terça-feira, 13 de janeiro de 2026

RN registra maior alta do Brasil no preço médio do etanol, aponta ANP

De acordo com o Sindipostos-RN, o aumento estadual guarda relação com a proximidade do fim da safra da cana de açúcar | Foto: Adriano Abreu

O Rio Grande do Norte foi o estado com maior aumento percentual no preço médio do litro de etanol hidratado na semana encerrada em 10 de janeiro, em comparação com a semana anterior. Entre esses dois períodos, houve um aumento de 11,76% no preço médio no estado, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No mesmo intervalo de tempo, 20 estados tiveram alta de preço, 5 tiveram redução e apenas o Amazonas teve estabilidade. Não houve medição no Amapá.

No RN, o preço médio do combustível variou de R$ 4,59 para R$ 5,13 por litro entre as semanas de 28 de dezembro a 3 de janeiro e de 4 de janeiro a 10 do mesmo mês. Já no Brasil, o preço médio do etanol cresceu 0,89%, saindo de R$ 4,49 por litro para R$ 4,53. Na segunda semana de janeiro, a pesquisa incluiu 3.444 postos no país, registrando preços que variaram entre o mínimo de R$ 3,69 e o máximo de R$ 6,49 por litro.

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do RN (Sindipostos-RN), Maxwell Flor, o aumento estadual se deve à proximidade do fim da safra da cana de açúcar. “As safras começam aqui normalmente em agosto e terminam entre dezembro e janeiro. A gente está no fim da safra na região Nordeste. Quando vai se aproximando este período, os estoques ficam mais baixos”, explica.

Com menos combustível em estoque, os preços tendem a subir. “É o que a gente tem visto desde meados de dezembro: pequenos aumentos semanais”, diz Maxwell Flor. “Como aqui só tem praticamente três usinas de etanol, acaba que o estado não tem autossuficiência e o complemento tem que vir de fora”, explica.

Ainda segundo Maxwell, a situação deverá permanecer ainda pelos próximos meses. “A tendência é que esse preço siga mais alto nesse período de entressafra do que no período de safra. Isso é cíclico”, esclarece.

Homem com óculos de grau

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Alcemir Pontes, motorista | Foto: Adriano Abreu

Motoristas sentem aumento no bolso

Para o motorista de aplicativo Alcemir Pontes, o aumento sentido entre o fim de dezembro e início de janeiro ocorreu antes do esperado, que é após março, no período de entressafras. Em postos da capital potiguar visitados pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, os preços superam os R$ 5,00. O mais caro estava em R$ 5,59.

Alcemir Pontes conta que abastece o carro exclusivamente com etanol há cerca de um ano e se surpreendeu com a alta. “Não existe justificativa nenhuma o preço do álcool estar do jeito que está. Porque hoje, se você olhar direitinho, se você pegar só daqui para Recife, nós temos aí mais ou menos umas 7 a 8 usinas e todas estão em período de produção. Eu já vi, hoje mesmo, etanol de quase R$ 5,50, chegando aos R$ 6,00”, diz Pontes.

O motorista de aplicativo Anthony Wallace relata que abastece com gasolina porque o combustível é mais eficiente em seu veículo do que o etanol seria. Mas, nos postos, ele percebe um aumento nesse combustível. “Aumentou muito de uns dias para cá. De um dia para o outro, aumentou um real’’, exemplifica.

A elevação no preço do etanol começou a ser sentida ainda em dezembro, quando o litro do combustível fechou, em média, a R$ 4,56, uma alta nacional de 6,82% na comparação com dezembro de 2024.

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes aponta, com base em dados da ValeCard, que o etanol foi o combustível que mais encareceu no acumulado de 2025. O preço médio subiu 4,92%, encerrando dezembro no maior patamar médio do período.

Segundo Maxwell Flor, o aumento no preço médio do etanol influencia também o aumento do preço da gasolina. O RN também liderou o aumento no preço da gasolina comum, conforme aponta o levantamento da ANP. Esse valor cresceu 7,81% em duas semanas – de R$ 5,89 para R$ 6,35 por litro.

O presidente do Sindipostos-RN explica que a gasolina tem 30% de etanol adicionado. De acordo com ele, a produção de etanol anidro limita a produção do etanol hidratado – vendido nas bombas e presente na pesquisa da ANP. “Na hora em que você produz mais etanol anidro, deixa de produzir menos hidratado”.

“Se o preço do etanol sobe, e normalmente eles sobem juntos, tanto o etanol hidratado quanto o etanol anidro, é possível que repercuta também no preço da gasolina”, conclui.

Maiores altas no preço médio do etanol hidratado

RN: +11,76% (de R$ 4,59 para R$ 5,13)

PB: +2,82% (de R$ 4,25 para R$ 4,37)

ES: +2,18% (de R$ 4,58 para R$ 4,68)

PA: +2,14% (de R$ 4,68 para R$ 4,78)

RJ: +1,91% (de R$ 4,71 para R$ 4,80)

MT: +1,78% (de R$ 4,50 para R$ 4,58)

SC: +1,68% (de R$ 4,77 para R$ 4,85)

TO: +1,39% (de R$ 5,04 para R$ 5,11)

PE: +1,34% (de R$ 4,49 para R$ 4,55)

MA: +1,28% (de R$ 4,69 para R$ 4,75)

Quedas de preço

AC: -0,76% (de R$ 5,25 para R$ 5,21)

BA: -0,62% (de R$ 4,86 para R$ 4,83)

MG: -0,43% (de R$ 4,60 para R$ 4,58)

AL: -0,42% (de R$ 4,78 para R$ 4,76)

SE: -0,21% (de R$ 4,81 para R$ 4,80)

Fernando Azevêdo/Repórter

Tribuna do Norte

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