Segundo José Antônio de Moura,
chefe da VISA Natal, das pessoas que apresentaram sintomas de intoxicação
alimentar, todas se recuperaram. Embora as investigações estejam em andamento,
ele garante que não há evidências de falha no preparo ou conservação dos
alimentos no restaurante. “A toxina não tem cheiro, cor nem sabor, e não se
degrada com o cozimento. Nenhum estabelecimento, por melhores que sejam os seus
procedimentos, tem como identificar um peixe contaminado por ciguatera antes do
consumo”, explica.
A ciguatera é uma toxina marinha produzida por algas presentes em recifes que
contamina pequenos peixes herbívoros e, em seguida, peixes maiores da cadeia
alimentar. De acordo com José, o evento é raro no Brasil, com registros mais
frequentes no Caribe e em Fernando de Noronha, e que só passou a ser monitorado
oficialmente pelo Ministério da Saúde a partir de 2022.
Na Feira das Rocas, onde há décadas se vende peixe fresco direto do litoral
potiguar, o impacto do medo da população é perceptível. Elione Paulino, 43,
atua no ramo desde a infância e relata prejuízos nos últimos dias. “A gente
vive disso, mas prejudicou. As pessoas chegam com medo e aí temos que explicar
e tranquilizar”, afirma. Atualmente, a feirante vem comercializado espécies
como atum, pescada branca e robalo, mas mesmo sem ter arabaiana, sentiu queda
na venda de todos.
Francisco de Assis, 69, também sentiu a baixa procura. Vendedor há mais de oito
anos no setor, ele afirma que costumava vender cerca de 30kg de peixe por dia.
Agora, compra a mesma quantidade, mas sai com menos da metade. “O povo chega
com medo de morrer. Medo de veneno, mas não tem veneno não”, desabafa.
Francisco, que antes comercializava regularmente a arabaiana, decidiu retirar
da banca por falta de saída.
Por não ter relação com a prática do restaurante, a Vigilância não emitiu nova
orientação aos comerciantes e também não determinou qualquer tipo de
fiscalização adicional em outros estabelecimentos. “Não houve necessidade. Não
foi uma falha do restaurante, nem há um mapa de contaminação. Não tem motivo
para alarde. Nós estamos em uma região privilegiada, com um litoral rico em
pescados de excelente qualidade”, afirma o chefe da Visa Natal.
Apesar do temor existente, a VISA Natal reforça que a população pode continuar
consumindo pescado normalmente. “Não há nenhuma razão para deixar de comer
peixe. Foi uma situação pontual, uma fatalidade. Não há recomendação para
restringir ou suspender a venda de nenhuma espécie. O que deve ser feito são os
cuidados habituais na escolha e preparo dos alimentos”, afirma José Antônio.
Esses cuidados incluem verificar se o peixe apresenta escamas firmes, olhos
salientes e brânquias avermelhadas. Além disso, o consumidor deve observar se o
produto está acondicionado corretamente, com controle de tempo e temperatura, e
se o local da compra apresenta boas práticas sanitárias.
Em caso de suspeita de intoxicação ou denúncias, a população pode entrar em
contato com a pasta através do WhatsApp (84) 3232-9435,
e-mail urrnatal@gmail.com ou no aplicativo Natal Digital, disponível
para sistemas Android e iOS.
Tribuna do Norte
0 comentários:
Postar um comentário