Em junho de 2024, o indicador
superou pela primeira vez a barreira de R$ 7 trilhões. Mesmo com a alta no mês
passado, a DPF continua abaixo do previsto. De acordo com o Plano Anual de
Financiamento (PAF), apresentado no início de fevereiro, o estoque da DPF deve encerrar 2025 entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões.
A Dívida Pública Mobiliária
(em títulos) interna (DPMFi) subiu 2,99%, passando de R$ 7,361 trilhões em maio
para R$ 7,581 trilhões em junho. No mês passado, o Tesouro emitiu R$
154,62 bilhões em títulos a mais do que resgatou, principalmente em papéis
prefixados. Além disso, a dívida interna subiu por causa da apropriação de R$
65,13 bilhões em juros.
Por meio da apropriação de
juros, o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os
títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic
(juros básicos da economia) em 15% ao ano, a apropriação de juros pressiona o
endividamento do governo.
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No mês passado, o Tesouro
emitiu R$ 161,31 bilhões em títulos da DPMFi. Com o baixo volume de vencimentos
de títulos em junho, os resgates somaram R$ 6,69 bilhões.
A Dívida Pública Federal
externa (DPFe) caiu 2,28%, passando de R$ 309,17 bilhões em maio para R$ 302,12
bilhões em junho. O principal fator foi a queda de quase 4,41% do dólar no
mês passado.
Colchão
Após uma queda em maio, o
colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência
ou de forte concentração de vencimentos) voltou a subir em junho. Essa
reserva passou de R$ 861 bilhões em maio para R$ 1,03 trilhão no mês passado,
chegando ao maior nível desde julho de 2024. O principal motivo, segundo o
Tesouro Nacional, foi a forte emissão líquida (emissões menos resgates) no mês
passado.
Atualmente, o colchão cobre
8,44 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está
previsto o vencimento de R$ 1,236 trilhão em títulos federais.
Composição
A composição da DPF mudou
pouco. A fatia de títulos corrigidos por índices de preços caiu levemente,
passando de 26,64% para 26,45%. O PAF prevê que os títulos vinculados à
inflação encerrarão o ano entre 24% e 28%.
A participação dos papéis
prefixados (com rendimento definido no momento da emissão) subiu levemente, de
21,1% em maio para 21,57% em junho. O PAF prevê que o indicador fechará 2025
entre 19% e 23%.
Normalmente, os papéis
prefixados indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas
são definidas com antecedência. No entanto, em momentos de instabilidade no
mercado financeiro, as emissões caem porque os investidores pedem juros muito
altos, o que comprometeria a administração da dívida do governo.
A proporção dos papéis
atrelados à Selic oscilou de 48,25% em maio para 48,16% em junho. O PAF prevê
que o indicador fechará 2025 entre 48% e 52%. Esse papel está atraindo o
interesse dos compradores por causa das recentes altas da Selic.
Composto por antigos títulos
da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa, o peso do câmbio
na dívida pública caiu de 4,02% para 3,82%. A dívida pública vinculada ao
câmbio está dentro dos limites estabelecidos pelo PAF para o fim de 2025, entre
3% e 7%.
Prazo
O prazo médio da DPF caiu de
4,20 para 4,14 anos. O Tesouro só fornece a estimativa em anos, não em meses.
Esse é o intervalo médio em que o governo leva para renovar (refinanciar) a
dívida pública. Prazos maiores indicam mais confiança dos investidores na
capacidade do governo de honrar os compromissos.
Detentores
As instituições financeiras
seguem como principais detentoras da Dívida Pública Federal interna, com 31,3%
de participação no estoque. Os fundos de pensão, com 23,1%, e os fundos de
investimento, com 22,1%, aparecem em seguida na lista de detentores da dívida.
Mesmo com o alívio temporário
no mercado externo, a participação dos não residentes (estrangeiros) oscilou de
9,9% em maio para 9,8% em junho. Em novembro do ano passado, o percentual
estava em 11,2% e tinha atingido o maior nível desde maio de 2018, quando a
fatia dos estrangeiros na dívida pública também estava em 11,2%. Os demais
grupos somam 13,6% de participação.
Por meio da dívida pública, o
governo pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar compromissos
financeiros. Em troca, compromete-se a devolver os recursos depois de alguns
anos, com alguma correção, que pode seguir a Selic, a inflação, o dólar ou
ser prefixada (definida com antecedência).
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