domingo, 1 de junho de 2025

Mais de 28 mil potiguares não declararam Imposto de Renda no prazo; saiba o que acontece


O prazo para declaração do Imposto de Renda 2025 terminou às 23h59 da última sexta-feira (30). Ao todo, 440.434 contribuintes do Rio Grande do Norte prestaram contas com a Receita Federal dentro do período previsto. Com isso, o total de declarações ficou 28.760 abaixo do que esperado pelo Fisco.

As pessoas que deveriam entregar a declaração e não enviaram dentro do prazo estão sujeitas a multa por atraso. A penalidade varia do valor mínimo de R$ 165,74 e pode chegar, no máximo, a 20% do valor do Imposto de Renda devido.

Multa de 1% ao mês ou fração de atraso, calculada sobre o valor do imposto devido na declaração, ainda que integralmente pago, até um teto de 20%;

Multa mínima de R$ 165,74 (apenas para quem estava obrigado a declarar, mesmo sem imposto a pagar)

De acordo com a Receita Federal, o valor da multa começa a contar no dia seguinte ao término do prazo de entrega. Essa contagem é encerrada na data em que a declaração for enviada ou, caso isso não ocorra, na data do lançamento de ofício feito pelo órgão.

“A Receita Federal aplica uma multa por atraso, no valor mínimo de R$ 165,74, podendo chegar, no máximo, a 20% do valor do Imposto de Renda devido. Além da multa, também serão acrescidos juros”, explica a professora de Ciências Contábeis da Faculdade Anhanguera, Natalia de Fátima.

Como há juros, a recomendação é de que a declaração de quem perdeu o prazo seja feita o mais rapidamente possível. Neste caso, é gerada uma Darf para que a multa seja paga após a entrega dos dados. José Carlos Fonseca, auditor-fiscal da Receita Federal, aponta que, além da multa, o contribuinte pode sofrer sanções no registro do seu CPF.

“Se a pessoa está obrigada a declarar e não apresenta a declaração, o CPF dela pode ficar com status de “pendente de regularização” ou “omisso na entrega da declaração”. Nessa situação, ela pode enfrentar dificuldades para obter financiamento, participar de programas sociais do governo ou até mesmo para emitir passaporte. A única forma de regularizar a situação é entregando a declaração à qual estava obrigada”.

Tribuna do Norte

Lei obriga condomínios a denunciar violência doméstica no Rio


Casos de violência doméstica contra mulheres, crianças, idosos e até contra animais cometidos em casas, apartamento ou em áreas comuns de condomínios residenciais e comerciais deverão ser formalmente denunciados às autoridades, na cidade do Rio de Janeiro. A responsabilidade foi determinada pela Lei 8.913, sancionada na última semana pelo prefeito Eduardo Paes e que prevê multa em casos de descumprimento.

A atribuição de denunciar caberá aos síndicos e aos administradores dos condomínios. No caso da ocorrência em andamento, a comunicação deve ser feita imediatamente, por ligação telefônica, à Polícia Civil ou a órgãos municipais. Nos outros casos, quando não houver risco iminente, a denúncia deve ser feita por escrito, presencialmente ou digitalmente, no dia seguinte, ou 24h após a ciência do fato, e deve incluir informações que possam identificar tanto a vítima quanto o agressor.

Síndico por mais de dez anos de um prédio no Riachuelo, na zona norte da cidade, responsável por 132 apartamentos, 400 moradores e 20 funcionários, Vladimir Platonow, disse que a lei respalda a atuação que os representantes já vinham exercendo. “A lei traz obrigações, sim. É mais uma responsabilidade? É. Mas a gente já tinha que agir, quando éramos acionados nesses casos”, declarou.

A divulgação de material informativo incentivando as denúncias e esclarecendo sobre a medida em áreas comuns dos condomínios também está prevista na lei. Para apoiá-la, a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres prepara materiais informativos e vai disponibilizá-los na plataforma www.mulher.rio, junto com outras informações sobre a rede de atendimento as vítimas e de apoio aos denunciantes.

“A maior parte dos feminicídios é cometida dentro de casa e, por isso, a Lei 8.913 é fundamental”, disse a secretaria municipal de políticas para as mulheres, Joyce Trindade. Segundo ela, a medida ataca a omissão de socorro nesses casos, que são silenciados, muitas vezes. “A omissão também mata”, frisou.

 

Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2023 - Condomínio de luxo, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Condomínio de luxo, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade Tânia Rêgo/Agência Brasil

No estado do Rio de Janeiro, 43,7 mil mulheres foram vítimas de violência física em 2024, de acordo com o relatório Panorama da Violência contra a Mulher 2025, elaborado pelo governo estadual. O feminicídio vitimou 107, ano passado, o segundo maior patamar desde o início da contagem desse tipo de crime, em 2016.

Para o vereador Rocal (PSD), co-autor da lei, junto com o ex-vereador Célio Luparelli, a medida tem a intenção de fazer com que as denúncias e ocorrências cheguem aos órgãos competentes, afirmou, em texto divulgado pela Câmara dos Vereadores. A lei foi proposta em 2020, ainda na pandemia de Covid-19, quando casos de violência doméstica explodiram, afirmaram os vereadores na justificativa do projeto.

O descumprimento da 8.913 prevê advertência ao condomínio, no caso da primeira infração, e multa de até R$ 1 mil a partir da segunda. O valor será revertido para fundos e programas de proteção aos direitos dos grupos atendidos.

Agência Brasil

Pesquisa revela condições precárias do trabalho remoto no mundo


Plataformas digitais se tornaram mediadoras de serviços no mundo. Entregas, transporte e aluguel por temporada estão entre os mais conhecidos. Mas essas empresas têm contratado também pessoas para uma série de trabalhos à distância online, em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil, para tarefas como alimentação de banco de dados de inteligência artificial, criação de conteúdo, apoio a vendas e serviços profissionais, como os de contador, advogado e arquiteto, que podem ser pagos por projetos.

O trabalho remoto em plataformas chega a ser responsável pela principal remuneração de seis em cada dez trabalhadores dessa modalidade, o que significa comprometimento de tempo e com as condições das empresas. No entanto, é exercido em condições precárias. As empresas deixam de pagar por serviços, atrasam e remuneram menos que o salário mínimo do local de residência dos prestadores. Também falham em garantir suporte e segurança, o caso de pessoas submetidas a categorizar vídeos violentos ou de conteúdo sexual, não oferecem proteção social e ainda dificultam a organização dos trabalhadores.

Essas são algumas das principais constatações do Relatório Fairwork Cloudwork Ratings 2025, um projeto que reúne uma rede global de pesquisadores coordenados pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e pelo instituto WZB Berlin, na Alemanha, divulgado neste mês, por meio de um evento na internet.

O estudo avaliou 16 plataformas de trabalho em nuvem entre as mais utilizadas e fez um levantamento que envolveu também cerca de 750 trabalhadores em 100 países. Como resultado, o relatório traz um ranking das plataformas em relação a condições básicas de trabalho e surpreende pelas notas atribuídas. A média dessas plataformas foi 3,5 de um total de 10. 

Segundo a pesquisa, a Amazon Mechanical Turk, a Freelancer e a Microworkers não pontuaram e oferecem as piores condições. A Upwork alcançou um ponto. A Fiverr e a Remotasks receberam dois pontos. As empresas não comentaram o estudo. 

Segundo o Fairwork, entre as condições mais preocupantes do trabalho remoto em plataformas está o pagamento. Um em cada três entrevistados afirmou que deixou de receber por algum serviço ou recebeu em cartões-presentes, que depois precisaram ser leiloados online para que o dinheiro chegasse de fato à conta corrente. 

“Gostaria de poder receber meu dinheiro em minha conta bancária em vez de cartões-presente”, relatou da Nigéria um turker, como são chamados, ouvido pelo Fairwork. 

Muitas empresas estão no norte global e não pagam diretamente a trabalhadores de outras regiões.

O relatório internacional aponta ainda que apenas quatro das 16 plataformas pesquisadas conseguiram comprovar que os prestadores ganham pelo menos um salário mínimo, descontados os custos como impostos, apesar de o setor ter movimentado cerca US$ 557 bilhões em 2024, valor que deve crescer para US$ 647 bilhões este ano. No Brasil, um dos mercados dessas plataformas, o salário mínimo é de R$ 1.518. 

“O [projeto] Fairwork procurou dados, evidências e informações de que as plataformas estão pagando o salário mínimo, mas só encontramos [as informações] em quatro das 16 plataformas”, explicou o coordenador do relatório, pesquisador brasileiro no Oxford Internet Institute, Jonas Valente. 

“Em dois desses casos, as plataformas têm uma política dizendo que não pode pagar abaixo do salário mínimo local. Outras duas compartilharam dados dos pagamentos mostrando que pagavam adequadamente”, informou Jonas.

Além de pagar pouco, as plataformas incluem nos contratos cláusulas com descrições vagas e pouco transparentes que prejudicam os trabalhadores. 

De acordo com Jonas Valente, o contrato é uma questão chave porque prevê as regras do trabalho, embora não sejam compreensíveis para todos. 

“Quando a gente olha para os modelos mais clássicos, está escrito no contrato aquilo o que cada parte, trabalhador e empregador, pode ou vai fazer. No caso das plataformas, encontramos os contratos, mas muitos não são claros. No caso de trabalhadores que estão dispersos, no Brasil, por exemplo, onde muitos não falam inglês, a pessoa vai ter dificuldade de entender o que ela pode ou não fazer, quais são as regras e como ela vai ser paga. Isso leva a questões concretas, como condutas que podem determinar a suspensão ou o desligamento das plataformas”, explicou.

O pesquisador também alertou para o fato de muitas plataformas se eximirem de responsabilidades sobre a saúde do trabalhador, apesar de exigir disponibilidade. 

São Paulo (SP), 31/03/2025 - Entregadores de aplicativos de delivery em greve fazem manifestação na frente a sede do iFood em Osasco. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Plataformas se eximirem de responsabilidades sobre a saúde do trabalhador, apontou a pesquisa Faiwork - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O relatório cita uma trabalhadora do Peru, formada em ciências sociais que, por ter ficado horas em frente às telas, por exigência da empresa, precisou operar a retina. A peruana, no entanto, não recebeu ajuda e ainda acabou desligada. Ela ganhava entre US$ 10 e US$ 15 por hora e fazia jornadas entre 6 horas e 9 horas, que entravam pela madrugada.

Na avaliação geral dos pesquisadores, como é difícil fiscalizar o trabalho remoto, pois as pessoas estão em casa, dispersas em vários países, tampouco há sindicatos ou listas de trabalhadores, em geral, é necessária uma regulação rigorosa por parte dos Estados para reverter as condições precárias. 

No relatório, o Fairwork defende uma regulamentação nacional e também internacional dessa modalidade de trabalho, como forma de alcançar cerca de 400 milhões de pessoas no setor, estimativa do Banco Mundial.

"Precisamos urgentemente que os governos e os órgãos reguladores se mobilizem e responsabilizem as plataformas, seja por meio de estruturas globais, leis de due diligence [diligências em suas operações] ou diretrizes de trabalho em plataforma”, cobrou Jonas Valente. 

“Sem ação, milhões de pessoas vão continuar presas em postos de trabalho digital inseguro e mal remunerado, sem voz, sem direitos e sem proteção”, alertou o pesquisador. 

No caso do Brasil, ele chama ainda a atenção para a regulação proposta no Projeto de Lei 12/24, que deveria incluir todos os trabalhadores em plataformas e não apenas os motoristas de transporte privado, como foi proposto. 

O Ministério Público no Brasil defende aplicação de regras nacionais.

São Paulo (SP), 28/04/2023 - O motorista de aplicativo Jonas Ferreira fala sobre os prós e contras do trabalho autônomo. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Procurador defende que lei deveria incluir todos os trabalhadores em plataformas e não apenas os motoristas de transporte privado - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A necessidade de regular o trabalho remoto em plataformas é uma preocupação compartilhada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). A entidade tem recebido denúncias de descumprimento de leis trabalhistas no setor e montou o Projeto Plataformas Digitais para acompanhá-las. 

“É uma situação preocupante, se trata de uma nova forma de trabalho que está se expandindo, e o MPT já reconhece que há uma precarização grande no Brasil", reconheceu o gerente da iniciativa, procurador Rodrigo Castilho. 

Ele cita a violação da jornada legal, a necessidade de adequação do ambiente de trabalho, as dificuldades de organização sindical e também a baixa remuneração, de centavos por hora, diante do alto volume de tarefas ou de horas disponíveis para o trabalho nas plataformas. 

"Temos denúncias diversas que questionam a ausência total e completa de direitos a esses trabalhadores", informou, reverberando as constatações do Fairwork. 

De acordo com Castilho, as plataformas tratam os trabalhadores como colaboradores autônomos, independentes, o que na prática significa negar direitos que os trabalhadores no Brasil conquistaram, como férias, 13º e o  direito ao descanso remunerado, previstos para aqueles formalizados, com carteira assinada. 

Castilho defende que, na ausência de normas regulatórias para o setor, a legislação nacional, no caso do Brasil, seja aplicada. 

Teletrabalho, home office ou trabalho remoto.
Plataformas tratam os trabalhadores como colaboradores autônomos, independentes, o que na prática significa negar direitos - Foto : Marcelo Camargo/Agência Brasil

"O inaceitável é que esses trabalhadores não sejam contemplados com nenhum direito, enquanto se aguarda a regulação". 

Na avaliação do procurador, deveria haver também um compromisso ético das próprias plataformas com os trabalhadores. 

"A gente vive em uma sociedade capitalista, de mercado, essas são as regras do jogo. A questão toda é que há um componente ético nas relações sociais e as pessoas não podem ser exploradas nos seus direitos, em sua dignidade, trabalhando em ambientes inseguros e insalubres para que outras tenham lucros exorbitantes".

A partir do projeto Fairwork, realizado desde 2023, foi oferecido suporte às plataformas para que se adequassem a padrões mínimos de trabalho justo, e 56 melhorias foram feitas. 

As ações vão da atualização de contratos até a melhoria na resolução de disputas e transparência. No entanto, as mudanças ficaram restritas a poucas empresas.

Este ano, a Fairwork convidou as 16 plataformas investigadas para comentar a pesquisa. Somente três responderam, a ComeUp, a Scale/Remotasks e a Translated. Elas reconheceram problemas e informaram que continuam com o compromisso de melhorar as condições. As demais não responderam. 

Foram investigadas a Fiverr, SoyFreelancer, Appen, Clickworker, PeoplePerHour, Upwork, Freelancer, Microworkers, Prolific, Terawork, Creative Words e Elharefa, além da Amazon  Mechanical Turk.

Agência Brasil

Fóssil descoberto no Brasil lança luz sobre origem dos dinossauros


á cerca de 250 milhões de anos, o planeta viveu provavelmente o maior evento de extinção de formas de vida, apelidado de A Grande Morte. Estima-se que mais de 95% das espécies marinhas e 70% das linhagens de vertebrados terrestres tenham desaparecido, nesse período, que marca o fim da era Paleozóica e início da Mesozóica.

Acredita-se que, alguns milhões de anos depois evento extremo, tenham surgido e se diversificado os dinossauros.

Um fóssil descoberto há décadas em Santa Cruz do Sul (RS) e guardado, desde então, na coleção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), lança nova luz sobre esse momento da evolução dos dinossauros.

A descrição do fóssil, que pertenceria a uma nova espécie, batizada de Itaguyra oculta, foi feita por paleontólogos brasileiros e argentinos, com base em dois ossos fossilizados, que integravam a cintura pélvica do animal, um ílio e um ísquio.

O estudo foi publicado nesta sexta-feira (30), na publicação Scientific Reports (um dos periódicos da revista Nature).

Os pesquisadores analisaram a morfologia dos ossos e constataram que se tratava de um integrante do grupo dos silessauros (pertencente ao clado dos répteis) e não um cinodonte (clado ao qual pertencem os mamíferos).

Os silessaurídeos são considerados dinossauromorfos, um grupo mais amplo que inclui os dinossauros e outras linhagens, mas há controvérsias sobre se eles são dinossauros ou apenas um grupo-irmão desses répteis mais famosos.

O estudo mostra que o fóssil tem cerca de 237 milhões, um período pouco documentado para os silessauros, e indica que este grupo de animais teve uma presença contínua no território da atual América do Sul durante o Triássico.

A partir das conclusões do estudo, os pesquisadores sustentam que os silessauros são dinossauros, mais precisamente integrantes da linhagem dos ornitísquios, e não apenas seus parentes próximos.

Segundo o pesquisador do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN/UFRJ) Voltaire Paes Neto, autor principal do estudo, “a descoberta preenche um hiato temporal crítico e sustenta a ideia de que os silessauros não apenas são próximos dos dinossauros, mas podem ser os primeiros representantes dos ornitísquios”.

“Se essa hipótese for confirmada, Itaguyra Occulta passa a figurar entre os dinossauros mais antigos do mundo”, afirma o paleontólogo.

O diretor do Museu Nacional e coautor do estudo, Alexandre Kellner, explica que “toda a diversidade de dinossauros que conhecemos se divide em duas grandes linhagens: os saurísquios e os ornitísquios, grupos reconhecidos há mais de um século e meio pela ciência. Contudo, como se deu a origem dessas linhagens ainda é um enigma”.

O silessauros incluem animais de pequeno porte, geralmente quadrúpedes e onívoros ou herbívoros, que viveram no final do Triássico e deixaram registros fósseis em diversas regiões da antiga Pangeia, incluindo a atual América do Sul.

“A presença contínua de silessauros no Brasil reforça o papel do sul do país como um território-chave para entender a origem e diversificação dos dinossauros”, destaca o paleontólogo Flávio A. Pretto, pesquisador da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e coautor do estudo.

O nome da nova espécie remete à origem do achado. “Itaguyra” combina palavras da língua tupi para “pedra” (ita) e “ave” (guyra). Já “occulta” é uma referência ao fato de os restos terem permanecido “escondidos” entre outros materiais por décadas

Além da UFSM e do Museu Nacional, participaram do estudo pesquisadores da UFRGS, da Universidade Federal do Pampa (Unimpa) e do Museo Argentino de Ciencias Naturales, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e do projeto INCT-Paleovert.

Agência Brasil

Potiguar Victoria Barros vence na estreia do juvenil de Roland Garros


A tenista potiguar de 15 anos, Victoria Barros, estreou vencendo no torneio juvenil de Roland Garros, na França. A jovem derrotou a francesa Ellejah Inisan por 2 sets a 1 (6/3, 5/7 e 6/2).

A potiguar fez um bom primeiro set e venceu por 6/3. Já no segundo, ela conseguiu sacar virar para 5/4 depois de a francesa começar abrir um 3 a 0. No entanto, Ellejah Inisan reagiu e levou o jogo para o terceiro e derradeiro set. Na hora da decisão, Victoria venceu com autoridade: 6/2.

Victoria Barros é a 25ª colocada do ranking mundial juvenil, enquanto a adversária figura na 77ª posição da lista. Na segunda rodada a potiguar vai encarar a tcheca Jana Kovačková, cabeça de chave número 7.

Tribuna do Norte

Mudança na CNH determina exame toxicológico para primeira habilitação


projeto de lei que destina parte dos recursos arrecadados com multas de trânsito para a formação de condutores de baixa renda também determina a obrigatoriedade de realização de exame toxicológico para primeira habilitação nas categorias “A” e “B”. O texto aguarda a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Atualmente, a exigência é somente para os condutores de categorias C, D e E, seja na primeira habilitação ou nas renovações. Agora, quem for tirar a primeira habilitação deverá apresentar o exame toxicológico negativo, a ser realizado em clínicas credenciadas pelo órgão de trânsito, com análise retrospectiva mínima de 90 dias.

O projeto permite que as clínicas médicas cadastradas para fazer exames de aptidão física e mental façam coleta de material para realização do exame toxicológico, a ser realizado em laboratório credenciado.

O exame é utilizado para a detecção de anfetaminas (anfetamina, metanfetamina, MDA, MDMA, anfepramona, femproporex), mandizol, canabinoides (Carboxy THC) e opiáceos (cocaína, benzoilecgonina, cocaetileno, norcocaína, opiáceos, morfina, codeína e heroína). A validade do exame toxicológico também é de 90 dias, contados a partir da data da coleta da amostra.

O projeto aprovado, de autoria do deputado José Guimarães (PT-CE), prevê a destinação dos recursos obtidos com as multas de trânsito para garantir a gratuidade da formação para a habilitação de condutores de baixa renda.

Serão beneficiadas as pessoas de baixa renda que estejam no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

O custeio, previsto no projeto, abrangerá as taxas e demais despesas relativas ao processo de formação de condutores e ao documento de habilitação.

Atualmente, a legislação de trânsito prevê que os recursos provenientes de multas devem ser aplicados exclusivamente em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito. 

Transferência

O projeto permite ainda a realização de transferência de veículos em plataforma eletrônica, com o contrato de compra e venda referendado por assinaturas digitais qualificadas ou avançadas. O texto diz que o processo poderá ocorrer junto a plataformas dos Detrans ou da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Neste último caso, o processo terá validade em todo o território nacional e deverá ser obrigatoriamente acatada pelos Detrans.

A assinatura eletrônica avançada dos contratos de compra e venda de veículos deve ser realizada por meio de plataforma de assinatura homologada por esses órgãos, conforme regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Agência Brasil

Cuidadores de idosos ganham espaço no mercado com envelhecimento da população brasileira


Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, a figura do cuidador de idoso vem se tornando cada vez mais essencial nas estruturas familiares. De acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de um terço da população brasileira será composta por idosos até 2070. Entre 2000 e 2023, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais quase dobrou, passando de 8,7% para 15,6%. Ao mesmo tempo, a taxa de fecundidade caiu de 2,32 para 1,57 filhos por mulher. Esse cenário vem fortalecendo o papel do cuidador de idoso em uma demanda crescente e, muitas vezes, complexa.

A rotina de quem atua nessa área envolve diversas atividades. Acompanhamento, administração de medicamentos, mobilização, atividades lúdicas, observação de sinais clínicos, escuta ativa e suporte emocional fazem parte do cotidiano desses profissionais. “Tem que gostar. É uma função que exige muito cuidado e carinho, especialmente por causa da idade”, avalia Sônia Maria, 51, que está atualmente no cuidado domiciliar à idosa Odey de Carvalho, 91. Sônia transita entre as funções de cabeleireira e técnica de enfermagem em formação, conciliando a rotina de trabalho com o atendimento à paciente.

Contratada pela filha da idosa, Katherine Carvalho, Sônia integra uma equipe de três cuidadoras que se revezam no acompanhamento da mãe. “Eu não me vejo sem cuidadora de mamãe, não me vejo”, afirma Katherine, que organiza as escalas e garante a rotina da mãe, que passou a precisar de apoio constante após uma cirurgia cerebral em 2018. “Ela passou quase uma semana sem andar, sem nada. Foi assim que começamos a ter cuidador”, conta a filha.

De acordo com Juliano Silveira, médico geriatra, o Brasil vive um envelhecimento acelerado e tardio em comparação a países europeus, o que exige novas estruturas de cuidado. “O que é que a gente vai ter? Pessoas que vão viver mais com menos familiares para cuidar dessas pessoas. Esse nicho de cuidar do idoso tem se expandido de diversas formas, desde cuidadores de idosos contratados, assistência na modalidade home care, até instituições de longa permanência”, considera.

A necessidade do cuidado com o avançar da idade surge, especialmente, pela falta de adoção de hábitos saudáveis ao longo dos anos anteriores. “Se a gente não tem medidas de bom cuidado durante a infância, a adolescência e a idade adulta, a gente vai desenvolver doença”, considera Juliano Silveira. Entre os principais riscos, estão o infarto, o Acidente Vascular Cerebral (AVC), artrose e, especialmente, impactos na memória, na cognição e na funcionalidade.

A atuação dos cuidadores, porém, vai além do suporte físico. A relação construída com o paciente e a adaptação às necessidades específicas fazem parte do trabalho. Sônia relata que seu dia começa cedo, às 7h30, com o banho de Odey. “Ela se alimenta sozinha, a gente só bota. Se tiver alguma coisa de cortar, a gente corta. Aí vem para a poltrona”, descreve. Durante o dia, há lanches, medições de sinais vitais, colírios, exercícios físicos e atividades como dominó e pintura. “É a melhor parte”, brinca Odey.

Segundo o Ministério da Saúde, o bom cuidador é aquele que observa e identifica o que a pessoa pode fazer por si, ajudando e não fazendo pelo outro. Isso estimula a pessoa cuidada a conquistar a autonomia com paciência e tempo, mesmo que seja em pequenas atividades do dia a dia, formando o elo entre a pessoa cuidada, a família e a equipe de saúde.

Essa relação construída entre cuidador e paciente também se reflete no bem-estar do idoso. Mesmo sem ter tido outra experiência com essa área, Sônia se apaixonou pela profissão. “Me identifiquei. Nos meus estágios [do curso de técnica de enfermagem], eu não me identifiquei para hospital, mas quando fui lá para o abrigo estagiar, eu já me identifiquei porque é uma coisa mais tranquila”, relata. Para ela, o principal é gostar do que faz. “A gente não tem que ver só o financeiro. Tem que gostar e tem que respeitar a idade”, afirma.

O trabalho bem executado reflete em toda a confiança de Katherine. “Todas que estão aqui são bem responsáveis e ainda todo domingo vamos ao shopping, ficamos mais de quatro horas por lá passeando”, relata. Assim como a mãe, que mantém uma ótima lucidez, a filha preserva estar ativa para ter um envelhecimento saudável, fazendo musculação diariamente e mantendo uma alimentação balanceada.

Mercado em qualificação

Esse mercado que vive em crescente não depende somente de autônomos, mas também conta com empresas especializadas. Fundada em 2010, a empresa de Mariana Sepúlveda, administradora, e Laise Vidal, enfermeira, é um dos exemplos de como o setor se consolidou. Juntas, elas lideram cerca de 100 colaboradores e atendem mais de 30 contratos mensais. “Hoje em dia cada vez mais as pessoas têm essa consciência de que precisa de um cuidado técnico nas residências, de um cuidado humanizado, personalizado de acordo com cada necessidade”, afirma Mariana.

Ao longo desses 15 anos, elas relatam a grande percepção de crescimento, que atribuem diretamente ao aumento da expectativa de vida e à maior conscientização sobre a importância do cuidado especializado, com crescimento de, pelo menos, 30% nos últimos cinco anos. Ao mesmo tempo que o número de contratos cresce, a profissionalização do cuidador é uma das prioridades da empresa. “Fazemos treinamentos, toda parte de seleção. Geralmente os profissionais que chegam para nós já têm experiências anteriores com idosos”, explica Laise.

O envelhecimento por si só pode não representar a necessidade de um cuidador, mas sim os sinais. De acordo com Juliano Silveira, o primeiro passo de prevenção é passar por um geriatra pela primeira vez entre os 50 a 60 anos para definir quais estratégias serão tomadas. Após isso, algumas ações devem ser observadas com maior cuidado, como a falta de vontade de sair de casa, a dificuldade de locomoção, de levantar e sentar, de se vestir ou até perda de peso sem motivo aparente.

A decisão pelo acompanhamento é tomada com base em critérios técnicos que regem a geriatria. “Idosos acamados, idosos que usam sondas, idosos que têm problemas graves, que precisam de ventilação mecânica, são idosos que geralmente são elegíveis para cuidado no domicílio. Para instituições de longa permanência, eles são indicados para idosos, muitas vezes, que têm vulnerabilidades sociais”, explica o médico.

Apesar de ser bem avaliado, ele relata perceber uma grande resistência pela última opção. “Levar para uma instituição de longa permanência tem um estigma como se tivesse abandonando seu familiar, mas não é. Muitas vezes é uma necessidade de entre prover um bom cuidado numa instituição e não ter como dar um bom cuidado em casa”, avalia. Esses espaços podem ser públicos, socioassistenciais ou até mesmo particulares, garantindo a autonomia, interação social e participação social, além do acompanhamento completo com cuidadores e demais profissionais de saúde em uma atuação interdisciplinar.

Larissa Duarte
Repórter

Negócios digitais ganham força e transformam vidas no RN


Em um estado onde os gargalos logísticos — como estradas precárias e limitações no transporte marítimo — ainda desafiam a indústria tradicional, um novo vetor de crescimento vem ganhando força: os negócios digitais. Com estrutura enxuta e alto potencial de escalabilidade, as startups de tecnologia têm encontrado no ecossistema de inovação potiguar um ambiente propício para se desenvolver. De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Brasil registrou um crescimento de 59% no número de startups em 2024 durante um ano, totalizando 18.056. Somente no Rio Grande do Norte, são 558 negócios, enquanto Natal ocupa o top 10 entre cidades com maior volume de startups – são 361 na capital potiguar.

As startups são ideias ou empresas que surgem com um viés de tecnologia e inovação e que desejam desenvolver e aprimorar um modelo de negócio. Segundo David Góis, gerente de Negócios, Inovação e Tecnologia do Sebrae-RN, cerca de 98% das startups potiguares são caracterizadas como negócios digitais. “Empresas digitais não necessariamente não têm espaço físico. Elas podem ter escritório, sala, departamento, estrutura, mas o modelo de negócio é digital. Ela ganha dinheiro com uma plataforma, por exemplo”, explica.

Tais empresas com base tecnológica encontram respaldo e possibilidade de crescimento em iniciativas como o programa Startup Nordeste, promovido pelo Sebrae e parceiros como a Fundação de Amparo e Promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (FAPERN). Em 2023, a ação contemplou 318 empreendimentos e 512 proprietários de negócios inovadores com a Bolsa Sócio Empreendedor, além de mentorias aceleradoras.

Uma das contempladas foi a RunMaps, idealizada por Michelinne Miranda, 53, que deixou uma carreira de quase duas décadas como representante comercial para apostar no desenvolvimento de um aplicativo voltado a corredores de rua, atividade pela qual ela é apaixonada desde 2017. “Eu digo que a corrida me salvou, mas ainda sentia dores como a insegurança e a falta de informação sobre os percursos. Foi aí que pensei: por que não mapear corridas no Brasil e no mundo?”, conta.

A RunMaps, diferente de outros aplicativos do mercado de corrida, tem como objetivo se preocupar com o pré, durante e pós-corrida. Para os praticantes que desejam explorar novos locais e maratonas nunca vivenciadas, a plataforma fornece informações sobre o terreno, segurança e performance, além de dicas sobre melhores áreas para aceleração e desaceleração.

Participante de programas como o Startup Nordeste, Michelinne viu sua ideia, embrionária desde 2023, ser moldada com apoio direto do Sebrae, através de mentorias e conexões com desenvolvedores. Como resultado desse suporte, entre os dias 14 e 15 de maio ela representou o Rio Grande do Norte no evento Encontro Inovação & Impacto, na sede do Sebrae Nacional, em Brasília.

“O Sebrae me ajudou a pensar como escalar, como estruturar. Hoje eu tenho o sonho de ser uma curadora de corridas de rua, oferecendo um aplicativo onde o corredor pode prever o percurso”, explica. A empreendedora projeta alcançar 3,5 mil assinaturas no primeiro ano de operação da RunMaps, com preço de R$ 24,90 mensais. “Espero alcançar R$1 milhão e eu não tenho dúvidas de que vou conseguir”, afirma.

Para além da capital, o movimento das startups já se interioriza. David Góis ressalta que o crescimento dessas empresas em cidades menores é uma estratégia para descentralizar a inovação. “Às vezes um negócio inovador num pequeno município tem um impacto muito grande. Uma empresa de tecnologia normalmente paga mais [para o colaborador] que uma tradicional. E ela não precisa de logística, de aeroporto. Basta inteligência e internet”, observa.

O apoio institucional, tanto na capital quanto no interior, se dá de diversas formas. O Sebrae mantém articulaç ão com incubadoras, universidades, parques tecnológicos e ecossistemas regionais, como os nove já formados no RN e mais um voltado ao agronegócio. Segundo David, esses espaços permitem que ideias inovadoras sejam lapidadas e conectadas com potenciais parceiros e investidores. “Trabalhamos com eventos, editais, atendimento digital, tudo para que a ideia saia da cabeça e vá para o mercado”, afirma.

David constata ainda que a faixa etária dos empreendedores também mudou. Se antes as startups eram dominadas por jovens recém-formados e pesquisadores, hoje o perfil é mais diverso, e a RunMaps reflete essa transformação. Michelinne, que é mãe solo, planeja um período sabático de dois anos para mapear percursos. Ela quer percorrer o mundo com uma mochila de 23 kg nas costas. “Com 53 anos, eu sou de uma geração que não nasceu com essa tecnologia. Mas o Sebrae abriu essa porta para mim. Me ajudou a entender, a sonhar, a transformar esse sonho em algo viável”, relata, emocionada.

Inovação que movimenta a economia

Além do impacto direto no consumidor final, os negócios digitais também podem ser desenvolvidos com foco na aplicação em outras empresas. Um exemplo disso é a Capta.Ai, plataforma criada por Gileno Negreiros, 42, publicitário com mestrado em Gestão da Inovação. Ele começou digitalizando os processos da sua consultoria e desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial. Com pouco mais de um ano de fundação, ele já elaborou mais de 200 projetos de inovação inscritos em editais para captação de recursos.

A Capta.Ai cobra, em média, R$ 397 por um serviço que antes custava até R$ 20 mil. Um dos projetos aprovados captou R$ 700 mil, mesmo ainda sendo uma versão simplificada. “A gente criou uma jornada onde o cliente passa por seis eixos. Com base nas respostas, a IA monta um projeto competitivo para editais. Nossa empresa, como um todo, já captou R$ 65 milhões em recursos não reembolsáveis para inovação”, afirma. Por ter um baixo custo, o serviço é destinado, principalmente, para aquelas empresas que possuem baixo orçamento para aplicação.

Dentro da elaboração e execução da startup, Gileno destaca o papel do Sebrae como agente facilitador nesse processo. “Sem o Sebrae, eu não teria conseguido. Eles subsidiam consultorias, abrem portas para eventos, me levaram ao Web Summit. O Sebrae nos coloca na rota do mercado”, avalia.

A Capta.Ai passa hoje por um processo de expansão nacional, com projetos aprovados em seis estados, incluindo o RN. A projeção da empresa é ambiciosa: incorporar a funcionalidade de varredura de editais, permitindo que empresas descubram automaticamente quais chamamentos públicos são mais adequados ao seu estágio de maturidade e ao projeto desenvolvido.

“Queremos democratizar o acesso a recursos de fomento. Hoje, muitas startups não conseguem elaborar bons projetos por falta de estrutura. Com a Capta.Ai, isso muda”, diz Gileno. Esse novo aprimoramento na plataforma está previsto para ser lançado até o começo do segundo semestre deste ano.

Para David Góis, os segmentos mais promissores para startups potiguares são saúde, educação, tecnologia da informação e Govtechs, estas duas últimas voltadas para soluções ao setor público. “Estamos trabalhando com as prefeituras de Natal, Mossoró e Currais Novos para ensinar como contratar inovação. É uma contratação simplificada, que permite testar soluções”, explica. A proposta é estimular que prefeituras identifiquem problemas e divulguem essas demandas ao mercado, criando oportunidades para novas startups.

Segundo dados do Sebrae, até o final de 2024, quase 30% das startups brasileiras tinham mais de cinco anos de fundação. As demais se distribuíam da seguinte forma: 9,36% tinham menos de um ano, 14,88% tinham um ano, 15,14% dois anos, 12,61% três anos, 10,56% quatro anos e 7,78% cinco anos. Os números indicam uma consolidação a longo prazo, contrapondo com as taxas de mortalidade das empresas em geral.

Para o gerente de Negócios, Inovação e Tecnologia do Sebrae-RN, o ecossistema potiguar oferece ambiente propício para tentativa, erro e aprimoramento. “A ideia é que elas sejam resilientes. Vão, voltam, ajustam e encontram o cliente ideal. É um grande potencial para a economia do estado, que precisa vender para fora, pois o mercado local é limitado”, aponta David Góis. Ainda segundo ele, investir em negócios digitais é uma forma de contornar obstáculos logísticos.

Além de articular atores locais, como universidades, poder público e setor produtivo, o Sebrae também oferece atendimento digital, capacitações e apoio financeiro. “O importante é estar conectado ao mercado. Buscar informação, participar de eventos, fazer networking. Isso é essencial para qualquer tipo de empresário”, afirma David.

Ele destaca o Go!RN como um dos principais eventos de conexão entre os mundos digital e tradicional, além das diversas faixas etárias. Na edição de 2024, foram mais de 17 mil inscritos.

A transformação digital, como destaca Michelinne, fundadora da RunMaps, é irreversível. “Acho que é um caminho sem volta. Toda profissão precisa se adequar. O Sebrae abriu essa porta para mim e pode abrir para tantos outros. Eu acredito que, quando a gente se dispõe, todas as portas se abrem”, declara.

Em toda a região Nordeste, que concentra 23,53% das startups do Brasil, o Rio Grande do Norte ocupa o 3º lugar em volume, atrás somente de Pernambuco (690) e Ceará (638). Em um cálculo de média ponderada entre a quantidade de startups e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), os potiguares ocupam o 11º lugar, com 765 pontos.

Top 10 cidades com maior volume de startups

São Paulo 1.911

Florianópolis 780

Rio de Janeiro 581

Brasília 448

Recife 438

Curitiba 415

Fortaleza 406

Belo Horizonte 399

Teresina 369

Natal 361

Fonte: Sebrae Startups Report Brasil 2024

Larissa Duarte
Repórter

Volta por cima e título inédito: PSG é o novo dono do futebol europeu


A perda da filha de 9 anos por conta de um câncer ósseo, em 2019, é uma ferida que Luís Enrique carregará pela vida. Neste sábado (31), porém, o técnico espanhol pôde sentir a presença da pequena Xana mais uma vez, ao conduzir o Paris Saint-Germain ao inédito título da Liga dos Campeões da Europa. E com direito a goleada histórica. A equipe francesa atropelou a Inter de Milão, da Itália, por 5 a 0, na Allianz Arena, em Munique, na Alemanha.

Há dez anos, quando levou o Barcelona à conquista da Champions em Berlim, Luís Enrique festejou a conquista com a filha, fincando uma bandeira do clube espanhol no centro do gramado do estádio olímpico da capital alemã. A memória é uma das que o treinador considera inesquecíveis junto de Xana. Ele sonhava repetir o gesto, de alguma forma, em Munique. Após o apito final, o comandante ganhou uma camisa com um desenho reproduzindo o técnico e sua pequena colocando a bandeira do PSG no campo. Sim, ela também estava ali.

Para além da superação de Luís Enrique, a conquista do PSG marca, positivamente, a mudança de rota do time francês. Desde que foi adquirido pelo empresário catari Nasser Al-Khelaifi, o clube investiu pesado na contratação de estrelas, para conquistar a Liga dos Campeões. A equipe bateu na trave em 2020, ao perder a final para o Bayern de Munique, quando tinha Neymar e Kylian Mbappé. Nem a vinda do também atacante Lionel Messi, anos depois, possibilitou a realização do sonho.

A partir da temporada passada, já com Luís Enrique no comando, a diretoria parisiense decidiu substituir as estrelas por um elenco mais jovem. O atual elenco do PSG tem média de idade quatro anos menor que a do time finalista em 2020. Nomes como o zagueiro William Pacho (23 anos), os meias Vitinha (25 anos), Khvicha Kvaratskhelia (24 anos) e João Neves (20 anos) e o atacante Désiré Doué (19 anos) dão a tônica da renovação. E foi justamente Doué o protagonista da decisão: dois gols e uma assistência.

O único remanescente da equipe de cinco anos atrás é justamente o capitão Marquinhos, que teve a honra de levantar a taça da Champions. O defensor entrou para o grupo de agora 58 brasileiros campeões da Europa, assim como o também zagueiro Beraldo, ex-São Paulo, que não saiu do banco. Ambos foram convocados pelo técnico Carlo Ancelotti para os jogos da seleção masculina contra Equador e Paraguai, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

 

Soccer Football - Champions League - Final - Paris St Germain v Inter Milan - Allianz Arena, Munich, Germany - May 31, 2025
Paris St Germain's Khvicha Kvaratskhelia celebrates scoring their fourth goal with teammates REUTERS/Kai Pfaffenbach
Zagueiro brasileiro, Marquinhos comemora gol com companheiros de equipe - Foto: Reuters/Kai Pfaffenbach/Proibida reprodução

Atropelo parisiense

O primeiro tempo foi dominado pelo PSG. Sem dar condições de a Inter sair do campo de defesa, o time francês abriu o placar logo aos 11 minutos, em bela troca de passes. Primeiro, de Vitinha encontrando Doué livre, quase na pequena área. O atacante, na frente do goleiro Yann Sommer, rolou para a direita e Achraf Hakimi concluiu para as redes. O lateral marroquino, que já atuou pela equipe italiana, não comemorou o gol em respeito ao ex-clube.

A pressão parisiense não arrefeceu. Aos 19 minutos, Kvaratskhelia lançou Ousmane Dembelé pela esquerda. O atacante avançou e inverteu a jogada com Doué, que dominou na entrada da área pela direita e finalizou. A bola desviou no zagueiro Federico Dimarco e saiu do alcance de Sommer, aumentando a vantagem do PSG. Festa da torcida barulhenta torcida francesa em Munique.

A Inter conseguiu responder somente aos 36 minutos, em cabeçada perigosa do atacante Marcus Thuram, que saiu rente à meta do PSG, após cobrança de escanteio do meia Hakan Çalhanoglu. E os franceses, por muito pouco, não foram para o intervalo com o placar ainda mais elástico. Aos 43, Dembelé foi lançado por Doué na pequena área, às costas de Dimarco, mas perdeu o gol, frente à frente com Sommer, chutando em direção à lateral.

O cenário da final não se alterou no segundo tempo, com o Paris Saint-Germain envolvendo a Inter de Milão e assustando em contra-ataques velozes. Em cinco minutos, Kvaratskhelia desperdiçou duas chances quase na pequena área. Aos 17, Doué foi letal. Em contra-ataque com direito a passe de calcanhar de Dembelé para Vitinha e assistência precisa do português, o atacante concluiu de primeira, no canto de Sommer, fazendo o terceiro.

E teve mais. Dez minutos depois, Dembelé lançou Kvaratskhelia pela esquerda. O georgiano apareceu sozinho na área e anotou mais um para o PSG. A Inter, abatida, não esboçava reação e dava espaço para contra-ataques fulminantes. Aos 40 minutos, veio o golpe de misericórdia: o jovem Sammy Mayalu, que tinha acabado de entrar no lugar do meia Fabián Ruiz, tabelou com o atacante Bradley Barcola (que substituiu Doué) e definiu o placar.

Agência Brasil

Sedentarismo tecnológico: quando a tela substitui o movimento


O misto de facilidades e entretenimento que a tecnologia moderna trouxe ao cotidiano também é capaz de gerar um contraponto negativo: quanto mais tempo em frente às telas e dispositivos, menos tempo para atividades físicas. O aumento do sedentarismo atrelado ao consumo tecnológico é uma realidade – e se faz ainda mais preocupante em território nacional: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais sedentário da América Latina, e o quinto do mundo. Já o IBGE afirma que cerca de 47% dos brasileiros são sedentários.

O excesso do uso da tecnologia combinado com um estilo de vida sedentário produz um cenário ideal para futuros problemas de saúde. Para o educador físico Thiago Renee Felipe, doutor em educação e biotecnologia, os riscos são potenciais e, na medida em que as pessoas são expostas ao tempo sedentário, esses problemas podem aumentar. Quanto mais tempo de tela, mais urgente discutir os impactos no corpo e na mente.

Entre os problemas físicos citados por Thiago estão a sarcopenia (perda de massa muscular), aumento da gordura corporal, glicose alterada, pré diabetes, hipertensão, dores musculares, entre outras doenças clássicas atuais. A saúde mental também é abalada, podendo gerar ansiedade, falta de concentração para determinadas tarefas, prejuízo da função executiva relacionada ao trabalho e tomada de decisão, maior nível de estresse e perda de sono.

O tempo excessivo dedicado a smartphones, computadores e televisores, segundo o educador físico, é caracterizado por determinados comportamentos. “Passar muito tempo nas redes sociais ou pensar que serão apenas 15 minutos no smartphone são coisas que produzem a endorfina barata, que leva a pessoa a mais comportamentos sedentários, e com o tempo isso tende a aumentar no dia a dia”, explica.

O home office, alternativa de trabalho que foi adotada por muita gente desde a pandemia, também tem a sua contribuição num cenário de aumento sedentário. O tempo em frente ao computador foi ampliado e os deslocamentos reduzidos. No entanto, o educador acredita que muitas pessoas conseguiram adaptar e conciliar isso com uma rotina de treino, tal qual já fizeram com seus trabalhos presenciais.

“Não podemos afirmar que todas as pessoas que adotaram o home office se prejudicaram em termos de comportamento sedentário. Acredito até que isso deve ter facilitado as coisas para muita gente, pois por estar trabalhando em casa, é possível gerenciar melhor o seu tempo”, diz. Ele afirma que isso vai ser uma questão individual, porque muitos já entenderam a dinâmica contemporânea, e um tempo para o treino faz parte dela.

Há faixas etárias mais vulneráveis aos efeitos do sedentarismo provocado pelo uso de tecnologia, segundo Thiago. “Quanto menos idade, menor maturidade para entender que existem situações do nosso dia-a-dia que são prazerosas, bem melhores que rolar a tela do celular. As crianças e adolescentes talvez sejam as maiores prejudicadas nesse processo”, diz.

Exposição em excesso às redes e telas, segundo o profissional, pode gerar um prejuízo cognitivo mental, social e de saúde física. Ele também ressalta que esse “fascínio” tecnológico que seduz mais facilmente as crianças, também atinge os adultos com a mesma percepção. “Por isso sugiro que todos façam um mergulho interior baseado no autoconhecimento, pra que você possa tomar decisões que sejam realmente factíveis a um bom senso e principalmente ao contexto de saúde”, declara.

Tecnologia para treinar

A tecnologia que afasta alguns dos exercícios também serve para manter outros regrados no treino. Dispositivos como smartwatches e aplicativos específicos para atividades físicas, quando bem usados, são recursos eficientes no combate ao sedentarismo. “Os smartphones, smartwatch que ajudam no controle de treinos são variáveis fundamentais para ajustar a intensidade e quantidade de exercícios realizados, mas não uma motivação em si”, analisa Thiago. Ele ressalta que a companhia humana e o coletivo são o que realmente estimulam as pessoas nas atividades.

O personal trainer e educador físico Ocelio Neverson acredita que os aplicativos de treino e dispositivos eletrônicos realmente ajudam as pessoas a se movimentarem mais. “Eles motivam, monitoram metas, e lembram as pessoas de saírem da inércia”, afirma. Ele conta que usa o AppleWatch para monitorar seus treinos. “Ele é bem fidedigno quanto ao gasto calórico, controle de sono, entre outros benefícios”, ressalta.

Quanto ao aplicativo de treino, por ser personal trainer, ele prescreve os treinos da sua consultoria online para os alunos pelo app Mfit. Para quem passa muitas horas sentado por causa do trabalho e estudo, Ocelio indica alongamento, caminhada por alguns minutos dentro de casa, beber água e criar o hábito de usar alarme para lembrar dessas atividades – a tecnologia que tira do sedentarismo.

Ex-sedentária

A jornalista Isabelly Noemi cresceu numa casa onde havia uma mãe adepta de atividades físicas e muito acesso à tecnologia. “Quando eu era criança, ela tentou que eu fizesse várias modalidades, mas nunca gostei de nada”, conta. Isso fez dela uma típica adolescente sedentária, cujos amigos nunca chamavam para nada que envolvesse esportes e movimento. “Me faltava resistência cardiorrespiratória para coisas básicas, como subir uma escada, e também sentia muitas dores no período menstrual, comia muita besteira e nunca compensava em nada”, diz.

Por ter pais da área de tecnologia, ela sempre teve acesso fácil ao segmento. “Eu não diria que o meu sedentarismo estava diretamente relacionado a isso, mas com certeza eu passava mais tempo conectada do que fazendo exercícios”, afirma. A virada de chave veio com a pandemia. Enquanto estava “presa” em casa e comendo bastante, Isabelly resolveu procurar exercícios no Youtube. Veio o final de 2022 e ela já tinha muitos problemas de ansiedade. Foi então que sua psicóloga recomendou a atividade física de modo mais intenso.

“Então eu entrei na musculação e, à medida em que eu via as coisas melhorando, tanto na saúde mental, como física e estética, eu acabei tomando gosto pela coisa e entendendo que aquilo era algo inegociável”, conta. Após isso, Isabelly se apaixonou pelos efeitos da endorfina no corpo e sempre tenta algo novo.

“Em 2024 comecei a correr e tinha a meta de fazer 5 km sem parar. Em novembro do mesmo ano fiz minha primeira meia maratona”, conta. Hoje em dia a jornalista faz musculação todos os dias da semana, corre três vezes, e faz aula de tecido aéreo uma vez por semana.

Tádzio França

Repórter/Tribuna do Norte