Apesar do desempenho positivo, a confiança dos empresários do comércio de Natal recuou 3,9% em relação a junho do ano passado| Foto: Magnus Nascimento
A confiança dos empresários do comércio em Natal atingiu 109,6 pontos em junho, superando a média das capitais brasileiras, de 102,6 pontos, segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec). O resultado representa uma retomada do otimismo em relação aos meses anteriores e foi impulsionado principalmente pelas empresas de maior porte e pelos segmentos de bens semiduráveis e não duráveis.
O indicador de junho (109,6) ficou acima dos 108,4 registrados em maio, mas abaixo dos resultados de abril (112,3) e março (111,6). Em fevereiro, o índice foi de 107,9 pontos, enquanto em janeiro alcançou 108,5 pontos.
O índice considera o ajuste sazonal, metodologia que desconsidera os efeitos de fatores típicos de determinadas épocas do ano, como o período junino e outras datas que tradicionalmente influenciam o desempenho do comércio.
O economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do RN (Fecomércio RN), William Figueiredo, explica que o Icec mede a percepção dos empresários em relação aos próximos meses, refletindo as expectativas para a economia e o desempenho dos negócios. Ele explica que o otimismo é impulsionado principalmente pelas empresas de maior porte e pelos segmentos de vestuário, supermercados, perfumarias e farmácias. “Empresas maiores conseguem suportar melhor um ambiente de juros elevados e de maior desafio econômico”, afirma.
O economista destaca que o cenário econômico do RN contribui para esse resultado. De acordo com ele, a expectativa é de que a economia potiguar cresça cerca de 2,5% em 2026, acima da projeção de 2% para o Brasil. “Se você tem uma perspectiva de crescer mais do que a média do Brasil, é natural que a confiança do empresário seja maior do que a média brasileira”, explica.
O Icec é calculado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e mede a percepção dos empresários do varejo sobre o cenário atual e as expectativas para os próximos meses.
Gerente da Narciso Enxovais, Jessy Santos afirma que o movimento nas ruas aumentou em relação ao ano passado, o que deixa o segmento mais confiante. “Acredito que estamos mais confiantes. O primeiro semestre mostrou um aumento bacana e eu vejo que, principalmente as lojas grandes, estão confiantes em relação ao lucro”, diz.
Na Mil Opções, loja de cosméticos e acessórios, o cenário também é de otimismo. Funcionário do estabelecimento, Alessandro Caetano percebeu aumento no fluxo de clientes. “Vejo que os empresários ficaram mais confiantes até para investir em outras mercadorias”, afirma.
Gerente da rede Unilar, Auzair Gomes avalia que o comércio potiguar ainda enfrenta dificuldades no segmento de eletrodomésticos, móveis e eletrônicos. “Vejo pequenos negócios fechando e diminuindo a quantidade de funcionários. A gente não está vendo melhora para esse segmento do comércio aqui no RN”, relata.
Na avaliação do presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), Matheus Feitosa, o nível de confiança positivo também pode ser percebido pelos investimentos em andamento no bairro. “O comércio informal também tem crescido e recebido novos investimentos. Porém tudo sendo feito com muita cautela e analisando o cenário da economia internacional, nacional e local”, considera.
Rodrigo Vasconcelos, presidente da associação Viva O Centro considera que na
Cidade Alta a percepção dos empresários é menos otimista. “Em relação ao ano
passado, não observamos um aumento significativo na confiança para novos
investimentos. Muitos comerciantes continuam cautelosos diante da redução do
fluxo de consumidores e das dificuldades enfrentadas diariamente”, lamenta.
Confiança cai em relação a 2025
Apesar de permanecer acima da média nacional, o primeiro semestre de 2026 encerrou com um nível de confiança inferior ao registrado no mesmo período de 2025 em Natal. Em junho, o indicador recuou 3,9% em relação ao mesmo mês de 2025.
De acordo com a Fecomércio RN, o resultado reflete um cenário econômico mais desafiador diante da expectativa de um crescimento mais moderado da economia neste ano, fator que influencia a confiança dos empresários.
Segundo William Figueiredo, a redução em relação a 2025 acompanha um movimento
observado em todo o país. “O índice está menor, da mesma forma que o do Brasil
também está menor. Você tem uma conjuntura econômica este ano mais desafiadora
do que era em 2025. Logo, a confiança do empresário está menor neste ano do que
estava em 2025”, afirma.
Tribuna do Norte

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