bilhões nos fundos FGE, FGO (Fundo de Garantia de Operações) e FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) para garantir o acesso das empresas às linhas de crédito.

Pacote

Plano Brasil Soberano

Prorrogação do prazo do regime de drawback: empresas terão mais um ano para exportar mercadorias que utilizaram insumos beneficiados pelo regime, que suspende ou isenta tributos na importação de insumos usados em produtos destinados à exportação.

Diferimento de tributos: a Receita Federal poderá adiar a cobrança de impostos para empresas mais afetadas pelas tarifas, prática já adotada durante a pandemia da Covid-19.

Crédito tributário para exportações: empresas exportadoras terão valores a abater em impostos.

Grandes e médias empresas: alíquota de até 3,1%;

Micro e pequenas empresas: alíquota de até 6%;

Impacto estimado: R$ 5 bilhões até o fim de 2026.

Ampliação do acesso a seguros de exportação: especialmente para micro, pequenas e médias empresas, com proteção contra riscos como inadimplência ou cancelamento de contratos.

Compras públicas direcionadas: União, estados e municípios poderão adquirir produtos afetados pelas tarifas para programas de alimentação (como merenda escolar e hospitais).

Diversificação de mercados: o governo continuará atuando para ampliar os destinos das exportações brasileiras, buscando novos países compradores para os produtos sobretaxados pelos EUA.

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