Baterias de sódio devem impulsionar investimentos de cerca de US$ 800 bilhões até 2035| Foto: Alex Régis
O Rio Grande do Norte, responsável por cerca de 95% da produção nacional de sal, pode ser um dos principais beneficiados pela expansão das baterias de sódio, tecnologia que promete transformar o mercado global de armazenamento de energia. Para aproveitar essa oportunidade, no entanto, o estado precisará superar gargalos como a ausência de tecnologia voltada ao desenvolvimento dessa cadeia produtiva. A expectativa é que o avanço das baterias de sódio impulsione um ciclo de investimentos de cerca de US$ 800 bilhões até 2035, abrangendo desde a extração da matéria-prima até a infraestrutura elétrica e a produção industrial, segundo o relatório “Sal: o novo petróleo”, divulgado pelo banco Morgan Stanley.
A expectativa em torno desse mercado é alta, uma vez que ele irá redefinir o
mercado de energia, transporte e commodities. No entanto, o presidente do
Sindicato das Indústrias de Extração de Sal do Estado do Rio Grande do Norte
(Siesal-RN), Aírton Torres, avalia que a perspectiva para a nova utilização do
sal envolve uma tecnologia de ponta inexistente na indústria local e que não
está disponível facilmente no mercado mundial.
Para vencer essa barreira, indica, a busca por parcerias é fundamental. “Está aberta a possibilidade de empresas salineiras locais avançarem nesse novo ambiente tecnológico, desde que firmem parcerias com empresas nacionais ou internacionais que detenham a tecnologia”, afirma.
Torres ressalta que o mercado de baterias de sódio é bastante incipiente. Em função disso, defende ele, é necessária uma gama de pesquisas para o setor. “Não temos informações de que empresas de sal do RN tenham se mexido na direção de procurar detentores dessa tecnologia visando parcerias, até porque estamos diante de um mercado que exigirá maturação. Não houve tempo hábil para uma corrida por investimentos, porque é preciso desenvolvimento e muita pesquisa”, avalia o presidente do Siesal.
Aírton Torres disse que uma breve pesquisa elaborada pelo Sindicato sobre a
produção de baterias de sódio mostra que a fabricação delas é muito semelhante
ao das baterias de íons de lítio, o que permite adaptar fábricas já existentes
fora do estado. “Atualmente, a produção de lítio ocorre principalmente em Minas
Gerais”, fala.
Aírton Torres (Siesal) diz que
mercado ainda carece de pesquisas| Foto: Alex Régis
Um dos principais desafios, portanto, é que a produção de baterias de sódio ainda se encontra em expansão. A boa notícia é que a tecnologia apresenta inúmeras vantagens. “O sódio é abundante e barato, não depende tanto de minerais críticos como lítio e cobalto, pode utilizar matérias-primas renováveis para o ânodo (um material ativo para a produção de bateria de sódio) e o custo de fabricação tende a ser menor”, aponta o levantamento do Siesal.
O secretário Lahyre Rosado Neto, de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec), analisa que o estado, por ser o maior produtor de sal do país, poderá se beneficiar muito da expansão do mercado de baterias de sódio. Mas, segundo ele, para isso, é preciso que o Rio Grande do Norte volte a discutir a transformação química do setor salineiro.
“Já tivemos projetos de lei para desestimular a saída de sal bruto a granel no
fim da década de 1990 e início dos anos 2000 e essa é uma necessidade que o
estado continua a ter. Nossa matéria-prima é abundante.
Precisamos, porém, dar os primeiros passos, de forma a atuar na transformação dessa matéria, buscando parceiros com interesse em implantar esse tipo de negócio [transformação química do sal] por aqui”, disse o secretário, ao sublinhar que o estado já é destaque no cenário de energias limpas.
O relatório do Morgan Stanley aponta que as baterias de sódio assumem papel estratégico em substituição a matérias-primas críticas, como lítio, cobre e grafite, com projeção de que a produção deve sair de um estágio ainda inicial para um mercado global de até 830 GWh (gigawatt/hora) por ano em 2030 e 2,4 TWh (Terawatt-hora) em 2035 — podendo chegar a até 3,7 TWh em um cenário mais otimista.
Esse novo tipo de tecnologia possui vantagem de custo que varia de 30% a 40% em relação às baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), além de apresentar desempenho melhor quando submetidas a regiões de clima frio.
“Enquanto as baterias LFP perdem cerca de metade de sua capacidade em frio
extremo, as baterias de íons de sódio mantêm mais de 90% da própria capacidade,
escreveu o jornal britânico Financial Times, com base no relatório do Morgan
Stanley.
Tribuna do Norte

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