Nesta segunda-feira (07), os 1.928 professores e herdeiros de 354 docentes já
falecidos que são partes no processo participaram de uma reunião na UFRN para
conhecer os moldes do acordo fechado entre a as advogadas que acompanham o caso
e o Governo Federal. Em média, os ganhos na causa são de R$ 200 mil, mas há
casos de professores que receberão mais.
“Esse acordo é justamente uma tentativa de resolvermos essa pendenga judicial que se arrasta por tanto tempo. Tivemos 354 professores que faleceram durante a ação. Pela morosidade da justiça, o acordo é uma possibilidade deles receberem os valores num intervalo de tempo mais curto” explica o presidente da entidade, Oswaldo Negrão. O acordo, assinado na semana passada, consiste em um desconto de 40% em relação ao que os professores tinham para receber conforme já decidido na justiça.
“Esse é um acordo digno. O valor atualmente é maior que o que está no processo
por conta do índice de atualização, mesmo com o deságio. Quem não quiser fazer
o acordo vai poder ficar no processo”, explica a advogada Andreia Munemassa,
que representa os professores. O próximo passo será a homologação dos acordos
individuais no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A ação foi iniciada na justiça em 1991. O Adurn Sindicato ingressou na Justiça
buscando reaver valores de reajustes salariais para os professores que tiveram
seus vencimentos congelados na década de 80, em virtude dos planos Bresser e
Verão, criados à época pelo governo do então presidente José Sarney
(1985-1900). As medidas econômicas alteraram o cálculo da correção monetária
dos saldos de poupança e tinham o objetivo de controlar a inflação da época.
O professor aposentado do Departamento de Direito da UFRN, José Pegado, diz que
vai aceitar o acordo. “Recebemos com otimismo. É uma ação que já corre há 35
anos. Esse processo recuava, avançava, chegou em situações delicadas de
impossibilidades de levarmos adiante e quase arquivamento”, explica.
Para Casio Barreto, que é filho de dois professores aposentados dos
departamentos de enfermagem e administração da UFRN, a possibilidade de acordo
é um alento para um processo longo. “Vamos aceitar, com certeza, porque já são
34 anos, sendo a ação mais antiga do Tribunal. Creio que a maioria vai aceitar.
Meus pais tinham um sentimento de quase certeza de que não iriam receber”,
explica.
Tribuna do Norte

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