Os senadores tiveram agenda na residência oficial da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Também participaram do encontro representantes do Itamaraty, ministros da embaixada e o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, embaixador Roberto Azevêdo.
Na terça-feira (29) haverá compromissos estratégicos com autoridades norte-americanas: já há seis encontros com parlamentares americanos agendados e outros em tratativa.
No domingo (27), os senadores Carlos Viana (Podemos-MG), Jacques Wagner (PT-BA)
e Rogério Carvalho (PT-SE) chegaram a Washington, onde tiveram uma reunião
preparatória dos trabalhos com os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), Esperidião
Amin (PP-SC), Teresa Cristina (PP-MS), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e
Fernando Farias (MDB-AL) que lá já estavam.
Pragmatismo
Presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado e coordenador da
missão, o senador Nelsinho Trad explicou que o encontro teve como objetivo
“promover uma atualização da temática e alinhar os pontos que deveremos abordar
ao longo da missão”.
“Nós estamos numa linha muito pragmática. Nós vamos conversar com deputados e senadores, tanto do [Partido] Republicano, quanto do Democrata, e vamos demonstrar para cada um deles o que os estados que eles representam aqui nos Estados Unidos vão perder com essa sobretarifa. Algo pragmático, em cima de fatos concretos e a gente sabe que isso vai fazer com que eles possam se movimentar”, afirmou o senador Nelsinho Trad.
O senador lembrou que no próximo ano haverá eleições nos Estados Unidos para a renovação da Câmara dos Deputados e de um terço do Senado. Eles pretendem demonstrar aos parlamentares americanos que essa sobretarifa é “perde-perde”.
“A expectativa é de distensionar essa relação. Azeitar as conversas entre o Executivo brasileiro e o Executivo americano. A partir do momento que a gente conseguir isso, a missão dessa comitiva estará devidamente cumprida”, disse o presidente da CRE.
Contudo, Trad salientou que estão no início do processo, e que “nada vai ser resolver agora essa semana, tampouco dia 1º de agosto”. Para o senador, isso ainda vai se arrastar e será necessário “um diálogo equilibrado e sensato entre as partes”.
Um grupo de 11 senadores norte-americanos, do Partido Democrata, de oposição ao
governo de Donald Trump, enviou sexta-feira (25) uma carta ao presidente
norte-americano para pedir o fim do tarifaço comercial contra produtos
brasileiros, alegando inclusive “abuso de poder”.
Bolsonaro
Na reunião dessa segunda-feira, a embaixadora Maria Luiza Viottio relatou que o
diálogo com o governo americano começou em março deste ano, quando foi criado
um grupo de trabalho técnico bilateral. Na ocasião, o Brasil apresentou dados
demonstrando que a média efetiva das tarifas brasileiras de importação é de
apenas 2,7%.
Contudo, em carta enviada pelos Estados Unidos ao governo brasileiro no dia 9
de julho, Trump anunciou que a imposição de tarifas sobre as exportações
brasileiras, no percentual de 50%, se dará a partir de 1º de agosto, alegando
suposta perseguição judicial do Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente
Jair Bolsonaro, investigado em processos judiciais por tentativa de golpe de
Estado.
Pix
Os Estados Unidos também abriram em julho uma investigação interna para
analisar práticas comerciais do Brasil que apontam como supostamente “desleais”
a empresas norte-americanas como Visa e Master, apontado entre suas
justificativas alguns pontos como o comercio digital e serviços de pagamento
eletrônico, como o Pix.
“Foi com grande surpresa que recebemos a carta. O diálogo vinha fluindo, nossas considerações estavam sendo levadas em conta. Ainda assim, seguimos à disposição para dialogar”, afirmou Viotti. A embaixadora informou ainda que há ações judiciais em andamento nos Estados Unidos questionando a legalidade das sobretaxas.
Para o ex-diretor da OMC, Roberto Azevêdo, o momento atual deve ser
encarado como uma janela estratégica. “O que está acontecendo agora está
forçando o governo, o empresariado e a sociedade brasileira a repensarem como
fazer negócios e como se aproximar mais dos Estados Unidos. Não podemos
desperdiçar essa mobilização”, afirmou.
Alckmin
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo
Alckmin, está à frente de iniciativas para buscar uma solução diplomática à
questão. Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira
chegou aos Estados Unidos para participar de agenda da Organização das Nações
Unidas (ONU), mas também está aberto às negociações como o governo americano.
Pelo menos 30 segmentos da economia brasileira direcionam pelo menos um quarto
das suas exportações para os EUA. Conforme estudo da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), os setores mais afetados pela majoração tarifária serão:
tratores e máquinas agrícolas, com redução de 23,61% na exportação e de 1,86%
na produção; aeronaves, embarcações e outros equipamentos de transporte, com
diminuição de 22,33% na exportação e de 9,19% na produção; e de carnes de aves,
com queda de 11,31% na exportação e 4,18% na produção.
Tribuna do Norte
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