terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Carros, joias, lancha, jet skis e bola autografada por Pelé: veja bens apreendidos em operação em Natal

A Operação Pleonexia, deflagrada nesta terça-feira (25) pela Polícia Federal e Receita Federal, apreendeu uma série de bens ligados a uma organização criminosa especializada em crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro, em Natal. Além de dinheiro em espécie, os agentes apreenderam nos locais de busca itens como carros de alto padrão, lancha, jet skis, relógios e joias. Entre os bens, também chamou atenção uma bola autografada por Pelé e uma raquete autografada pelo ex-tenista suíço Roger Federer.

Além de Natal, a operação foi deflagrada em mais nas cidades de Barueri/SP e Goiânia/GO, envolvendo 52 policiais federais e 12 servidores da Receita Federal, para o cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão. Os mandados foram expedidos pela 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio Grande do Norte.

De acordo com a Polícia Federal, a empresa investigada, Alpha Energy Capital, que possui escritórios em Natal e Barueri, promovia a captação de recursos de investidores sob a promessa de rendimentos muito acima dos praticados no mercado, supostamente obtidos por meio da comercialização de créditos de energia solar. O grupo atraía pessoas de diversas regiões do país, comprometendo-se a pagar um rendimento mensal entre 4% e 5% — o que se revelou insustentável e com fortes indícios de fraude.

Bola autografada por Pelé | Foto: Divulgação/PF

No portfólio dirigido aos potenciais investidores, a empresa divulgava a existência de onze usinas de energia solar, com capacidade de geração de 1.266.720 kWh/mês. No entanto, a investigação revelou a existência de apenas uma usina efetivamente conectada à rede da distribuidora de energia local, tendo gerado somente 28.325 kWh.

Raquete autografada por Roger Federer | Foto: Divulgação/PF

Ademais, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a empresa investigada não é titular de nenhum empreendimento de geração de energia regular e não tem pedido de outorga em tramitação em seu nome. Pesquisa realizada perante a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apontou que a empresa não figura no rol de associados da entidade, condição para negociar energia elétrica no Ambiente de Contratação Livre, conforme as normas setoriais.

As investigações demonstraram que a maior parte dos valores captados era desviada para a aquisição de imóveis, veículos de alto padrão, joias e outros itens de luxo pelos investigados. O montante ilícito movimentado ultrapassa R$ 151 milhões, com recursos provenientes de aproximadamente 6.300 pessoas, distribuídas em 732 municípios brasileiros. Diante das evidências, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de cerca de R$ 244 milhões em bens dos envolvidos, visando ao ressarcimento das potenciais vítimas e ao pagamento de multas e custas processuais.

A investigação ainda constatou que o líder da organização criminosa, preso preventivamente hoje, já possui condenação por tráfico internacional de drogas e responde a processos por estelionato, crime contra a economia popular e lavagem de dinheiro, em razão de um golpe supostamente praticado em 2021, envolvendo a captação fraudulenta de recursos por meio de uma plataforma de apostas esportivas. Diante de seu passado criminoso, o investigado ocultou sua atuação na empresa, valendo-se de terceiros para divulgar nas mídias a falsa oportunidade de investimento e celebrar os contratos fraudulentos.

O termo “Pleonexia”, que nomeia a operação, tem origem grega e significa “ganância excessiva” ou “ambição desmedida”, evidenciando o objetivo do grupo de auferir vantagens financeiras ilícitas em prejuízo de milhares de investidores.

Diante do elevado número de pessoas que celebraram contratos de investimento com a ALPHA ENERGY CAPITAL e da abrangência territorial da ação criminosa, a Polícia Federal disponibiliza um link para o registro de comunicação online dos crimes financeiros apurados na Operação Pleonexia, com vistas a identificar todas as vítimas, quantificar os valores investidos e os prejuízos sofridos para, ao final, definir o valor do dano a ser reparado. Acesse: https://apps.pf.gov.br/r/comunicapf/comunicapf/operacao-sr-pf-rn

Tribuna do Norte


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