Flávio: “taxas dariam vitória política ao governo Lula”. Foto: Andressa Anholete-Agência Senado
O governo Lula se reuniu com o
representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na quinta-feira
(2) após o acordo entre o presidente brasileiro e Donald Trump, de 7 de maio,
de encontrar solução para negociar o comércio bilateral.
Em meio à chance de uma nova tarifa de 25% nos produtos brasileiros, o ministro
Márcio Elias Rosa – do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) –
informou, em nota, que a reunião já estava programada. “Mantive minha quarta
reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos,
Jamieson Greer. As reuniões anteriores aconteceram nos dias 19 e 28 de maio e
13 de junho e foram intercaladas de outros encontros no nível técnico”,
esclareceu.
O encontro contou com as equipes do Ministério das Relações Exteriores e da
assessoria especial do presidente Lula, além da equipe do MDIC.
Márcio Elias Rosa disse ainda que a conversa serviu para continuar o debate
sobre as relações econômico-comerciais entre o Brasil e Estados Unidos,
contemplando também a análise concreta para os seis temas abordados no contexto
das investigações em curso no âmbito da Seção 301: comércio digital; tarifas
preferenciais; combate à corrupção; proteção à propriedade intelectual; etanol;
e, desmatamento ilegal.
Chance de nova tarifa
Mais cedo, o governo brasileiro apresentou uma resposta formal ao Escritório do
Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, rejeitando as conclusões da
investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
No documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o
Brasil afirma que suas políticas não são “irrazoáveis, discriminatórias ou
prejudiciais” ao comércio dos Estados Unidos.
A manifestação foi enviada no âmbito do processo que pode levar à imposição de
uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi proposta pelo
governo Trump após o USTR apontar supostas práticas desleais do Brasil nas seis
áreas antes aqui citadas pelo ministro Márcio Elias Rosa que também foram pauta
da reunião com o representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Na resposta, o Brasil argumenta que o USTR não demonstrou a ligação necessária
entre políticas brasileiras concretas e algum prejuízo direto ao comércio
americano. Para o governo brasileiro, a investigação parte de divergências
políticas e regulatórias, mas não comprova que o país tenha adotado medidas
discriminatórias contra empresas dos Estados Unidos.
Flávio sugere suspensão da tarifas dos EUA
Documento do senador recomenda
que a gestão de Donald Trump deveria suspender a medida proposta e abrir
imediatamente negociação bilateral nas áreas influenciadas pela imposição das
taxas.
O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) indicou, em documento
enviado na quarta-feira (1º) aos Estados Unidos, que a continuidade das taxas
impostas ao Brasil representaria uma “vitória política” para o governo do
presidente Lula (PT).
O documento recomenda que a gestão de Donald Trump deveria suspender a medida
proposta e abrir imediatamente negociação bilateral nas áreas influenciadas
pela imposição das taxas.
“As tarifas propostas proporcionariam ao atual governo brasileiro exatamente a
vitória política que ele vem arquitetando, ao mesmo tempo em que puniriam a
economia americana e os próprios brasileiros que buscam uma relação mutuamente
benéfica com os Estados Unidos”, conclui o pedido de Flávio.
Na visão do parlamentar, as “tarifas propostas recompensariam justamente os
infratores que deveriam punir”. O pré-candidato também menciona a influência
dos atos nas eleições brasileiras.
Tribuna do Norte

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