sexta-feira, 26 de junho de 2026

Cai a confiança da indústria do RN em junho, aponta Fiern

Apesar do recuo em junho, o índice acima de 50 pontos significa que os empresários potiguares seguem confiantes. Foto: MIGUEL ÂNGELO/CNI

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) no Rio Grande do Norte registrou uma queda de 2,6 pontos em junho, em comparação ao mês anterior, passando de 55,6 para 53,0 pontos. No comparativo ao mesmo período de 2025, quando o indicador atingiu 53,8, a queda foi de 0,8 ponto. Mesmo com o recuo, o índice acima de 50 pontos significa que os empresários potiguares seguem confiantes.

Os dados foram calculados com base em sondagem realizada entre os dias 1º e 12 de junho e publicada pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern). No levantamento, a entidade aponta que o ICEI revela que a retração no índice reflete tanto as condições correntes de negócios, mais desfavoráveis, quanto expectativas menos otimistas para os próximos seis meses.

O economista Helder Cavalcanti explica que a redução da confiança dos empresários demonstra que o setor ainda enxerga um cenário de juros elevados, crédito caro, alto custo financeiro e um consumo comprometido pela dívida. Ele destaca, no entanto, que a baixa no otimismo não representa necessariamente uma mudança para um cenário pessimista.

“Quando o empresário reduz suas expectativas, ele normalmente passa a analisar com mais cautela novos investimentos, ampliações da capacidade produtiva e contratações. Isso não significa necessariamente retração da atividade econômica, mas um ritmo menor de expansão. Projetos podem ser adiados até que exista maior previsibilidade sobre juros, demanda e ambiente econômico”, Helder Cavalcanti.

Para o economista Robespierre do Ó, além das incertezas com a economia nacional, o recuo no ICEI do Estado pode ser explicado pelo aumento das tensões comerciais externas. É o caso, especialmente, da insegurança com a possibilidade de novas tarifas pelos Estados Unidos.

“Outro aspecto importante é que a queda foi mais intensa nas expectativas do que nas condições atuais, indicando que os empresários não estão apenas avaliando um cenário presente mais difícil, mas também revisando suas perspectivas para os próximos meses. Como a confiança empresarial é um indicador antecedente da atividade econômica, esse movimento tende a refletir maior cautela nas decisões de investimento, contratação de mão de obra e expansão da produção”, destaca o economista.

Na divisão por portes de empresas, o ICEI de junho apontou impactos diferentes na confiança dos empresários. Enquanto o indicador das pequenas empresas declinou 9,9 pontos, passando de 53,2 para 43,3 pontos, entre as médias e grandes o índice permaneceu inalterado em 56,3 pontos, apontando que os empresários seguem confiantes.

Na avaliação de Robespierre do Ó, o cenário indica que o ambiente econômico tem afetado de forma mais intensa os pequenos negócios. “Como essas empresas possuem menor capacidade de financiar investimentos com recursos próprios e dependem mais do crédito bancário, tendem a reagir de forma mais intensa ao aumento do custo financeiro e às incertezas econômicas”, destaca.

O economista avalia que o cenário nos pequenos negócios pode refletir em uma menor geração de empregos, redução dos investimentos e expansão mais lenta da produção industrial nos próximos meses. “Como essas empresas possuem menor capacidade de financiar investimentos com recursos próprios e dependem mais do crédito bancário, tendem a reagir de forma mais intensa ao aumento do custo financeiro e às incertezas econômicas”, destaca.

O levantamento da Fiern aponta que índice de Expectativas de junho registrou queda de 3,0 pontos, saindo de 58,7 para 55,7 pontos, mas segue acima da linha divisória de 50 pontos, mostrando perspectivas mais moderadas para os próximos seis meses. Na comparação com junho de 2025, o índice de Condições Atuais caiu 0,7 ponto, enquanto o de Expectativas decresceu 0,9 ponto.

Apesar da queda no otimismo dos empresários, Helder Cavalcanti destaca que a recuperação é possível nos próximos seis meses, o que depende, no entanto, da redução gradual dos juros, melhoria do acesso ao crédito, controle da inflação e fortalecimento da demanda das famílias.

“No caso do Rio Grande do Norte, também será importante acompanhar o desempenho de setores estratégicos, como construção civil, comércio, serviços, energia e turismo, que possuem forte capacidade de gerar demanda para a indústria local”, aponta o economista.

Segundo Helder Cavalcanti, o esperado é que a retomada da confiança ocorra de forma gradual, com o pequeno empresário voltando a investir com maior intensidade quando observar melhora na economia. “A confiança não é construída apenas pelos indicadores econômicos, mas também pela expectativa de estabilidade e previsibilidade para o ambiente de negócios”, ressalta.

Tribuna do Norte

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