O ano de 2026 começou com uma
série de encalhes no litoral potiguar: 77 animais marinhos, entre baleias,
golfinhos e tartarugas, foram encontrados nas praias do Rio Grande do Norte em
apenas 33 dias. Os dados são do Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental
(CEMAM).
De acordo com o CEMAM, os encalhes atendidos incluem diferentes espécies, faixas etárias e estados de conservação, ocorrendo em diversos pontos do litoral do RN. No entanto, observa-se que o animal que mais frequentemente encalha é a tartaruga-verde (Chelonia mydas), principalmente animais jovens.
Os números são apenas casos
atendidos pelo CEMAM no trecho entre Ceará-Mirim e Baía Formosa. A instituição
também realiza um monitoramento contínuo e sistemático em parte do litoral
norte, entre Rio do Fogo e São Bento do Norte, o que possibilita a detecção de
ocorrências, mesmo na ausência de notificações da população.
Filhotes utilizam áreas
costeiras como zonas de alimentação e desenvolvimento, ficando mais expostos a
interferências humanas, como pesca e poluição marinha. “Apesar desse perfil
recorrente, os registros ainda apresentam grande variabilidade, o que dificulta
a caracterização de um único evento ambiental amplo. O monitoramento contínuo é
essencial para avaliar tendências e identificar possíveis impactos cumulativos
ao longo do tempo”, disse Raquel Marinho, bióloga marinha do CEMAM.
Segundo ela, durante o verão,
naturalmente há um aumento da presença de animais marinhos na zona costeira,
período em que muitas espécies se aproximam da costa para se alimentar e se
reproduzir, o que eleva a probabilidade de encalhes. No entanto, não é possível
atribuir o número de casos a fatores específicos.
“Esse período também coincide
com condições oceanográficas específicas, como mudanças em correntes, ventos e
marés, além do aumento das atividades humanas na costa e do esforço de
monitoramento, que amplia a detecção das ocorrências”, revela Raquel Marinho.
O último incidente registrado
foi o encalhe de uma baleia-cachalote na Via Costeira, em Natal, no último fim
de semana. A equipe do CEMAM foi chamada no domingo (1º), no final da tarde,
para atender à ocorrência. Ao chegar ao local, os especialistas identificaram o
animal como um cetáceo jovem da espécie Physeter macrocephalus, com
aproximadamente 8 a 9 metros de comprimento.
Outras ocorrências também
chamaram atenção em janeiro: o encalhe de mais de 10 golfinhos no início do mês
na Praia da Redinha Nova, em Extremoz; uma tartaruga marinha encontrada morta
em frente ao mercado da Redinha, na Zona Norte de Natal, no dia 20; e outra
tartaruga localizada sem vida na praia de Búzios.
Sempre que o estado da carcaça
permite, são realizadas avaliações externas, medições biométricas e coletas de
amostras biológicas, como tecidos, ossos ou conteúdos estomacais. “No caso do
cachalote, devido ao avançado estado de decomposição, as análises foram
limitadas e a causa da morte permaneceu inconclusiva”, disse Raquel.
Esses dados são importantes
para estudos sobre a distribuição das espécies, a ocorrência de encalhes e as
possíveis interações com atividades humanas, fornecendo informações essenciais
sobre a saúde dos oceanos e dos ecossistemas marinhos.
Segundo ela, uma parte
significativa dos encalhes apresenta indícios de impacto causado pela ação
humana, especialmente devido a atividades pesqueiras, como emalhe em redes e
linhas, além da poluição marinha, incluindo lixo e resíduos sólidos. “Em muitos
casos, principalmente quando os animais são encontrados em avançado estado de
decomposição, não é possível determinar a causa da morte, não havendo, até o
momento, evidências de um único fator predominante”, destaca.
Ao encontrar um animal marinho
encalhado, a orientação é não tocá-lo nem tentar devolvê-lo ao mar, a fim de
evitar estresse adicional ao animal e minimizar os riscos à saúde humana.
A recomendação é acionar
imediatamente a equipe responsável, fornecendo informações sobre a localização
e características do animal. Registros fotográficos podem ser úteis, desde que
feitos a distância segura, sem perturbar o animal.
Tribuna do Norte

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