quarta-feira, 30 de julho de 2025

Caern vai concluir em setembro relatório sobre PPP para esgotamento sanitário


A Caern deverá finalizar em setembro um Relatório de Anteprojeto de Engenharia para a modelagem de uma Parceria Público-Privada (PPP) do sistema de esgotamento sanitário que abrangerá 48 municípios potiguares, entre eles Natal. A estimativa é de que cerca de 1,7 milhão de pessoas sejam atendidas pelos serviços de universalização de esgoto a partir da PPP. O investimento previsto é de R$ 4,5 bilhões. A modelagem está sendo estruturada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a expectativa da Caern é lançar o edital no primeiro semestre de 2026.

Após a conclusão do relatório, será feita a avaliação econômico-financeira, bem como a decisão do modelo de negócios para, em seguida, ser iniciada a preparação para a elaboração do edital. Na semana passada, informações parciais do estudo foram apresentadas a diversas secretarias da Prefeitura do Natal. De acordo com essas informações, devem ser beneficiados 29 municípios da microrregião Litoral-Seridó (dentre eles, Parnamirim e São Paulo do Potengi, além de Natal) e 19 cidades da região Central-Oeste (dentre elas, Mossoró e Pau dos Ferros).

Segundo a Caern, até a conclusão o relatório incluirá informações sobre metas de universalização, projeção populacional a ser beneficiada, investimentos necessários, soluções de engenharia e aspectos ambientais, como licenciamento, estimativa de emissão de gases do efeito estufa, risco climático e programa de gestão ambiental. Ainda de acordo com a Caern, os estudos de investimentos Capex, ou seja, aqueles que serão feitos em despesas de capitais, levarão em conta as necessidades de estações elevatórias de esgoto (EEE) e linhas de recalque; rede coletora, ligações prediais e interceptores; e estações de tratamento de esgotos (ETE) e emissários.

Também são considerados para os investimentos serviços como reformas, melhorias e adequações de EEEs e ETEs; aquisição de áreas e desapropriações; licenciamentos e outorgas; e gestão comercial, dentre outros. Já os custos de operação e manutenção levam em conta aspectos como recursos humanos, energia elétrica, produtos químicos, transporte e destinação adequada do lodo, cobrança pelo uso dos recursos hídricos, veículos e equipamentos, além de seguros e garantias.

“A previsão de conclusão do anteprojeto é setembro de 2025. O estudo é realizado pelo BNDES e o modelo de PPP ainda está sendo fechado, tendo como previsão para o edital o primeiro semestre de 2026”, detalhou a Caern em nota. A apresentação parcial do estudo à Prefeitura na semana passada foi articulada por meio da Secretaria Municipal de Planejamento e da Agência Reguladora de Saneamento Básico do Município de Natal (ARSBAN).

O secretário municipal de Planejamento, Vagner Araújo — que também preside o Conselho Municipal de Saneamento Básico, disse que a ideia, inicialmente, é entender o estudo para que depois haja um posicionamento sobre a PPP de forma técnica e transparente. Ele frisou, no entanto, que a informação apresentada pela Caern é que a modelagem adotada para a PPP será de outorga zero – o que tem gerado avaliações mais cuidadosas por parte do Município.

“Com a outorga zero, o parceiro privado que assumir a operação do sistema de esgoto de Natal e das demais cidades não precisará fazer qualquer aporte financeiro aos entes ao receber o sistema para operar e faturar. Ou seja, a modelagem seria com base apenas na tarifa. Ainda estamos avaliando isso porque a outorga zero se aplica quando as obras de infraestrutura – como estações de tratamento e redes coletoras de esgoto – estão todas por serem feitas, o que não é o caso”, disse Araújo.

Ele citou que, pelo que a própria Caern tem divulgado, as estações da zona Norte e Guarapes (ETEs Jaguaribe e Guarapes) estão em fase de conclusão. “As redes de esgotamento também estão sendo concluídas. Então, ainda estamos buscando entender por que a Caern busca uma modelagem em que o parceiro privado recebe tudo pronto e não terá que ressarcir, via outorga, aquilo que o cidadão investiu por meio da tarifa ao longo do tempo na implementação de toda essa infraestrutura. Isso não está muito claro”, pontuou o secretário.

Questionada sobre o assunto, a Caern reforçou que todo o cenário está em estudo pelo BNDES. “A outorga é paga em concessões parciais ou plenas, não sendo, no momento, o modelo de Parceria Público-Privada da Caern, que a princípio deve optar por uma PPP administrativa de esgoto para a Microrregião Litoral-Seridó”, informou a Companhia.

Tribuna do Norte

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