O saldo do trimestre, que é a
diferença entre as exportações e importações, teve superávit de US$ 127,9
milhões. O bom desempenho do RN nos três primeiros meses do ano foi puxado
pelas vendas de óleos combustíveis de petróleo ou minerais betuminosos (exceto
óleos brutos), que responderam por 48% das exportações do Estado. Em seguida,
entre os destaques das exportações no trimestre figuraram as vendas de frutas e
nozes não oleaginosas, frescas ou secas (representando 32% das vendas para
fora), além dos açúcares e melaços (3,6% das exportações) e o pescado inteiro
(que representaram 3,1%).
O secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec),Hugo Fonseca,
disse que o desempenho do Estado no primeiro trimestre deste ano está dentro
das expectativas. “Observamos um crescimento da balança nos últimos sete anos,
com avanços exponenciais em 2024, quando batemos vários recordes, tanto de
exportações quanto de importações. Importante frisar que, quando falamos em
exportação, falamos de setores importantes para o desenvolvimento econômico do
RN e para a geração de emprego e renda”, destaca Fonseca.
Segundo a Comex Stat, as importações do Estado tiveram alta de 15% no primeiro
trimestre deste ano, com uma movimentação de R$ 132 milhões (em 2024, foram US$
114,7 milhões no mesmo recorte). Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais
betuminosos (exceto óleos brutos), representaram a maioria das importações de
2025 até março (22%), seguidos de válvulas e tubos (17%), trigo e centeio não
moídos (11%) e máquinas de energia elétrica (4,9%).
Sobre o desempenho do RN em março passado (com queda nas exportações), Hugo
Fonseca, da Sedec-RN, disse que o quadro já é esperado em razão do período de
entressafra da fruticultura, que começa neste período. Ainda assim, as frutas
foram o destaque do mês passado e representaram 58,6% do total exportado no
mês, juntamente com o açúcar. O Boletim da Balança Comercial da Sedec aponta
que o açúcar movimentou R$ US$ 7,1 milhões em exportações no mês de março.
NÚMERO
US$ 127,9 mi
Foi o superávit do 1º trimestre, diferença entre exportações e importações.
Melão, melancia e mamão se
destacam
Ainda de acordo com o boletim,
melões frescos (US$ 6,5 milhões), outros produtos de origem animal impróprios
para alimentação humana (US$ 4,3 milhões), melancias frescas (US$ 3,2 milhões)
e mamões frescos (US$ 2,3 milhões) vêm em seguida ao açúcar como os itens mais
vendidos para o exterior no primeiro trimestre. Luiz Roberto Barcelos, diretor
institucional da Associação Brasileira dos Exportadores de Frutas (Abrafrutas),
avalia que a participação da fruticultura nas exportações indica a importância
que o setor representa para a economia do RN.
Ele projeta que a safra 2024/2025, que está em fase de finalização, deve
crescer 8% em faturamento e 6% em volume. Os dados ainda não estão
consolidados. “Nossa avaliação é positiva. A fruticultura tem despontado como
uma vocação natural do Estado, pelas condições climáticas, geográficas e
hidrológicas. Ao mesmo tempo que nos deixa com uma responsabilidade maior em
relação ao escoamento da produção. Então, é preciso investir em estradas e no
porto de Natal, principalmente, para que ele possa continuar operando, bem como
na capacitação de mão de obra”, diz Barcelos.
Ainda sobre os números de março, Hugo Fonseca, secretário-adjunto da Sedec,
explica que o cenário tem a ver com os preços do óleo, o principal produto de
exportação, que é afetado pelo preço do dólar por tratar-se de uma commodity.
“Essa redução no mês passado é natural e já era esperada”, pontua Fonseca.
Pedro Albuquerque, assessor técnico do Observatório da Industria Mais RN, da
Federação das Indústrias (Fiern), afirma que a queda registrada em março não
significa um ponto fora da curva. “O RN é grande exportador de frutas frescas,
mas a safra é concentrada no segundo semestre, o que reduz naturalmente os
volumes exportados. Já os óleos combustíveis têm exportações irregulares, com
embarques que podem ser concentrados em determinados meses por questões
logísticas e operacionais. Portanto, essa queda em março não é, em si, uma
anomalia — é compatível com padrões sazonais. A título de exemplo, março de
2023 alcançou valor de US$ 31 milhões”, detalha.
Alinne Dantas, gerente da unidade de Gestão Estratégica do Sebrae-RN, avalia
que a expectativa para os próximos meses é de estabilização nas exportações de
frutas, acompanhando o ritmo da produção. Também é esperada, segundo ela, a
manutenção da participação do óleo, que historicamente tem variado entre 40% e
50% da pauta exportadora estadual. “A retomada mais expressiva das exportações
de fruta costuma ocorrer entre os meses de agosto e fevereiro, período em que
se concentra a safra principal. Até lá, é esperado um ritmo mais moderado nas
vendas internacionais”, comenta Alinne Dantas.
O secretário Hugo Fonseca prevê que as exportações continuarão a crescer,
embora em meio a um cenário de incertezas devido às tarifas impostas pelo
presidente americano Donald Trump. “Existe uma nuvem de incertezas em relação
ao que ocorrerá nos próximos meses. Mas o setor de frutas ainda vem crescendo.
Um fator também importante é nós estarmos abrindo uma nova rota comercial
marítima, que liga o Porto de Natal ao de Setúbal, em Portugal. Isso significa
que nós vamos ter duas entradas na Europa, porque, até então, nossa principal
porta era apenas Roterdã, na Holanda”, analisa o secretário.
Tribuna do Norte

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