terça-feira, 21 de abril de 2026

Novas regras do MCMV devem impactar demanda no mercado imobiliário do RN

Para o Sinduscon, a ampliação atende a uma demanda reprimida da classe média, que enfrentava entraves com a renda acima do teto | Foto: Adriano Abreu

As novas regras do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida entram em vigor a partir da próxima quarta-feira (22), ampliando os limites de renda para até R$ 13 mil e os valores de financiamento dos imóveis para até R$ 600 mil. Segundo o Governo Federal, as mudanças devem beneficiar cerca de 87,5 mil famílias no país. Para o setor da construção civil do RN, a elevação no patamar de renda e o ajuste nos valores de financiamento devem impactar positivamente a demanda por novos empreendimentos no RN.

O setor da construção civil avalia que a ampliação do programa é amplamente positiva. Gabriel Wanderley, conselheiro fiscal do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do RN (Sinduscon), destaca que “o programa tem sido o principal motor da produção habitacional nos últimos anos e fechou 2025 em um patamar recorde de contratações”.

De acordo com o conselheiro, além da ampliação dos tetos dos imóveis, o ajuste dos limites de renda em todas as faixas tem um efeito muito relevante. Famílias que antes estavam enquadradas em faixas superiores passam a acessar faixas inferiores, com juros menores. “Por exemplo, uma família com renda de R$ 4.900, que estava na Faixa 3, agora migra para a Faixa 2 e passa a ter juros de 6,50% ao ano, em vez de 7,66%. Isso representa um aumento direto da capacidade de financiamento e do poder de compra”, detalha.

Além disso, Gabriel Wanderley destaca que a ampliação também atende a uma demanda reprimida da classe média, que enfrentava entraves com a renda acima do antigo teto da Faixa 3 e não tinha acesso viável ao crédito tradicional, diante de uma taxa básica de juros que permaneceu em patamar elevado.

A inclusão de famílias com renda de até R$ 13 mil deve impactar a demanda por novos empreendimentos no RN em dois níveis: nas faixas 1 e 2, que contemplam Natal, Parnamirim, São Gonçalo, Macaíba e Extremoz; e também nas faixas 3 e 4 (com novos tetos de R$ 400 mil e R$ 600 mil), abrindo espaço para moradias em localizações mais valorizadas, segmento que vinha travado no RN pela dificuldade de acesso ao crédito SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo).

“Natal tem um perfil demográfico favorável: uma capital com forte presença de servidores públicos, profissionais liberais e trabalhadores do turismo e serviços, muitos dos quais se enquadram na nova Faixa 4 (R$ 9,6 mil a R$ 13 mil)”, reitera Gabriel Wanderley. De acordo com o conselheiro, apesar da capacidade produtiva, o setor ainda tem três gargalos que merecem atenção: a falta de mão de obra qualificada; a morosidade dos processos de licenciamento e aprovação de alvarás e, por fim, a elevação nos custos de insumos materiais e logística.

Para o especialista, esses gargalos podem resultar em um reajuste no mercado. Isso acontece porque os valores atuais estavam defasados em relação aos custos reais das construtoras (o chamado INCC). Com a maior procura permitida pelas novas regras, os preços podem sofrer uma pressão pontual por até um ano e meio, mas a expectativa é de reequilíbrio assim que a oferta de novos imóveis acompanhar o ritmo das vendas.

“De toda forma, existem freios naturais. A Caixa mantém uma avaliação técnica criteriosa dos imóveis, com laudos que limitam financiamentos acima do valor de mercado, inviabilizando aumentos artificiais de preço”, conclui.

Conforme explica Moisés Marinho, diretor-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RN), essa mudança nos limites de renda poderá atrair um novo perfil de comprador. “Se tomarmos como base Natal, nos limites de Parnamirim e da zona Norte, se os imóveis ali custavam em torno de R$ 140 mil, R$ 180 mil, até R$ 240 mil ou R$ 280 mil, agora, com o teto de até R$ 600 mil, contempla-se uma faixa bem razoável e a classe média já vai ser atingida”, afirma.

Moisés reitera que as faixas 1 e 3, em média, oferecem apartamentos de dois quartos. No entanto, com o limite de até R$ 600 mil, os compradores com renda correspondente à faixa podem encontrar apartamentos de três quartos, por exemplo.

O presidente destaca os principais desafios para quem quer financiar um imóvel: “A renda compartilhada é algo que vai impactar, além do tempo de emprego e se a pessoa tem financiamento de um carro ou vários planos de saúde. Se o interessado tem a renda comprometida em 70%, precisará de flexibilidade, porque ainda existem os custos pessoais e com alimentação”, pontua.

Moisés enfatiza que a localização e a qualidade dos imóveis têm um impacto significativo na compra, mas reforça que o comprometimento de renda, problemas com bancos e a aprovação de crédito são os principais gargalos que os agentes levam em consideração.

Tribuna do Norte

Nenhum comentário:

Postar um comentário