Tomba Farias: “Vou continuar defendendo os municípios”. Foto: EDUARDO MAIA
Deputados de oposição
prestaram solidariedade aos 167 municípios do Rio Grande do Norte por conta do
calote do governo do Estado, que corriqueiramente atrasa repasses de recursos
financeiros, obrigatoriamente previstos na Constituição.
Primeiro a levantar a questão no plenário da Assembleia Legislativa, o deputado
estadual Tomba Farias (PL) cobrou do governo Fátima Bezerra (PT) a imediata
regularização dos repasses constitucionais que, segundo a Federação dos
Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), estão em atraso. Antes a entidade
previa um débito de R$ 100 milhões. Mas teve atualização.
O deputado Tomba Farias relatou na sessão da terça-feira (7), disse que dívida
atualizada do Estado com as prefeituras já ultrapassa R$ 212 milhões,
envolvendo recursos do IPVA de R$ 50.403.479,63), mais R$ 95.014.192,25 de ICMS
e R$ 67.477.772,24 do Fundeb, que de acordo com a entidade municipalista,
pertencem aos municípios e deveriam ter sido transferidos regularmente.
“O dinheiro não pertence ao Governo do Estado. Pertence aos municípios. É um
direito assegurado pela Constituição”, declarou Tomba Farias, para quem os
atrasos comprometem diretamente a capacidade das prefeituras de manter serviços
essenciais.
Ele afirmou que a falta dos recursos afeta áreas como saúde, educação,
assistência social, infraestrutura e outras políticas públicas executadas pelos
municípios: “Os prefeitos não podem continuar administrando suas cidades sem
saber quando receberão recursos que lhes pertencem por direito. Nenhum gestor
merece viver essa insegurança financeira”.
Durante o discurso, o parlamentar questionou ainda a atuação política do grupo
governista diante da situação enfrentada pelos municípios.
“Como a governadora Fátima Bezerra e o seu pré-candidato ao governo do Estado,
Cadu Xavier, têm a coragem de percorrer interior pedindo apoio aos prefeitos e
o voto da população, enquanto os municípios enfrentam dificuldades por causa
desses atrasos?”, indagou.
Na avaliação do deputado, nenhuma campanha publicitária consegue esconder as
dificuldades vividas pelas administrações municipais. Segundo ele, os prefeitos
enfrentam diariamente o desafio de manter hospitais funcionando, escolas
abertas, medicamentos disponíveis e serviços públicos essenciais com recursos
insuficientes.
Tomba Farias manifestou solidariedade à Femurn aos 167 prefeitos, destacando
que a entidade cumpre seu papel ao defender os interesses das administrações
municipais.
“Vou continuar nesta tribuna defendendo os municípios, fiscalizando o
cumprimento das obrigações do Estado e lutando para que os recursos que
pertencem às cidades cheguem ao seu verdadeiro destino: melhorar a vida do povo
do Rio Grande do Norte”, adiantou.
Para Tomba Farias, o gestor municipal “não pode continuar administrando suas
cidades sem saber quando receberão o recurso que ele pertence de direitos.
Nenhum prefeito merece viver essa insegurança financeira provocada pela falta
de compromisso do Estado com as suas obrigações”.
O parlamentar também destacou o fato da Assembleia Legislativa ter aprovado,
recentemente, lei que vai obrigar o Estado a repassar os recursos dos
municípios em dia, como “garantia de que coisas como essa não vão mais
acontecer, sem falar em outras dívidas que aí se encontram, estamos apenas
falando da queixa e do grito da federação do município do estado do Rio Grande
do Norte. É preciso a responsabilidade que tenha que acontecer aqui nesta casa
para nos unirmos para que coisas como essa não aconteçam mais”.
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Coronel Azevedo: “Fátima é
inconfiável com o dinheiro alheio”. Foto:EDUARDO MAIA
Outros parlamentares solidarizaram-se com os municípios, como o deputado
Coronel Azevedo (PL): “Quando a Assembleia aprovou a lei para impedir o governo
Fátima de se apropriar do dinheiro dos municípios, alguns aqui até acharam
exagero, mas agora a verdade prevaleceu, a Assembleia Legislativa agiu
corretamente, os prefeitos tinham razão em desconfiar. Fátima Bezerra comprovou
que é inconfiável com o dinheiro alheio”.
Diante de um quadro desse, segundo Coronel Azevedo, “o caminho mais digno teria
sido a sua renúncia. Quem perde a confiança dos municípios perde a autoridade
para governar o Rio Grande do Norte”.
O deputado Luiz Eduardo (PL) disse que os repasses de recursos municipais “são
previstos no Pacto Federativo, na Constituição Brasileira e o governo Fátima
mais uma vez se apropriou de recursos indevidamente que é recursos que irão
ajudar os 167 municípios a cumprirem suas obrigações com fornecedores, suas
obrigações com servidores e com o fornecimento dos serviços essenciais à
população dos municípios do Rio Grande O Norte.
Para Luiz Eduardo, “mais uma vez, o governo Fátima passa o calote nos
municípios, como tem passado o calote no pagamento, no repasse das emendas
parlamentares dos deputados, como também tem passado o calote no repasse dos
consignados”.
Já o deputado estadual José Dias (PL) fez um comparativo com o governo Robinson
Faria (2025/2016), a quem Fátima Bezerra sucedeu: ”Não se faz acusação a
Robinson de ter usado ilegalmente recursos de terceiros, como dos municípios,
que são R$ 212 milhões atualizados e como dos precatórios que dá mais de R$ 400
milhões e como das nossas emendas que estão em mais de R$ 100 milhões, mas se
considerarmos os atrasados, esses dados devem chegar perto de R$ 200 milhões,
só eu tenho três anos atrasados”.
Tribuna do Norte

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