quarta-feira, 26 de março de 2025

Estudo sobre doenças respiratórias terá a participação do LAIS/UFRN


Um projeto de pesquisa do Brasil, Portugal e Grécia foi aprovado em um financiamento integral da União Europeia para produzir tecnologias voltadas ao enfrentamento de doenças respiratórias crônicas. Com duração prevista de 48 meses e orçamento de € 4.399.687,50, o Multipulm conta com o desenvolvimento em coautoria do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN), responsável pela aplicação local das tecnologias de cuidado e monitoramento de pacientes com doenças pulmonares obstrutivas crônicas.

Além do Brasil, Sérvia e Turquia, onde a pesquisa será aplicada, o consórcio reúne 18 instituições de Grécia, Reino Unido, Bélgica, Romênia, Chipre, Suíça e Portugal. O projeto foi aprovado no programa Horizon Europe, principal mecanismo europeu de fomento à inovação, após disputar com outras 74 propostas internacionais. Apenas cinco foram selecionadas. O Multipulm obteve 14,5 pontos de um total de 15 possíveis.

O foco central do projeto é o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias para o monitoramento remoto de pacientes com DPOC. A doença é considerada a terceira principal causa de morte no mundo e a quinta no Brasil. A previsão é de benefício direto a 3,2 mil pacientes. “Essas tecnologias vão indicar que o paciente poderá entrar em uma nova crise respiratória e, com isso, permitir uma intervenção antecipada. O objetivo é melhorar o cuidado e evitar internações”, explica Ricardo Valentim, diretor do LAIS. Os dispositivos previstos para uso incluem sensores e ferramentas capazes de acompanhar batimentos cardíacos, frequência respiratória e oximetria, entre outros indicadores. Os dados serão analisados para prevenir as chamadas exacerbações, que geralmente levam à necessidade de internação hospitalar. O uso dessas tecnologias também contribuirá para a gestão de pacientes com múltiplas doenças associadas à condição respiratória.

No Brasil, o centro operacional do projeto será a sede do LAIS, localizada dentro do HUOL, em Natal. A previsão é que a pesquisa comece até o segundo semestre deste ano, após a conclusão dos trâmites burocráticos com a União Europeia e a universidade.

A pesquisa deve atrair ao Rio Grande do Norte cientistas da Grécia, Portugal, Turquia e outros países participantes. O estado será um dos cenários de aplicação das tecnologias. A coordenação geral do Multipulm é da Uni Systems, da Grécia, e do CISUC, em Portugal. No entanto, a participação do Brasil, por meio do LAIS, é tanto na execução da pesquisa quanto na troca de conhecimento técnico e científico com os demais parceiros.

Tribuna do Norte

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