O lucro é menor se
comparado ao de 2023, quando a companhia registrou o resultado líquido de
R$ 124,6 bilhões (US$ 24,9 bilhões). A variação cambial em dívidas entre a
Petrobras e suas subsidiárias no exterior foi o principal fator de impacto.
No 4º trimestre de 2024, a
companhia teve prejuízo de R$ 17 bilhões (US$ 2,8 bilhões). A Petrobras
diz que, se forem expurgados os eventos exclusivos, o lucro líquido do 4º
trimestre seria de R$ 17,7 bilhões (US$ 3,1 bilhões).
A presidente da companhia,
Magda Chambriard, destacou o que considera os principais pontos positivos do
balanço de 2024.
“O excelente resultado
operacional e financeiro de 2024 demonstra, mais uma vez, a capacidade da nossa
empresa de gerar valores que são revertidos para a sociedade e para os nossos
investidores. Destaco a geração operacional de US$ 38 bilhões e a dívida financeira
de US$ 23 bilhões, o menor nível desde 2008”, disse Magda Chambriard.
O diretor financeiro da
Petrobras, Fernando Melgarej, disse que, apesar dos chamados “eventos
exclusivos” (transação tributária, variação cambial, entre outros) terem
impactado o lucro líquido, não tiveram efeito no caixa da companhia.
Sem os efeitos dos eventos
exclusivos, o lucro líquido seria de R$ 103 bilhões (US$ 19,4 bilhões) no
ano.
“O resultado da
Petrobras em 2024 foi impactado principalmente por um item de natureza
contábil: a variação cambial em dívidas entre a Petrobras e suas subsidiárias
no exterior. São operações financeiras entre empresas do mesmo grupo, que geram
efeitos opostos que ao final se equilibram economicamente. Isso porque a
variação cambial nestas transações entra no resultado líquido da holding no
Brasil e impactou negativamente o lucro de 2024. Ao mesmo tempo, houve impacto
positivo direto no patrimônio”, explica o diretor.
Os quatros principais fatores
de redução do lucro foram, portanto: variação cambial (- US$ 10,9 bilhões);
desvalorização do Brent e do crackspread do diesel (- US$ 6,5 bilhões);
transição tributária federal (- US$ 2,7 bilhões); e volume de produção de petróleo
(- US$ 0,8 bilhão).
A adesão da Petrobras ao
edital de contencioso tributário aconteceu em junho de 2024. Segundo a
companhia, a decisão possibilitou o encerramento de relevantes disputas
judiciais que envolviam afretamentos de embarcações ou plataformas e
respectivos contratos de prestação de serviços.
Houve ainda variação do
preço do Brent e da redução de 40% do crackspread de diesel (diferença do
preço médio do diesel no mercado mundial em relação ao do petróleo) em relação
a 2023.
A Petrobras diz que a instabilidade
é para todo o mercado, uma vez que grandes refinadoras globais foram impactadas
por menores margens internacionais de diesel e tiveram redução de Ebitda no
segmento de refino e comercialização.
Outros números
A Petrobras investiu R$
91 bilhões (US$ 16,6 bilhões) em projetos durante o ano de 2024. Segundo a
companhia, a realização acima da projeção (guidance) não representa um custo
adicional e sim uma antecipação, uma vez que foi reduzido o gap entre a
evolução física e financeira das plataformas em Búzios.
A companhia pagou R$
102,6 bilhões em dividendos no ano passado. Em 2024, foram pagos R$
270 bilhões em tributos aos cofres públicos, o segundo maior em 10 anos.
Do montante total de
dividendos pagos em 2024, R$ 37,9 bilhões correspondem à parcela do
governo brasileiro (União + BNDES). Adicionalmente, foram destinados R$
1 bilhão em investimentos socioambientais voluntários e obrigatórios,
patrocínios e doações.
Em 2024, a produção total
de óleo e gás natural foi de 2,7 milhões de barris de óleo
equivalente por dia (boed). Novos recordes anuais de produção total própria e
operada foram alcançados no pré-sal, com 2,2 milhões de boed e 3,2 milhões de
boed, respectivamente.
A companhia alcançou índice de
reposição de reservas (IRR) de 154% e relação reservas produção (R/P) de 13,2
anos. Dois novos sistemas de produção entraram em operação (FPSO Maria Quitéria
e FPSO Marechal Duque de Caxias) e navio-plataforma Sepetiba atingiu o topo de
produção.
O fator de utilização total
(FUT) em 2024 foi de 93%, a maior utilização do parque de refino dos últimos
dez anos considerando as refinarias atuais da Petrobras.
Foram registrados recordes
de produção de gasolina (420 mil bpd) e diesel S-10 (452 mil bpd). O diesel
produzido pela Petrobras em 2024 é suficiente para abastecer quase 1,5
milhão de caminhões.
Ainda em 2024, foram iniciadas
as operações comerciais da UPGN do Complexo de Energias Boaventura e da unidade
de SNOx da RNEST. No refino, foi alcançado o melhor valor histórico do
Indicador de Emissões de Gases do Efeito Estufa - IGEE-Refino (36,2 kgCO2e/CWT).
Agência Brasil
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