O Rio Grande do Norte tem potencial para ampliar sua presença exportadora em até 88 países, reforçando a necessidade de diversificação dos destinos e de redução da dependência do mercado norte-americano diante do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. A estimativa é da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).
O secretário da Sedec, Alan
Silveira, explica que a abertura para esses mercados já existe, mas ainda é
pouco explorada. “O Rio Grande do Norte hoje tem abertura em 88 países. Isso aí
já é realidade. Então, a gente tem esse potencial de exportar todos os
produtos, principalmente os que são afetados pelo tarifaço, como pescado, o
caramelo, dentre outros. O que precisa ser feito agora é um trabalho de
levantamento, diagnóstico, mapeamento e logística para ver qual produto se
encaixa em cada mercado”, afirma.
Na avaliação do secretário, o
cenário exige agilidade. Ele destaca que já existem tratados em vigor que podem
ser aproveitados pelo estado, como os acordos do Mercosul com Singapura e o
Acordo de Livre Comércio (FTA). “A gente tem esses tratados que estão em vigor
pelo Brasil e o Rio Grande do Norte pode fazer esse uso”, defende Alan. Além
disso, o Governo trabalha no lançamento do programa “RN Mais Exportação”,
elaborado pela Sedec em parceria com o Sebrae, que está em fase final de
regulamentação.
“Esse programa vai trabalhar
as empresas que exportam aqui do Rio Grande do Norte. A nossa meta é fazer todo
esse trabalho de diagnóstico, capacitação, orientação, acompanhamento logístico
e abertura de mercados. Até o final de setembro a gente lança”, disse Alan
Silveira. Caso o cronograma seja cumprindo, o novo programa começa a ser
executado em outubro. A meta é acolher pelo menos 100 empresas.
Enquanto o programa não é
formalizado, medidas emergenciais foram anunciadas pelo Governo do RN ainda em
1º de agosto. Entre elas, estão a ampliação temporária do Programa de Estímulo
ao Desenvolvimento Industrial (Proedi) e a duplicação dos créditos de ICMS
sobre exportações para setores atingidos.
Dados fornecidos pela Sedec
mostram que, apenas em 2025, os Estados Unidos importaram do RN cerca de US$ 24
milhões em fuel oil, US$ 10,3 milhões em outros produtos de origem animal, além
de US$ 4,8 milhões em albacoras e bandolins. O sal marinho, um dos afetados
pelo tarifaço e que tem como principal mercado os Estados Unidos, corresponde a
US$ 3,4 milhões, enquanto os peixes congelados são de US$ 2,1 milhões.
Para Silveira, a meta é tornar
o estado menos vulnerável a decisões unilaterais de grandes parceiros
comerciais. “Veio um tarifaço e pegou todo mundo de surpresa, a gente fica
amarrado em um só país. Vamos dar mais autonomia ao Estado, mais independência,
já que a gente não vai ficar dependente também de um país. Quem sabe até outros
estados possam copiar esse programa”, avalia o secretário.
As negociações incluem
conversas com países da Ásia e da Europa, além de aproximações recentes com a
China e tratativas para retomar o envio de pescado à União Europeia, suspenso
há anos. O mapa global da Sedec aponta 88 mercados já receptores de produtos
potiguares, incluindo destinos estratégicos como Singapura, Espanha, Reino
Unido, Colômbia, Portugal, México, Itália e Canadá. A diversificação, segundo o
Governo, permitirá reduzir a concentração em poucos destinos e aumentar a
competitividade dos produtos locais.
O “tarifaço”, que entrou em
vigor no início de agosto, atinge diretamente setores estratégicos do estado,
como o pesqueiro e o salineiro, e pressiona empresas locais a buscarem
alternativas de mercado.

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