terça-feira, 29 de julho de 2025

Mercado automotivo tem alta de 15,71% no primeiro semestre no RN


O setor automotivo do Rio Grande do Norte encerrou o primeiro semestre de 2025 em ritmo de expansão. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o volume total de veículos comercializados no estado cresceu 15,71% no acumulado, saltando de 26.029 no primeiro semestre de 2024 para 30.119 no mesmo período de 2025. O destaque ficou por conta das motocicletas, que impulsionaram o desempenho geral do mercado.

Somente em junho, foram vendidas 3.490 motos, um salto de 36,38% frente às 2.559 unidades registradas no mesmo mês do ano passado. No total, o número de veículos de todos os segmentos vendidos em junho chegou a 5.397, contra 4.329 em junho de 2024 — alta de 24,67%. Apesar de uma leve retração de -1,39% nas vendas de junho em relação a maio deste ano, atribuída à sazonalidade típica do período, o mercado potiguar mantém um viés de crescimento.

Na participação referente ao acumulado comercializado durante o primeiro semestre, os automóveis correspondem a 26,66%, enquanto as motos são responsáveis por 60,25%. Nos comerciais leves, a porcentagem é de 7,46%, seguida por caminhões (1,67%), implementos rodoviários (0,42%) e ônibus (0,33%). A categoria “outros” aparece com 3,22% no levantamento da Fenabrave.

Para Assis Menezes, gerente comercial de uma concessionária Yamaha, o bom desempenho do setor de duas rodas é reflexo da resiliência do segmento. “O segmento de motocicleta ainda é um dos últimos que resiste a incerteza do mercado que a gente está passando, mas continua com o volume de vendas bastante significativo”, relata.

O bom desempenho nas vendas do setor de motocicletas, conforme os dados da Fenabrave, manteve-se no comparativo entre maio (3.311) e junho (3.490) deste ano, com crescimento de 5,41%. No acumulado do semestre já foram contabilizadas 18.148 unidades comercializadas, um aumento de 23,03% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram vendidas 14.751 motocicletas.

Ainda segundo Assis Menezes, os números positivos nas vendas estão ancorados em fatores como facilidade de crédito, mesmo com taxas de juros ainda elevadas, e o uso da moto para atividades profissionais. “Hoje essa coisa da entrega, do delivery, tudo isso, influencia e mantém o segmento de moto sempre muito aquecido”, completa. O público comprador, segundo o gerente, costuma se concentrar entre adultos jovens e pessoas de até 50 anos de idade. A concessionária mantém a expectativa de que o ritmo de crescimento seja mantido no segundo semestre deste ano, período em que tradicionalmente as vendas de motos são impulsionadas.

No segmento premium, Julian Costa, gerente comercial da BMW Motorrad, o aumento nas vendas também se confirma. Entre as motos de alto padrão, o avanço expressivo está ligado tanto ao lançamento de novos modelos quanto à força da comunidade motociclista no estado. Segundo o gerente, o perfil dos compradores é variado, mas boa parte dos clientes já possui automóveis e vê na moto uma opção de hobby, estilo de vida ou mobilidade.

“Tem gente que compra por gosto, mas também há quem use no dia a dia para fugir do trânsito e economizar combustível. Uma coisa influencia a outra. Já estamos trabalhando com modelos como a F900R, R1300 Adventure e a S1000 versão 2026, que são os carros-chefe da nossa linha. Isso deve movimentar ainda mais o mercado da turma dos motociclistas”, avalia Julian.

Segmento de carros acumula alta de 7,17%

No que se refere ao segmento de carros, os dados da Fenabrave mostram que a categoria manteve uma alta de 5,06% em junho deste ano frente a junho de 2024. O acumulado do semestre registra aumento de 7,17% nas vendas. Érick Guilherme, gerente comercial da Nacional Veículos, avalia que os resultados semestrais refletem uma série de fatores estruturais e estratégicos adotados pelas montadoras.

“O que houve foi um incremento de produtos. As pessoas começaram a se interessar mais. No caso da Volkswagem, ela praticamente reformou toda a linha nesse último ano. Além disso, tem a questão do financiamento, que é a principal ferramenta que nós temos hoje, e o fato de receber um seminovo na troca. O seminovo houve uma melhoria nas avaliações”, relata.

Entre os modelos mais procurados na concessionária, estão o Polo e o T-Cross, que figuram entre os dez mais vendidos do país. Segundo Érick, o realinhamento de preços promovido pela montadora e a oferta de condições mais atrativas contribuíram diretamente para os bons números do período.

Enquanto isso, o segmento de veículos elétricos tem conquistado espaço crescente no RN, impulsionado por políticas de incentivo, maior conscientização ambiental e evolução na infraestrutura de recarga. Na avaliação de Vanderson Oliveira, gerente comercial da BYD Carmais, o crescimento de junho de 2025 para junho de 2024 foi sentido também na concessionária. “Observamos um aumento consistente no interesse e nas vendas, impulsionado, principalmente, pela expansão da frota elétrica e pelo fortalecimento do mercado”, explica Vanderson Oliveira.

Ainda segundo ele, a BYD tem apostado na diversificação da oferta e na aproximação com o consumidor para manter as vendas aquecidas. “A presença crescente da marca e o trabalho próximo ao cliente tem contribuído para consolidar nossa participação no setor automotivo aqui no estado. Os modelos mais vendidos hoje na linha dos elétricos são o Dolphin Mini e o Dolphin; eles têm um volume muito expressivo. Na linha dos híbridos, o que ganhou uma boa expressividade foi o Song Pro”, afirma.

Nas demais categorias, os números mais expressivos estão no segmento de caminhões, com aumento de 16,39% na comercialização de junho de 2025 contra junho de 2024, enquanto entre ônibus a comercialização cresceu 92,31%, e 24,16% entre os comerciais leves. Nos dados da Fenabrave, a única redução neste mesmo período aconteceu nos implementos rodoviários, quando houve 17 vendidos em junho deste ano, contra 31 em junho de 2024, totalizando uma queda de -45,16%.

A expectativa para o segundo semestre é de continuidade no ritmo de crescimento entre os automóveis. Erick Guilherme aposta em boas condições de vendas e de preço, com taxas de entrada a partir de 30%. Para Vanderson, as projeções também são otimistas, principalmente pela inauguração da fábrica da BYD no Brasil, o que promete preços mais competitivos.

Tribuna do Norte

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