O Brasil chega ao ano
eleitoral de 2026 com risco político elevado, insegurança pública no topo das
preocupações sociais e economia em destaque no debate público. São dados
trazidos pela pesquisa Latam Pulse, realizada pela AtlasIntel em parceria com a
Bloomberg, tendo o mês de novembro como referência. A pesquisa revela que 63%
dos brasileiros apontam criminalidade e tráfico de drogas como os principais
problemas do país, acima de temas econômicos ou de serviços públicos, um
indicativo de que a segurança pública pode ser um dos fatores decisivos na
decisão do eleitor no pleito deste ano.
No centro desse ambiente está o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que caminha para a reta final de seu mandato, com vistas à reeleição, enfrentando desafios de credibilidade econômica e avaliação pública mista, apesar de o país ter apresentado melhora em alguns indicadores sociais, como desemprego em níveis historicamente baixos e avanços em programas sociais. Essa avaliação permeia o cenário eleitoral, em que a confiança nas instituições e a percepção de capacidade de resposta do Governo Federal influenciam o humor do eleitor.
A confirmação do nome do
senador Flávio Bolsonaro (PL), para substituir o pai, ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) na disputa eleitoral, indicam que a Direita, que polariza o
cenário político com a Esquerda, está se reinventando para uma disputa que não
promete ser fácil para nenhum dos lados.
O levantamento Latam Pulse
incorpora essas percepções ao medir o Índice de Risco Político, que inclui três
dimensões: instabilidade institucional, que reflete, entre outros fatores, a
confiança nas regras democráticas, na independência dos poderes e na capacidade
de governança; o conflito social, que atua como termômetro da resposta do
Estado às demandas populares; e o componente de criminalidade, que reforça a
importância atribuída à segurança pública na avaliação geral do ambiente
político.
Em um contexto de polarização
social e ideológica, a percepção de que as instituições podem não responder às
demandas com eficácia tende a reforçar o senso de urgência dos eleitores na
escolha de lideranças que prometam estabilidade e ordem.
O novo Plano Nacional de
Educação (PNE), sob análise do Congresso, tenta estabelecer metas ambiciosas
para o década, buscando garantir maior qualidade do ensino básico e superior.
Essa iniciativa federal conversa diretamente com as preocupações eleitorais
sobre educação, apontadas pelo Latam Pulse como um dos pilares da decisão de
voto, ao lado de segurança, economia e saúde.
Incertezas no RN
Quando se observa o contexto
local no Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra (PT) também
protagoniza um cenário político que alimenta o debate sobre governabilidade e
respostas às demandas sociais em 2026. Em seu sétimo ano de mandato, a gestora
não conseguiu, por exemplo, melhorar os índices educacionais, mantendo o estado
na lanterna em qualidade do ensino entre os estados da federação.
Ao mesmo tempo, a gestão
enfrenta desafios fiscais significativos: a dívida consolidada do Estado
ultrapassou R$ 6,3 bilhões em 2025, segundo relatório do Tribunal de Contas do
Estado, elevando a preocupação sobre a sustentabilidade das contas públicas e a
capacidade de investimentos futuros, sobretudo em áreas cruciais como segurança
e serviços sociais, temas diretamente conectados às prioridades eleitorais
detectadas pelo Latam Pulse. Essa realidade fiscal pode moldar a percepção do
eleitor potiguar sobre a eficácia da gestão estadual e sua capacidade de
responder às preocupações com segurança e qualidade de vida e o orçamento
previsto para o ano eleitoral com um déficit de R$ 1,5 bilhão ajudam a entender
a incerteza até sobre quem vai gerir o governo quando ela se afastar para
disputar as eleições, já que o vice-governador Walter Alves ainda não deu essa
certeza.
No plano da segurança pública,
além das medidas federais e estaduais, o Rio Grande do Norte aprovou novas
vagas para a Polícia Penal, reforçando o quadro de servidores da área de
segurança, uma resposta institucional às preocupações com criminalidade que
figuram no topo da lista de problemas nacionais. Essas ações podem ter impacto
direto na forma como o eleitor avalia não apenas a liderança estadual, mas
também a capacidade de respostas públicas em níveis federais e locais.
No campo social, iniciativas
tanto do governo federal quanto do estadual em áreas como saúde incluindo
concursos públicos para reforçar quadros profissionais no Rio Grande do Norte,
respondem à percepção de fragilidades nos serviços públicos, outro dos eixos
que emergem como determinantes na decisão de voto em 2026. Mas crise na saúde
pública do RN ainda chama mais a atenção do que as medidas divulgadas. A
governadora enfrentará dois desafios: eleger seu sucessor, apresentado como
Cadu Xavier, atual secretário da Fazenda estadual, que se mantém distante dos
principais nomes que aparecem nas intenções de voto, Allyson Bezerra (União) e
Rogério Marinho (PL), bem como conseguir se eleger para uma das duas vagas
disponíveis para o Senado.
A combinação entre desafios
fiscais, preocupação com segurança pública, avaliações divergentes do
desempenho econômico e a fragmentação ideológica registrada na pesquisa Latam
Pulse sugere que o eleitor chegará às urnas muito mais sensível a percepções de
competência e capacidade de entrega de resultados do que apenas a compromissos
partidários tradicionais.
Novas regras redesenham a
disputa política em 2026
O ano eleitoral de 2026 começa
sob regras mais rígidas para partidos políticos, um calendário apertado e um
sistema que concentra recursos financeiros e tempo de propaganda nas mãos das
direções partidárias. As mudanças ampliam a desigualdade entre as legendas e
tendem a influenciar diretamente a formação de alianças, a definição de
candidaturas e o equilíbrio de forças na disputa presidencial e nas eleições
estaduais.
Para ter acesso ao tempo de
propaganda no rádio e na televisão, além dos recursos do fundo partidário, os
partidos precisarão cumprir exigências mais duras. Em 2026, as siglas deverão
eleger pelo menos 13 deputados federais distribuídos em ao menos um terço dos
estados e do Distrito Federal ou alcançar, no mínimo, 2,5% dos votos válidos em
um terço das unidades da federação, com pelo menos 1,5% em cada uma delas. Na
prática, a regra fortalece partidos maiores e impõe obstáculos adicionais às
legendas médias e pequenas.
Nesse cenário, o fundo
eleitoral e o tempo de TV para o futuro se consolidam como os principais ativos
de poder da disputa deste ano. A legislação concede ampla autonomia às direções
nacionais para definir a distribuição dos recursos entre candidatos, estados e
cargos. O controle do fundo tornou-se um instrumento de fidelização interna e
de fortalecimento de projetos considerados estratégicos, enquanto candidatos
sem respaldo das cúpulas tendem a enfrentar dificuldades para estruturar
campanhas competitivas, mesmo quando apresentam bom desempenho político.
O peso desse modelo será ainda
maior em 2026 devido ao grande número de sucessões abertas nos governos
estaduais, uma vez que 18 dos 27 governadores estarão impedidos de disputar a
reeleição, o que intensifica a disputa por recursos e alianças. No Senado,
Senado serão 54 vagas em disputa das 81 cadeiras, com o eleitor escolhendo dois
nomes, além dos deputados estaduais, federais e os governadores, impactando
diretamente a formação das bancadas federais a partir de 2027.
O calendário eleitoral também
impõe uma série de prazos decisivos. Desde 1º de janeiro, todas as pesquisas de
opinião relacionadas às eleições de 2026 devem ser registradas previamente na
Justiça Eleitoral, mesmo que não sejam divulgadas. Também passaram a valer as
condutas vedadas aos agentes públicos. Está proibida a distribuição gratuita de
bens, valores ou benefícios pela administração pública, salvo exceções
previstas em lei. Os gastos com publicidade institucional ficam limitados à
média do primeiro semestre dos três anos anteriores ao pleito, e programas
sociais não podem ser executados por entidades vinculadas a candidatos.
Outros prazos relevantes
incluem a desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos, com
afastamento entre três e seis meses antes do pleito, e a janela partidária,
entre março e abril, quando parlamentares poderão trocar de partido sem perda
de mandato. Até o início de abril, partidos e federações precisam ter estatutos
registrados no TSE, e candidatos devem definir domicílio eleitoral ou renunciar
a mandatos para concorrer a outros cargos. Já as convenções partidárias
ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto, e a propaganda eleitoral começa em
16 de agosto, incluindo campanha nas ruas e na internet. No rádio e na TV, o
horário eleitoral gratuito começa 35 dias antes da antevéspera do pleito.

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