Considerado por muita gente como uma oportunidade importante de ingresso ao Ensino Superior, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) registrou redução de 92,5% no número de celebrações de contratos nos últimos nove anos no Rio Grande do Norte. De acordo com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), no segundo semestre de 2015 foram realizados 2.603 financiamentos, enquanto que no mesmo período do ano passado, foram apenas 195. Já a inadimplência cresceu 28,36% em cinco anos. Os dados do FNDE atualizados em janeiro deste ano apontam 20.418 financiamentos em atraso no RN, ante 15.906 em 2020.
Conforme a autarquia federal,
a inadimplência registrada em janeiro deste ano supera a adimplência no Estado
– segundo o FNDE, 11.589 contratos estavam com os pagamentos em dia até o mês
passado. Ainda de acordo com o fundo nacional, em função “da inadimplência
concentrada nos contratos celebrados até 2017, foi oportunizado recentemente
aos devedores em atraso o refinanciamento dos contratos, ação que transcorreu
de novembro de 2023 a dezembro de 2024”.
Para 2025, são ofertadas 1.015
vagas para financiamento no Rio Grande do Norte e 112 mil em todo o País, sendo
67,3 mil neste primeiro semestre. O período de inscrições foi encerrado no
último dia 7. À reportagem, estudantes que aderiram ao financiamento relataram
apreensão por conta das incertezas que rodeiam as perspectivas em torno de uma
provável situação de inadimplência. Esdras Arcanjo, de 20 anos, está no
terceiro período de Medicina. Ele afirma que, além das preocupações futuras, um
desafio acompanha os estudantes já durante o curso.
“Eu e vários colegas temos
apreensão nesse sentido. Estou me preparando e buscando formas de descontos,
que hoje são possibilitadas pelo Governo”, diz. “No entanto, um problema que já
nos afeta é o teto do Fies Social, que está em torno de R$ 60 mil por semestre,
ou seja, R$ 10 mil por mês. Mas hoje as mensalidades ultrapassam facilmente
esse valor”, acrescenta Esdras. Um dos colegas dele, que preferiu não se
identificar, também conta que está se preparando para conseguir quitar o
financiamento em dia depois que se formar.
“Pretendo entrar no programa
Mais Médicos para conseguir um abatimento mensal da dívida, que é algo em torno
de 1% a 2% para quem atua em áreas com maior déficit de profissionais ou em
regiões mais conturbadas. Também penso em servir ao Exército no período
temporário (de 1 a 8 anos), porque o salário é muito bom. Enquanto essas
soluções não acontecem, quero intensificar plantões para fazer um pé de meia”,
detalha.
O estudante frisa, do mesmo
modo que Esdras, que os desafios começam durante a graduação. “A limitação do
teto é um complicador, dado o custo elevado de um curso como Medicina. Então,
consequentemente, a gente arca com valores de coparticipação, o que torna o
processo mais oneroso. Existe um movimento (o Fies Sem Teto) que busca recorrer
da decisão do Governo Federal sobre o limite de financiamento, porque muitos
estudantes tiveram que trancar a faculdade por causa disso”, aponta o
universitário.
Regras
Para concorrer às vagas do
Fies, é preciso ter prestado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em
qualquer uma de suas edições a partir de 2010 até a mais recente. Além disso, o
candidato deve ter alcançado, no mínimo, 450 pontos na média aritmética das
notas das cinco provas do exame. A nota na prova de redação precisa ser
superior a zero. Os participantes do Enem na condição de treineiro não podem se
inscrever no Fies. O resultado da pré-seleção – em chamada única – foi
divulgado na última terça-feira (18).
Entre 19 e 21 de fevereiro, os
estudantes pré-selecionados deverão acessar o Fies Seleção para complementar a
inscrição e obter o financiamento público das mensalidades em faculdades
privadas. O período de convocação por meio da lista de espera será de 25 de
fevereiro a 9 de abril.
O Fies Social foi instituído para
priorizar os estudantes de renda mais baixa do país | Foto: Divulgação
Fies Social
O Fies Social foi instituído
em 2024 para priorizar o atendimento às necessidades dos estudantes de renda
mais baixa. O programa assegura alguns benefícios a quem é inscrito no Cadastro
Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e tem renda familiar
per capita de até meio salário mínimo. Dentre os benefícios, segundo o FNDE,
estão a concessão de até 100% de financiamento dos encargos educacionais e a
reserva de 50% das vagas a esse público em cada edição dos processos seletivos.
“Além disso, o Fies Social
cria a reserva de vagas aos estudantes autodeclarados pretos, pardos, indígenas
e quilombolas e de pessoas com deficiência, de acordo com a mesma proporção na
população da unidade da Federação onde está instalada a instituição de ensino,
segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística”,
explicou a autarquia.
Apesar das dificuldades e
incertezas, os estudantes ouvidos pela reportagem reconhecem a importância do
Fies para o acesso ao ensino superior. “Sem o financiamento eu não teria
nenhuma possibilidade de estudar em uma universidade particular”, comenta Esdras
Arcanjo. “O maior benefício, sem dúvida, é a garantia de acesso à faculdade”,
reforça o colega dele, em depoimento à TRIBUNA DO NORTE.
Veja os dados sobre o Fies no
Estado
Contratos celebrados*
2015: 2.603
2024: 195
Redução de 92,5%
*Dados do 2º semestre de cada ano
Inadimplência
2020: 15.906
2025*: 20.418
Aumento de 28,36%
*Dado atualizado em janeiro de 2025
11.589 é o número de contratos
adimplentes no RN até janeiro de 2025
1.015 é o número de vagas para
o Fies 2025 no RN
112 mil é o número de vagas
para o Fies 2025 no Brasil
Regras para inscrição no Fies
-Ter prestado o Enem em qualquer uma de suas edições, a partir da edição de
2010 até a mais recente;
-Ter obtido, no mínimo, 450 pontos na média aritmética das notas das cinco
provas do exame;
-Ter obtido nota superior a zero na prova de redação;
-É vedada a inscrição de quem declarou ter participado do Enem como
“treineiro”.
Fies Social
O Fies Social reserva 50% das vagas para estudantes com renda familiar por
pessoa de até meio salário mínimo e inscritos no CadÚnico. A classificação
obedece à seguinte priorização:
-candidatos que não tenham concluído o ensino superior e não tenham sido
beneficiados pelo financiamento estudantil;
-candidatos que não tenham concluído o ensino superior, tenham sido
beneficiados pelo financiamento estudantil e o tenham quitado;
-candidatos que já tenham concluído o ensino superior e não tenham sido
beneficiados pelo financiamento estudantil;
-candidatos que já tenham concluído o ensino superior, tenham sido beneficiados
pelo financiamento estudantil e o tenham quitado.
Fonte: FNDE e MEC
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