O evento contou com a
participação de várias instituições públicas, da sociedade civil e de
movimentos sindicais ligados ao combate ao trabalho escravo, e teve como
destaque a mesa-redonda “Trabalho Escravo Contemporâneo”.
Houve ainda a apresentação do
Auto Dramático dos Congos de Combate, grupo folclórico ancestral de São Gonçalo
do Amarante formado por trabalhadores e trabalhadoras da comunidade de Santo
Antônio de Potengi.
Em sua fala de abertura, o
presidente do TRT-RN alertou que o Brasil, infelizmente, “tem números
terríveis” com relação ao número de trabalhadores submetidos a essa situação.
“Ocupa o 11º lugar no número de vítimas, com mais de um milhão de pessoas. Estima-se
que quase 50 milhões pessoas no mundo estejam submetidas à escravidão
morderna”.
Esse tipo de situação,
considerada “deplorável” pelo presidente do TRT-RN, gerou “R$ 236 milhões de
dólares em lucros ilegais por ano”, em 2023, de acordo com relatório da
Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Ele lembrou que o Dia Mundial
de Combate ao Trabalho Escravo foi escolhido em homenagem às vítimas da Chacina
de Unaí, ocorrida em 28 de janeiro de 2004. Na ocasião, os auditores fiscais do
trabalho Nélson José da Silva, João Batista Soares Lage, Eratóstenes de Almeida
Gonçalves e o motorista Aílton Pereira de Oliveira foram assassinados durante
uma fiscalização de rotina. Crime considerado como “bárbaro e condenável”.
Já o procurador-chefe do
MPT-RN, Gleydson Gadelha, afirmou que “toda a discussão que acontece no mundo
do trabalho passa, necessariamente, pela questão da liberdade, e a forma mais
brutal de violar esse direito – o trabalho análogo ao de escravo – ainda é uma
realidade no Brasil”.
Ele falou ainda que o
aliciamento de trabalhadores através dos meios de mídia social é “um grande
desafio hoje para o Ministério Público do Trabalho e para todos os envolvidos
no combate a essa chaga social”.
O Dia Mundial de Combate ao
Trabalho Escravo foi idealizado através pelo Programa de Enfrentamento ao
Trabalho Escravo, Tráfico de Pessoas e Proteção ao Migrante do Tribunal
Regional do Trabalho da 21ª Região (RN), que tem como gestoras as juízas do
Trabalho Lygia Godoy e Aline Fabiana Campos.
Em sua palestra a juíza Lygia
Godoy chamou a atenção para o aliciamento de pessoas para o trabalho escravo ou
análogo ao escravo, que acontece no Nordeste incluindo o Rio Grande do
Norte.
Existe essa prática (no RN) e
muitos trabalhadores levados para fora do Estado, em sua maioria, são aliciados
para trabalhar na construção civil e na atividade agrícola" explicou ela.
“O aliciamento não sai na
estatística do estado, porque eles são levados para serem escravizados em
outros estados. O aliciamento é uma prática criminosa”.
Ela explicou que o aliciamento
é a oferta de emprego, em outra localidade onde o trabalhadores vivem, com
falsas promessas de bons salários e de boas condições de trabalho, mas quando
chegam ao local, a realidade é outra: não pagam os salários prometidos e as
condições de trabalhos são degradantes. Esses trabalhadores sequer tem
condições de voltar pra casa, pois desde que saíram de sua cidade, já vem
portando dívida com transporte, alimentação etc
MESA REDONDA
Após a apresentação cultural, o público acompanhou a mesa redonda formada pela juíza Lygia Godoy, gestora do Programa Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, do procurador Gleydson Gadelha, da auditora fiscal do trabalho Marinalva Cardoso Dantas, e do presidente do Comitê Estadual Intersetorial de Atenção aos Refugiados, Thales Dantas.
Coordenadoria de Comunicação
Social - TRT 21ª Região
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