Com preços elevados, potiguares adaptam hábitos de consumo e pesquisam mais antes de comprar | Foto: Adriano Abreu
Os preços da cerveja e da
carne, itens essenciais do “kit churrasco”, aumentaram acima da inflação
oficial do país entre março de 2025 e março de 2026, segundo dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto o IPCA (Índice Nacional
de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 4,14% nesse período, a cerveja ficou 6,06%
mais cara e o preço da carne cresceu 5,68% no Brasil. A Associação dos
Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn) aponta para um cenário semelhante
no estado.
Segundo Gilvan Mikelyson, presidente da entidade, o RN segue o cenário nacional com alta dos preços. Nas cervejas, a alta seguiu o mesmo patamar. Já o preço da carne, diz Mikelyson, subiu até o dobro do IPCA. Diante desse cenário, os potiguares já adaptam seus hábitos de consumo - por meio da troca por itens mais acessíveis – e pesquisam mais na hora de comprar.
“No caso das carnes, há uma
mudança no cenário de consumo, tanto pela substituição por cortes menos nobres,
mas também pela migração para o consumo de frango e de porco. A carne suína e a
carne de aves têm sido opções muito mais em conta do que a carne bovina”,
explica Mikelyson.
Esse cenário é refletido nos
estabelecimentos da capital potiguar. Vinícius Borges, gerente da Bomfrigo
Atacarejo, afirma que os clientes preferem carnes com preço mais baixo, mas de
boa qualidade.
“A carne de primeira caiu
muito. Sempre procuram essa carne mais acessível, que seja uma qualidade boa,
mas com preço menor. Hoje em dia, a carne de segunda está do preço antigo da
carne de primeira”, diz.
Vinícius Borges, gerente: clientes
preferem carnes com preço mais baixo, mas de boa qualidade | Foto: Adriano
Abreu
Segundo o gerente, as
variações no mercado apontam para o aumento do preço da arroba da carne bovina,
e o custo é repassado ao consumidor.
“Enquanto o quilo do músculo
está a R$ 32,49, [um ano] atrás custava R$ 25,00. Já aumentou bastante, mas é
uma carne mais acessível”, exemplifica. Uma das carnes mais vendidas tem sido a
posta gorda, além de frangos e embutidos.
Já no caso das cervejas, há
uma diminuição no consumo no RN, segundo o presidente da Assurn. “A diminuição
é identificada, principalmente, alinhada ao uso bastante intenso das canetas
emagrecedoras, que fazem com que as pessoas bebam menos – e as que continuam
bebendo migram para cervejas com menos teor alcoólico”, diz Gilvan.
Aumento no custo de produção
No caso da carne, o aumento é
explicado por um cenário de alto custo de produção, segundo a Assurn. Fatores
climáticos prejudicaram os pastos, como secas e enchentes.
Já o mercado externo favorece
a exportação, devido à valorização do dólar, encarecendo o custo do item no
mercado interno.
“As negociações em dólar são
muito mais favoráveis aos fornecedores e aos produtores. Todo esse cenário faz
com que os preços da carne tenham aumentado bastante, como nos últimos 60
dias”, observa Mikelyson.
De acordo com ele, no caso das
cervejas um reposicionamento da indústria favoreceu a alta. “Tinha negociações
que incentivavam o consumo. [A indústria] aportava algumas verbas para reduzir
o preço na ponta para o consumidor, e deixou de fazer esse investimento”,
explica.
Nesse contexto, o
comportamento do consumidor tem sido continuar pesquisando e aproveitando as
oportunidades de promoções nesses itens.
Tribuna do Norte

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