O pesquisador americano é
mundialmente conhecido pelo best-seller A Geração Ansiosa, livro que esmiúça o
colapso de saúde mental dos mais jovens e o que pode ser feito para reverter o
cenário.
Para Haidt, há regras
inegociáveis para o uso do celular em casa, que diz aplicar a seus dois filhos
adolescentes: não permitir a criação de perfis em redes sociais antes dos 16
anos de idade nem o uso de telas no quarto à noite, quando “os assédios de adultos
a menores de idade mais acontecem”, segundo ele.
O psicólogo admite que não é
fácil fazer com que os filhos respeitem essas regras. “Depois de ganhar um
celular ou entrar em redes sociais, o adolescente vai ficar muito bom em
esconder o que tiver que esconder dos pais. E aí começa uma batalha na família.
Daí a importância de adiar: os filhos não devem ter rede social antes dos 16
anos”, disse em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, que foi ao ar
no domingo, 25.
Impactos distintos e
recuperação
O especialista explica que os
efeitos negativos em geral são diferentes para meninas e meninos: para elas, as
redes sociais costumam trazer os riscos de pressão estética e assédio, enquanto
para eles os maiores perigos muitas vezes estão no que traz prazer imediato,
como os videogames e a pornografia.
Na faixa dos 14 anos, as
meninas estão mais ansiosas e deprimidas que os meninos, mas eles podem ter
maiores prejuízos a longo prazo, com dificuldades para concluir os estudos e
ingressar no mercado de trabalho, segundo Haidt.
Irritação, tristeza e
ansiedade ao ficar longe das telas são alertas para os pais de que a criança ou
adolescente está dependente do aparelho.
De início, o afastamento do
celular gera uma piora pela abstinência. A boa notícia é que quem muda de
hábitos consegue recuperar a atenção:
“Quando adolescentes são
internados e ficam longe das telas, os sinais de melhora aparecem em 15 a 20
dias. Primeiro vem a abstinência, mas o cérebro se recupera. Aquele filho doce
volta a aparecer”, disse ao programa.
Estadão Conteúdo
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