Nesta semana o vice-governador
Walter Alves (MDB) oficializará que vai renunciar ao governo do Estado, de modo
que não assumirá a gestão em caso do afastamento da governadora Fátima Bezerra
(PT), pré-candidata ao Senado. Mesmo diante da possibilidade de renúncia, o
Partido dos Trabalhadores (PT) reafirmou que mantém inalterada sua estratégia
para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte. A posição foi reforçada pela
presidenta estadual do partido, vereadora Samanda Alves, após Fátima ter
assumido publicamente, por meio das redes sociais, o mesmo posicionamento.
Para a presidenta estadual da sigla, o eventual movimento de Walter não altera o cenário do campo governista. Segundo ela, o partido já tem posição definida para o próximo pleito. “Para o PT, está reafirmado como nós estaremos organizados e iremos disputar as eleições de 2026: a pré-candidatura de Cadu confirmada ao governo e a pré-candidatura da professora Fátima Bezerra ao Senado”, reforçou.
Samanda disse ainda que não
houve comunicação formal sobre renúncia do vice-governador. A TRIBUNA DO NORTE
apurou que é certa a decisão de Walter e que ele irá oficializar a decisão já
nesta semana. “Não muda nada o quadro político do campo governista. Nós não
fomos comunicados, o PT não foi comunicado ainda sobre a decisão do
vice-governador de não assumir o governo, no caso da renúncia da governadora
Fátima Bezerra”, afirmou Samanda.
Sobre os desdobramentos
institucionais e eleitorais de uma eventual renúncia de Walter Alves, que pode
abrir caminho para uma eleição indireta no âmbito do Executivo estadual,
Samanda lembrou que havia, até então, um entendimento político com o MDB. “O governo
vinha, até onde nós estamos acompanhando, em diálogo com o vice-governador,
inclusive com um compromisso assumido pela governadora ao lado de Walter Alves
com a direção nacional do MDB, de fortalecer a construção das nominatas do MDB
para deputado federal e para a Assembleia Legislativa”, explicou.
Ela reconheceu que a
indefinição tem provocado desconforto em outros atores políticos, como apontado
em reportagens recentes da TRIBUNA DO NORTE, que mostraram parlamentares
revendo planos de filiação ao MDB diante do impasse. Ainda assim, garantiu que
a estratégia petista segue em curso. “A estratégia do PT para a proporcional
continua a mesma e, inclusive, tem se fortalecido. Nós temos um foco em ampliar
a presença do PT na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa”, afirmou.
Segundo Samanda, o objetivo
vai além do crescimento do próprio partido “para que o campo progressista no
Rio Grande do Norte aumente a sua presença na Câmara Federal e também na
Assembleia Legislativa. Ela ressaltou que essas definições foram fortalecidas
justamente no diálogo com a direção nacional do partido. “Inclusive reafirmada,
fortalecida em um diálogo que aconteceu em Brasília com o presidente nacional
do PT e com o deputado José Guimarães, que coordena o GTE Nacional, que está à
frente de todos os diálogos com os partidos aliados em todos os estados”,
disse.
A governadora confirmou as
pré-candidaturas de seu grupo político após essa reunião, que ocorreu
quinta-feira (8), em Brasília, que contou ainda com o presidente nacional do
PT, Edinho Silva, e foram reafirmados os nomes de Fátima Bezerra para o Senado
Federal e do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, para o Governo do
Estado em 2026.
Em publicação nas redes
sociais, Fátima destacou que o projeto do PT segue consolidado,
independentemente das movimentações de aliados. “Tivemos uma conversa
importante sobre o projeto do partido no RN. Seguiremos firmes mostrando a
importância da transformação que o nosso governo tem promovido em todo o
estado, representados pelas nossas pré-candidaturas ao Senado e de Carlos
Eduardo Xavier para o Governo”, escreveu a governadora.
Além de evitar assumir o
estado mergulhado numa crise financeira, Walter quer retornar ao cargo de
deputado estadual nas eleições deste ano. Com o avanço das articulações e a
indefinição em torno do futuro dele, o tabuleiro político de 2026 começa a se movimentar
de forma mais intensa no Rio Grande do Norte. Ainda assim, o PT faz questão de
sinalizar que, do seu lado, as peças principais já estão posicionadas e o
projeto eleitoral segue mantido, independentemente dos rearranjos dos aliados.
Tribuna do Norte

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