A União arrecadou R$ 1,32 trilhão de janeiro a maio. Foto: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
A arrecadação federal atingiu
R$ 266,8 bilhões em maio de 2026, o maior resultado para o mês desde o início
da série histórica da Receita Federal, em 1995. O desempenho foi impulsionado
principalmente pelo aumento das receitas ligadas ao petróleo, pela atividade
econômica e por mudanças na tributação adotadas nos últimos anos.
O valor representa alta real (acima da inflação) de 10,69% em relação a maio de
2025, já descontada a inflação. No acumulado de janeiro a maio, a União
arrecadou R$ 1,32 trilhão, também recorde para o período. A alta na arrecadação
registrou crescimento real de 6,42% nos cinco primeiros meses do ano.
As receitas provenientes da exploração de petróleo e gás somaram R$ 50,6
bilhões no acumulado do ano, enquanto o Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF) arrecadou R$ 41,8 bilhões. Em maio, a arrecadação com o Imposto de Renda
da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
alcançou R$ 36,7 bilhões.
Segundo a Receita Federal, a valorização do petróleo no mercado internacional
teve impacto direto sobre as contas públicas. A alta dos preços da commodity,
associada ao cenário de tensão no Oriente Médio, elevou receitas com royalties,
exploração e tributação sobre exportações.
Somente em maio, o imposto de exportação sobre petróleo arrecadou R$ 1,05
bilhão. As receitas não administradas pela Receita, que incluem royalties e
compensações financeiras pela exploração de recursos naturais, cresceram R$ 4,1
bilhões.
A arrecadação relacionada à extração de petróleo e gás natural chegou a R$ 50,6
bilhões nos cinco primeiros meses do ano, contra R$ 13,2 bilhões no mesmo
período de 2025.
Além do setor de petróleo, a Receita destacou o desempenho de outros tributos.
O resultado foi influenciado pelo aumento da contribuição previdenciária, do
Programa de Integração Social (PIS) da Contribuição para o Financiamento da
Seguridade Social (Cofins), do IOF, do IRPJ e da CSLL.
Em maio, IRPJ e CSLL somaram R$ 36,7 bilhões, com crescimento real de 33,11% em
relação ao mesmo mês do ano passado. Segundo o órgão, cerca de R$ 7 bilhões
desse montante vieram de recolhimentos considerados atípicos, relacionados a
mudanças na legislação.
O IOF também teve avanço expressivo, alcançando R$ 8,1 bilhões no mês, alta
real de 31,11% em relação a maio do ano passado. Em 2026, a arrecadação do
imposto soma R$ 41,8 bilhões, alta real de 38,77% na comparação com os cinco
primeiros meses de 2025.
A arrecadação também reflete medidas adotadas pelo governo nos últimos anos,
como alterações na tributação de fundos exclusivos, offshores (empresas de
investimento no exterior), redução de incentivos fiscais estaduais,
combustíveis, encomendas internacionais, folha de pagamentos, apostas
eletrônicas e juros sobre capital próprio.
Apesar dessas medidas, a Receita afirma que o resultado está relacionado
principalmente ao crescimento econômico e ao desempenho dos setores produtivos.
O aumento das receitas ocorre em meio ao esforço do governo para cumprir a meta
fiscal de 2026, que prevê superávit primário de cerca de R$ 34,3 bilhões,
equivalente a 0,25% do PIB.
Pelas regras do arcabouço fiscal, há uma margem de tolerância que permite o
cumprimento da meta com resultado entre zero e um superávit de aproximadamente
R$ 68,6 bilhões.
A legislação também permite que o governo retire determinadas despesas do
cálculo oficial, incluindo valores destinados ao pagamento de precatórios.
Tribuna do Norte

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