quarta-feira, 8 de julho de 2026

Aprovados no concurso da Polícia Civil cobram nomeação e curso de formação

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) enfrenta um déficit de 64,35% do total de profissionais previsto em lei, com 3,3 mil vagas em aberto. Foto: Divulgação

Aprovados no concurso da Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) protestaram nesta terça-feira (7), no Centro Administrativo, em Natal. O grupo cobrou a nomeação de 155 candidatos que já concluíram todas as etapas do concurso público, realizado em 2020, e o curso de formação para outros 90. O certame tem validade até outubro deste ano. O ato ocorreu após o Estado recorrer de decisão judicial que determinava o cumprimento dessas determinações.

A exigência de realização da formação foi mantida após recurso de agravo interposto pela Associação dos Delegados de Polícia Civil do RN (Adepol-RN). A decisão foi proferida nesta terça-feira (7). O Estado tem até esta quinta-feira (9) para convocar a turma do Curso de Formação Profissional.

Os demais aprovados, mesmo tendo concluído todas as etapas do concurso, não têm perspectiva de serem convocados ou têm de aguardar o julgamento da ação geral. A primeira decisão judicial ocorreu após a 6ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal determinar que o Estado adote medidas para recompor o efetivo da PCRN. A Justiça acatou ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual, em 25 de março.

A partir disso, foi emitida uma liminar com prazo de 30 dias (até 9 de julho) para cumprimento da decisão: nomeação da 3ª turma do Curso de Formação Profissional (T3) e realização do curso para a T4, além da realização de novo concurso até 2027. O Estado entrou com recurso, pedindo a suspensão da liminar e alegando, entre outros aspectos, limitações financeiras.

Rafaella Pérsico, da T3, formada para o cargo de escrivã, explica que o ato desta terça-feira visou “dar visibilidade e consciência da nossa causa para a sociedade”. “Temos dois pontos importantes: a nomeação da terceira turma, que são 155 formados que já fizeram o curso de formação e estão aptos a serem nomeados há cinco meses; e a convocação dos remanescentes do concurso”.

“Hoje, o juiz decidiu acatar o agravo interno para a convocação do novo curso de formação, que passa a voltar a contar o prazo”, conta ela. “Em relação à nomeação dos 155 formados, apesar de termos a decisão judicial, não temos mais a liminar, o que nos coloca em uma posição difícil”.

A realização do curso da T4 está mantida após recurso da Adepol-RN. Como a formação tem três meses e o concurso vence em outubro, o curso teria de ser realizado em breve para que os concursados não percam o processo. É o que explica Thalita Mendonça, aprovada como delegada.

“Já fizemos prova objetiva e discursiva [em 2021], teste de aptidão física, exame psicotécnico e investigação social. A T4 não pode esperar. Se ela não for convocada agora, a gente perde o concurso, e aí foi um desperdício com as etapas”, diz Thalita Mendonça.

Ela frisa que o curso está previsto no Plano Estratégico Institucional da Polícia Civil, de 2024 a 2027, como meta para o ano de 2026, e na Lei Orçamentária Anual.

Em nota, o Governo do RN afirma que está analisando a decisão judicial. O prazo antes previsto para esta quinta-feira (9) para a nomeação diz respeito à primeira decisão judicial sobre o assunto. “Houve nova decisão judicial, mas, até o meio-dia desta terça-feira (07), o Estado ainda não havia sido intimado oficialmente”, diz.

“O Governo do Estado reitera que cumprirá as determinações judiciais nos termos e prazos legais. Desde 2019, o Governo do RN já reforçou o efetivo da Polícia Civil com a nomeação de 935 servidores em todas as categorias da corporação”, completa a nota.

Déficit

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) enfrenta um déficit de 64,35% do total de profissionais previsto em lei (5.150), com 3,3 mil vagas em aberto. Segundo sentença de março deste ano, enquanto o efetivo da PCRN tem 35,65% do quadro preenchido, a média das corporações no Nordeste é de 56,3%.

Rafaella Pérsico diz que as últimas nomeações, como as 30 que ocorreram em junho, são de ocupação de cargos vacantes. “Esperamos a sensibilidade do Governo para que aproveite todos desse concurso, um concurso que já demorou mais de 10 anos para ser feito”, afirma.

Para Nilton Arruda, presidente do Sinpol-RN (Sindicato dos Policiais Civis do RN), a demora na nomeação dos aprovados repercute em diversos pontos, “seja na sobrecarga de trabalho que os novos e antigos policiais estão submetidos, inclusive com a queda na qualidade e efetividade das investigações, seja no aumento do número de crimes”.

Thalita Mendonça avalia que o Governo está empenhado no fortalecimento de outras forças policiais, o que é positivo, mas também é preciso investir na PCRN, responsável por investigar os crimes. “Se não existe a Polícia Civil, esse crime não vai ser investigado, ele vai ficar impune. Hoje, a gente tem [delegados] do interior, por exemplo, acumulando quatro delegacias do interior. E tem muitas Delegacias da Mulher sem efetivo para trabalhar”, aponta a aprovada.

“É necessário que o governo nomeie todos os policiais que concluíram o curso de formação há meses e estão esperando a nomeação. Que sejam convocados para um novo curso de formação os concursados que estão no quadro de reserva e que, em 2027, seja publicado um novo edital para um novo concurso”, diz Nilton Arruda.

Ele explica que esses concursos são raros, ocorrendo de 10 em 10 anos. “Temos o segundo pior efetivo policial civil do Brasil e ainda somos um dos Estados mais violentos”, conclui.

Tribuna do Norte

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