domingo, 11 de janeiro de 2026

Editorial: a contradição que sufoca o crescimento

Foto: Magnus Nascimento

O Governo do Rio Grande do Norte celebrou a convocação de mais de 1.600 professores aprovados em concurso público como prova de compromisso com a educação. Somam-se a isso novas contratações nos últimos três anos nas áreas de saúde e segurança, somando cerca de 7 a 8 mil contratados no período, além da abertura de concursos e convocações em órgãos como Idema e Fundase. À primeira vista, a mensagem é positiva. À luz dos números fiscais, porém, ela revela uma contradição grave.

O problema não está na importância do professor, do profissional de saúde ou do servidor público. Está no fato de que o Estado não dispõe de espaço fiscal para continuar expandindo sua folha de pagamento.

Mesmo sob o argumento de “reposição de vacâncias”, o que se observa é o oposto do que a Lei de Responsabilidade Fiscal exige com o gasto com pessoal crescendo como proporção da receita. Em dezembro de 2022, a despesa com pessoal do RN representava 53,52% da Receita Corrente Líquida. Em dezembro de 2025, esse percentual chegou a 55,73%, tornando o Rio Grande do Norte o único estado brasileiro acima do limite máximo da LRF.

O crescimento comprova que há expansão líquida do custo da máquina pública, disfarçado de reposição de quadros. A situação é ainda mais preocupante quando se considera o peso estrutural da folha. Incluindo aposentados e pensionistas, o comprometimento da receita com despesas de pessoal ultrapassa 70%.

O contraste com a Paraíba evidencia que se trata de escolha, não de destino. Segundo dados disponibilizados pelo Tesouro Nacional, o comprometimento da Paraíba com despesa de pessoal é de 46,41% da RCL, enquanto o RN compromete 55,73%. A diferença significa que nossos vizinhos têm bilhões de reais a mais disponíveis para indução do crescimento.

Até outubro do ano passado, o RN investiu apenas 3% das despesas liquidadas em relação à Receita Total. Na Paraíba, esse percentual chegou a 11%, quase quatro vezes mais. É essa capacidade de investir que explica, em grande parte, os resultados econômicos distintos.

Em 2025, a Paraíba registrou crescimento de 5,5% do PIB, a terceira maior taxa do País, com destaque para a indústria, que avançou 7%. No Rio Grande do Norte, o dado mais simbólico do fracasso do modelo é a queda de 7,6% do PIB industrial, justamente no setor que mais impulsiona economias regionais.

A Paraíba demonstra que responsabilidade fiscal não é inimiga do desenvolvimento. Pelo contrário. Equilíbrio das contas, investimento público consistente e ambiente previsível criam as condições para o crescimento econômico, a geração de empregos e o fortalecimento dos serviços públicos.

O Rio Grande do Norte precisa decidir se continuará celebrando anúncios que agradam no curto prazo ou se enfrentará, com seriedade, o desafio fiscal que sufoca sua capacidade de crescer.

Tribuna do Norte

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