Em relação às compras, o
levantamento, que integra a terceira edição do Dashboard de Comércio Eletrônico
Nacional, desenvolvido pelo MDIC, as compras eletrônicas feitas pelos
potiguares dobraram o volume de recursos injetado em quatro anos, saindo de R$ 1,2
bilhão em 2020 para R$ 2,4 bilhões no ano passado. Já as transações de vendas
eletrônicas de empresas potiguares tiveram um crescimento no volume de recursos
de 44,2% entre 2020 e 2023, passando de R$ 200,6 milhões para R$ 453,3 milhões.
No ano passado, o resultado (R$ 350,7 milhões) sofreu redução de 22,6% em
comparação com o ano anterior.
Para Thales Penha, economista
e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o cenário de
queda verificado no ano passado pode ser explicado pela mudança no
comportamento dos consumidores após o fim da pandemia de Covid-19. “Com o fim
da crise sanitária, as pessoas voltaram a circular, então, pode ter havido uma
migração na maneira como as pessoas fizeram as compras no ano passado, com
maior foco em lojas físicas”, disse o economista.
Sobre a crescente movimentação
em compras e vendas no e-commerce nos anos de pandemia e no período anterior a
ela, Penha analisa que as mudanças provocadas pelo isolamento social trouxeram
alterações nos hábitos de consumo, o que pode ter influenciado esse boom. “No
período da crise sanitária, houve uma queda no consumo de serviços como bares e
restaurantes, o que facilitou, por outro lado, o consumo de eletroeletrônicos”,
disse o professor.
Marcelo Queiroz, presidente da
Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do RN
(Fecomércio-RN), pontua que os dados indicam que as empresas estão atentas às
mudanças de comportamento dos consumidores. Ainda assim, destaca, as movimentações
em lojas físicas seguem representando a maioria absoluta das receitas do
comércio potiguar. “As informações do MDIC revelam que o setor está atento e
buscando multiplicar seus canais de venda”, disse o presidente da
Fecomércio-RN.
“Mas, apesar de significativo
em termos de valor, o total acumulado em volume representou apenas 3,7% da
receita do comércio varejista potiguar no período, o que demostra a preferência
do consumidor local pelo comércio presencial, seja nas ruas, centros comerciais
ou shopping centers”, acrescenta Queiroz.
Carlos von Sohsten (Sebrae/RN):
vendas on-line são “alavanca” para pequenos negócios | Foto: Alex Régis
Vendas on-line não alteram
comércio local
O economista Thales Penha
afirma que as movimentações de compra e venda pela internet praticamente não
provocaram alterações no comércio físico, porque a grande maioria das lojas
potiguares anuncia em grandes plataformas on-line. Outro aspecto para o qual
ele chama atenção é o fato de que, mesmo antes da expansão do e-commerce,
muitos dos produtos consumidos em lojas físicas no RN vinham de fora. “Então,
do ponto de vista produtivo, não existem grandes mudanças nem impactos
negativos para a economia, visto que o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado
cresceu. E para as empresas daqui, a internet virou mais uma ferramenta de
venda”, comenta.
Além disso, ele explica que os
dados do MDIC levam em consideração somente as compras e vendas contabilizadas
por nota fiscal nas grandes plataformas, sem considerar as movimentações por
redes sociais e por aplicativos de mensagem. “Hoje em dia houve uma migração
muito forte para o digital – é difícil imaginar uma empresa que não esteja
nesse ambiente, porque elas sabem que o consumidor quer comodidade”, diz o
economista.
É exatamente isso que busca a
nutricionista Maria Dulcimar Campelo, de 44 anos. Ela conta que começou a
comprar pela internet em 2021, por causa da pandemia. Hoje, Dulcimar visita
diariamente as plataformas de vendas em busca de produtos diversos. “Comecei a
comprar na internet porque estava em uma gravidez de risco e não tinha como
sair de casa para providenciar o enxoval por causa da pandemia”, diz.
A praticidade nesse tipo de
compra, as facilidades de pagamento e os preços mais atrativos são as vantagens
de adquirir um produto de forma virtual. segundo ela. “Meu filho está com pouco
mais de dois anos. Logo, seria muito difícil ir com ele a uma loja escolher
algum produto. A internet, então, torna tudo mais fácil”, declara, ao revelar
que já comprou de tudo no e-commerce – de cremes a produtos de casa, passando
por itens como roupas e joias. O foco são as empresas brasileiras. “As compras
em lojas estrangeiras exigem o pagamento de uma taxa extra e o produto demora
mais a chegar”, afirma.
Conforme os dados do MDIC, o
RN ocupa o sexto lugar entre os estados do Nordeste tanto em volume de vendas
quanto de compras e-commerce entre 2016 e 2024. A Bahia (com R$ 45,9 bilhões),
Pernambuco (R$ 29,39 bilhões) e o Ceará (R$ 23,19 bilhões) ocupam o topo do
ranking de compras online feitas por consumidores. Em relação às vendas
e-commerce realizadas por empresas locais no período, os estados de Pernambuco
(R$ 26,22 bilhões), Paraíba (R$ 20,67 bilhões) e Bahia (R$ 9,98 bilhões)
lideram na região no mesmo recorte temporal.
E-commerce fomenta micro e
pequenas empresas
Em 2016, início da contagem do
MDIC, as vendas on-line de empresas potiguares somaram R$ 6,5 milhões. As
compras por consumidores do Estado, por sua vez, totalizaram R$ 304,4 milhões.
Os números dão uma ideia do quanto esse segmento cresceu em nove anos. As
médias e grandes empresas foram as principais responsáveis pelo volume de
vendas movimentado entre 2016 e 2024, somando R$ 1,65 bilhão, enquanto as micro
e pequenas empresas totalizaram R$ 104,69 milhões.
Carlos von Sohsten,
coordenador do IALab do SEBRAE/RN, afirma que as vendas pela internet têm sido
uma “verdadeira alavanca” para os pequenos negócios do Estado. Segundo ele, o
formato amplia o alcance geográfico das empresas, permitindo que produtos e serviços
locais cheguem a consumidores de outras regiões do Brasil e até do exterior.
“Além disso, o ambiente digital reduz barreiras de entrada e oferece
ferramentas acessíveis de marketing, gestão e relacionamento com o cliente, o
que empodera o empreendedor, gera novas oportunidades de negócio e contribui
diretamente para a dinamização da economia local”, diz.
Ele analisa que os dados sobre
as vendas on-line evidenciam, acima de tudo, a força da adaptação e resiliência
dos pequenos empreendedores. “A pandemia foi um ponto de mudança no
comportamento do consumidor e quem conseguiu entrar nesse ambiente digital colheu
resultados. Agora, com esse canal já estabelecido, o próximo passo é fortalecer
a presença nesse formato e explorar o uso de tecnologias como inteligência
artificial para oferecer experiências mais personalizadas, eficientes e
competitivas”, assinala Carlos von Sohsten.
Quando se trata das compras
e-commerce realizadas pelos potiguares, a movimentação em médias e grandes
empresas resultou em volume de R$ 9,71 bilhões em nove anos; as micro e
pequenas empresas movimentaram R$ 1,47 bilhão. Em todo o País, as vendas de micro
e pequenas empresas pelo comércio eletrônico cresceram perto de 1.200% nos
últimos cinco anos, saltando de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 67 bi em 2024.
Em valores, os produtos mais vendidos em 2024 no e-commerce nacional foram aparelhos de telefonia celular, (4,1% do total), livros (3,3%), refrigeradores (2,6%), televisores (2,2%) e complementos alimentares (2,1%). Quando analisadas apenas as transações das MPEs, as obras de plástico saltam para a primeira posição no ranking, respondendo, em valores, por 2,7%.
Felipe Salustino Repórter
Tribuna do Norte
0 comentários:
Postar um comentário