O bairro Capim Macio mantém o metro quadrado mais caro da capital, cotado em R$ 7.674. Foto: Magnus Nascimento
Natal está entre as cidades
brasileiras onde os imóveis residenciais mais se valorizaram nos últimos 12
meses. A capital potiguar registrou alta de 9,44% nos preços médios de venda
residencial, sendo esta a quarta maior valorização entre as 56 cidades pesquisadas,
incluindo 22 capitais. No acumulado de 2026, a valorização chega a 5,03%, a
sexta maior do país. Em junho, os preços dos imóveis residenciais em Natal
avançaram 0,36%, segundo dados divulgados pelo Índice FipeZAP de Venda
Residencial.
O desempenho local foi impulsionado, entre outros fatores, pela demanda por
imóveis compactos. No quesito valorização de venda residencial nos últimos 12
meses, a capital potiguar ficou atrás apenas de Salvador (+12,42%); Fortaleza
(+10,79%) e Vitória (+10,24%). Já no acumulado de 2026 (até junho), Natal ficou
atrás de Manaus (+7,26%); Vitória (+7,14%); Salvador (+6,23%); Aracaju (+5,77%)
e Teresina (+5,08%).
Apesar do forte ritmo de valorização, o preço médio de venda do metro quadrado
em Natal permanece abaixo da média nacional. Em junho, o valor foi de R$ 6.421
por m², enquanto a média das cidades acompanhadas pelo índice FipeZAP ficou em
R$ 9.853 por m².
Os dados do Índice FipeZAP mostram que a zona Sul concentra os maiores preços
de venda de imóveis residenciais em Natal. Além disso, os bairros mais
valorizados nos últimos 12 meses foram Barro Vermelho, com alta de 19,1% nos
preços de venda dos imóveis residenciais, seguido por Lagoa Nova (+15,2%) e
Capim Macio (+13,5%). Além de figurar entre as regiões com maior valorização,
Capim Macio também mantém o metro quadrado mais caro da capital, cotado em R$
7.674.
Na avaliação do diretor-presidente do Conselho Regional de Corretores de
Imóveis do Rio Grande do Norte (Creci-RN), Moisés Marinho, a procura por
imóveis também começa a se expandir para regiões como o Planalto, impulsionada
pelos preços mais elevados nas áreas tradicionais da capital.
Para Moisés Marinho, o mercado imobiliário potiguar continua sendo movido
principalmente por compradores em busca da casa própria. “Cerca de 70% da
demanda é para moradia”, afirma.
Os investidores representam uma parcela menor, atraídos pela possibilidade de
valorização dos imóveis adquiridos ainda na planta. Segundo o
diretor-presidente do Creci-RN, unidades compradas por cerca de R$ 300 mil
podem alcançar valores entre R$ 350 mil e R$ 360 mil após a conclusão da obra,
dependendo do empreendimento.
Apesar da elevação dos preços dos imóveis e dos custos da construção civil,
Moisés Marinho avalia que o mercado se mostrou mais resiliente do que o
esperado. Ele afirma que havia expectativa de uma desaceleração nas vendas, em
razão do aumento ados custos e das condições de crédito, mas ajustes nas
modalidades de financiamento e maior flexibilidade nas negociações contribuíram
para manter o ritmo das comercializações. “Sofreu, realmente, mas não tanto
quanto a gente imaginava”, resume.
Moisés Marinho ainda destaca que os apartamentos de dois quartos, com ou sem
suíte, são atualmente os mais procurados em Natal.
Perfil do consumidor
Renato Gomes, presidente do Sindicato de Habitação do RN (Secovi-RN), avalia que a demanda por imóveis compactos deve continuar crescendo nos próximos anos em razão das mudanças no perfil do consumidor.
Segundo ele, há uma redução no número de moradores por domicílio, aumento de
pessoas vivendo sozinhas, casais sem filhos e profissionais que priorizam
localização e mobilidade.
“Há mudanças importantes no perfil das famílias brasileiras, com redução do
número de moradores por domicílio, aumento de pessoas vivendo sozinhas, casais
sem filhos e profissionais que priorizam localização e mobilidade”, destaca.
Para Renato Gomes, a capital potiguar tem registrado aumento na demanda por
moradia, impulsionado pelo crescimento de setores como serviços, turismo, saúde
e educação, além da qualidade de vida e de um custo de aquisição de imóveis
ainda competitivo em comparação com outras capitais brasileiras.
O dirigente destaca ainda que o equilíbrio entre oferta e demanda contribui
para o cenário de valorização, já que as vendas apresentam crescimento enquanto
os estoques permanecem controlados. “Esse cenário favorece uma valorização
consistente dos imóveis, sem caracterizar um movimento especulativo”, explica.
O presidente do Secovi-RN também aponta que Natal possui atratividade para
investidores devido ao desempenho do mercado de aluguel. “O próprio Índice
FipeZAP demonstra que Natal também figura entre as capitais com maior
rentabilidade do aluguel, reforçando que existe uma demanda consistente pelo
mercado locatício”, afirma.
Para o segundo semestre de 2026, o presidente do Secovi-RN aponta que fatores
como juros, crédito imobiliário e novos lançamentos serão determinantes para o
desempenho do setor. De acordo com ele, a continuidade de um cenário favorável
dependerá das condições de financiamento e da confiança dos consumidores e
investidores.
Tribuna do Norte

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