Plataforma foi criada pelos próprios venezuelanos, de maneira voluntária, para ajudar nas buscas. Foto: REPRODUÇÃO INSTRAGRAM VICE-PRESIDÊNCIA
Os fortes terremotos, de 7.2 e
7.5 graus na escala Richter, que afetaram a Venezuela nessa quarta-feira (24),
levou chefes de Estado de todo o mundo a se solidarizarem com o país
sul-americano. Expressaram solidariedade ao povo e ao governo venezuelano, além
da intenção de enviar ajuda, os líderes da França, do Brasil, Irã, da Arábia
Saudita, de Cuba, da Turquia, China, Índia, Rússia, do Paquistão, da União
Africana, Itália, União Europeia, Espanha, Bolívia, do Chile, da Colômbia,
Argentina, do Peru, México, Panamá e dos Estados Unidos (EUA), entre outras
nações.
Até o momento, dados oficiais registram 188 mortos e 1.500 feridos. Porém,
projeções do Serviço Geológico dos EUA (USGS) apontam a probabilidade de
dezenas de milhares de vítimas, com perda econômica de 1% a 7% do Produto
Interno Bruto (PIB).
Desaparecidos
Quase 40 mil pessoas estão desaparecidas na Venezuela após os terremotos que
abalaram o país, na noite de quarta-feira (24). A informação consta em uma
plataforma criada pelos próprios venezuelanos, de maneira voluntária, para
apoiar as buscas.
No Desaparecidos Terremoto Venezuela, pessoas podem registrar familiares
desaparecidos por meio de um formulário com dados, como nome, idade, última
localização em que foi visto, descrição física e foto.
Ao todo, o Desaparecidos Terremoto Venezuela recebeu 43.308 mil registros de
desaparecidos. Desse número, 39.989 seguem sem contato, e outras 3.319 foram
localizadas.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou “grande
preocupação e consternação” com o desastre natural, prometendo enviar ajuda e
assistência ao país. A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodriguez,
agradeceu o apoio do líder brasileiro.
“Valorizamos sinceramente esse gesto de solidariedade e fraternidade entre os
nossos povos, reafirmando os laços históricos de cooperação e amizade que nos
unem”, respondeu Delcy a Lula.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse que entrou em contato com o
governo “do país irmão” e instruiu seu governo a preparar o envio de ajuda
necessária.
“Nos foi solicitado que prestássemos apoio com pessoal especializado em resgate
e assistência médica. O México sempre se solidariza — e continuará a se
solidarizar — com os outros”, afirmou a presidente.
Por sua vez, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, informou que
“profissionais de saúde cubanos estão cooperando ativamente na prestação de
assistência aos afetados”.
Estados Unidos
O governo dos EUA se manifestou por meio das redes sociais tanto do presidente Donald Trump, quanto do secretário de Estado, Marco Rubio. Trump destacou que o país está disposto a ajudar e Rubio informou que seriam enviadas equipes de busca e resgate ao país, além de recursos médicos e de assistência humanitária.
“Instruí todas as agências do nosso governo a se prepararem para agir
rapidamente. Estaremos lá para nossos novos e queridos amigos. Os primeiros
relatos não são bons”, disse o chefe da Casa Branca.
Guiana
Os terremotos que afetaram a Venezuela fizeram a rivalidade com a vizinha Guiana, envolvida na disputa pelo território de Essequiba, ser deixada de lado. O presidente da Guiana, Irfaan Ali, manifestou solidariedade.
“Como vizinhos, estamos prontos para oferecer assistência dentro de nossa
capacidade. Nosso amor, nossas orações e nossos pensamentos estão com as
famílias dos afetados e o povo da Venezuela”, afirmou Ali em uma rede social.
A mensagem foi respondida pela presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, que
agradeceu o gesto do chefe de Estado do país vizinho.
“A sua mensagem transmite solidariedade, respeito e um sentido de vizinhança em
relação aos venezuelanos”, disse a chefe de Estado, em Caracas.
China
O governo chinês também disse que está pronto para enviar a ajuda que puder à
Venezuela. “Estamos confiantes de que, sob a liderança do governo, o povo da
Venezuela se recuperará e reconstruirá em breve”, disse Lin Jian, porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores da China.
FMI
O FMI (Fundo Monetário Internacional) informou que está acompanhando os
desdobramentos na Venezuela após dois fortes terremotos terem atingido o país —
com receio de que milhares de pessoas tenham morrido — e que continuará em
contato com as autoridades venezuelanas enquanto elas avaliam suas
necessidades.
A porta-voz do FMI, Julie Kozack, disse aos repórteres que o organismo
financeiro internacional não está envolvido na reestruturação da dívida
anunciada pela Venezuela, mas permanece em contato com as autoridades locais
sobre as perspectivas macroeconômicas do país.
Ela afirmou que o FMI está pronto para ajudar na reestruturação da dívida,
conforme necessário.
Terremoto é o mais forte na
Venezuela
O terremoto de magnitude 7,5
que atingiu a Venezuela na quarta-feira, deixando ao menos 188 mortos e 1.520
feridos, é o mais forte registrado no país em mais de um século, segundo dados
históricos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Os tremores
provocaram o desabamento de dezenas de prédios, deixaram cidades sem energia
elétrica e mobilizaram operações de resgate em diversas regiões do país.
De acordo com o instituto americano, o último tremor de intensidade superior
ocorreu em 29 de outubro de 1900, quando um terremoto de magnitude estimada em
7,7 atingiu a costa venezuelana, a nordeste de Caracas, provocando “danos
consideráveis”.
Na quarta-feira, um primeiro tremor de magnitude 7,2 foi registrado às 18h04 no
horário local (19h04 no horário de Brasília), a cerca de 200 quilômetros a
oeste da capital venezuelana.
Pouco depois, um segundo abalo, de magnitude 7,5, ocorreu a cerca de 45
quilômetros do primeiro epicentro. Após os dois terremotos, foram registradas
cerca de 30 réplicas de abalos secundários, segundo a presidente interina
venezuelana, Delcy Rodríguez.
Destruição
Os dois terremotos devastadores provocaram destruição generalizada de prédios e
cenas de pânico em Caracas e outras partes do país, segundo relatos oficiais.
O primeiro terremoto, de magnitude 7,2 na escala Richter, teve seu epicentro a
21 km a oeste de Morón, às 18h04 (horário local, 19h04 em Brasília), e foi
seguido quase um minuto depois por um terremoto mais forte, de magnitude 7,5, a
poucos quilômetros de distância, informou o USGS. Os terremotos foram sentidos
também no Brasil e na Colômbia.
“Há dezenas de prédios desabados e estamos empenhados em árduos esforços de
resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar”, disse Delcy
Rodríguez em uma mensagem à nação após a meia-noite.
As cenas em Caracas eram de destruição e pânico, segundo um jornalista da AFP,
que viu um prédio de 22 andares completamente destruído na área de Chacao, na
zona leste da cidade. Pessoas nas ruas gritavam os nomes de seus parentes e
alguns voluntários escalavam os escombros. Segundo relatos da AFP, moradores
passaram a noite nas ruas buscando familiares desaparecidos e tentando
localizar sobreviventes.
“Precisamos de lanternas.”, implorava um deles ao cair da noite.
Do lado de fora do shopping Sambil, também em Chacao, Heidi Romero, uma
comerciante de 42 anos, expressou seu espanto com a magnitude dos tremores.
“Não, eu nem sei quanto tempo durou. Eu estava no último andar. Muitas coisas
caíram de algumas lojas. Saímos pelas escadas de emergência. Foi assim que nos
tiraram de lá.”, disse ela à AFP.
“A escada cedeu, a parede inteira rachou. Coisas caíram do teto. Foi
horrível.”, disse Odalis Escalona, uma
funcionária de banco de 54 anos.
Apoio
A líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado,
enviou uma mensagem de apoio. “Meu coração, meu abraço infinito e minhas
orações estão com todos os lares venezuelanos nestas horas de angústia”,
escreveu Machado, que está fora da Venezuela desde novembro.
“Os Estados Unidos estão prontos, dispostos e aptos a ajudar! Ordenei a todas
as agências do nosso governo que se preparem para agir rapidamente. Estaremos
lá para nossos novos e queridos amigos. Os primeiros relatos não são bons”,
escreveu Trump em uma rede social.
A maioria dos países da América Latina também expressou solidariedade e
ofereceu ajuda. O governo interino declarou estado de emergência devido à
gravidade dos danos e declarou La Guaira uma “zona de desastre”. Segundo as
autoridades, a região foi a mais afetada pelos terremotos.
“Foi terrível, foi terrível. Tudo desabou, tudo — disse Yilsmaris Blanco,
moradora de La Guaira.”, à AFP.
Nas ruas da região litorânea, moradores pediam ajuda e se mobilizavam para tentar
resgatar pessoas presas sob os escombros.
Aeroporto fechado
Diversas áreas ficaram sem energia elétrica. Muitas ruas estavam cobertas de
cacos de vidro. Prédios desabaram em várias partes de Caracas, relataram
jornalistas da AFP. Dezenas de socorristas trabalhavam entre os escombros em
busca de possíveis sobreviventes.
“Este é um evento grave, […] alguns estados foram particularmente afetados”,
observou Delcy Rodríguez.
Os tremores danificaram parte das instalações do Aeroporto Internacional de
Maiquetía, em La Guaira, a cerca de 40 km de Caracas. “O Aeroporto de Maiquetía
está fechado devido aos graves danos em sua infraestrutura”, declarou a
presidente.
Caracas também conta, no entanto, com o Aeroporto Militar de La Carlota,
localizado na região metropolitana da capital.
Passageiros com voos cancelados e moradores da região passaram a noite no
estacionamento do aeroporto após o fechamento do terminal.
Tribuna do Norte

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