Energia eólica offshore| Foto: Jesse de Meulenaere/Unsplash
As empresas interessadas em
participar do edital para o primeiro projeto de energia eólica offshore do
Brasil, que será implementado em Areia Branca, no Rio Grande do Norte, têm até
o próximo dia 27 de fevereiro para formalizar a intenção em participar do
processo. Inicialmente, esse prazo estava previsto para encerrar em dezembro de
2025, mas foi ampliado a pedido de algumas empresas.
O certame, lançado em novembro pelo Senai-RN por meio do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) e a Dois A Engenharia, busca atrair investimentos para a implantação de uma planta-piloto destinada ao desenvolvimento de estudos e tecnologias voltados à energia eólica no mar.
Rodrigo Mello, diretor do Senai-RN e do ISI-ER, explicou que os pedidos para
ampliação do prazo de manifestação de interesse ocorreram por conta de
alegações de que dezembro representa um período de férias para boa parte das
gestões das empresas, a quem cabe a decisão de participar ou não do edital.
“Geralmente, quem toma esse tipo de decisão, que são equipes de diretoria, está
de recesso no final do ano, o que impossibilitou a realização de reuniões e
procedimentos internos para definir sobre o tema”, disse Rodrigo Mello, sem
mencionar o número de manifestações de interesse. Segundo ele, após a fase de
adesão, as empresas poderão construir o grupo que irá integrar os trabalhos.
De acordo com o cronograma da chamada do edital, entre 2 e 13 de março serão
realizadas avaliações estratégicas pelo grupo pré-selecionado, com a
participação em reuniões técnicas entre 16 e 27 do mesmo mês. O resultado
preliminar das empresas a serem contratadas está marcado para 1º de abril,
enquanto o resultado final, após o prazo para interposição de recursos (de 2 a
9 de abril), será divulgado em 13 de abril. O início da execução do projeto,
segundo o cronograma, ocorrerá em 1º de maio.
O RN foi o primeiro estado do Brasil a ter um projeto do tipo com licença
prévia concedida pelo Ibama, em junho do ano passado. A obra terá capacidade
instalada de até 24,5 megawatts (MW) e será executada em alto-mar, a uma
distância de 15 a 20 quilômetros da costa. O orçamento da primeira fase do
projeto é de R$ 42 milhões. A energia gerada será destinada ao consumo interno
do Porto-Ilha de Areia Branca, contribuindo para sua autossuficiência
energética e para a redução do uso de combustíveis fósseis.
A planta-piloto terá caráter de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação
(PD&I), sem fins comerciais. O objetivo do edital multiclientes é formar um
grupo de empresas investidoras que participarão do desenvolvimento da
planta-piloto e do financiamento do projeto.
Segundo Rodrigo Mello, a instalação desse empreendimento é fundamental para a
geração de conhecimento para o setor de geração de energia eólica. “O edital
vem na perspectiva de deixar claras as condições para que um parceiro
industrial possa vir participar junto com o Senai e a Dois A do desenvolvimento
dessa atividade”, falou.
“Então, quem vier participar conosco terá a possibilidade de conhecer melhor e
de forma antecipada dados da geração de energia eólica no ambiente marinho aqui
do Rio Grande do Norte, o que gera, naturalmente, perspectivas de maior
competitividade de possíveis parques eólicos em consequência deste
conhecimento”, complementou Rodrigo Mello.
Os trabalhos serão divididos em duas etapas: a primeira fase inclui o
desenvolvimento de projetos de engenharia — projeto básico e executivo — com
especificação de equipamentos, detalhamento de produtos, cronograma e valores.
O orçamento de R$ 42 milhões estimado para a fase inicial contempla os estudos
de dimensionamento, especificação, análise de solo e demais projetos técnicos.
A segunda etapa, ainda sem valor definido, será a continuidade da primeira. A
expectativa é que o projeto completo dure entre 30 e 36 meses, sendo a primeira
fase estimada entre 16 e 18 meses.

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