Em 2025, 96.133 empresas no Rio Grande do Norte encerraram dezembro inadimplentes, de acordo com dados divulgados pela Serasa Experian. O levantamento aponta que cada empresa potiguar inadimplente possuía, em média, 6,7 contas negativadas. A dívida média por CNPJ foi de R$ 22.575,93, valor mais alto entre todos os estados do Nordeste.
Na região, a unidade
federativa campeã em quantidade de empresas inadimplentes é a Bahia (386.175),
com dívida média por CNPJ de R$ 17.027,58. A Paraíba, que registrou 104.664
empresas em situação de inadimplência, possui o segundo maior valor médio de endividamento
por CNPJ (R$ 21.097,93).
O economista Janduir Nóbrega
explica que dentre as causas para o cenário estão fatores como ausência de
planejamento adequado e incapacidade das empresas em quitar as dívidas. “As
empresas melhor conduzidas tendem a sofrer menos com a inadimplência, porque a
situação é semelhante ao consumidor que não se programou para honrar
compromissos e tornou-se incapaz de cumpri-lo”, explica.
Camila Abdelmalack,
economista-chefe da Serasa Experian, avalia que os números têm relação direta
com um ambiente econômico ainda desafiador.
“O ano de 2025 foi marcado por
condições de crédito mais restritivas e custos financeiros elevados, o que
reduziu a capacidade de muitas empresas de alongar dívidas e recompor capital
de giro. O resultado é um aumento consistente da inadimplência ao longo dos
meses, culminando em novo recorde histórico no encerramento do ano em todo o
País”, afirma.
No Brasil, como mostra o
levantamento da Serasa, numa análise por setores das empresas negativadas, os
Serviços lideraram a inadimplência, com 55,2% do total registrado em dezembro
de 2025.
Na sequência aparecem
“Comércio” (32,7%), “Indústria” (8,1%), “Primário” (0,9%) e “Outros” (3,1%) –
esta última é a categoria que contempla empresas do setor “Financeiro” e do
“Terceiro Setor”. Já na análise por setor de origem das dívidas, o maior volume
de negativações também esteve em Serviços (31,5%), seguido por Bancos e Cartões
(19,3%).
Segundo Janduir Nóbrega, para
evitar o quadro é necessário se programar quanto ao fluxo de compras. “É
preciso que esse fluxo atenda às necessidades da empresa sem precisar que ela
gaste mais do que o necessário para produzir. Esse controle pode ser feito com
anotações para enxergar os compromissos que não podem ser deixados de lado”,
ensina o economista.
Micro e pequenas empresas são
as mais afetadas
Segundo a Serasa Experian,
2025 terminou com 8,9 milhões de empresas inadimplentes no Brasil, o maior
patamar da série histórica. Ao todo, as dívidas negativadas somaram R$ 213
bilhões em dezembro. Na comparação com o mesmo mês de 2024, quando o país registrou
6,9 milhões de CNPJs inadimplentes, o aumento foi de aproximadamente 2 milhões
de empresas no vermelho.
O Nordeste encerrou dezembro
último com 1.365.944 empresas inadimplentes. O volume consolida a região como a
terceira com maior número de CNPJs negativados no país no período. O Sudeste
concentrou 4,81 milhões de empresas inadimplentes, o equivalente a 53,8% do
total nacional. Na sequência apareceram Sul (1,45 milhão), Centro-Oeste (784
mil) e Norte (535 mil).
Entre as unidades federativas,
São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul lideraram
com os cinco maiores números de CNPJs negativados no período. A dívida média
por CNPJ foi de R$ 23.818,30, enquanto o ticket médio das dívidas chegou a R$
3.380,90.
Do total de empresas
inadimplentes em dezembro no Brasil, 8,5 milhões eram micro e pequenas
empresas, que acumularam R$ 185,4 bilhões em dívidas. Esse grupo registrou
média de 6,7 contas em atraso por companhia. Este dado específico, no entanto,
não foi divulgado por estado.
“As micro e pequenas empresas,
que representam cerca de 96% das empresas inadimplentes, têm, em geral, menor
acesso a linhas de crédito estruturadas e dependem mais de recursos de curto
prazo”, avalia Camila Abdelmalack, da Serasa.
João Hélio Cavalcanti,
diretor-técnico do Sebrae-RN, disse que o dado não significa, necessariamente,
que todas as pequenas empresas estejam em situação financeira crítica. “Muitas
vezes trata-se de questões pontuais de fluxo de caixa. Diferentemente das
grandes empresas, que contam com equipes especializadas para cuidar da gestão
financeira, o pequeno empreendedor geralmente acumula várias funções dentro do
negócio e nem sempre possui conhecimento técnico aprofundado para fazer um
controle mais estratégico das finanças”, disse Cavalcanti.
Ainda segundo ele, com uma
taxa Selic elevada e as dificuldades de acesso a crédito com condições mais
favoráveis, é natural que as micro e pequenas empresas apareçam em maior número
nas estatísticas de inadimplência.
“O Sebrae tem uma equipe que
orienta sobre a gestão financeira desses pequenos negócios. Temos também uma
plataforma que faz os serviços financeiros, acompanhamento e orientação aos
empreendedores, com informações sobre como buscar crédito e melhores ofertas
para determinadas necessidades”, afirma.
Felipe Salustino/Repórter

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