O curso de Bacharelado em
Inteligência Artificial (BIA) formou sua primeira turma no primeiro semestre
deste ano, com 40 vagas, com uma formação associada ao Bacharelado em
Tecnologia da Informação (BTI). A professora Ismenia Blavatsky, diretora de
Ensino do IMD e coordenadora do BIA, explica que a formação em IA, no caso da
graduação, é feita em ciclos. Após o primeiro, que contempla a formação em BTI,
com conteúdos como matemática, lógica e computação, o aluno poderá optar, no
ciclo seguinte, pelos conteúdos direcionados à Inteligência Artificial em áreas
como jogos, ciência de dados, empreendedorismo e inovação, redes, internet das
coisas, dentre outros.
O ingresso no BTI ocorre por
meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Após isso, a seleção é feita por
meio de critérios estabelecidos em edital – um deles prevê que, quanto mais o
aluno cursou disciplinas relacionadas à Inteligência Artificial no BTI, maiores
as chances de ingresso no BIA. “O aluno vai encontrar, ainda, conteúdos como IA
generativa, modelos de aprendizado de máquina e estruturação de ferramentas.
Dependendo de como foi a formação do estudante no BTI, em mais um ano e meio,
ele consegue concluir a graduação em Inteligência Artificial”, afirma Ismenia.
Segundo a professora, 36 das
40 vagas ofertadas no início do ano estão preenchidas. As outras quatro estão
em aberto porque os estudantes receberam boas propostas de trabalho e decidiram
suspender os vínculos com o curso para se dedicar a novas oportunidades. Tales
Alves, de 27 anos, está entre os mais de 30 alunos que estão cursando a
graduação em Inteligência Artificial na UFRN. Ele conta que as boas
oportunidades no mercado de trabalho para quem domina as ferramentas de IA
chamaram a atenção e serviram de atrativo na hora de optar por uma área após a
formação em TI.
“Desde 2023 que eu estudo um
pouco sobre IA, por causa do boom do ChatGPT. O futuro está nas mãos dos
engenheiros de dados e isso está cada vez mais claro para as empresas”, fala.
Tales conta que a experiência tem valido muito a pena. “O curso é excelente. As
coisas que eu acompanho em sala de aula consigo aplicar muito bem no meu
estágio profissional e na bolsa da qual participo”, afirma o estudante.
A coordenadora do BIA diz que
o mercado para os profissionais formados em Inteligência Artificial é amplo –
vai desde a otimização de processos, passando pela construção de modelos para
otimização de ferramentas, até a aplicação em áreas de processos repetitivos,
tomada de decisões baseadas em dados, vendas ou educação. “Todas as áreas podem
ser beneficiadas, porque comportam a necessidade de profissionais com formação
em IA”, aponta Ismenia.
O programa Metrópole IA 360 oferta
o curso técnico em Inteligência Artificial, que tem duração de dois anos |
Foto: Alex Régis
Foto: Alex Régis
Foto: Alex Régis
Edital terá 40 mil vagas para
professores
O professor José Ivonildo
Rego, diretor-geral do IMD, afirma que o Metrópole IA 360 foi criado para gerar
uma sinergia entre educação, inovação e a sociedade com vistas à área de
Inteligência Artificial. “A melhor forma de criar essa energia, tendo em vista
as muitas oportunidades, é a formação em larga escala. E o programa foi pensado
justamente tendo como ponto de partida essa ideia. Por isso, estamos oferecendo
capacitação em diferentes níveis, com diferentes linhas de atuação”, frisa.
Além do bacharelado, o
programa Metrópole IA 360 oferta o curso técnico em Inteligência Artificial,
que tem duração de dois anos. O ingresso é feito por meio de seleção via
edital. São ofertados quatro módulos a cada semestre, com certificações
entregues aos estudantes ao final de cada seis meses. Mas o aluno só recebe a
certificação de formação técnica ao fim do quarto módulo, que é uma espécie de
estágio. O curso tem carga horária de mil horas e oferta 1,2 mil vagas anuais.
Duas outras linhas são o
Conecta IA e o Nano IA. O primeiro é um curso voltado a alunos de qualquer
graduação da UFRN e também de egressos da instituição, que oferece certificação
para quem cumprir uma carga de 300 horas em capacitação em áreas ligadas à
Inteligência Artificial, como ciência de dados, internet das coisas,
bioinformática, informática internacional e outras. Para o público interno, o
Conecta oferece 200 vagas anualmente, sendo que o aluno que optar pela formação
precisa apenas fazer a adesão na própria grade de ensino.
Para o público externo, são 30
vagas por ano e, nesse caso, é feita uma seleção. O Nano IA, por sua vez, é um
curso de duração mais curta, de cerca de 40 horas, voltado a demandas
específicas de empresas. “Estamos nos preparando para oferecê-lo ao Sebrae-RN,
onde iremos treinar uma equipe de cerca de 400 colaboradores”, explicou
Ivonildo Rego. Para o dia 8 de setembro está previsto o lançamento, dentro do
Nano IA, de um edital pela UFRN em parceria com a Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), para um curso on-line de
curta duração de 45 horas voltado a professores da Educação Básica, com o
objetivo de ampliar o acesso ao tema em escolas públicas e contribuir para a
inclusão digital. As vagas serão destinadas a professores de todo o País. “A
ideia é que eles aprendam a usar tecnologias como o ChatGPT. Ainda não há
previsão de quando as aulas vão ocorrer, mas as inscrições deverão ser feitas
entre outubro e novembro”, pontua o diretor-geral do IMD.
Além disso, o Metrópole IA 360
prepara uma pós-graduação lato sensu com duração de 18 meses, onde será
ofertada residência, com bolsas de R\$ 3 mil. “A residência será feita em
parceria com empresas e setores como o Judiciário, que já oferecem bolsas para
outras áreas. O início dessa residência, portanto, depende dessas parcerias”,
afirmou Ivonildo Rego. No programa também está incluso o Núcleo de Inteligência
Artificial e Ciência de Dados, que terá laboratórios e áreas destinadas a
projetos de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação. As obras já foram
finalizadas e o Núcleo aguarda agora a aquisição de equipamentos. Não há
previsão de início de funcionamento.
Foto: Alex Régis
Foto: Alex Régis
Mercado busca profissionais
qualificados
A formação de profissionais
ligados à Inteligência Artificial é uma necessidade gritante nos dias atuais. A
alta demanda por trabalhadores, puxada pelas mudanças que a IA tem provocado
nas empresas, evidencia que os impactos da formação em larga escala serão
positivos.
Daniel Luz, CEO da beAnalytic,
startup que desenvolve soluções em Inteligência Artificial para outras
empresas, avalia que, diante da escassez desses profissionais no mercado, é
preciso que instituições de ensino atentem para o fato de que é preciso fazer
frente a formações para a área.
“A Inteligência Artificial é a
nova revolução industrial. Daqui para a frente, todas as empresas vão usá-la de
alguma forma. Então, a demanda por esse tipo de profissional já é muito
grande”, avalia. Além disso, Luz avalia que os bons salários servirão como um
novo atrativo para a expansão da área.
“Hoje, um profissional
iniciante entra no mercado ganhando na faixa dos R$ 5 mil. Depois disso, a
depender do nível de formação, o céu é o limite, com salários de até R\$ 50
mil”, afirma Daniel Luz, o CEO da beAnalytic.
Ele conta que a beAnalytic,
graduada no início do ano pela incubadora do Parque Metrópole, do IMD, já
desenvolveu soluções com IA para empresas como Telefônica e Mapfre. Atualmente,
a startup trabalha em um modelo de IA para uma grande rede nacional de farmácias.
“A solução envolve sugestão de
vendas de medicamentos por meio de um site”, relata. A empresa conta atualmente
com 30 funcionários, dos quais, a maioria possui formação em outras áreas.
“Grande parte do nosso time ainda é formada por profissionais de áreas que
acabaram migrando para a de ciência de dados, por isso a formação em
Inteligência Artificial é muito importante. Hoje, quando a gente procura
profissionais de nível pleno, costuma haver um processo bem complexo até
encontrá-los”, pontua Daniel Luz.
Ismenia Blavatsky, diretora de
Ensino do IMD e coordenadora do BIA, cita que a formação deve ser um ponto de
atenção para diversas áreas e que investir nessa área poderá ser um diferencial
no futuro.
“Um bom profissional da educação, por exemplo, poderá otimizar processos com Inteligência Artificial e de forma mais efetiva trazer esses conteúdos para os estudantes. Pessoas que lidam com tomadas de decisão podem utilizar as ferramentas para trazer mais segurança a produtos e processos na indústria, comércio e serviços. Então, investir nesse tipo de conhecimento será um diferencial para encarar os desafios futuros que a gente nem tem ideia de quais são exatamente”, aponta Ismenia Blavatsky.
Felipe Salustino/Repórter
0 comentários:
Postar um comentário