O Rio Grande do Norte já
acumula R$ 86,87 milhões em dívidas honradas pela União nos três primeiros
meses de 2026, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional. Apenas em
março, o estado teve R$ 2,55 milhões em débitos pagos pelo governo federal após
não cumprir obrigações em operações de crédito.
No mês, o Tesouro Nacional quitou R$ 384,11 milhões em dívidas atrasadas de estados e municípios. Ao todo, foram cobertos débitos de três governos estaduais e três prefeituras. Entre os estados, os maiores valores foram registrados no Rio Grande do Sul, com R$ 250,07 milhões, e no Rio de Janeiro, com R$ 128,67 milhões, além do Rio Grande do Norte.
Em relação aos municípios,
tiveram dívidas pagas pela União as prefeituras de Iguatu (CE), com R$ 2,55
milhões; Paranã (TO), com R$ 214,36 mil; e Santanópolis (BA), com R$ 65,94 mil.
Acumulado
Nos três primeiros meses do
ano, o Tesouro quitou R$ 993,80 milhões em débitos em atraso de quatro estados
e quatro municípios. No recorte acumulado, o Rio de Janeiro lidera, com R$
492,85 milhões, seguido pelo Rio Grande do Sul, com R$ 389,74 milhões. O Rio
Grande do Norte aparece na terceira posição, com R$ 86,87 milhões, enquanto o
Amapá soma R$ 19,55 milhões.
No caso dos municípios, o
governo federal cobriu R$ 4,8 milhões em dívidas não honradas por quatro
prefeituras: Iguatu (CE), Guanambi (BA), Paranã (TO) e Santanópolis (BA).
Os dados constam no Relatório
de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito, divulgado nesta
quarta-feira (15) pela Secretaria do Tesouro Nacional.
As garantias são executadas
pelo governo federal quando estados ou municípios ficam inadimplentes em
operações de crédito. Nesses casos, o Tesouro cobre os valores em atraso, mas
passa a reter repasses da União ao ente devedor até a quitação da dívida, com
cobrança de multa, juros e outros encargos.
Os valores pagos são
descontados de transferências como os fundos de participação e receitas
relacionadas ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS),
entre outras fontes. Sobre as obrigações em atraso também incidem juros de mora
e custos operacionais referentes ao período entre o vencimento e a quitação.
Propag
Até o fim do ano passado, os
estados puderam aderir ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados
(Propag), que prevê condições como venda de ativos à União e um plano de corte
de gastos para viabilizar a liberação de até R$ 20 bilhões em investimentos.
O programa também estabelece
descontos nos juros e parcelamento das dívidas em até 30 anos. Em
contrapartida, os estados participantes devem aportar recursos ao Fundo de
Equalização Federativa (FEF), destinado a financiar áreas como educação,
segurança pública, saneamento, habitação e transportes.
Após o Congresso derrubar
vetos ao Propag no fim de novembro, 22 estados aderiram à iniciativa. Apenas
Distrito Federal, Mato Grosso, Pará, Paraná e Santa Catarina ficaram de fora da
renegociação especial.
Rio Grande do Sul
Em razão das enchentes
registradas em 2024, o Rio Grande do Sul teve o pagamento da dívida com a União
suspenso por 36 meses. Além disso, os juros anuais — em torno de 4% mais a
inflação — foram perdoados no mesmo período.
Atualmente, o estoque da
dívida do estado com a União gira em torno de R$ 100 bilhões. Com a suspensão
das parcelas, o governo gaúcho dispõe de cerca de R$ 11 bilhões para ações de
reconstrução.
Tribuna do Norte

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