sexta-feira, 26 de junho de 2026

Líderes de todo o mundo se solidarizam com Venezuela após terremoto

Plataforma foi criada pelos próprios venezuelanos, de maneira voluntária, para ajudar nas buscas. Foto: REPRODUÇÃO INSTRAGRAM VICE-PRESIDÊNCIA

Os fortes terremotos, de 7.2 e 7.5 graus na escala Richter, que afetaram a Venezuela nessa quarta-feira (24), levou chefes de Estado de todo o mundo a se solidarizarem com o país sul-americano. Expressaram solidariedade ao povo e ao governo venezuelano, além da intenção de enviar ajuda, os líderes da França, do Brasil, Irã, da Arábia Saudita, de Cuba, da Turquia, China, Índia, Rússia, do Paquistão, da União Africana, Itália, União Europeia, Espanha, Bolívia, do Chile, da Colômbia, Argentina, do Peru, México, Panamá e dos Estados Unidos (EUA), entre outras nações.

Até o momento, dados oficiais registram 188 mortos e 1.500 feridos. Porém, projeções do Serviço Geológico dos EUA (USGS) apontam a probabilidade de dezenas de milhares de vítimas, com perda econômica de 1% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Desaparecidos

Quase 40 mil pessoas estão desaparecidas na Venezuela após os terremotos que abalaram o país, na noite de quarta-feira (24). A informação consta em uma plataforma criada pelos próprios venezuelanos, de maneira voluntária, para apoiar as buscas.

No Desaparecidos Terremoto Venezuela, pessoas podem registrar familiares desaparecidos por meio de um formulário com dados, como nome, idade, última localização em que foi visto, descrição física e foto.

Ao todo, o Desaparecidos Terremoto Venezuela recebeu 43.308 mil registros de desaparecidos. Desse número, 39.989 seguem sem contato, e outras 3.319 foram localizadas.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou “grande preocupação e consternação” com o desastre natural, prometendo enviar ajuda e assistência ao país. A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodriguez, agradeceu o apoio do líder brasileiro.

“Valorizamos sinceramente esse gesto de solidariedade e fraternidade entre os nossos povos, reafirmando os laços históricos de cooperação e amizade que nos unem”, respondeu Delcy a Lula.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse que entrou em contato com o governo “do país irmão” e instruiu seu governo a preparar o envio de ajuda necessária.

“Nos foi solicitado que prestássemos apoio com pessoal especializado em resgate e assistência médica. O México sempre se solidariza — e continuará a se solidarizar — com os outros”, afirmou a presidente.

Por sua vez, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, informou que “profissionais de saúde cubanos estão cooperando ativamente na prestação de assistência aos afetados”.

Estados Unidos

O governo dos EUA se manifestou por meio das redes sociais tanto do presidente Donald Trump, quanto do secretário de Estado, Marco Rubio. Trump destacou que o país está disposto a ajudar e Rubio informou que seriam enviadas equipes de busca e resgate ao país, além de recursos médicos e de assistência humanitária.

“Instruí todas as agências do nosso governo a se prepararem para agir rapidamente. Estaremos lá para nossos novos e queridos amigos. Os primeiros relatos não são bons”, disse o chefe da Casa Branca.

Guiana

Os terremotos que afetaram a Venezuela fizeram a rivalidade com a vizinha Guiana, envolvida na disputa pelo território de Essequiba, ser deixada de lado. O presidente da Guiana, Irfaan Ali, manifestou solidariedade.

“Como vizinhos, estamos prontos para oferecer assistência dentro de nossa capacidade. Nosso amor, nossas orações e nossos pensamentos estão com as famílias dos afetados e o povo da Venezuela”, afirmou Ali em uma rede social.

A mensagem foi respondida pela presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, que agradeceu o gesto do chefe de Estado do país vizinho.

“A sua mensagem transmite solidariedade, respeito e um sentido de vizinhança em relação aos venezuelanos”, disse a chefe de Estado, em Caracas.

China

O governo chinês também disse que está pronto para enviar a ajuda que puder à Venezuela. “Estamos confiantes de que, sob a liderança do governo, o povo da Venezuela se recuperará e reconstruirá em breve”, disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

FMI

O FMI (Fundo Monetário Internacional) informou que está acompanhando os desdobramentos na Venezuela após dois fortes terremotos terem atingido o país — com receio de que milhares de pessoas tenham morrido — e que continuará em contato com as autoridades venezuelanas enquanto elas avaliam suas necessidades.

A porta-voz do FMI, Julie Kozack, disse aos repórteres que o organismo financeiro internacional não está envolvido na reestruturação da dívida anunciada pela Venezuela, mas permanece em contato com as autoridades locais sobre as perspectivas macroeconômicas do país.

Ela afirmou que o FMI está pronto para ajudar na reestruturação da dívida, conforme necessário.

Terremoto é o mais forte na Venezuela

O terremoto de magnitude 7,5 que atingiu a Venezuela na quarta-feira, deixando ao menos 188 mortos e 1.520 feridos, é o mais forte registrado no país em mais de um século, segundo dados históricos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Os tremores provocaram o desabamento de dezenas de prédios, deixaram cidades sem energia elétrica e mobilizaram operações de resgate em diversas regiões do país.

De acordo com o instituto americano, o último tremor de intensidade superior ocorreu em 29 de outubro de 1900, quando um terremoto de magnitude estimada em 7,7 atingiu a costa venezuelana, a nordeste de Caracas, provocando “danos consideráveis”.

Na quarta-feira, um primeiro tremor de magnitude 7,2 foi registrado às 18h04 no horário local (19h04 no horário de Brasília), a cerca de 200 quilômetros a oeste da capital venezuelana.
Pouco depois, um segundo abalo, de magnitude 7,5, ocorreu a cerca de 45 quilômetros do primeiro epicentro. Após os dois terremotos, foram registradas cerca de 30 réplicas de abalos secundários, segundo a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.

Destruição

Os dois terremotos devastadores provocaram destruição generalizada de prédios e cenas de pânico em Caracas e outras partes do país, segundo relatos oficiais.

O primeiro terremoto, de magnitude 7,2 na escala Richter, teve seu epicentro a 21 km a oeste de Morón, às 18h04 (horário local, 19h04 em Brasília), e foi seguido quase um minuto depois por um terremoto mais forte, de magnitude 7,5, a poucos quilômetros de distância, informou o USGS. Os terremotos foram sentidos também no Brasil e na Colômbia.

“Há dezenas de prédios desabados e estamos empenhados em árduos esforços de resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar”, disse Delcy Rodríguez em uma mensagem à nação após a meia-noite.

As cenas em Caracas eram de destruição e pânico, segundo um jornalista da AFP, que viu um prédio de 22 andares completamente destruído na área de Chacao, na zona leste da cidade. Pessoas nas ruas gritavam os nomes de seus parentes e alguns voluntários escalavam os escombros. Segundo relatos da AFP, moradores passaram a noite nas ruas buscando familiares desaparecidos e tentando localizar sobreviventes.

“Precisamos de lanternas.”, implorava um deles ao cair da noite.

Do lado de fora do shopping Sambil, também em Chacao, Heidi Romero, uma comerciante de 42 anos, expressou seu espanto com a magnitude dos tremores.

“Não, eu nem sei quanto tempo durou. Eu estava no último andar. Muitas coisas caíram de algumas lojas. Saímos pelas escadas de emergência. Foi assim que nos tiraram de lá.”, disse ela à AFP.

“A escada cedeu, a parede inteira rachou. Coisas caíram do teto. Foi horrível.”, disse Odalis Escalona, ​​uma funcionária de banco de 54 anos.

Apoio

A líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, enviou uma mensagem de apoio. “Meu coração, meu abraço infinito e minhas orações estão com todos os lares venezuelanos nestas horas de angústia”, escreveu Machado, que está fora da Venezuela desde novembro.

“Os Estados Unidos estão prontos, dispostos e aptos a ajudar! Ordenei a todas as agências do nosso governo que se preparem para agir rapidamente. Estaremos lá para nossos novos e queridos amigos. Os primeiros relatos não são bons”, escreveu Trump em uma rede social.

A maioria dos países da América Latina também expressou solidariedade e ofereceu ajuda. O governo interino declarou estado de emergência devido à gravidade dos danos e declarou La Guaira uma “zona de desastre”. Segundo as autoridades, a região foi a mais afetada pelos terremotos.

“Foi terrível, foi terrível. Tudo desabou, tudo — disse Yilsmaris Blanco, moradora de La Guaira.”, à AFP.

Nas ruas da região litorânea, moradores pediam ajuda e se mobilizavam para tentar resgatar pessoas presas sob os escombros.

Aeroporto fechado

Diversas áreas ficaram sem energia elétrica. Muitas ruas estavam cobertas de cacos de vidro. Prédios desabaram em várias partes de Caracas, relataram jornalistas da AFP. Dezenas de socorristas trabalhavam entre os escombros em busca de possíveis sobreviventes.

“Este é um evento grave, […] alguns estados foram particularmente afetados”, observou Delcy Rodríguez.

Os tremores danificaram parte das instalações do Aeroporto Internacional de Maiquetía, em La Guaira, a cerca de 40 km de Caracas. “O Aeroporto de Maiquetía está fechado devido aos graves danos em sua infraestrutura”, declarou a presidente.

Caracas também conta, no entanto, com o Aeroporto Militar de La Carlota, localizado na região metropolitana da capital.

Passageiros com voos cancelados e moradores da região passaram a noite no estacionamento do aeroporto após o fechamento do terminal.

Tribuna do Norte

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