De acordo com a pesquisa,
cerca de 197 mil residências no estado ainda despejam esgoto em fossas
rudimentares, valas, rios, lagos ou no mar. No País, aproximadamente 11,7
milhões de domicílios apresentaram essa situação em 2024. A pesquisa aponta,
ainda, uma redução gradual do esgotamento precário: em 2019, 54,7% dos
domicílios potiguares estavam nessa condição, caindo para 24,1% em 2022 até
chegar ao índice mais recente. A Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern)
destacou que está com obras de esgotamento sanitário em andamento em diversas
cidades do Estado para buscar melhorar ainda mais o quadro.
“Há projetos em andamento em
Natal, Caicó, Assú, Macaíba, além de empreendimentos em parceria com
municípios, como é o caso de Parnamirim. A Companhia está trabalhando em um
edital de Parceria Público-Privada (PPP), com previsão para 2026, para recursos
em obras em 48 municípios referentes a esgotamento. A empresa tem trabalhado
para atendimento da meta do Marco Legal de Saneamento, de atingir o percentual
de 90% da população com acesso à coleta e tratamento de esgoto até dezembro de
2033”, explicou a Caern.
Apesar da melhora, o problema
de despejo de esgoto segue sendo mais crítico em áreas rurais, onde 43,2% dos
domicílios ainda usavam formas inadequadas no ano passado. Nas áreas urbanas, o
índice ficou em 10,5%. Para Jean Leite Tavares, coordenador do curso de
Engenharia Sanitária e Ambiental do IFRN, o combate às desigualdades se dará
com ações integradas, conforme prevê o Marco do Saneamento, para garantir aos
municípios menores as condições para fazer os investimentos necessários.
“A gestão integrada trata de
concessões por microrregiões, onde cidades com maior poder de pagamento podem
subsidiar regiões mais afastadas e que têm maiores dificuldades de
sustentabilidade econômica. Isso ajudaria a reduzir as desigualdades urbanas e
rurais”, afirma. Ele defende ainda que haja investimentos na presença de mão de
obra especializada atuando nas áreas onde há maior precariedade de saneamento.
De acordo com a pesquisa,
84,1% das residências no RN possuem formas de esgotamento consideradas
adequadas, um crescimento de 10,7 pontos percentuais em relação a 2023. As
soluções mais comuns são a rede geral ou pluvial (38,1%) e a fossa séptica não
ligada à rede (40%), considerada adequada pelo Plano Nacional de Saneamento
Básico. Apenas 6% dos domicílios utilizam fossa séptica ligada à rede pública.
Nesse aspecto, a pesquisa
também evidencia a desigualdade entre áreas urbanas e rurais: 45% dos
domicílios urbanos têm acesso à rede geral, contra apenas 3,4% nas áreas
rurais, onde predomina a fossa séptica não ligada à rede, presente em 49,8% das
residências. Na Região Metropolitana de Natal, cerca de 55 mil domicílios
(10,1%) despejaram esgoto de forma inadequada em 2024, redução em relação aos
22,5% de 2023.
Na capital, o percentual caiu
de 5,6% para 4,1%. Ao mesmo tempo, 89,9% dos domicílios na Região Metropolitana
e 95,9% em Natal contam com esgotamento adequado, com destaque para o
crescimento da rede geral ou pluvial: de 31,8% para 48,2% na Região e de 52%
para 63,7% na capital.
Foto: Magnus Nascimento
Foto: Magnus Nascimento
Foto: Magnus Nascimento
Foto: Magnus Nascimento
Abastecimento de água
Entre 2023 e 2024, o
abastecimento urbano manteve alta cobertura no RN, embora tenha havido registro
de leve queda. O abastecimento rural, por sua vez, apresentou redução no
fornecimento diário, de 52,4% para 39,2%. O uso de poços profundos cresceu em
ambas as áreas, enquanto poços rasos aumentaram na zona urbana e diminuíram na
zona rural. Fontes e nascentes também tiveram aumento nas zonas rurais,
indicando mudanças no acesso à água.
A frequência de fornecimento
por um a três dias por semana aumentou, principalmente na zona rural (de 31,3%
para 37,6%), enquanto o abastecimento de quatro a seis dias diminuiu na zona
urbana e cresceu na rural (9,6% para 16,8%). A Caern esclareceu que atua
principalmente na área urbana, tendo atendimento pontual em algumas zonas
rurais, e disse que tem intensificado esforços para garantir a regularidade do
abastecimento nas cidades atendidas.
“As medidas de monitoramento e
melhoria incluem investimentos em sistemas de telemetria, com a instalação de
sensores de pressão e vazão em pontos estratégicos da rede de distribuição.
Essa tecnologia permite que o Centro de Controle Operacional monitore os
sistemas em tempo real, identificando rapidamente variações de pressão e
vazamentos para que o reparo seja feito de forma ágil, minimizando interrupções
no fornecimento. A Companhia também tem reforçado a fiscalização para combater
furtos de água e ligações clandestinas. Além disso, a empresa tem focado na
redução de perdas, utilizando ferramentas como o georadar”, pontuou a
Companhia.
Tribuna do Norte

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