Nunes, que é professor coordenador do Programa de Pós-graduação em Economia da
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), afirma que a Selic é o
instrumento do Banco Central para frear o consumo e reduzir os níveis de
inflação quando eles estão em alta, como ocorre agora. Isso porque quanto mais
elevada a taxa, maior o impacto no preço de produtos e serviços. “Imagine que
um empreendedor, para ampliar o próprio negócio, precisa fazer um financiamento
no banco. Quando a Selic está em 0,9%, o preço do empréstimo é um, mas se a
taxa aumenta para 14,25%, como está agora, a operação fica mais cara e limita,
naturalmente, o acesso ao financiamento”, aponta o professor.
“Consequentemente, com a taxa
em alta, a casa, o carro ou a geladeira, por exemplo, ficam mais caros para o
financiamento. Por isso, ela é utilizada pelo governo para frear a inflação
atual, que nós chamamos de inflação do consumo (quando a procura por bens e
serviços é maior do que a oferta). O crédito mais caro gera um encadeamento, já
que as pessoas vão ter uma restrição de renda e, automaticamente, vão consumir
menos. Com o consumo menor, a inflação é controlada”, detalha o economista.
De acordo com Emanoel Márcio Nunes, a situação não deve melhorar nos próximos
meses, com o índice podendo chegar a 15%. O Copom já adiantou que poderá haver
novas elevações. A próxima reunião do Banco Central para tratar do tema será em
maio. As razões para uma provável nova elevação, segundo Nunes, são a inflação
e os gastos do governo. “O Copom vive de expectativas, mas o governo não
conseguiu explicar por que não vai parar de gastar. Então, o rentista, que
empresta dinheiro ao Governo, não tem clareza de como esse dinheiro será gasto,
e exige um remuneração (que vem da Selic) maior”, aponta o economista.
Ao mesmo tempo, analisa Nunes, há uma importante tendência do governo a gastar
com programas sociais. “Por isso, existe uma projeção, entre especialistas, de
uma nova alta, que pode chegar a 15%. Isso, sem falar da inflação dos
alimentos, que continua alta”, avalia o professor. Ainda segundo ele, a
combinação gasto público e inflação “é danosa” e faz com que o mercado fique em
alerta e exija taxas de juros maiores.
Emanoel Márcio Nunes afirma, ainda, que não há como a população se proteger dos
efeitos provocados pelo aumento da taxa. “Infelizmente, não há saída. Outro
impacto é que, quanto maior a Selic, menor é o rendimento da poupança, uma vez
que é dela que o Governo vai tirar para pagar mais caro aos rentistas. É uma
realidade cruel, tendo em vista que os rendimentos da poupança já são muito
baixos”, avalia.
Tribuna do Norte
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