A gripe aviária, também
conhecida como Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1), é uma doença
viral que atinge aves e que, em raríssimos casos, pode contaminar humanos. De
acordo com o Ministério da Saúde, a infecção ocorre geralmente por contato direto
com aves infectadas ou com superfícies contaminadas, especialmente quando não
há uso de equipamentos de proteção individual. A transmissão de pessoa para
pessoa é considerada rara e ineficiente.
Atualmente, 18 investigações estão em curso no país, segundo atualização do
Ministério da Agricultura no último domingo (25), incluindo estados como Santa
Catarina, Minas Gerais, Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul. No RN, o Instituto de
Defesa e Inspeção Agropecuária (Idiarn) afirmou que não há registro de suspeita
da doença no estado. Em nota oficial, o órgão informou que “segue
intensificando as medidas de prevenção e vigilância contra a Influenza Aviária”
através de fiscalização em propriedades rurais, granjas comerciais e no
controle do trânsito de aves e produtos avícolas.
“Vale destacar que a gripe aviária não é transmitida pelo consumo de carne ou
ovos devidamente inspecionados e preparados. Dessa forma, a população pode
continuar consumindo esses produtos com segurança”, diz a nota. O Idiarn
ressaltou também estar promovendo ações de educação sanitária com produtores
para garantir boas práticas de biosseguridade.
Graças às informações que reforçam a não existência de contaminação através do
consumo das aves ou dos ovos, Ednaldo Gomes, 55, não sentiu impacto nas vendas.
Atuante há mais de 30 anos no setor, ele vende galinha e frango na tradicional
Feira das Rocas. “Não teve diferença, as pessoas continuam comprando do mesmo
jeito”, avalia. A reportagem também buscou a Associação dos Supermercados do
Rio Grande do Norte (Assurn), que informou, através da assessoria de
comunicação, não ter informações sobre queda ou estabilidade na venda de aves.
Apesar da segurança alimentar garantida por órgãos sanitários, a repercussão do
caso no Sul já impactou o comércio internacional. O Brasil, maior exportador
mundial de carne de frango, teve exportações suspensas por ao menos 17 países,
afetando a cadeia produtiva. O país exportou 5,2 milhões de toneladas de carne
de frango em 2024, gerando US\$ 9,9 bilhões, de acordo com a Associação
Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Entre os países que suspenderam compras estão México, Coreia do Sul, Chile, Canadá, Uruguai, Malásia e Argentina. Em alguns casos, como Hong Kong, Arábia Saudita, Paraguai, Reino Unido, Índia e Filipinas, a suspensão vale apenas para o estado do Rio Grande do Sul.
Diante do cenário, o Ministério da Agricultura reforçou que não há necessidade
de alarde e que o consumo de carne de frango e ovos é seguro, desde que os
produtos estejam devidamente inspecionados. A recomendação é que a população
continue a seguir boas práticas de higiene e cocção dos alimentos.
Além das ações de vigilância, o Idiarn lembra aos criadores potiguares que está
em curso, até 31 de maio, a campanha de declaração de animais. “Esta declaração
é essencial para manter o controle e a saúde da pecuária potiguar, contribuindo
diretamente para a prevenção de doenças como a própria Influenza Aviária e
muitas outras”, informou a pasta. Os produtores devem procurar os escritórios
do Idiarn, da Emater ou as Secretarias Municipais de Agricultura para
regularizar as propriedades.
Tribuna do Norte
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