quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

77 encalhes de animais marinhos foram registrados no litoral do RN

O verão traz um aumento da presença de animais no litoral | Foto: CEDIDA

O ano de 2026 começou com uma série de encalhes no litoral potiguar: 77 animais marinhos, entre baleias, golfinhos e tartarugas, foram encontrados nas praias do Rio Grande do Norte em apenas 33 dias. Os dados são do Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (CEMAM).

De acordo com o CEMAM, os encalhes atendidos incluem diferentes espécies, faixas etárias e estados de conservação, ocorrendo em diversos pontos do litoral do RN. No entanto, observa-se que o animal que mais frequentemente encalha é a tartaruga-verde (Chelonia mydas), principalmente animais jovens.

Os números são apenas casos atendidos pelo CEMAM no trecho entre Ceará-Mirim e Baía Formosa. A instituição também realiza um monitoramento contínuo e sistemático em parte do litoral norte, entre Rio do Fogo e São Bento do Norte, o que possibilita a detecção de ocorrências, mesmo na ausência de notificações da população.

Filhotes utilizam áreas costeiras como zonas de alimentação e desenvolvimento, ficando mais expostos a interferências humanas, como pesca e poluição marinha. “Apesar desse perfil recorrente, os registros ainda apresentam grande variabilidade, o que dificulta a caracterização de um único evento ambiental amplo. O monitoramento contínuo é essencial para avaliar tendências e identificar possíveis impactos cumulativos ao longo do tempo”, disse Raquel Marinho, bióloga marinha do CEMAM.

Segundo ela, durante o verão, naturalmente há um aumento da presença de animais marinhos na zona costeira, período em que muitas espécies se aproximam da costa para se alimentar e se reproduzir, o que eleva a probabilidade de encalhes. No entanto, não é possível atribuir o número de casos a fatores específicos.

“Esse período também coincide com condições oceanográficas específicas, como mudanças em correntes, ventos e marés, além do aumento das atividades humanas na costa e do esforço de monitoramento, que amplia a detecção das ocorrências”, revela Raquel Marinho.

O último incidente registrado foi o encalhe de uma baleia-cachalote na Via Costeira, em Natal, no último fim de semana. A equipe do CEMAM foi chamada no domingo (1º), no final da tarde, para atender à ocorrência. Ao chegar ao local, os especialistas identificaram o animal como um cetáceo jovem da espécie Physeter macrocephalus, com aproximadamente 8 a 9 metros de comprimento.

Outras ocorrências também chamaram atenção em janeiro: o encalhe de mais de 10 golfinhos no início do mês na Praia da Redinha Nova, em Extremoz; uma tartaruga marinha encontrada morta em frente ao mercado da Redinha, na Zona Norte de Natal, no dia 20; e outra tartaruga localizada sem vida na praia de Búzios.

Sempre que o estado da carcaça permite, são realizadas avaliações externas, medições biométricas e coletas de amostras biológicas, como tecidos, ossos ou conteúdos estomacais. “No caso do cachalote, devido ao avançado estado de decomposição, as análises foram limitadas e a causa da morte permaneceu inconclusiva”, disse Raquel.

Esses dados são importantes para estudos sobre a distribuição das espécies, a ocorrência de encalhes e as possíveis interações com atividades humanas, fornecendo informações essenciais sobre a saúde dos oceanos e dos ecossistemas marinhos.

Segundo ela, uma parte significativa dos encalhes apresenta indícios de impacto causado pela ação humana, especialmente devido a atividades pesqueiras, como emalhe em redes e linhas, além da poluição marinha, incluindo lixo e resíduos sólidos. “Em muitos casos, principalmente quando os animais são encontrados em avançado estado de decomposição, não é possível determinar a causa da morte, não havendo, até o momento, evidências de um único fator predominante”, destaca.

Ao encontrar um animal marinho encalhado, a orientação é não tocá-lo nem tentar devolvê-lo ao mar, a fim de evitar estresse adicional ao animal e minimizar os riscos à saúde humana.

A recomendação é acionar imediatamente a equipe responsável, fornecendo informações sobre a localização e características do animal. Registros fotográficos podem ser úteis, desde que feitos a distância segura, sem perturbar o animal.

Tribuna do Norte

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