domingo, 1 de fevereiro de 2026

Via Costeira: empreendimentos geram R$ 6,4 milhões em ICMS no RN em 2025

Além do ICMS para o RN, os empreendimentos localizados na Via Costeira contribuíram, em 2025, com mais de R$ 11 milhões para a Prefeitura de Natal em arrecadação dos impostos ISS e IPTU | Foto: Alex Régis

Os empreendimentos da Via Costeira foram responsáveis por R$ 6,4 milhões da arrecadação anual do Governo do Rio Grande do Norte por meio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 2025. Ao todo, o governo arrecadou R$ 9,2 bilhões com o imposto em todo o Estado no ano passado. Segundo dados da Secretaria de Fazenda (Sefaz/RN), para efeito de comparação, a arrecadação da Via Costeira corresponde a 61,55% do valor arrecadado pela Praia da Pipa, que gerou R$ 10,5 milhões em ICMS em 2025. O valor, no entanto, considera apenas os estabelecimentos comerciais da praia, ou seja, não considera Tibau do Sul integralmente.

O economista Thales Penha, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, avalia que a participação da Via Costeira na arrecadação total do ICMS no Estado é um reflexo da participação do Turismo no Produto Interno Bruto (PIB) potiguar. Os dados mais recentes divulgados pelo IBGE sobre o PIB no país apontam que o RN teve o maior crescimento no indicador entre os estados do Nordeste em 2023. A variação positiva foi de 4,2%, com o índice saindo de R$ 93,8 bilhões, em 2022, para R$ R$ 101,7 bilhões no ano seguinte.

“[O turismo] é um setor importante, mas complementar. Por mais que se expanda, não consegue ter essa capacidade [muito ampliada], pois não gera tanto encadeamento como o setor de energia elétrica, por exemplo, que faz com que esse peso da arrecadação seja maior”, aponta o economista.

Em relação à diferença na arrecadação entre o polo de Pipa e a Via Costeira, Thales Penha esclarece que o cenário pode ser explicado pelo maior número de estabelecimentos comerciais nos arredores da praia do litoral sul. “A hospedagem não paga ICMS. O ICMS [pago pelos] hotéis da Via Costeira é apenas sobre consumo de algum produto do estabelecimento. Como Pipa tem muito mais estabelecimentos de circulação de mercadoria, como restaurantes, bares, mercados, lojas de roupas e outros artigos, o valor arrecadado é bem maior”, completa.

Thales Penha, economista e professor da UFRN | Foto: Alex Régis

O economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte (Corecon/RN), traz uma outra leitura sobre o cenário da arrecadação na Via Costeira. Segundo ele, o menor valor arrecadado em comparação à praia da Pipa pode ser explicado pelos anos em que a capital potiguar passou com um modelo urbanístico que estacionou o desenvolvimento local.

Por conta disso, avalia o superintendente, a rede hoteleira da Via Costeira segue com apenas 11 empreendimentos. “Nossa Via Costeira é uma área nobre, de uma beleza inigualável e com muitos atrativos para os turistas, mas que precisa ter novos equipamentos. A lei que trata das áreas de interesse turístico e paisagístico (AEITPs) pode levar aos desenvolvimento da região, além da conclusão do restante dos equipamentos previstos no local”, aponta.

A Lei nº 7.801/2024, que define o uso e a ocupação do solo, além de estabelecer prescrições urbanísticas para as AEITPs, é alvo de uma ação do Ministério Público do Estado (MPRN) que pede a anulação da legislação. O Órgão alega falta de estudos para a aprovação da lei. Em novembro do ano passado, a Justiça suspendeu a emissão de novas licenças urbanísticas e alvarás de construção autorizados com base na norma.

Embora defenda o rigor dos critérios ambientais, Ricardo Valério aponta que vetos à nova legislação podem distanciar ainda mais o desenvolvimento da Via Costeira em relação a Pipa. “Os hoteis da Via Costeira são ótimos, mas precisam de equipamentos complementares, como bares, restaurantes e outros atrativos para não deixar os hoteis isolados ao longo dos seus 9 km”, completa o superintendente do Corecon/RN.

Ele esclarece que a efetivação do novo acesso à praia da Pipa, por exemplo, deve dinamizar ainda mais o turismo no local. Outro diferencial está no fato da região praticamente não apresentar baixa estação, recebendo turistas o ano inteiro, enquanto que a ocupação da Via Costeira é maior durante épocas de alta estação.

Homem com os braços para cima

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Ricardo Valério: superintendente do Corecon-RN | Foto: Alex Régis

Uma avaliação semelhante é repercutida pela Secretaria de Turismo do Rio Grande do Norte (Setur/RN). Em resposta à reportagem, a pasta afirma que a diferença na arrecadação entre os polos de Pipa e da Via Costeira está relacionada ao perfil de ocupação e ao nível de integração da avenida com a dinâmica urbana e turística da cidade. Por muito tempo, aponta, a região esteve dedicada quase exclusivamente à hotelaria, com pouca diversidade de atrativos para o público.

“No entanto, avaliamos que esse contexto está em processo de transformação. A implementação de novos projetos estruturantes e a requalificação da Via Costeira ampliam o potencial de circulação de turistas e da população local, estimulando o consumo, a permanência no destino e a dinamização da economia”, aponta a Setur/RN.

Para o presidente da ABIH-RN, Edmar Gadelha, a Via Costeira ainda não consolidou sua transformação em um destino completo, funcionando como um corredor hoteleiro e local de passagem. De acordo com dados da Associação, atualmente os empreendimentos da Via somam aproximadamente 6,7 mil leitos, enquanto Pipa dispõe de mais de 15 mil leitos e dinamização entre diversos setores da economia local, como comércio, restaurantes, passeios e serviços.

O presidente da entidade reforça, no entanto, que competir e superar o desempenho de polos como Pipa exige não apenas expansão de capacidade hoteleira, mas principalmente uma estratégia para transformar a Via Costeira em um destino completo. “Essa disparidade [em relação a PIPA] reforça a urgência de repensar o modelo de gestão da Via Costeira, com a implementação de projetos estruturantes que integrem os hotéis à paisagem urbana, criem calçadões atrativos e convidativos, promovam eventos regulares e assegure um acesso seguro e qualificado para moradores e visitantes”, aponta.

Edmar Gadelha é presidente da ABIH-RN | Foto: Alex Régis

Hotéis pagaram pelo menos R$ 11,1 milhões em ISS e IPTU

Além do ICMS para o Estado, os empreendimentos da Via Costeira contribuem para a arrecadação da Prefeitura do Natal por meio do pagamento do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). De acordo com a Sefaz/RN, a maior parte da receita gerada pelos hotéis tem origem na área de serviços.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE questionou a Secretaria Municipal de Tributação (SEMUT) da capital potiguar sobre a arrecadação anual do município com os impostos pagos pelos hotéis, bares e serviços do local e o quanto o valor representa da arrecadação total da prefeitura, mas a pasta não enviou os dados até o fechamento desta edição.

Apesar da ausência dos dados gerais, um levantamento realizado pela TRIBUNA DO NORTE junto a hotéis instalados na Via Costeira aponta que os empreendimentos contribuíram com pelo menos R$ 11,1 milhões em ISS e IPTU em 2025. O valor corresponde ao total pago por apenas quatro hotéis. Outros cinco representantes não retornaram ao pedido e um informou que a informação não poderia ser divulgada em virtude da política interna.

Apenas um dos hotéis da Via Costeira pagou R$ 2,3 milhões em ISS e R$ 600,4 mil em IPTU no ano passado. O representante do empreendimento, que prefere não ser identificado, aponta que há um estudo de expansão das operações na Via Costeira, mas a insegurança jurídica para investir no local tem impedido o avanço desse interesse.

Ele aponta que atualmente o Governo do Estado não apresenta um alinhamento junto ao Ministério Público do Estado (MPRN) para dar mais segurança aos investidores que desejam construir no local.

A reportagem da Tribuna do Norte questionou a Procuradoria Geral do Estado (PGE) sobre as perspectivas de crescimento na arrecadação estadual com o destravamento dos impasses envolvendo os acordos de concessão de sete terrenos na Via Costeira. Atualmente, a PGE busca a aprovação de aditivos para precisar as construções na área e adaptar as regras ao Plano Diretor de Natal (PDN). Em resposta, o órgão informou não ser possível realizar uma previsão, uma vez que os empreendimentos ainda não foram efetivados.

 Kayllani Lima Silva/Repórter

Tribuna do Norte

Menina de 4 anos que desapareceu em região de mata é encontrada em MG

Foto: CBMG/Divulgação

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais resgatou, por volta das 14h deste sábado (31), a menina Alice Maciel Lacerda Lisboa, de 4 anos, que havia desaparecido na última quinta-feira (29), em uma área de mata no povoado de Bituri, em Jeceaba, região metropolitana de Belo Horizonte.

Ela foi localizada por voluntários locais que integravam a força-tarefa formada por bombeiros, policiais civis e militares, agentes da Defesa Civil e moradores da região. Após avistada, o Corpo de Bombeiros foi avisado e resgatou a menina.

A corporação publicou nas redes sociais uma imagem de Alice Maciel nos braços de um dos socorristas. “Após 48 horas de buscas, a menina Alice foi encontrada com vida”, diz uma bombeira na publicação.

Logo após o resgate, ela foi encaminhada para atendimento hospitalar. Segundo os bombeiros, a criança foi encontrada bem, com sinais vitais preservados e algumas marcas de capim pelo corpo.

“Logo estará junto a seus familiares”, diz uma socorrista.

Desaparecimento

Quase 40 militares dos bombeiros chegaram a participar da operação de busca, iniciada na tarde de quinta-feira. As buscas contaram também com drones de varredura e câmeras térmicas. Os bombeiros classificaram a região de busca como uma mata de difícil acesso.

Durante a campanha de busca, a família informou que a menina tem o transtorno do espectro autista (TEA) não verbal e não sabe se comunicar, além de precisar tomar medicamentos controlados.

Amber Alert

Uma campanha de divulgação foi compartilhada pelas redes sociais. O Ministério da Justiça e da Segurança Pública acionou a rede Amber Alert – voltada para o desaparecimento de pessoas – para divulgar alertas em busca do paradeiro de Alice.

A plataforma foi desenvolvida nos Estados Unidos e integra as polícias civil de todo o país com a Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp.

Quando uma criança desaparece ou é sequestrada, o sistema é ativado, e um comunicado é encaminhado às plataformas da Meta para publicar o comunicado no raio de até 160 quilômetros do local do fato ocorrido.

Tribuna do Norte

Veja como checar dados oficiais sobre a saúde financeira do seu banco

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Com a liquidação de instituições financeiras pelo Banco Central (BC) desde o fim de 2025, notícias e rumores sobre a saúde de bancos passaram a circular com mais frequência, nem sempre com informações corretas. Para o consumidor e o investidor, saber diferenciar alertas reais de fake news é essencial para proteger seu dinheiro e tomar decisões seguras.

Existem ferramentas oficiais, indicadores públicos e sinais objetivos que permitem avaliar a situação financeira de um banco em funcionamento no Brasil. Nem toda notícia alarmista sobre instituições financeiras é verdadeira. 

Antes de agir por medo, o consumidor deve consultar fontes oficiais, analisar indicadores e desconfiar de promessas exageradas. A informação de qualidade continua sendo a melhor defesa contra boatos e prejuízos.

Confira o passo a passo para conferir se uma notícia negativa procede ou se é apenas desinformação.

1. Consulte se o banco é autorizado pelo Banco Central

O primeiro passo é verificar se a instituição é autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil.

Isso pode ser feito no site do BC, no caminho: Meu BC → Serviços → Encontre uma instituição.

Bancos não autorizados não podem operar no sistema financeiro nacional.

2. Use bases oficiais de dados

Três tipos de plataforma concentram informações confiáveis:

Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN), do Banco Central: na mesma página do serviço Encontre uma Instituição, com o seguinte caminho: digitar o nome da instituição  → clicar no resultado → clicar em Central de Demonstrações Financeiras;

Site Banco Data:  organiza dados financeiros de forma acessível, com esquemas visuais e cores (verde, laranja e vermelho) para indicar o risco de cada indicador;

Site de Relações com Investidores (RI) de cada instituição: cada instituição autorizada pelo BC é obrigada a manter uma página de relação com investidores, com todas as informações financeiras e com resumos de fácil leitura. Caminho: digitar em qualquer site de busca o nome da instituição + RI.

Esses sistemas permitem analisar balanços, resultados e indicadores de risco.

3. Avalie os principais indicadores de solidez

Índice de Basileia: mede a relação entre capital próprio e riscos assumidos.

       >> Mínimo exigido no Brasil: 11% para instituições em geral, 13% para bancos cooperativos;

       >> Índice confortável: acima de 15%;

       >> Um índice de Basileia 11% significa que, para cada R$ 100 emprestados, a instituição tem 11% de recursos próprios (dos sócios e dos acionistas);

       >> Quanto maior, mais capacidade o banco tem de absorver perdas.

Lucro líquido recorrente: lucros consistentes ao longo do tempo indicam boa gestão.

Inadimplência da carteira de crédito: percentual de empréstimos vencidos há mais de 90 dias. Índices elevados são sinal de risco.

Índice de imobilização: mostra quanto do capital está preso em ativos fixos (como imóveis que não podem ser vendidos em momentos de crise); valores altos reduzem a liquidez.

Rating de crédito: notas atribuídas por agências como Moody’s, S&P e Fitch. Rebaixamentos sucessivos acendem o alerta. No caso do Banco Master, no entanto, várias agências atribuíam nota alta e risco baixo à instituição.

4. Verifique a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos

Para quem investe, é fundamental confirmar se o banco é coberto pelo FGC, que garante até R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), com teto global de R$ 1 milhão pago a cada quatro anos.

O FGC cobre os seguintes recursos e investimentos:

Contas correntes e poupança;

CDB e RDB;

Letras financeiras dos seguintes tipos: LCI, LCA, LC, LH, LCD;

Depósitos a prazo;

Operações compromissadas com títulos elegíveis.

Em caso de liquidação, o FGC é o caminho para recuperar os valores dentro do limite.

Recursos e investimentos não cobertos pelo FGC:

CRI e CRA;

Debêntures;

Letras financeiras dos seguintes tipos: LF, LI, LIG; 

Títulos públicos, porque esses papéis são cobertos pelo Tesouro Nacional;

Títulos de capitalização;

Fundos de renda fixa: em caso de quebra, têm CNPJ separado da instituição e podem ir para outro gestor;

Depósitos no exterior;

Depósitos judiciais.

O correntista deve estar ciente de que perderá esses valores em caso de quebra da instituição.

5. Desconfie de rentabilidade fora do padrão

Bancos pequenos oferecem taxas maiores que bancos grandes e de baixo risco;

Bancos em dificuldade podem oferecer taxas muito acima da média do mercado para captar recursos rapidamente;

Retornos extraordinários quase sempre vêm acompanhados de maior risco;

No caso de CDBs, a taxa máxima recomendada está em 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O Banco Master oferecia taxas de 140% do CDI.

6. Fique atento aos sinais de alerta

Não é possível prever com exatidão se um banco será liquidado, mas alguns indícios ajudam:

Queda contínua do Índice de Basileia;

Prejuízos recorrentes nos balanços;

Rebaixamento de rating;

Notícias sobre investigações ou intervenção;

Ofertas agressivas de captação;

Entrada em regimes especiais do Banco Central, como o Regime de Administração Especial Temporária (RAET).

No caso do Will Bank, liquidado recentemente, o Índice de Basileia estava negativo em 5,3% em junho de 2024. O Índice de Imobilização estava negativo em 1,9% na mesma data, mesmo com lucro líquido de R$ 55,5 bilhões.

7. Compare com investimentos mais seguros

Para reduzir riscos, especialistas destacam:

Tesouro Direto: risco de crédito considerado o menor do país;

CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos, com alta solidez e proteção do FGC.

Tribuna do Norte

Novos arquivos de Epstein expõem Trump, Musk, Bill Gates e outros poderosos

Donald Trump em encontro com Jeffrey Epstein | Foto: Arquivo NBC

A divulgação de novos arquivos de Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sexta-feira, 30, lança nova luz sobre os relacionamentos do financista condenado por crimes sexuais com o presidente dos EUA, Donald Trump, e poderosos como Elon Musk, Bill Gates e o secretário de Comércio Howard Lutnick. O maior lote de arquivos de Epstein divulgado até hoje inclui mais três milhões de páginas de documentos e milhares de vídeos e imagens.

A nova divulgação também contém um número significativo de denúncias não corroboradas feitas às autoridades policiais e mostram o quanto os investigadores sabiam a respeito dos abusos de Epstein contra meninas menores de idade quando decidiram não indiciá-lo por acusações federais há quase duas décadas.

Os arquivos aparentemente continham pelo menos 4,5 mil documentos que mencionavam o presidente Trump. Um deles era um resumo elaborado por autoridades do FBI, a polícia federal americana, com base em mais de uma dúzia de denúncias do público envolvendo Trump e Epstein.

Não está claro por que os investigadores prepararam o resumo, que inclui acusações de abuso sexual contra Epstein e Trump.

Os e-mails não continham nenhuma evidência corroborativa e resumiam as denúncias enviadas ao Centro Nacional de Operações contra Ameaças do FBI na Virgínia Ocidental, que recebe um grande volume de ligações de todo o país e permite que cidadãos enviem informações sobre crimes à agência.

Trump nega qualquer irregularidade em conexão com Epstein. Em resposta a um pedido de comentário do The New York Times, a Casa Branca remeteu a uma declaração pública do Departamento de Justiça, afirmando que os documentos divulgados na sexta-feira “podem incluir imagens, documentos ou vídeos falsos ou obtidos de forma fraudulenta”.

Entre os documentos, consta uma denúncia anônima que acusa Trump de abuso sexual. Na denúncia, feita por um contato anônimo ao FBI, uma mulher relatou que uma amiga “de 13 ou 14 anos” foi forçada a fazer sexo oral em Trump.

Todd Blanche, o vice-procurador-geral dos EUA, afirmou na sexta-feira que a Casa Branca não teve envolvimento na revisão dos documentos de Epstein e que não havia material nos arquivos que justificasse acusações formais contra Trump.

Segundo a denunciante, sua amiga relatou ter mordido o pênis de Trump, riu da situação e foi agredida pelo então empresário.

O episódio teria acontecido em New Jersey, mas não há informações sobre quando. A mulher fala que o caso aconteceu “há 35 anos”, mas a data da denúncia não está especificada no documento.

Segundo o arquivo, a denúncia foi encaminhada para outras instâncias da investigação, mas não especifica os desdobramentos Outros episódios narrados aos investigadores são elencados pelo documento como “não críveis”.

Em outro e-mail das novas divulgações, datado de maio de 2016, quando Trump era pré-candidato à presidência, Epstein conversa com a advogada Kathy Ruemmler, que trabalhou na Casa Branca entre 2011 e 2014 no governo de Barack Obama.

Na conversa, Epstein menciona a ela a acusação de uma das meninas aliciadas por ele e Ghislaine Maxwell, dizendo que teria tido relações com Trump quando era menor de idade, na casa do financista.

A mensagem dá a entender que Trump estaria sendo contatado pela defesa das vítimas. A advogada responde com uma sugestão de declaração, ressaltando a relação profissional do republicano com Epstein.

Posteriormente, o caso não foi levado adiante. Ao longo do sábado, o presidente norte-americano não comentou as divulgações.

Bill Gates

De acordo com as divulgações de sexta-feira, Epstein redigiu notas para e sobre Bill Gates, o bilionário cofundador da Microsoft, sugerindo que ele mantinha relações sexuais extraconjugais. Epstein enviou os e-mails de julho de 2013 para si mesmo. Não está claro se Epstein chegou a enviá-los para Gates.

Um representante da Fundação Gates afirmou que “as alegações – vindas de um mentiroso comprovadamente ressentido – são absolutamente absurdas e completamente falsas”. “A única coisa que esses documentos demonstram é a frustração de Epstein por não ter um relacionamento contínuo com Gates e os extremos a que ele chegaria para armar uma cilada e difamá-lo”, disse.

Epstein escreveu as mensagens sobre Gates pouco depois de sua tentativa de intermediar um empreendimento entre a fundação de Gates e o JPMorgan Chase ter fracassado, privando Epstein do que ele esperava ser uma fonte de renda abundante.

Em um dos e-mails de Epstein, escrito no estilo de um diário, o criminoso sexual condenado escreveu que ajudou Gates a adquirir drogas “para lidar com as consequências do sexo com garotas russas” e que facilitou encontros de Gates com mulheres casadas

Em outro e-mail, Epstein criticou duramente Gates por escolher “desconsiderar e descartar nossa amizade construída” ao longo de seis anos. Ele acusou Gates de abandoná-lo para preservar sua reputação.

Em uma entrevista de 2021 com Anderson Cooper, da CNN, Gates chamou seu relacionamento com o financista de “um grande erro”. E também tentou minimizar suas interações com o financista, dizendo que jantou com ele diversas vezes na esperança de conseguir doações para a Fundação Gates.

O relacionamento de Gates com Epstein – que começou por volta de 2011, depois que Epstein foi condenado por aliciar uma menor para prostituição – foi um dos fatores que levaram sua ex-mulher, Melinda French Gates, a pedir o divórcio.

Em um e-mail de 2013, repleto de erros de digitação, Epstein escreveu que havia decidido renunciar ao seu cargo na Fundação Gates e no BG3, um think tank também fundado por Gates, por estar “envolvido em grave disputa conjugal entre Melinda e Bill” – e que Gates havia pedido que ele participasse “de coisas que variavam do moralmente inapropriado ao eticamente questionável”, que “potencialmente ultrapassavam os limites da ilegalidade”.

Britânico

Outra troca de e-mails de 2013, dessa vez entre Richard Branson, o bilionário britânico, e Epstein, sugere que os dois tinham uma relação calorosa e familiar, construída ao menos em parte em torno do interesse por mulheres. Em um e-mail de 11 de setembro de 2013, Branson, fundador do Virgin Group, escreveu a Epstein: “Foi muito bom vê-lo ontem… Sempre que estiver pela região, adoraria vê-lo. Desde que você traga o seu harém!”

Um representante do Virgin Group disse que Branson enviou o e-mail depois de receber Epstein em uma reunião de negócios na ilha particular que o britânico possui. “Richard acredita que as ações de Epstein foram abomináveis e apoia o direito à justiça para suas muitas vítimas.” *COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Estadão Conteúdo

Compra de máquinas agrícolas e veículos lideram liberação de emendas em 2025

Foto ilustrativa: Michel Alvim

A liberação de dinheiro público para a compra de máquinas e equipamentos agrícolas e veículos de tração mecânica, além dos repasses a instituições de caráter assistencial, cultural e educacional, foi a maior das emendas parlamentares do Orçamento de 2025, conforme os gastos descritos no sistema do governo federal.

O Poder Executivo empenhou, por decisão dos deputados e senadores, R$ 1,04 bilhão para a compra de máquinas e equipamentos agrícolas e rodoviários. Outros R$ 898,75 milhões foram reservados para a compra de veículos de tração mecânica. Os congressistas também destinaram R$ 1,24 bilhão para instituições privadas de caráter assistencial, cultural e educacional, mas não há divisão clara sobre essa distribuição.

O empenho desses recursos não significa o pagamento efetivo dessas despesas. Apenas R$ 360 milhões foram pagos às instituições mencionadas. O pagamento para máquinas e equipamentos agrícolas foi de R$ 38,1 milhões, e para veículos de tração mecânica, de R$ 17 milhões.

Esses gastos ajudam a esclarecer as preferências dos deputados e senadores, que privilegiam gastos correntes e investimentos de curto prazo em detrimento de investimentos de longo prazo.

Especialistas ouvidos pelo Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) avaliam que a prevalência desses gastos evidencia uma estratégia eleitoral que busca apresentar soluções de curto prazo aos municípios. Com isso, investimentos que não oferecem retorno eleitoral imediato acabam ficando em segundo plano.

O Broadcast Político utilizou dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) para analisar como os recursos das emendas parlamentares foram aplicados em 2025.

Os empenhos descritos pelo governo somam cerca de R$ 7,25 bilhões, abrangendo desde a compra de máquinas e equipamentos agrícolas até a manutenção de bens imóveis e máquinas e equipamentos energéticos. Desse total, apenas R$ 1,56 bilhão foi efetivamente pago no ano passado. O restante ficou reservado para pagamento nos próximos anos.

A maior aplicação de recursos foi por meio de transferência direta aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios. A maior parte dos repasses foi feita por meio de transferências fundo a fundo, modalidade em que o governo transfere o dinheiro de um fundo federal, como o Fundo Nacional de Saúde (FNS), para um fundo estadual ou municipal. Foram R$ 21,97 bilhões enviados aos municípios dessa forma e R$ 3,4 bilhões aos Estados.

As prefeituras e governos estaduais receberam mais alguns bilhões em transferência direta para o caixa público: R$ 11,68 bilhões foram repassados aos municípios e R$ 2,48 bilhões aos Estados.

As transferências de fundo a fundo são feitas pelo Fundo Nacional de Saúde, pelo Fundo Nacional de Assistência Social, pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador, pelo Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente e pelo Fundo Nacional do Idoso. A maioria, no entanto, é pelo FNS. Do total de R$ 26 bilhões de transferências fundo a fundo, R$ 25,33 bilhões foram por meio do fundo gerido pelo Ministério da Saúde.

Estratégia eleitoral

Segundo o professor de Ciência Política da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Antônio Carvalho Teixeira, as aplicações para máquinas e equipamentos agrícolas, além dos repasses a instituições de caráter assistencial, cultural e educacional, mostram uma estratégia eleitoral dos parlamentares, onde soluções de curto prazo para os municípios são privilegiadas em busca de consolidar um eleitorado para as próximas eleições.

“Você entrega isso direto para o eleitor, para o cliente, para o cidadão, para a organização, chame como quiser. Obviamente, isso consolida ainda mais a lealdade eleitoral de quem está recebendo para com quem doa, e isso deixa na posição de quem doa como sendo alguém indispensável de permanecer no sistema político, porque vai ser o parlamentar que vai continuar escoando o recurso que pessoas e organizações querem”, disse.

Na análise de Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper, a preferência por soluções rápidas gera a perpetuação de desafios que os municípios enfrentam, cuja superação depende de investimentos a longo prazo. “É um interesse imediato eleitoral e não de um pensamento mais planejado e mais pautado em critérios técnicos para esse gasto”, disse.

“Isso afeta a realidade dos municípios no momento em que os municípios, por vezes, têm necessidades muito maiores, que demandam estudos e projetos de planejamento. Atacar esses problemas simplesmente com emendas parlamentares sem critérios técnicos para esse gasto público pode condenar os municípios a perpetuarem esses problemas, essas demandas, essas carências”, afirmou Consentino.

Estadão Conteudo

Gestão Allyson pagou R$ 14,2 milhões, entre 2021 e 2025, a empresas alvos de investigação da PF

Operação Mederi investiga desvios e fraudes na área da saúde | Foto: Divulgação

A Prefeitura de Mossoró pagou R$ 14,2 milhões a empresas investigadas na Operação Mederi, da Polícia Federal, entre os anos de 2021 e 2025. A decisão judicial que autorizou medidas cautelares na investigação apura indícios de irregularidades em contratos na área da saúde em cinco municípios potiguares, e aponta que Mossoró é a principal remetente de recursos à empresa Dismed no período analisado.

Dados extraídos do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) mostram que os valores pagos pelo município à Dismed, entre 2021 e 2025, somam R$ 13,6 milhões. O pico dos envios ocorreu em 2024, quando os repasses chegaram a quase R$ 6 milhões. A investigação também classifica Mossoró como o Município que mais enviou recursos à Drogaria Mais Saúde em 2025, ao destinar R$ 684,1 mil. Com isso, o volume de recursos movimentados entre 2021 e 2025 com as duas empresas alcança a cifra de R$ 14,2 milhões.

Na edição de quinta-feira (29), a TN revelou que o dano mínimo das supostas fraudes aos cofres públicos das cinco prefeituras investigadas é estimado em R$ 13,3 milhões — valor já bloqueado pela Justiça. Desse montante, a maior parte, R$ 9,5 milhões, foi bloqueada cautelarmente em Mossoró.

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Os repasses à Dismed cresceram de forma progressiva ao longo dos anos. Em 2021, os pagamentos somaram R$ 143.895,00. Em 2022, o valor subiu para R$ 1.274.671,80. No ano seguinte, 2023, os repasses alcançaram R$ 3.401.155,73. O maior volume foi registrado em 2024, quando a Prefeitura de Mossoró pagou R$ 5.864.704,79 à empresa. Já em 2025, mesmo antes do encerramento do exercício, os pagamentos identificados chegam a R$ 2.920.640,16.

“O volume de recursos públicos envolvidos, somado ao volume de dinheiro em espécie sacado pelas empresas, por si só, já constituiria circunstância digna de suspeita acerca da licitude da relação mantida com o ente municipal”, diz trecho do documento ao qual a reportagem da TRIBUNA DO NORTE teve acesso.

Para os apuradores, a suspeita de irregularidade na movimentação de recursos entre Município e empresa é reforçada “pela proximidade política entre OSEAS MONTHALGGAN, sócio da DISMED, e ALLYSON BEZERRA (prefeito municipal de Mossoró)”.

Nesse trecho, a investigação apresenta um print da rede social de Oseas Monthalggan, onde ele publicou uma foto ao lado de Allyson com a legenda: “Hoje quero parabenizar a esse prefeito, que na minha concepção um dos melhores do Brasil! Ele também veio pra somar, acredita no nosso projeto”. Allyson responde: “Muito obrigado pela lembrança, meu amigo!”. Monthalggan foi candidato a prefeito em Upanema pelo MDB e recebeu 3.181 votos. Ele foi derrotado por Renan Mendonça Fernandes (PP).

Interface gráfica do usuário, Aplicativo, Teams

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Foto: Reprodução/Instagram

A decisão destaca que o volume de recursos públicos envolvidos, aliado a outros elementos colhidos no curso da investigação — como pagamentos por produtos não entregues, aquisição de medicamentos em quantidades incompatíveis com o consumo e compras com prazo de validade reduzido —, foi considerado suficiente para justificar o aprofundamento das apurações e a adoção de medidas cautelares.

Os autos ressaltam ainda que as conclusões apresentadas se baseiam em elementos indiciários levantados pelas autoridades policiais e de controle, no âmbito de uma investigação em curso, não representando juízo definitivo sobre a ocorrência de crimes ou responsabilidade individual de agentes públicos ou empresas envolvidas.

A Operação Mederi investiga contratos firmados por prefeituras do Rio Grande do Norte com empresas fornecedoras de medicamentos e insumos de saúde, com foco na aplicação de recursos públicos federais repassados aos fundos municipais de saúde em cinco cidades: Mossoró, Paraú, São Miguel, Serra do Mel e José da Penha. As apurações continuam em andamento.

Valores pagos por Mossoró a Dismed

Gráfico, Gráfico de barras

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Foto: Reprodução

2021: R$ 143.985,00
2022: R$ 1.274.671,80
2023: R$ 3.401.155,73
2024: R$ 5.864.704,79
2025: R$ 2.920.640,16

Total: R$ 13.605.158,48

Valores pagos a Drogaria Mais Saúde em 2025

Linha do tempo

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Foto: Reprodução

Mossoró: R$ 648.128,68
Dix-Sept Rosado: R$ 248.010,02
Triunfo Potiguar: R$ 182.100,16
Serra do Mel: R$ 110.346,56
Paraú: R$ 103.751,45
Fernando Pedrosa: R$ 63.258,91
Martins: R$ 38.991,50
Angicos: R$ 19.279
Jardim do Seridó: R$ 382,98

Fonte: PF/CGU/TCE-RN

A “Matemática de Mossoró”

Para além do volume financeiro, a decisão judicial detalha o funcionamento interno do suposto esquema, descrito nas investigações como a “Matemática de Mossoró”. O termo refere-se, segundo a investigação, a uma suposta reserva fixa de valores ilícitos dos contratos de medicamentos e falado pelos próprios investigados, conforme diálogos gravados ao longo do inquérito.

De acordo com diálogos interceptados na sede da Dismed e relatórios da Polícia Federal, o grupo operava com uma margem de 25% de retorno sobre o faturamento. A partilha desse percentual era segmentada em várias frentes, dentre as quais: 15% seriam destinados a um agente identificado nas conversas como “Allyson” — que a investigação associa ao prefeito Allyson Bezerra devido ao contexto e à proximidade com os empresários — e 10% seriam direcionados a uma segunda pessoa, referida apenas como “Fátima”.

A investigação ilustra o suposto esquema com um exemplo usado pelos alvos da operação. “Como visto acima, um dos diálogos mais relevantes captados durante a interceptação ambiental diz respeito à divisão de dinheiro, oriundo de pagamentos da Prefeitura de Mossoró. Ao descreverem esta divisão, os seus locutores a denominam de ‘Matemática de Mossoró’”, apontam os investigadores.

Etapas da Matemática de Mossoró, conforme diálogos colhidos pela PF:

“MOSSORÓ tem uma Ordem de Compra de quatrocentos mil (R$ 400.000,00).”

“Desses quatrocentos, ele entrega duzentos (R$ 200.000,00)!”

“Dos duzentos ele vai e pega trinta por cento (30%), sessenta (R$ 60.000,00), então aqui ele comeu sessenta (R$ 60.000,00)!”

“Fica cento e quarenta (R$ 140.000,00) pra ele entregar cem por cento (100%).”

“Setenta com sessenta é meu, cento e trinta (R$ 130.000,00).”

“Só que dos cento e trinta nós temos que pagar cem mil (R$ 100.000,00) a ALLYISON e FÁTIMA, que é dez por cento (10%) de FÁTIMA e quinze por cento (15%) de ALLISSON.”

“Só ficou trinta mil (R$ 30.000,00) pra a empresa!”

Diagrama

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Foto: Reprodução

A engrenagem do suposto esquema em Mossoró contava, segundo a decisão, com “contatos de confiança” dentro da estrutura administrativa. A investigação reforça que a operação não poderia acontecer sem a participação ativa ou omissão deliberada de vários servidores da pasta.

Em nota, a defesa de Allyson Bezerra afirmou que não há elementos que vinculem pessoalmente o prefeito às irregularidades investigadas. Segundo os advogados, o mandado foi deferido com base em diálogos envolvendo terceiros e não resultou em qualquer medida restritiva ao gestor.

“A investigação envolve contratos firmados entre municípios e empresas fornecedoras de medicamentos, em diferentes entes municipais, e não se confunde com a atuação pessoal do prefeito de Mossoró”, diz o texto. A defesa ressaltou ainda que Allyson colaborou desde o primeiro momento com as autoridades.

O prefeito de Mossoró ressaltou que, ainda em 2023, editou um decreto municipal determinando que todos os medicamentos distribuídos pela Prefeitura de Mossoró passassem obrigatoriamente pelo Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica (Hórus), plataforma federal de controle e rastreamento de insumos.

Tribuna do Norte

Embaixadora dos EUA chega à Venezuela para reabrir missão diplomática após sete anos

Foto: Reprodução/Redes sociais

A embaixadora dos Estados Unidos, Laura Dogu, chegou a Caracas no sábado (31) para reabrir a missão diplomática americana na Venezuela após sete anos de relações rompidas. A medida ocorre quase um mês após uma ação militar ordenada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, destituir o então líder Nicolás Maduro do cargo.

“Minha equipe e eu estamos prontos para trabalhar”, disse Dogu em uma mensagem postada pela conta da Embaixada dos EUA na Venezuela no X. Também foram postadas fotos dela ao desembarcar no aeroporto de Maiquetia.

A Venezuela e os Estados Unidos romperam relações diplomáticas em fevereiro de 2019 em uma decisão de Maduro e fecharam suas embaixadas mutuamente depois que Trump deu apoio público ao parlamentar Juan Guaidó em sua reivindicação de ser o presidente interino da nação em janeiro daquele ano.

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, um dos políticos mais poderosos da Venezuela e leal a Maduro, disse no início de janeiro que a reabertura da embaixada dos EUA daria ao governo venezuelano uma maneira de supervisionar o tratamento do presidente deposto, que está preso nos EUA.

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, publicou uma mensagem no Telegram dizendo que a chegada de Dogu faz parte de um cronograma conjunto para “lidar e resolver as diferenças existentes através do diálogo diplomático, com base no respeito mútuo e no direito internacional”.

Dogu, que também foi embaixadora na Nicarágua e em Honduras, chegou à Venezuela um dia após a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, anunciar um projeto de lei de anistia para libertar prisioneiros políticos. Essa medida foi uma das principais demandas da oposição venezuelana.

Estadão Conteudo

sábado, 31 de janeiro de 2026

Setores apontam gargalos que limitam crescimento do PIB do RN em 2026

O setor de serviços, que atualmente responde por 75% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) estadual, deve manter a boa escalada de expansão em 2026 | Foto: Adriano Abreu

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte em 2026 deve ser limitado por gargalos estruturais que freiam um desempenho mais robusto das atividades econômicas do Rio Grande do Norte, conforme avaliam representantes dos principais setores da economia potiguar. Entraves como dificuldades logísticas, restrições de crédito, insegurança hídrica e limitações na infraestrutura, além de projeções pessimistas associadas à indústria extrativa ajudam a explicar a projeção de expansão “moderada” do PIB estadual, estimada entre 1,1% e 2,3% pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec-RN). Para o país, conforme a Resenha Regional do Banco do Brasil, o crescimnento do PIB deve ser de 1,7%, e o do Nordeste, de 1,3%.

Segundo Pedro Albuquerque, gerente do Observatório Mais RN, da Federação das Indústrias do Estado (Fiern), “o cenário de 2026 não é mais favorável do que aquele observado nos anos anteriores” para o PIB do estado. Para efeito de comparação, ele cita que o dado mais recente publicado pelo IBGE para variação do Produto Interno Bruto dos estados brasileiros mostra um crescimento de 2,9% no Nordeste e de 4,2% no Rio Grande do Norte em 2023.

“As projeções para este ano, neste sentido, apontam uma diminuição da intensidade deste avanço”, analisa Pedro Albuquerque. Como gargalo para a indústria, o gerente do Observatório Mais RN cita aspectos relacionados ao licenciamento ambiental e à baixa previsibilidade regulatória, além de questões de infraestrutura.

“A modernização dos processos de licenciamento, com maior transparência, digitalização, padronização de procedimentos e definição clara de prazos, é fundamental para criar um ambiente mais estável e confiável ao setor produtivo”, explica.

“Na infraestrutura, as limitações logísticas continuam sendo um fator crítico. A precariedade de rodovias estratégicas que conectam municípios e regiões produtoras, a ausência de uma malha ferroviária funcional e a baixa capacidade portuária para movimentação de grandes volumes elevam os custos de transporte e reduzem a eficiência das cadeias produtivas”, acrescenta Albuquerque.

Para o setor de serviços, de acordo com o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio RN), Marcelo Queiroz, há três obstáculos centrais: acesso ao crédito, disponibilidade de trabalhadores e logística. “A restrição ao financiamento, decorrente do patamar elevado dos juros, afeta o segmento em todo o país, assim como a falta de mão de obra, resultado do baixo desemprego e da diminuição do contingente de jovens em idade produtiva, reflexo de transformações demográficas”, disse Queiroz.

Para ele, no RN, em especial, as dificuldades logísticas são mais acentuadas do que na média nacional, em razão da precariedade das rodovias estaduais e da limitada oferta de conexões aéreas e marítimas.

Na agropecuária, segundo José Vieira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), os principais gargalos são insegurança hídrica em determinadas regiões, custos elevados de produção, deficiências logísticas, especialmente nas estradas vicinais, burocracia ambiental e sanitária e limitações no acesso ao crédito, sobretudo para pequenos e médios produtores.

“A superação desses entraves passa por investimentos consistentes em infraestrutura hídrica e logística, modernização dos instrumentos de crédito rural, fortalecimento da defesa agropecuária e maior racionalidade regulatória, medidas que cabem ao governo, uma vez que é do Executivo o papel criar um ambiente favorável à produção e ao investimento”, afirma Vieira.

Homem olhando para o lado

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José Vieira, presidente da Faern | Foto: Magnus Nascimento

Setor de serviços puxará crescimento

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec), as estimativas mínima, (mais conservadora) e a máxima (mais otimista) incorporam diferentes cenários para a atividade econômica estadual e refletem, de forma integrada, o desempenho esperado dos principais setores produtivos e o ambiente macroeconômico vigente. Os serviços, que atualmente respondem por 75% do PIB estadual, devem manter a boa escalada de expansão em 2026, na contramão de outros segmentos importantes para o PIB, mas que terão desempenho mais tímido.

De acordo com a Fecomércio RN, em 2025 o setor de serviços registrou crescimento superior a 3%, impulsionado sobretudo pelo turismo, que avançou mais de 5% no estado em termos reais, já com o efeito inflacionário descontado. Além do turismo, outras atividades importantes do setor no Rio Grande do Norte, conforme a Fecomércio, são educação, call center, facilities (limpeza, portaria, jardinagem, segurança e manutenção), saúde, alimentação, RH, transporte e alojamento.

“De fato, o segmento de serviços tende a manter sua trajetória de expansão em 2026, garantindo por mais um exercício o avanço da economia estadual, ao lado do comércio. A continuidade do baixo nível de desemprego, a criação de postos formais, a elevação da renda, além da redução dos juros e da inflação, devem favorecer o desempenho dessas atividades ao longo deste ano”, disse Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio-RN.

Homem com óculos de grau

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Marcelo Queiroz (Fecomércio) | Foto: Magnus Nascimento

Como desafios para o PIB do RN em 2026, a Sedec cita “efeitos adversos” associados à indústria extrativa – de modo especial, a retração da atividade de petróleo. A indústria representa 20% do PIB estadual. Pedro Albuquerque, do Observatório Mais RN, afirma que a participação do setor para formação da projeção do PIB 2026 é de baixo impacto, visto que há previsão de crescimento de apenas +0,5%. “É um índice diretamente relacionado aos desafios da expansão do petróleo e gás, conforme observado pela Pesquisa Industrial Mensal do IBGE 2025”, aponta Albuquerque.

Na agropecuária, que responde por 5% do PIB estadual, a Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern) projeta um desempenho “moderadamente positivo”, com melhores perspectivas concentradas na fruticultura irrigada, na pecuária e na aquicultura, especialmente a carcinicultura.

“Essas projeções dependem de condições climáticas minimamente favoráveis, estabilidade macroeconômica, acesso ao crédito em condições adequadas, manutenção e ampliação de mercados, sobretudo externos e um ambiente regulatório previsível”, frisa José Álvares Vieira, presidente da Faern.

Projeção local segue estimativas moderadas do País

As projeções da Resenha Regional do Banco do Brasil mostram que, no Nordeste, a Paraíba deve ser o estado com maior crescimento do PIB em 2026, com mínima de 3,6%, enquanto Pernambuco deverá ter a menor expansão (0,4%). A estimativa para o RN (1,1%) coloca o estado com o quinto maior índice da região, atrás do Ceará (1,2%), Maranhão (2,5%) e Piauí (3,5%), além da PB. Juntamente com Pernambuco, Sergipe (1,0%), Alagoas (0,9%) e Bahia (0,5%) são as unidades federativas do Nordeste que podem ter desempenho abaixo do previsto para o Rio Grande do Norte.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, Alan Silveira, explicou que a projeção mínima para o estado está alinhada às estimativas mais moderadas de crescimento da economia brasileira e regional. Já a projeção mais otimista, segundo ele, incorpora um cenário condicional, no qual se pressupõe um desempenho mais favorável da atividade econômica estadual, especialmente nos setores de serviços e indústria, que concentram a maior parcela do PIB estadual.

“Para que o Rio Grande do Norte se aproxime do limite superior da faixa de crescimento projetada, será fundamental o fortalecimento de um conjunto integrado de políticas públicas que dinamizem a atividade produtiva e seja capaz de inserir de maneira competitiva o estado nos mercados nacional e internacional”, falou o secretário.

Ele citou também que o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi) se destaca como um instrumento de estímulo à produção local, podendo compensar desafios para a expansão do PIB local, juntamente com ações voltadas à melhoria do ambiente de negócios, à desburocratização, à segurança jurídica e à atração de investimentos.

“Um elemento adicional e estratégico nesse contexto é o Programa RN + Exportação, que tem o objetivo ampliar a presença das empresas potiguares no comércio exterior. Ao estimular a internacionalização das empresas locais, o programa contribui para o aumento da produtividade, a geração de emprego e renda e o fortalecimento dos setores industrial e de serviços, com efeitos diretos sobre o crescimento do PIB estadual”, definiu o secretário.

Tribuna do Norte

Bebê cai no chão durante parto em maternidade em Natal

Hospital Maternidade Araken Pinto | Foto: Magnus Nascimento

Um bebê caiu no chão durante o parto na Maternidade Dr. Araken Irerê Pinto, em Natal. O caso na madrugada da última sexta-feira (30), ocorreu durante o atendimento a uma gestante que deu entrada na unidade em trabalho de parto ativo, apresentando uma evolução rápida e atípica do trabalho de parto, conforme informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Segundo a SMS, a gestante foi acolhida com seis centímetros de dilatação e sem sinais de ruptura da bolsa amniótica, quadro considerado dentro da normalidade para a fase do trabalho de parto. A paciente recebeu atendimento imediato da equipe multiprofissional. No entanto, durante o deslocamento para a sala de parto, houve uma evolução súbita e atípica do quadro clínico, caracterizada como parto taquitócico, quando o nascimento acontece de forma acelerada.

Em nota, a secretaria explicou que “durante o deslocamento para a sala de parto, houve uma evolução súbita e atípica do quadro clínico, caracterizada como parto taquitócico (ou precipitado), situação em que o trabalho de parto progride de forma acelerada, culminando no nascimento durante o trajeto”. A mulher estava sendo deslocada em cadeira de rodas.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que, durante todo o período de acolhimento, a gestante esteve sob os cuidados da equipe assistencial e que todos os procedimentos pós-parto foram realizados com a mãe e o recém-nascido. Ainda de acordo com a pasta, o bebê passou por avaliação médica completa, incluindo tomografia e outros exames, não apresentando lesões ou sequelas, e segue em acompanhamento regular pelo serviço de saúde.

Tribuna do Norte

Editorial: ética pública como critério eleitoral

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O calendário eleitoral impõe ao eleitor uma tarefa que vai além da comparação de propostas e discursos. Em um ambiente institucional que voltou a ser marcado pela recorrência de investigações, operações policiais e questionamentos sobre a gestão de recursos públicos, a avaliação da conduta de quem disputa o voto torna-se um elemento central do processo democrático.

Nos últimos anos, multiplicaram-se episódios envolvendo suspeitas de irregularidades na administração pública. Operações policiais relacionadas ao uso de emendas parlamentares, apreensões de dinheiro em espécie e relações pouco transparentes entre agentes públicos e interesses privados deixaram de ser fatos isolados. Casos semelhantes surgem em diferentes estados e em diversos níveis de governo, indicando um padrão que merece atenção.

O episódio recente envolvendo a gestão de Mossoró, assim como o caso do Banco Master, inserem-se nesse contexto, independente dos valores eventualmente envolvidos. As conclusões jurídicas cabem às instâncias competentes, mas ao eleitor cabe evitar que a sucessão desses fatos produza a banalização. Quando situações dessa natureza se acumulam, o debate público tende a tratá-las como parte do funcionamento normal do sistema, reduzindo seu impacto e diluindo responsabilidades, gerando um ciclo que se retroalimenta.

Essa naturalização do desvio tem consequências diretas para a própria democracia. Enfraquece a confiança nas instituições, desestimula o controle social e reforça a percepção de que práticas questionáveis são toleradas desde que politicamente convenientes. Trata-se de um custo institucional elevado, frequentemente subestimado no debate eleitoral.

Em um ano em que estarão em disputa cargos estratégicos que vão da Presidência da República aos governos estaduais, passando pela escolha de senadores e deputados, critérios como moralidade administrativa, transparência e compromisso com o interesse público não devem ser tratados como acessórios. A trajetória dos candidatos, sua atuação diante de crises e sua relação com estruturas de poder devem ser elementos objetivos de avaliação por parte do eleitor.

Também merece atenção a forma como gestores estruturam suas equipes. Não basta a um gestor descentralizar as decisões como se assim sua responsabilidade fosse menor. A escolha de assessores e auxiliares é parte indissociável do exercício do poder. Quadros mal selecionados, sem critérios técnicos ou éticos consistentes, tendem a gerar instabilidade administrativa e ampliar riscos institucionais. Ainda que não haja responsabilização penal, há sempre uma responsabilidade política envolvida.

O voto não deve ser um gesto automático, nem deve estar submisso ao conformismo. Quanto maiores os questionamentos éticos, maior deve ser a atenção e o discernimento do eleitor. Avaliar comportamentos, e não apenas promessas, é uma condição necessária para preservar a integridade da vida pública e a credibilidade das instituições democráticas.

Tribuna do Norte